Daylight
14 Capítulo Treze
Notas iniciais
Espero que gostem (;
Conforme os dias foram se transformando em semanas e as semanas em meses, tudo foi ficando diferente e, embora Isabella não quisesse admitir, um pouco mais assustador. Ela continuou indo trabalhar, continuou tentando fugir de Edward e do FBI, mas…
Ela não conseguia.
A cada dia que passava, ela sentia mais necessidade de estar com ele. Toda vez que ela fechava os olhos, ela se lembrava de como tinha sido bom sentir os braços dele ao seu redor, de como ela tinha se sentido aquecida e protegida ali.
Entretanto, por mais que ela quisesse isso novamente, por mais que ela quisesse continuar a se abrir com ele — porque ele, de alguma forma, fazia com que ela se sentisse melhor quando falava -, ela não conseguia se esquecer das palavras dele.
Do homem que, mesmo depois de dez anos, ainda fazia parte dos seus piores pesadelos.
Isabella se lembrava da visita dele, da forma como tinha a olhado e sorrido, como se soubesse como ele a afetava depois de todo aquele tempo. Lembrava-se de suas exatas palavras e sabia que ele estava falando sério. Se ela continuasse a cooperar com a polícia, coisas ruins iriam acontecer.
Depois que o FBI chegou à cidade, inexplicavelmente, as mortes pararam. Não havia mais notícias sobre corpos, sem mais notícias sobre sequestros. Eles ficaram durante algum tempo, fizeram a sua investigação e tentaram ajudar o máximo que puderam. Falaram com Isabella mais algumas vezes, pedindo que ela contasse o que tinha acontecido a ela no passado, mas a morena permaneceu firme, até que eles desistiram e, após alguns dias, foram embora, pedindo que os mantivesse informados sobre o caso. Se as mortes voltassem ao mesmo nível de antes, eles voltariam, mas Isabella sabia que isso não iria acontecer.
Ele tinha sido descuidado, tinha deslizado um pouco, como tinha acontecido uma vez antigamente, na época que ela tinha sido sequestrada. Mas, agora, ele já devia estar tentando se controlar novamente.
Um controle que — Bella suspeitava — ele nunca tinha adquirido por completo desde que ela tinha conseguido fugir.
Durante todas as visitas do FBI, Edward estava lá, mas ele nunca falava nada. Ele nunca tinha tentado abraçá-la novamente, nunca tinha comentado nada sobre o assunto.
E isso doía um pouco em Bella, mesmo que, naquele momento, ela não estivesse entendendo o porquê.
Suspirando pesadamente, a morena soltou um suspiro e fechou os olhos, soltando a caneta que segurava. Ela estava tentando estudar um pouco, mas não estava conseguindo. Estava de folga há alguns dias e só voltava para o hospital na semana seguinte, já que sua chefe praticamente a obrigara a ficar em casa depois de descobrir como ela vinha trabalhando sem parar.
Só que mais tempo livre significava pensar no detetive Cullen.
E ela estava cheia disso.
Mordendo o lábio inferior e desistindo de ler, ela se colocou de pé e decidiu dar uma arrumada em sua casa. Ela tinha condições financeiras o suficiente para contratar alguém para fazer aquele trabalho que ela odiava, mas Isabella não conseguia confiar em uma empregada. Uma empregada que poderia ser a porta de entrada dele para a casa dela.
Assim, ela preferia fazer esse pequeno serviço, mesmo que não tivesse muito tempo para aquilo.
Ela procurou, no entanto, fazer tudo de uma vez, desde a lavar as roupas, até o banheiro e limpar o quintal, na esperança de que isso a ajudasse a manter a mente ocupada.
