Daylight
28 Capítulo Vinte e Sete
Notas iniciais
Isabella nada disse, apenas continuou a olhar pela janela. Naquele momento, pensamentos de manchetes culpando-a tomavam conta da mente da morena, e ela simplesmente não sabia o que faria se isso, de fato, acontecesse.
Porque, afinal, era realmente, culpa dela.
–x-
Durante todo o caminho para casa, Isabella permaneceu em silêncio, só falando quando o detetive dizia algo para ela ou perguntava algo. Mesmo assim, a resposta da morena não passava de um sim, não ou um encolher de ombros. Edward não pressionou muito, sabendo que ela estava nervosa e — ele tinha quase certeza disso — se culpando por tudo.
Ele dirigiu até o apartamento dele, imaginando que, se os repórteres já tivessem descoberto onde ela morava, a casa dela não era a melhor opção no momento. Isabella pareceu entender, já que não disse nada, nem questionou o motivo de ele estar levando-a para lá.
– Eu posso te servir algo? — ele perguntou, meio nervoso. — Água, café, suco?...
Ela encolheu os ombros, cruzando os braços sobre o seu corpo.
– Não precisa — murmurou, por fim.
Ele assentiu, fitando-a durante um tempo, antes de apontar o sofá para ela se sentar. Ele queria dizer algo, falar que ela não precisava se preocupar e que logo tudo aquilo passaria, mas ele sabia que não era possível fazer essa promessa — pelo menos por enquanto. Não quando Royce havia sido preso e que ainda havia tanto pela frente. Quando começasse o julgamento dele, o detetive sabia que a imprensa ficaria ainda mais louca.
Seriam longos meses para Isabella.
E ele tinha medo de que ela, de repente, desistisse. E, pior, que ela não quisesse vê-lo mais, que começasse a culpá-lo por ter feito com que ela concordasse em testemunhar.
Ele decidiu dar um tempo para ela, então, permitindo que ela pensasse e ficasse um pouco sozinha. Colocando o controle da TV perto dela e avisando que ela poderia ficar à vontade, que ele só tomaria um banho rápido, o ruivo seguiu para o chuveiro, torcendo para que Isabella logo começasse a realmente conversar com ele.
A morena fitou a televisão durante um tempo, assim que o detetive entrou no quarto dele, mas não sentiu vontade nenhuma de assistir qualquer coisa que fosse. Com a sorte dela, ela pararia em algum canal que falaria de Royce e de toda a situação, algo que Isabella não queria, que não estava pronta para enfrentar.
E ela sabia que era só o começo…
A morena apoiou a cabeça nas mãos e respirou fundo, se perguntando se algum dia seria capaz de ter paz novamente. A casa dos pais estava tomada por repórteres e ela imaginava que a dela também já estava assim — ou estaria, em breve. Ela não podia ficar com o detetive para sempre… e como ela faria para trabalhar com repórteres na porta do hospital?
Deus, que pesadelo…
Quando o detetive saiu do quarto, vinte minutos depois, Isabella ainda estava sentada no sofá, a cabeça baixa, fitando as mãos. Ele a observou durante um tempo, buscando as palavras certas para dizer, e só então se aproximou, sentando ao lado dela no sofá. Ela estava tão perdida em seus pensamentos que se assustou um pouco quando o viu sentado ao seu lado, o que o fez sorrir um pouco, querendo tranquilizá-la.
– Ei — ele tornou a sorrir. — Desculpe-me por assustá-la, só queria perguntar como você está…
Ela deu de ombros, forçando um sorriso para fora do rosto.
– Estou só pensando — ela murmurou, voltando a fitar as mãos. — Eu imaginei que isso poderia acontecer, só que não esperava que fosse tão rápido…
O ruivo suspirou.
