De Ontem Em Diante
3 E quanto a nós?
Notas iniciais
Quero agradecer os últimos comentários.
É bom saber que tem gente lendo e gostando, é um incentivo a mais pra continuar =)
Boa leitura
No alto da escada Pepper inspirou e expirou profundamente, como quem busca coragem para enfrentar uma situação difícil. Nunca foi fácil para ela encarar Tony Stark, seria pior agora depois da noite que tiveram, tinha que manter-se firme. Desceu os degraus tentando não parecer nervosa, em vão, o barulho do salto dos sapatos denunciava seu estado de espírito, e da cozinha ele pôde ouvi-la se aproximar. Tony preparava uma bandeja de café da manhã, quando a viu chegar parou o que fazia e foi ao encontro dela.
—Por que você desceu? Eu iria levar o café lá no quarto— ele disse tentando beijá-la, mas ela o impediu, sem que ele entendesse o motivo.
—Qual o problema, Pep?— perguntou confuso.
—Quando é que você iria me dizer?— perguntou firme.
—Dizer o quê?— ele perguntou.
—Que eu me demiti, Tony. Quando é que você iria me dizer?— disse num tom mais alto.
—Err...eu ia te contar, estava procurando uma maneira de contar, te contaria durante o café. É que antes de contar eu tinha que bolar uma estratégia pra te fazer desistir da demissão, caso você não mudasse de ideia— ele disse vacilante tentando se aproximar dela. Porém a cada passo que dava na direção dela, e ela recuava um passo atrás, tentando manter-se longe dele.
—Como? Quando foi que você se lembrou?— ele perguntou intrigado.
—Durante o banho— ela respondeu.
—Sabia que não deveria ter te deixado tomar banho sozinha— brincou —Depois do café conversamos sobre isso, ok?— disse enfim a alcançando, pegando sua mão e levando-a até a bancada na cozinha onde ele havia deixado a bandeja.
—Tony, vamos conversar agora, por favor?— ela disse o seguindo contrariada.
—Depois, Pep, depois— ele disse ajeitando a banqueta para que ela sentasse.
Ficaram cada um de um lado do balcão. Pepper não estava com fome, e mesmo que estivesse não conseguiria comer nada. Queria logo esclarecer a situação, mas sabia que Tony não estaria disposto a conversar enquanto não tomassem o café da manhã. Mesmo contrariada, ela esperou. Uma coisa que ela aprendeu durante anos trabalhando para ele era que, às vezes, as coisas tinham que ser do jeito dele.
Durante todo o café da manhã não se ouviu uma única palavra, apenas o ruído dos talheres nos pratos. Alguns olhares foram lançados, ela parecia furiosa, ele se perguntava se a omissão da demissão era mesmo o motivo, até que depois de alguns minutos ela quebrou o silêncio.
—Se eu não tivesse lembrado você não me contaria, não é?— disse aparentemente mais calma.
—Não. Não contaria— ele respondeu —Eu jamais consideraria um pedido de demissão seu, Pepper. Ainda mais agora, depois da noite que tivemos— ele continuou.
—Tony, não era a minha intenção me demitir. Tudo o que eu disse ontem foi resultado da confusão, não se deve levar em conta o que uma pessoa diz quando está nervosa. Principalmente numa situação como aquela. Prefiro encarar a última noite como uma descarga de tensão, não fosse o caos na feira nada teria acontecido.
—É aí que você se engana, é quando estão nervosas que as pessoas falam o que não conseguem falar quando estão calmas— ele disse pondo as mãos em cima das dela sobre o balcão —Sei que não deve ser fácil pra você, Pep, não tem sido para mim também. Mas você tem me dado uma força que eu nem sabia que eu tinha. E, nesse momento, eu não posso tê-la fora da minha vida. Jamais vou aceitar a sua demissão.
Pepper não compreendia o que Tony queria dizer com aquelas palavras, cada vez ficava mais confusa. Há um bom tempo ela nutria algo diferente em relação a ele, mas ela sabia que não poderia esperar nada dele. Ele era um conquistador, sempre lançava olhares lascivos na direção dela, com o tempo deixou-se envolver. Porém, não queria ser mais uma, estava apaixonada e lutaria contra isso. No entanto, ficar ao lado dele estava cada vez mais difícil, pois Tony parecia estar mudando o seu comportamento.
—Tony, a noite que passamos juntos não pode, e não deve interferir na nossa relação profissional, não quero misturar as coisas, foi um erro— foi enfática.
—Não foi um erro. Já faz algum tempo que eu desejo você. Eu sei que você também me deseja.— ele rebateu
—Não é sobre desejo que eu quero falar, Tony. Você iria omitir a minha demissão de mim, é essa a questão. A nossa relação só funcionava porque eu não me deixava envolver. Vamos esquecer o que aconteceu ontem.— disse um pouco alterada.
