Daylight
25 Capítulo Vinte e Quatro
Notas iniciais
E ao ver o sorriso no rosto dela enquanto ele falava isso, o detetive sentiu seu coração acelerar em seu peito e sua respiração ficar presa na garganta.
E ele finalmente entendeu o que seu pai havia dito na noite anterior e o que vinha martelando em sua cabeça há algum tempo.
Naquele momento, com ela ainda em seus braços e com aquele lindo sorriso no rosto, Edward soube que estava completamente apaixonado por ela.
E ele não tinha ideia do que fazer quando a isso.
–x-
Isabella não conseguia dizer exatamente quanto tempo ficou ali, parada na sala de sua casa, os braços ao redor do detetive.
Ela sabia que já deveria ter se afastado, que ele deveria estar achando o modo de agir da morena estranho, mas não conseguia. Estar nos braços dele era algo… tão bom. Ela se sentia tão bem e tão segura ali, de uma forma que nunca havia se sentido antes. Ela simplesmente não queria se afastar dele.
Ela esperou que ele a soltasse, então. Mas ao invés disso, ele simplesmente apoiou o queixo na cabeça dela e suspirou, parecendo muito satisfeito ali.
Isabella estranhou, mas não disse nada, com medo de ele acabar se afastando. Ela simplesmente murmurou um ‘obrigada’ novamente e continuou ali, nenhum dos dois dizendo mais nada.
Até que o celular do detetive tocou.
Edward resmungou baixo e a soltou, puxando o celular do bolso. Ele sabia que os dois haviam ficado abraçados muito mais tempo do que deveriam, mas simplesmente não tinha conseguido deixá-la ir antes. Descobrir que ele estava apaixonado por ela tinha mexido com ele de uma forma que ele não imaginava.
E agora? O que ele faria?
Saindo de seus devaneios, o ruivo fitou a tela do celular, um sorriso nascendo em seu rosto quando viu o nome de Ben ali. Ele rapidamente levou o telefone à orelha, ansioso pelas boas notícias. Ele estava na casa de Isabella há algum tempo já, à essa altura Royce já deveria estar na delegacia, esperando para ser interrogado.
O sorriso do detetive morreu, porém, assim que ele ouviu a voz de Ben.
– Ele escapou, Edward. — A voz de Ben estava ofegante. — Ele escapou.
E o detetive simplesmente arregalou os olhos, sem saber o que falar.
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As mãos dele tremiam. Seus olhos estavam focados na pessoa à sua frente, o medo tão grande que ele podia ouvir seu coração martelar contra seus ouvidos. Ele não queria fazer aquilo, não podia. Ele mal havia dormido naquela noite, seus sonhos sendo perturbados por imagens da sua namorada, que ele não via há quase um mês.
Ele se sentia sujo.
Mas por elas… ele sabia que tinha que ouvi-lo.
– O que está esperando para fazer a ligação? — Royce indagou, calmo demais. Ele já sabia que aquele dia chegaria e tinha planejado tudo com o detetive anteriormente. — Daqui a pouco seus colegas de trabalho acordam… você não quer que eu acabe com a vida deles, não é? Além da sua namorada preciosa, que eu tenho muito bem protegida…Eu te disse que ela ainda está viva, não disse?
Ben engoliu em seco. Angela. Ele estava com Angela. Ele a havia sequestrado enquanto ela estava em uma viagem para visitar os pais… e Ben demorou tempo demais para perceber que ela havia sumido.
Até Royce entrar em contato e, depois de provar que estava com ela e provar que estava viva, começar a fazer suas exigências.
– Ligue! — Royce tornou a repetir.
E sabendo que não tinha como enrolar mais e nem negar, Ben fez a ligação.
Assim que ele desligou, Royce saiu da casa, pelos fundos, deixando a porta aberta, como se tivesse mesmo fugido. Ele havia nocauteado os dois policias assim que Ben chutara a porta, já estando preparado para isso, graças à mensagem do detetive avisando que estavam com um mandado para prendê-lo. Os policias ainda estavam desacordados, as armas desaparecidas — porque Royce havia pegado as duas. E Ben, sem saber o que pensar, se jogou na poltrona, esperando que Edward chegasse.
Algum tempo depois, a casa de Royce estava cheia de peritos, paramédicos e oficiais. Edward andava de um lado para o outro, parecendo extremamente preocupado, e Ben, mesmo sabendo que não havia tido escolha, mal conseguia olhar para o homem que ele considerava mais do que um simples parceiro; ele considerava um amigo.
