Daylight

27 Capítulo Vinte e Seis


Notas iniciais
Demorei, mas cheguei! haha Explico, como sempre, na N/A, ok? Espero que gostem do capítulo!

Ainda havia muito para os dois conversarem, Edward sabia, mas ele sabia que ela ainda não estava pronta para ter uma conversa totalmente franca e ele não queria assustá-la. Então, naquele momento, ele apenas beijou a testa dela, sussurrando algumas palavras para acalmá-la.

– Vai ficar tudo bem, baby — ele tornou a murmurar. — Vai ficar tudo bem.

E ainda nos braços dele, Isabella fechou os olhos e respirou fundo, torcendo para que ele estivesse certo e que tudo, de fato, ficasse bem.

–x-

Ele não conseguia parar de olhar para ela.

Ainda não havia amanhecido totalmente, mas a pouca claridade já presente e que podia ser vista pela cortina entreaberta, era suficiente para permitir que ele enxergasse um pouco. Ainda era cedo, ele poderia estar dormindo.

Mas simplesmente não conseguia parar de observá-la dormir e ver que, de fato, ela estava ali e estava bem.

Fazia menos de dois dias que tudo tinha acontecido, que ficara sem notícias de Isabella por horas, mas mesmo assim…

O detetive sabia que não queria passar por aquilo novamente, nunca mais. E agora que ele estava ali, observando-a dormir, vendo que ela estava bem e que o canalha do Royce não tinha feito nada com ela…

Ele podia respirar aliviado agora.

Edward reprimiu um sorriso quando a viu se remexer na cama, sua testa se franzindo de leve. Ele passou as pontas dos dedos de leve pela mão dela, querendo que ela soubesse, mesmo inconsciente, que ele estava ali. Parecia meio bobo, mas era algo que fazia com que ele se sentisse bem. Ele queria que ela se sentisse daquela forma também.

Ele apoiou o queixo na mão que estava livre, o cotovelo apoiado sobre o joelho, ainda observando Isabella. Seus longos cabelos castanhos estavam espalhados pelo travesseiro, sua boca levemente entreaberta. O edredom a cobria por completo, já que o detetive havia arrumado-o há cerca de meia hora, quando acordara.

Porque sim, ele havia dormido na casa de Isabella novamente, no quarto de hóspedes, simplesmente porque não podia deixá-la sozinha. Fora um sacrifício fazer aquilo no dia anterior, quando ela passara a noite com os pais, mas sabia que ela precisava de um tempo com eles. Agora, no entanto… ele simplesmente não queria deixá-la sozinha.

E ele não queria ficar sozinho também.

Era estranho pensar que até algumas horas atrás, ele estava completamente preocupado com a conversa que os dois teriam e como Isabella se comportaria diante do beijo que eles haviam compartilhado. Mas tudo tinha se saído bem. Edward sabia que havia um longo caminho pela frente e que ele teria de ser muito paciente, mas só de saber que ele não tinha que se esconder mais ou se conter…

Ele estava apaixonado por ela, não havia mais como negar, ele sabia. Na noite anterior, quando ela contara que seu primeiro beijo tinha sido forçado por Royce e que, por isso — ele suspeitava, pelo menos -, ela nunca mais havia beijado outro cara além dele… Ele pensara que seu ódio por Royce havia atingido o limite, mas a cada coisa que Isabella contava para ele, Edward o odiava um pouco mais.

Ela tinha sofrido tanto… O detetive sabia que ela não havia contado tudo para ele, talvez nem um terço do que ela sofrera, e nem sabia se, um dia, ela chegaria a contar, mas se havia coisa pior do que aquilo…

Às vezes, ele não queria nem mesmo imaginar.

Ele ficou mais alguns minutos ali, observando-a dormir. Ela teria tanto a enfrentar pela frente… O julgamento de Royce talvez fosse o maior obstáculo de todos, ele sabia, mas também sabia que aquilo talvez fosse trazer um alívio e uma sensação de finalmente acabou que nenhuma outra coisa poderia trazer.

