Daylight
26 Capítulo Vinte e Cinco
Notas iniciais
Baby, ele a chamara de baby.
Com o coração batendo a todo vapor, a morena se separou dos braços dele por um instante, fitando-o. Eles se fitaram durante alguns segundos, olhos verdes nos olhos castanhos, até que o detetive não pôde mais resistir.
Sem exatamente pensar no que estava fazendo, e precisando daquilo mais do que nunca, ele envolveu o rosto dela com uma das mãos, mantendo a outra nas costas dela, e aproximou o rosto dela, encostando firmemente, mas ainda assim suavemente, os lábios dela nos dele.
–x-
O carro parecia estar a cinco quilômetros por hora.
O detetive continuava conversando com Isabella, tentando fazer o máximo que podia para distrai-la. Ele sentia seu coração bater cada vez mais rápido, o medo e a esperança lutando lado a lado. Parecia bom demais pensar que ele a veria dentro de instantes. E parecia quase surreal imaginar que o pesadelo acabaria naquela noite, que Royce seria preso e que Isabella não teria que se preocupar com ele nunca mais.
Ele se manteve firme, no entanto. Ele podia ouvir no tom de voz de Isabella o quão nervosa ela estava e podia jurar que sentia o medo dela. Se ele ao menos deixasse de se mostrar confiante ao menos uma vez… ele sabia que ela desmoronaria.
– Estamos quase aí — ele murmurou, um suspiro escapando de seus lábios quando escutou seu chefe dizer que chegariam dentro de dois minutos. — Aguente firme, Isabella, estamos quase aí…
Ele não pôde ir até a ela de imediato, no entanto.
Exatamente como havia sido combinado na delegacia — no pouco tempo que eles tiveram para fazer isso lá — e enquanto dirigiam, todos se mantiveram o mais escondidos que podiam, aproveitando o fato de que o local era cheio de árvores e estava bem escuro. Os faróis foram desligados, todos fizeram o máximo de silêncio possível, à espera de que Royce chegasse. Ainda dentro do carro, com o celular contra a orelha, Edward fitava a casa à sua frente sem nem piscar direito.
Ele não conseguia acreditar que Isabella estava ali dentro. Ele precisou usar todas as suas forças para não sair do carro e correr até ela, mas sabia que aquilo colocaria em risco o plano.
E ele não podia deixar Royce escapar novamente. Porque o detetive sabia que Isabella só estaria segura quando o mesmo estivesse atrás das grades. Ele queria olhar nos olhos dela e dizer que havia acabado.
Ele continuou conversando com a morena, falando sobre o que via ao redor, até que ouviu um barulho de um carro e soube que Royce tinha chegado. Esperando pelo sinal do chefe, permaneceu sentado, até que o carro parou próximo à porta.
E de repente, todos entraram em ação.
Tudo pareceu passar rápido demais — ou lento demais. Edward queria ser o responsável pela prisão dele, mas ele não teve forças para desligar o telefone e deixar Isabella sozinha.
Royce tentou fugir assim que percebeu a movimentação ao seu redor, mas não teve escolha. Houve gritos, barulhos, armas apontadas, milhares de policiais, detetives e inclusive seu chefe, todos apontando armas para Royce.
E então ele estava algemado e sendo levado para o próprio carro do chefe. Sabendo que Royce não conseguiria escapar com seu chefe levando-o até a delegacia, Edward finalmente começou a se acalmar.
– Nós o pegamos — ele murmurou. — E nós vamos entrar agora.
Junto com outros policias, Edward seguiu até a porta, esperando que ela fosse aberta, antes de entrar pela casa e começar a procurar por Isabella. Ele não finalizou a ligação, no entanto, precisando daquela conexão com ela até o momento que ela estivesse nos seus braços.
E então, eles estavam entrando no quarto. E Isabella estava ali.
Ela parecia bem, sem nenhum machucado, apenas abalada. Ele não prestou muita atenção aos detalhes naquele momento, porém. Somente a puxou para os seus braços, todos os seus músculos relaxando quando ele fechou os braços ao redor de seu corpo.
Ela estava ali. Ela estava bem.