Infelizmente, porém, assim que ela pegou a blusa que usava quando Edward a abraçou, semanas atrás, na casa dos pais, ela se lembrou de como tinha sido aquele momento e do que tinha acontecido depois. Eles ficaram abraçados durante algum tempo, até que ouviram as vozes de Charlie e Renée se aproximando, o que fez com que se afastassem. Rapidamente, Bella limpou as lágrimas e virou o rosto, os braços cruzados firmemente sobre o peito. Querendo saber o porquê de ela estar chorando, Edward chegou a abrir a boca para indagá-la, mas não teve tempo.
Os pais da morena entraram na sala antes que ele tivesse a chance.
- Acho melhor eu ir — ele dissera, por fim, seus olhos ainda em Isabella. — Qualquer coisa, é só vocês me ligarem, ok?
E desde então, eles não tinham mais tocado no assunto do abraço.
O detetive tinha, sim, tentado perguntar a Isabella o motivo de ela ter chorado daquela maneira, mas a médica nunca dava a chance.
E, agora, eles estavam se aproximando do evento anual para arrecadar dinheiro para crianças carentes. Médicos, advogados, engenheiros, empresários… a maioria deles estaria lá, prontos para ajudarem as crianças.
E como era um evento que o pai de Bella fazia todo o ano, ela teria que ir.
Entretanto, mais do que nunca, naquele ano ela não queria. Ela só queria ficar em casa. Mas era pelo seu pai e era importante para ele, então… ela teria que ir.
Respirando fundo, a morena rapidamente terminou de limpar a sua casa, antes de partir para o seu quintal. Quando tudo estava pronto e ela estava de banho tomado e tinha acabado de almoçar, dirigiu-se para a frente da casa, para pegar as correspondências.
No meio de uma delas, havia um envelope branco, sem nada escrito. Franzindo o cenho, ela fechou a porta e caminhou para dentro de casa. Deixando as outras cartas de lado, ela pegou o envelope e o abriu.
Um grito estrangulado escapou dos lábios da morena quando ela viu as fotos que caíram por sua mesa.
Eram fotos dela, da época que ela estava com ele. Fotos dela no porão, encolhida no canto, fotos dela cozinhando para ele, fotos dela dormindo…
E um pequeno recado na última foto.
Esteja avisada.
_
Seus olhos observavam as fotos com cuidado, um pequeno sorriso tomando conta dos seus lábios. Ele ergueu a mão direita e passou o dedo indicador pela última foto, um suspiro escapando da sua boca. Ele ainda não conseguia acreditar que tanto tempo havia se passado, não conseguia acreditar que fazia mais de dez anos que ele a tinha tido sob aquele mesmo teto.
O que teria acontecido se ela não tivesse o enganado e tivesse ficado ali até completar 16 anos? Ela estaria ali até hoje?
Ele fechou o primeiro álbum e pegou o segundo, que não tinha sido completado, já que ela fugira antes do tempo. Ela sempre estava tão quieta, quase nunca conversava com ele — a não ser que ele fizesse alguma pergunta. E embora ele tivesse tido que aplicar alguns castigos nela, porque, afinal, ninguém era perfeito, ela estava aprendendo, ela estava sendo melhor do que ele sequer tinha imaginado.
Um barulho vindo do porão tirou-o de seus devaneios, fazendo-o grunhir. Logo em seguida, a garota começou a socar a porta com força e a gritar por socorro. Ele fechou as mãos em punho, a raiva começando a tomar conta dele. Ela estava ali a quase duas semanas e, todos os dias, tentava escapar ou pedir por ajuda.
Não que alguém fosse escutar. Ele morava a quilômetros de distância da cidade e não havia vizinhos por perto. Mesmo assim, ele odiava quando pegava as garotas que eram tolas o suficiente para tentar desobedecê-lo.
Dando um último olhar ao álbum de Isabella, ele se colocou de pé, decidido a acabar com a festa daquela garota. Ele estava começando a perder a paciência com ela e estava prestar a dar o fim a tudo aquilo, mas sabia que não podia ser agora.
O FBI tinha ido embora, pelo que ele tinha ficado sabendo, mas ele não queria arriscar. Tinha sido muito descuidado, tinha cometido erros — e muitos. Erros que eram dignos de iniciantes, não de alguém que estava nessa há mais de 20 anos.