– Eu queria poder te dizer algo que realmente fosse lhe confortar, Bella — ele murmurou, odiando se sentir dessa forma, tão… impotente. Ela já tinha sofrido tanto na vida… às vezes tudo o que ele queria era pegá-la e levá-la para bem longe dali, onde ambos poderiam recomeçar; onde ela, principalmente, poderia recomeçar. — Infelizmente… não sei bem o que dizer.
Ele passou a mão pelos cabelos, se sentindo meio desconfortável com aquela situação. Ele sentiu a mão de Isabella na sua livre e levantou a cabeça para fitá-la, sorrindo um pouco quando a viu sorrir.
– Eu sei — ela respondeu. — Só… muito obrigada por ter me trazido para cá. Eu só estou imaginando como vou fazer para ir para casa, como vou fazer para trabalhar…
Ele tornou a suspirar.
– Não vou deixar que eles a machuquem, Bella. — O detetive segurou a mão dela nas suas. — Eu prometo.
Ela tornou a sorrir, sentindo seu coração acelerar um pouco.
– Eu sei, não estou preocupada com isso — murmurou. — São… as palavras que me preocupam. O que eles podem escrever.
Ela se virou no sofá, de modo que estava de frente para ele. Ela nunca tinha, de fato, falado daquilo diretamente com ele, embora já tivessem dito aquilo para ela. Só não sabia como lidaria com isso quando — porque ela acreditava que os repórteres escreveriam aquilo — aparecesse nos jornais.
– Eu estou imaginando como vai ser quando eles começarem a me culpar — ela sussurrou, lágrimas de repente enchendo seus olhos. — Eles vão falar que eu podia ter dito antes… que se eu tivesse feito isso, talvez… talvez muitas garotas não teriam morrido. E… ele não teria sequestrado a sua irmã, Edward.
Edward sentiu seu coração apertar quando a ouviu dizer aquilo. Ele sabia que, um tempo atrás, havia jogado isso na cara dela, mas havia sido no calor do momento. Sim, ela poderia ter dito. Mas ninguém mais do que Isabella sabia o que ela havia passado nos 11 meses que passara em cativeiro. E ninguém mais do que ela sabia o quanto esses 11 meses a havia mudado.
Então, quem eram eles para julgarem? Quem era ele para julgá-la?
– Hey… — ele sussurrou, segurando o queixo dela e puxando o rosto para cima com delicadeza. — Eu sei que uma vez te culpei por isso, Bella, mas quero dizer, hoje, que não queria dizer aquilo. Eu só… estava frustrado. Mas te entendo, de verdade. Ninguém, além de você, sabe o que você passou, baby. Ninguém pode te culpar por nada, ok?
Ela abriu a boca para protestar, mas ele colocou o dedo indicar em seus lábios, como se soubesse que ela faria aquilo. Ela quis sorrir um pouco; ele a conhecia tão bem assim.
– A culpa pelos sequestros e mortes não é sua, Bella — ele continuou. — É dele. De Royce. E ele está preso e nós vamos fazer de tudo para que ele passe o resto da vida na cadeia, ok?
Ela sorriu verdadeiramente agora, sentindo uma vontade súbita de jogar os braços ao redor dele e abraçá-lo. Ela decidiu fazer isso, então, sabendo que ela amava como se sentia quando estava nos braços do detetive. Doeria fisicamente se ele simplesmente a abandonasse agora.
– Obrigada, Edward — ela sussurrou, seu rosto enterrado no pescoço dele, as mãos dele ao redor dela. — Por tudo.
E ele simplesmente sorriu e a apertou mais em seu abraço, não querendo que aquele momento acabasse.
– Sempre, baby — ele sussurrou de volta, afastando-se um pouco e depositando um selinho demorado em seus lábios. — Sempre.
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Ficou decidido, embora eles não tivessem, de fato, dito isso, que Isabella passaria a noite no apartamento de Edward. Não querendo que ela visse a imprensa na casa dela, caso eles tivessem lá, ele pegou a chave dos fundos da casa dela, assim como a senha do alarme, e prometeu que estaria de volta em breve. Ele odiava ter que deixá-la sozinha, mas prometeu que seria o mais breve possível.