– Shh… — ele sussurrou, beijando o topo da cabeça dela. Ela chorava em seu peito. — Está tudo bem, baby. Você está segura.
Edward podia ouvir e sentir a movimentação ao seu redor, mas não parou para prestar atenção nisso. Tudo o que importava era que Isabella estava bem. E que ela estava segura e que tudo tinha acabado.
Alguns segundos depois, Isabella se separou dos braços dele por um instante e o olhou. Ele encarou aqueles olhos castanhos que descobrira que amava, mil pensamentos surgindo na sua cabeça — tantos, que ele não sabia exatamente em qual se concentrar.
E de repente, ele não pôde se segurar mais.
Ele tinha que beijá-la. Ele tinha que fazer aquilo naquele momento, porque ele quase a perdera e esse tempo que ele passara sem saber se ela estava viva ou não, ou o que Royce poderia fazer com ela…
Ele só sabia que não podia esperar um minuto sequer mais.
Edward envolveu o rosto da morena com um das suas mãos, mantendo a outra nas costas dela, e aproximou seu rosto do dela, encostando seus lábios nos dela.
E naquele momento ele soube que não tinha como lutar contra mais. Seu coração pertencia a ela. Ele estava completamente apaixonado. Ele sabia que teria que ir com calma, que teria que ter muita paciência, que ela havia passado por muito. Mas não importava.
Ficar sem ela não era uma opção. Ele esperaria o tempo que fosse necessário, teria toda a paciência, mas não tê-la em sua vida…
Ele sabia que não dava.
O beijo não durou mais do que alguns segundos e foi apenas um toque dos lábios, mas sabendo que eles não estavam sozinhos, Edward se afastou, apoiando a testa na dela. Ele esperou que ela fugisse, que se afastasse e que dissesse que não podia fazer aquilo ou algo assim, mas Isabella apenas fechou os olhos por um momento, e quando ela os abriu, ele não conseguiu achar o medo ali, como pensou que acharia.
– Eu sei que não deveria ter feito isso, não agora e não aqui — ele murmurou. — Mas simplesmente não deu mais, Bella. E-eu…
Ele engoliu em seco, forçando-se a ficar calado. Ele sabia que ainda era cedo demais para falar de sentimentos. Não queria assustá-la. Não queria que ela fugisse dele.
– Hmmm… Detetive Cullen? — Um dos oficiais os interrompeu. — Eu sinto muito interrompê-lo, mas temos que levar a Srta. Swan para a delegacia e…
Antes que ele continuasse, Edward assentiu, sorrindo para Isabella e se afastando um pouco. Ele sentiu seu sorriso aumentar quando ela se aproximou dele e segurou sua mão, quase como se a ideia de ficar longe fosse dolorosa para ela também.
– Conversaremos mais tarde, ok? — ele disse. Ela apenas assentiu. — Vamos?
Ele a guiou para fora da casa, contendo-se para não enchê-la de perguntas, pensando que ele daria tudo naquele momento para saber o que estava se passando pela cabeça dela.
Perdida em seus próprios pensamentos, Isabella observou a paisagem sem realmente vê-la enquanto o detetive dirigia de volta para a delegacia, um oficial ao seu lado. Ela podia sentir os olhos de Edward nela muitas vezes, mas não teve coragem de olhar para ele.
Ela não sabia o que dizer para ele, não sabia exatamente como se sentir.
Ao mesmo tempo em que queria fugir e se esconder, ela queria se aconchegar nos braços dele novamente e deixar que ele a beijasse de novo. Tudo parecia tão confuso. Quando ela pensava no detetive, quando ela estava perto dele… ela sentia algo que não sabia bem como definir.
E o beijo… ela havia sentido algo que nunca sentira antes.
E ela não sabia o que pensar sobre isso.
Havia um lado dela que queria se sentir feliz, que queria aceitar aquilo, aceitar o que quer que o detetive Cullen estivesse oferecendo. Havia outro, no entanto… as lembranças do passado ainda estavam lá, atormentando-a, uma em especial naquele momento. E Isabella não fazia ideia de como se livrar delas. Ela havia lutado durante tanto tempo, feito de tudo, batalhado tanto para seguir em frente, mas sempre havia uma parte dela que sempre a prendia no passado, sempre acontecia algo que desencadeava uma série de lembranças.
