De Almas e Chamas
5 Um coração puro
“Vejam só, a quem devo essa ilustre visita?”, disse Dugtar Archete, sua complacência tão delicada que o fazia parecer feito de vidro. Ele galgou os últimos degraus, devagar, segurando a barra de sua longa túnica esverdeada com uma das mãos magras. Outros dois homens corpulentos o acompanhavam atrás, aparentemente desarmados.
“Aceite meus cumprimentos, senhor”, Golder se inclinou em uma mesura, até seus joelhos dobrarem. Rogurd estava paralisado. “Golder é o meu som, e vim aqui para prestar meus serviços como Elo da Divisão de Suprimentos”, ele finalizou a cortesia, e voltou a cravar os olhos incisivos sobre o farlesso.
“Ah, mas isso é uma honraria. Sou Dugtar Archete, e sejam quais forem as suas causas, gostaria de ajudá-lo no que for necessário”, expôs Dugtar, erguendo as sobrancelhas ralas. “E então”, ele levantou as mãos de dedos lânguidos e as circundou ao seu redor, “faremos nossa reunião aqui mesmo? Ou pretendiam me encontrar em outro lugar e a neblina os despistou?”
Golder não respondeu de imediato. Embora não estivesse autorizado a provocar Impressões de forma leviana, ainda era capaz de realizar breves leituras — e o que viu não lhe agradou nem um pouco. “Parece que o senhor tem uma excelente intuição. De fato, a neblina nos trouxe até aqui”, concordou.
“Ora, ora. Se a névoa foi capaz de trair Rogurd, é porque o tempo não está bom nem para os mais experientes”, Dugtar pousou o olhar opaco sobre o mais baixo, que finalmente mexeu o corpo desde a chegada do Archete.
“Talvez… eu ainda nem era pai desde a última vez que cá estive”, explicou-se, limpando a garganta.
Dugtar iniciou uma caminhada linear de um extremo da plataforma ao outro, abraçando a si mesmo como se protegesse o peito frágil. “Então se completa quase uma década, não é mesmo? Muita coisa mudou por aqui, e sou ciente da sua oposição quanto a isso. Mas acredite em mim, Rogurd, nunca gostei das nossas divergências e nem pretendo alimentá-las. Ouvi falar sobre o seu dique e os outros preparativos para a chegada das chuvas. Estou disposto a liberar meus homens para a sua construção, e disponibilizar um de meus barcos se for preciso.”
Rogurd franziu o cenho, consternado. Ele imaginava mil e um desfechos trágicos para aquela ocasião, mas nunca lhe passou pela cabeça que Dugtar cederia à sua causa, e muito menos que detinha a posse de barcos. “É muita generosidade da sua parte, Dugtar, mas não sei se posso aceitar tamanho agrado. Não depois de todas as ofensas ditas a você.”
Dugtar interrompeu sua caminhada e se virou para Rogurd, olhando para o alto com uma expressão de quem tentava recordar alguma coisa. “Como você diz mesmo? Bobagem, bobagem! Adoro essa frase sua”, ele começou a rir um riso debilitado, porém Rogurd se manteve compenetrado em cada gesto dele. “Façam o favor de me acompanhar. Adoraria mostrar-lhes as minas e a minha gente. Depois, daremos a devida atenção a esses assuntos.”
Os dois não se viram com outra alternativa. Seguiram no encalço de Dugtar, e os acompanhantes os escoltaram de perto. Durante a descida do mirante, uma rala garoa insistia em cair, e logo suas peles ficaram enrugadas antes de retornarem à clareira.
Apesar do véu úmido, o local respirava uma aridez ressequida. Os pés de Golder afundavam na lama barrenta e os aços retiniam por todos os lados, fazendo com que os ruídos se chocassem em seus ouvidos. Entre carrinhos rangentes, pedras partidas e cinzéis rutilantes, homens e mais homens irrompiam dos flancos e da fenda, e uma grossa camada de poeira — ora amarelada, ora negra — cobria-os por inteiro, deixando visíveis apenas os olhos fatigados.
Um dos acompanhantes de Dugtar deu um passo adiante e sacou uma pequena corneta de bronze, ressoando uma nota longa e estridente. No momento seguinte, o zigue-zague de homens cessou de forma abrupta, e uma quietude retumbou após o desfecho de um martelo ao longe.
“Ala dois, atenção!”, bradou o acompanhante colando os braços ao corpo, em riste. “Jaz aqui presente, mestre Dugtar Archete, senhor soberano das minas Milgata, e convidados!”
Os mineradores lançaram seus utensílios enferrujados ao chão lamacento, dobrando os joelhos para uma obediente reverência. Golder os olhou por cima, sob o chuvisco. Eram muitos em número e divergiam em idade. Pela altura e porte físico, alguns não deveriam ter mais do que doze anos, e um medo intrínseco lhes tomava os corpos mirrados e sujos. Ele olhou para o alto e distinguiu quatro torres de observação, uma em cada ponta da clareira. “Então foi assim que nos acharam.”