– Você quer que eu traga alguma coisa da rua para você? — ele indagou. — Posso passar bem rápido no mercado…
Ela negou, não querendo dar mais trabalho para ele. Ela voltaria ao trabalho no dia seguinte, à noite, então não ficaria muito por lá. Mas não queria ficar incomodando.
– Nós podemos pedir comida chinesa ou algo assim — ela encolheu os ombros. — Mas não estou com muita fome agora. Não precisa se preocupar comigo.
Ele a fitou durante alguns segundos, antes de assentir. Aproximou-se e depositou um beijo no canto dos seus lábios, o que a fez corar um pouco e ele sorrir. Ele amava saber que provocava esse tipo de reação nela. Eles estavam indo devagar, não trocando mais do que alguns beijos, mas Edward estava aproveitando cada minuto disso.
– Voltarei em breve, ok? — ele disse. — No máximo em uma hora. E estarei com o meu celular o tempo todo, então você pode me ligar a qualquer momento.
Ela sorriu, tentando se mostrar confiante, embora não quisesse ficar muito sozinha naquele momento. Mas ela também não queria ver a imprensa na sua casa, sabendo que isso a faria se sentir culpada novamente. Então, apenas assentiu e o assistiu sair de sua casa, trancando a porta atrás de si.
Edward procurou ser o mais rápido que pôde, pegando as roupas que ela tinha pedido, assim como um par de roupas brancas para usar no dia seguinte no hospital. Ele tentou ser o mais indiferente possível ao abrir sua gaveta de roupas íntimas, pegando algumas calcinhas e sutiãs, sem selecionar a quantidade e sem escolher direito qual levar — nem saber se elas combinavam -, porque ele sabia que não iria aguentar não imaginar qual delas ela estaria usando quando saísse do banho ou algo assim. Depois te ter colocado os sapatos que ela pedira, e pegar a pequena bolsa que ela dizia que guardara seus itens de higiene pessoal que usava quando dormia no hospital, ele fechou a pequena mochila e colocou no ombro, olhando o quarto dela por um momento, antes de sair.
Ele tinha demorado menos tempo do que tinha esperado, então, verificou se estava tudo certo na casa, já que Isabella não voltaria até dali a dois dias, e fez uma careta quando notou que ainda havia repórteres esperando do lado de fora. Ele saiu pelos fundos, então, reativando o alarme e correndo até o seu carro.
E logo ele estava de volta a sua casa. Ele sorriu quando encontrou Isabella deitada no sofá, a televisão ligada, parecendo completamente adormecida. Ele fechou a porta e a trancou, procurando ser o mais silencioso possível. Ele colocou a mochila na poltrona e desligou a televisão, antes de seguir para a cozinha. Eles tinham combinado de pedir comida chinesa, mas Edward decidira que ele iria fazer algo para os dois comerem. Ele não era um super chef ou algo assim, mas gostava de cozinhar. E ele queria cuidar de Isabella. Ele tinha a impressão de que ela não tinha muito isso e gostava de como cuidar dela fazia com que ele se sentisse bem.
Depois de ter terminado o jantar, ele caminhou até a sala, sorrindo ao ver que ela continuava adormecida. Ele se sentou na ponta do sofá, observando-a dormir durante um minuto ou dois — ou mais, ele não contou exatamente -, e logo em seguida segurou sua mão, chamando-a baixinho, não querendo assustá-la.
– O jantar está pronto — ele disse. — Não queria te acordar, mas imagino que está sentindo um pouco de fome…
Ela sorriu, espreguiçando um pouco, antes de se sentar.
