Daylight
24 Capítulo Vinte e Três
Notas iniciais
Dessa vez, porém, ela fez algo completamente diferente. Parou diante da câmera frontal, parecendo saber o tempo todo que ela estava ali — muito embora Isabella tivesse certeza de que ela tivesse ficado bem escondida — e ergueu o capuz um pouco; não o suficiente para revelar o seu rosto, mas o suficiente para que Isabella visse o sorriso da pessoa.
E para que ela tivesse certeza de quem era.
Aparentemente, o tempo de Isabella havia acabado.
Ele estava ali.
–x-
Ele não ficou muito tempo ali.
Isabella permaneceu praticamente paralisada diante do monitor do computador, observando-o. Ele tentaria entrar na casa dela? Era impossível, não era? Ela havia se certificado de que a casa fosse segura — fora a primeira coisa que ela fizera quando a comprara, alguns anos atrás.
Só que Royce não se moveu. Ele apenas continuou sorrindo durante um tempo e, após balançar a cabeça — quase como se estivesse a cumprimentando -, ele saiu andando pela rua, o que deixou Isabella completamente confusa durante algum tempo.
Só que, à medida que os minutos passaram, ela não conseguiu evitar que uma sensação tomasse conta de si: ele voltaria.
Talvez só para assustá-la, talvez para tentar entrar na casa dela ou pegá-la enquanto ela estivesse saindo, mas de alguma forma, ela sabia…
Ele voltaria.
Ainda se sentindo trêmula, ela pensou em pegar a sua arma e se esconder no quarto do pânico, já que não tinha ideia de quando ele fosse voltar. E se ele aparecesse naquela noite, quando ela estivesse dormindo? Mas antes mesmo que se desse conta do que estava fazendo, ela estava de pé, à procura do celular.
E antes mesmo que pudesse pensar duas vezes, ela estava discando o número do detetive Cullen — a única pessoa que conseguiria fazer com que ela se sentisse segura naquele momento.
Ela sabia que estava tarde e que ele deveria estar dormindo naquele momento, mas nada disso importou para a morena. Ela precisava dele ali. Ela precisava que ele dissesse para ela que tudo ficaria bem.
O celular chamou algumas vezes, mas ela não desistiu. Estava prestes a desligar o telefone e tentar novamente, quando ela finalmente ouviu a voz dele.
– Isabella? — A voz dele soava cansada. — Está tudo bem?
As lágrimas escorreram de seus olhos naquele momento e ela soltou um soluço. Ela tentou explicar diversas vezes que tinha chegado em casa mais tarde naquela noite e que quando fora verificar se estava tudo certo, ela o vira.
Mas ela não conseguiu dizer tudo isso.
– Ele esteve aqui — ela soltou, por fim, sabendo que isso seria o suficiente.
O detetive entenderia, ela tinha certeza disso.
E ele entendeu.
– Eu quero que você pegue a sua arma e se esconda — ele disse, soando sério. — Eu estou indo para aí imediatamente. Não abra a porta, ok? E permaneça na linha comigo.
A morena assentiu, mesmo sabendo que o detetive não podia vê-la naquela momento. Ela correu até o quarto e pegou a arma, antes de voltar para a sala onde os monitores se encontravam. Ela permaneceu ali, com o detetive ainda na linha, às vezes conversando com ela, apenas para saber se estava tudo bem.
Ela não percebeu em como estava tensa até que o viu no portão e seus ombros relaxaram.
Estava tudo bem, ela pensou. Agora está tudo bem.
Ainda com as pernas meio trêmulas, ela colocou o celular na mesa e caminhou até a porta, desligando o alarme e saindo, seus olhos disparando por todo o lugar. Rapidamente, a morena abriu a porta e, antes que se desse conta, ela tinha se jogado nos braços do detetive.
E estava chorando novamente.
– Shhhh, Isabella, shhh… — Ainda com ela em seus braços, ele a levou para dentro, após trancar o portão. — Está tudo bem, shhh… eu estou aqui.