Edward, honestamente, só queria que tudo acabasse logo para que Isabella pudesse, finalmente, seguir em frente e começar a, de fato, viver. Ele sabia que ela tentou se enganar por muito tempo nesses últimos dez anos, fugindo e vivendo uma vida cheia de regras.

Ela merecia ser feliz.

E como ele queria participar dessa nova fase da vida dela…

O ruivo sentiu seu celular vibrar em seu bolso e, mesmo não querendo sair de perto de Isabella, ele se levantou e foi até o corredor, puxando o celular rapidamente e atendendo-o. Ele permaneceu próximo a porta, de forma que pudesse observar a forma da morena ainda completamente adormecida, levemente esparramada na cama.

– Ben — ele cumprimentou o amigo, seus olhos ainda em Isabella. — Alguma novidade?

O dia anterior havia sido uma completa loucura na delegacia. O detetive tivera tanto a fazer — preparar algo para ser dito para os repórteres insistentes que ficavam na porta, escrever e analisar relatórios do que havia acontecido no resgate das três mulheres e a prisão de Riley, garantir que ele não fugisse dessa vez (o que significava que o detetive havia precisado começar uma investigação sobre todos os funcionários da delegacia, por conta própria, já que àquela altura, ele não conseguia confiar em ninguém; simplesmente não podia deixar que Royce escapasse novamente), além de vários telefonemas que recebera e tivera que fazer, ter de agendar os depoimentos das outras mulheres — que ele mal havia conversado com Ben no dia anterior, apenas cumprimentado-o rapidamente.

– Hmmm, oi, Edward. — Ben murmurou, algum tempo depois. — Eu estava me perguntando se você e eu poderíamos conversar um pouco hoje… você vai vir trabalhar hoje?

O detetive franziu a testa. A voz de Ben estava, definitivamente, estranha.

– Eu estava de folga hoje — comentou -, mas darei uma passada na delegacia mais tarde, para ouvir o depoimento das garotas que resgatamos junto com Isabella…

Ben tornou a ficar calado durante um tempo.

– É, imaginei. — Ele falara tão baixo que, por um momento, Edward pensara que tinha imaginado o que ele falara. — Será que podemos conversar um pouco antes do depoimento… É realmente importante.

O detetive franziu a testa.

– Ah, tudo bem — respondeu, por fim. — Logo após o almoço, pode ser? Na minha casa?

Eles combinaram os detalhes e o horário certo, antes do detetive desligar. Ele ficou encarando o telefone durante uns minutos, se perguntando o que poderia ter acontecido de importante para Ben ligar para ele tão cedo — estava amanhecendo, afinal. Mas ele sabia que não podia encontrá-lo mais cedo. Ele sabia que Isabella tinha uma consulta com o Dr. Hale naquele dia — uma consulta que havia sido marcada antes do sequestro, mas que a morena decidira manter, dizendo que precisava mesmo conversar com o psiquiatra — e ele queria levá-la até lá e depois deixá-la com os pais. Parecia bobo querer mantê-la sempre com alguém, o tempo todo, mas ele não estava pronto para deixá-la sozinha ainda.

Não por enquanto.

Suspirando pesadamente, ele espiou o quarto de Isabella — somente para encontrá-la na mesma posição, ainda dormindo — e decidiu ligar para a delegacia, antes de tornar a se sentar ao seu lado.

Mas a conversa com o chefe demorou muito mais do que o esperado. Distraído pela conversa e pelos detalhes, ele começou a andar de um lado para o outro no corredor. Ele estava tão concentrado na conversa que nem mesmo viu como, de repente, o sono da morena se tornara agitado, como começava a se remexer na cama e a franzir o cenho — exatamente o que acontecia toda vez que ela tinha um pesadelo. Edward finalmente terminou de discutir alguns últimos detalhes com o seu chefe sobre o depoimento daquela tarde — os dois tentando discutir como fariam para evitar que a imprensa ficasse sabendo que as duas mulheres estavam na delegacia prestando depoimento — e se despediu. Ele tinha acabado de finalizar a ligação e estava discando para o seu pai, quando escutou um grito abafado vindo do quarto de Isabella.