Logo ele foi interrogado. Ele disse tudo o que havia combinado com Royce, mostrando o local por onde havia fugido. Mentiu, então, que havia o perseguido durante um tempo, mas que não dera em nada. Foi quando ele ligou para Edward, então.
Ele fitou o amigo enquanto ele berrava ordens para os oficiais, parecendo a cada minuto mais nervoso. Sabendo que tudo tinha sido sua culpa, ele fechou os olhos por um momento e engoliu em seco, torcendo para que pegassem Royce logo.
E torcendo para que sua Angela ficasse bem.
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As duas mulheres estavam deitadas no pequeno aposento. Elas haviam perdido a conta de quanto tempo estavam ali, mas sabia que devia fazer mais de um mês — talvez muito mais do que isso, mas não conseguiam ter noção do tempo em um quarto que ficaria no escuro o dia todo, se não fosse pela luz que permanecia acesa dia e noite.
Elas conversam bastante apenas para não enlouquecerem por estarem presas. Tentavam resistir à comida que o cara trazia o máximo que podiam, mas a fome sempre acaba vencendo. Abbie e Angela haviam se tornado mais próximas após a primeira ficar presa em um quarto menor e separado durante alguns dias — elas não sabiam dizer exatamente quantos. Elas não tentaram fugir mais quando ele vinha trazer comida, com medo do que ele pudesse fazer, algo que haviam combinado entre si.
Só que elas não queriam ficar ali para sempre também.
Então, enquanto não conseguiam pensar em um plano que fosse dar a certeza de que elas iriam conseguir fugir — ou uma oportunidade muito boa aparecesse -, elas conversavam. Abbie contara um pouco sobre si, evitando falar em como havia sido sequestrada, algo que ela preferia esquecer. E Angela falara sobre a sua, inclusive que namorava um detetive.
– Sinto falta da minha família — Abbie sussurrou. — Há tanta coisa que eu gostaria de ter dito para eles, antes de… você sabe.
Angela assentiu. Ela pegou a mão da mulher ao lado e a apertou gentilmente, tentando lhe dar um sorriso encorajador.
– Nós vamos sair daqui — ela disse, o mais confiante que pôde. — E nós duas teremos a chance de dizer às pessoas que amamos tudo aquilo que queremos.
Abbie sorriu de volta para Angela, mesmo não estando muito confiante. Angela suspirou, então, e fechou os olhos, dando a conversa por encerrada. Desejou boa noite a Abbie e virou para o canto, finalmente deixando que as lágrimas escorressem por seu rosto.
Ela tinha fé de que Ben ia acabar encontrando-a.
Ela só esperava que ele não demorasse demais.
_
Isabella não sabia o que pensar.
O detetive não dissera muito quando saíra, às pressas, da sua casa. Ele ligara para alguns oficiais, pedindo que ficassem na porta da casa de Isabella, e pediu que ela ficasse de olho nas câmeras e ficasse com a arma ao alcance o tempo todo.
E depois de abraçá-la apertado uma última vez, ele saíra.
E Isabella não precisava que ele dissesse algo.
Ela sabia, de alguma forma, que tudo havia dado errado. Royce não fora preso.
A morena sentou-se na cadeira, seus olhos fixos nos monitores, esperando que ele aparecesse e a pegasse. A arma permanecia no seu colo, ao seu alcance, exatamente como o detetive havia pedido.
Tinha sido bom demais para ser verdade. Ela ainda conseguia se lembrar da sensação de alívio que tomara conta de si quando o detetive dissera que Royce iria para a cadeia. Ela pensara que finalmente estaria livre, que ela poderia, de fato, viver.
Mas agora ele tinha fugido.
A morena ficou ali durante horas. Ela estava exausta e mal conseguia ficar acordada, mas não se sentia segura o suficiente para ir deitar e dormir. Ela sabia que havia policiais vigiando a sua casa, sabia que havia câmeras e alarme.
Mas ela não conseguia se sentir segura.
Ela se deixou cochilar algumas vezes, porém, mesmo que fosse somente por cerca de minutos. Isabella sempre acabava acordando, assustada, quase como se esperasse que ele estivesse ali. Ela sempre soltava um suspiro de alívio quando via que ainda estava sozinha e que a rua da sua casa estava tranquila, sem sinais dele.