Eles conversaram um pouco no jantar, Bella parecendo apreciar o fato de ele cozinhar para ela. Depois que eles terminaram de comer e de limpar tudo, eles conversaram mais um pouco, sobre nada em especial, até que chegou a hora de dormir. Edward insistiu que ela dormisse no quarto dele, na cama, mas ela não queria fazê-lo dormir no sofá. No fim das contas, eles acabaram dormindo juntos, novamente sem nenhum deles dizer exatamente que queriam aquilo.
E Isabella não teve um pesadelo naquele dia, como imaginou que teria.
No dia seguinte, Edward pediu desculpas mil vezes por ter que ir trabalhar, não querendo deixá-la sozinha. Dessa vez, não seria por apenas por uma hora, afinal. Mas ele tinha que fazer perguntas às duas mulheres encontradas junto de Isabella e, pior… ele tinha que conversar com Ben.
Não dava para adiar mais.
Além, é claro, de ter que começar a interrogar Royce e tentar puxar algumas coisas dele. O detetive sabia que seria mais fácil, principalmente o julgamento, se Royce se declarasse culpado e decidisse contar tudo.
Talvez isso tornasse as coisas mais fáceis para Isabella, também. E isso era algo que Edward queria mais do que tudo.
– Está tudo bem, Edward — ela meio que murmurou, embora estivesse nervosa. — Eu tenho uma consulta com o Dr. Hale hoje, preciso dizer algumas coisas para ele… Eu posso pedir Charlie para me pegar aqui… Ele vai saber despistar a imprensa.
Edward assentiu, se sentindo mais tranquilo.
– E você tem certeza de que quer ir trabalhar hoje? — ele indagou, mesmo já tendo feito aquela pergunta algumas vezes. Ele estava meio nervoso, afinal. Da última vez que ela tinha ido trabalhar, ela tinha sumido. Podia ser meio irracional, já que ele sabia que Royce estava preso, mas não conseguia deixar de sentir medo. — Você sabe que o hospital vai te dar todo o tempo que precisa…
Ela encolheu os ombros, um pequeno sorriso no rosto.
– Trabalhar me faz bem — ela respondeu. — Me faz… esquecer. Vai ficar tudo bem, eu acho. Pelo menos, é o que eu venho me dizendo, para não me focar no que aconteceu a última vez que dei um plantão.
Ele sorriu para ela, feliz por ela estar falando aquelas coisas com ele. Antes ela era tão fechada… ele gostava de ver como ela estava se abrindo mais e falando as coisas que sentia, mesmo que não fosse exatamente nada relativo ao passado.
Ele esperou que Charlie chegasse, antes de se despedir dela com um beijo no rosto, dizendo que a veria no dia seguinte e, novamente, afirmando que ela poderia ligar para ele a qualquer hora, que ele estaria com o celular o tempo todo.
Ele foi para a delegacia, então, sabendo do longo dia que o esperava lá.
Quando chegou ao serviço, a namorada de Ben e a outra garota já esperavam. Edward e o chefe apenas observaram a conversa, deixando que duas policiais mulheres conversassem com elas, querendo que elas se sentissem mais à vontade. Elas contaram o que Edward já sabia que era o modo de agir de Royce, como ele usava as iscas que sabia que iriam atrair as garotas.
O detetive não pôde deixar de notar, porém, como o sequestro da última garota havia sido desesperador. Ele havia cometido pequenos erros e o detetive simplesmente sabia que era porque ela era uma garota do orfanato. Ela havia sido sequestrada na mesma época que Edward comentara com Royce que o homem da van nunca sequestrara ninguém daquele orfanato.
Edward o havia feito ficar desesperado.
– Isso pode ser usado em tribunal. — O chefe comentou. — Talvez você possa comentar isso com ele quando formos entrevistá-lo…
Edward apenas assentiu.
Quando as duas policiais terminaram de conversar com as garotas, eles as liberaram, dizendo que as procurariam caso tivessem mais alguma pergunta. E então, Edward foi até a sala do chefe, conversar com ele sobre Ben.
