De Ontem Em Diante
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Notas iniciais
Quando Tony acordou Pepper não estava ao seu lado, porém o seu perfume ainda era presente no travesseiro. Quando ele se preparava para levantar, ela voltou ao quarto com uma bandeja de café da manhã nas mãos. Pepper vestia a camisa que ele havia usado no jantar da noite anterior, pernas compridas a mostra e pés descalços, os cabelos ruivos sobre os ombros contrastando com o tecido da camisa azul dava-lhe um ar sexy e ao mesmo tempo angelical.
—Acho que nunca mais irei olhar para uma camisa minha da mesma maneira— ele disse encostando-se e na cabeceira da cama.
—Sério?—ela disse caminhando até a cama —E eu nunca mais usarei meias com a mesma inocência— ela disse pondo a bandeja sobre a cama e sentando-se sobre os calcanhares.
—Ninguém ingênua usa meias e cinta-liga, Pep.— disse fitando as pernas dela.
—Nem todo mundo tem a sua malícia— ela disse.
—Mas você gosta— ele disse com um sorriso sacana.
—De usar meias? Claro.— ela desconversou.
Enquanto desfrutavam do café da manhã, Tony admirava Pepper e via que por trás da Srta Potts que ele sempre conheceu, havia outras mulheres. Ela era séria, mas também era doce e extremamente sensual sem fazer esforço para isso, até complicada às vezes. Ele estava adorando conhecer todas elas.
—No que você está pensando?— ela perguntou com seus olhos azuis curiosos.
—Que você não devia andar pela casa assim, com as pernas de fora. Jarvis pode se apaixonar e eu não sei se poderia competir com ele.
—Jarvis não faz o meu tipo, ele é meio robótico— ela disse.
—Eu sou meio robótico— ele tamborilou os dedos sobre o reator e deu um sorriso lateral.
—Robótico, é uma coisa que você não é, Tony. Seu coração é diferente dos demais, te tornou até mais humano. Graças a esse reator no seu peito você pôde voltar, e descobrir que é capaz de amar.— ela disse —Melhor ainda, me amar.
Pepper tirou a bandeja que estava entre eles, colocou sobre a mesa de cabeceira e sorrateiramente voltou para perto dele. Passou a provocá-lo, correndo os dedos sobre os músculos do peito e do abdômen de Tony, enquanto beijava o pescoço dele.
—O que você está fazendo?— ele perguntou.
—Provando que você não é robótico. Viu? Você já reagiu ao meu toque— sussurrou no ouvido dele.
—Você é muito perspicaz— dito isso ele a beijou lascivamente, puxando-a para mais perto, levando as mãos nas costas dela sob a camisa. Pepper levou as mãos aos cabelos revoltos dele e se deixava envolver pelo calor crescente, até se dar conta do horário. Afastou-se dele e de suas mãos habilidosas.
—O que foi?— ele perguntou com a respiração pesada.
—Teoria mais do que comprovada, ninguém robótico pode ser tão quente— ela disse ofegante saindo da cama.
—Aonde você vai?
—Marquei de almoçar com a Lauren e ainda tenho que passar em casa— ela respondeu.
—Almoçar? A gente acabou de tomar café e, não sei se você percebeu, mas aqui é a sua casa, Pepper.
—Foi você quem acordou tarde, Tony. Já passa do meio dia, e eu ainda tenho que tomar banho e me arrumar.
—Tomar banho?— ele perguntou com um sorriso travesso.
—Sim.
—Posso?— ele perguntou.
—Meu Deus, Tony, que mania é essa de querer tomar banho comigo? Acho que você precisa de ajuda psicológica.
—Preciso que você esfregue as minhas costas. E se você ficar aí teorizando vai se atrasar ainda mais— ele passou por ela na porta do banheiro deixando a calça de seu pijama no chão.
—Se eu me atrasar a culpa será sua, que fique claro— ao ouvir o barulho do chuveiro ela tirou a camisa que vestia e foi ao encontro dele.
(...)