Ele soube, imediatamente, que era um pesadelo. Mas, mesmo assim, não pode deixar de ficar nervoso e de correr para o quarto dela, um pânico sem sentido surgindo dentro de si, afinal, Royce estava preso e não tinha a menor chance de ele estar ali, fazendo algum mal a Isabella.

Ele correu até a cama dela e imediatamente a puxou para um abraço.

– Shhh… — ele sussurrou. — Bella? Hey… foi só um pesadelo.

Àquela altura, ela já estava acordada, os olhos arregalados fitando o peito do detetive, as mãos segurando fortemente a camisa dele. Foi só um sonho, ela repetiu, tão baixo que o detetive sequer pode ouvir, tentando convencer a si mesma.

Ela permaneceu abraçada a Edward até se sentir um pouco mais calma. Afastou-se um pouco, fitando-o ainda um pouco nervosa e tentou sorrir um pouco.

– Sinto muito — sussurrou. — Eu… eu não sei o que…

Mas ela não conseguiu terminar a frase. Não sabia como explicar porquê aqueles sonhos aconteciam nem a ela mesma, quanto mais para outra pessoa.

Mas Edward apenas sorriu, agora segurando as mãos dela. Ele as apertou, de forma gentil, antes de falar.

– Eu sei, Bella — ele disse. — Não se preocupe com isso, ok? Você não precisa explicar… a não ser que queira, é claro.

Isabella sabia que ele estava louco para saber mais, mas não queria pressioná-la. Antigamente, isso faria com que ela sentisse raiva, porque ele tentava fazer com que ela revivesse uma época que não queria, uma época que ela gostava de fingir que não existia, apenas porque queria prender alguém. Mas agora ela sabia que era diferente. Ele queria saber porque queria e não para buscar informações para prender alguém.

Era um pouco confuso e nem mesmo ela sabia explicar direito. O detetive podia ir embora a qualquer momento agora, ela sabia. Não havia mais motivo para estar ali. Mas ele tinha ficado e não parecia querer ir embora — pelo menos não estava dando indícios disso. E na noite anterior, ele parecia ter dito que queria algo mais, que seria paciente. Isabella sentiu seu peito encher de um sentimento que nunca havia sentido antes, algo que era muito bom. Tão bom que podia até ser um pouco assustador.

Ela balançou a cabeça, decidida a não pensar naquilo naquele momento.

E ele a havia chamado de Bella. Ela sorriu um pouco; gostava de como seu apelido soava na voz dele.

– Eu… — começou. Depois mordeu o lábio inferior, fitando as suas mãos, que pareciam tão pequenas quando estavam assim, envolvidas nas dele. — Posso só ter um momento, por favor? E depois a gente pode conversar enquanto toma café?

O detetive sorriu para ela e assentiu. Ele se colocou de pé e colocou as mãos no bolso, fitando-a.

– Eu vou esperar na cozinha — ele disse. — Vou começar a preparar algo para comermos… Alguma preferência?

Ela sorriu de volta para ele.

– Apenas ovos mexidos — deu de ombros. — E umas duas torradas.

Ele assentiu novamente e se virou, saindo do quarto e a deixando sozinha.

Isabella permaneceu alguns minutos sentada na cama, sem saber no que pensar. Tanto havia acontecido nos últimos dois dias que tudo, às vezes, parecia ser um sonho. Ela suspirou pesadamente e passou as mãos pelo rosto, tentando afastar o pesadelo da sua mente. Depois, sabendo que o detetive a esperava e não querendo deixá-lo preparar o café todo sozinho, levantou-se e foi direto para o banheiro, procurando não demorar muito lá.

Depois de realizar a sua higiene matinal, a morena trocou rapidamente de roupa, colocando uma calça de yoga e uma camiseta branca. Quando ela entrou na cozinha, o detetive estava terminando de servir o segundo prato.

Aparentemente, Isabella demorara mais do que previra.

– Desculpe pela demora — ela sorriu um pouco. — Eu não imaginei que você terminaria de preparar o café tão rápido assim.

Edward sorriu de leve para ela, esperando que ela sentasse antes de puxar a cadeira para si.

– Anos de prática — ele piscou, de forma brincalhona, fazendo-a soltar uma pequena risada.

