Daylight

13 Capítulo Doze


Notas iniciais
Demorei - e muito -, mas enfim cheguei! ♥
Espero que gostem :3
PS: Leiam a N/A, por favor, ok? (;

Capítulo 12:

Edward permaneceu calado durante algum tempo, sem conseguir acreditar no que Ben havia dito. Ele sabia que as coisas estavam péssimas, ainda mais agora que o homem da van tinha começado a mudar seu modo de agir. Antes, ele passava, ao menos, algum tempo com as vítimas e sempre havia um tempo de diferença entre um sequestro e outro. Agora, no entanto, tais mortes e sequestros ocorriam com mais frequência, e Edward não tinha ideia do que fazer.

Ele sabia que estava fazendo um progresso com Isabella, mesmo que ele fosse mais lento do que gostaria. A morena havia o ajudado mais do que ela sequer imaginava. Saber que ele sequestrava somente garotas que eram adotadas… tinha feito o caso progredir, mesmo que fosse um pouco. As buscas não tinham dado em nada, o que deixava o detetive confuso, mas, pelo menos, havia reduzido a lista de suspeito.

Não que houvesse um ainda…

- Edward? — Ben chamou o amigo e colega de trabalho, tirando-o de seus devaneios. — Você escutou o que eu disse?

O ruivo suspirou e passou a mão livre no rosto, sem conseguir acreditar no que ele tinha escutado. O FBI ali… ele sabia que mudaria tudo… E ele não queria nem pensar em que isso acarretaria quando Isabella ficasse sabendo…

- Escutei — ele resmungou. — Você já sabe quando eles chegam?

Edward escutou Ben afastar o telefone do ouvido e dizer algo, mas não conseguiu escutar o quê. Esperou, mesmo um pouco impaciente, porque, provavelmente, ele estava buscando a informação pedida.

- Amanhã — disse. — Eles chegam amanhã cedo.

Porra.

Edward desligou o telefone, após murmurar um agradecimento rápido, e respirou fundo. Sentou-se na sua cama e apoiou a cabeça nas mãos, tentando clarear seus pensamentos. Primeiro, ele tinha sonhado com algo que não sonhara há muito tempo: o dia que descobrira que não era filho biológio de Esme — algo que, hoje, já não o abalava mais. E depois, tinha sido despertado de forma brusca, apenas para receber uma notícia ruim.

Suspirando pesadamente, o ruivo fechou os olhos e logo em seguida os abriu, tentando buscar forças para começar aquele dia — que já dava sinais de que seria longo. O FBI tinha vindo à delegacia responsável pelo caso do homem da van há alguns anos, na época que os primeiros casos foram surgindo. Edward era muito novo e não dava bola para aquilo na época. Entretanto, ele se lembrava de como tudo tinha sido uma loucura e de como os jornais tinham dado importância à visita deles. Se naquela época, com pouco mais de quatro mortes, a mídia tinha reagido daquela maneira… Ele não conseguia nem imaginar como seria agora.

Fazendo uma nota mental de passar na casa de Isabella naquele mesmo dia — porque ele queria dar a ela a notícia, antes que ela soubesse pelo jormal ou por outra pessoa -, o ruivo se colocou de pé e rumou para o banheiro.

Era hora de ir trabalhar.

_

Ela tremia de forma descontrolada e, ao mesmo tempo, fazia força para manter seus olhos abertos. Esfregava suas mãos em seus braços, enquanto se encolhia cada vez mais contra a parede, em uma vã tentativa para se aquecer, mesmo que soubesse que tremia de medo e não de frio.

Ela não se lembrava há quanto tempo estava ali, mas a cada minuto que passava… ela ficava mais nervosa. Porque, mesmo querendo mais do que tudo, não conseguia esquecer o que ele havia dito da última vez que tinha ido ali.

Ela se lembrava das exatas palavras e podia repeti-las, caso alguém pedisse.