A morena só se permitiu acalmar quando ela viu o detetive, já de madrugada, parado diante da sua casa. Ela sentiu seu celular vibrar e o pegou imediatamente, um sorriso nascendo em seus lábios quando ela viu uma mensagem ali. Aparentemente, ele não queria acordá-la e tinha enviado uma mensagem para o toque da ligação não atrapalhar seu sono.
Com medo de ele ir embora, ela rapidamente respondeu, dizendo que já abriria a porta.
E assim que ele estava dentro da sala e ela viu o rosto dele… ela se jogou em seus braços.
– Shhh… — O detetive acariciou as costas dela de forma suave. — Vai ficar tudo bem, Isabella, eu prometo. Nós vamos encontrá-lo.
Ela assentiu contra a camisa dele, mas nada disse. Ela sabia que começaria a chorar se dissesse alguma coisa.
– Nós vamos precisar tomar precauções, porém — ele disse, algum tempo depois, se afastando um pouco dela. — Alguém vai levá-la para o hospital e buscá-la e para outro qualquer lugar que você precise ir. Duas viaturas ficarão aqui, vigiando a sua casa, dia e noite, até que ele esteja em custódia, ok?
Ela assentiu.
Ele a fitou durante alguns minutos, sentindo seu coração apertar. Se algo acontecesse com ele, se Royce conseguisse chegar até Isabella… Edward sabia que ele não suportaria.
– Por isso… — ele começou, sem saber muito bem como dizer aquilo. — Eu vou passar as noites aqui, até tudo se resolver, se não tiver problema.
Ele não quis falar muito mais do que isso, não querendo explicar o verdadeiro motivo de estar fazendo aquilo. Agora que ele tinha descoberto que estava apaixonado por ela, tudo parecia tão mais intenso…
Edward ainda não estava pronto para contar aquilo a ela.
Isabella sorriu e assentiu, mas não disse nada. Ela apenas falou que ajeitaria o quarto para ele e saiu, voltando alguns minutos depois, dizendo que estava tudo pronto.
Edward conferiu se a casa estava de fato segura antes de seguir para o quarto de hóspedes. Ele se deitou na cama e respirou fundo, desejando que o que havia acontecido algumas horas não tivesse passado de um pesadelo.
Mas, de alguma forma, Royce King havia conseguido escapar.
E Edward não tinha ideia se iria conseguir encontrá-lo.
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Exatamente como Edward havia dito, nos próximos dias Isabella foi escoltada para todos os lugares que ela ia, fosse ao trabalho ou ao mercado. Na maioria das vezes, o detetive a buscava no hospital e a levava para casa, quando ela saía de um plantão. Ela estava amando tê-lo em casa com ela. Foi um pouco estranho no começo, ela confessava, já que eles não estavam acostumados a conversar muito — não sobre algo que não tivesse a ver com o caso -, mas com o passar dos dias, eles conversavam sobre diversos tipos de assunto. Falaram sobre filmes favoritos, momentos favoritos no serviço… falaram um pouco sobre a família.
Não era algo que Isabella estava acostumada a conversar com as pessoas, mas ela se sentia tão a vontade com o detetive Cullen. Ela não o via apenas como detetive mais.
Pelas próximas duas semanas, eles viveram essa rotina. Sempre que ele a buscava no trabalho, eles escolhiam algo para ver e conversavam até tarde. Eles conversavam sobre o caso também, mas não tanto. Tudo o que Isabella sabia era que as coisas estavam tensas na delegacia e que não havia sinal nenhum de Royce.
Parecia que ele tinha simplesmente evaporado.
Isabella sabia, no entanto, que isso não duraria por muito tempo. Ele estava quieto demais.
E foi exatamente isso que aconteceu numa sexta feira.
Dois policias deixaram Isabella no hospital para o seu plantão de doze horas, já que Edward tivera que sair mais cedo para o trabalho naquele dia. Ele iria buscá-la naquela noite e eles iriam juntos para a casa dela.
O dia se passou rapidamente. O hospital estava tão cheio que Isabella mal teve tempo para parar para respirar. As coisas só começaram a acalmar por volta das quatro, quando ela resolveu começar a revisar alguns prontuários.
– Dra. Swan? — Uma enfermeira chamou, algum tempo depois, tirando a atenção da morena do prontuário que estava lendo. — Tem um pai de um paciente querendo falar com você com certa urgência… Ele está no quarto 108… Parece que o filho dele está fazendo um exame no momento.