Ela não conseguiu se acalmar de imediato, porém. Continuou o abraçando, sua cabeça enterrada em seu peito, sentindo o coração dele bater contra o seu ouvido. Aos poucos, esse barulho e as palavras que ele sussurrava, dizendo que tudo ficaria bem — exatamente o que queria e precisava ouvir -, assim como o carinho que ele fazia nas suas costas, um toque tão suave que não a assustou — o que costumava acontecer quando alguém a tocava naquele lugar -, ela foi se acalmando, o choro diminuindo. Ela não se afastou de imediato, no entanto, a vergonha por ela ter agido daquele jeito começando a tomar conta dela.
– Por que você não ativa o alarme e me mostra as gravações? — Edward sugeriu, alguns minutos depois.
Ele odiou quebrar o silêncio, com medo de ela se afastar e ele perder o contato com o corpo dela. Estava se sentindo confortável, parado ali, perto da porta de entrada, com ela em seus braços — algo que ele ainda não entendia -, mas o detetive sabia que precisava ver a gravação.
Saber que ele esteve ali, tão perto… enchia-o de um ódio que ele nunca imaginara que seria capaz de sentir.
– 7463. — Isabella sussurou, quebrando o silêncio. Ele permaneceu calado, sem entender o significado daqueles números em primeira instância. — A senha do alarme…
O detetive sentiu um sorriso nascer em seu rosto. Ela confiava nele. Confiava o suficiente para lhe dizer a senha do alarme da sua casa.
Ainda com ela em seus braços — porque, aparentemente, ela também não queria quebrar o contato entre eles ainda -, ele rapidamente digitou os quatro números. Depois, voltou à posição inicial, esperando que Isabella se afastasse.
Alguns minutos depois, já se sentindo bem melhor, ela se afastou e sorriu para o detetive de forma tímida, antes de balançar a cabeça e começar a andar. O detetive começou a segui-la, lembrando-se perfeitamente do caminho. Eles estavam prestes a entrar na pequena sala quando Isabella travou. Edward parou também, quase batendo o peito nas costas dela.
– Isabella — ele chamou. — Tudo bem?
A morena engoliu em seco, antes de assentir.
– Você sabe mexer? — ela indagou, apontando a mão em direção à porta. — E-eu não posso assistir…
Colocando as mãos nos ombros dela, ele a virou gentilmente. Ele a observou durante um tempo, vendo o medo nos olhos dela, e sorriu.
– Ok — disse, por fim. — Por que você não prepara um chá ou algo assim enquanto isso? Eu não devo demorar mais do que cinco minutos. Encontro você na cozinha, pode ser?
Isabella assentiu, seguindo imediatamente para a cozinha. Menos de cinco minutos depois, o detetive entrou na cozinha, quando a morena já estava servindo duas canecas de chá para eles.
Com mil pensamentos correndo em sua cabeça, o detetive não disse nada durante algum tempo. Ele apenas sorriu para Isabella e aceitou o chá, sentando-se à mesa da cozinha, de frente para ela.
Ele pensou em diversas coisas para dizer para Isabella, mas nada surgia em sua mente. Ele sabia que nenhuma palavra de conforto seria o suficiente para que ela se sentisse segura naquele momento.
Ele continuou pensando, porém. Rapidamente passou alguns detalhes do caso em sua cabeça, pensando em todas as vezes que Royce entrara em contato com Isabella. Tudo aquilo tinha que ter um significado, Edward sabia disso.
Ele só não conseguia pensar em nenhum.
– Ele vai voltar. — Isabella disse de repente, tirando-o de seus devaneios, tão baixo que Edward pensou que ele tivesse imaginado.
– O quê? — ele indagou, confuso.
Com os olhos presos no seu chá, a morena suspirou, antes de tornar a dizer.
– Ele vai voltar — ela murmurou.
O detetive franziu a testa.
– E por que você tem tanta certeza disso? — ele perguntou, apertando a caneca entre suas mãos.
Por que de repente ele sentira vontade de puxá-la novamente para os seus braços?
– Porque ele não terminou de fazer o que ele quer — sussurrou Isabella, lágrimas enchendo seus olhos novamente. Ela fechou-os por um momento, não querendo chorar novamente. — Eu sei que ele vai voltar.