– Ele veio falar comigo ontem, detetive Cullen. — Seu chefe disse, suspirando pesadamente. — Infelizmente, tive que afastá-lo durante um tempo, até toda a investigação ser concluída… Você sabe como essas coisas funcionam.
Edward assentiu.
Ele ainda não sabia como se sentia em relação a Ben. Ele estava furioso, sim, porque ele poderia ter dito algo, poderia ter ajudado a pegar Royce mais cedo. Ele não teria escapado daquela primeira vez, caso Ben não tivesse ajudado, afinal. Mas por outro lado, quando ele pensava no que Isabella havia dito no dia anterior.
E se fosse Rose ali? Ou Bella?
Edward sabia que também não teria comentado com ninguém.
Ele não faria nada que pudesse arriscar a vida delas.
– Eu vou conversar com ele, se o senhor não se importa — disse, levantando-se. — Depois disso, vou vir para o interrogatório de Royce. O advogado dele ainda não chegou, presumo?
O chefe encolheu os ombros.
– Ele ainda não disse nada — comentou. — Nem quando perguntamos se ele quer chamar alguém de confiança. Designamos um para ele, do estado, mas você sabe como essas coisas demoram um pouco.
O detetive franziu a testa por um momento, depois assentiu. Ele avisou o chefe novamente que estaria de volta em breve e depois partiu da delegacia, indo até a casa de Ben, que não morava muito longe dali.
Ele pensou em Isabella, então, e puxou seu celular, assim que estacionou o carro em frente à casa do cara que não tinha sido apenas seu parceiro nos últimos anos, mas também um grande amigo. Ele queria ligar para Isabella, mas ainda era cedo e ela ainda estava na sessão com o Dr. Hale, pelo que o relógio indicava.
Então, sabendo que não podia enrolar mais, colocou o celular no bolso novamente, desligou o carro e saiu, pronto para trocar uma palavrinha com Ben.
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Isabella torcia as mãos no colo, sentindo-se nervosa, enquanto o pai dirigia até o consultório do Dr. Hale. Charlie havia ligado o som, colocando uma música clássica, sabendo que a filha gostava, não querendo puxar alguma conversa e deixá-la desconfortável.
Ele ficara feliz quando ela ligara, perguntando se podia acompanhá-la até a consulta, explicando sobre a imprensa. E ela não precisou pedir duas vezes. A filha quase não pedia ajuda. Quando ela pedia, tanto ele quanto Renee queriam fazer algo, por mínimo que fosse.
Eles haviam se sentido impotentes por tanto tempo depois que ela tinha sido achada, quase dez anos atrás. Era bom poder ajudá-la quando ela pedia algo. Fazia com que eles se sentissem pais de verdade, por mais estranho que isso soasse.
– Chegamos, querida — ele disse, estacionando o carro. Ele deu uma olhada ao redor, procurando por algum repórter. — E parece que não descobriram que você frequenta um psiquiatra ainda, o que é ótimo… Vamos?
Isabella forçou um sorriso para fora do rosto e assentiu, saindo do carro. O pai a acompanhou até o consultório, a mão nas costas a guiando, sempre olhando para o lado, à procura de um repórter. Ela sentiu um sentimento bom tomar conta dela ao notar o pai fazer isso. Era bom saber que ele se importava e se preocupava com ela.
Ainda era meio estranho pensar que Renee e Charlie nunca haviam desistido dela, nem quando ela tinha sumido por quase um ano, nem quando voltara completamente mudada. Eles tinham lutado durante um tempo, quando voltara, para fazer tudo voltar ao normal, até perceberem que não era possível, por mais que tentassem. Então, se adaptaram à nova Isabella. E apoiaram em toda decisão que ela tomara, sempre estando ali por ela.
Ela sempre seria grata a eles, por tudo o que eles tinham feito desde que eles tinham adotado-a.
– Vou esperá-la aqui, ok? — Charlie avisou, quando eles já estavam no consultório e o Dr. Hale a chamara. — Tome o seu tempo, querida.