Pepper chegou ao apartamento de Lauren duas horas depois do que elas haviam combinado, tomou uma bronca da amiga, mas já tinham decido almoçar no apartamento mesmo.
—O ruim de ficarmos aqui é ter que comer o que você cozinhar— Pepper ironizou —Podíamos pelo menos pedir comida fora.
—Nada disso— disse Lauren —Eu fiz um curso de culinária entes de me mudar pra cá, está na hora de pôr em prática. Você será a minha cobaia.
—Amiga é para essas coisas, né?
—E para ouvir também, certeza que você tem algo para me contar— disse Lauren —Há semanas eu não te vejo, quando você não está trabalhando, está com seu namorado.
—A culpa é do trabalho, quase não vejo o Tony também, sempre acontece alguma coisa e ele tem que sair— Pepper explicava-se.
—Entendo. E qual é o assunto?— Lauren perguntou.
—Desde que eu contratei um assistente, Tony insiste que todo mundo saiba da nossa relação.
—Você contratou um assistente? Ele é bonito?
—Lauren, foco, por favor. Será que um dia você vai sossegar?— Pepper perguntou.
—Um dia, amiga, até Tony Stark sossegou, porque não eu?— Lauren provocou —Mas o que tem de mais as pessoas saberem da relação de vocês?
—Não teria nada de mais se ele não fosse quem é. As coisas estão indo rápido demais, e têm sido melhores do que eu poderia prever. Por enquanto somos apenas nós, e o que sentimos, estamos protegidos numa espécie de bolha e eu tenho medo que as coisas mudem.
—Nossa, Virginia, por que você procura sempre o lado ruim das coisas? Você conseguiu domar o cara. Aproveita. Antes você fugia dele, achava que ele só queria sexo, e aí ele assume que te ama, vocês começam uma relação e ele quer que todo mundo saiba. E você continua insatisfeita. Estou começando a ter pena dele.
—Mas...
—Mas nada, Pepper, vocês já eram um casal antes de ser, para de drama. Depois do nosso almoço você vai voltar para casa, colocar um vestido lindo e sair para se exibir com o seu namorado gato por aí. E amanhã vocês estarão em todos os sites de fofoca.—Lauren riu — Ah, tem inauguração da uma filial de uma boate badalada de Los Angeles hoje à noite, oportunidade perfeita para vocês aparecerem.
—Acho que jantar fora já é um bom começo— disse Pepper.
—Você é quem sabe, acho que eu vou, apareceram uns convites na redação do jornal. Se você quiser eu te dou alguns. Agora me deixa cozinhar, porque senão o almoço ficará pronto só à noite, e não é comigo que você vai jantar hoje.
Lauren terminou de preparar o almoço e ela a Pepper chegaram a conclusão de que não estava tão ruim. Passaram horas conversando e ao fim da tarde Pepper retornou a mansão.
—Jarvis, onde está o Sr Stark?
—Na academia, Srta.
Quando não estava em missão, ou na oficina, Tony costumava treinar com Happy. Antes de chegar à academia, do corredor, Pepper pode ouvir a conversa de Tony com o motorista.
—Chefe, o Sr estava distraído hoje, eu consegui até derrubá-lo algumas vezes.
—Eu deixei você me derrubar, Hogan.
—Estava pensando na Srta Potts, não é? Desculpe a minha intromissão, mas o Sr parece gostar mesmo dela.
—Gosto mais dela do que de mim, Happy. E há anos ela estava aqui e eu agindo feito um imbecil.
—As coisas acontecem quando têm que acontecer, chefe.
—Desde quando você é filósofo, Hogan?
—Não sou, é que eu leio muito, Sr.
—Foi uma pergunta retórica, Happy— Tony riu —Vai levanta a bunda desse tatame e chega de conversa.
Quando Pepper percebeu que o treino dos rapazes não havia terminado decidiu não interromper, saía do corredor quando Jarvis se pronunciou:
—A Srta Potts chegou há alguns minutos, o Sr pediu para avisar quando ela chegasse.