Lembranças que Isabella preferia esquecer.
– Isabella? — A voz do detetive tirou-a de seus devaneios. — Nós chegamos.
A morena olhou em volta, finalmente percebendo que eles estavam em frente à delegacia. Lembrando o que ela teria que fazer agora, ela engoliu em seco e retirou o cinto de segurança, abrindo a porta e saindo, esperando o detetive para que ele a guiasse para dentro da delegacia.
Eles mal haviam colocado os dois pés para dentro da delegacia quando um par de braços a puxaram Bella demorou alguns segundos para perceber que estava sendo abraçada por alguém — alguém que chorava, ela percebeu também — e que esse alguém era a sua mãe.
– Oh, Bella! — Renee murmurou, ainda chorando. — Eu fiquei tão preocupada! Como você está? Você está bem, não está? Ele não a machucou? Você quer que a gente te leve para o hospital?
As perguntas eram tantas que a morena não teve chances de se focar em nenhuma delas. E não teve tempo, também. Logo era Charlie quem estava a puxando para os seus braços, quase uma repetição do que havia acontecido pouco antes do seu aniversário de dezesseis anos.
Ela conversou um pouco com os pais, respondendo às suas perguntas na medida do possível, antes que Edward se fizesse presente, lembrando-a que eles precisavam conversar com ela.
– Nós vamos esperá-la aqui, Bella. — Renee informou, ainda parecendo meio abalada. Não devia ser fácil para uma mãe receber a notícia de que a filha havia sido sequestrada uma vez, quanto mais duas vezes. — E então você vai passar a noite conosco, ok?
Isabella mordeu o lábio inferior, pronta para pensar em uma desculpa, porque, afinal, ela realmente precisava conversar com Edward — ela precisava. Havia tanto que ela queria falar e tanto que ela não sabia se devia mencionar… Mas ao olhar para o rosto dos pais, ambos parecendo tão necessitados de passar aquele tempo com ela, Isabella não teve coragem de negar. Sorrindo de forma forçada, ela apenas assentiu, antes de seguir o detetive até uma sala.
Ela pensou que teria a chance de dizer a ele que ambos conversariam sem falta no dia seguinte, mas a sala não estava vazia quando os dois entraram. Outro detetive estava ali, um que Isabella nunca havia visto. Edward a levou até um sofá mais ao centro e se sentou ao lado dela. O outro detetive se sentou na cadeira mais próxima dali e logo eles estavam a enchendo de perguntas.
– Eu lembro que estava lendo um prontuário quando uma enfermeira me chamou… — ela começou, enquanto fitava as suas mãos. — Ela disse algo sobre um pai de um paciente querer conversar comigo… ou algo assim. E eu lembro de encontrá-lo quando eu cheguei lá.
Ela parou por um momento, lembrando de como tinha se sentido, de como mil coisas haviam passado pela sua cabeça naquele momento.
– Ele estava armado — continuou. — Ele disse que tinha meus pais na mira de uma arma e que não era para eu fazer nada estúpido… Ele provavelmente estava mentindo, mas como eu poderia arriscar? Era de meus pais que ele estava falando… Ele pediu que eu avisasse ao meu chefe que sairia mais cedo e que não era para eu levar a bolsa nem o celular, que ele me revistaria… Mas eu sabia que se não levasse o celular, as chances de eu ser encontrada seriam bem menores, quase mínimas, então dei um jeito de escondê-lo, sabendo que Royce não me revistaria tão bem assim.
“Ele me levou pela saída de emergências do hospital, então. Pediu que eu mostrasse para ele o caminho… Havia uma viatura, eu lembro, mas a rua estava escura, porque não havia muitas luzes, e havia muito movimento… ele rapidamente conseguiu me colocar dentro do carro, deitada.
“Não sei dizer por quanto tempo dirigimos, mas eu continuei quieta, até chegarmos ao local onde vocês nos encontraram. Ele pediu que eu fechasse os olhos, colocou uma venda, e me empurrou para dentro da casa, até um quarto, onde estavam outras duas garotas.”