Eles comeram praticamente em silêncio, apenas fazendo um comentário aqui e ali. O detetive queria perguntar a ela sobre o pesadelo, curioso para saber o que a atormentava, mas resolveu esperar que eles terminassem de comer primeiro. Ou que ela falasse algo primeiro.

Isabella expulsou-o para a sala quando ele se ofereceu para ajudá-la a limpar tudo, dizendo que ele já havia preparado o café sozinho. Depois que ela terminou, ela se juntou a ele na sala, sentando-se ao seu lado no sofá.

Isabella dobrou as pernas e colocou as mãos no colo, parecendo muito interessada em fitá-las. Depois de um tempo naquela posição, soltou um suspiro e fitou-o, sorrindo de forma triste.

– Sabia que posso contar quantas vezes não tive nenhum pesadelo desde que fugi da casa dele pouco antes de completar meus 16 anos? — ela indagou.

Ele engoliu em seco e se aproximou um pouco dela, mas não disse nada, sabendo que ela precisava desse momento para desabafar.

– Quando ele me pegou, dois dias atrás… — ela sussurrou. — E-eu não sabia o que pensar, sinceramente. Vários pensamentos me ocorreram e… e um deles foi: e se eu nunca mais visse você?

Ela soltou uma risada.

– Um pensamento meio bobo, talvez — admitiu. — Mas… não posso controlá-los, certo? E essa noite, não tive um dos pesadelos que geralmente tenho, relembrando algo que aconteceu. Nesse, ele matava você…

Ela estremeceu.

– E depois, ele me pegava de novo — terminou. — Meio idiota, eu sei, agora que ele está preso. Mas, novamente… não é algo que eu consiga controlar.

Edward esperou durante alguns segundos, apenas para ver se ela iria dizer mais alguma coisa. Quando viu que não, ele a puxou para si, abraçando-a pelos ombros.

– Eu sei que ele conseguiu escapar da primeira vez, Isabella — ele disse. — Mas agora eu estou cuidando pessoalmente de tudo. Sei que ele tem alguém dentro da delegacia, por isso estou investigando, sozinho, quem pode tê-lo ajudado da primeira vez. Ele vai poder ser julgado agora…

Ele parou por um momento, sorrindo um pouco para ela, apenas para lhe passar confiança, antes de ficar sério novamente.

– E eu posso até ser considerado uma pessoa horrível por isso — continuou -, mas ele tem grandes chances de ser condenado à morte…

Ele parou de falar, sem saber como ela se sentiria em relação àquilo.

Isabella estremeceu. Ela não havia pensado naquilo ainda.

– Eu sou médica, Edward — ela murmurou. — Salvar vidas é algo que eu tenho em mente desde que escolhi essa profissão… Mas… é horrível da minha parte não me sentir mal ao pensar nele sendo condenado à morte? Isso faz de mim uma pessoa ruim?

Ela o olhou com aqueles olhos tão lindos e castanhos, cheios de dúvida e medo, que ele teve vontade de simplesmente apertá-la em um abraço e nunca mais deixá-la ir.

– Não, baby — ele sussurrou. O modo que ele dissera baby fez com que o coração dela acelerasse. — Isso faz de você humana.

Ela sorriu um pouco.

Eles ficaram ali, meio abraçados, durante um tempo. Isabella começou a pensar no julgamento, um julgamento que ela sabia que demoraria.

E que ela sabia, bem no fundo, que teria que participar.

– Eu vou ter que testemunhar no julgamento, não vou? — ela indagou, sua voz não passando de um sussurro, algum tempo depois.

O detetive engoliu em seco.

– Sim, vai — ele disse.

Ele queria dizer mais alguma coisa, algo que faria com que ela se sentisse melhor, mas não conseguiu encontrar palavras para isso.

– Eu vou ter que falar tudo, não é? — ela tornou a indagar. — Tudo o que já te contei e… ainda mais.

Ele tornou a afirmar, incerto do que mais dizer.

Isabella soltou um suspiro pesado e se virou para ele. Ela tinha um sorriso triste no rosto.

– Não sei se estou pronta para isso, Edward — ela comentou. — Não sei se algum dia vou estar.

Ele apertou a sua mão gentilmente, devolvendo o sorriso.

