De Ontem Em Diante
11 O início deixa de ser início
Notas iniciais
Não vou falar do capítulo, deixo vocês lerem, nos vemos nas notas finais.
E vamos ao último capítulo...
Se já era difícil encarar uma reunião com os executivos sendo a assistente promovida a diretora executiva, seria pior agora, todos sabiam ela também era a namorada do dono da empresa. Certamente a maioria dos membros do conselho a veriam como a mulher que dorme com Anthony Stark e por isso chegou à presidência. E naquela segunda-feira ela teria que enfrentá-los.
Durante a madrugada Tony recebera o chamado de uma missão e, mesmo já sendo de manhã ainda não tinha voltado. Pepper então saiu da cama, banhou-se e aprontou-se para o dia que teria, escolheu um vestido branco, justo e na altura dos joelhos, por ter alças finas, o sobrepôs com um blazer preto, calçou sapatos também pretos, arrumou os cabelos e se maquiou. Estava pronta. Pronta para um dia que seria longo.
Desceu as escadas em direção à cozinha, precisava ao menos tomar uma xícara de café antes de sair, só assim acordaria de fato. Após pronto, calmamente ela ingeria goles do líquido quente, quando ouviu passos vindos da escada da oficina, Tony havia chegado.
—Já de saída?— ele perguntou caminhando até o balcão onde ela estava.
—Sim, e você chegando— ela sorriu fraco.
—Pepper, que dia é hoje?— ele perguntou como se quisesse uma resposta específica.
—Segunda-feira—ela respondeu sem titubear e percebeu que não era aquilo que ele esperava ouvir.
—Vou subir, descansar— ele a beijou —Bom dia, bom trabalho. Ah...você está linda— ele disse subindo as escadas em direção ao quarto.
Por algum motivo Tony estava estranho, mas naquele momento Pepper não podia conversar sobre o que o perturbava. Seguiu então para a empresa, ao chegar foi recebida por Blake.
—Bom dia, Srta Potts— ele a cumprimentou.
—Bom dia Sr Esteves, o que são essas pastas?— perguntou ao ver o que ele tinha nas mãos.
—São alguns documentos que necessitam de sua assinatura, eu estava indo deixá-los sobre a sua mesa.— ele explicou —Srta, qual o melhor horário para a reunião com os executivos?
Pepper coçou a testa e suspirou —16h, Sr Esteves— ela pegou as pastas das mãos de Blake, e foi para sua sala.
Pepper sentou a sua mesa e começou a ler os relatórios que Blake havia lhe entregado. As horas passaram e quando se deu conta já era hora da reunião. Quando chegou à sala de reuniões acompanhada de Blake todos os acionistas estavam presentes.
—Boa tarde, Srs— disse Pepper.
—Boa tarde— responderam em uníssono, porém apenas o Sr Gilmore levantou-se quando ele adentrou ao sala.
Ao perceber aquilo, Pepper não fez questão de sentar-se, manteve-se em pé na cabeceira da grande mesa, enquanto os executivos ficaram sentados.
—Sr Esteves, por favor, distribua os tópicos da reunião.— ela pediu.
Enquanto os homens liam o material entregue, Pepper explicava as novas direções que a empresa seguiria, até que um deles se manifestou.
—Sr Potts, posso ter uma parte?— perguntou o Sr Ronald Smith.
—Por favor— Pepper consentiu —É importante saber a opinião dos Srs.
—Pois bem, acho que falo em meu nome e em nome de todos aqui presente— Smith começou e Pepper sabia que não gostaria do que ouviria —Nós não nos opusemos quando o Sr Stark a nomeou como diretora, até porque ele é o dono da empresa e nós apenas sócios. Mas para que ele possa mudar o ramo de atuação da empresa ele precisa da maioria das ações, ou seja, 2% a mais do que ele possui.
—Eu possuo 3% das ações, e sou a favor das mudanças na empresa— manifestou-se o Sr Gilmore.
Pepper conteve o sorriso vitorioso, e acenou discretamente para Richard Gilmore. —Posto isso, acho que aos demais só resta aceitar os novos rumos— ela disse.