“Estarei aqui dentro de duas horas para buscá-la para o segundo passo do seu treinamento, Isabella. Espero que esteja pronta.”

Ela não estava pronta. Na verdade, tudo o que ela queria era ir embora para casa, era ficar com os seus pais. Sabia que tinha que conquistar a confiança dele para isso, sabia que tinha que ter calma e que, assim, talvez conseguisse fugir…

Mas ela estava assustada. Era apenas uma garota, mal tinha completado quinze anos. E tudo o que a morena queria, naquele momento, era o colo dos pais.

Ouviu uma porta abrindo e fechando, e, logo em seguida, passos ecoando pela casa, o que fez com que ela tremesse ainda mais. Não aguentando mais manter os olhos abertos, ela os fechou e começou a murmurar freneticamente, implorando para que ele saísse mais uma vez e que esquecesse que ela estava ali…

Ela não teve sorte, porém.

Alguns minutos depois, escutou os passos dele na escada e a chave na porta, menos de um minuto depois. Pensou em fingir que estava dormindo, mas sabia, de alguma forma, que aquilo não iria funcionar. Abriu os olhos e ficou fitando a porta, até que ele aparecesse.

- Boa noite, Isabella — ele sorriu. — Espero que esteja pronta.

Ela engoliu em seco, mesmo não querendo demonstrar o medo que sentia naquele momento. Apertou as mãos uma na outra, tentando esconder o tremor delas. Se ele viu, não comentou.

- Trouxe algumas roupas para você — ele continuou, mostrando uma pequena mala que trazia nas mãos, quando viu que ela não iria dizer nada. — Vou deixá-la tomar um banho, então venha. Não tenho a noite toda…

Ela se levantou depois de ponderar por alguns segundos, lembrando da promessa que tinha feito, já há algum tempo (embora ela não soubesse exatamente o quanto, já que havia perdido completamente a noção dos dias. Quantos dias fazia que ela estava ali? Duas semanas? Um mês?), de que iria conquistar a confiança dele. Seguiu-o até o banheiro e pegou a mala em sua mão antes de entrar e trancar a porta. Parou por um momento e respirou fundo, antes de começar a tirar as roupas que usava.

A água quente foi bem vinda, mas ela não quis demorar muito, mesmo que estivesse tentada a fazer isso. Com medo de que ele resolvesse entrar no banheiro ou algo assim, Bella logo desligou o chuveiro e começou a se enxugar. Ele ainda não tinha tocado nela, nem tinha tentado fazer nada, mas a morena preferia não arriscar.

Vestiu-se de forma rápida e, depois de escovar os dentes e pentear os cabelos, ela abriu a porta, um suspiro saindo de seus lábios quando ela viu que ele não estava ali. Seus olhos dispararam de um lado para o outro, a procura dele, seu coração de repente batendo de forma acelerada… Quando percebeu que aquela poderia ser uma oportunidade perfeita, disparou seus olhos para o andar de cima, calculando o tempo que tinha… Entretanto, logo descartou essa ideia. E se fosse um teste? E se ele estivesse esperando para ver o que ela faria?

Decidida a não estragar seu plano, a morena esperou, parada em frente ao banheiro, se sentindo mais nervosa a cada minuto. Ela estava quase perdendo a paciência e saindo correndo pela casa, mesmo que soubesse que isso era exatamente o que ele estava esperando.

- Muito bem, Isabella. — Ele disse, de repente, surgindo de uma porta que ela não tinha notado. — Eu pensei que você tentaria fugir na primeira oportunidade que tivesse…

Assustada, a morena deu um pulo e levou a mão ao peito. Ele riu e pegou a mão livre dela, puxando-a em direção às escadas. Ela fez uma pequena careta e estremeceu, mas conteve-se quando a vontade de empurrá-lo tomou conta dela.

- Agora vamos à segunda parte, querida — ele disse, levando-a até a cozinha. — Hoje, vou começar a ensiná-la a cozinhar para mim…


- Bella? Bella?