Ela lhe deu um sorriso agradecido e entrou no consultório, cumprimentando o seu médico. Ela se sentou no usual lugar e esperou que ele se sentasse e se ajeitasse, antes de começar a falar.
– Obrigada por ter um horário disponível para mim, mesmo eu tendo marcado de última hora — ela começou. — E mesmo não sendo meu dia de consulta…
Ele sorriu para ela.
– Não há problema algum, Isabella — ele comentou. — Entendo que passou por algo traumático nos últimos dias, é normal você querer consultar depois disso.
Ela assentiu, depois fez uma pequena careta.
– Eu não vim falar sobre isso, na verdade — murmurou. — Eu só queria… meio que falar de outra coisa, algo que venho pensando esses últimos dias.
Ele fez uma anotação rápida, antes de assentir.
– A hora que estiver pronta — ele disse -, pode começar.
Isabella fitou as mãos durante um tempo, antes de voltar a fitar seu médico. Ela respirou fundo, então, lembrando de algo que vinha pensando nas últimas horas, desde que vira a imprensa na porta da casa dos seus pais.
– Eu me lembro do dia que consegui fugir dele– ela começou, voltando a fitar as mãos. Ela não queria ficar fitando o Dr. Hale enquanto falava sobre isso, mesmo já confiando um pouco mais nele e tudo o mais. — Já fazia um tempo que eu estava lá, embora eu não soubesse dizer exatamente quanto, só que já estava fazendo quase um ano… Ele já confiava em mim, então, depois de planejar por meses, um dia coloquei mais álcool na bebida que preparava dele, quando ele não me fazia provar antes para ver se eu tinha feito algo que não devia, e esperei que ele adormecesse para fugir…
Ela parou por um momento, respirando fundo. Ela já havia dito aquela história antes em voz alta, um tempo atrás, para o detetive Cullen, mas não importava quantas vezes ela contasse para alguém. Nunca seria fácil dizer tudo aquilo em voz alta.
O que ela não daria para simplesmente esquecer aquela época… O que ela não daria para simplesmente apagar aqueles 11 meses da sua mente.
– Eu lembro de ter corrido tanto — ela disse. — Lembro de ter sentido medo de não conseguir, de ele me pegar… porque eu sabia das consequências que me esperariam caso não conseguisse fugir. Às vezes eu me encontrava tão cansada e queria parar, nem que fosse por um minuto, só para descansar um pouco, mas sabia que não podia, porque eu não queria correr o risco de ele me pegar…
Ela parou por um momento e fechou os olhos. Ainda se lembrava de como tinha sentido naquele dia. A adrenalina lhe dando forças para continuar, o coração batendo tão alto e forte que ela teve até medo de ele se guiar pelo som — mesmo sabendo que isso era impossível — e achá-la.
E o alívio que a atingira quando ela finalmente chegara à rua, quando ela fora encontrada por outras pessoas e não por ele, mesmo com o medo ainda ali, predominando.
– Eu não parei nem por um segundo — ela continuou, já tendo se controlado um pouco. — Eu lembro de chegar a uma rua, de me encontrarem… Lembro-me de ir ao hospital, de me tocarem, de fazerem exames… E depois me lembro das perguntas…
Ela cruzou os braços e se encolheu.
– Mas toda vez que eu tentava falar, eu me lembrava de tudo o que tinha acontecido e simplesmente não conseguia falar — ela sussurrou, finalmente olhando para o Dr. Hale. Ela lhe deu um sorriso triste. — Eu sabia, no fundo, ou uma parte de mim sabia, talvez, que nada daquilo era culpa minha, mas quando eu lembrava das coisas que fiz, de tudo que passei…
Ela encolheu os ombros.