Erros que ele não estava disposto a cometer mais.
Por isso, ao invés de se livrar daquela e já partir em busca de outra, ele tentaria ensiná-la algumas coisas antes.
E esse também era o motivo de ele ter enviado aquele envelope para Isabella, com fotos dela, e aquele pequeno recado. Para lembrá-la que, embora longe, ele ainda estava perto o suficiente para controlá-la. Se ela falasse algo que o prejudicasse, ele saberia.
Ele seria o primeiro a saber.
Assoviando, desceu as escadas, fazendo barulho, querendo que a garota o escutasse e ficasse com medo. Entretanto, ao invés disso, os gritos dela só ficaram mais altos, assim como os socos que ela estava dando na porta.
Revirando os olhos, ele puxou as chaves do bolso e destrancou a porta, empurrando-a com um pouco de força. Ele sorriu quando viu a morena perder o equilíbrio e cair no chão, antes de olhá-lo, parecendo assustada.
- Ora, ora — começou. — O que disse ontem, sobre fazer barulho?
A menina colocou-se de pé imediatamente, seus olhos arregalados.
- Eu quero ir embora! — ela gritou. — Por favor, me deixa ir embora!
Ele soltou outro suspiro e saiu do lugar com um pouco de pressa, trancando a porta rapidamente, antes de correr até o andar de cima, somente para pegar o que era necessário para acalmá-la.
Depois de aplicar um remédio nela, ele a colocou de volta na cama e a cobriu. Olhou-a durante alguns minutos, sabendo que ela provavelmente seria outro fracasso. Em breve, caso aquilo não desse certo, ele teria de se livrar dela e começar a procurar outra.
Torcendo para que ele não tivesse que fazer aquilo, ele se levantou e ficou observando a garota durante mais alguns minutos. Ela não era muito velha, mal tinha completado seus 19 anos. Ainda era nova, ainda tinha muito o que aprender.
E ele tinha muito o que ensinar.
- Por favor — ele pegou-se murmurando. — Seja boa, aprenda… Seja como ela…
A única, até então, que tinha sido perfeita para ele e tinha escapado com vida.
A que tinha arruinado todas as outras para ele.
_
Edward soltou um suspiro pesado e apoiou a cabeça nas mãos, desejando que aquele pesadelo passasse logo. O FBI tinha partido há alguns dias, mas nem parecia. Eles continuavam ligando, continuavam a se meter na investigação, querendo sempre estar atualizados de tudo o que estava acontecendo.
O problema era que não havia nada de novo. Nada. Nenhuma garota tinha sido dada como desaparecida, nenhum corpo tinha sido encontrado.
Absolutamente nada.
Aparentemente, eles tinham voltado à estaca zero.
Desistindo de ficar na delegacia durante a noite, como havia feito nos últimos dias, ele se colocou de pé, disposto a ir para casa e descansar um pouco. Pegou o celular, já a caminho do carro, e ligou para os pais. Rosalie estava tendo consultas com o Dr. Hale duas vezes por semana, e Edward sempre ligava, querendo saber como elas tinham sido, se ela se sentia melhor…
Rose estava melhorando. Não saía de casa sozinha ainda e tinha pesadelos algumas vezes, mas se comparado com antes… ela estava bem melhor.
- Oi, querido. — Ele escutou a voz de Esme. — Está tudo bem?
Edward sorriu, enquanto abria a porta do carro e jogava a sua mochila ali, antes de dar a volta e entrar.
- Tudo certo, mãe — respondeu. — Eu só liguei para saber como foi a consulta de Rosalie hoje… Ela está gostando, não está?
Ele não podia ver a mãe, obviamente, mas quase podia ver o sorriso dela. Agora com a irmã se sentindo melhor, o clima na casa dos Cullen era outro.