Bella assentiu rapidamente e agradeceu a enfermeira, antes de seguir para o quarto. Ela abriu a porta enquanto finalizava a leitura do prontuário, só levantando a cabeça quando escutou o clique da porta sendo fechada atrás de si.
Ela se virou rapidamente, achando estranho a porta fechar sozinha, e arregalou os olhos quando viu Royce parado ali, uma arma na mão. Uma arma que estava apontada diretamente para ela.
Seus cabelos estavam extremamente bagunçados e as roupas, uma extrema bagunça. Ele nada se parecia com o Royce de quem ela se lembrava.
Ele sorriu quando viu o olhar dela, as mãos fechadas firmemente em torno da arma.
– Olá, querida — ele disse, ainda sorrindo. — Achou que eu nunca mais voltaria?
A morena deu alguns passos para trás, mas não disse nada, sem acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo.
– Agora, antes que tente algo estúpido… — ele tornou a falar quando percebeu que ela não diria nada. — Tenho seus pais na mira de uma arma agora… Posso estar mentindo ou posso estar dizendo a verdade… A questão é… você tem coragem de arriscar?
Ela não disse nada, mas nem precisava. Pelo sorriso que ele deu, ele sabia que ela faria o que ele pedisse. Ela nunca arriscaria a vida dos pais. Royce sabia bem disso.
– Você vai avisar ao seu chefe ou quem quer que seja que precisa sair agora — ele continuou. — Não traga a sua bolsa, nem o seu celular. Nem tente trazê-lo. Eu vou revistá-la e se você não me obedecer… acho que está na hora de você se lembrar dos seus castigos.
Ele se afastou da porta, então, deixando que ela passasse. Isabella saiu do quarto o mais rápido possível, caminhando até o local onde havia guardado as suas coisas e pegando a bolsa rapidamente. Não querendo que ninguém a visse naquele estado, ela entrou no primeiro banheiro que viu pela frente. Tirou o estetoscópio do pescoço e o jogou na bolsa de qualquer jeito, assim como o seu crachá e seu jaleco. Ela então parou por um momento, incerta do que fazer. Ela sabia que o detetive chegaria ali o mais rápido possível caso ela ligasse para eles, mas não podia arriscar — não com a vida dos seus pais em jogo. Mas ela também não podia simplesmente ir com ele, não podia se permitir passar por aquilo novamente.
Então, antes que mudasse de ideia, a morena pegou seu iPhone e, sabendo que ela não deveria ter mais muito tempo, escondeu-o no seu sutiã, da melhor forma que pôde. Depois de verificar se dava para perceber que ela o tinha guardado ali, ela saiu do banheiro, voltando seus pertences para o lugar de outrora e seguindo até um colega de trabalho, que trocava de plantão às vezes com ela.
– Richard… — ela começou, tentando não demonstrar o quão nervosa estava. — Houve uma emergência familiar, você acha que pode me cobrir? Meu plantão terminaria dentro de duas horas, mas…
Ela encolheu os ombros, sem saber mais o que dizer.
– Claro, Isabella — ele sorriu. — Sem problemas. Estamos bem mais tranquilos aqui, pode ir sim.
Ela agradeceu e rapidamente saiu, voltando até o quarto onde Royce ainda esperava. Ele sorriu quando a viu, olhando-a de cima a baixo.
– Tudo pronto? — ele indagou, se aproximando.
Ela apenas assentiu.
Como ela esperava, ele não a revistou muito bem. Apenas verificou os bolsos do casaco e da calça jeans que usava, antes de se dar por satisfeito. E então, ele pediu que ela o levasse pela saída de emergência nos fundos do hospital.
Com medo de dizer algo errado que fosse resultar na morte de seus pais, Isabella apenas fez o que lhe foi dito, até que eles estavam do lado de fora do hospital. Havia uma viatura ali, mas com o movimento da rua e as poucas luzes do local, Royce rapidamente conseguiu despistá-los e, rapidamente, Isabella se encontrava dentro do carro, no banco de trás, deitada, exatamente como ele havia a instruído.
A viagem demorou cerca de cinquenta minutos, pelo o que ela pode calcular mentalmente. A morena sentiu seu celular vibrando em seu peito enquanto Royce dirigia, o que fez com ela ficasse imediatamente tensa. O barulho tinha soado tão alto para os ouvidos da morena que ela quase esperou que Royce parasse o carro.