O detetive engoliu em seco.
– Como assim ele não terminou de fazer o que ele quer? — tornou a perguntar.
Cansada de se sentir daquela maneira, presa ao que Royce fazia e dizia, a morena levantou a cabeça e fitou o detetive, disposta a começar a falar.
– Ele costumava me castigar quando eu fazia algo errado… — ela começou, praticamente sussurrando. — Ele me mostrava fotos das outras vítimas, dos castigos dela, de como as costas delas ficavam… depois, ele aparecia e ficava um tempo me fitando, porque ele sabia que eu ficaria com medo… E, por fim…
Incapaz de dizer mais alguma coisa, ela virou o rosto, as palavras presas na garganta. Ela não recebera muitos castigos, já que sempre se esforçava para fazer o que ele queria, para conseguir ganhar a confiança dele e fugir dali o mais rápido possível, mas cada um que recebera… a morena sabia que se lembraria de cada um deles para sempre.
Ela esperou que o detetive fizesse mais alguma pergunta, mas ele não fez. Quando ela enfim criou coragem para fitá-lo novamente, viu a expressão furiosa que ele carregava.
– É por isso que ele te mandou aquelas fotos, não é? — Edward indagou, começando a entender um pouco. — Aquelas marcas… você as tem?
A morena engoliu em seco.
– Ele não me castigou muitas vezes — ela sussurrou. — Eu não dei muitos motivos, mas… sim. Tenho as cicatrizes de todas elas.
Sentindo uma fúria nunca sentida antes tomar conta de si, o detetive fechou os olhos e respirou fundo, não querendo que Isabella o visse daquele jeito. Não foi uma boa escolha, porém. Ao fechar os olhos, ele não conseguiu deixar de imaginar como teria sido para uma Isabella de quinze anos apanhar daquele jeito.
E ele desejou que Royce estivesse na sua frente naquele momento, apenas para fazer com que ele sentisse tudo o que ele havia feito com Isabella.
– E você imagina qual será o próximo passo dele? — ele indagou, mesmo já imaginando a resposta.
A morena assentiu.
– Ele não vai chegar perto de você, Isabella — ele murmurou. — Não comigo por perto.
Isabella sorriu para o detetive, mas não disse nada. Ela sabia que o detetive não podia ficar com ela vinte e quatro horas por dia. E sabia que Royce tinha algum plano. Ele não aparecido ali se não tivesse um.
Antes que ele tivesse a chance de dizer alguma coisa, ela se colocou de pé e pegou a caneca em frente a ele, já vazia. Em silêncio, ela lavou as duas, se perguntando quando aquele pesadelo iria acabar. Ela tinha vivido em paz durante tanto tempo, mas agora, nesses últimos meses, tudo parecia ter desandado.
Isabella não pôde lamentar, porém. Ela já não conseguia imaginar a sua vida sem ter conhecido o detetive — embora ela não tivesse a mínima ideia do que isso significava.
Ela não sabia se o detetive pretendia ficar na casa dela naquela noite e, quando terminou de limpar a pequena bagunça que havia feito, a morena permaneceu parada na cozinha, insegura.
– Eu, hmm… — Ela começou. — Você vai ficar aqui hoje?
Enquanto ela limpava a cozinha, Edward permaneceu sentado na cadeira, pensando em tudo o que ela havia dito. Como ela conseguira? Como ela conseguira juntar forças para viver com aquele monstro por 11 meses? Deus, as coisas que ela tinha pensado…
Edward não queria nem pensar nelas, mas ele não conseguia impedir, também.
E quando ela perguntou se ele passaria a noite ele… ele sabia que não iria deixá-la naquela noite — sabia que não conseguiria. Se ele fosse embora para a casa dele, ele sabia que não iria conseguir dormir. Porque ele havia feito uma promessa a ela.
E Royce não conseguiria chegar perto de Isabella. Não com o detetive por perto.
Incerto do que dizer, porém, ele apenas assentiu. E ele sentiu seu coração acelerar quando Isabella abriu um sorriso — o primeiro verdadeiro daquele dia.