—Jarvis fofoqueiro— Pepper murmurou entrando na academia.
—Salvo pelo gongo, Happy.— disse Tony ao ver Pepper
—O Sr é quem foi salvo, Patrão.
—Lembre-se que fui eu quem deixou você me acertar.
—Vocês parecem duas crianças discutindo, enquanto decidem quem bateu em quem, eu esperarei sentada ali, ok?— Pepper se pronunciou.
—Acho que justo um empate então— Tony pronunciou-se fazendo Pepper revirar os olhos.
—Empate, que seja— Happy concordou —Errr...chefe, queria pedir pra ser dispensado essa noite, é que eu tenho um encontro, sabe como é.
—Precisaremos do Happy essa noite, Srta Potts?
—Não, Sr Stark, divirta-se Happy.— respondeu Pepper.
—Você está oficialmente de folga, Hogan. Juízo, hein.— disse Tony.
—Pode deixar, Sr. Até amanhã— Happy estava de saída quando ouviu a voz de Pepper.
—Pode tirar o dia de folga amanhã também, Hogan— ela disse.
—Obrigado, Srta— Happy agradeceu e saiu deixando-os sozinhos.
—Ei, como assim você da folga para o meu funcionário?— Tony perguntou, saindo do ringue.
—Se ele é seu funcionário eu não deveria ter sido consultada a respeito de ele sair mais cedo— ela replicou.
—Perdi a minha moral, o que o Hogan irá pensar?— Tony disse sentando-se ao lado dela.
—Que você está apaixonado.— ela sorriu.
—Quem disse?— ele levantou uma sobrancelha.
—Você disse. Não com essas palavras, mas foi isso que você quis dizer— ela disse sorrindo.
—Coisa feia ficar ouvindo atrás da porta, Pep. Você merece um castigo— ele disse divertido.
—Mesmo? Posso ser castigada outro dia? É porque hoje eu queria sair com o meu namorado.
—Que novidade é essa? Café na cama, banho, jantar fora, é meu aniversário hoje?— a pergunta dele a fez rir e então ela o beijou.
—Você escolhe o restaurante, tudo bem?— ela perguntou levantando-se —Vou escolher o que vestir.
—Acho que o que você está vestindo, é bem legal.
—Jeans, bata e sandália rasteira. Você está pretendendo me levar pra comer cachorro-quente, Sr Stark?— ela perguntou.
—Claro que não.
—Ainda bem— ela disse e saiu da academia.
Algumas horas mais tarde, Tony já estava pronto, vestia um terno preto, e uma camisa também preta, sem gravata. Estava na sala esperando por Pepper, que surgiu usando um vestido preto de ombro único, alguns centímetros acima dos joelhos, manteve os cabelos soltos e optou por brincos de pedras azuis, scapins pretos e uma maquiagem básica completavam o visual.
—Você está linda.— Tony disse ao vê-la.
—Você sempre diz isso, Tony— ela disse sem graça.
—Culpa sua, que sempre está linda, e esse vestido ficou perfeito.— ele beijou o rosto dela.
—Mesmo? Foi um presente, seu na verdade, um daqueles que você me deixava comprar por culpa quando se esquecia de datas como natal e meu aniversário.— ela disse o encarando.
—Eu tenho muito bom gosto— ela torceu o nariz censurando-o — Quer dizer, você. Você tem muito bom gosto, só não tem muita noção de tamanho, porque está meio curto— ele disse.
—Posso tirar o vestido— ela disse.
—Seria incri...
—Tirar o vestido, pôr um pijama e ir dormir— ela o cortou. —Vamos logo, ou nós chegaremos atrasados aonde quer que você esteja me levando.
O restaurante escolhido por Tony era um dos mais badalados da cidade, porém, naquela noite não estava cheio como de costume. E ainda assim, quando chegaram todos os olhares foram voltados para eles. Tony envolveu a cintura de Pepper como se quisesse protegê-la do mundo, seguiram até a mesa discreta reservada por ele.
