Notas iniciais
Oi, gente.

Ai, que saudade daqui =)

Então, primeiramente,...

Feliz Ano Novo, tudo de bom pra vocês, saúde, suce$$o, amor, música e tudo mais que vcs desejarem.

Segundamente(essa palavra não existe, claro), a partir daqui começa uma nova fase na história, tá?

Por isso que o último capítulo foi aquele melação toda e tals.

Tô falando demais, né? Vou deixar um pouco pras notas finais.

Vamos ao capítulo

Prisão Estadual da Califórnia



Escoltado pelo guarda, Hammer seguiu até a última sala que ele ocuparia naquela penitenciária, ali trocaria as suas roupas de presidiário pelo terno que o seu advogado havia levado, pegou a foto que segurava nas mãos e colocou no bolso interno do paletó. O guarda entregou-lhe um envelope pardo com os objetos que ele portava na noite em que foi preso.

Deixou o cubículo, seu advogado o aguardava do lado de fora da sala, foram guiados para fora da prisão, passando por um imenso corredor cinza, separado por diversas portar de ferro, até que o último portão fechou-se atrás de si, o barulho da guarda trancando o grande portão deu-lhe a certeza. Sim, ele estava livre.

—Durante esses meses, foram cinco advogados e só você foi capaz de me tirar daqui— disse para o homem. —Você deve ser bom mesmo, precisarei da sua ajuda para recuperar a minha empresa, não me importa se você vive em Nova York, faça o que for preciso, dinheiro não é o problema.

—Tudo bem, Sr, o escritório para onde trabalho disse que eu ficasse a sua disposição— disse o advogado. —O que o Sr deseja fazer agora?— perguntou antes de entrar em seu carro.

—Preciso ir para minha mansão, tirar de mim esse cheiro de cadeia— disse com nojo evidente entrando sentando-se ao banco do passageiro —Ainda hoje tenho que comprar umas flores.— disse Hammer, o advogado aquiesceu —Qual é mesmo o seu nome, Sr...?

—Matthew Morrison— disse o advogado estendendo a mão para cumprimentar Hammer antes de arrancar com o carro.



Indústrias Stark

Pepper chegou à empresa aquela manhã com a ilusão de que o dia seria tranquilo, passou por Miranda e Blake cumprimentando-os no hall que antecedia as salas da diretoria e adentrou sua sala e deparou-se com pilhas de pastas sobre a sua mesa. Dava a impressão de ser material acumulado como se ela tivesse ficado afastada da empresa por dias, o que não acontecera. Imediatamente tirou o telefone do gancho para chamar por Blake.

—Venha até aqui, Sr Esteves— ela pediu quando Blake atendeu ao telefone, em segundos ele abriu a porta da sala de Pepper.

—Pois não, Srta Potts?

—O que significa isso tudo aqui?

—São alguns relatórios, que estavam presos em outros departamentos da empresa, necessitam de sua assinatura— disse Blake.

—Entendo— ela disse —Tudo bem, Sr Esteves, pode sair.

Blake saiu e Pepper ficou encarando a montanha de documentos, era sexta-feira um dos dias mais calmos, possivelmente só faria aquilo o dia inteiro. Começou a ler os documentos, afinal, na guerra de interesses em que a empresa se encontrava não era prudente assinar nada sem ler atentamente.

As horas passaram e quando se deu conta era hora do almoço, Pepper tinha fome, mas nenhuma vontade de sair para almoçar, decidiu almoçar na empresa abriria uma exceção, pediu para que Blake fosse buscar o seu almoço num restaurante próximo à empresa.

—Sr Esteves, por favor, você poderia buscar o meu almoço?— ela pediu sem jeito, nunca se imaginou abusando do assistente dessa forma.

—Claro, Srta Potts— Blake deu um sorriso carismático —O que a Srta deseja?

—Eu quero...—fez cara de dúvida —Um filé de salmão grelhado, arroz branco e uma salada de folhas verdes,... e um suco natural.— ela disse enfim.