Ela tornou a parar de falar, respirando fundo algumas vezes, antes de contar que tinha esperado um sinal e que tinha entrado em contato com Edward assim que ela obteve. Não mencionou o fato de não ter ligado para a emergência por causa da conexão de Royce com alguém dali, porque ela não conhecia o outro detetive que se encontrava no local e não queria estragar tudo naquele momento.
Ela mencionaria qualquer outro fato, caso fosse necessário, para Edward mais tarde.
Quando a conversa entre os três se deu por encerrada, o detetive se retirou, deixando ela e Edward no local.
– E-eu… — ela começou. — Eu queria que conversássemos hoje, mas…
Ele olhou para ela, parecendo surpreso. Ele tinha tanta certeza de que ela tentaria fugir e que esse era o motivo de ter concordado em ir para a casa dos pais. Porque parecia que as coisas sempre funcionavam dessa forma para os dois. Sempre que algo acontecia, parecia que eles se afastavam e que demoravam a se aproximarem de novo.
– Eu só não tive coragem de dizer não para eles — ela sussurrou. Ela queria tanto se aproximar dele e abraçá-lo, mas ao mesmo tempo queria se afastar e pensar um pouco. Era tudo tão confuso… — Não depois do que eles passaram novamente.
O detetive assentiu, entendendo isso um pouco.
– Então… a gente pode conversar amanhã? — ela pediu. — Eu não sei as horas ainda, mas… eu…
Ele sorriu quando viu o quão nervosa ela estava. De alguma forma, saber que ela não estava mais fugindo, fazia com que ele se sentisse muito melhor.
– Tudo bem — ele disse, mesmo não estando tudo tão bem assim. Ele queria que eles conversassem logo, queria acabar logo com aquelas dúvidas que ele sentia. Mas entendia o lado dela. — Eu te ligo, ok? E a gente combina.
Ele a observou sair da sala, tentando entender seu comportamento. Ela parecia calma demais, tinha contado tudo o que acontecera de forma tão… mecânica. Edward não sabia se aquilo era um bom sinal ou não.
Ele só não esperava que ela não retrocedesse.
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Isabella permaneceu um tempo sentada na sua cama, no quarto que tinha na casa dos seus pais, fitando o chão, pensando em tudo e nada ao mesmo tempo.
Parecia tão surreal que há apenas algumas horas ela estava presa novamente, sem saber se conseguiria escapar dali. Ela estivera com tanto medo, com medo de que algo desse errado, de que Royce chegasse antes que ela conseguisse entrar em contato com o detetive e que tomasse seu celular… Tudo teria sido diferente, então.
E ela não sabia que fim levaria.
Mas era estranho pensar em como todos aqueles medos haviam desaparecido quando ela vira o detetive entrar no quarto e puxá-la para os seus braços. E quando ele a beijara…
Ela simplesmente não sabia o que pensar.
Então, ela ficou simplesmente sentada na cama, esperando que o medo chegasse, que os ataques de pânico começassem. Porque parecia bom demais para ser verdade que nada disso fosse acontecer.
Uma batida soou à sua porta, tirando-a de seus devaneios. Ela sorriu um pouco quando viu Charlie parado ali, uma caneca na mão. Ele andou até a cama e estendeu a caneca para Isabellla, que tornou a sorrir.
– Obrigada, pai — ela murmurou.
Querendo ter um momento com a filha, Charlie sentou ao lado dela, passando o braço direito em torno do corpo da morena, atraindo-a até si. Bella tomou um gole do chá e deitou a cabeça no ombro do pai, voltando a pensar no detetive Cullen.
Ela esperou que Charlie começasse a fazer perguntas, querendo saber o que tinha realmente acontecido e como ela estava, mas ele permaneceu em silêncio, apenas acariciando o braço de Bella. Ela tomou o chá, curtindo aquele momento com o pai. Às vezes, perguntava-se como seria realmente conversar com ele e contar o que havia acontecido, mas sabia que não estava pronta para aquilo ainda.