– Eu vou arrumar o quarto de hóspedes, então — ela murmurou. — Vou pegar umas roupas de Charlie para você, ok? Eu nunca me lembro de devolver e ele nunca lembra de pegar.
Ele assentiu, sorrindo para ela. Ela parecia mais calma e animada agora. Edward não pôde deixar de se sentir bem com aquilo. Isabella se sentia segura com ele. E Edward estava perfeitamente bem com isso.
Ela voltou alguns minutos depois, avisando que estava tudo pronto. Ela o guiou até o quarto e mostrou alguns itens que havia deixado em cima da cama. Ela então disse que assistiria um pouco de televisão e que ele era bem vindo para se juntar a ela quando ele terminasse de se trocar.
Pegando a toalha em cima da cama e as roupas, ele tomou um banho rápido. Ele estava exausto e não via a hora de se deitar e dormir um pouco, mas sabendo que Isabella estava na sala, assistindo à televisão… ele sabia que a oportunidade era boa demais para ele deixar que passasse. Ele gostava da companhia dela, afinal.
Eles ficaram acordados por cerca de uma hora, assistindo a um filme bobo qualquer que fazia Isabella soltar umas risadas. Edward não conseguiu prestar muita atenção, porém. Ela parecia tão mais relaxada agora… e tudo isso porque ele havia dito que passaria a noite ali.
Ele a acompanhou até o quarto quando ela anunciou que iria dormir. Ela havia dito que ele era livre para assistir mais alguma coisa, caso quisesse, mas Edward negou.
– Se você precisar de algo, não hesite em me chamar, ok? — ele dissera, antes de ela entrar no quarto. — Mesmo se for um barulho qualquer e você pensar que é algo bobo…
Ela sorriu.
– Obrigada, Edward — ela murmurou. — Eu sei que você não tinha que fazer nada disso e… aprecio isso, de verdade.
Ele apenas sorriu de volta e desejou boa noite, antes de seguir para o quarto de hóspedes. Ele se deitou na cama e soltou um suspiro, lembrando de uma noite há alguns meses, quando ele tivera que ir até o quarto de Isabella à noite e acabara dormindo na mesma cama que ela. Ele se lembrava de como tinha sido bom e de como ele tivera uma noite completamente tranquila de sono.
Embora cansado, o detetive ficou acordado durante um tempo, pensando nos últimos pesadelos que tivera. Antes, eles eram sempre relacionados com o passado — a época que ele estava servindo no exército. Ele sempre sonhava com sua ex e acordava assustado, desejando que nada não passasse disso — um pesadelo — e que ela ainda estivesse viva. Era doloroso e cansativo. Mas ele já não sonhava mais com ela e já não doía tanto mais pensar nele. Ele sentia saudade, às vezes, mas era diferente… Edward não sentia que estava apaixonado por ela mais, o que era estranho. Ele sempre achara que nunca seria capaz de superar tal sentimento. Seus pesadelos de agora, porém…
Todos eles envolviam Isabella de alguma forma. Quase todos com Royce. E isso o assustava.
Cansado, o detetive soltou um suspiro e fechou os olhos, quase desejando que Isabella tivesse outro pesadelo naquela noite e pedisse que ele deitasse na cama com ela.
Mas ela não teve.
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Isabella acordou assustada no dia seguinte, sentando-se de uma vez na cama. Ela piscou algumas vezes e esfregou o rosto com as mãos, tentando realmente acordar. Depois, permaneceu sentada durante um tempo, até relembrar todos os eventos do dia anterior. Ela sorriu quando lembrou que o deteitve estava dormindo ali perto. Ela acordara assustada algumas vezes durante a madrugada, sempre levantando para verificar se o detetive estava mesmo ali ainda. Ela nunca passou da porta, no entanto. Ele parecia estar dormindo tão bem que ela não quis incomodar. Saber que ele estava ali e que ela poderia chamá-lo se algo acontecesse já era o suficiente.
Sabendo que ainda era cedo e que havia uma boa chance de ele ainda estar dormindo, a morena tomou um banho rápido e se vestiu, antes se seguir para a cozinha, onde preparou um café para os dois. Ela estava de folga naquele dia e só tinha que voltar para o hospital no dia seguinte, de manhã, mas ela tinha uma consulta com o Dr. Hale naquele dia, logo após o almoço.