Desfrutaram do jantar calmamente, e com o tempo pareciam não se importar com as pessoas em volta. Trocavam olhares, sorrisos, por vezes levavam a mãos sobre a mesa para tocarem um no outro. O jantar correu tranquilo e foi mais fácil do que Pepper imaginava. Do lado de fora do restaurante, enquanto aguardavam o carro ser trazido pelo manobrista, Tony abraçou Pepper trazendo-a para perto.
—Doeu?— ele perguntou.
—O que?
—Sair da toca, da sua zona de conforto?— ele perguntou.
—Não, não doeu, foi muito agradável, você é a minha zona de conforto.— ela respondeu.
—Podíamos ir a outro lugar, então, ainda é cedo— ele disse.
—O que você sugere?— ela questionou.
—Não sei, um bar ou uma boate, talvez— ele fez cara de dúvida.
—Lauren falou sobre a inauguração de uma boate.
—Inauguração, Pep, você já imaginou a quantidade de fotógrafos?
—Já que é para nos expormos, façamos direito, então— ela brincou.
—Às vezes você me surpreende, sabia?
—Positivamente, eu espero— seus olhos azuis fitaram os olhos castanhos dele.
—Sempre— ele disse e levou seus lábios de encontro aos dela, Pepper levou uma mão a nuca de Tony acariciando de leve os cabelos dele.
O manobrista que assistia aquilo há alguns minutos, pigarreou mostrando que estava ali, tirando-os de seu momento de carinho. Entraram no carro e seguiram para a boate. Ao chegarem foram cegados pelos flashes das câmeras fotográficas, posaram sem nenhum exibicionismo maior, apenas o braço de Tony envolvia a cintura de Pepper mantendo o corpo dela mais próximo do que de costume.
Transpassaram a barreira de fotógrafos, e no interior da boate Tony prontamente foi reconhecido pela hostess que os levou até um camarote reservado para clientes ilustres. Pepper sentou-se no sofá de couro preto e Tony sentou-se ao lado dela, virando o corpo a fim de ficar de frente para ela.
—Tudo bem?— ele perguntou, fazia questão de saber o que ela achava de tudo aquilo.
—Tudo— ela respondeu com um sorriso seguro.
Um garçom aproximou-se oferecendo taças de champanhe ao casal. Tony pegou duas taças e ofereceu uma para Pepper.
—Um brinde a nossa relação, que oficialmente deixa de ser profissional— Tony gracejou.
Brindaram e sorveram um gole do líquido borbulhante, Tony tomou a taça da mão de Pepper e colocou-a sobre a mesa em sua frente, aproximou seu corpo do dela, levou as mãos ao seu rosto e a beijou, calma e profundamente. Pepper levou as mãos aos ombros dele puxando-o para si. De repente ela parou e afastou-se dele.
—O que foi?— ele perguntou confuso.
—Eu gosto dessa música— ela disse, tocava Smooth de Carlos Santana.
—Então vem— ele levantou-se e estendeu a mãos para ela.
—Não sei dançar, Tony— ela respondeu acanhada.
—Todo mundo sabe dançar, Pep.
—Eu não sei.
—Vem, eu guio você— rendida, pôs a mão sobre a que ele havia estendido.
Tony a levou para o centro da pista de dança, parecia que o DJ havia separado um set de músicas sexies, em pouco tempo estavam envolvidos numa dança perigosamente sensual, a ponto de esquecerem onde estavam. Era como se fossem só eles, as luzes e a música. Até que alguém tromba em Pepper, despertando-os.
—Ei, casal, arrumem um quarto.— Lauren amiga de Pepper ironiza e continua a dançar, Tony e Pepper se deixam rir do comentário.
As músicas sexies são substituídas por baladas, começa a tocar Every breath you take do Police, então Pepper envolve os braços no pescoço de Tony.
—Gosta dessa música também?— ele perguntou.
—Hum-hum— ela respondeu, descansando a cabeça no ombro dele.
Permaneceram dançando por muito tempo, até Pepper afastar-se de Tony. —Aonde você vai?— ele perguntou trazendo-a de volta.