Quando ela terminou de tomar o chá, ele pegou a caneca dela e beijou o topo da sua cabeça. Quando Isabella virou-se para lhe desejar boa noite e agradecer, ela viu lágrimas nos olhos do pai.
– Eu estou muito feliz por você estar aqui, querida — ele murmurou. — E me sinto mais feliz ainda em saber que o cara que lhe fez mau está preso e que não pode fazer mais nenhum mal a você. E eu te prometo, Bella, que, como advogado, eu farei tudo o que estiver em meu alcance para que ele nunca mais lhe machuque.
E, após depositar mais um beijo na testa da filha, Charlie saiu do quarto, sem esperar por uma resposta.
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Três e quarenta e oito.
Isabella olhava para o relógio fixamente, evitando manter os olhos fechados por muito tempo depois de piscar, mesmo ela estando exausta e precisando dormir.
Ela não conseguia, porém.
Os pesadelos a atormentavam toda vez que fechava os olhos e começava a dormir. O medo e o ataque de pânico que ela não havia presenciado mais cedo… bem, eles tinham chegado com força total assim que ela deitara na cama.
Ela esperava conseguir dormir de forma tranquila, mas o silêncio total da casa, o local escuro… Ela não sabia dizer exatamente o que provocara aquele súbito medo, mas, de repente, o medo de Royce aparecer ali e levá-la de volta para àquela casa… era surreal.
Ela sabia que não tinha como, mas não conseguia se acalmar mesmo assim. E então, os sonhos começavam. Alguns deles eram memórias do passado, outros envolviam o detetive Cullen, sonhos que ela nunca havia tido antes.
E ela não gostaria de tê-los novamente.
Isabella tentou se concentrar em qualquer outra coisa, nem que fosse para se distrair um pouco. Ela tentou pensar no beijo que compartilhara com o detetive mais cedo, mas aquilo só serviu para piorar; uma das memórias que a atormentavam naquela noite era exatamente sobre um beijo– e era algo que ela não queria ter que lembrar, mas que estava a perseguindo desde que Edward a beijara.
Suspirando pesadamente, a morena sentou-se por um momento, sabendo que dormiria a qualquer momento. Ela estava exausta e daria tudo por uma noite tranquila, mas ela sabia que não conseguiria aquilo.
Ela tentou focar a sua mente em outra coisa, qualquer coisa, mas desistiu depois de alguns minutos. Ela olhou mais uma vez o relógio, notando que nem dez minutos haviam se passado desde a última vez que ela havia olhado. Cansada de ficar deitada sem poder dormir, Isabella se levantou, decidida a ir até a cozinha pegar um copo d’água.
Ela não conseguiu passar do corredor, no entanto.
Toda a casa estava silenciosa e escura demais. E mesmo sabendo que seus medos eram bobos e que nada iria acontecer com ela ali, principalmente levando em conta o fato de Royce estar sob custódia da polícia…
Mas ela simplesmente não conseguiu.
Sentindo as lágrimas chegando, a respiração da morena ficou mais ofegante, e ela rapidamente se afastou do corredor, entrando no quarto novamente. Por segurança, ela fechou a porta e trancou, fazendo o mesmo com as outras duas, assim como as janelas. Depois, logo em seguida, ela voltou para a cama, cobrindo-se e enrolando as pernas contra o peito.
A luz do quarto permaneceu acesa, e ela não sentiu vontade nenhuma de se levantar para apagá-la.
Ela ficou ali durante mais algum tempo, tentando se acalmar. Todo barulho da rua só fazia com que ela ficasse mais assustada, no entanto.
Royce já tinha conseguido fugir antes… e se a pessoa que o estivesse ajudando na delegacia tornasse a ajudá-lo a fugir? O que impedia Royce de vir atrás dela?
Isabella rapidamente pegou o celular na mesinha ao lado da cama, discando o número do detetive Cullen e levando o aparelho até a orelha. Ela sabia que era bem cedo ainda, nem cinco da manhã, mas ela simplesmente não podia esperar.
Precisava que ele confirmasse que estava tudo bem, que Royce estava, de fato, preso e que ele não podia machucá-la novamente.