Diferente de como tinha sido quando os dois haviam dormido na mesma cama, nem Edward e nem Bella se trataram de forma estranha quando o detetive acordou. Eles conversaram um pouco enquanto eles tomavam o café da manhã. Ele perguntou como os pais dela estavam e assegurou que havia sempre alguém da delegacia tomando conta deles, e ela perguntou sobre os pais dele também.
E sobre a irmã.
– Ela está bem melhor. — Edward não pôde deixar de sorrir ao pensar na irmã caçula. Isso trouxe um sorriso ao rosto de Isabella também. — Já sai de casa sozinha, passeia com as amigas… Ela toma precauções agora que antes não tomava, mas eu até gosto mais assim.
Bella assentiu.
Depois, Edward insistiu em ajudá-la a arrumar tudo, os dois ainda conversando. Eles não conversaram sobre Royce ou nada relacionado a ele. E fora ótimo. Isabella não conseguia se lembrar da última vez que tinha se sentido tão bem assim.
Eles almoçaram juntos também. O detetive passou a manhã trabalhando em casa mesmo, apenas fazendo algumas ligações e usando o notebook que Isabella havia emprestado para ele. Enquanto ele trabalhava, a morena ficou andando de um lado para o outro, no quarto, com um pedaço de papel na mão. Nele estava escrito o nome da cidade onde Royce havia vivido antes de a misteriosa mulher loira o trazer para a cidade grande. Ela sabia que aquilo ajudaria o detetive, sabia que ele descobriria praticamente tudo sobre a família dele.
E ela entregaria aquele papel para ele naquele mesmo dia, antes de ele deixá-la no consultório, como eles já haviam combinado anteriormente.
Os dois almoçaram juntos, comendo apenas um sanduíche. Depois, já pronta, Isabella deixou que o detetive a deixasse no consultório do Dr. Hale, prometendo que alguém estaria ali para pegá-la quando a sessão terminasse.
E então, antes que perdesse a coragem, a morena pegou a pequena folha dobrado e a estendeu para o detetive.
– O que é isso? — ele indagou, fitando o papel, ainda na mão dela, confuso.
Ela forçou um sorriso para fora do rosto.
– O nome da cidade onde ele morou até os 15 anos — ela murmurou. — Espero que o ajude.
O detetive a olhou, parecendo surpreso. Ela havia progredido — e muito -, mas ele não esperava que ela fosse entregar aquilo. Ela devia saber que ele descobriria muita coisa, certo?
– Obrigado, Isabella. — Ele pegou a folha e apertou a mão dela, dando-lhe um sorriso. — Você não sabe como está ajudando.
E ela apenas sorriu de volta e assentiu, antes de lhe agradecer por tudo e sair do carro.
Havia um paciente com o médico quando Isabella entrou no consultório, então ela se sentou e esperou um pouco, até ele sair. Pouco depois, Jasper estava chamando-a para entrar, sempre calmo, sempre com um sorriso simpático no rosto.
Eles se cumprimentaram, antes de se sentarem.
E diferente das outras vezes, quando ele sempre começava com uma pergunta, Isabella começou a falar.
Ela não confiava nele o suficiente para lhe contar tudo ainda, nem se sentia muito confortável na presença dele ainda, mas ela sabia que as sessões com o Dr. Hale estavam ajudando-a. E estavam ajudando o detetive também.
Isabella sabia que não estava ali mais apenas por Edward.
Ela estava ali por ela– algo que ela sabia que faria o detetive feliz caso soubesse disso.
Por isso, mesmo que fosse apenas comentando, sem aprofundar muito no assunto, ela falou um pouco. Contou sobre o plano que formou para criar a confiança dele e como fugiu, apenas. E embora a tivesse interrompido algumas vezes para fazer algumas perguntas, Jasper deixou que ela falasse, mesmo que a morena não tivesse revelado muito.
