De Ontem Em Diante

21 Máscaras caem


Notas iniciais
Embora eu ainda não tenha dormido já é quinta, olhem o horário da postagem. Hahaha.

*O casal com o qual a Pepper janta é uma clara referências aos protagonistas do filme Amor à segunda vista.

*Há uma outra referência cinematográfica, atenção às notas finais.

*E o pôster da Gwynnie, hein? Que vontade de morder aquela pessoa, sério. O Que são aquelas bochechas sardentas da Pepper? Estão saindo novidades todos os dias, aquele pôster do Tony em primeiro plano com as armaduras em voo atrás é sensacional também.

Acho que é isso. Cês tão com paciência? É o maior capítulo até agora.

Tony não respondeu a pergunta de Rhodes, apenas continuou lendo as outras informações impressas no convite.

—Acho que esse é o convite mais brega que eu já recebi na minha vida.— Tony disse —Achei que estivesse recebendo, sei lá, um diploma tardio.— colocou o canudo sobre um móvel próximo.

—Acho melhor você não ir a esse evento, está na cara que é uma provocação, Tony.— disse Rhodes.

—Seria indelicado recusar, Rhodey. E já que você não me diz nada, um confronto com o Hammer é a melhor forma de sondá-lo.— disse Tony

—Errr... chefe, se o Sr me permite eu vou me retirar.— disse Happy.

—Pode sair, Hogan.— disse, e Happy retirou-se da sala.

—Tony, isso não é uma boa ideia.

—Faz tempo que eu não uso um smoking, Rhodey, só não curti essa história de máscara. Acho que irei sem máscara.— sorriu.

—E a Pepper?

—A Pepper não vai. A festa é na sexta à noite, ela só volta no sábado depois do almoço.— respondeu.

—Você sabe que ela não vai gostar, se ela souber desse convite voltará correndo...

—Como ela vai saber, você vai contar pra ela?— perguntou —Porque eu não vou.

—Tony...

—Acho que você também deve ter recebido um convite Rhodey, que tal você ir ver?

—Você está me mandando embora?

—Não.— respondeu —Se você quiser pode ficar, mas hoje é segunda-feira, e você deve estar cheio de trabalho na base...

—Já entendi, Tony. Bem, eu vou indo, você tem até sexta-feira para desistir desse convite.

—Eu não vou mudar de ideia.

—Você é quem sabe.— Rhodes disse e saiu.

—Jarvis?— Tony chamou minutos após a saída de Rhodes.—A Av. Theodore Roosevelt é a rua da casa do Hammer ou eu estou enganado?

—Sim, Sr, número 32.— respondeu Jarvis.

—O que temos no número 52?

—No 52 está o imóvel do qual eu lhe falei ontem, porque, Sr?

—Acho que o Hammer não pretende manter essa outra mansão em segredo.

Tony foi até a cozinha, precisava preparar algo o que comer, afinal, a visita de Rhodes impediu que ele tomasse café. Nunca antes havia se preocupado em realizar todas as refeições, mas os meses de relacionamento com Pepper lhe trouxeram novos e saudáveis hábitos. Depois de algum tempo já estava novamente em sua oficina.

—Sr, telefonema da Srta Potts.— a voz de Jarvis ressoou na oficina.

—Viva-voz, Jarvis.— disse Tony.

Bom dia, meu amor.— disse Pepper do outro lado.

—Bom dia, Pep. Já com saudade?

Nem um pouco.— ela sorriu —Estou ligando só para saber se você chegou bem ontem?

—Cheguei sim, mas a noite foi bastante difícil.

Por quê?

—Dormir sem você é muito difícil.— respondeu.

Acordar sem você também é difícil.— ela disse. —Ah...chego na sexta-feira.— mostrou-se animada.

—Acho melhor você voltar no sábado mesmo. Não é esse o nosso combinado?— perguntou apreensivo.

É, mas se eu posso voltar antes, porque não?

—Por que não, oras, nós temos um acordo.— disse vacilante.

O que você está aprontando?— a voz dela era pura desconfiança.

—Nada, Pep, confia em mim.— ele disse e pôde ouvi-la suspirar.