A morena sentou-se na cama, ofegante, enquanto lágrimas escapavam de seus olhos. Piscou diversas vezes, tentando voltar, de fato, ao presente, e só depois de alguns minutos percebeu que seu pai estava sentado ali, em frente a ela, encarando-a com os olhos arregalados.

- Shh… — Ele murmurou de repente, puxando-a para os seus braços. Por cerca de um segundo, o corpo de Isabella enrijeceu, mas o cheiro do pai dela a atingiu, assim como aquela sensação gostosa de segurança, permitindo que ela relaxasse e que ele a abraçasse. — Está tudo bem, querida, está tudo bem… Foi só um pesadelo…

Sentindo o coração apertar ao ver a sua garotinha daquele jeito, Charlie a apertou mais em seus braços e depositou um beijo demorado em sua cabeça. Ficou em silêncio durante alguns minutos, deixando que ela chorasse tudo o que ela tinha que chorar. Ele se permitiu sorrir um pouco quando a sentiu relaxar contra os seus braços, como há muito não fazia. Embora não pudesse negar que não gostava de vê-la daquele jeito — e que vê-la gritando enquanto dormia tinha quebrado o seu coração -, ele amava poder abraçá-la novamente e poder acalmá-la, como fazia quando ela era apenas uma garotinha e vinha correndo até a ele, pedindo para espantar o monstro de debaixo da sua cama.

- Pronto, passou — sussurrou, depositando outro beijo, agora na testa dela. — Foi só um sonho ruim, só um sonho ruim…

Bella apoiou a cabeça no ombro do pai e respirou fundo, mantendo seus olhos fechados. Ela já se sentia mais calma e sabia que podia se afastar e fingir que nada tinha acontecido, mas ela estava adorando ficar ali, sentindo o coração dele batendo próximo ao seu ouvido. Ela sabia que estava ali há mais de dez ou quinze minutos, mas Charlie não reclamou nem uma vez, muito embora a posição não estivesse a mais confortável.

- Você quer falar sobre isso? — ele indagou, resolvendo arriscar. — Eu sei que você não gosta, mas… estou aqui, ok? Se quiser desabafar um pouco, o papai está aqui…

A morena sorriu um pouco ao ouvi-lo dizer papai, como costumava falar quando ela era pequena. Afastou-se um pouco e riu, o que fez Charlie sorrir de volta. Ele não se lembrava a última vez que tinha escutado aquele riso baixo, feliz, que trazia tantas lembranças boas.

Em momentos como aquele, ele tinha certeza de que devia muito a Edward Cullen. Não sabia o que o detetive estava fazendo, mas estava trazendo a sua Bella de volta à vida.

- O quê? — ele indagou, erguendo a sobrancelha, enquanto estendia a mão para limpar as suas lágrimas. — Você está rindo de mim, mocinha?

Bella sorriu e apertou as mãos dele de forma gentil, quando ele terminou de limpar o seu rosto.

- Fazia algum tempo que o senhor não dizia ‘papai’ — ela disse. — É… estranho. Mas é um estranho bom.

Ele assentiu, sem deixar de sorrir.

- Certo, certo. — Colocou-se de pé. — Agora, vamos lá embaixo. O papai vai preparar alguma coisa para comer…

Ainda sorrindo, Bella o seguiu, sentindo seu coração um pouco mais leve.

Ela passou o resto da noite na casa dos pais, e quando a sua mãe falou para ela ficar mais um dia, ela aceitou. Tinha ido no dia anterior, logo após o detetive sair de sua casa. Mesmo tendo sido apenas um gato que tinha a assustado, ela não queria ficar sozinha. E Renée e Charlie tinham adorado a visita dela.

Assim como ela estava adorando ficar ali.