- Ela está adorando. — Esme riu. — Ainda tem medo de algumas coisas e não sai muito de casa, mas comigo, ou com o seu pai, ela concorda. Depois da consulta hoje, nós passeamos um pouco, tomamos sorvete. Ela não comenta muito sobre a consulta e nem fala muito sobre o que aconteceu naquela noite, mas ela estava bem melhor.
Ele sorriu novamente.
- Certo — disse. — Eu fico feliz em ouvir isso. Vou tentar passar aí durante essa semana, antes daquele evento que vamos no sábado… Levá-la para almoçar naquele restaurante que ela adora.
Eles conversaram durante mais alguns minutos, antes de Edward se despedir e desligar. Ele dirigiu até a sua casa, embora quase tivesse desviado para a casa de Isabella. Desde aquele abraço na casa dos pais dela, desde aquele dia que ele a viu chorando…
Ele não conseguia entender a necessidade de vê-la.
E nem a vontade que sentia de abraçá-la novamente.
Quando ele tinha ido procurá-la pela primeira vez, tudo o que ele queria era ajudar a irmã, a pegar o cara que tinha tentado fazer mal a ela. Agora, porém, ele não podia dizer que procurava a médica apenas por isso…
Embora ele mesmo não entendesse exatamente o porquê.
Suspirando pesadamente, Edward balançou a cabeça, sabendo que não podia se permitir pensar dessa maneira. Ele só estava ali para conseguir informações e levar o cara da van à cadeia.
Entretanto, por mais que tentasse, Edward não conseguia parar de pensar em como tinha se sentido quando a tinha visto chorar daquela maneira. Ela sempre parecia tão controlada, desde a primeira vez que a viu, mas vê-la chorando daquela maneira…
Ele tinha tentado indagá-la, querendo saber o que a levara a chorar daquela maneira. Ele tinha certeza de que era algo a ver com o homem da van. Porém, mesmo com ele insistindo, Isabella nunca falava nada.
E, agora, ela parecia mais fechada do que nunca.
Ela tinha parado de falar sobre as pequenas coisas. Coisas que o ajudaram a avançar um pouco com a investigação — mesmo que não fosse muito. Ela tinha feito com que os policias percebem coisas que eles nunca tinham reparado. Ela tinha ajudado tanto!
E Edward sabia que ela podia fazer muito mais. Sabia que ela podia dar o nome, falar onde ela tinha ficado, mostrar como tinha conseguido fugir. Ele estava ciente disso.
Mas Isabella tinha só… desistido.
Ela não o ignorava mais, como costumava fazer no começo. Se antes ela insistia que não tinha nada a ver com aquilo, que ele estava cometendo um engano, agora ela simplesmente ficava calada ou mudava de assunto. E por mais que Edward insistisse, por mais que ele tentasse tirar algo dela, toda vez que ele tocava no assunto, ele podia ver o medo nos olhos dela.
E ele não tinha ideia do porquê.
Ele tentou se distrair quando chegou em casa, mas não obteve muito sucesso. E nem nos próximos dias. A delegacia estava com casos acumulados e Edward teve que ajudar, já que não havia novidade alguma no caso do homem da van. Entre eles e o tempo que passou com a família, ele só teve tempo para si no sábado.
E, mesmo assim, ele também não conseguiu ir até a casa dela, como tinha previsto. Seu pai participaria pela primeira vez de um evento anual feito por um grupo de advogados da cidade. E ele tinha pedido que os filhos fossem.
E seria, também, a primeira vez que Rosalie Cullen seria vista em público desde a sua tentativa de sequestro.
Edward queria, portanto, estar lá. Tanto para o seu pai quanto para a sua irmã. Ele tinha prometido a si mesmo que falaria com Isabella no domingo.
Ele sabia que ela só voltava a trabalhar na segunda de manhã.
Por isso, depois de passar a manhã e a tarde resolvendo casos na delegacia e ajudando a agilizar tudo, Edward foi para casa e rapidamente se arrumou, seguindo as instruções que Esme tinha deixado para ele. Pouco depois, ele estava pronto, e não querendo atrasar muito, seguiu para a casa dos pais, onde todos já o esperavam.