Blake saiu para buscar o almoço de Pepper, ela não disse qual sabor de suco queria e ele esqueceu-se de perguntar, acabou escolhendo aleatoriamente. Quando voltou com o almoço, Pepper não estava em sua sala, então Blake arrumou tudo sobre a mesa. Ao chegar, ela se surpreendeu com a organização do rapaz, ele arrumou o almoço para que não ficasse com cara de ‘delivery’ a não ser pelo copo que ainda tinha a embalagem do restaurante. Blake saiu e deixou Pepper a sós para que pudesse desfrutar tranquilamente de seu almoço.

Pepper comia calmamente quando foi interrompida, pelo Sr Smith que sem ser anunciado invadiu a sala dela, a fazendo engasgar, mesmo assim levantou para enfrentá-lo.

—Desculpe-me Srta, eu disse que ele não podia— disse Blake alterado, Pepper fez sinal com as mãos o acalmando, tomou um gole do suco para desengasgar, não conseguiu nem sentir o gosto.

O Sr Ronald Smith começaria cuspir algum impropério que justificasse a sua entrada intempestiva, quando ela tossiu ainda engasgada e fez sinal com a mão, tomou outro gole de suco, enquanto os homens na sala aguardavam. Pepper ia se pronunciar quando sua voz falhou, o ar parecia faltar.

—Pelo amor de Deus, qual o sabor desse suco?— perguntou assustada, já empalidecendo.

—Eu vou lá saber qual...

—Frutas vermelhas, a Srta não disse qual sabor queria— Blake cortou Smith.

Ao ouvir a resposta de Blake, Pepper caminhou até a bolsa, sua respiração era pesada, procurou pelo antialérgico e não encontrou, há anos ela não tinha uma reação alérgica.

—Faça alguma coisa, rapaz, a mulher está passando mal— disse Smith para Blake.

—O que foi, Srta?— Blake perguntou ao aproximar-se de Pepper.

—Alergia...morangos— Pepper disse com dificuldade, fazia um enorme esforço para levar ar aos pulmões.

Blake a pegou nos braços e a levou até o ambulatório da empresa, que por sinal era muito bem equipado, mas pouco utilizado. Quando viu o assistente passar com Pepper quase desacordada nos braços, Miranda achou prudente ligar para Tony.

—Sr Stark, telefonema da empresa— disse a voz de Jarvis ecoou na oficina da mansão.

—Viva-voz, Jarvis— disse Tony.

—Sr Stark, aqui é Miranda Parker da empresa...

—Já sei, a Srta Potts, pediu pra você me ligar, porque vai trabalhar até mais tarde?— Tony cortou Miranda, sabia que Pepper jamais pediria que seu assistente ligasse para ele.

—Não, Sr, errr...

—Diga logo— disse impaciente ao perceber a reticência de Miranda.

—A Srta Potts, acaba de ser levada ao ambulatório da empresa, ela...

Tony não esperou Miranda dizer mais nada, desligou a ligação a subiu as escadas da oficina numa carreira. Ainda precisava trocar a de roupa, vestiu a primeira que viu e correu para a empresa. No caminho, furou sinais vermelhos e não respeitou nenhuma sinalização de trânsito. Em poucos minutos estava no ambulatório da empresa.

—Onde ela está?!— perguntou alterado ao ver Blake do lado de fora do ambulatório.

—Acalme-se, Sr Stark— disse a médica saindo da sala onde Pepper estava.

—Como ela está?— ele perguntou mais calmo.

—Ela está bem, de lá de dentro ouvimos a sua voz, vá vê-la— disse a Dra Cameron.

Tony entrou no ambulatório e viu Pepper deitada sobre a cama, já não estava mais com os cabelos presos como quando havia saído de casa aquela manhã e estava visivelmente pálida. Tony vestia jeans, camiseta de banda de rock e um tênis. Pepper esboçou um sorriso ao vê-lo, há tempos ela não o via assim, ele estava lindo apesar da sombra de preocupação em seu rosto.

—Como você soube que eu passei mal, eu nem tive tempo de pedir para ligarem?— perguntou abatida, sua voz era um sopro.

—Miranda, ligou na mansão, e...

—Tony, faz menos de vinte minutos que...

—Você não tem noção de quantas regras de trânsito eu quebrei, Pep— disse afagando a testa dela, Pepper estava gelada.

—Pelo menos você não veio de armadura— ela disse com a voz já voltando ao normal.