Tudo bem, mas não faça nada do que você vá se arrepender depois.— ela disse.—Eu preciso ir me arrumar.

—Ok. E pode esperar que eu vou ligar para você. Tenho certeza que você me ligou antes só para me testar.— ele disse.

Testar?

—É, para ver se eu lhe atenderia.

Claro que não.

—Com certeza foi isso, te conheço, você é terrível, Srta Potts.

Ok, você está certo, Sr Stark. Agora eu tenho mesmo que desligar. Juízo, hein?

—Me sobra juízo.— ele sorriu. Ela sorriu e encerrou a ligação.



Nova York

Os dias passaram e, na quinta-feira, Pepper estava em seu penúltimo encontro de negócios antes de retornar para Malibu. Jantava com George Wade, proprietário da construtora responsável pela Torre e com Lucy Wade, advogada da companhia e esposa de Wade.

—Foi uma lástima o Sr Stark ter que voltar antes desse nosso encontro.— disse George.

—Ele tinha negócios inadiáveis.— disse Pepper.

—George se identificou bastante com o Sr Stark.— observou Lucy.

Nas três semanas em que esteve em Nova York, Pepper se aproximou bastante de Lucy, não só por ser com quem tratava a maioria dos contratos com a construtora, mas por ver que suas vidas assemelhavam-se. Lucy Kelson entrou na construtora Wade como advogada e logo se tornou braço direito de George e, os anos de convivência com o chefe rendeu um casamento feliz que já durava nove anos. O mais peculiar era que, George vivia uma vida desregrada assim como Tony.

—Não imagino por que.— disse Pepper fazendo-os rir.

—Acho que a missão de mulheres fortes como nós, é colocar homens como eles na linha.— disse a mulher de pele clara e cabelos lisos escuros.

—Acho que nós só temos um pouco mais de paciência e enxergamos neles algo que mais ninguém vê.— disse Pepper.

—A versão da Srta Potts é mais poética, meu amor.— George disse para a esposa, beijando-lhe a mão. Pepper observava o casal e interiormente torcia para que se a relação dela com Tony chegasse a outro estágio continuasse como é hoje. Ou talvez como a do casal a sua frente.

Depois do jantar os três deixavam o restaurante quando alguém chamou a atenção de Pepper.

—Virginia, que coincidência.— Matthew abordou Pepper. Ele usava um terno num tom terra, camisa branca e gravata combinando.

—Ma-Matthew, como vai?— perguntou vacilante, o casal se entreolhou diante do desconforto de Pepper.

—Está tudo bem, Srta Potts?— perguntou Wade.

—Está sim, Sr Wade.— ela garantiu.

—Mesmo?— insistiu Lucy.

—Sim.— respondeu Pepper.

—Virginia, que prazer encontrar você, podemos conversar um instante?— perguntou Matthew. Pepper hesitou, mas assentiu.

—Nós podemos ir, você ficará bem?— perguntou Lucy.

—Ficarei sim, não há com o que se preocupar.— respondeu Pepper, despedindo-se do casal que deixou o restaurante. —Matthew, não quero ser grossa, mas não acho uma boa ideia.— ela disse voltando a atenção a ele.

—Há uma hora que estou esperando a oportunidade de falar com você, estava no final de um jantar com clientes quando vi você chegar com esse casal, aguardei no bar desde então.— ele disse passando a mão pelos cabelos ondulados castanho-claro. —Por favor?— Pepper aquiesceu e foi conduzida por entre as mesas, até chegarem ao bar onde os clientes faziam happy hour e às vezes aguardavam vagar uma mesa no disputado restaurante.

—Não acho que temos nada para conversar, Matthew.— disse Pepper em pé próximo ao balcão do bar.

—Um drinque, é tudo o que eu te peço.— ajeitou o banco alto para que Pepper se sentasse. —Posso pedir o de sempre para você?— ele se referia à vodka Martini com azeitonas.

—Quero um Chardonnay.— ela disse.

—Por favor, um Chardonnay e um uísque.— Matthew pediu ao barman.

Pepper estava visivelmente desconfortável, estava sentada com as pernas cruzadas. Matthew olhava-a dos pés à cabeça, fazendo-a puxar a saia mais próxima aos joelhos.