Ele guiou a irmã até o seu carro, antes de dar a volta e entrar. Esperou o pai dar partida no carro dele e o seguiu.
- Vai ter muita gente lá? — Rosalie indagou, de repente, quebrando o silêncio do carro.
Edward olhou para a irmã e a viu apertar o banco do carro com um pouco de força. Sabendo que ela só estava nervosa diante da possibilidade de estar frente às câmeras depois de tanto tempo, ele sorriu, querendo acalmá-la.
- Vai sim, mas você não tem que se preocupar com isso — respondeu. — Sempre vai ter um de nós com você, ok? E dentro do salão, a entrada de fotógrafos não é permitida.
Ela assentiu, e Edward viu que ela começou a relaxar.
- Você conversou com o Dr. Hale sobre isso? — ele indagou. — Porque eu tenho certeza que, caso você ficasse em casa, nossos pais iriam entender.
Ela sorriu, finalmente colocando as mãos no colo.
- Não, tudo bem — murmurou. — Eu só não queria alguém me seguindo a noite toda e tirando fotos e querendo entrevistas. Mas já que não vai ter isso, acho que vai dar tudo certo. E, sim, eu conversei com o Dr. Hale. Conversar com ele tem sido bom para mim.
Ele sorriu.
- Eu fico feliz por você, tampinha — murmurou. — Muito feliz.
A primeira coisa que Edward notou, quando eles chegaram, foi na quantidade de carros e pessoas que estavam em frente ao Four Seasons. Ele parou atrás do carro do pai e saiu, dando a volta para abrir a porta para a irmã. Imediatamente, diversos fotógrafos vieram em direção a ele, mas, com um pouco de cuidado e com Edward e Carlisle cercando Rosalie e Esme, e com a ajuda de alguns seguranças, eles conseguiram entrar no local sem problemas.
Eles circularam durante alguns minutos, Carlisle os apresentando a algumas pessoas que ele conhecia do hospital e Edward da delegacia. Aos poucos, Rosalie foi relaxando e passou a andar e cumprimentar as pessoas mais facilmente. E ela não parecia se importar muito quando ficava um pouco sozinha.
Aquela noite, pelo visto, seria melhor do que o detetive Cullen esperava.
Cerca de uma hora depois que eles haviam chegado, os olhos de Edward bateram em Charlie Swan, e um pequeno sorriso nasceu em seus lábios. Se Charlie estava ali… isso significa que Isabella também estaria?
- Pai? — Ele chamou. — Por que vocês não vêm comigo? Eu quero que conheçam alguém…
Os quatro seguiram até onde Charlie estava, rodeado de um grupo de homens. Edward olhou ao redor, à procura de Isabella, mas ele só conseguiu encontrar Renée Swan.
- Detetive Cullen! — Charlie exclamou de forma feliz, pedindo licença ao grupo e caminhando até a família Cullen. — Eu não imaginava encontrá-lo aqui hoje, é uma grande surpresa…
Edward sorriu, enquanto estendia a mão para Charlie e a apertava gentilmente.
- Eu vim por causa do meu pai, Charlie — disse. — E, por favor, me chame de Edward. Não estou a trabalho hoje.
Eles riram.
- Então, esses sãos meus pais, Carlisle e Esme. — Ele apontou para o casal abraçado ao seu lado, antes de puxar Rose para perto de si. — E esta é a minha irmã, Rosalie. Mãe, pai, Rose, esse é Charlie Swan.
Os três se apresentaram e cumprimentaram rapidamente, antes de começarem a conversar. Assim que Charlie soube que Carlisle era um médico, ele sorriu.
- A minha filha também é — ele disse, sua voz cheia de orgulho. — Ela deve estar aqui a qualquer momento… Ah, ali está ela! Bella? Venha aqui por favor.