- Que tal se assistirmos a um filme? — Renée sugeriu, seus olhos brilhando de felicidade ao ver Charlie passar o braço pelos ombros da filha. — Tenho certeza que podemos achar um que interesse a nós três…

Eles assistiram a um filme, exatamente como faziam quando Isabella era novinha, uma vez por semana. Bella adormeceu com a cabeça no colo do pai, com ele fazendo carinho em suas madeixas, e nem acordou quando Charlie a ergueu no colo para levá-la para a cama. Ele sorriu o tempo todo, enquanto a cobria e depositava um beijo em sua testa.

- Vai ficar tudo bem, filha — ele sussurrou para o rosto adormecido de Isabella. — Vai ficar tudo bem…

Ainda sorrindo, ele beijou-a uma última vez, antes de sair do quarto, deixando a porta entreaberta. Exatamente como ele costumava fazer quando ela apenas uma menina.

_

Um suspiro escapou dos lábios de Edward quando ele entrou em sua casa, mal conseguindo manter seus olhos fechados. Passava da uma da manhã e ele se encontrava mais cansado do que nunca, mas… ele não conseguira sair da delegacia mais cedo.

Exatamente como ele previra, o dia tinha sido cheio.

E os próximos, ao que tudo indicava, seriam piores.

Ele tomou um banho rápida e fez um sanduíche, antes de se jogar na cama. Ele tinha planejado passar na casa de Isabella, mas não conseguira. Ele telefonara, então, mas ela não atendera ao telefone fixo e nem ao celular. Provavelmente, ela estava em um plantão. Ele tentaria falar com ela novamente no dia seguinte, antes que o FBI chegasse.

Infelizmente, porém, quando ele acordou horas mais tarde, tendo dormido mais do que ele queria e esperava, o FBI já tinha chegado.

E dois deles estavam a caminho da casa dos pais de Isabella, que era onde a mulher estava.

- Detetive Cullen. — Seu chefe o chamou assim que ele entrou na delegacia. — Esses são os Agentes Freire e Julien. Os dois o acompanharão até a casa dos pais de Isabella.

Edward os olhou rapidamente e assentiu, sem sequer perguntar porquê ele estava sendo designado a acompanhá-los. Disse que iria segui-los em seu carro e saiu da delegacia, andando um pouco mais rápido do que eles. Soltou um suspiro de alívio quando conseguiu chegar ao carro antes dos dois agentes e ainda mais quando vários jornalistas os pararam na porta.

Isso lhe daria tempo o suficiente para, ao menos, ligar para a casa dos Swan.

Discou o número de telefone e colocou seu celular no ouvido, seus olhos nunca desviando dos dois agentes, que tentavam dar respostas rápidas aos repórteres.

- Alô? — A voz de Charlie soou ao terceiro toque, fazendo Edward suspirar de alívio.

- Charlie, aqui é o detetive Cullen. — Ele falou rapidamente, assim que viu que os agentes já começavam a andar em direção ao carro. — Só gostaria que soubesse que o FBI está na cidade e, nesse momento, dois agentes estão indo à sua casa, querendo falar com Isabella.

Charlie ficou em silêncio durante alguns segundos, tempo mais do que suficiente para Edward começar a ficar nervoso. Alguns jornalistas ainda tentavam seguir os agentes, mas os policiais estavam começando a mantê-los longe. Não demoraria muito para que eles conseguissem chegar até o carro.

- Você está vindo também? — Charlie perguntou, sem pedir maiores explicações, o que Edward realmente agradeceu.

- Estou — disse. — Estaremos chegando em alguns minutos. Só queria que você preparasse Isabella. O senhor sabe como essas coisas são.

Charlie suspirou.

- Certo, obrigado por avisar — respondeu. — Estarei esperando.

Após murmurar um ‘ok’, o ruivo desligou. Assim que os dois agentes estavam no carro, Edward colocou o carro em movimento, sabendo que eles iriam segui-lo. Tentou digirir um pouco mais devagar que o costume, só para que Charlie tivesse mais tempo para avisar a Isabella. Ele conseguia visualizá-la, quase como se ela estivesse ali na sua frente, com seus olhos castanhos, mais parecendo um chocolate derretido, arregalados, e aquela expressão assustada que, às vezes, ela conseguia esconder tão bem. Conseguia se imaginar dizendo para ela que tudo ficaria bem, com uma voz calma e suave, sem pressioná-la muito — mesmo que ele tivesse feito exatamente isso nos últimos meses.