Quando a consulta acabou, exatamente como o detetive havia prometido, tinha alguém esperando por Isabella assim que ela saiu do prédio. Ela sorriu quando reconheceu o carro do pai e o mesmo encostado na porta. Eles trocaram um abraço, antes do pai abrir a porta do carro para a filha. Ela sabia que Edward tinha pedido que Charlie a buscasse ali, mas seu pai não comentou nada, apenas disse que queria passar um pouco de tempo com a filha. E ainda não pronta para compartilhar com os pais tudo aquilo que tinha contado ao detetive — o medo de que eles fossem odiá-la por ter feito o que fez ainda tomando conta de si -, ela também não disse nada. Mas ela sabia que teria de dizer em breve, principalmente se toda a verdade sobre Royce surgisse.
Isabella acabou passando o resto do dia na casa dos pais. Ela ajudou a mãe a cozinhar o jantar, o que surpreendeu Renee um pouco. E enquanto a mãe tomava um banho, logo após eles jantarem, e o pai terminava uma ligação com um cliente, a morena caminhou até o quarto onde suas pinturas se encontravam. Ela sorriu um pouco quando viu cada uma delas, inclusive uma que não estava completa encostada no canto do quarto.
Ela não sentiu vontade de terminá-la, no entanto. E então, mesmo sendo tarde e ela tendo que ir trabalhar no dia seguinte bem cedo, ela não pôde começar a pintar algo novo.
E ela acabou passando a noite ali, após uma rápida ligação do detetive, decidindo que sairia da casa dos pais e iria direto para o serviço.
Sentindo-se confiante e desejando, embora não entendesse o porquê, que o detetive estivesse ali para passar outra noite ao menos perto dela, a morena desejou boa noite aos pais e deitou-se na cama.
E não demorou muito para que estivesse dormindo.
_
Assim que o detetive chegou à delegacia, ele começou a pesquisar sobre a cidade que Royce nascera e vivera até os 15 anos. Ele descobriu que era uma cidade que ficava a pouco mais de duzentos quilômetros dali e que basicamente só tinha fazendas e não havia evoluído muito com o tempo. A internet era escassa no local e, através das ligações que ele havia feito, os jornais da época e tudo o mais que ele pedira só chegariam até no dia seguinte, o que ele lamentou um pouco.
Ele conseguiu, porém, algumas notícias, que falavam de uma família que havia desaparecido, mas nada que desse muitos detalhes — como os nomes, por exemplo.
Quando ele saiu da delegacia naquela noite, sabendo que Isabella estava segura com Charlie e Renee, ele se dirigiu para a casa dos pais, apenas porque queria conversar um pouco com Carlisle. Esme estava servindo o jantar quando ele chegou, e ela acabou incluindo um prato na mesa para Edward, mesmo o ruivo insistindo que não sentia muita fome.
Ele conversou um pouco com toda a família, assistiu a um programa de meia hora com Rosalie e, depois, quando a irmã e a mãe se retiraram para dormir, ele pediu ao pai para esperar um pouco, perguntando se eles poderiam conversar.
Como sempre, Edward comentou um pouco do caso, falando das pistas que ele tinha seguido até alguns dias atrás, mas que não tinham levado a nada. Ele não deu detalhes de nada, mas era bom poder conversar com o seu pai.
– E Isabella me deu uma informação muito boa hoje — ele disse, sorrindo um pouco ao se lembrar dela. — Amanhã devo receber notícias boas, eu espero.
Mas Carlisle não agiu da forma que Edward esperava. Ele apenas ficou fitando o filho, um sorriso no rosto, os braços cruzados sobre o peito. O detetive o fitou durante algum tempo, sem entender o motivo de o pai estar fitando-o daquela maneira.
– O quê? — ele indagou.
Carlisle soltou uma risada e balançou a cabeça.
– Eu só venho notando como você muda completamente quando menciona Isabella — ele respondeu. — Eu não iria comentar nada, mas…
Ele encolheu os ombros, então, e não disse mais nada. Ele ainda se preocupava com o filho, ainda se lembrando de como ele estava quando o seu tempo de servir o exército terminara, não querendo presenciar aquilo nunca mais. Mas Edward parecia se iluminar quando mencionava Isabella e Carlisle não se lembrava de já ter visto o filho agir dessa maneira.
