Daylight
12 Capítulo Onze
Notas iniciais
Espero que gostem (;
Ele não se moveu.
Simplesmente ficou parado ali, o sorriso diabólico ainda nos lábios, seus olhos nunca desviando dela. Isabella congelou também, mas não porque ela queria. Na verdade, naquele momento, ela se perguntou se daria tempo de pegar as chaves de casa e correr para dentro da mesma. Somente lá dentro, conseguindo acompanhar tudo através de suas câmeras de segurança e outras coisas mais, é que ela começaria a se sentir segura.
Entretanto, ela não conseguiu. Exatamente como no passado, ele ainda conseguia fazer com que ela tremesse, dos pés à cabeça, a simples menção do nome dele. Com ele ali, mais próximo do que jamais esteve desde que ela tinha conseguido fugir, tudo só piorava.
E ela não tinha a mínima ideia do que fazer.
Ela sentia seu coração bater a cada vez mais rápido, assim como podia ouvir sua respiração ficar cada vez mais ofegante. Tentou se controlar, tentou se lembrar de todas as técnicas que tinha aprendido ao longo dos anos, enquanto tentava se convencer de que ele nunca a atingiria mais, mas... ela não conseguiu.
E isso só fazia com que ela sentisse ódio de si mesma. Aparentemente, ela não tinha superado como achava. Tudo só piorava com o passar dos dias.
Trêmula de medo, incapaz de se mover, ela esperou que ele movesse ou qualquer outra coisa, antes de pensar em agir. Manteve seus olhos nele, sentindo-se a cada minuto mais nervosa, até que finalmente, quando ele recostou na van preta e cruzou os braços sobre o peito, ela entendeu.
Ele não estava ali para fazer mal a ela, embora ela não tivesse a mínima ideia do porquê ao menos tentar. Estava ali como um aviso.
Ele sabia, de alguma forma, que ela vinha ajudando a polícia.
Um suspiro trêmulo escapou dos lábios de Isabella quando ele assentiu, quase como se estivesse lendo o rosto dela naquele momento. Ele sorriu ainda mais e finalmente se afastou da van, indo em direção à porta do motorista.
- Esteja avisada, Isabella — falou, já entrando no carro. — Eu sei onde você mora.
Ela viu a van se afastar, ouviu o som dos pneus na rua, mas, ainda assim, não conseguiu sair dali. Tudo o que fez foi se encostar no carro, seu corpo trêmulo demais para sustentar seu peso sozinho.
Respirou fundo algumas vezes, novamente tentando se recompor, enquanto repetia para si mesma que tudo ficaria bem. Ali, dentro da sua casa, ela estava segura, não importava o que ele dissesse, certo?
Mas, embora continuasse falando aquilo sem parar, Isabella não conseguiu se convencer.
Porque, mesmo ela não sabendo disso, no fundo, ela nunca tinha se sentido totalmente segura novamente.
Ela balançou a cabeça e respirou fundo algumas vezes, enfim começando a se controlar. Afastou-se do carro e entrou no mesmo, só querendo chegar ao hospital logo e se entregar ao trabalho; ela sabia que ele a ajudaria a se distrair.
Ela sabia que cedo ou tarde teria de pensar no que tinha pensado a pouco, mas não agora.
Agora, era hora de ir trabalhar.
_
Pelos próximos dois dias, a morena trabalhou como nunca. Permaneceu no hospital tanto quanto pôde, descansando e tomando banho por lá mesmo. Seu celular chamou muitas vezes, mas ela o ignorava quase sempre. Atendia a algumas ligações dos pais, mas só. A outra pessoa que ligava para ela era completamente ignorada. Ela sabia que Edward Cullen iria querer dar continuidade à conversa deles, mas só de se lembrar da pessoa que tinha aparecido na sua casa há algumas noites...
Ela tremia.
Infelizmente, ela teve de voltar para casa depois de alguns plantões. Por mais que quisesse permanecer mais tempo no hospital e trabalhar, o cansaço falou mais alto e, com os olhos quase se fechando, ela se dirigiu para casa. Quando ela se aproximou de sua rua, começou a ficar um pouco apreensiva, seus olhos disparando de um lado para o outro.
E se ele tivesse voltado? E se ele fizesse novas ameaças?