—Fico meio perdido no espaço de tempo em que você deixou de ser aquela garota que era minha namorada e usava jeans, para tornar-se essa mulher linda, uma executiva de sucesso usando tailleur e Louboutin.— disse Matthew.

—Me espanta você saber a marca de um sapato.— disse Pepper, ela nunca se preocupou com a etiqueta do que vestia.

—Me relacionei com mulheres que davam bastante valor a isso, mas você nunca foi dessas.

—Cresci. Acho que a minha posição pede roupas mais sofisticadas.— ela deu de ombros. O barman entregou-lhes as bebidas.

—É por isso o seu relacionamento com o Stark? Status?

—Você é ridículo, Matthew.— ela disse entre dentes, levantou-se abruptamente e o deixava sozinho quando ele segurou-a pela mão.

—Desculpe a minha indelicadeza, não vá, termine o seu vinho pelo menos, por favor.— Pepper voltou a sentar-se —Sabe, eu desconfiava que você estivesse em Nova York, achei ter visto você há alguns dias. Onde você está hospedada?

—No Hilton.— ela mentiu sem pestanejar.

—Sabia que era você aquele dia na 5ª Avenida. Fui almoçar no Charlie e na Sarah no domingo, tinha a esperança de te encontrar.

—Por que isso agora?

—Não sei, só precisava ver você, o nosso último encontro não foi dos melhores.— ele disse com voz serena. —Você ainda está com o Stark?

—Estou.— respondeu incisiva.

—Ele não é homem para você, Virginia.

—E que é? Você?!— perguntou ríspida. —Garanto-lhe que não.

—Eu...amo você, Virginia. Desde aquele reencontro na exposição, tudo o que eu sentia por você voltou.

—Eu não amo você, Matthew.— ele disse com compaixão.

—Tony Stark não pode te fazer feliz, a vida dele é uma bagunça.

—Sobre a bagunça você não está me contando nenhuma novidade, mas ele pode me fazer feliz.— ela disse —Ele me faz feliz.— reiterou.

—Você vive a vida dele, e a sua vida? E os seus sonhos, Virginia? Como você vai formar uma família com um homem que sofre ameaças constantes?

—Ele é o homem que eu amo. Nós dois somos uma família, não precisamos de filhos, e bichos de estimação.

—Mas era o seu sonho, eu me lembro. Dê-me outra chance, deixe-me dar a você o que ele não pode dar.— a voz de Matthew era quase uma súplica.

—Eu te dei uma chance há anos, Matthew. Eu não sou mais aquela garota ingênua, meus anseios não são mais os mesmos. O Tony me ama, ele faz tudo por mim, ele mudou por mim.— foi enfática.

—Quem garante que ele mudou?— a pergunta de Matthew estava carregada de ressentimento.

—Eu sei disso.— respondeu com o olhar semicerrado.

—Você tem uma visão muito romântica sobre esse homem.

—É você que não o conhece e o julga superficialmente.— defendeu.

—Eu e todo mundo, julgamos seu namorado pelo que ele mostra.

—Ele só se mostra para mim, Matthew.— ela levantou-se cansada daquela conversa.

—Ele ainda vai magoar você.— disse Matthew.

—Se isso acontecer, eu vou superar, assim como superei você.— ela colocou sobre o balcão algumas notas que julgou ser o suficiente para pagar pela sua bebida ainda intacta e deixou-o.

—Nós ainda não acabamos, Virginia.— ele disse quando ela já estava alguns passos longe.

—Essa foi a nossa última conversa.— disse ao virar-se na direção dele e voltou ao seu trajeto.

Pepper saiu do restaurante transtornada com a ousadia de Matthew, praguejava mentalmente por ter dado a ele oportunidade daquela conversa. Esperou que o valet trouxesse o carro que ela alugara, antes que Matthew surgisse. Ao sair com o veículo deu algumas voltas pelas ruas da cidade para certificar-se de não estar sendo seguida por Matthew, seria terrível se ele soubesse onde ela estava hospedada. Ao ter a certeza de estar segura, seguiu para o apartamento no Brooklyn.