“Por favor, não se intimidem com a nossa presença. Mestre Golder é uma figura muito importante para além dos corredores de Sil. Anseio para que a nossa relação frutifique e renda incontáveis progressos para o meu povo!”, discursou Dugtar, em tom promissor. Suas palavras foram ovacionadas por uma enxurrada de aplausos e aclamações, que ecoaram pelas montanhas até se extinguirem.
Golder expeliu um arquejo pesado e cerrou os dentes. Já havia topado com muitos mentirosos bem articulados ao longo da vida, e um belo exemplar da espécie estava ao seu lado.
Outro toque de corneta foi dado e os mineradores retornaram às atividades, revigorados até os fios de cabelo pelo discurso. A pequena comitiva se aproximou da fenda de onde um, dois, três e mais homens saíam com seus carrinhos ruidosos, derramando blocos de carvão esfarelante.
“Essa é a entrada da nossa mina principal. São muitos túneis escavados com extensão de até duas léguas — uma verdadeira obra-prima”, apresentou Dugtar, acariciando a borda da fenda. No seu interior, o caminho não se mostrava reto, mas curvava-se para um buraco profundo, onde tremeluzia uma luz amarelada, inquietante. Do abismo, uma corda sórdida e de tranças corroídas se esticava. Nela, os mineradores se engalfinhavam, camuflados como se um enorme monstro lhes tivesse borrifado um hálito de pó negro.
“O que você quis dizer com mina principal? Existem outras?”, indagou Rogurd, sua voz estava tão anêmica que não parecia pertencê-lo.
“Ah, vamos apreciar o passeio aos poucos, no momento certo chegaremos lá. Para não deixá-lo em grande expectativa, respondo que sim, há outras cavernas. Elas não superam esta em tamanho ou profundidade, mas garanto que são muito lucrativas”, Dugtar esclareceu, a calvície no topo da fronte reluzia o azul fraco do dia. “Agora irei lhes mostrar nossa comunidade, sigam-me, por gentileza”, ele fez uma mesura para que os dois prosseguissem em direção aos morros do acampamento encardido.
A comitiva atravessou a clareira e subiu por uma larga rampa íngreme e desnuda, cercada pelos restos de um bosque de abetos. As tendas surradas emergiram no horizonte, formando duas fileiras que se estendiam acima e abaixo, até se perderem de vista. Eles seguiram pelo caminho de areia empapada, acidentado pelos calcários que brilhavam turvamente.
Enquanto avançavam pelas tendas vazias e de lonas murchas, Golder notou que Rogurd fora tomado por um profundo assombro — o amigo não demonstrava mais interesse ao que se antecipava, distraído nos próprios pensamentos.
Dugtar caminhava à frente, seus passos eram esguios por baixo da túnica e quase não tocavam a lama. “Aqui é onde nossos trabalhadores descansam. São instalações modestas, mas cumprem sua função. Muitas melhorias são necessárias, sem dúvida,” disse, indiferente à própria afirmação. “Porém muitos são os que batem à nossa porta em busca de refúgio, e o nosso primeiro cuidado é com a alimentação de todos.”
Assim que Dugtar encerrou sua fala, uma sequência de tosses contidas quebrou o silêncio do entorno. Ele parou em sua posição, inclinando a face macilenta para a direita, de onde o som parecia ter vindo. Uma gralha negra rasgou a chuva, choramingando, e nesse meio tempo mais três tosses abafadas escaparam. Dessa vez, Dugtar conseguiu localizar sua origem e com o seu dedo anormalmente comprido, apontou para a tenda que estava à três horas de Golder. “Senhores, verifiquem por favor”, ele solicitou aos acompanhantes, em tom de ordem.
Os homens se aproximaram e fizeram menção de abrir a tampa da tenda, guarnecida por um leve tecido puído, preso a um alfinete. Antes que o tecido fosse descortinado, um braço emergiu e, aos tropeços, o restante do corpo de um rapaz saiu da abertura, sem que o interior pudesse ser visto.
“Mestre Dugtar, por favor, peço seu perdão!”, o rapaz clamou, trêmulo, caindo de joelhos sobre o barro no mesmo instante. Ele curvou-se até sua testa mergulhar na lama, separado apenas por um dedo do bico da botina de Dugtar. “Talvez seja de conhecimento do senhor, soberano de Milgata, o estado de saúde em que minha mãe se encontra. Ela está piorando senhor, e não sabemos mais o que fazer,” o garoto tomou um pouco de coragem, e ergueu o rosto enlameado para fitar o olhar fosco de seu mestre.