—Eu nem consegui pensar nisso— ele sorriu fraco. —Nem esperei Miranda acabar de falar, o que aconteceu, Pepper?

—Eu tive um mal estar...

—Pepper, por acaso você não está...está?— os olhos de Tony ficaram maiores do que eram.

—Não, Tony, claro que não— sorriu sem graça —Eu tive uma reação alérgica...

—Ela teve um choque anafilático, ou seja, uma reação alérgica, no caso dela a morango— interrompeu a Dra Cameron, vendo que nenhum dos dois deixaria o outro falar.

—Porque raios você foi comer morangos?!— ele perguntou.

—Eu não comi, estavam no suco que eu tomei no almoço— ela defendeu-se. —Eu decidi almoçar no escritório e pedi que Blake...

—Quem é Blake?!— Tony perguntou.

—Meu assistente, Blake Esteves— a informação dela fez Tony fechar a cara —Eu pedi para o Sr Esteves buscar o meu almoço e um suco e bem, o suco era de frutas vermelhas.

—Esse idiota não sabe que morango é vermelho?!— exclamou Tony.

—Tony, como ele poderia saber que eu sou alérgica a morangos?

—Você deveria ter dito, ele tinha que ter perguntado, poderia ter acontecido o pior...

—Tony, eu já estou medicada, já estou bem, a culpa não foi dele, e esse seu descontrole não está ajudando. Acho melhor você se acalmar.— ela pediu exaltada.

—Você acha que eu não tenho motivo para estar assim?— ele perguntou —Que inferno, Pepper, você tem noção que poderia ter morrido, por que ele não lhe fez uma simples pergunta?— foi a primeira vez que Pepper viu Tony explodir com ela daquela maneira.

—Mas o Sr Esteves também salvou a Srta Potts, porque se ele tivesse a levado para o hospital mais próximo em vez de trazê-la para cá, com certeza ela teria as vias aéreas completamente obstruídas e, seria mais complicado o quadro dela.— disse a Dra Cameron voltando a interromper os dois.

Tony suspirou pesadamente e saiu da sala de atendimento do ambulatório claramente irritado. Pepper pensou em chamá-lo, mas sabia que ele precisava ficar sozinho. Foi a deixa para Blake ir conversar com Pepper.

—Srta Potts, eu quero pedir desculpas, por tudo isso e...

—Você não tem nada do que se desculpar.— ela disse tranquilizando-o.

—Mas o Sr Stark...

—O Sr Stark ao está um pouco irritado— ela o cortou.

—Ele está certo, eu poderia tê-la matado— Blake segurou as mãos de Pepper —Se a Srta quiser me demitir eu entenderei— ele disse.

—Que absurdo, claro que eu não vou demitir você Blake— ela dizia quando Tony reapareceu na porta.

—Podemos...— Tony silenciou ao ver Blake segurando as mãos de Pepper —Podemos ir embora?— perguntou, Pepper tirou as mãos de Blake das suas.

—A Srta Potts pode e merece tirar o resto do dia de folga— disse a Dra Cameron —E por mais que você tome cuidado, tem sempre que andar com antialérgico, tudo bem?— Pepper aquiesceu.

—Eu...preciso pegar a minha bolsa— disse Pepper.

—Passamos pela sua sala e...

—A bolsa, está aí ao lado da cama, eu trouxe antes do Sr chegar.— disse Blake.

Pepper sentou-se na cama, calçando os sapatos, pegou a sua bolsa e colocou-se de pé, parecia fraca, Tony e Blake fizeram movimentos para ampará-la, mas foi Tony quem a segurou.

—Sentir sono é normal, por causa do remédio, basta ficar de repouso e daqui algumas horas estará nova em folha.— disse a Dra Cameron.

Tony agradeceu os cuidados da Dra Cameron e tentou pegar Pepper nos braços para levá-la ao carro, ela protestou e ele desistiu. Saíram do ambulatório e deram de cara com Blake. Pepper sorriu cordialmente para o moço, Tony encarou Blake e fez um sinal como quem diz “Estou de olho em você”. Caminhavam vagarosamente até que Tony encheu-se e a tomou nos braços, mesmo contra a vontade de Pepper.

—Isso é ridículo, Tony!— protestou.