O telefone tocou algumas vezes, antes de finalmente o detetive atender.
– Isabella? — Ele parecia assustado. — Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?
Ela fechou os olhos por um momento, se sentindo um pouco mais calma só por estar escutando a voz dele.
– E-eu só… — ela soltou um soluço. — Eu não consigo dormir e… e ele… ele está preso, não está? Ele não vai vir atrás de mim, vai?
Edward precisou de alguns segundos para responder, finalmente entendendo o motivo da ligação. Ele respirou fundo, procurando se acalmar. Mil coisas haviam se passado pela cabeça dele quando ele vira o número de Isabella na tela do celular.
– Shhh… — ele finalmente respondeu. — Ele está preso, Isabella. Inclusive já foi encaminhado para a prisão, para uma solitária, onde ele aguardará julgamento. Eu te prometo, ele não fara mal nenhum a você.
Ela soltou uma lufada de ar, sentindo seu corpo relaxar. Ela sabia disso, sabia que ele estava preso, mas saber por Edward, de alguma forma, a acalmara de uma maneira que ninguém mais conseguia fazer.
– Obrigada — ela sussurrou, levando a mão livre até o rosto, secando as lágrimas com a manga da blusa. — E-eu sinto muito por ligar a essa hora, mas…
Ela balançou a cabeça, incapaz de falar ou de explicar como se sentia.
– Não, não, está tudo bem. — Edward rapidamente disse. Ele parou de falar por um momento, antes de fazer outra pergunta. — Você dormiu alguma coisa essa noite?
Ela encolheu os ombros, mesmo ele não podendo vê-la, sem saber o que falar.
– Eu tentei — finalmente sussurrou. — Mas os sonhos… eu não posso lidar com eles. E está tudo tão silencioso e escuro, e eu…
Ela mordeu o lábio inferior.
O detetive ficou calado durante um momento, sem saber o que dizer. Ele queria tanto ir até a ela naquele momento, tentar ajudá-la de alguma forma, nem que fosse para ficar perto dela enquanto ela dormisse.
E ele iria até ela, se ela estivesse em casa e não na casa dos pais.
– Eu posso fazer algo para ajudar? — ele indagou, parecendo preocupado.
Isso fez Isabella sorrir.
– Você já fez — ela sussurrou. — Obrigada.
Eles conversaram mais um pouco, até o detetive começar a insistir que ela tentasse dormir um pouco. Isabella prometeu que tentaria, mesmo sabendo que talvez isso não fosse tão possível assim. Então, eles combinaram que o detetive passaria para pegá-la assim que ele saísse da delegacia, antes de os dois finalmente encerrarem a ligação.
Isabella ainda demorou um pouco para dormir, mas conseguiu pegar no sono quando estava amanhecendo. Ela mais cochilou do que dormiu, acordando várias vezes, assustada. Mas ela se sentia melhor quando acordou pela sexta vez, por volta das onze da manhã.
Sabendo que Charlie provavelmente já estaria no trabalho naquele momento e que Renee provavelmente estava na cozinha, ocupada com alguma coisa, ela tomou seu tempo tomando um banho e tentando se mostrar apresentável.
Depois de vestir uma roupa confortável, a morena finalmente desceu, indo direto para a cozinha. Ela tentou conversar de maneira mais normal possível com a mãe, fugindo de qualquer pergunta relacionada a Royce, ainda não se sentindo completamente preparada para falar sobre tudo o que tinha acontecido quando ela fora sequestrada pela primeira vez. Renee não pressionou quando percebeu o que ela estava fazendo, apenas mudou de assunto, feliz pela filha estar ali e estar bem.
Edward só passou para buscá-la depois das cinco da tarde, quando seu expediente na delegacia acabou. Renee tentou insistir que ela ficasse outra noite, mas Isabella disse que achava melhor voltar para casa, prometendo que ligaria para a mãe antes que ela fosse dormir, para informar que estava tudo bem.
– Obrigada por vir buscar — ela sussurrou para o detetive, quando os dois já estavam dentro do carro, a caminho da casa de Isabella. — Você não precisava fazer isso.