Por vezes ele havia tentando uma aproximação maior, ela sempre o repelia, era atraída por ele, mas nunca havia cedido. A não ser numa noite do baile, em que eles quase se beijaram.
—Não, Pepper. Eu não quero apagar o que aconteceu. Eu nunca fui o tipo de homem sentimental, e você mais do que ninguém sabe disso, por isso eu entendo que você queira manter-se longe de mim. Mas por alguma razão eu não consigo aceitar a ideia de, talvez, ter que ficar longe de você— ele disse olhando profundamente nos olhos azuis dela.
—Você não tem nenhuma obrigação comigo, não cobrarei nada de você. Eu sei qual é a sua maneira de lidar com as mulheres— ela disse com a voz embargada, desviando seus olhos dos dele.
Tony estava confuso em relação ao que estava sentindo, ele precisava de Pepper, ela mantinha a vida dele em ordem, mas não era só isso. Ele gostava da presença dela, não podia perdê-la. Enxergava a demissão de Pepper como a saída dela de sua vida.
—Pepper— disse fazendo com que ela voltasse a prestar atenção nele —Não foi só mais uma noite, não foi só sexo, foi diferente, porque você é diferente de todas as outras.
—O que me torna diferente?— questionou, soltando as mãos das dele —Apenas o fato de ter demorado anos pra dormir com você, enquanto as outras praticamente se jogam na sua cama?— Pepper aparentava firmeza, testava Tony, queria saber até onde aquela conversa chegaria. Tony não sabia o que responder, permanecia imóvel diante dela —Não chegaremos a lugar nenhum com essa conversa, Tony — ela disse levantando-se dando as costas para ele.
— A diferença, é que no outro dia elas vão embora. Sempre fiz questão que elas fossem— enfim ele conseguiu dizer algo, indo até ela, segurando-a pela mão fazendo com que parasse.
—Eu sei disso, Tony, muitas vezes era a minha missão mandá-las embora, nem isso você fazia— ela disse voltando-se para ele sem conseguir encará-lo —Aliás, está na minha hora de ir— disse caminhando em direção a porta. Ele foi atrás, encurralou-a colocando uma mão na porta atrás dela e outra em sua cintura.
—Pepper, será que você não vê o quanto eu mudei? Você é a responsável por isso. Eu não quero perdê-la. Eu não posso, e não vou te deixar ir, preciso que você continue comigo— ele dizia num tom mais alto do que o normal olhando nos olhos dela, enquanto suas respirações se misturavam —Mas você pode se demitir, se é isso o que você quer.— ele disse antes de beijá-la.
Pepper se debateu um pouco nos braços dele, mas depois acabou deixando-se levar pela paixão depositada por ambos naquele beijo, separando-se apenas pela necessidade de ar.
—Eu não vou me demitir, não por enquanto— disse se desvencilhando dele —Pronto, Sr. Stark, ainda sou sua funcionária, satisfeito?— perguntou ofegante.
—Ótimo, porque você é a única pessoa que eu posso confiar— disse fitando-a, tentando a envolver novamente.
—Não, Tony!— ela disse desviando dele —Eu permaneço na empresa, e a nossa relação continua sendo apenas profissional.
—Pepper, eu...
—Eu preciso ir embora, Tony— ela o cortou.
—E como ficamos? E quanto a nós?— ele questionou com os olhos fixos nos dela.
As perguntas de Tony deixaram Pepper atordoada, ela não sabia o que fazer, queria se jogar nos braços dele, mas também queria fugir. Não conseguiu responder nada, nunca pensou ouvir aquilo da boca de Tony Stark.
—Responda algo, responda, não era isso que você queria ouvir?— Ela perguntava para si mesma.
Tony não entendia a reação dela, achava que era isso o que ela queria, mas ela nada respondia. Ele nunca pensou em se envolver, mas era ela, Pepper. A admirava, a desejava, ainda não sabia ao certo se a amava, mas sentia algo além de desejo. Nunca ninguém tinha despertado tal sentimento nele, por isso ele não sabia o significava. Queria tentar, estava disposto a se relacionar com alguém. Esse alguém era Pepper. Mas ela não respondia, permanecia imóvel, inexpressiva.
—Pepper— disse pegando na mão dela tirando-a do aparente estado de choque.
—Nós?— vacilou —Eu não sei, Tony, talvez não seja prudente existir um nós. Preciso ir. Dê-me um tempo, por favor.
Notas finais
Vocês viram o trailer de IM3? Perdi a conta de quantas vezes já assisti. Sofro toda vez.
Vou me esforçar pra postar o próximo capítulo antes do feriado, ok? Então, talvez, quinta-feira eu atualize.
Beijos.
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