Quando estava sobre a ponte do Brooklyn ouviu o seu celular tocar, parou no acostamento, ligou o pisca alerta. Atendeu, apenas porque tratava-se de Tony.

—Oi, meu amor.— tentou manter a voz calma.

Pep, o que foi?— ele perguntou ao notar o desconforto na voz dela.

—Nada, é que...eu estava dirigindo e tive que parar para atender, você pode me ligar daqui a pouco? Em vinte minutos estarei em casa.— ela disse.

Ok.— ele respondeu e encerrou a ligação.

Pepper retomou a sua rota e continuou o caminho para casa. Chegou ao apartamento, trancou a porta, jogou a bolsa sobre o sofá. E só teve tempo de livra-se dos sapatos antes que o celular voltasse a tocar.

—Você cronometrou os vinte minutos?— ela perguntou ao atender a chamada de Tony.

Fiquei preocupado, a sua voz estava estranha.— ele respondeu. —É tarde, Pep, o que você ainda fazia na rua?

—Estava em num jantar de negócios. O último.— frisou —Tenho um almoço amanhã e estarei livre.— sentou-se ao sofá.

E vai poder voltar para almoçar comigo no sábado.— disse impaciente.

—Tony.— disse descontente, ela passou os dias tentando convencê-lo a voltar antes.

No sábado, achei que estivéssemos de acordo.— a voz dele era calma, ainda assim autoritária.

—Você esteve estranho a semana toda, está escondendo algo, o que é?— ela perguntou.

Nada com que você deva se preocupar.— ele respondeu.

—Então há alguma coisa?— ela aproveitou o vacilo dele para perguntar.

Não, são os mesmos problemas de sempre.— ele respondeu. —Como foi o seu jantar?

—Tranquilo, mas...— vacilou.

Mas o quê? Sabia que algo estava errado desde quando falei com você minutos atrás.— mostrou-se apreensivo.

—O jantar foi bom, proveitoso, o problema foi depois.— disse reticente.

O que houve depois?— perguntou impaciente.

—Nada.

Pepper?!

—Encontrei com o Matthew.

Vocês conversaram?— a voz de Tony transformou-se.

—Um pouco, mas nada de mais.— respondeu apreensiva.

Sobre o que vocês conversaram?— fez questão de saber.

—Sobre nós.

Você e ele?

—Não, Tony. Eu e você. Não existe mais eu e ele.— ela respondeu.

Por que você está me contando?— ele perguntou.

—Foi você quem pediu que eu contasse se eu o encontrasse, Tony.

Ele tentou algo?

—Como assim?

Uma aproximação, ele devora você com os olhos todas as vezes.— disse Tony.

—Eu jamais daria abertura para que ele se achasse no direito de tentar qualquer coisa. Por que você está agindo como se a errada fosse eu?— perguntou com a voz embargada —Eu não marquei um encontro com ele, nós nos encontramos por acaso. Por que esse ciúme todo?

Você teve uma história com ele, um laço...

—A minha história é com você agora— ela o cortou —O meu laço é com você. Eu. Amo. Você.— ela disse pausadamente.

Eu preciso desligar, Pep.

—Tony?— ela chamou chorosa.

Ainda estou na linha, Pepper, não quero que você chore.— ele disse.

—Queria ver você.

No sábado estaremos juntos, Pep.

—Amanhã à noite.— ela insistiu.

No sábado de manhã.— ele disse e, vencida, e ela concordou.

—Você vai me ligar amanhã quando estiver calmo?

Eu estou calmo.— respondeu.

—Então me ligue amanhã quando estiver mais calmo.

—Ok. Eu também amo você— ele disse —Sei que é isso que você deseja ouvir por isso não me deixou desligar.— ela sorriu.

—Pode desligar agora.— ela disse —Boa noite.

Boa noite.— ele sorriu e então silenciou.

Para Pepper, estava evidente que Tony não a queria por perto naquela sexta-feira, ela só esperava que ele dissesse o porquê daquele comportamento. Imaginar que ele estivesse tramando algo e por consequência corresse algum perigo, deixava-a apreensiva. A esperança dela era que ele ligasse na manhã seguinte e que ela obtivesse sucesso em dissuadi-lo de qualquer que fosse a ideia dele.