Mas ele não pareceu notar.
Cerca de alguns minutos depois o carro parou, mas a morena não se mexeu. Ela esperou que ele saísse do carro e abrisse a porta, um pano preto na mão.
– Feche os olhos — ele ordenou.
Ela engoliu em seco, sentindo seu coração martelar contra o seu peito, o medo tomando conta de si. Fazia tanto tempo que ela tinha fugido de Royce, tanto tempo que ela tinha conseguido escapar. Ela nunca imaginara que passaria por aquilo novamente. Fechou os olhos, esperando que ele a vendasse. E depois deixou que ele a guiasse para onde quer que ele estivesse a levando.
Ela tropeçou algumas vezes, principalmente quando eles atingiram as escadas. Ele a empurrava, meio impaciente, até que eles chegaram em um lance maior de escadas e ele foi falando dos degraus que ela teria que subir. Pareceu levar uma eternidade, mas logo eles pararam. Isabella ouviu o barulho de chaves e logo uma porta sendo aberta.
– Olá, queridas. — Ela o ouviu dizer. — Trouxe uma nova companheira para vocês…
Ela sentiu a mão dele atrás da sua cabeça, então, e logo a venda saiu de seus olhos. Isabella precisou piscar algumas vezes, até se acostumar com a claridade, e quando viu as duas mulheres encolhidas no canto do quarto, seu coração parou por um momento.
Ela entrou no aposento quando sentiu um empurrão em suas costas e logo a porta foi fechada e trancada. Encarou as duas mulheres por um tempo, sem saber o que dizer.
– Eu sou Abbie. — Uma delas se pronunciou. — E esta é Angela… Você é?
Isabella engoliu em seco.
– Isabella — murmurou. — Vocês estão aqui há muito tempo?
Angela encolheu os ombros.
– Não sabemos — ela disse. — Eu cheguei antes de Abbie, por cerca de uma semana, de acordo com a data que ela disse que tinha sido sequestrada. Que dia é hoje?
Isabella sentou-se no chão ao lado da porta. Ela queria muito pegar o celular e avisar a Edward sobre o que tinha acontecido, mas queria esperar alguns minutos. Ela tinha medo de que Royce estivesse escutando a conversa atrás da porta e Abbie ou Angela tivessem alguma reação quando ela pegasse o celular que fosse alertá-lo.
– Hoje é dia 22 de maio — respondeu a médica.
As outras duas assentiram. Isabella não perguntou a data que elas tinham sido sequestradas, achando que elas falariam se tivessem confortáveis. Ela não quis falar também que tinha um aparelho ali que poderia ajudá-las, ainda com medo de que Royce fosse aparecer.
Ele voltou a abrir a porta cerca de vinte minutos depois, mas não ficou muito tempo ali. Só colocou no chão algumas garrafas de água e alguma comida, antes de dizer que sairia por um tempo.
– Voltarei dentro de uma hora ou duas — ele disse. — Então, não tentem nada engraçado.
Ele fechou a porta novamente. Isabella viu Abbie e Angela levantarem e pegarem uma garrafa de água e um prato de comida, cada uma. A morena, porém, não sentia fome e sabia que não sentiria tão cedo. Ela esperou uns minutos, se levantando quando escutou um barulho na escada. Aproximou a orelha da porta, então, tentando escutar o máximo que podia. Assim que ela ouviu o barulho da porta se fechando, ela puxou o celular de dentro da blusa, o que fez as outras duas mulheres arregalarem os olhos.
– Eu não sei se o que vou fazer vai dar certo — ela começou, antes que as duas pudessem dizer algo. — Mas eu queria esperar um tempo para ver se ele voltaria…
Não querendo ficar mais tempo ali, Isabella viu que ela tinha uma mensagem não lida, provavelmente o motivo do seu celular ter vibrado no carro. Ela sentiu seu coração apertar em seu peito quando viu que era uma mensagem do detetive Cullen.
Irei buscá-la assim que seu plantão acabar. Estarei na porta esperando, ok? ~ E.
Ela rapidamente olhou o relógio e viu que seu plantão acabaria dentro de cinco minutos. Ela estava pronta para ligar para o detetive e falar onde estava quando viu que estava sem serviço.
Sentindo o pânico começar a tomar conta de si, a morena começou a andar pelo quarto, o celular um pouco erguido, esperando conseguir algo.