Ele sorriu, contendo a vontade que ele tinha de esticar a mão e pegar a dela. Ele mal havia dormido naquela noite, repassando o beijo dos dois milhares de vezes, antes que a ligação dela o tirasse de seus devaneios. Ele não conseguira dormir após encerrar a ligação. E mesmo enquanto trabalhava na delegacia, mesmo tendo acesso a muitas informações sobre Royce… tudo o que ele queria era estar com ela.
– Eu sei — ele sorriu, virando na rua dela. — Mas eu quis… E não é trabalho algum, Isabella, não se preocupe com isso.
Ela sorriu rapidamente para ele, mas não disse nada, se sentindo a cada segundo mais ansiosa. O que ele falaria com ela? Que tinha sido um erro, que ele não quis beijá-la? Ou que ele sempre quis fazer aquilo?
Isabella engoliu em seco ao pensar nas duas opções — ela não sabia qual das duas a assustava mais.
Eles entraram na casa da morena em silêncio. Isabella ofereceu alguma coisa para o detetive, imaginando que ele não tivesse tido tempo para comer ou beber alguma coisa, mas ele recusou, dizendo que não precisava.
Eles se sentaram, então. Isabella encolheu-se o máximo que pôde contra o sofá, esperando que ele dissesse alguma coisa, mas ela apenas sentia os olhos no detetive nela, quase como se ele estivesse esperando a mesma coisa — que ela dissesse algo primeiro.
– Eu… — ela sussurrou. — E-eu… está tudo bem com as outras duas mulheres?
O detetive a encarou, confuso por um momento, antes de assentir.
– O depoimento delas vai ser pego amanhã — ele respondeu. — A família pediu esse dia para elas descansarem, se acostumarem com tudo…
Ela assentiu.
– Isabella… — Edward começou, embora não estivesse certo do que, de fato, dizer. — Sobre ontem… eu sei que eu te peguei de surpresa, eu me peguei de surpresa, mas eu…
Ela engoliu em seco.
– Você foi o segundo homem que me beijou — ela sussurrou, de repente, interrompendo-o. Ela fitava o chão, e só percebeu que seus olhos tinham enchido de lágrimas quando viu como o chão estava embaçado. — Na verdade, eu acho que poderia te considerar meu primeiro beijo, mas…
Ela não teve coragem de continuar, no entanto. Ainda era doloroso pensar naquilo, em como tinha sido assustador para uma garota de 15 anos passar por aquilo. Para muitos, poderia ter sido besteira e podia até ser considerado nada demais.
Mas para ela, sempre seria.
– O quê? — Edward indagou. — O segundo?
Ela soltou uma risada amarga, ainda sem ter coragem de olhar para ele, mas não disse nada — ela não sabia muito bem o que dizer. Apenas continuou encarando o chão, segurando-se ao máximo. Ela sabia que a qualquer momento choraria. E, honestamente, Isabella estava cansada de chorar.
O detetive se aproximou um pouco, finalmente conseguindo olhar para o rosto dela. Havia tanto que ele queria dizer, mas tanto que ele não sabia se podia dizer. Ele não queria assustar Isabella. Ele não queria se assustar. Tudo era tão novo, tão diferente… ele nunca havia se sentido daquela maneira, muito embora já tivesse se apaixonado uma vez.
– Bella… — ele sussurrou, colocando dois dedos no queixo dela e erguendo seu rosto. Ele engoliu em seco quando viu a dor no rosto dela, querendo, mais do que tudo, poder saber o que dizer para fazer com que aquele sentimento saísse dali. — Você ainda não sabe que pode confiar em mim?
A morena o fitou durante alguns segundos, antes de engolir em seco e assentir. Ela se endireitou no sofá, limpando as lágrimas do rosto, e forçou um sorriso para fora — não era um sorriso feliz, porém.
E então, antes que mudasse de ideia, começou a contar.
Ela deitou no colchão destinado a ela, sentindo o corpo meio dolorido pelo castigo que havia levado na noite anterior. Cobriu-se da melhor maneira que pôde, evitando encostar a coberta, que era meio áspera, nas costas, porque ela sabia que doeria caso fizesse isso.