A sexta-feira amanheceu ensolarada em Nova York, Pepper acordou com a expectativa do telefonema de Tony, ainda tinha assuntos referentes à empresa para se preocupar, ficou em casa por algumas horas e depois de algum tempo arrumou-se e saiu para o seu compromisso profissional.

Ao retornar ao apartamento no fim da tarde, não tinha ainda notícia de Tony. Ligou para ele, que não atendeu. Tomada por impulso, fez as suas malas e, no final da tarde, deixou o modesto apartamento no Brooklyn e seguiu para o aeroporto mais próximo. Torcia para conseguir passagens para um voo que a levasse de volta a Malibu.


Malibu



Passava das cinco da tarde, a lavanderia havia acabado de entregar na mansão o smoking que Tony usaria aquela noite. Ele estava decidido a ir ao baile, ignorando os conselhos de Rhodes. Até Hogan disse ao patrão que não achava prudente, e acabou ganhando folga naquela noite para que não desse mais palpite. De repente, Tony lembrou-se de Pepper e resolveu ligar. Não obteve resposta. Insistiu.



—Vamos, Pep, atenda.— dizia ao ouvir o eco da chamada ressoando através das paredes da mansão. —Espero que ela não esteja fazendo, o que eu acho que ela está fazendo.— disse para si mesmo.



Depois de tentar mais uma vez acabou desistindo. Precisava se concentrar no que estava para acontecer, mesmo não tendo ideia do que o encontro com Hammer renderia, mesmo assim, sabia que seria algo decisivo. Sentia-se angustiado, seu peito apertava, poucas vezes sentira-se assim. Uma dose de uísque talvez aliviasse. Foi até o pequeno bar que tinha na sala de casa e serviu-se de uma dose. O uísque puro e sem gelo, desceu cortando-lhe a garganta. Um silêncio tumular tomava conta da mansão, do lado de fora o sol alaranjado se punha para dar vez à lua.



—Jarvis, música.— ordenou, de imediato Highway to hell repercutiu pela mansão. —Essa música, jura, Jarvis?— perguntou irônico.



—Desculpe-me, Sr.— disse Jarvis.



—Pode deixar, Jarvis.— ele disse —Espero que a minha estrada para o inferno não seja de mão única, eu preciso voltar.— murmurou para si mesmo, enquanto subia as escadas rumo à suíte.



Horas depois, Tony estava em frente a um espelho arrumando o nó da gravata borboleta. Barba feita, cabelo assimetricamente arrumado. Veio-lhe à mente a lembrança da última vez que havia trajado smoking, o beijo que não deu em Pepper, deixá-la esperando por ele no terraço e sair para a sua primeira missão como Homem de Ferro. Tanta coisa aconteceu depois daquela noite. Eles aconteceram. Desceu para a sala e olhou no celular, nenhum sinal de Pepper. Passava das nove quando deixou a mansão, Pepper chegaria minutos mais tarde.



Tony chegou ao endereço do baile, deixou o seu carro com o manobrista, estava diante de uma mansão imponente, estilo Greco-romano, quatro colunas de mármore sustentavam a varanda principal. Na porta uma hostess mascarada recebia os convidados.



—Boa noite, Sr Stark.— sorriu a morena mascarada, num vestido longo e perigosamente justo, entregando-lhe uma máscara.



—Eu não preciso disso.— ele disse a ela, e adentrou o salão.



Um amplo salão, pé-direito altíssimo, com piso branco e preto lembrando um tabuleiro de xadrez, nas laterais do ambiente havia portas que davam acesso a outras áreas da mansão, a alguns metros de onde estava havia uma escada que dava acesso a outro andar. Pessoas mascaradas circulavam pelo salão, homens em smokings e mulheres de longo passavam por ele a todo o momento, um garçom entregou-lhe uma taça de champanhe, líquido que ele despejou no primeiro vazo de plantas que encontrou. Não beberia nada em território inimigo. Minutos seguiram-se sem sinal de Justin Hammer.