Porque se ela não conseguisse…
Ela não tinha ideia do que faria.
_
Eram cinco para oito quando o detetive estacionou em frente ao hospital e desceu, indo para a porta de entrada, exatamente como havia combinado na mensagem que enviara a Isabella. Ele puxou o próprio do bolso, pensando que ela havia respondido, mas o dia no hospital deveria ter sido puxado — ela nunca ficava com o celular perto de si quando a sala de emergência estava cheia.
O ruivo permaneceu ali durante um tempo, observando as pessoas saírem e entrarem. Ele esperava que Isabella fosse aparecer a qualquer momento, talvez já tivesse lido a mensagem dele…
Mas quando o relógio marcou oito e quinze e ela não tinha aparecido…
Ele sentiu o medo começar a tomar conta de si.
Ele sabia que podia estar sendo irracional. Talvez ela estivesse ocupada no serviço, talvez estivesse no meio de uma emergência — isso já havia acontecido outras vezes. Mas ela sempre avisava.
Ele entrou no hospital e perguntou à recepcionista se podia contatar Isabella. O coração do detetive quase parou quando a recepcionista voltou com uma notícia ruim.
– A Dra. Swan saiu um pouco mais cedo hoje, detetive Cullen — ela disse. — Aparentemente, ela teve uma emergência familiar.
Ele murmurou um obrigado rapidamente e se afastou, puxando o celular do bolso. Ele ligou para a viatura responsável por tomar conta da casa dos Swan e pediu que verificasse se estava tudo bem com eles.
– Eles chegaram em casa faz cerca de dez minutos, Cullen– o oficial respondeu. — E não saíram novamente.
O Edward finalizou a ligação e ficou parado durante um tempo, sem conseguir acreditar. Ele sabia, no fundo, o que tinha acontecido, mas não queria admitir, não queria ter que fazer a ligação e começar as buscas por ela.
Ele vinha temendo aquilo desde o momento que descobrira que Royce conseguira escapar.
E agora que tinha acontecido…
Era demais.
O ruivo sentiu as lágrimas tomarem conta de seus olhos e não fez nada para impedir que elas caíssem. Antes que ele perdesse o controle, ele rapidamente ligou para a delegacia, avisando ao chefe do que tinha acontecido. Depois, enquanto esperava que outros policias chegassem ao hospital para começarem a refazer os passos de Isabella, ele telefonou para a única pessoa que podia verdadeiramente conversar naquele momento.
– Pai. — Edward soluçou. — Ele a pegou, pai. Ele a pegou.
E Edward não tinha ideia do que faria para encontrá-la.
_
Isabella andou pelo aposento durante algum tempo, tentando encontrar sinal o suficiente para fazer uma ligação. Abbie e Angela a fitaram, seus olhos esperançosos.
– Por que você não liga para emergência? — Angela indagou, parecendo ansiosa. — É só informar à polícia do que aconteceu e pedir que eles rastreiem a ligação.
Isabella engoliu em seco.
– Eu não posso fazer isso — ela murmurou. — Ele tem alguém que o ajuda lá dentro. Eu não posso simplesmente ligar e esperar que seja outra pessoa que atenda ao chamado.
Ela parou por um momento, seus olhos ainda colocados na tela do seu iPhone.
– Se eu entrar em contato com a pessoa que o ajuda — ela murmurou. — Simplesmente não teremos nenhuma chance de sair daqui.
Nenhuma das duas disse mais nada depois disso, só seguiram Isabella com os olhos, esperando que ela conseguisse algo.
Sentindo-se a cada minuto mais ansiosa, Isabella andou mais para perto da janela — ou o que restara dela, já que não se podia ver nada do lado de fora. Ela moveu o celular algumas vezes, praticamente ouvindo seu coração martelar…
E um sorriso de alívio nasceu em seus lábios quando ela viu que tinha obtido sucesso.
Não querendo perder tempo, a morena rapidamente desbloqueou a tela do aparelho e digitou o número do detetive — algo que ela já sabia de cor àquela altura. Ela o levou até à orelha, então, o toque da chamada nunca parecendo tão irritante como naquele momento.
– Alô? — o ruivo murmurou, alguns segundos depois.
Isabella engoliu em seco, sentindo seus olhos encherem de lágrimas.
– Edward? — ela sussurrou. — Edward?