Um suspiro de alívio, porém, tomou conta de Isabella quando ela parou em frente à sua casa e não havia nenhum sinal de uma van por ali. Seu alívio durou muito pouco, entretanto, quando ela viu um carro, já conhecido, estacionado, e uma pessoa, também conhecida, encostada nele.
Edward Cullen parecia que realmente não iria desistir.
Soltando um suspiro pesado, Bella estacionou o carro e saiu do mesmo, saindo da garagem e caminhando até o portão. Ela evitou olhar para ele, pensando no que poderia dizer, em qual desculpa poderia dar, mas nada surgiu em sua mente.
- Isabella. — Ele cumprimentou, se afastando um pouco do carro. — Você sumiu.
Ela mordeu o lábio inferior e torceu as mãos uma na outra, lembrando da ameaça que tinha recebido há alguns dias. E agora? O que dizer para fazer com que o detetive Cullen recuasse, definitivamente?
- Oi, detetive — ela murmurou. — Eu estava trabalhando.
- Ah, certo, trabalhando — ele disse. — Bem, agora que já terminou de trabalhar, podemos conversar um pouco? Acho que você estava me contando algumas coisas…
Com os olhos arregalados de medo e o coração batendo cada vez mais forte, Bella olhou ao redor da sua rua, procurando por qualquer pista que ele estivesse ali. Abriu a boca para dizer ao detetive para desistir e ir embora, mas desistiu no segundo seguinte; ela sabia que ele não faria aquilo. Então, soltando outro suspiro, a morena abriu o portão da sua casa e permitiu que ele entrasse, novamente pensando no que deveria dizer para ele desistir de vez de tentar tirar algo dela e sumir da vida dela.
Para sempre.
Ela sentiu algo estranho no peito, um aperto meio doloroso, e franziu a testa. Por que ela se sentiria assim, de repente?
Balançando a cabeça, disposta a afastar aqueles pensamentos, a morena entrou em casa, já pronta para desativar o alarme. Após fazer isso, já de forma automática, ela se moveu para acender a luz da sala, e quando se virou, imediatamente levou à mão ao peito.
Sua sala estava uma completa bagunça.
As almofadas se encontravam no chão, completamente rasgadas, assim como alguns enfeites. Ela sentiu seu corpo todo tremer e, por um momento, teve a certeza de que o detetive estava falando com ela, perguntando algo, mas ela não conseguiu responder. Empurrou-o para o lado, fechou e lacrou a porta, antes de ativar o alarme novamente. E ainda tremendo, pegou-o pela mão e correu para o seu quarto, sem parar para acender as outras luzes, sem parar para ver se a pessoa que tinha, de alguma forma, conseguido entrar em sua casa, tinha feito algum estrago.
Ela acendeu só a luz do seu quarto e correu para a sua cama, ainda sem responder as perguntas de Edward. Ajoelhou-se próximo ao seu criado-mudo e o moveu rapidamente para o lado. Com um toque preciso, apesar das mãos trêmulas, ela retirou o piso falso que havia ali e pegou sua arma, assim como as munições.
Ela se levantou, por fim, e se virou para o detetive, que fitava suas mãos com os olhos arregalados, observando-a carregá-la com a maior facilidade, como se fizesse aquilo todos os dias.
- Isabella, o quê?... — ele começou. — Por que você está com uma arma?
- Eu tenho licença — respondeu automaticamente, ainda segurando sua arma com força. — É uma Glock 360 e…
Um barulho soou na casa, alto, fazendo-a parar de falar e fazendo com que ela voltasse a tremer novamente. Sem pensar no que estava fazendo, ela enfiou a arma na calça, pegou Edward pela mão novamente e o arrastou até o fundo do quarto. Novamente, teve certeza de que ele estava falando algo, mas não parou para prestar atenção. Moveu a poltrona para o lado e empurrou algumas almofadas, que enfeitavam o tapete. Ela tremia a cada vez mais, com medo de que ele tivesse ali dentro, tão perto como jamais esteve desde que ela escapara. Pensando nisso e só nisso, pressionou uma tecla escondida no canto da parede, fazendo com que uma parede se movesse, revelando um quarto que ela mandara construir, quando comprara a casa, para o caso de emergências.
E aquilo, definitivamente, era uma emergência.