Com o coração acelerando de repente, Edward se virou, um suspiro escapando de seus lábios quando ele viu Bella ali, ao lado do seu amigo, Emmett, andando em direção a eles. Sem conseguir se conter, Edward examinou-a dos pés à cabeça, um suspiro escapando de seus lábios quando ele viu quão bela ela estava.
Não. Bela não era bom o suficiente para descrevê-la.
Ela estava… estonteante.
Seu vestido era de um tom nude, apertado até a sua cintura e abrindo-se ligeiramente até o pés. Seus cabelos estavam mais ondulados do que de costume, penteados para o lado, e ela estava maquiada, algo que Edward nunca tinha visto antes.
Perfeita.
- Bella querida. — Charlie puxou-a para os seus braços assim que ela se aproximou, tirando Edward de seus devaneios. — O detetive Cullen você já conhece, certo? Mas eu queria lhe apresentar os pais e irmã dele, Carlisle, Esme e Rosalie.
Sorrindo, Isabella cumprimentou os pais do detetive e a irmã, Rosalie, antes de se virar e acenar com a cabeça. Ele a observou, enquanto Charlie apresentava Emmett e, depois, chamava a esposa.
De alguma forma, ele sabia que aquele sorriso não era totalmente verdadeiro. E tinha notado como ela tinha observado a sua irmã.
Depois de conversar durante alguns minutos com os pais dele, Isabella deu um jeito de escapar e ficou durante parte da noite com Emmett e os pais. Ela conversava com algumas pessoas algumas vezes, mas ficou praticamente calada, séria, o sorriso de outrora tinha sumido.
E Edward, embora tivesse tentado, não conseguia parar de observá-la. E foi exatamente por isso que ele viu uma pessoa fitando e seguindo Isabella para todos os cantos da festa.
Curioso demais, ele andou até a mulher, baixa e morena, mesmo que não soubesse o que fosse dizer. Por fim, ele decidiu se apresentar. Não custava nada, afinal.
- Boa noite — ele disse. — Sou Edward Cullen, detetive. A senhorita se importa se trocarmos algumas palavras?
A morena o olhou durante um momento, piscando várias vezes, seu rosto de repente um pouco pálido. Ela engoliu em seco e assentiu.
- Alice Brandon — murmurou de volta, aceitando o cumprimento dele. — Há algum problema, detetive?
Ele sorriu.
- Você conhece a Isabella? — ele perguntou, apontando para a médica discretamente. — Não pude deixar de observar que você a seguiu durante a noite…
A baixinha sorriu.
- Nós estudamos juntas — respondeu. — Até ela ser sequestrada… Na verdade, ela voltou à escola durante um tempo, depois que foi achada, mas não ficou muito tempo…
Edward arregalou os olhos. Ele não sabia disso.
- Sério? — perguntou. — Eu estou investigando esse sequestro na verdade… Se você tiver alguma informação...
Alice sorriu um pouco.
- É, os pais dela não comentaram isso com ninguém, eu acho — encolheu os ombros. — Eu acho que tenho, mas não sei se elas irão ajudá-lo…
Edward assentiu e se virou, seus olhos batendo em Bella. Ela conversava com Emmett e o pai, e parecia desconfortável.
- Você acha que poderíamos conversar um dia desses? — Ele se viu perguntando, seus olhos ainda em Isabella. — Eu realmente acho que poderia ajudar, você sabe, se eu soubesse de mais coisas.
Alice olhou para Bella, a menina que costumava ser a sua melhor amiga no colegial, e suspirou. Ela nunca tinha falado com ninguém sobre aquilo, mas seus instintos estavam dizendo para ela confiar no detetive Cullen.
E eles não costumavam errar.
- Claro — ela sorriu. — Eu posso te passar o meu número? Assim que você tiver um tempo, você me liga e eu te conto tudo o que sei.