Houve uma pausa do outro lado da linha.
– I-isabella? — ele sussurrou de volta. — Isabella, é você?
E a morena simplesmente soluçou, as lágrimas finalmente caindo pelo seu rosto, incapaz de dizer alguma coisa por um tempo.
_
As gravações de câmeras foram analisadas, mas não encontraram nada que pudesse de fato ajudá-los. Royce tinha sido cuidadoso o suficiente para estacionar em um local que não havia câmeras, então não conseguiram saber qual carro ele dirigia e nem verificar a placa.
Edward andava de um lado para o outro, verificando o trabalho de cada um dos oficiais. Eles já haviam conversado com o médico que dissera que cobriria o plantão de Isabella, assim como a enfermeira que a informara sobre Royce. A mulher havia dado um retrato falado e Edward sentiu seu coração parar quando ele viu que o homem definitivamente era Royce.
Ela estava nas mãos de Royce novamente.
Edward tentava não pensar muito nisso, tentava se concentrar no trabalho, querendo pensar em algo que fosse ajudar Isabella, mas parecia impossível. Mesmo lembrando das palavras que o pai lhe dissera pouco mais de duas horas atrás — que ele deveria se concentrar em descobrir onde Isabella estava e que tudo ficaria bem -, ele não conseguia ser somente o detetive Cullen naquele momento.
Ele amava Isabella.
Se algo acontecesse com ela… Edward sabia que nunca se perdoaria.
Sabendo que ele não seria muito útil no hospital, ele seguiu até a delegacia, disposto a ficar ali, buscando todas as pistas possíveis, até encontrar Isabella. Ben se encontrava na sala, mergulhado em algumas pastas, e ele mal olhou para Edward quando o mesmo entrou.
Nervoso, ansioso e preocupado com Isabella, o detetive Cullen apenas murmurou um ‘Ben’, não notando quão estranho o amigo estava. Ele então pegou tudo o que tinha sobre Royce, tanto usando o novo sobrenome quanto o verdadeiro, mesmo sabendo que havia grandes chances de ele não encontrar nada novo ou diferente ali. Ele já havia passado por aqueles arquivos muitas vezes e não havia informação alguma sobre imóveis dele.
Mas ele não podia simplesmente desistir.
Os minutos se passaram, porém, e o detetive simplesmente não conseguia achar nada. Ele não tinha ideia dos planos de Royce, de onde ele poderia estar.
E enquanto isso, Isabella estava novamente nas mãos dele.
Ela tinha passado por isso durante onze meses e isso a tinha marcado para sempre. Não merecia passar por isso novamente.
Sentindo o desespero tomar conta de si e a vontade de chorar atingi-lo novamente, o ruivo parou de ler por um momento, apoiando as mãos na cabeça. Seu celular escolheu aquele momento para tocar e ele o pegou, levando o aparelho ao ouvido.
– Alô? — o ruivo murmurou, sem olhar para a tela.
Ele só queria que ela aparecesse. Só queria que aquele pesadelo acabasse.
– Edward? — Ele pensou escutar Isabella sussurrar. — Edward?
O ruivo imediatamente arregalou os olhos, sem conseguir acreditar que era mesmo ela. Ele afastou o celular do telefone por um momento, seu coração disparando quando ele viu o nome dela na tela do celular.
– I-Isabella? — Ele imediatamente se levantou, começando a caminhar em direção à área de informática da delegacia — Isabella, é você?
Ouve uma pausa, o que o deixou desesperado por cerca de um segundo ou dois, mas logo ele escutou um soluço.
E era ela.
Ele andou o mais depressa que pôde, parando o primeiro técnico que ele viu. Apontando para o seu celular, o detetive rapidamente disse para rastrear aquela ligação, enfatizando que era urgente e que deveria ser feito imediatamente.
Isabella tinha conseguido entrar em contato, o que significava que ele poderia achá-la.
Assim que o técnico começou a trabalhar, ele voltou sua total atenção para a conversa, querendo manter Isabella na linha o máximo que pudesse.
Ele não podia perder aquela chance. Ele tinha que achá-la.
– Isabella, eu preciso que você respire e se acalme — ele pediu, tentando se manter calmo e se controlar também. — Você pode fazer isso por mim?