—Ao toalete— ela respondeu.
—Eu vou voltar para onde estávamos, ok?— Tony disse e Pepper assentiu.
No toalete surpreendentemente vazio, enquanto lavava as mãos Pepper ouviu uma voz familiar.
—Enfim você conseguiu— disse Christine Everhart parada próximo à porta.
—Não sei do que você está falando— Pepper respondeu enquanto enxugava as mãos.
—Levar a relação de vocês a outro nível e desfilar com ele por aí como um casal feliz. Você acha que isso te faz diferente das outras?— Christine perguntou, chegando próximo de Pepper.
—Não, o que me faz diferente é o fato dele ter chegado comigo e ser comigo que ela irá embora— Pepper respondeu desviando da moça.
—E quando ele cansar?— a pergunta fez Pepper voltar a atenção para Christine —Você sabe que não é ele quem expulsa as mulheres com quem ele dorme. Quem é que vai te mandar embora?— a jornalista perguntou.
As palavras de Christine atingiram Pepper em cheio, fazendo-a se lembrar do Tony que ela sempre evitou, e que em nada parecia com o de agora. Não sabia o que responder, sentia o sangue fervilhar por todo o seu corpo.
—Sinceramente eu não sei quem vai me mandar embora, se um dia eu for embora, mas tenho certeza que essa pessoa não será você— Pepper conseguiu formular uma resposta não tão boa, e nesse momento Lauren adentrou o local.
—Então é aqui que você está— disse Lauren —O que está acontecendo aqui?— ele perguntou ao notar o clima pesado.
—Nada— Pepper respondeu.
—Então vamos, Tony está procurando você.— Lauren disse encarando Christine.
—Quero ir embora— Pepper disparou ao chegar onde Tony estava.
—Porque, Pep, o que houve?— ele perguntou confuso com a expressão dela que havia mudado completamente.
—Nada, apenas cansei— ela disse.
—Pep...
—Por favor, Tony— ela insistiu.
—O que houve?— Tony gesticulou para Lauren que confusa como ele não soube responder.
Tony estava certo de que algo havia acontecido para Pepper se comportar daquela maneira, afinal, estavam se divertindo, mas desistiu de insistir naquele momento. Cedeu a vontade dela e voltaram para a mansão.
No dia seguinte Tony acordou muito antes de Pepper, preparava o café enquanto ela tomava banho. Pepper escolheu um short jeans e uma camiseta branca básica para vestir. Desceu as escadas sem fazer barulho, pois estava descalça, seguiu em direção à sala passando por Tony na cozinha sem se pronunciar.
—Bom dia para você também, moça.— ele provocou e viu que o temperamento dela ainda era o mesmo da noite anterior.
Pepper sentou no sofá com as pernas cruzadas uma sobre ao outra e pegou o tablet sobre o móvel ao lado.
—O que você vai fazer?— Tony perguntou ao chegar próximo dela.
—Pesquisa— ela respondeu monossilabicamente.
—Sobre o quê?— ele perguntou sem muita paciência.
—Nós!— ela respondeu.
—Do que interessa o que estão dizendo sobre nós?— ele tomou o aparelho das mãos dela.
—Não sei como você consegue não se importar— ela disse alterada.
—E eu não entendo porque você se preocupa tanto!— disse exaltado.
—Só quero saber o que ela escreveu— Pepper pronunciou-se com raiva.
—Ela quem?— Tony perguntou.
—Aquela jornalista ordinária— o nervosismo na voz de Pepper era evidente.
—Então é por isso, foi com ela que você encontrou ontem?— ele perguntou e Pepper não respondeu, pelo contrário, ela se fechou ainda mais, abaixou a cabeça e abraçou as pernas junto ao corpo —Não interessa o que ela escreveu, Pepper, dane-se o que os outros pensam. Isso só te afeta, porque nem você acredita no que nós temos.— Tony ajoelhou-se diante dela tocando em seus pés —Olha pra mim, Pepper— ele pediu, doce e ainda assim autoritário, ela continuou na mesma posição —Olha pra mim, Pepper, por favor?— ela levantou a cabeça, seus olhos estavam vermelhos, lágrimas começavam a brotar.