Chocado com tudo, Edward só a observava empurrá-lo para dentro do quarto do pânico e fechando-os lá dentro. Imediatamente, viu como ela começava a relaxar, quase como se sentisse completamente segura ali. Atordoado, ele olhou em volta, chocado com quão confortável aquele lugar parecia. Em um momento de devaneio, perguntou-se o que o cara da van possa ter feito com Isabella para ela chegar ao ponto de mandar construir um lugar daquele e arrumar uma arma. Fechou as mãos em punhos ao pensar nisso, desejando, mais do que nunca, que ela lhe contasse quem era.
Edward estava doido para vê-lo pagar por seus crimes.
Ele a viu se sentar no chão, parecendo não conseguir mais permanecer de pé, e correu até ela, ajoelhando-se à sua frente. Tomou seu rosto entre as suas mãos e fez com que ela o fitasse. Ao ver toda a vulnerabilidade dela em seus olhos, ele sentiu seu coração apertar e uma vontade imensa de abraçá-la, assim como protegê-la, tomar conta dela.
- Shhh, Isabella, se acalme — murmurou, sentindo-a tremer. — Você não viu? E nem ouviu? Tentei te falar mais de cinco vezes que era um gato que tinha feito aquele estrago na sua sala, mas você parecia não estar ouvindo…
Um gato? Ainda se sentindo um pouco atordoada, ela balançou a cabeça algumas vezes, assim como piscou.
- Um gato? — repetiu, agora em voz alta. — Tem certeza?
Feliz por ela estar parecendo voltar a si, ele assentiu.
- Eu o vi correndo para a cozinha quando entramos… — disse. — Você não?
Bella o encarou novamente, esperando que ele dissesse que era uma brincadeira ou algo do tipo, e suspirou. Ela se encostou na parede do quarto e fechou os olhos por um momento. Ela sabia que o vizinho tinha um gato, mas… como ele poderia ter entrado ali? Ela tinha quase certeza que fechara tudo…
- Um gato — murmurou, a vergonha de repente tomando conta dela. — Apenas um gato…
Com as mãos ainda meio trêmulas, Isabella se endireitou, tentando colocar a máscara de indiferença em seu rosto novamente. Passou por Edward, evitando olhá-lo, e abriu a porta do quarto. Esperou que ele saísse para a porta falsa se fechar, quase como nunca tivesse existido.
- Eu só vou… só vou…
Incapaz de se expressar corretamente, Bella saiu do quarto e caminhou até o final do corredor. Edward a seguiu, mas a morena ainda estava tão atordoada que não percebeu. Ele a viu abrir uma porta e entrar, e, sem pensar, entrou também. Seus olhos se arregalaram assim que ele viu a quantidade de monitores ali. Viu-a se sentar diante de um deles e digitar alguma coisa em um teclado. Logo em seguida, imagens da casa, mais cedo, surgiram nas telas. Ele viu o gato entrar por uma janela que estava entreaberta e correr até a sala. Ele dormiu no sofá durante um tempo e, depois, começou a afiar as suas garras no mesmo, causando, muito provavelmente, a cena que tinham visto há pouco na sala.
- Viu? — Ele disse de repente, fazendo com que ela se assustasse; ela nem tinha percebido que ele estava ali. — Eu te disse que tinha sido um gato…
Edward a observou relaxar completamente. Ela se apoiou na cadeira e fechou os olhos, e pela primeira vez naquela noite, ele notou quão cansada ela parecia. Havia olheiras em torno de seus olhos e ela parecia pálida… Ele sabia que ela tinha trabalhado muito nos últimos dias, mas não imaginava que tivesse sido tanto assim.
Desconfortável, Edward se moveu na sala, sem saber muito bem o que fazer. Ele tinha descoberto muito sobre Isabella naquela noite, em um curto espaço de tempo. E talvez isso dissesse mais sobre ela do que ele imaginava… Ela morava em uma casa que tinha câmeras espalhadas por todos os cômodos, tinha uma arma, assim como um quarto do pânico…
Quão machucada ela havia sido há dez anos?
- Isabella — ele começou, um nó se formando na garganta. — Por que você não toma um banho? Eu… se quiser, eu posso esperar aqui, enquanto você se acalma…
Ele a viu segurar os braços da cadeira com um pouco de força e apertá-las, antes de abrir os olhos e se colocar de pé.