—Ridículo é levarmos meia hora para percorrer uma distância que se faz em menos de cinco minutos— ele disse, Pepper envolveu os braços no pescoço de Tony e revirou os olhos.

Quando chegaram ao estacionamento, Tony colocou Pepper no chão entraram no luxuoso carro dele e seguiram o caminho para a mansão.

—Amanhã peço ao Happy para buscar seu carro— foi a única coisa que Tony disse durante o trajeto.

Ao chegarem à mansão, Tony levou Pepper para o quarto, colocou-a sobre a cama e preparava-se para sair quando ela o chamou.

—Aonde você vai?

—Estou te dando espaço, você precisa se trocar e descansar. E eu...—levou uma mão à cabeça bagunçando os cabelos —...eu preciso pensar ou parar de pensar.

—Nós precisamos conversar, e será agora.— disse autoritária —Desde quando você sai do quarto para eu trocar de roupa?

Tony não respondeu, saiu do quarto e foi até o pequeno bar que tinha no piso inferior, bebeu uma dose de uísque sentindo o líquido queimar em sua garganta, nunca se sentiu assim. Impotência, talvez fosse essa a sensação que tinha. A única pessoa com quem ele se importava poderia ter morrido e ele não poderia ter feito nada, pior, ela parecia não se dar conta do que aconteceu e o excesso de zelo dele parecia incomodá-la.

Quando voltou ao quarto Pepper terminava de vestir-se, viu o vestido branco de tecido leve que ela escolhera deslizar pelo corpo de Pepper.

—O que são essas manchas?— ele perguntou, reparando nas marcas vermelhas que ela tinha no ventre.

—Reação alérgica, mas já estão sumindo, estavam piores— ela explicou, antes de se sentar na cama.

—Humm— ele murmurou sentando-se no outro extremo da cama.

—Você vai ficar assim até quando? — ela passou a mão sobre o lençol ao lado dela.

—Eu não...não estou contente com a forma que você me tratou, sei lá, parece que eu sufoco você.— ele disse ainda parado onde estava.

—Tony...venha, por favor?— ela pediu com a voz chorosa.

—Eu estou com raiva, Pepper, vai demorar pra passar— ele arrastou-se na cama, chegando mais perto dela.

—Raiva ou ciúmes?— ela questionou.

—Ainda estou tentando entender quando e porque você passou a chamar o seu assistente pelo primeiro nome, mas é raiva que eu estou sentindo mesmo. Dele, de você e de mim.— ele disse e ela o encarou como quem diz, continue — Dele por ser imbecil, e comprar qualquer suco sem perguntar. De você, por não ter dito o que não podia tomar. E de mim por estar preocupado, quando você parece não ligar.

—Tony— suspirou —A culpa foi minha, a desatenção foi minha, mas na hora eu nem tive como perguntar, eu estava almoçando tranquilamente, quando o Smith entrou na minha sala...

—Por que isso de almoçar na sua sala, desde quando você faz isso?

—Eu não faço, não sei por que tive essa ideia hoje, mas como eu dizia, Smith entrou sem ser avisado e eu engasguei, tomei o suco sem nem sentir na tentativa de desengasgar e,...deu no que deu.— ela explicou.

—O que o Smith quer de você?

—Ele ainda está descontente com os rumos da empresa e vive arrumando motivos para me afrontar— ela disse.

—Segunda-feira eu vou falar com aquele velho— Tony disse com raiva.

—Tony...me perdoa por ser desatenta e por dar a entender que eu não me importo com o que você sente. É que há tempos eu não tinha ninguém por mim e,...—baixou a cabeça— ... eu amo você há anos e tive que aprender a reprimir o que eu sinto, para ficar perto de você sem ficar maluca, sem ter crises de ciúme. Eu sei que você me ama, você tem mostrado, só não quero que você duvide do meu amor.

—Como assim, Pepper, você nunca teve ninguém por você? Eu sempre cuidei de você, de um jeito torto eu sei, mas sempre me preocupei com você.— ele disse.

—Eu sei disso— ela sussurrou baixando olhar.