Tony circulou a propriedade toda, entrou em quartos, salas, escritórios, procurando pela passagem que o levaria até a outra propriedade de Hammer que ficava a alguns metros dali, não obteve sucesso e voltou ao salão principal. Depois de mais de uma hora de ‘festa’ a música fez uma pausa, uma fumaça branca começou se espalhar. Enfim, Justin Hammer apareceu no alto da escada, usando uma máscara negra, desceu de encontro aos convidados um rapaz mascarado seguia-lhe. Uma loira esbelta esperava por ele ao pé da escada, ganhou um beijo lascivo e um tanto cênico quando ele chegou até ela.


—Cena patética.— Tony murmurou.



Com o passar das horas o salão foi sendo tomado por mais pessoas, não era mais possível acompanhar Hammer com o olhar, Tony acabou perdendo-o de vista. Decidiu que aquela noite não era a melhor para um confronto, estava pronto para deixar a festa quando foi abordado por uma loira mascarada.



—O Sr Hammer deseja vê-lo a sós.— disse ela, talvez fosse a mesma da cena na escada, não tinha certeza. Foi guiado por entre as pessoas até uma porta que ficava atrás da escada. Havia forçado a mesma porta horas atrás, e agora ela estava aberta para que ele entrasse. Viu-se num amplo escritório, com o mesmo piso do salão, paredes brancas e móveis escuros. A loira fechou a porta atrás de Tony, Hammer estava em pé, encostado a mesa.



—Anthony, você não sabe o quanto fiquei feliz quando o vi entre os meus convidados.— disse Hammer ao recebê-lo. —Mesmo evitando entrar no espírito da coisa.— referiu-se a ausência de máscara em Tony.


—Gosto que as pessoas saibam que eu sou. Qual é o jogo, Zorro?— Tony perguntou zombeteiro.

—Gosto disso em você, sabia? Mesmo por baixo continua com o seu humor inabalável.— disse Hammer livrando-se da máscara.

—Por baixo?— Tony sorriu sarcasticamente —Não vejo motivos para estar por baixo.

—Mas também, não está por cima, ou então não estaria aqui.— disse Hammer. —Estou sentindo falta de alguém. Onde está a nossa querida Virginia?

—Não te interessa.— Tony rosnou.

—Não seja hostil, Anthony. Só senti falta da sua metade, talvez fosse mais correto dizer sombra ou consciência. O que seria de você sem ela?

—Fica longe dela.— Tony voou na direção de Hammer e segurou-lhe o colarinho —Se algo acontecer a ela em mato você.

—Você não está em condições de fazer-me ameaças. Até porque Virginia está vulnerável em algum lugar. Você sabe onde ela está?— perguntou Hammer. Tony não sabia, Hammer também não, mas jogou, e acertou em cheio. Tony o soltou.

—Por que essa obsessão por mim, Hammer?

—Antes era um jogo de poder, eu admito. Até eu ser privado do que eu amava. Sabe, Anthony, eu amava a minha empresa, meu status, meu dinheiro, a minha liberdade.— ele dizia calmamente —Me trancar numa cela fétida, me privou de tudo isso!— ele bradou. —Antes eu pensei em atacar o seu legado, mas agora há algo mais importante. O que você mais ama, Anthony?— sorriu com escárnio.

—Ela não significa nada pra mim.— ele disse com dificuldade.

—Você acreditou nisso que acabou de dizer?— ele perguntou —Eu não. Sabe, o problema é que você deixou o seu coração governar a sua cabeça. Logo você, Anthony, tão experiente se deixou levar por uma paixão. Ela é a sua fraqueza. Aposto que você está nas mãos dela, chega a ser frustrante.

Tony tentava controlar-se, olhar duro, maxilar tenso, punhos cerrados. Continha a ânsia de socar Hammer até que ele perdesse os sentidos, não podia se deixar levar por esse ímpeto. Pepper podia estar em risco, era o inferno não saber onde ela estava. Então ele manteve-se firme aguentando a tortura psicológica de Hammer. De repente, ouviu-se batidas na porta.

—Pode entrar.— disse Hammer.