Animado pela primeira vez em dias, Edward rapidamente pegou o número de Alice, antes de se afastar. Procurou ficar o máximo que pôde na festa depois disso, mas, ansioso demais, acabou deixando o local mais cedo do que esperava, dando aos pais a desculpa de que tinha que trabalhar cedo. Despediu-se de algumas pessoas e saiu do hotel, caminhando a passos largos até o manobrista.
Ele custou a dormir quando chegou em casa, louco para que o dia amanhecesse. Era domingo, ele teria apenas que ficar na delegacia durante algumas horas, o que significava que ele estaria livre logo após do almoço.
E assim que ele saiu de lá, ele ligou para Alice, pedindo para encontrá-la.
Ela lhe passou o endereço do seu apartamento, dizendo que estaria livre nas próximas três horas, para ele não ter tanta pressa assim. Edward, ansioso demais para descobrir o que ela sabia, correu até o apartamento.
Alice Brandon abriu a porta depois de ele tocar o interfone três vezes e o recebeu com um sorriso no rosto. Ela lhe indicou o sofá e se sentou na poltrona, depois de perguntar se ele aceitava algo para beber.
- Não, tudo bem. — O detetive sorriu. — Eu só queria que você me contasse o que sabe, por favor. Estou ansioso para avançar nesse caso.
Ela assentiu.
- Bem, como eu disse ontem — começou -, os pais de Bella a fizeram voltar para a escola durante um tempo. Ela não ficou muito, porém. Só cerca de três ou quatro dias.
Ele assentiu.
- Você sabe o que a fez sair? — ele indagou, se sentindo a cada minuto mais ansioso.
Alice lhe deu um sorriso triste e encolheu os ombros, seus olhos fitando as suas mãos, entrelaçadas em seu colo.
- Eu não tenho certeza se foi por isso, mas acredito que sim — ela murmurou. — Nós estávamos indo para a aula de educação física. Tínhamos tido algumas antes, mas Bella sempre dava um jeito de se trancar e trocar de roupa. Nesse dia, porém, o vestiário estava muito cheio, não tinha como ela se trancar…
- Ela teve que trocar de roupa na frente de todo mundo? — Edward indagou, interrompendo-a.
Alice suspirou.
- Nem todo mundo viu — ela disse. — Bella parecia mais pálida, desde que ela voltara, e não conversava com ninguém. Nem comigo. Só que naquela hora… eu vi o quão assustada ela estava…
A morena parou de falar por um momento e fechou os olhos, como se estivesse revivendo a cena, antes de começar a falar novamente.
- Ela pegou a roupa de ginástica de dentro da sua bolsa e deu as costas para se trocar. — A sua voz não passava de um sussurro, mas Edward conseguia ouvi-la perfeitamente. — E quando ela tirou a camisa, eu vi…
- O que você viu? — ele perguntou, a ansiedade tomando conta de si.
- Ela tinha cicatrizes nas costas — murmurou. — Horríveis. Marcas de… cinto… e outros cortes que eu não consegui identificar.
Edward assentiu. Ele já sabia que os médicos tinham notado marcas nela quando ela foi encontrada, mas não havia nada sobre marcas no relatório policia. Charlie Swan tinha um dedo nisso.
Edward podia apostar a sua carreira.
- Acho que fui só eu quem viu, mas… — Alice encolheu os ombros. — Bella me viu olhando. Ela imediatamente colocou a camiseta de volta e saiu do vestiário.
Ele tornou a assentir.
- E ela ficava agindo de maneira estranha quando jogávamos — continuou. — Toda hora que alguém a tocava, em especial naquele dia, ela se encolhia toda…
Uma imagem de uma Isabella mais nova e ainda mais frágil tomou conta da mente de Edward, fazendo com que seu coração se apertasse. Ela deveria ter passado por tanta coisa durante aqueles onze meses… E nunca tinha desabafado com ninguém.
Era demais. Uma pessoa não conseguia lidar com aquilo.
- Ela teve um pequeno surto quando uma garota caiu com ela no chão — suspirou. — Depois disso, ela nunca mais voltou à escola.