Dugtar respirou fundo, retendo a impaciência que aflorou na feição lívida. “Você por aqui de novo, Evan”, ele começou, ajeitando as bainhas das mangas sobre os pulsos. “É claro que sei da enfermidade de sua mãe. Já não enviei um fardo de ampolas dias atrás?”
“Sim, mestre! Somos muito gratos pela ajuda, o senhor sempre nos ampara… mas o tônico não está surtindo efeito, pelo menos, não o suficiente para ela demonstrar melhora”, o rapaz falou, voltando a afundar a face no chão.
“Se ela não melhora, a culpa não é do tônico, e sim porque não resta mais nada a ser feito. Não é um tanto óbvio?”, retorquiu Dugtar, removendo a máscara de benevolência. “Essas suas escapadas durante o turno estão começando a me aborrecer, transferirei sua mãe para…”
“Não, por favor mestre, não!”, o garoto agarrou uma das pernas do Archete, apertando a túnica verde com ímpeto. “Não leve nossa mãe, por favor”, persistiu, com a voz embargada. Dugtar arregalou os olhos, torcendo o nariz ao ver que suas vestes estavam manchadas pela lama que banhou o rapaz. Num gesto impulsivo, ergueu a mão raquítica para desferir um tapa sobre os cabelos sórdidos do garoto — mas o antebraço de Rogurd interceptou o golpe no ar. Quando Dugtar observou sua própria mão retida no braço peludo do outro, riu.
“Não desperdice seus ânimos com este mancebo, caro Rogurd”, Dugtar empertigou-se, recolhendo sua mão de veias saltadas. “Ele não merece tamanha envergadura.”
Rogurd encheu os pulmões e afundou o queixo no peito quadrado, como se fosse implodir. “Estou farto, Dugtar. Farto! Quer saber de uma coisa”, ele irrompeu, distribuindo gotículas de saliva, “que os raios lhe partam, e a Praga lhe roa o corpo e dê fim à tua alma rota! Que tu e teus barcos afundem, jamais aceitarei promessas de um cretino!”, praguejou, seus olhos lampejavam fúria e os braços arquearam em ameaça. Golder gesticulou as mãos sobre os ombros dele, como quem iria acalmá-lo, mas Rogurd os sacudiu para desvencilhar. Ele se aproximou do rapaz e estendeu sua mão calejada.
“Venha, garoto”, disse, mas o jovem permaneceu encurvado sobre os pés de Dugtar, encolhendo-se ainda mais. Rogurd cerrou o punho e deixou um suspiro frustrado escapar das narinas. “Tudo bem. Para mim, já chega. Irei retornar para o Veine e continuar com meus planos.”
Ele deu meia-volta e seguiu para a rampa, cabisbaixo, ignorando a presença de Golder.
“Rogurd, espere”, ele murmurou. Apertando o ritmo para encontrá-lo, colocou-se à frente de seu caminho. “Não é prudente deixarmos uma oportunidade como esta passar. Entendo o seu ponto e não lhe tiro a razão, mas veja a situação como um todo — com a ajuda de Dugtar, é inegável que suas obras avançarão em tempo hábil. Com o fim das catástrofes, os farlessos não precisarão mais se submeter às minas. Compreende como uma atitude em falso pode agravar a situação?”
Rogurd levantou a cabeça para fitá-lo nos olhos, uma sombra de desesperança apagou sua face vívida. “ Um homem como este nunca estenderá a mão sem esperar algo em troca, você bem sabe disso”, ele se certificou de que estavam distantes o suficiente de Dugtar para continuar. “Por mim, você pode ficar por aqui e checar se alguém agrada ao seu propósito. Deixarei Zimbra onde está, prosseguirei andando.”
“Mas pode ser perigoso. E você já está atrasado para suas atividades…”
“Atrasado?”, ele riu com pesar. “Nem que eu virasse noites e emendasse dias, esse dique jamais sairia a tempo”, ele engoliu em seco, desapontado com as próprias palavras.
“Por que, então?”, questionou Golder, ávido por reencontrar o Rogurd trovejante sob aquele manto apagado.
“Porque as pessoas precisam de esperança.”
A mudez entre eles tudo disse. Golder o assistiu girar os calcanhares e sair andando, permanecendo ali por alguns instantes. Atrás de si, o rapaz escutava o que Dugtar lhe dizia com muita atenção. Era um sermão longo e acalorado, e se aproximou somente quando o Archete cuspiu a última palavra.
“Lamento que os fatos não tenham saído de forma mais adequada. Meu amigo está sofrendo demasiada pressão, sua perseverança muito o cobra. Peço que não o condene de imediato.”
Dugtar fez um gesto como de quem já havia superado a desavença. “Desentendimentos com Rogurd se tornaram hábito. Confesso que estou surpreso, ele até suportou bastante a minha presença”, ele pontuou, voltando ao seu ritmo condescendente. “Mas é no senhor quem, de fato, tenho interesse. Temos muitos assuntos a tratar”, ele declarou, esboçando um sorriso peçonhento.