—Sr, acabaram de chegar uns convidados e...— dizia o rapaz mascarado adentrando o escritório —Sr Stark, que prazer vê-lo.

—Eu conheço você?— Tony arqueou uma sobrancelha.

—Sou Blake Esteves.— Blake tirou a máscara.

—Perfeito.— desdenhou Tony.

—Vocês se conhecem?— dissimulou Hammer —Recebi o currículo desse rapaz há alguns dias, sabia que ele trabalhava na sua empresa, mas não imaginava que vocês se conheciam, afinal, você não é famoso por sua presença na empresa, não é Anthony?

—Nos conhecemos sim, eu era assistente da Srta Potts.— disse Blake —Como vai a Srta Potts, Sr Stark?— Tony não respondeu, então ele continuou. —A Srta Potts me ensinou muita coisa nos meus meses de Stark, foi bastante compreensiva diante da minha inexperiência.— disse malicioso —Sempre arrumava um pretexto para me ter na sala dela, ficava sem ar a cada cruzada de pernas. Deus do céu. — Blake ofegou.

—Ela jamais se insinuaria para você, olhe-se no espelho, você é um garoto. Cresça.— disse Tony.

—Virginia tem mesmo pernas lindas.— Hammer provocou —Acho que eu entendo um pouco você Tony. Quando mulheres como ela estão dispostas a seduzir um homem elas podem jogar muito baixo.

—Jogar, é essa mesmo a palavra a nossa relação era um jogo de sedução. E, nossa, como ele joga bem. A Srta Potts é a minha Sra Robinson*.— disse Blake, Tony não se conteve, com a mão esquerda, pegou Blake pela gola da camisa, e com a direita, deu-lhe um soco certeiro. Blake não caiu por estar sendo segurado.

—Solte o garoto, Anthony.— disse Hammer. Tony soltou Blake, que num rompante de coragem tentou revidar o soco que recebera e acabou ganhando outro, indo ao chão.

—Você não tem motivo para ter problema comigo, Esteves, porque se meter numa briga que não é sua?— perguntou enquanto Blake se levantava, podia ver o ódio nos olhos do rapaz, não via razão para tanto, porém, a raiva exalada daquele olhar verde-acinzentado fez com que ele se lembrasse de alguém que preferia esquecer —Não vê que ele está usando você?— apontou para Hammer. —E você Hammer— Tony foi caminhando na direção de Hammer que andando para trás pôs-se entre Tony e a mesa do escritório —Me enfrente, não queira usar a Pepper para me atingir, ela não tem nada a ver com isso, se você machucá-la eu vou caçar você, só caio depois que você cair.— ele disse agressivo, deu as costas para Hammer, encarou Blake e saía do escritório.

—Eu não pretendo feri-la, ela só precisa aprender a não se meter onde não foi chamada, não fosse a interferência dela o nosso confronto teria acontecido há meses.— Hammer caminhou até o centro do escritório.

—Com você controlando seus robôs à distância e mandando o Vanko atrás de mim?— sorrindo com desprezo, Tony voltou-se para Hammer.

—Estratégias de guerra, Anthony, soldados vão à frente.— ele respondeu —Tire-a do caminho, é você quem deve afastá-la, se ela for um obstáculo terei que passar por cima, seria terrível machucar alguém tão bonita, mesmo que ela não valha nada.— Hammer deu-lhe tapinhas nas costas.

Ao sentir o terceiro tapinha condescendente, Tony não se segurou mais, girou o corpo e atingiu o maxilar de Hammer em cheio. Abriu a porta e saiu salão afora.

—Ele me bateu seu idiota.— Hammer bradou com Blake.

—Você queria que eu fizesse o quê, me colocasse entre vocês para receber o golpe? Eu levei dois socos.— disse Blake com a maçã do rosto já apresentando hematoma. —E agora qual é o próximo passo?— perguntou.