– Vai sim — ele disse, tentando soar convincente. Ela seria questionada no julgamento, ela teria que estar preparada para responder todo tipo de pergunta. — Nós vamos te ajudar, ok? O Dr. Hale, seus pais… eu vou te ajudar.

Mas ela apenas sorriu e assentiu, não voltando a comentar algo sobre isso.

Eles ficaram ali o resto da manhã, assistindo a um programa bobo qualquer na televisão. Almoçaram juntos, pedindo algo de um restaurante ali perto, e depois Isabella se levantou para se arrumar, já que a sua consulta com o Dr. Hale seria pouco depois do almoço.

– Eu vou te deixar lá — o detetive havia dito. — E vou me encontrar com um colega de serviço bem rápido, ok? E depois… posso te deixar na casa de seus pais, se quiser…

Ele não queria parecer que estava querendo mandar nela, mas realmente não queria deixá-la sozinha.

– Tudo bem. — Isabella simplesmente disse. — Vou me arrumar bem rápido e a gente sai.

Antes que ela pudesse se afastar completamente, no entanto, o detetive a puxou para si e a abraçou. E então, quando eles se afastaram, incapaz de resistir mais, ele segurou o queixo dela delicadamente e devagar, tão devagar que ela poderia tê-lo parado se quisesse, encostou seus lábios nos dela.

Foi um beijo lento, não muito longo. Ele logo se afastou, lembrando da sua promessa a Bella de ir devagar e ter paciência, e sorriu suavemente para ela. Ele depositou mais um selinho nela antes de se afastar por completo, olhando suas bochechas um pouco coradas.

– Eu só… — ele começou. — Só queria…

Mas por fim encolheu os ombros, incerto do que dizer. Isabella sorriu um pouco, ainda meio corada, e assentiu, decidida a não fazer nenhum comentário.

– E-eu já volto — gaguejou um pouco.

Edward apenas sorriu.

Ele se sentou no sofá e ficou esperando Isabella, pensando em tudo o que havia acontecido. Ele nunca imaginaria que poderia se apaixonar de novo, não depois do que havia acontecido com Jane. Ele esperou toda aquele sentimento tomar conta dele quando pensou na sua ex, com quem teve um relacionamento não tão longo assim, mas também não tão breve. A culpa veio, como sempre vinha, mas ele tinha superado o que sentia por ela.

Completamente.

E isso, sinceramente, era algo que o assustava um pouco.

Não porque ele queria ficar amando-a para sempre, mas porque ele sabia que seus sentimentos por Isabella só estavam se tornando mais intensos. E ele não sabia se isso era algo bom. Ele não queria sofrer de novo. Não queria perdê-la.

Ele sabia que dessa vez, se isso acontecesse, seria algo bem pior.

Ele suspirou pesadamente, balançando a cabeça rapidamente, tentando afastar aqueles pensamentos, sabendo que não adiantaria de nada ficar pensando daquela maneira.

Alguns minutos depois, Isabella surgiu, vestida casualmente, e eles saíram da casa da morena. Eles conversaram durante o caminho, sobre nada em especial, e logo Edward estava parado em frente ao consultório do Dr. Hale.

– Quando a consulta acabar, me avise, ok? — ele pediu. — E eu venho te buscar.

Ela assentiu. Ela sabia, no fundo, o motivo de ele estar se comportando daquela maneira, mas não iria reclamar nem dizer nada; ela gostava, afinal. Era bom ter alguém cuidando dela daquele jeito para variar.

– Tudo bem — respondeu. — Obrigada por ter me trazido.

Ela parecia meio incerta, a mão já pronta para abrir a porta. No último instante, então, aproximou-se e depositou um beijo na bochecha do detetive, fazendo-o sorrir.

– Até daqui a pouco — disse, por fim, saindo e deixando-o sozinho.

Edward esperou que ela entrasse antes de arrancar com o carro e seguir até a casa dele, sabendo que estava uns dez minutos atrasados e que, provavelmente, Ben já o esperava.

Como já esperava, Ben se encontrava parado encostado em seu carro, e sorriu rapidamente para Edward quando o viu parado ali. Ele parecia ainda mais nervoso, se é que isso era possível, o que fez o detetive ficar ainda mais confuso.