Só que o FBI pressionaria muito mais. Principalmente agora, com as informações que Isabella tinha lhe passado, sobre o fato de ele só sequestrar garotas adotadas e outros mais, coisas que já tinham sido repassadas aos agentes, Edward tinha certeza disso.

Afinal, eles eram os chefes enquanto estivessem ali. Tinham sido chamados para exatamente isso, para resolver um caso que as delegacias não estavam conseguindo.

Soltando um suspiro frustrado, Edward diminuiu a velocidade assim que viu a casa dos Swan e estacionou logo atrás do carro de Charlie. Saiu dele e esperou os dois agentes seguirem-no. Era hora de falar com Isabella.

E algo dizia a Edward que esse encontro não seria nada bom.

_

Isabella apertou uma mão na outra, debaixo da mesa, querendo esconder dos pais quão trêmulas elas estavam. Ela não era uma garotinha mais e já tinha, há muitos anos — quando tinha conseguido fugir -, sido entrevistava pelo FBI. Naquela época, ela conseguiu escapar, dizendo que não tinha sido mais uma das vítimas, que tudo não passara de um engano, e embora eles tivessem insistido durante um tempo, logo foram embora, já que as pistas começaram a esfriar.

Entretanto, dessa vez, parecia que tudo seria diferente. Ela não era mais uma adolescente, pelo contrário. Já tinha mais de vinte e cinco anos, já era independente, já tinha uma profissão e… o pior de tudo, tinha liberado certas informações ao detetive, informações que só uma das vítimas dele saberia.

Eles não desistiriam tão fácil agora.

Ela tinha certeza disso.

- Você está bem, querida? — Renée perguntou, tirando-a de seus devaneios.

- Oi? — ela murmurou, erguendo a cabeça e fitando a mãe nos olhos. — O quê? Ah, sim, tudo bem. Eu só estou… pensando.

Charlie suspirou.

- Você não precisa falar com eles, Bella — Renée continuou, antes que o marido pudesse dizer algo. — Eu posso dizer que você não está se sentindo bem…

A morena sorriu, sabendo que aquela não era uma opção.

- Não, tudo bem — sussurrou. — Eu sei que vou ter que falar com eles…

- Eles não podem obrigá-la a falar, Bella. — Charlie disse, sorrindo um pouco para a filha, querendo acalmá-la. — Eles podem fazer perguntas, insistir um pouco, mas ninguém pode obrigá-la a nada.

Ela assentiu, e empurrou um sorriso para fora do rosto. Abriu a boca para repetir que ela ficaria bem, mas a campainha tocou naquele momento, fazendo com que os três, dentro da cozinha, congelassem.

- Eu vou atender. — Charlie disse, colocando-se de pé. — Por que vocês não seguem para a sala?

De forma automática, a morena seguiu os pais até a sala e se sentou na poltrona, mantendo sua cabeça baixa. Ela podia escutar, dali, a voz dos pais e dos agentes, mas nada a fez reagir. Entretanto, assim que ela ouviu a voz dele, do detetive Cullen, o seu coração acelerou e, mesmo não querendo, ela levantou os olhos, a procura dele.

Edward fitou Isabella, desejando que não tivesse ninguém ali, para que ele pudesse dizer a ela que tudo ficaria bem. Seus olhos estavam arregalados e ela parecia mais pálida, e ele conseguia ver isso, mesmo sabendo que ela estava tentando esconder.

- Isabella — ele murmurou, cumprimentando-a rapidamente.

- Detetive Cullen — murmurou de volta, tão baixo que ela tinha duvidado que ele tinha escutado. O aceno que ele deu com a cabeça, no entanto, mostrou que ele tinha.