Ele esperou um tempo. Ao seu redor, as pessoas se movimentavam. Ele viu o chefe entrar na sala, parecendo confuso com a quantidade de pessoas, até Edward murmurar rapidamente quem era. Seu chefe, então, começou a pedir que algumas pessoas se preparassem. Assim que eles tivessem a localização, eles iriam até lá.
– Isabella? — ele tornou a chamar, quando ela ficou sem falar nada por mais uns segundos.
– Ok – ela murmurou. — E-eu sinto muito, eu só…
Ele engoliu em seco.
Ela parecia tão assustada…
– Shhh… — ele disse. — Vai ficar tudo bem, ok? Eu estou rastreando a ligação. Assim que eu tiver a sua localização, eu mesmo vou até aí, tudo bem?
Ela murmurou um ‘ok’ baixinho, parecendo tão aliviada quanto o detetive. Ele não estava muito seguro, porém. Só se sentia totalmente calmo quando Isabella estivesse em seus braços.
E quando Royce estivesse sob custódia.
A localização do local foi dada e Edward imediatamente informou a Isabella que estava a caminho. Ainda conversando com ela, ele foi até seu carro, jogando as chaves para um dos oficiais.
– Eu estou a caminho, mas quero que você fique o tempo todo conversando comigo, ok? — ele disse. — Pode me dizer o que vê? Pode me dizer se consegue ver Royce?
– Estou em um quarto fechado, completamente. Há duas mulheres comigo, Abbie e Angela, que foram sequestradas já há algum tempo. E quanto a ele… ele saiu há algum tempo, mas a qualquer momento deve voltar…
Edward assentiu, mesmo sabendo que Isabella não poderia vê-lo.
Não querendo que Royce escapasse novamente, Edward rapidamente montou um plano em sua mente, mesmo que tal plano fosse manter Isabella um pouco mais presa do que o necessário.
– Eu estou chegando, Isabella — ele sussurrou, baixo o suficiente para o oficial ao seu lado não ouvir. — E eu prometo para você: vai ficar tudo bem.
_
Exatamente como o detetive havia pedido, Isabella conversou com ele o tempo todo, falando tudo aquilo que ele pedia. Ela deu algumas informações sobre Abbie e Angela, mesmo não sabendo muito.
– Estamos perto, ok? — ele disse. — Mas não vamos entrar imediatamente. Vamos nos esconder e esperar que Royce chegue para podermos pegá-lo. Não vou deixá-lo escapar novamente, Isabella. Isso acaba esta noite.
Ela se via mais ansiosa a cada minuto que passava, desejando que tudo acabasse logo. Quando eles chegaram, ele descreveu o cenário para ela, dizendo que havia muitas árvores ao redor, indicando que o local era isolado.
E então, ela ouviu um barulho e gritos e, depois, silêncio.
– Nós o pegamos. — Edward murmurou. — E nós vamos entrar agora.
Ela sentiu um sorriso enorme nascer em seu rosto, lágrimas novamente invadindo os seus olhos — lágrimas de alívio. Ela ouviu o barulho da porta sendo chutada e passos por toda a casa, mas não conseguiu encontrar forças em si para finalizar a ligação, mesmo que ele já estivesse ali dentro, mesmo que Royce não pudesse entrar ali mais.
A porta do local onde elas estavam foi, assim como a de cima, chutada, quase arrancada à força. Isabella virou-se imediatamente, o celular caindo de suas mãos quando ela o viu entrando. Dois policias entraram na frente do detetive, indo direito para as mulheres, que haviam permanecido o tempo todo quietas, mas Isabella não conseguiu encontrar forças para desviar os olhos do detetive.
Em um minuto, eles estavam há alguns passos de distância, apenas se encarando. E no outro, Isabella estava em seus braços.
E tudo estava bem novamente.
Ela estava segura agora.
– Shh… — O detetive beijou o topo da sua cabeça. A morena chorou, lágrimas de alívio escorrendo pelo seu rosto. — Está tudo bem, baby. Você está segura.
Baby, ele a chamara de baby.
Com o coração batendo a todo vapor, a morena se separou dos braços dele por um instante, fitando-o. Eles se fitaram durante alguns segundos, olhos verdes nos olhos castanhos, até que o detetive não pôde mais resistir.
Sem exatamente pensar no que estava fazendo, e precisando daquilo mais do que nunca, ele envolveu o rosto dela com uma das mãos, mantendo a outra nas costas dela, e aproximou o rosto dela, encostando firmemente, mas ainda assim suavemente, os lábios dela nos dele.
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