—Ele dará o próximo passo, na verdade, ele vai tropeçar, tenho certeza.— disse Hammer —Jr, devo reconhecer que você me surpreendeu, a referência cinematográfica foi o ápice.— caminhou até um frigobar —Nunca pensei que tortura psicológica fosse tão divertido, você devia estar aqui desde o começo.— ele pegou uma lata de energético pressionou contra seu maxilar —Inferno, isso vai ficar feio, tem a mão pesada esse maldito.— praguejando, moveu a cadeira atrás da mesa e com os pés afastou o tapete persa, abriu um alçapão, por ali teria acesso a passagem que o levaria até a outra mansão. Hammer não estava preocupado com que os convidados pensariam de seu sumiço, seu objetivo para aquela noite estava atingido.


(...)



Tony estava atordoado, pisava fundo no acelerador de seu carro luxuoso. Pensava nas insinuações de Blake quanto à fidelidade de Pepper, ele não podia ter se enganado tanto a respeito dela, no fundo, sabia que ela não seria capaz de traí-lo. Mas o que fazer para controlar o ciúme incontrolável? Pepper era sim a fraqueza dele, mas também lhe dava uma força incrível. Ele vivia uma confusão interna.



—Jarvis, tente rastrear o sinal do telefone da Srta Potts, eu preciso saber o paradeiro dela.— disse ao acionar o sistema Bluetooth.



—Sr, a Srta Potts está em casa há mais ou menos 4h.— a resposta de Jarvis, fez com que Tony freasse o carro subitamente —Sr?



—Não foi nada, Jarvis.— ele desligou o Bluetooth —Droga, droga, droga!— ele socava o volante. Deu partida no automóvel, pisou fundo e retomou o seu caminho, sabendo que, em alguns minutos, estaria diante de uma das piores situações de sua vida.



Pepper estava sentada a bancada da cozinha, de lá ela veria quando ele entrasse, ainda usava as roupas com as quais chegou, uma camisa branca, um jeans e scarpins pretos. Esperava que ele adentrasse a mansão trocando as pernas e com o odor forte de álcool, como já vira algumas vezes.



Tony chegou afrouxando a gravata, tinha o semblante carregado, mas não aparentava embriaguez. O nó da gravata se desfez, jogou o blazer sobre o móvel próximo a porta, desfez os primeiros botões da camisa deixando a luz do reator visível. A sala estava escura, ele não via Pepper, mas ela o via, embora a luz azul do peito dele estivesse mais fraca.



—Luzes, Jarvis.— ele ordenou e se arrependeu, a iluminação o atingiu como um soco, e então ele viu Pepper. —Não era para você estar aqui.— ele disse friamente.



—Onde você estava, Tony? Você está péssimo.— ela levantou-se e caminhou até ele, que se esquivou, sem que ela entendesse.


—Não era para você estar aqui.— ele repetiu passando as mãos pelos grossos fios castanhos em sua cabeça.

—Eu fiquei preocupada, você não me ligou...— agoniada, ela tentava se aproximar e ele se afastava, então ela desistiu.

—Eu só te pedi uma coisa. Uma coisa.— enfatizou —Por que você não fez o que a gente combinou?

—O que foi que você fez? O que está acontecendo, Tony?— perguntou desesperada.

Tony estava pressionado. Em conflito. De um lado, Pepper e tudo o que ele sentia por ela. Do outro, Hammer e todas as ameaças agora não mais veladas. Ele precisava protegê-la, e para isso teria que mandá-la para longe. Não fingir uma separação, mas separar-se, definitivamente.

—Eu faço concessões por você, e por causa de uma droga de telefonema você não faz o que eu peço...

—Tony, por favor, me diz o que está acontecendo...

—Nada. Nada está acontecendo. Estava. Mas acabou.

—O que foi que acabou?— a voz dela era um sopro, seus olhos represavam as lágrimas.

—Nós, Pepper...Acabou.— Tony fraquejava. Agonizava por dentro, estava quebrado. Não conseguiu dizer mais nada, mas sabia que ela buscaria um Por que. A noite será longa e, inevitavelmente, sairão magoados.


Notas finais
*Sra Robinson, é a personagem do filme A Primeira Noite de Um Homem, ela seduz o filho do sócio do marido. http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Graduate

Game over pro Matthew, assim como a Christine, esse não tem mais espaço aqui.

Devo estar esquecendo de alguma coisa...

Não queiram me matar, ok?

Vem drama do próximo capítulo, preparem os lenços.