—Isso é ultrajante, Stane jamais deixaria que isso acontecesse— Sr Smith pronunciou-se visivelmente contrariado.
—Sr Smith— disse Pepper calmamente —As mudanças vêm ocorrendo desde antes da morte do Sr Stane.
—Eu sei disso —disse Smith —Mas também sei que Obadiah seria contra esses novos rumos.
—Você não tem certeza disso e, infelizmente, Stane não está mais aqui— disse o Sr Gilmore.
Todos os executivos acreditavam que Obadiah era um homem acima de qualquer suspeita, ninguém desconfiava de tudo o que ele havia tramado contra a empresa e seu herdeiro, apenas Pepper e Tony sabiam qual era a verdadeira face de Obadiah e como ele havia morrido.
—Anthony Stark é um mimado, e faz o que quer com a empresa, inclusive colocar a namorada para dirigi-la, o pior, é sempre ter alguém que embarca nas sandices dele, você será conivente com a ruína da Stark, Gilmore, essa história de investir em energia não dará em nada.— disse Smith enquanto deixava a sala sendo seguido por outros acionistas favoráveis a sua opinião.
—Acho que devemos dar a reunião por encerrada— Pepper disse para o Sr Gilmore e outros dois sócios que restaram.
Ao fim da reunião Blake acompanhou Pepper até sua sala, no caminho ele tentou puxar assunto com ela.
—Parece que os executivos gostavam da administração desse Obadiah Stane— disse ele.
—O que eles esquecem é que Obadiah não teria o que administrar não fossem os projetos do Tony, digo, do Sr Stark.— ela respondeu, e virou para Blake —Você está dispensado, o vejo amanhã, Sr Esteves.
Pepper despediu-se de Blake ainda no corredor não estava a fim de conversa, de responder mais perguntas, na verdade, nem precisava respondê-las se não quisesse, mas também não queria ser indelicada com o rapaz. Estava exausta e atordoada, passou o dia pensando em Tony e na reação esquisita dele pela manhã. Entrou em sua sala, pegou a sua bolsa e voltou para a mansão.
Ao chegar não encontrou Tony, foi para a suíte, precisava de um banho, relaxar, decidiu tomar banho de banheira o que não fazia há tempos. Encheu-a, colocou alguns sais de banho, despiu-se e imergiu na água morna. Perdeu-se em seus pensamentos a ponto de parar de pensar, até cochilar.
—Tomando banho sem mim?— a voz de Tony a despertou num susto, ele estava sentado na beira da banheira a olhando enquanto assoprava a espuma que tinha nas mãos.
—Por Deus, Tony, que susto!
—Se você se assustou é porque estava fazendo coisa errada, ou pensando.— ele disse divertido.
—Eu não estava pensando em nada, só queria relaxar depois do dia de hoje.— ela respondeu.
—Dia difícil?— ele perguntou.
—Você não tem ideia, reunião com os acionistas.
—Como eles foram?— ele questionou.
—Hostis, como de costume.— ela respondeu —Tony, eu posso terminar de tomar banho? Depois conversamos.— ele não disse nada para ela, apenas saiu.
Pepper não demorou a sair do banho, enxugou-se, passou os hidratantes que a deixavam com cheiro que Tony tanto gostava. Escolheu um vestido solto para vestir, seu tecido leve e branco tinha pequenas flores azuis. Deixou os cabelos soltos e manteve-se descalça, era assim que ela costumava andar em ‘casa’. Fazia um mês que a mansão era mais a sua casa do que o seu próprio apartamento, e ao deduzir isso se deu conta do comportamento estranho de Tony.
Desceu as escadas procurando por Tony, mas não encontrou, foi até a cozinha pegou uma taça e encheu-a de vinho, então foi para sala e se sentou ao sofá, resolveu esperá-lo, de repente ele apontou na escada vindo do andar de cima. Ele havia trocado de roupa, vestia uma calça preta e camiseta branca, seus cabelos estavam molhados.
—Onde você estava?— ela perguntou antes de dar um gole no vinho.
—No quarto de hóspedes, tomando uma ducha, por quê?
—Um mês— ela disse alisando o dedo indicador na borda da taça que segurava, sem responder a pergunta dele.