As apresentações foram feitas e logo todos estavam acomodados. Renée tinha se retirado, para preparar chá para todos, já que a empregada estava de folga naquele dia. Charlie se sentou no braço da poltrona, ao lado da filha, não dando indícios de que a deixaria sozinha. Os agentes permaneceram sérios, observando os dois, e durante alguns minutos a sala permaneceu em um silêncio desconfortável.

Até que a Agente Lilian Julian limpou a garganta e fitou Isabella.

- Bom, Srta. Swan — começou -, ficamos surpresos com as informações que recebemos assim que chegamos aqui…

Isabella apenas balançou a cabeça, indicando que ela continuasse a falar, mas não disse nada, simplesmente porque ela não tinha nada a dizer. Ela não podia dizer nada a eles, ela não conseguia.

- Quando a senhorita foi encontrada, há alguns anos, mal se comunicou — continuou. — Entretanto, recebemos informações, hoje, que só quem viveu a situação pode saber…

Novamente, ela assentiu.

- Você informou ao detetive Cullen que somente garotas adotadas eram sequestradas — ela disse. — Pesquisas foram feitas, mas não conseguimos chegar a um suspeito… Você é a única que pode nos ajudar, Srta. Swan. Tem certeza que não há nenhuma informação que pode nos passar?

Isabella desviou os olhos da Agente e fitou Edward, embora não entendesse o porquê. Olhar para ele, porém, a acalmava, e ela ainda o fitava quando respondeu.

- Não, não tenho — disse. — Tudo o que eu sei, eu disse ao detetive.

O Agente mais velho, até então calado, inclinou um pouco, entrando no campo de visão de Isabella.

- Temos técnicas que podem ajudá-la a se lembrar, senhorita — ele disse, dando-lhe um sorriso gentil. Isabella sabia que ele estava fazendo somente o seu trabalho e que não era culpa dele, mas estava desejando que ele parasse de sorrir e saísse logo da casa dos seus pais. — Assim, você pode ajudar as outras mulheres e trazer paz para algumas famílias.

Eles insistiram durante alguns minutos, mas Isabella foi firme, sempre insistindo que não sabia de mais nada e que não gostaria de relembrar o passado, quando, na verdade, ela nunca tinha esquecido.

Cada memória, cada minuto que ela tinha passado naquele lugar, estava ali, atormentando-a todos os dias. Ela travava uma luta diária, uma luta que não parecia que teria fim nunca.

E ela daria tudo — qualquer coisa — para poder esquecer.

- Senhores, a minha filha disse que já não sabe de nada, que não se lembra. — Charlie interrompeu. — Não vamos insistir, por favor.

- Nós só queremos ajudá-la, Isabella. — Lilian voltou a falar. — Colocar o homem que fez isso à senhorita atrás das grades, dar a você um pouco de paz…

Bella negou, sentindo-se a cada minuto mais nervosa. Ela só queria que aquele questionamento acabasse e que eles fossem embora. Ela só queria poder continuar a sua vida sem ter, constantemente, alguém a lembrando daquilo que mais queria esquecer.

- Eu não me lembro e, sinceramente, não quero me lembrar de nada — murmurou, antes que alguém pudesse dizer algo. Era a primeira vez, desde que tinha sido encontrada, que Bella falava abertamente sobre o caso, confirmando, assim, o que todos pensavam: ela tinha mesmo sido sequestrada pelo homem da van. — Só quero seguir com a minha vida, é tudo o que eu peço.

Eles insistiram mais um pouco, tentaram convencê-la, tentaram conversar com ela, mas, por fim, aceitaram que ela não falaria nada. Levantaram-se e agradeceram pelo chá de Renée, que se mantivera calada, sentada próxima à Bella, antes de seguirem pela porta. Os pais da morena seguiram os dois, deixando a morena sozinha com Edward.