Edward ficou calado durante algum tempo, absorvendo tudo o que Alice havia lhe contado. Não era nenhuma resposta, nada que o ajudaria, de fato, a encontrar o cara da van, mas saber mais sobre Isabella, descobrir aquelas coisas…
Ele precisa, mais do que nunca, vê-la.
Precisava conversar sobre aquilo com ela.
Ele agradeceu à morena pela ajuda e lhe entregou um cartão, pedindo que entrasse em contato caso se lembrasse de mais alguma coisa. Depois, praticamente correu para o seu carro, torcendo para que Isabella estivesse em sua casa e não tivesse decidido passar o domingo com os pais.
Ele soltou um suspiro de alívio quando estacionou em frente à casa dela e viu o seu carro ali, na garagem. Saiu rapidamente do carro e caminhou até o portão, torcendo para que ela não estivesse dormindo nem nada.
Quando ele ouviu o barulho da porta se abrindo e a viu, segundos depois, aparecer em seu campo de visão, ele engoliu em seco.
Só de imaginar alguém fazendo mal a ela, só de imaginar as marcas que ela tinha nas costas…
Era demais.
- Detetive... — ela murmurou. — Aconteceu alguma coisa?
Ele empurrou um pequeno sorriso para fora do rosto.
- Não, Isabella, nada — mentiu. — Eu posso entrar?
A morena destrancou o portão e o levou para dentro da casa. Ele a observou, como sempre, trancar a porta e ativar o alarme, o que mostrava que ela ainda tinha medo do que podia acontecer a ela. Isso, as câmeras espalhadas pela propriedade, o quarto do pânico, a arma que ela tinha escondida…
Coisas que ele nunca seria capaz de esquecer.
- Eu só vou trocar de roupa, ok? — ela disse, apertando o roupão contra o corpo. — Já volto.
Edward assentiu, colocando as mãos no bolso da calça, e deu uma olhada ao redor, enquanto andava pela casa dela. Ele franziu o cenho quando parou diante de uma mesa e viu um envelope entreaberto ali. Uma pequena foto despontava, mostrando uma Isabella mais nova.
Mesmo sabendo que ele não deveria mexer em coisas que não pertenciam a ele, Edward não conseguiu conter a curiosidade. Ele lançou um rápido olhar em direção ao corredor, antes de voltar a fitar o envelope. Pegou-o e o abriu, espalhando as fotos pela mesa, seus olhos imediatamente se arregalando.
Havia dezenas delas ali. Dezenas de uma morena mais nova, com os olhos castanhos arregalados de medo… Em uma delas, um pedaço das suas costas estava à mostra, e Edward pôde ver uma marca, parecendo nova. Ele engoliu em seco, sem conseguir acreditar no que estava vendo. Ele a virou, mais por necessidade do que tudo, e parou de respirar por um momento quando leu o que estava escrito ali.
O homem da van estava ameaçando Isabella? Era por isso que, de repente, ela tinha parado de cooperar?
- Edward… — Um sussurro tirou-o de seus devaneios.
Com raiva brilhando em seus olhos, o detetive olhou para cima, sua mão livre fechada em punho.
- Precisamos conversar, Isabella — ele rosnou. — Agora.
Notas finais
Alice apareceu, contou algumas coisinhas para o Edward... e ele descobriu que a Bella está sendo ameaçada... E agora? hmmmm.. Vamos ver haha.
No próximo capítulo, vocês vão ver um pouquinho da festa através da Bella, já que o Edward saiu um pouco mais cedo. Será que Rose e Emmett vão se conhecer?
Espero que tenham gostado. E que deixem reviews (;
A gente se vê no próximo, ok?
xx
N/B: Agora a coisa complicou, ela NÃO tem como negar mais. E aí????? A pergunta que não quer calar. Ela vai se quebrar e abrir para o Edward, OU, se fechar de vez?. Comentem girls, quero a opinião de vocês. Bom fds. Lu.
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