- Tudo bem. — Ela disse, para a surpresa dele. — Você pode… esperar na sala, ok? Eu vou tomar um banho rápido.
Antes que Edward pudesse dizer algo, Isabella saiu dali, caminhando de volta para o seu quarto. Ele a observou durante algum tempo, mas logo seguiu para a sala, sem saber exatamente o que pensar.
Isabella se mostrava uma mulher forte, bem-sucedida. Ela ria quando tinha que rir, conversava com as pessoas quando tinha que conversar e aparentava ser uma pessoa normal, como qualquer outra. Mas, naquele momento, ele teve certeza de que tudo não passava de uma farsa.
Ela estava mais danificada do que ele tinha pensado. Tão quebrada que parecia impossível pegar os pedaços e juntá-los.
Tão, ou mais, quebrada quanto ele.
Aquilo o assustou um pouco, embora ele não quisesse admitir. No entanto, ele não se permitiu focar muito naquilo. Era, sim, irônico, que logo ele, que tinha suas próprias feridas e lutasse bravamente contra elas todos os dias, estivesse ali, com uma mulher que tinha conversado com diversos psicólogos, que o FBI tinha tentado entrevistar. Mas a parceria entre os dois — se é que se podia chamar assim -, parecia estar dando certo e ele estava ansioso para saber aonde tudo aquilo levaria.
- Edward?
Ele se colocou de pé imediatamente, assim que ouviu a voz de Isabella. Voltou-se para ela e a viu vestida em roupas simples, os cabelos longos e molhados soltos. Ela parecia… linda.
- Desculpe, eu estava distraído — ele murmurou, sentindo a voz rouca. — Tudo bem?
Ela mordeu o lábio inferior e assentiu.
- Eu sei que devemos terminar nossa conversa de anteriormente — continuou, antes que ela pudesse dizer alguma coisa -, mas sei que está cansada, então podemos fazer isso novamente outro dia, ok?
Bella o olhou durante um tempo e depois assentiu.
- Obrigada por hoje, detetive — ela murmurou. — De verdade.
Ele sorriu.
- Não foi nada — respondeu. — Nos falamos em breve, ok?
Isabella o observou se afastar, caminhando até a porta de entrada, abrindo e fechando a boca diversas vezes, desejando ter coragem o suficiente para pedi-lo para ficar, embora ela não soubesse por que queria isso. No entanto, apenas o seguiu e desativou o alarme para ele, permitindo que ele fosse embora. Trancou o portão e voltou para casa, seu coração e mente desejando coisas diferentes naquele momento.
Sua mente insistia para que ela o mandasse embora de uma vez por todas, lembrando-a constantemente da ameaça que tinha recebido há algumas noites. Já seu coração implorava para pedir que ele ficasse, nem que fosse mais um pouco.
De alguma maneira, ela se sentia segura com ele. Algo que ela não sentia desde quando ainda era uma garotinha. E, mesmo não querendo admitir, ela gostava disso.
E muito.
_
O lugar era bem arejado e claro, devido às grandes janelas que cobriam duas das quatro paredes. Elas eram todas bem decoradas, pintadas em um tom pêssego e cobertas por elegantes quadros, embora a loira não conseguisse entender exatamente o quê todos eles representavam. O chão era coberto por um carpete cor de creme, fofo, dando um toque perfeito ao local. O dono daqui deve ter gasto um bom dinheiro, ela pensou, tentando se distrair. Moveu-se novamente no confortável sofá — também em um tom claro — e lançou um olhar nervoso à secretária, que estava ocupada naquele momento, tentando adiar uma consulta. Por fim, suspirando, a loira fitou seus pais, cada um sentado de um lado, e tremeu.
Ela queria ir embora.
Ela daria tudo para estar em casa naquele momento.
Descruzou e cruzou as pernas novamente diversas vezes, só querendo ter algo para fazer. Seu coração batia de forma rápida e forte contra o seu peito, e ela sabia que suas mãos tremeria, se não estivessem entrelaçadas fortemente contra os seus joelhos, à espera de sua vez de ser atendida.