Durante algum tempo, nenhum dos dois disse nada. Nervosa demais para ficar ali, parada, o fitando, ela começou a andar de um lado para o outro, sentindo seu coração batendo forte contra o seu peito. Quando tudo acabaria? Quando ela poderia finalmente seguir com a sua vida?

De repente, a morena arquejou, lembrando de quando ele tinha aparecido, assustando-a por completo. Lembrou-se de suas palavras, lembrou-se do medo de que ela tinha sentido… Será que ele descobriria? Será que ele viria atrás dela novamente? Será que faria mal aos seus pais? E a — e Bella tremia só de pensar — Edward?

O ruivo observou Bella andar de um lado para o outro, até que viu seu rosto se contorcer em um expressão de dor e ela ficar ainda mais pálida do que já estava. Imediatamente, ele se colocou de pé e andou até a ela, embora não tivesse a mínima ideia do que iria fazer.

Ele olhou pela janela rapidamente, só para saber se os agentes já tinham ido, e se Charlie e Renée já estavam entrando. Suspirou de alívio quando viu que os quatro conversavam, o que dava a ele mais tempo com Bella.

- Isabella? — Ele chamou, por fim. Esperou algum tempo e, depois, resolveu tentar novamente: — Isabella?

A morena finalmente ergueu a cabeça e o fitou, os olhos cheios de lágrimas. Os lábios dela tremiam, assim como as mãos, e antes de sequer pensar no que estava fazendo, só querendo acalmá-la, ele a puxou para os seus braços, apertando-a contra o seu peito tanto quanto pôde.

Isabella hesitou por um momento, mas finalmente cedeu e deslizou os braços pela cintura de Edward, puxando-o para mais perto — se é que isso era realmente possível. Respirou fundo e fechou os olhos, permitindo-se, nem que fosse por um momento, esquecer de tudo.

Ali, nos braços dele, ela não se preocupou com passado, com FBI, com sequestros e nem nada do tipo. Tudo o que ela fez foi fechar os olhos e aspirar o cheiro de Edward, adorando o fato de ele fazer com que ela se sentisse segura.

Mesmo que, no fundo, isso a assustasse um pouco também.

Notas finais
N/A: Olá, olá. Pois é, menina Bella toda já ligada no Edward, e ele também nela hihi ♥. Capítulo com um pouquinho mais sobre a Bella. Aos poucos, vocês vão descobrindo mais sobre esses dois. A Bella tem medo de algumas coisas e não gosta de outras, isso vai começar a aparecer com mais frequência agora, e acho que vão conseguir associar isso com o passado dela e tudo o mais. Eu também vou revelando aos pouquinhos.
Desculpem-me pela demora, mas a minha vida anda muito corrida :/ Tem dia que chego em casa depois de dez da noite, só pra ter que sair de novo no outro dia, antes das sete... Fico morta. E como a Daylight é uma fanfic que eu demoro um pouco para escrever, que exige mais, porque são muitos detalhes e tal, eu acabo me atrasando. Em breve, acho que tudo acalma. Vamos ver.
Uma outra coisa: recebi uma MP pedindo para responder reviews. Eu apareço aqui só nos finais de semana, geralmente, mas posso tentar, ao menos aqueles que têm perguntas, pode ser? Pode demorar um pouquinho, mas vou me esforçar ♥. Respondendo, então, a uma pergunta: o Edward não é adotado, por assim dizer, e eu falo sobre isso, mais ou menos, no primeiro capítulo, acredito. Ele pensa na Rosalie como meia-irmã. Ele é filho biológico do Carlisle, mas não da Esme, ok? (;
Espero que tenham gostado ♥ E perdoem-me pela demora e por essa N/A gigante hahaha
Até o próximo!
xx
PS: Estou sentindo falta dos reviews :/ Isso desanima, sabem? Que tal comentarem mais? :3

N/B: As coisas estão se complicando. O cara está mudando seu modo de atacar, o FBI está se envolvendo. Como será que Bella irá reagir? Gosto de ver que ela se sente segura com o Edward. Comentem e boa semana. Lu.