—Eu sempre tive tudo o que quis e, nunca quis o que eu pudesse perder.—ele disse —Eu nunca quis ninguém como eu quero você, Pepper, eu nunca amei ninguém além de você e eu poderia ter te perdido.— ele levou a mãos ao queixo dela levantando a sua cabeça pra olhá-la, o olhar dele era intenso.

Pepper aproximou-se de Tony e levou a mão ao rosto dele, imediatamente ele levou a mão obre a dela.

—Achei que você estivesse evitando tocar em mim— ela disse com a voz vacilante.

—Que ideia, Pepper...

—Desde a hora que você saiu do ambulatório, há um espaço entre nós, você nunca esteve tão perto e tão longe de mim, parece que sou eu que estou perdendo você— ela o fitava com seus olhos lacrimejados.

Tony aproximou-se de Pepper e a abraçou forte, como se dependesse dela. Pepper retribuiu o abraço com a mesma intensidade porque ela também dependia dele para ficar bem. Ele beijou o rosto dela e se afastou.

—Um gole de suco, você acha que será fácil assim se ver livre de mim, Sr Stark?— ela diz fitando-o —Você vai ter que aguentar por muito tempo ainda, não me perderia nem se quisesse.

Tony ainda estava distante, seu olhar parecia perdido, era doloroso vê-lo assim, Pepper precisava trazê-lo de volta para ela. Então ela o beijou, ávida e profundamente, como se quisesse que ele soubesse que ela estava bem, estava ali, sempre estaria.

—Você precisa descansar.— ele disse quando seus lábios deixaram os dela.

—Não, não preciso, eu preciso de você perto de mim— ela disse —Fica comigo?— ela pediu.

—Não vou a lugar nenhum, Pep— ele a tranquilizou, e ela deslizou o corpo, deitando-se na cama.

Tony levantou-se, deu a volta na cama, sentou-se, tirou os sapatos e deitou-se ao lado dela, Pepper aconchegou a cabeça no peito dele.

—Melhor assim— ela disse, Tony afagou os cabelos dela e beijou o topo de sua cabeça. —Gosto quando você cuida de mim, me sinto...especial.

—Você tem que parar de me dar sustos para se sentir especial— ela riu —Do que você está rindo?— ele perguntou.

—Da primeira pergunta que você me fez quando me viu no ambulatório. Foi mesmo a primeira coisa que você imaginou?— ela perguntou.

—Eu só sabia que você tinha passado mal, chego e a vejo pálida daquela maneira, sei lá, acho que era óbvio imaginar que você estivesse...

—Grávida? Você não consegue nem pronunciar a palavra— ela sorriu fraco, as pálpebras de Pepper pesavam, o afago de Tony em seus cabelos faziam o sono tomar conta de seu corpo. —Você teria?— perguntou sonolenta.

—Teria o quê, Pep?— ele perguntou.

—Um filho comigo, você teria?

—Até dois, mas não agora, não estou pronto pra dividir você com ninguém ainda.— ele disse depois de algum tempo.

Quando Tony olhou, Pepper estava dormindo, talvez nem tenha ouvido a resposta dele. Começou a pensar na quantidade sentimentos e sensações que havia descoberto desde quando resolveu se envolver profundamente com Pepper, e sem dúvidas, o que sentiu horas antes foi a pior das sensações.

Talvez adormecer fosse uma solução para ele também, desligou o telefone celular e pediu que Jarvis não incomodasse, fosse lá o que acontecesse. Conseguiu dormir, por aproximadamente duas horas, quando acordou Pepper ainda repousava serena ao seu lado, deu-lhe um beijo na testa, ela esboçou um sorriso que acalmou o coração dele.

Levantou-se da cama, foi ao banheiro lavou o rosto, e encarou-se no espelho.

—Só hoje você viu a dimensão do amor que sente por essa mulher e nem você se reconhece, não é?— perguntou pra o próprio reflexo.

Saiu do quarto e foi em direção à cozinha precisava de café, ligou a cafeteira e sentou-se para esperar.

—Jarvis, aconteceu algo enquanto eu dormia?

—Não, Sr, apenas o coronel James Rhodes tentou entrar em contato.— respondeu Jarvis.

—Ele deixou algum recado?

—Não, Sr.