Tinha custado muito aos seus pais convencê-la a sair de casa. Eles provavelmente estavam felizes por ela estar ali, assim como o Dr. Hale. Ele tinha continuado a ir à sua casa e ao seu quarto, e sentado próximo à sua cama, somente esperando que ela dissesse algo. Depois que ela descobrira que sua amiga tinha sido morta e que o homem da van, na verdade, tinha cometido um engano ao tentar sequestrá-la, Rose tinha, sim, sofrido durante alguns dias, mas o Dr. Hale era bom.
Ele tinha conversado com ela, feito-a entender que nada era culpa dela, que ela não tinha o que temer. E embora ela ainda não quisesse sair sozinha e não se sentisse segura, mesmo ao lado dos pais, ela tinha, pela primeira vez, desde a tentativa do sequestro, saído de casa. Para uma consulta. Mas… era melhor do que nada, certo?
- Rose? — A voz da sua mãe, chamando-a de forma suave, tirou-a de seus devaneios. — Está tudo bem, querida?
A loira engoliu em seco e assentiu, olhando para a mãe rapidamente, antes de tornar a fitar o nada à sua frente. Sentiu o seu pai se mover ao seu lado e pousar a mão delicadamente no seu ombro, quase como se estivesse com medo de tocá-la, e apertá-lo gentilmente, como se quisesse passar o seu apoio e agradecimento por ela estar ali. E ela apenas sorriu, querendo mostrar que estava tudo bem.
Mas não estava, na verdade. Ela estava aterrorizada por estar ali. Seus olhos dançavam para a porta de entrada a cada minuto, esperando que ele surgisse ali e a levasse, mesmo que ela soubesse, de alguma forma, que não corria esse perigo mais; ele nunca a quis.
No entanto, ela não podia controlar o medo. Estava tentando, mas, às vezes, ele era maior do que ela. Como naquele momento.
A loira abriu a boca, pronta para dizer aos pais que queria ir embora, que não suportava ficar ali nem mais um minuto. O Dr. Hale, porém, escolheu aquele momento para abrir a porta da sala, liberando um paciente. Ele sorriu e apertou a mão do homem, pedindo que marcasse um horário com a sua secretária. Por fim, olhou para Rosalie e seus pais, e pediu apenas minuto para ajeitar a sala, antes de recebê-la.
Naquele dia, ela entraria sozinha. Sem seus pais.
Estava se sentindo uma criança novamente, embora nunca tivesse passado por aquilo antes. Sua família tinha tido seus problemas, principalmente em relação a Edward, mas nada que a tenha levado a conversar com um psiquiatra.
Certamente, ela nunca tinha imaginado que passaria por aquilo em algum momento na sua vida.
Jasper a chamou cinco minutos mais tarde, quando ela já não aguentava mais de ansiedade. Ele sorriu para ela de forma gentil quando a pediu que entrasse, assim como seus pais, que deram sorrisos encorajadores enquanto ela caminhava para dentro da sala.
- Estaremos aqui, querida. — Carlisle disse, quando ela se virou para olhá-los. — Vamos esperar, ok?
Ela assentiu e deixou que seu psiquiatra a conduzisse até um sofá que parecia ser confortável. Ela o viu fechar a porta e caminhar até uma poltrona em frente ao sofá, mas não prestou muita atenção nele naquele momento. Seus olhos percorreram o consultório, exatamente como ela havia feito com a sala de espera, surpresa com quão aconchegante aquele local parecia.
- Está tudo bem, Rosalie? — A voz do doutor tirou-a de seus devaneios. — Você parece meio ansiosa hoje.
Ela sorriu de forma nervosa para ele, sem saber exatamente o que dizer.
- Está tudo bem — ela disse. — Eu só… eu só estou tentando lidar com esse medo. Não acho que eu esteja, ainda, pronta para ficar saindo de casa…
Ela o viu anotar algo em sua prancheta, que parecia estar sempre por perto dele, e sorrir para ela de forma gentil. Ele não a julgou, como ela sabia que algumas pessoas faziam, nem tentou convencê-la ao contrário disso, como seus pais fariam.
- Por que você pensa assim? — ele indagou. — Todos nós sentimos medo de algo. Você estar aqui, hoje, prova que está disposta a vencer esse medo. Esse é um grande passo, Rosalie.
Ela assentiu.