—O que foi?— ele perguntou atordoado pela visão dela.
—Faz um mês, essa era a resposta que você queria ouvir de mim hoje pela manhã, não era?— ela perguntou enquanto ele caminhava até o sofá. —Um mês desde Nova York.— ela disse com os olhos azuis reluzindo.
—Você se lembrou— ele sorriu.
—Me admira você ter se lembrado, você que esquece até do meu aniversário.— ela torceu o nariz —E se eu não tivesse lembrado fosse ficaria de cara emburrada até que dia?— ele perguntou.
—Eu faria você lembrar— ele sentou-se ao lado dela —Um mês, meu relacionamento mais longo— ele levou os lábios aos dela depositando um beijo.
—O seu único relacionamento, por muito tempo eu espero— ela disse.
—Por muito tempo— ele se aproximou mais dela — Desejando todos os dias a mesma mulher— ele colocou o cabelo dela atrás da orelha e acariciou seu rosto.
—Desejando todos os dias a mesma mulher— ela sorriu —Isso parece letra de música.
—Talvez seja— ele sorriu pegando a taça de vinho das mãos dela e depositando sobre a mesa de centro.
Pepper aproximou a sua boca da de Tony e mordiscou o seu lábio inferior, provocando-o, levou as mãos à barra da camiseta que ele vestia, levantando-a, revelando o seu abdômen e tirou-a dele por completo.
Tony puxou Pepper para mais perto de seu corpo, e abocanhou os lábios dela, com fome, desejo, por muito tempo se consumiram, mãos explorando os corpos um do outro. Lábios, línguas e uma doce sensação, até o ar tornar-se necessário. Afastaram-se ofegantes, lábios inchados. Tony passou a beijar os ombros e Pepper contemplando cada sarda, afundou o rosto na curva de seu pescoço.
—Eu adoro o seu cheiro— ele disse com a voz abafada.
—E eu adoro você— ela disse ofegante.
—Você quer ir para o quarto?— ele perguntou.
—Eu quero você— ela respondeu de um jeito sexy.
Imediatamente, Tony a deitou sobre o sofá, envolvendo o corpo dela com o seu, beijando-a e depois se afasta pairando sobre ela, suas mãos apoiadas de ambos os lados do corpo de Pepper.
—Você é tão bonita.— ele diz.
—Você também, por dentro e por fora e só eu o conheço assim.— ela diz acariciando o rosto dele.
Tony volta a beijá-la degustando-a, seus lábios se movem para o pescoço dela deixando rastros de beijos, leva uma mão até a perna, correndo a mão máscula sobre a pele delicada, chegado à barra do vestido, as coxas, até chegar a lingerie dela, puxando-a para baixo deslizando-a pelas pernas dela. Pepper mantém uma mão nos cabelos de Tony, e a outra em seu ombro, trazendo-o para ela, já sente a ereção dele entre as suas pernas mesmo ainda vestido, movimenta o corpo de encontro ao dele, mostrando que é isso que ela quer, ele.
Tony se afasta, delicadamente termina de tirar a calcinha de Pepper, livra-se do restante das próprias roupas, senta-se no sofá com as pernas levemente abertas e a puxa para o seu colo, equilibrando-a próximo aos joelhos, ela segura os ombros dele. Ele coloca as mãos sobre os joelhos dela e passeia por suas pernas, uma continua o caminho subindo sobre o fino vestido até as costas de Pepper e a outra para no interior das coxas, ele introduz dois dedos no sexo úmido dela, ela geme e joga a cabeça para trás, o braço firme dele em seu tronco não a deixa cair de seu colo. Alternando a velocidade Tony move os dedos dentro dela, Pepper leva uma das mãos ao membro dele e passa a acariciá-lo por toda a extensão, dando a ele o mesmo prazer que está recebendo, ela não parece envergonhada ou tímida, suas respirações são aceleradas e sincronizadas.
—Tony— ela geme, quando o polegar dele toca o ponto mais sensível de sua intimidade, com as mãos ele era mais habilidoso que ela, sempre soube disso.