Tony não ligou para Rhodes, seja lá o que ele quisesse dizer ou saber, se fosse realmente importante ele iria até a mansão. Pegou a sua xícara de café e desceu para a oficina para retomar o trabalho que fazia antes do telefonema de Miranda. Mal teve tempo de começar a trabalhar quando foi interrompido por Jarvis.

—Sr, o coronel James Rhodes está na sala e deseja vê-lo.

—Ok, Jarvis, estou subindo.— ele respondeu.

Quando Tony subiu as escadas deparou-se com Rhodes segurando um buquê de rosas brancas.

—Quanta gentileza, Rhodey, mas não acho legal trazer flores para mim, você sabe que eu sou comprometido.— ironizou.

—O entregador estava lá fora quando eu cheguei, você virou um romântico mesmo, comprando flores para Pepper. É alguma data especial?— perguntou Rhodes.

—Não são minhas, devem ser daquele assistente dela, rapaz atrevido.—Tony cerrou os dentes —Me dê aqui— tomou o buquê das mãos de Rhodes, pensou em jogá-lo fora, pensou em ler o cartão, mas acabou não fazendo nada disso, apenas colocou as flores sobre o balcão.

—O que foi Tony, você parece...

—Nervoso?— Tony cortou Rhodes —Sim, estou.

—Creio que o que me traz até aqui não irá lhe deixar mais calmo, aliás, tentei ligar algumas vezes, antes de vir.

—Cortei a comunicação com o mundo exterior, o que traz você aqui, Rhodey?— perguntou.

—Justin Hammer saiu da prisão, achei que você deveria saber.

—Quando foi isso?— perguntou Tony.

—Hoje de manhã— respondeu Rhodes —E o advogado dele entrou com um pedido para reaver o controle da empresa. Talvez ele tente algo contra você de novo, não sei, é melhor você ficar atento.— Rhodes alertou.

—Como libertam um maluco como o Hammer? Ele tentou me matar, e poderia ter matado um monte de gente.— era evidente a indignação na voz de Tony.

—Não sei Tony, foram negados vários pedidos de liberdade, mas parece que a empresa de advocacia que está com o caso dele é ótima, eles entraram com um novo recurso e...bem, ele está livre.

—Isso é ridículo— Tony esbravejou.

—Será marcada uma audiência para decidir se Hammer deve ou não retomar a empresa e você terá que comparecer— disse Rhodes.

—Tudo bem, receberei uma intimação quando chegar a hora?— Tony perguntou.

—Sim— respondeu —E a Pepper também.

—Não quero a Pepper metida nisso.

—Ela está metida nisso, Tony, você queira ou não. Quando ela voltar do trabalho você tem que contar para ela.

—Ela não está na empresa, está lá em cima, dormindo— Tony disse.

—Em casa a essa hora, que houve, ela está bem?— Rhodes demonstrou preocupação.

—Está, ela só...teve um mal estar, mas está tudo bem agora.— Tony o tranquilizou.

—Ok, mande lembranças minhas para ela, tenho que voltar para a base, não demore pra contar pra ela, você não quer que ela saiba quando receber a intimação, não é? E, fique atento, não sabemos o que esperar do Hammer.

—Fique tranquilo, Rhodey, obrigado por vir até aqui avisar.— despediu-se do amigo.

Depois da saída de Rhodes Tony passou o resto da tarde digerindo tudo o que havia acontecido naquele dia, era coisa demais para um dia só. Decidiu que não contaria sobre Hammer para Pepper, talvez esperasse um ou dois dias.

Quando Pepper acordou, o sol estava se pondo, não tinha nenhuma noção de que horas eram, mexeu-se na cama a procura de Tony, não o encontrou, ainda meio sonolenta agarrou o travesseiro dele a o cheirou desejando que o objeto fosse ele.

—Ei, estou observando, você costuma fazer isso sempre que não me encontra ao seu lado?— ele perguntou sentado à poltrona.

—Err...à vezes— ela respondeu ainda agarrada ao travesseiro —Mas eu posso trocá-lo por você— ela disse.

—Adoraria— ele respondeu, Pepper levantou-se da cama e caminhou até a poltrona onde Tony estava, sentou-se em seu colo.

—Cabelo úmido?— ela disse passando a mão pelos cabelos negros dele.

—Saí do banho há alguns minutos— ele disse.