O que poderia ter acontecido para Ben estar agindo daquela forma?

– Ei, Edward — ele cumprimentou o amigo.

– Olá, Ben — ele sorriu. — Está tudo bem? Você parece meio nervoso…

Ele assentiu, mas não parecia muito convincente.

– Só… vamos acabar logo com isso, ok?

Sentindo-se a cada minuto mais confuso, o detetive assentiu, e seguiu para a sua casa, puxando a chave do bolso. Ele abriu a porta e esperou que Ben entrasse, antes de entrar e fechar a porta atrás de si.

– Então… o que queria conversar comigo? — ele indagou, sentando-se na poltrona e apontando para o sofá, esperando que Ben fizesse o mesmo. Pensou em oferecer algo ao amigo, mas estava tão curioso para saber o que ele tinha a dizer, que acabou esquecendo as boas maneiras.

– Eu… eu não sei nem por onde começar — ele murmurou. — Eu sei que depois de hoje, as chances de você, algum dia, voltar a conversar comigo serão mínimas e que provavelmente vai me odiar para sempre, sem mencionar outras consequências, mas acredito que seja melhor se você descobrir por mim.

Edward franziu a testa.

– Descobrir o quê, Ben? — ele perguntou.

Ben engoliu em seco.

– Que Angela Weber, uma das mulheres que vocês resgataram dois dias atrás… — começou, sabendo que ele não podia chegar ali e contar que era o informante — Bem… Ela é minha namorada.

Edward o fitou durante um tempo, sem conseguir entender exatamente aquilo.

– Hmmm… O quê? — soltou.

Ben suspirou.

E então, antes que Edward ligasse os pontos, Ben começou a contar tudo: como Angela tinha ido visitar os pais e que ele demorara a perceber que ela tinha sumido, como Royce havia entrado em contato com ele, falado do sequestro e provado que Angela estava viva. E como havia ameaçado não só a Angela, como a mãe de Ben, de que ela seria a próxima a ser pega, se ele não fizesse tudo o que fosse pedido. Ele explicou como Royce parecia estar desesperado, porque aparentemente quem estava acostumado a lhe dar informações não podia mais e ele precisava de alguém novo.

Quando ele terminou de falar, ele ficou encarando Edward, esperando que ele dissesse algo.

Mas Edward não disse nada.

Em um momento, o detetive estava simplesmente olhando para Ben, sem conseguir acreditar em tudo o que ele havia dito, e no outro seu punho estava entrando em contato com o rosto do amigo, quase jogando-o no chão.

– Ai, Edward, porra! — ele gritou. segurando o nariz, que agora sangrava. — O que é isso? Você ficou maluco?

Mas Edward não conseguiu, naquele momento, responder. Ele simplesmente começou a andar de um lado para o outro, sem saber até o que pensar.

– Vai embora, por favor — ele pediu, levando as mãos até o cabelo e bagunçando-os ainda mais. — Por favor, eu… eu…

Ele simplesmente balançou a cabeça e andou até a porta, abrindo-a. Ben andou até a ele, a mão segurando o nariz, aparentemente quebrado, e abriu a boca para falar algo. Mas ao ver o rosto de Edward, um cara que o conhecia há anos e que fora seu parceiro desde sempre — desde antes de os dois se tornarem detetives -, contorcido em fúria, ele resolveu ir sem dizer mais nada. Sabia que ele precisava de um tempo, sabia que era muito para assimilar.

Então, sem nada a mais para dizer, ele simplesmente saiu e foi embora, deixando o ruivo sozinho, perdido em seus próprios pensamentos.

_

O Dr. Hale já esperava por Isabella quando ela entrou no consultório, sem nem mesmo passar pela secretária. Ele sorriu quando viu Isabella e fez sinal para que ela entrasse.

– Boa tarde, Isabella — ele começou, assim que os dois estavam devidamente acomodados. — Confesso que, devido aos últimos acontecimentos, não achava que você viria hoje.

A morena contorceu as mãos no colo, sentindo-se um pouco nervosa.