– Eu pensei que se eu negasse, que se eu não falasse, tudo passaria, todos esqueceriam — continuou. — Nunca aconteceu, mas sempre pensei nisso, sempre me foquei nisso, toda vez que um policial ou um detetive me procurava para me pedir ajuda, porque mais alguém tinha desaparecido.
Ela começou a chorar, então, e parou por um momento, aceitando o lenço que o médico esticava. Ele perguntou se ela queria parar e continuar depois, mas ela negou. Ela precisava dizer aquilo.
E ela disse. Disse como tudo mudou quando o detetive Cullen surgiu, insistindo para que ela falasse, mesmo recebendo um não atrás do outro. Falou das ameaças que começou a receber quando começou a se abrir para o detetive… de Royce ter aparecido no seu trabalho, fingindo ser pai de um paciente. Ela falou do medo que sentiu quando as ameaças chegaram em forma de fotos, lembrando-a de coisas que ela tentava tão duramente esquecer.
– Ele tem um álbum de todas — ela sussurrou. — Ele me fez ver, ele me fez colocar em ordem alfabética, ele me fez começar a montar o meu. Cada castigo, cada vez que ele me bateu e tirou foto das minhas costas machucadas… ele me fez colar no álbum.
Ela soltou uma risada amarga.
– E agora ele está preso, os álbuns serão achados — soluçou. — Em breve, todos serão achados, inclusive o meu. E eles verão, Edward verá, tudo o que ele fez comigo, documentado, foto por foto, e ele vai ver como sou danificada e como não vale à pena lutar por alguém que está assim.
Ela tornou a rir e balançou a cabeça, secando as lágrimas novamente.
– Mas eles também saberão outra coisa, Dr. Hale — ela murmurou, tornando a fitá-lo. Ele não tinha dito quase nada desde que ela começara a falar; ela sabia que era porque ele queria que ela desabafasse primeiro. Ela nunca tinha falado tanto, afinal. Mas ela estava com aquilo há tanto tempo guardado para ela… ela simplesmente não podia segurar mais. — A imprensa logo vai começar a falar sobre isso, principalmente quando o julgamento começar…
Ela sorriu de forma triste, o lenço retorcido nas mãos, sentindo seu coração tão quebrado e despedaçado que, naquele momento, ela não via como podia juntar as peças.
– Eles vão saber que a culpa foi minha — ela sussurrou. — Cada foto que eles verem, cada caso, cada corpo encontrado, cada garota desaparecida, tirada dos pais… eles vão me culpar, e sabe por quê? Porque eu podia ter dito antes, podia ter contato tudo, podia ter ajudado a prendê-lo, dado informações… eu só… e-eu só não p-podia.
Ela engoliu em seco e fechou os olhos com força. O Dr. Hale fez mais algumas anotações, nunca tendo escutado antes Isabella falar tanto. Ele abriu a boca para começar a, finalmente, dizer algo, mas parou quando ela o fitou novamente.
Aparentemente, ela ainda não tinha terminado de falar.
– E eu sei que é verdade — ela suspirou. — Edward me disse que não é a minha culpa, que é tudo culpa dele, mas… não consigo me convencer disso, simplesmente não dá…
Ela largou o lenço e respirou fundo.
– Porque eu sei que é tudo culpa minha — concluiu. — E logo, todos saberão também.
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A conversa com Ben foi… difícil, para simplificar as coisas. Edward saiu de lá uma hora depois de chegar, mais ou menos, ainda meio confuso quanto aos seus sentimentos. Uma parte dele queria odiar Ben e culpá-lo, mas ele sabia que era uma parte meio irracional.
Ele sabia que teria feito o mesmo.
Não querendo pensar muito naquilo no momento, ele seguiu para a delegacia, sem conseguir acreditar que aquele dia estava longe de acabar. Tudo o que ele queria era levar Isabella de volta para a sua casa e ficar lá com ela, apenas curtindo o dia com ela, exatamente como havia feito no dia anterior. Eles não haviam feito nada demais, nada especial, e, mesmo assim, ele não conseguia se lembrar da última vez que tinha se sentido dessa forma.