Tony leva as mãos à cintura de Pepper, a levanta um pouco trazendo-a para si, Pepper se coloca sobre ele lentamente, deslizando o quadril ao encontro do dele. Tony geme alto, ao preenchê-la, Pepper suspira e morde o lábio numa expressão de êxtase, eles estão conectados. Encaram-se por um momento, olhares intensos, ofegantes, nariz com nariz.
—Acho que podemos nos livrar desse vestido— ele diz e desliza o vestido pelo corpo dela, depois a livra do sutiã de renda branca.
Pepper começa a mover-se sobre Tony, enquanto ele abocanha um seio dela, dando atenção ao outro com a mão e vice-versa, um deleite que dura longos minutos. Os dedos dela deslizam em seu cabelo úmido, puxando a cabeça dele para trás, seus lábios procuram os dele, enquanto ela não para de se movimentar para cima e para baixo, saboreando-o e sendo saboreada. Tony geme alto, suas mãos estão nos cabelos e nas costas dela, sua língua invade a boca dela avidamente.
Não há missão, não há estresse na empresa. E depois do dia que tiveram, eles têm um ao outro. Sempre terão isso. As mãos de Tony vão para o traseiro de Pepper, ele a controla, movendo-a, no seu ritmo.
Pepper geme, sua respiração está acelerada, crava as unhas nos ombros de Tony, que arfa, de dor e luxúria, afundando o rosto na curva do pescoço dela. Uma onda de prazer percorre o corpo de Pepper e ela chega ao clímax, seguida por Tony visivelmente extasiado. Ela cai exausta sobre o peito dele, ele acaricia as costas dela com a ponta dos dedos.
—Você faz eu me comportar de um jeito que eu nunca pensei que pudesse.— ela diz ainda respirando com dificuldade.
—Você tem o mesmo efeito sobre mim, Pepper— ele diz, sua voz é rouca.
Tony afasta os cabelos úmidos da testa suada dela e a beija. Pepper gentilmente deposita um beijo no peito dele, circunda o reator com o dedo indicador.
—Eu adoro estar assim, conectada a você refletindo em mim, me dá a certeza que eu tenho você.— ela diz.
—Você me tem, Pepper, você sabe disso— ele beija o seu rosto, e depois lhe dá o mais doce dos beijos, seus lábios firmes e possessivos nos dela.
—Um mês— ela afaga o rosto dele —Feliz aniversário, Sr Stark.
—O primeiro de muitos.— ele a ouve sorrir —Feliz aniversário, Srta Potts.
(...)
Cinco meses depois
Os últimos meses não foram nada fáceis para Pepper e Tony, a empresa a ocupava as missões o mantinham fora de casa, e ela ia cada vez menos ao seu apartamento, praticamente mudou-se para a mansão.
—Você podia se desfazer desse apartamento, ou alugá-lo, talvez— Tony disse para Pepper num dia qualquer.
—Não, Tony, deixe o meu apartamento, eu gosto dele— ela respondeu —Além disso, é bom ter um lugar meu, não que seja minha intenção ficar longe de você, meu amor— contrariado, ele aceitou a justificativa dela e não tocaram mais no assunto.
Os acionistas estavam cada vez mais arredios, por mais que as mudanças da empresa fossem fato consumado. Mas desconfiado como sempre fora, Tony convenceu Pepper a adquirir ações da empresa, caso do Sr Gilmore mudasse de lado, eles ainda teriam a maioria.
Tony dedicou muito de seu tempo aprimorando a tecnologia do reator. Foi então que surgiu a ideia de uma torre abastecida por um reator arc, emanando energia limpa para toda a cidade. Ele estava realmente animado. Pepper sugeriu que fosse um prédio altíssimo e autossuficiente em energia, Tony adorou a ideia, e começou a divagar, vários andares com setores de pesquisa e laboratórios, e na cobertura ele moraria com Pepper, se ela aceitasse.
Eram nove horas da noite e eles já estavam prontos para dormir, Pepper havia chegado exausta e o dia de Tony também não tinha sido calmo. Estavam deitados na enorme cama, fazia calor aquela noite, a janela da sacada estava aberta e o vento que entrava no quarto trazia consigo a maresia, dava pra ouvir as ondas arrebentando nas rochas na encosta da mansão.