O ruivo franziu a testa e engoliu em seco, sabendo muito bem do que Carlisle falara. Ele sabia que vinha agindo de forma diferente, mas não tão diferente ao ponto das pessoas notarem.
– Pai, eu… — ele tornou a engolir em seco, incerto do que dizer. — Eu só estou ajudando...
Carlisle fitou o filho durante um tempo, ainda sorrindo.
– Eu não acho que seja só isso, Edward — ele disse. — Na verdade, eu tenho certeza de que você sabe o que é, mas está com medo de admitir.
O pai dele mudou de assunto, então, mas Edward já não conseguiu mais prestar atenção na conversa. Logo, ele desejou boa noite ao pai e saiu da casa, partindo em direção à casa dele.
Como na noite anterior, embora estivesse cansado, ele não conseguiu dormir de imediato. Ele desejou estar novamente na casa de Isabella, porque ele se sentia melhor por perto — ele podia agir, caso Royce tentasse alguma coisa, afinal. Ele sabia que havia uma viatura do lado de fora da casa dos Swan e que era um policial competente — Edward tinha se certificado disso, afinal. Mas mesmo assim, ele se pegou revirando na cama, lembrando-se da promessa que ele tinha feito a ela que Royce não chegaria perto dela, não com o detetive por perto.
Mas agora ele não estava por perto e Edward tinha medo do que podia acontecer.
Sabendo que não conseguiria dormir com aqueles pensamentos rondando sua cabeça, o ruivo pegou o celular e ligou para o policial, se certificando de que tudo estava certo. Depois de finalizar a ligação, mais aliviado — já que o policial disse que tudo estava tranquilo e que não havia sinal de ninguém ao redor da casa -, ele deitou-se novamente, mas antes que pudesse dormir, ele estava pensando na conversa que havia tido com o pai há pouco tempo.
Ele sabia que Isabella tinha passado de um simples caso para ele, sabia que andava se sentindo diferente ao redor dela — e até mesmo quando estava longe dela -, algo que ele nunca tinha sentido antes. Mas Edward já havia pensado que estava apaixonado antes… Ele deveria saber o que tudo aquilo que ele estava sentindo significava, certo?
Precisando conversar com alguém sobre aquilo, ele pegou o celular novamente, mas dessa vez ligou para o pai. O telefone tocou algumas vezes, antes de Carlisle atender. Edward pediu desculpas por estar ligando àquela hora, mas o pai não parecia estar dormindo ainda e disse para Edward que não havia problema algum ele ligar para ele.
– Pai, eu… — ele começou, sem saber o que dizer. — Você sabe toda a minha história com Jane, sabe como foi quando voltei… Sobre Isabella… eu me sinto como nunca senti antes, pai… como devo saber o que é isso?
Carlisle ficou calado durante um tempo.
– Às vezes você não tem que ficar pensando muito sobre o que sente, filho– ele finalmente respondeu. — Como eu disse antes, eu acredito que você já saiba o que está sentindo, mesmo que seja de forma inconsciente, mas está com medo de admitir. O que aconteceu com Jane não foi culpa sua, Edward, e eu acho que no fundo você sabe disso…
O detetive engoliu em seco. Precisando pensar no que o pai havia dito, ele agradeceu e desligou o celular.
Ele engoliu em seco e tornou a se deitar, pensando em tudo o que o pai havia lhe dito naquela noite. Eu acredito que você já saiba o que está sentindo, mesmo que seja de forma inconsciente, mas está com medo de admitir.
Será?, ele se perguntou. Será que ele estava mesmo tendo esse tipo de sentimento por ela?
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Quando o detetive acordou, pouco depois das seis da manhã, ele decidiu levantar e ir para a delegacia, sabendo que não conseguiria dormir mais. Ele ficava perdido em pensamentos até poucos depois da uma da manhã, até o cansaço vencê-lo. Mas pesadelos envolvendo Royce e Isabella — que faziam com que o detetive sentisse um medo nunca sentido antes — o acordaram cinco horas mais tarde e ele sabia que não conseguiria dormir.