Ela não conseguiu ficar deitada por muito tempo, no entanto. Logo, Isabella escutou os passos de Royce e a porta sendo aberta.
Ele não precisou falar muito para que ela percebesse que ele estava bêbado.
– Isabella, querida — ele enrolou a língua. — Vamos, levante-se. Você sabe quanto tempo está fazendo hoje que você está aqui comigo, meu bem?
Com medo de que ele fosse fazer algo caso ela não obedecesse, Isabella imediatamente se levantou, respondendo um ‘não, senhor’, porque era simplesmente a verdade — ela não tinha a mínima ideia de quanto tempo fazia desde o seu aniversário de quinze anos.
– Oito meses!– ele respondeu, parecendo extremamente alegre. — Isso não é incrível?
Ela engoliu em seco e assentiu, embora não achasse nada incrível. Oito meses!? Tinha realmente sido tanto tempo assim?
– Então, antes que eu saia… — ele murmurou. — Eu acho que merecemos uma comemoração…
Ele começou a andar em direção a ela, a mesma se afastando, mais por reflexo do que tudo. Logo ela sentiu suas costas se encostando na parede, um gemido de dor escapando de seus lábios quando ela esbarrou em um de seus machucados. Royce riu, mas não parou de avançar até que seu corpo estava quase colado no dela. Isabella sentiu o cheio de bebida no hálito dele e tentou desviar o rosto, mas ele não deixou.
– Diga-me, querida… — ele começou. — Você já foi beijada?
Ela arregalou os olhos quando ouviu a pergunta, demorando um pouco para responder. Ele a beijaria? Ele a obrigaria a beijá-lo? Ele não seria tão cruel, seria?
– Eu… eu não… — sussurrou, sem saber muito bem o que dizer.
Ele riu.
E então, sem dizer mais nada, ou sem dar qualquer chances a Isabella, ele a beijou, forçando sua língua na boca dela. Ela tentou lutar, tentou se afastar, mas ele apenas ria e a beijava com mais força, até que ela simplesmente desistiu. As lágrimas desciam livremente pelo seu rosto agora, e ela não conseguia conter o soluço que escapou quando ele se afastou.
Ele riu.
– Bom, você não sabe beijar — disse. — Mas não se preocupe, querida, eu vou te ensinar… E quando completar um ano que você está aqui, eu tenho certeza de que você vai ser a mulher perfeita para mim.
Isabella apoiou a cabeça nos joelhos quando terminou de contar tudo, evitando olhar para o detetive. Ela ainda se lembrava de como, no final, os beijos dele ficaram mais constantes, assim como insinuações. Ela temia todas as noites, ela mal dormia.
E aqueles beijos ainda a atormentavam, mesmo depois de todo esse tempo.
– Isabella, eu… — O detetive engoliu em seco, tentando se acalmar. Ele podia pensar em Isabella, com seus quinze anos… Deus, como alguém podia ser capaz de fazer isso?
Ela levantou o rosto de repente, um sorriso triste no rosto.
– Eu tenho muitas cicatrizes, detetive — ela sussurrou. — E se eu nunca conseguir me curar?
Sem saber o que dizer, ele se aproximou dela, puxando-a para seus braços. Ele tinha, novamente, tanto para dizer, mas não sabia nem por onde começar, então apenas tentou confortá-la com um abraço, esperando que os soluços dela diminuíssem.
– Vai ficar tudo bem, Bella — ele murmurou. — Nós vamos ser pacientes, ok? Eu vou ser paciente, prometo. E eu também não vou a lugar algum.
Ainda havia muito para os dois conversarem, Edward sabia, mas ele sabia que ela ainda não estava pronta para ter uma conversa totalmente franca e ele não queria assustá-la. Então, naquele momento, ele apenas beijou a testa dela, sussurrando algumas palavras para acalmá-la.
– Vai ficar tudo bem, baby — ele tornou a murmurar. — Vai ficar tudo bem.
E ainda nos braços dele, Isabella fechou os olhos e respirou fundo, torcendo para que ele estivesse certo e que tudo, de fato, ficasse bem.
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