– Eu sei — ela murmurou. — Por um momento, eu realmente pensei em não vir, mas… eu acredito que, agora, vou precisar mais do que nunca comparecer às sessões…

Jasper ergueu as sobrancelhas.

– E você se incomoda em me dizer o motivo? — ele indagou.

Ela soltou uma risada nervosa, mas não respondeu de imediato.

– Eu estava conversando sobre isso com o detetive Cullen hoje. — Era estranho como conseguia chamá-lo de detetive, mesmo depois dos beijos que trocaram e de tudo o que acontecera. Mas não queria que as pessoas soubessem dos dois. Não ainda, pelo menos. — Agora que ele foi preso… agora que vai ter um julgamento e que eu sei que serei chamada para ser testemunha…

Ela parou por um minuto, parecendo querer organizar seus pensamentos.

– Eu sei que as coisas vão piorar, de alguma forma — ela engoliu em seco. — Eu tentei esconder o meu passado por tanto tempo, 10 anos! Fingi que nada tinha acontecido, não falava sobre isso porque… não só queria convencer aos outros que nada tinha acontecido, mas, no fundo, eu sei que queria, na verdade, convencer a mim que nada tinha acontecido, sabe? Que talvez tudo não passasse de um pesadelo… Talvez se eu vivesse normalmente, se eu me recusasse a falar sobre isso… talvez, um dia, eu me convencesse de que tudo não passara de imaginação.

Ela nunca falara muito disso. Vivera tanto tempo negando seu passado, não querendo nunca falar nele. E então o detetive Cullen chegara e tudo mudara tão rapidamente…

– E agora todos vão esperar que eu fale de algo que neguei por tanto tempo — suspirou, ainda fitando as mãos no seu colo. — Como, Dr. Hale? Como vou conseguir fazer isso?

O psiquiatra a fitou durante um tempo, logo após terminar de anotar tudo, como sempre fazia. Ele cruzou as pernas e ficou calado durante um tempo, e por fim deu-lhe um sorriso gentil.

– Dá mesma forma que está fazendo agora — ele comentou. — Acho que nunca a vi falando tão abertamente sobre isso, Isabella. Mas o fato de que, agora, você admite que escondeu isso, que negou, mas admite que existiu… você já deu um grande passo.

Ele continuou conversando com ela sobre isso, e Isabella conseguiu conversar na sessão mais do que já havia conversado. Quando a sessão acabou, uma hora mais tarde, ela se sentia mais leve, embora soubesse que não seria fácil.

Ela enterrara a verdade por 10 anos. Desenterrar não seria algo fácil.

Ela mandou uma mensagem para Edward assim que saiu do consultório, enquanto marcava sua próxima consulta. Quando ela desceu, não precisou esperar muito. Cerca de cinco minutos depois, ele estava ali.

Mas ele parecia… diferente.

Parecia estar bravo.

– Está tudo bem? — ela indagou, incerta. Será que ela havia feito algo de errado? — Aconteceu algo?

O detetive respirou fundo, antes de fitá-la e empurrar um sorriso para fora do rosto. Isso não convenceu Isabella, porém.

– Eu descobri quem é o informante, Bella — ele disse, tentando manter sua voz o mais suave possível; não era culpa de Bella, afinal. Ele apertou o volante com força, até seus dedos ficarem brancos, tentando se controlar.

A morena engoliu em seco.

– Quem? — ela indagou.

Edward balançou a cabeça. Ele tornou a respirar fundo, tentando, novamente, se acalmar. Ele ainda não conseguia acreditar que Ben tinha feito isso. Que Ben tinha ajudado Royce a escapar e que por isso… ele quase perdera Isabella.

Ele não podia simplesmente esquecer.

– Ben — ele soltou. — Meu parceiro na delegacia…

E rapidamente, ele explicou tudo para Isabella, tentando não sentir mais raiva ainda.

Quando ele terminou, esperou que ela explodisse, exatamente como ele havia feito, menos de uma hora atrás, quando dera um soco em Ben. Mas, como sempre fazia, Isabella o surpreendeu.