- Eu acho que ele vai acabar surgindo de algum lugar e me pegar — ela desabafou. — E eu acho que, em casa, as chances de isso acontecer são bem menores.
Jasper assentiu e fez outra anotação, satisfeito por ela estar começando a falar. As primeiras sessões, no quarto dela, tinham sido difíceis, e os pais dela tinham achado que ela nunca sairia daquele quarto. Ele, porém, tinha a certeza de que ela precisava de um tempo e alguém para ouvi-la desabafar, nada mais do que isso.
- Nós conversamos sobre isso em sua última sessão — ele disse. — Você continua tendo aqueles pesadelos?
Ela assentiu.
- Algumas vezes sim, outras, não — confessou. — Em algumas noites, dormir é mais difícil e, quando pego no sono, acabo tendo um pesadelo… Mas eles já não são mais frequentes como antes…
- Certo — disse ele, novamente. — Por que você não me conta sobre eles?
Aquela sessão foi bem mais tranquila do que a anterior e Rosalie logo estava se sentindo mais relaxada, as respostas para as perguntas do psiquiatra saindo com mais facilidade do que ela tinha imaginado. Quando o horário acabou, ela se sentia mais leve e, embora o medo ainda estivesse lá, menos temorosa, também.
- Nós nos falamos na próxima consulta. — Ele sorriu, acompanhando-a até a porta, como havia feito com o paciente anterior. — Qualquer problema, me ligue, que dou um jeito de nos falarmos antes, ok?
Ela assentiu.
- Obrigada por isso, Dr. Hale — ela sussurrou. — De verdade.
Com os olhos brilhando de forma carinhosa e um sorriso gentil nos lábios, Jasper apenas assentiu. Aos poucos, ele sabia, Rosalie voltaria à vida. Eles ainda tinham um caminho a percorrer, mas ele sabia que ela estava seguindo na direção correta.
- Não há de quê, Rosalie — respondeu. — Sempre que precisar.
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Ele se moveu tão silenciosamente quanto pôde enquanto saía do carro, os faróis desligados para que os pais não tivessem notado que ele tinha saído escondido. Fechou a porta com o máximo de cuidado possível e com os joelhos flexionados, começou a caminhar até a porta dos fundos. Era tarde, ele sabia, passava das onze da noite, mas era uma sexta.
Seus pais estavam acordados.
Depois de olhar rapidamente pela janela da cozinha e encontrá-la escura, mostrando que não havia ninguém ali, Edward retirou a chave de casa do bolso, demorando um pouco para encontrar a da porta dos fundos. Quando a achou, abriu a porta rapidamente e entrou em casa, trancando-a atrás de si. Moveu-se com cuidado em direção à saída da cozinha, sabendo que, agora, ele só precisava atravessar o corredor, até chegar às escadas. Depois, ele poderia ir para o seu quarto, dormir, e fingir que nunca tinha saído.
Em sua mente, ele nada fazia de errado. Afinal, todos os adolescentes, alguma vez na vida, tinham saído escondido do pai. E não é como se ele tivesse usando drogas, fumando, bebendo ou cada hora com uma garota; aquele não era seu estilo. Ele só queria jogar um pouco com os amigos, nada demais, certo?
Devagar, ele retirou os tênis e os carregou em uma mão, enquanto que, com a outra, tateava o corredor, tomando cuidado para não esbarrar em nada. Ele podia ver, pela claridade da sala, que seus pais estavam lá, assim como podia escutar o barulho da televisão…
… e vozes.
- Nós precisamos conversar com ele, Carlisle. — Ele ouviu sua mãe dizendo. — Não podemos continuar escondendo isso dele…
- Eu sei, mas esperamos tanto tempo. — Seu pai respondeu. — Ele nunca descobriu, quase ninguém sabe. Ele já estava mais velho, Esme, tem quase dezessete anos… Não podemos deixar isso para lá?
Surpreso ao ouvir seus pais falarem dele, Edward parou próximo à porta da sala, seus ouvidos atentos.
- Por isso que acho melhor que ele saiba por nós — ela retrucou. — Imagina o que aconteceria se ele descobrisse por outra pessoa? Edward já não é mais criança, Carlisle, ele vai entender…
Edward franziu a testa, confuso ao ouvir sua mãe dizer isso, e estava prestes a entrar na sala e perguntar o que estava acontecendo quando seu pai disse algo que o fez congelar.