—Eu...—ela soluçava —...acred...
—Eu não sei— ele a cortou —Sinceramente não sei o que fazer para que você pare de pensar em nós como uma coisa passageira. E acho que agora eu entendo porque você não queria tornar público, sair de um relacionamento que ninguém sabe que existe deve ser mais fácil, não é?
—Tony, eu...— ela baixou as pernas e enxugou o rosto com as mãos, mas lágrimas teimavam em cair —Eu odeio me sentir assim, não é saudável.
—Shiiu— ele a calou e sentou ao lado dela, trazendo-a para si, envolvendo-a num abraço —Você questiona tudo, pondera tudo e isso me deixa louco, eu sei a culpa é minha, meu comportamento não era dos melhores. Mas eu garanto que o que eu sinto por você não é efêmero, você vai ter que me aguentar por muito tempo ainda.— ele sentiu que ela estava mais calma e então se afastou para poder olhá-la, quando Pepper fitou Tony o olhar dele era sereno.
—Eu amo você, Tony— ela disse.
—Eu também amo você, Pep— ele levou as mãos ao rosto dela, beijou a sua testa, o caminho feito pelas lágrimas e por fim a acalmou com um beijo suave e protetor.
—Estou me sentindo uma idiota, para quem não entendia nada sobre relacionamentos você está melhor do que eu. Andou lendo algum livro sobre o assunto?
—Quem disse que eu entendo sobre relacionamentos? Eu só aprendi a ler você.— ela suspirou — Você está bem agora?— ele perguntou.
—Estou sim.— ela respondeu.
—Vamos tomar café, então, eu acordo cedo pra fazer café e você passa por mim e me ignora, que falta de consideração.— ele brincou.
—Tony, eu estou cansada de saber que você não cozinha, não sei por que você teima em me impressionar— ela diz.
—Francamente, eu faço robôs, você acha que eu não sou capaz de fazer um sanduíche?— ela riu a pergunta dele.
—Acho que você é capaz, eu só não estou com fome— ela respondeu.
—Tudo bem, mas você vai ter que tomar o suco que eu fiz, perdi um tempão espremendo laranjas— ele levantou-se e foi buscar o suco. —Pode beber tudo— ele disse quando entregou o copo nas mãos dela.
Devagar, Pepper bebeu o suco sendo observada por ele —Pronto, Sr mandão— ela provocou devolvendo o copo vazio.
—Obrigado, Srta chorona— ele devolveu a provocação e ela semicerrou o olhar, mostrando que não gostou do que ele disse.
—Então...
—Então?
—Agora você podia me contar qual o problema entre você e a jornalista.
—Você.— ela disse
—Eu?— ele perguntou surpreso.
Pepper então contou para Tony tudo o que havia acontecido naquela manhã depois que ele dormiu com Christine, e a forma um tanto quanto indelicada com que ela expulsou a moça, omitindo parte da conversa que tiveram no banheiro da boate na noite anterior.
—Você disse isso para a mulher, Pepper? Que ciumenta que você é— Tony não conseguiu conter o riso.
—Olha quem quer debater sobre ciúme— ela disse.
—Não sou ciumento, só cuido do que é meu, Pep.
—Eu não sou...— ele a calou com um beijo.
—Sim você é minha, namorada, amiga, amante. Meu amor.— ele trilhava beijos no pescoço dela.
—Amante?— ela questionou.
—Incrível— respondeu fitando-a, depois beijou os seus lábios docemente —Srta Potts?— ele chamou.
—O que foi, Tony?
—Essa história de ‘Faço tudo o que o Sr Stark pedir’ é séria?— ele perguntou com a mão firme na coxa dela.
—Depende, Sr Stark, se você pedir com jeitinho, quem sabe?— deu-lhe uma piscadela.
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