Golder sentiu uma onda arder dentro de si. Suas suspeições estavam cada vez mais claras — todo cuidado era necessário, e não se sentia disposto para uma conversa ardilosa; pelo menos não naquela manhã. Então fingiu que não o ouviu, e se inclinou em direção ao rapaz.
“Evan é o seu som?”, indagou, tão manso que parecia o silvo de um vento. Evan assentiu com a cabeça, sem encará-lo. “Do que sua mãe padece?”
O jovem encontrou os olhos de Dugtar, procurando permissão. “Responda logo, não desperdice o tempo de um homem como este”, retrucou o mestre, oscilando a impavidez.
Evan recuou o queixo, como quem desejasse sumir dali. Sua voz finalmente saiu do fundo da garganta, vacilante. “Ela anda com os humores frios e perturbados, há momentos em que seu sangue esquenta, até a pele arder. O peito tenta expulsar uma tosse insistente, mas sem efeito.”
Golder ponderou o relato. “Carrego algumas folhas no meu fardo, que está na aldeia. Elas podem servir de ajuda. Posso entregá-las amanhã, se mestre Dugtar não se importar em deixarmos nossa conversa para o dia seguinte”, continuou, desta vez sua calma era propositalmente calculada.
O Archete comprimiu as pálpebras secas, contrariado, e na mesma fração de segundo, a expressão afável emergiu de volta. “Está bem, então. Acredito que seja melhor assim, visto que não nos preparamos para sua chegada. Tenho certeza que meu irmão Donte adoraria participar de nosso evento. Quanto a ti, Evan, não desejo vê-lo nunca mais por aqui durante os turnos. Agora volte ao seu posto”, ele ordenou, apático.
Evan rapidamente se levantou, com as pelotas de barro caindo dos joelhos. Ele se esgueirou pela passagem entre os dois, e disparou numa corrida rumo às minas. Dugtar se voltou para a tenda, agora silenciosa, o tecido que ocultava a abertura se agitava com o vento. Com passos comedidos, aproximou-se, e tocando o véu com apenas as pontas dos dedos, abriu uma fresta. Ao olhar para dentro, um relance de asco tomou seu semblante e rapidamente soltou o tecido.
“Bem, irei acompanhá-lo até a trilha”, disse, rumando para a entrada do acampamento. Golder juntou-se a ele, ainda guarnecidos pelos acompanhantes. Enquanto desciam a rampa, um silêncio desconfortável cresceu entre eles, e Dugtar se pôs a falar. “Sabe, eu posso soar como um tirano, mas pouquíssimos são os que tomam coragem para mudar o destino de muitos. Diga-me, mestre Golder, o que os nobres homens de Farlesse fizeram por eles? O que seriam destas pessoas sem as minas? Provavelmente estariam vagando pela floresta, jejuando e caçando um coelho por estação. Rogurd não me economiza em ofensas e estou ciente de que meu comando é rígido, mas se assim não fosse, seria impossível abrigar tantos aldeões desolados.”
Golder ficou quieto. Em parte, não desconsiderava as motivações de Dugtar, mas era óbvio que ele estava admitindo gente que não pertencia à Farlesse. A clareira despontou novamente, esmorecida e estéril. O ruído incessante perdurava sobre as ações repetitivas, e eles já estavam bem próximos do desfiladeiro, quando um coro enérgico partiu do âmago da montanha.
O som estridente ribombou pelo vale, chamando a atenção de todos, que se voltaram para a fenda negra. De lá, um bando de homens encardidos de poeira brotou para fora, alegres e vibrantes, rugindo gritos e aclamações de euforia.
“Viva o Acaladã! Viva o Acaladã!”, eles exaltavam, em conjunto, e os que estavam mais atrás se apertaram na entrada da mina, até saírem de uma vez, carregando sobre suas cabeças gastas um rapaz — tinha um rosto radiante, que se iluminava sobre as manchas de pó, e uma imponente presença que tomou toda a clareira para si. De sua mão, erguida ao alto com glória, exibia-se uma pedra que preenchia sua palma — era vítrea e translúcida, e seu brilho resplandecia apesar do dia rançoso.
“Bendito seja o Acaladã! Meu amado Acaladã!”, Dugtar começou a exaltar, de suas feições afloraram um intenso júbilo. Seu entusiasmo foi tão grande que correu em direção ao aglomerado, deixando Golder para trás, o mais rápido que suas finas pernas permitiam, como uma mariposa ao encontro da luz. Golder não se importou, pois seus olhos deslumbrados também não conseguiam se desvencilhar do que viam — em meio à poeira pegajosa e ao barro lamacento, cintilava a chama límpida de um coração puro.
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