- Não sei se posso contar a ele que você não é sua mãe biológia — soltou. — Imagina o que ele vai sentir? Ele nem se lembra de Elizabeth, era tão novo quando ela morreu… E você o ama como se ele fosse seu filho, Esme… Por que não podemos deixar isso assim?
Edward não soube exatamente o que aconteceu depois disso. Os tênis, ainda em sua mão esquerda, escaparam, rolando para o chão. A conversa na sala silenciou e, logo em seguida, seus pais apareceram ali, os olhos de ambos arregalados.
Ele… ele não era filho biológio de Esme?
- Edward, querido… — A mulher que ele pensara que era a sua mãe até um minuto atrás falou, estendendo a mão para ele. — Nós podemos explicar…
Ele afastou a mão dela, sentindo um aperto no peito.
- Não — disse, passando pelos dois e subindo as escadas correndo. — Eu não quero saber…
Sentindo-se confuso, traído, chateado, diversos sentimentos tomando conta dele de uma vez só, Edward bateu a porta do seu quarto, com força, mostrando que ele não queria ser incomodado, a diversão de alguns minutos atrás esquecida.
Ele não era filho biólogico de Esme, a mulher que ele amara desde… sempre. Por quê?, perguntou-se. Por que seus pais tinham escondido isso dele?
Ofegando, o detetive Cullen se sentou na cama e esfregou o rosto, com um pouco mais de força do que o necessário. Ele bufou, perguntando-se por que estava tendo esse sonho. Um sonho que ele não tinha há muito tempo.
Chutou as cobertas e se levantou, balançando a cabeça com um pouco mais de força do que o necessário. Começou a procurar algumas roupas, pronto para iniciar o seu dia — ele queria passar na casa de Isabella antes de ir para a delegacia -, mas antes que pudesse chegar até o banheiro, seu celular tocou. Resmungando, ele o pegou, e franziu a testa quando viu que era Ben quem ligava.
Ele não estava esperando nenhuma ligação do seu amigo. A não ser que ele tivesse descoberto algo sobre o homem da van. Fazia alguns dias que eles estavam pesquisando em todos os orfanatos da cidade e próximos dali, mas nada ainda havia sido encontrado.
- Ben? — Ele atendeu, de repente muito ansioso. — Você encontrou alguma coisa?
A ansiedade que ele sentia, no entanto, passou assim que Ben suspirou. As notícias não podiam ser boas, Edward simplesmente sabia disso.
- Tenho duas notícias, chefe — ele respondeu. — E nenhuma delas são boas.
Correndo pelo quarto, querendo se arrumar o mais rápido possível para chegar à delegacia, Edward segurou o telefone entre a orelha e o ombro, enquanto puxava uma calça qualquer.
- O quê? — ele indagou. — O que aconteceu?
Ben suspirou novamente.
- Outra garota foi encontrada morta, uma morena — disse. — Com os mesmos machucados encontrados nas outras garotas vítimas do homem da van.
Edward paralisou enquanto tirava a calça do seu pijama. Nenhuma garota, com as características das outras sequestradas, tinha sido dada como desaparecida nos últimos dias; ele tinha verificado isso todos os dias.
- E a outra? — perguntou, ainda sem saber como agir.
Ben ficou em silêncio por um momento, antes de suspirar pela terceira vez. Algo dizia a Edward que ele não gostaria nada daquela notícia.
- O FBI foi notificado - respondeu. — Eles estão a caminho.
Notas finais
Moças, novamente, desculpem pela demora, mas não deu pra postar antes. Os capítulos da Da são um pouquinho mais difíceis de escrever e tudo o mais, então tenho que fazer isso com cuidado e tal :3. O próximo ainda não está pronto, mas vou tentar não demorar muito, ok? Prometo!
Edward descobrindo mais coisas da Bella hihi. E ele descobrindo que não era filho biológico da Esme? Hmmm... Vamos ver.
Até o próximo!
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xx
N/B: Um gato!!! UM GATO!!!! Não sei vcs, mas eu quase enfartei aqui. Que angustia foi essa. Edward descobrindo mais um pouquinho de Bella. Acho que agora vai. Será? Comentem. Bjs, Lu.
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