Ele queria aquilo de novo.
Quando ele chegou à delegacia, o chefe já o esperava. Royce já havia sido levado para a sala de interrogatório e vários policias estavam vigiando-o.
Ninguém queria que ele escapasse.
Ele e o chefe entraram na sala, cumprimentando os dois policias parados ao lado da porta. Royce encontrava-se sentado, as pernas algemadas, presas à mesa que era colada ao chão. Os braços também se encontravam algemados, as mãos presas a uma corrente que estava presa à mesa também.
Mais medidas de segurança.
E quando o FBI chegasse e assumisse o caso — algo que aconteceria a qualquer momento, por mais que o chefe quisesse adiar aquilo e eles mesmo fecharem o caso -, tudo pioraria.
Para Royce, é claro.
E Edward não podia negar que se sentia extremamente satisfeito com isso.
O advogado solicitado para Royce se levantou e os cumprimentou, antes de se sentar novamente. Edward logo começou as perguntas, falando uma coisa atrás da outra, querendo que Royce admitisse as coisas, querendo arrancar uma confissão.
Mas ele não falou, nem por um segundo, uma palavra sequer.
O detetive e o chefe tentaram de todo o jeito, mas Royce apenas os fitava. Ele não sorria, ele mal piscava.
E Edward estava se controlando para não lhe dar um soco, para não fazer o rosto dele se encontrar com a mesa.
– Tudo bem, Sr. King, será do seu jeito — disse, por fim, colocando-se de pé. — Só te garanto que isso fará as coisas bem piores, para você. Não que eu me importe, é claro.
O advogado continuava impassível. Ele provavelmente tinha dito para Royce se manter calado. Não era culpa dele, estava fazendo apenas seu trabalho, mas Edward simplesmente detestava advogados de defesa em casos como esse. Ele entendia a lógico de todos terem direito a um advogado, mas como pessoas como Royce podiam? Depois de tudo o que ele tinha feito, como alguém ainda podia querer defendê-lo?
O ruivo procurou se acalmar, no entanto, sabendo que não podia culpar ninguém. Ele fez questão de acompanhar os dois policias que levavam Royce para a cela onde estava ficando, a mais reforçada, isolada e bem protegida da delegacia.
Ele era vigiado 24 horas por dia.
Mas para o detetive, isso ainda não era o bastante.
Eles passaram pelas duas portas trancadas eletronicamente até chegaram à cela. Edward fez questão de abrir e depois de aberta, esperou que colocassem Royce dentro dela. Retiraram as correntes da perna e o trancaram, retirando a algema e corrente do braço logo em seguida. Depois, os policias se afastaram, mas o detetive continuou ali por mais uns segundos.
Havia tanto coisa que ele queria dizer, tanta coisa que estava guardada dentro dele, mas Edward se controlou, precisando usar toda a sua força para isso; não queria dar esse gostindo a Royce.
O ruivo verificou a cela mais uma vezes, certificando-se de que estava mesmo trancada. Poderia até ser cisma dele — provavelmente era, na verdade -, mas não queria que Royce escapasse novamente; nunca mais.
Ele se virou, então, pronto para sair dali. Pronto para pensar em alguma estratégia que faria Royce falar.
– Detetive? — ele chamou, quando Edward já havia se afastado alguns passos. O ruivo virou para ele novamente, fitando o homem que odiava acima de tudo, por ter feito o que fez com Rosalie, é claro, mas principalmente por tudo o que ele havia feito a sua Isabella. — Eu vou sair daqui, sabe?
Edward ergueu a sobrancelha, suas mãos se fechando em punho.
– Sim, eu vou — ele sorriu quando viu a expressão incrédula e cheia de ódio do detetive. — E quando eu sair… diga a Isabella para esperar por mim. Vou fazê-la pagar por tudo o que me fez.
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