—Posso te amassar o quanto eu quiser?— ela perguntou envolvendo os braços no pescoço dele.

—Fique a vontade— ele envolveu a cintura dela.

Pepper abraçou Tony afundando o rosto na curva do pescoço dele —Meu Deus, o cheiro aqui é melhor do que no travesseiro— ela disse com a voz abafada.

—Pep, você dormiu a tarde inteira, tem noção?— ele perguntou.

—Pior, é que eu acho que não conseguirei dormir à noite, terei que arrumar algo pra fazer, tem alguma ideia?— ela perguntou com um sorriso travesso.

—Tenho uma ideia— e ele respondeu —Você acordou inspirada, hein, sonhou com o que?

—Com você, só sonho com você— ela respondeu segurou o rosto dele com as mãos e o beijou sofregamente.

—Calma, Pepper— ele pediu recuperando o fôlego. —Você parece desesperada com alguma coisa.

—Não gosto quando você está bravo comigo— ela disse baixando os olhos —Quando eu adormeci você estava chateado, eu queria pedir desculpas por ter sido arredia lá na empresa, quando você só estava preocupado comigo.

—Ei— ele levantou o rosto dela para olhá-la nos olhos —Já conversamos sobre isso, você não deve ter assimilado a conversa que tivemos antes de você dormir, por causa do efeito dos remédios, mas nós já resolvemos.

—Resolvemos mesmo?— ela torceu o nariz.

—Humrum— ele murmurou.

—Então porque essa ruga de preocupação ainda persiste aqui?— ela perguntou esfregando o dedo indicador entre as sobrancelhas dele.

—Não sei, deve ser de tanto fazer cara de malvado para pôr medo nos bandidos— ele brincou —Mas eles não podem ver por causa do capacete.— ela riu.

—Acho que preciso de café— ela disse tentando se levantar do colo dele.

—Não, fica, está bom aqui.— ele disse a impedindo.

—Nosso jantar está de pé ainda?— perguntou.

—Se você prometer ficar longe de morangos e derivados, está.— ele disse.

—Então eu vou tomar banho para sairmos, estou morrendo de fome— ela disse levantando-se do colo dele.

(...)

Tony levou Pepper para jantar em seu restaurante favorito, desfrutaram da calma do local e da companhia um do outro e depois de algumas horas estavam de volta em casa. Tony fez o possível para disfarçar o ar de preocupação que ainda tomava conta dele desde que soube da soltura de Hammer. Foi só quando voltou que Pepper reparou nas flores sobre o balcão.

—Flores?— ela perguntou com um sorriso no rosto.

—Estão aí desde antes de sairrmos, você não tinha reparado?— perguntou franzindo o cenho.

—Não, desculpa— disse acreditando que fossem de Tony, ele deu de ombros —Rosas brancas?— ela fez cara de dúvida.

—Não tenho nada a ver com isso, deve ser coisa do seu assistente— ele respondeu.

—Você não leu o cartão?

—Não, Pepper, são suas flores, tive vontade de ler, mas resisti.

Ela pegou o pequeno envelope no meio do buquê de flores, nele só estava escrito “Para Virginia Potts”, não havia assinatura. Tirou de dentro do envelope um pequeno cartão e leu a seguinte mensagem:

“Eu disse que você ainda teria notícias minhas.

Espero que goste de rosas brancas” Justin Hammer

Pepper empalideceu ao ler aquelas linhas, lembrou-se imediatamente das ameaças que Hammer fez a ela na noite em que foi preso.

—O que foi?— perguntou assustado com a expressão dela.

—As flores...são de Justin Hammer— respondeu visivelmente assustada.

Notas finais
'Envenenar' a Pepper com morangos era a minha intenção desde o começo da história, confesso. Acho que essa foi a melhor maneira.

Como eu disse, começamos uma nova fase, que caminha para o fim da história ~todas chora~

Eu tinha mais alguma coisa pra falar, mas esqueci...

Errr, aproveitando o resto da folga pós-festas escrevi uma one-shot http://fanfiction.com.br/historia/313834/Happy_New_Year Presente de Ano Novo, eikelegal eu sou.

Então é isso, Flores.

Até semana que vem, beijo ;)