– Hmmm… Mas ele não fez porque quis… — ela começou. Parecia calma até demais. — Sei que foi errado e que talvez ele pudesse ter tentado contar para alguém… para você, pelo menos, ou para o chefe de vocês, mas… pense… e se fosse com você? E se alguém tivesse, não sei, sequestrado a sua irmã?

Edward engoliu em seco ao pensar nisso, sabendo que ele agiria da mesma forma. Se Royce tivesse sequestrado Esme, Rosalie… ou Bella… ele sabia que não colocaria a vida de nenhuma delas em risco contando para ninguém.

Ele faria tudo o que a pessoa pedisse.

– Mas eu quase te perdi — ele sussurrou, evitando olhá-la. — Eu… eu só…

Mas o detetive não pôde concluir seu pensamento. Naquele momento, ele estava entrando na rua dos pais de Isabella, mas não conseguiu prosseguir muito.

Ali, na frente da casa dos pais dela, havia dezenas de repórteres e fotógrafos, todos chamando por Isabella.

Não querendo se aproximar muito e chamar a atenção para o seu carro, Edward estacionou um pouco atrás e ficou parado, observando.

A cor sumiu do rosto de Isabella.

E ela sabia… começara.

Eles não a deixariam em paz mais.

E se eles começassem a persegui-la para todos os lados? E se começassem a falar que ela deveria ter contato tudo antes, que assim muitas mortes seriam evitadas? E se começassem a falar uma das coisas que ela mais temia: que era tudo culpa dela?

Ela não estava pronta. Ela não podia lidar com aquilo.

A morena sentiu as lágrimas tomando conta de seus olhos e rapidamente virou o rosto, não querendo que o detetive a visse daquele jeito naquele momento.

Era tudo culpa dela, afinal.

– Me tira daqui — ela pediu, a voz denunciando o choro. — Por favor.

Edward abriu a boca para dizer algo, mas ele não sabia muito bem o que dizer. Então, ele simplesmente deu partida no carro e deu um jeito de contornar a rua, assim não precisaria passar por todas aquelas pessoas.

– Nós vamos dar um jeito, Bella — ele disse, algum tempo depois, querendo que ela parasse de chorar. — Não vai ser assim para sempre. Logo tudo vai acabar, você vai ver.

Isabella nada disse, apenas continuou a olhar pela janela. Naquele momento, pensamentos de manchetes culpando-a tomavam conta da mente da morena, e ela simplesmente não sabia o que faria se isso, de fato, acontecesse.

Porque, afinal, era realmente, culpa dela.



Notas finais
N/A: Hey, meninas! E então, o que acharam do capítulo? Não sei se esperavam mais do relacionamento, de fato, da Bella e do Edward, mas se esperaram: peço que tenham paciência, afinal, a Bella ficou sequestrada durante quase 1 ano, muitas coisas aconteceram, então ela não pode simplesmente pular de uma vez no relacionamento. Confiem em mim, ok? E além disso, ela tem muita culpa para lidar ainda e muitas outras coisas. O Edward também tem, é claro. Então, aos pouquinhos nós vamos ver o relacionamento dos dois evoluindo, ok? Quanto ao Ben... bem, até eu fico na dúvida haha. O que vocês acham? E quanto a esses jornalistas, será que deixarão a Bella em paz? Quanto a demora... em julho eu estava muito animada para escrever, querendo aproveitar as férias e tal, e tinha total plano de postar o capítulo para vocês ainda naquele mês (inclusive já tinha começado a escrever), mas a vida teve outros planos para mim e infelizmente perdi uma pessoa muito próxima no final de julho e fiquei um tempo bem longo sem conseguir escrever (acreditem, eu tentei). Sinceramente, não pensei se voltaria a escrever um dia, porque abria o docs, digitava duas palavras, apagava e fechava novamente. Mas esses dias estava betando um capítulo de uma fanfic e a vontade voltou com força, tanto que escrevi esse capítulo em uma noite! O capítulo da Unwritten também está pronto e assim que a beta me enviar, vou postar, ok? Espero que tenham gostado do capítulo! Até o próximo! xx N/B: Quem estava ansioso por este capítulo toca aqui o/ . Eu suspeitava do Ben, mas é difícil de julgá-lo; Já de olho no próximo. Bjs, Lu.