Ele tinha que resolver aquele caso o quanto antes. Ele sabia que só conseguiria descansar quando Royce estivesse atrás das grades.
As notícias que o detetive queria chegaram por volta das dez da manhã. Imediatamente, ele começou a ler todas elas, pegando todas as informações que o xerife da cidade havia mandado para ele.
E um sorriso apareceu no rosto dele quando ele terminou de ler tudo.
Ali, na tela de computador a sua frente, estava o nome de todos os familiaries de Royce. E também estava o nome verdadeiro dele: Royce Moore.
Aparentemente, ele havia mudado só o sobrenome.
Sabendo que tudo ali — inclusive a foto da família, tirada pouco antes de Royce ir embora — serviria para conseguir um mandado para realizar um exame de DNA em Royce, para ver se era realmente quem ele falava que era, Edward seguiu até o escritório do chefe e mostrou tudo o que ele tinha.
E não era só o detetive que estava animado quando Edward terminou de falar.
– A garota Swan estará disposta a testemunhar? — o chefe perguntou. Edward encolheu os ombros e meio que assentiu, acreditando que sim. — Vá até ela e tenha certeza assim que possível. Vou ligar para o juiz e pedir um mandado… E avise ao seu parceiro. Em breve, traremos esse tal de Royce para interrogarmos.
Ainda animado — e sentindo uma vontade enorme de contar tudo a Isabella -, o detetive saiu do escritório do chefe e voltou para a sua sala, colocando Ben a par de tudo. Depois, sabendo que Isabella só sairia do trabalho no final do dia, resolveu passar para o chefe do departamento de autópsia as informações sobre os parentes de Royce, apenas para que verificasse se os corpos encontrados pertenciam a eles.
Depois de deixar tudo pronto, já no fim do dia, ele partiu para a casa de Isabella. Ele mal podia esperar para olhar para ela e contar tudo o que havia descoberto no dia e em como tudo aquilo iria ajudá-los. O mandado já tinha sido expedido pelo juiz e logo Royce seria trazido até a delegacia. Ele negando ou não, o exame de DNA seria feito.
Logo, ele estaria preso.
E o detetive mal podia esperar por isso.
Isabella parecia ansiosa quando o viu no portão, mas relaxou um pouco quando viu o sorriso dele. Ele esperou que eles estivessem dentro da casa, o alarme ativado, para dizer o que ele tanto queria.
– Conseguimos um mandado para realizarmos um exame de DNA em Royce. — O detetive anunciou. — Dois oficiais mais um detetive foram buscá-lo para trazê-lo para interrogatório. Eu só queria vir até aqui e te dizer que em breve você poderá se sentir livre novamente.
Isabella sentiu seu coração acelerar por um momento, sem conseguir acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo. E, então, antes que pudesse se conter, a morena se jogou nos braços do detetive, agradecendo-o diversas vezes por tudo. Ela sorriu quando o ouvir rir e se afastou um pouco, os braços ao redor dele.
– Eu sei que vai ser difícil, mas… — ele engoliu em seco. — Vamos precisar que você testemunhe…
Ela o fitou durante um tempo, antes de assentir. Ela sabia que seria difícil e que talvez ela não conseguisse, mas pelo que sabia os julgamentos demoravam um pouco e ela teria um tempo para se preparar. E ela estava cansada de deixar de viver por causa de Royce.
Ela queria ser livre.
– Muito obrigada. — Ela o abraçou novamente. — Por tudo.
– Vai ficar tudo bem, Isabella — ele disse, sentindo-se tão bem ali, com ela em seus braços. — Logo ele estará atrás das grades.
E ao ver o sorriso no rosto dela enquanto ele falava isso, o detetive sentiu seu coração acelerar em seu peito e sua respiração ficar presa na gargante.
E ele finalmente entendeu o que seu pai havia dito na noite anterior e o que vinha martelando em sua cabeça há algum tempo.
Naquele momento, com ela ainda em seus braços e com aquele lindo sorriso no rosto, Edward soube que estava completamente apaixonado por ela.
E ele não tinha ideia do que fazer quando a isso.
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