Com a cabeça sobre o peito de Tony, Pepper ingenuamente brincava com os dedos sobre o feixe de luz que saía do reator, enquanto ele afagava os cabelos dela.
—Tony, onde construiremos a torre?— Pepper perguntou.
—Pepper, jura que nós falaremos de trabalho, aqui e agora?
—Só responde, Tony— ela retrucou.
—Estava pensando em Nova York, mas você decide, o projeto é seu— ele disse para ela.
—Mas você também quer morar no prédio e, se você for morar em Nova York, bem, nos veríamos apenas aos finais de semana.— ela disse com desânimo.
—Por que isso, Pepper?
—Por que eu trabalho aqui, há toda uma questão de deslocamento, você não acha?— ela disse e então ele percebeu onde ela queria chegar.
—Pep, você acha que eu não pensei em termos um escritório da Stark num dos andares da torre? Você só terá que se acostumar a trabalhar e morar no mesmo prédio.
—Está me convidando para morar junto com você?— ela arqueou a sobrancelha, levantando a cabeça para olhá-lo.
—Se você quiser, afinal, nós já vivemos juntos, só mudaremos de cidade.— ele disse e deu-lhe um leve beijo.
—E porque Nova York?— ela perguntou.
—Por que uma vez você me disse que amava Nova York e adorava vê-la do alto.
—Você lembra disso?—perguntou surpresa —Talvez você seja mesmo o melhor namorado do mundo, Sr Stark.— disse Pepper.
—Talvez eu seja— ele se gabou —Pepper?— ele a chamou.
—Poderíamos fazer algo melhor nesta cama do que ficar conversando, você não acha?— ele perguntou malicioso.
—Meu Deus, Tony, você só pensa nisso!— ela o repreendeu, dando um tapa no braço dele.
—Ai— ele resmungou —Eu não disse nada, é você quem está pensando em sexo, há outra coisa para fazermos na cama, dormir, por exemplo.— ele disse rindo e ela bufou.
—Pois bem, vamos dormir, então. Boa noite— ela virou-se para o lado dando as costas para ele, não contente com o desfecho da conversa, Tony chegou mais perto de Pepper aconchegando seu corpo ao dela —Vai dormir, Tony— ela disse ao sentir a respiração quente dele em sua nuca.
—Pep?— ele chamou e ela não respondeu, então foi ele quem bufou.
Na manhã seguinte, Pepper já havia tomado banho e encarava o closet a procura de algo para vestir, Tony ainda dormia tranquilo. Acabou optando por uma saia verde-oliva e uma blusa de seda cor de champanhe, colocou a roupa sobre a cama, quando Tony acordou e rolou sobre as roupas.
—Tony, você vai amassar a minha roupa— ela esbravejou.
—Desculpa, eu não vi a sua roupa— ele rolou pra o outro lado, levantou-se da cama e seguiu para o banheiro —Verde não combina com você— ele disse antes de fechar a porta.
—Você nunca me viu de verde— ela gritou para que ele ouvisse.
Na verdade, nem Pepper tinha certeza se verde combinava com ela, a saia comprada por impulso estava guardada há meses. Vestiu-se, a saia tinha a cintura alta, era perigosamente justa, e um pouco abaixo do joelho, combinou perfeitamente com a camisa escolhida. Prendeu os cabelos num rabo de cavalo, optou por um colar e brincos de pérolas. Terminava a maquiagem quando Tony voltou do banheiro.
—Retiro o que eu disse— a voz de Tony ecoou dentro do quarto.
—O que foi?— virou-se para ele que caminhava na direção dela.
—O verde ficou...— ele buscava a palavra enquanto passava a mão sobre os cabelos —Maravilhoso em você— ele disse.
—Obrigada, eu também gostei do resultado— ela respondeu com um sorriso tímido e sentou-se na poltrona para calçar os sapatos, pretos e altos como de costume.
Tony sentou-se na beirada da cama observando-a, ao perceber isso, Pepper fez do simples ato de calçar sapatos um show particular.
—Seis meses de relação e eu ainda não sei como você consegue— ele disse desconsertado.
—Oi?— ela fingiu ingenuidade.
—Você vai do ingênuo ao lascivo numa questão de segundos, Pepper.— o comentário dele a fez corar —Viu, é disso que eu estou falando?— ela riu sentindo o rosto queimar.
—Acho que é da mesma forma que você vai do romântico ao pervertido numa fração de segundos— ela deu um sorriso lateral.
Tony pôs-se de pé e caminhou até onde Pepper estava apoiando as mãos nos braços da poltrona ele fixou seus olhos castanhos nos olhos azuis dela. Pepper já ficava sem ar, a simples aproximação de Tony já a fazia ofegar, meses convivendo com esse homem e ele ainda tinha o mesmo efeito sobre ela. Ele correu o nariz pelo pescoço dela, sentindo o cheiro doce que tanto amava, até chegar ao pé do ouvido de Pepper.
—Eu espero que só eu conheça o seu lado lascivo, Srta Potts— sua voz era gutural.
—Digo o mesmo para o seu lado romântico, Sr Stark— ela retrucou —E sobre seu lado pervertido, também, não quero você romântico comigo e sem vergonha com as outras.
—Que outras, Pepper? Depois que eu vi você nunca mais enxerguei as outras.— ele disse.
—Boa resposta— diz aproximando os seus lábios dos dele, então ela o beija, suas línguas entrelaçam numa dança sincronizada, resultado de um amor cultivado aos poucos e de uma paixão que dura meses.
Ofegante, Pepper se afasta, o olhar de Tony é intenso, quente, seus olhos não deixam os dela, e por um momento ele pensa em ficar, mas é responsável demais para faltar ao trabalho.
—Preciso ir— ela diz.
—Mesmo?— ele pergunta desolado —Você não pode atrasar uma horinha?— ele entorta a cabeça para o lado.
—Deus do céu, Tony, se dependesse de você viveríamos nesse quarto.— ela o censura.
—Não só no quarto— ele diz com um sorriso sacana —Foi você que me provocou, eu estava quieto e comportado.— defendeu-se.
—Preciso trabalhar.— ela desconversa.
—Podíamos jantar fora essa noite, não estou a fim de fazer o jantar— ele brincou.
—Você tem que parar com essa mania de achar que cozinha.— ela riu.
—Então você aceita o meu convite para jantar?— ele perguntou com seu melhor sorriso lateral.
—Aceito— ela diz— Agora me dê espaço, estou encurralada.
Tony deu espaço para que ela passasse, mas antes de Pepper sair a tomou em seus braços para um último beijo.
—Tenha um bom dia, Srta Potts— ele disse.
—Depois dessa manhã, com certeza eu terei, Sr Stark.— e assim se despediram.
Prisão Estadual da Califórnia
Deitado no beliche da cela fria que ocupou nos últimos seis meses e onde arquitetou o seu plano de vingança, Justin Hammer esperava o resultado do último pedido de revogação de sua pena. Não era o primeiro e, caso não fosse aceito, não seria o último. Durante esses meses e única regalia que tivera foi ter uma cela particular e com o tempo passou a receber o jornal, que sempre devolvia recortado.
Quando não estava fazendo as atividades com os outros presos, era assim que Hammer ficava, deitado no beliche apoiando a cabeça sobre os braços, enquanto encarava o estrado da cama de cima. E naquela manhã, quando o guarda arrastou o cassetete pelas grades da cela fazendo um barulho quase ensurdecedor, Justin recebeu a notícia que tanto esperava.
—Levante-se, Hammer, você está livre— disse o guarda de voz grave.
Hammer esticou o braço e pegou um dos recortes preso à cama sobre sua cabeça, encarou a foto do feliz casal e deu um sorriso de escárnio, começaria a pôr em prática o plano arquitetado por meses.
Notas finais
Capítulo quente, né? Ou nem? Bom, o vilão tá de volta, vamos ver no que vai dar.
Chegamos ao meio da história, por isso a passagem de tempo, acho que ficou meio confuso.
Amores, só volto a postar na primeira semana de janeiro, não me abandonem, pfvr.
Feliz Natal e Ano Novo pra vcs ♥
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