Daylight

29 Capítulo Vinte e Oito


Notas iniciais
Olá, meninas! Nem demorei tanto assim, não é? Leiam a N/A, por favor. Tenho boas notícias!

— Detetive? — ele chamou, quando Edward já havia se afastado alguns passos. O ruivo virou para ele novamente, fitando o homem que odiava acima de tudo, por ter feito o que fez com Rosalie, é claro, mas principalmente por tudo o que ele havia feito a sua Isabella. — Eu vou sair daqui, sabe?

Edward ergueu a sobrancelha, suas mãos se fechando em punho.

— Sim, eu vou — ele sorriu quando viu a expressão incrédula e cheia de ódio do detetive. — E quando eu sair… diga a Isabella para esperar por mim. Vou fazê-la pagar por tudo o que me fez.

—x-

O detetive ficou parado por um momento, ainda fitando Royce com aquele sorriso no rosto, como se ele tivesse mesmo certeza de que iria sair dali. Suas mãos ainda se encontravam fechadas em punho e ele precisou usar toda a força que tinha para não voar em Royce e fazê-lo engolir o que ele havia dito.

Não.

Ele não fugiria dali.

O detetive cuidaria disso pessoalmente.

Ele sorriu, então, não querendo que Royce visse o quão ele tinha sido afetado por aquelas palavras. Mas ele cuidaria para que isso não acontecesse. Ele cuidaria para que Royce nunca mais machucasse sua Isabella.

— Veremos, Sr. King — ele disse, por fim. — Isso é o que veremos.

Ele se afastou, então, trancando a outra porta atrás de si. Fitou os dois guardas que estavam ali, quase como se esperasse que um deles revelasse que iria ajudar Royce a fugir. Edward podia até estar sendo paranoico, mas Royce já tinha tido muitas cartas na manga, por tempo demais. Ele não duvidava da capacidade dele de armar outro plano.

Por isso, por mais que estivesse com vontade de ir embora naquele momento e estar com Isabella, mesmo que tivesse dito para ela que eles se veriam apenas no dia seguinte, ele foi até o escritório do seu chefe. Comentou com ele brevemente o que Royce havia dito e os dois concordaram em fazer uma investigação sobre cada pessoa que trabalhava ali, em silêncio.

— Há pessoas aqui a quem eu confio a minha vida, detetive Cullen. — O chefe havia dito. — Mas acredito que, por enquanto, seja melhor que mantenhamos isso entre nós dois.

Então, enquanto o chefe começava a cuidar de toda a investigação, Edward se prontificou a tomar conta da guarda de Royce naquela noite. Ele já havia passado horas acordado, sabia que isso não seria um grande problema.

Mas ele queria tanto estar com Isabella… principalmente depois das palavras ditas por Royce. O detetive realmente queria pegá-la em seus braços e levá-la para longe dali, onde ele poderia mantê-la segura, exatamente como havia prometido. Ele suspirou pesadamente, enquanto se sentava à mesa próxima à porta fechada eletronicamente. Os dois guardas haviam saído há poucos minutos e outros dois tinham assumido. Edward os vigiava, procurando qualquer coisa suspeita, desviando seus olhos só por um minuto, para que pudesse olhar para o monitor, onde podia ver Royce, sentado na cama de sua cela. Não havia ninguém ali que ele pudesse conversar, ninguém para ouvir suas histórias ou para ele pedir ajuda para escapar.

E, mesmo assim, o detetive se encontrava extremamente inquieto. Sabendo que ele não conseguiria sossegar enquanto não falasse um pouco com Isabella, ele rapidamente enviou uma mensagem a ela, perguntando se estava tudo bem. Enquanto esperava a resposta, observou Royce se levantar e caminhar um pouco, antes de tornar a se sentar. Como ele se manteve quieto pelos próximos minutos, Edward observou os guardas, então, até que sentiu seu iPhone vibrar em sua mão.

Tudo bem, eu acho… Nós nos veremos amanhã?

Ele sentiu um sorriso abrindo em seu rosto ao ler a pergunta dela. Ele sabia que ela só estava falando que estava bem para acalmá-lo, quando, na verdade, deveria ainda estar se preocupando com os jornais e as manchetes e pensando no que as pessoas falariam e quando começariam a culpá-la, mas se sentiu feliz por ela estar querendo vê-lo logo. Ele se sentia bem com isso. Não era o único que sempre ansiava por um reencontro, afinal.

É claro, Bella. Não sei quando poderei, porém. Eu te ligo, ok? Você está na casa dos seus pais?

Ele se sentiu muito mais tranquilo quando ela respondeu que Charlie a tinha levado para lá depois da consulta dela com Jasper. Ela disse também que ele a levaria para o hospital em breve, para que ela pudesse trabalhar, e tinha combinado de buscá-la no dia seguinte, após o almoço, quando o turno dela acabasse. Ele queria dizer que a buscaria no hospital, porque realmente precisava vê-la, mas achou melhor dizer que a veria na casa dos pais dela.

Ele não sabia quando seria liberado para ir para casa, afinal.

Depois de desejar boa noite para Isabella e mandar uma mensagem para Charlie para mantê-lo a par do caso e para informá-lo do que Royce havia dito — algo que eles haviam combinado mais cedo, que Edward passaria todas as informações para ele. Ele se sentiu melhor depois disso, porque sabia que o pai de Bella iria cuidar dela enquanto ele estivesse no trabalho.

O chefe do detetive se aproximou dele algum tempo mais tarde, já de madrugada, para que eles, juntos, pudessem começar a investigar todos da delegacia. Eles puderem intercalar o trabalho entre vigiar os guardas que trocavam de turno de duas em duas horas, e vigiar Royce na cela.

— Pensei em ver se tem algum parente desaparecido ou algo assim… — o detetive comentou, baixo o suficiente apenas para que seu chefe pudesse escutá-lo. — Esse é o modo que ele trabalha, afinal.

Eles sabiam que não encontrariam nada muito óbvio, porque caso houvesse algum policial que estivesse nas mãos de Royce, ele não teria, assim como Ben, reportado o desaparecimento.

Eles ficaram ali por horas, olhando ligações recebidas, sabendo que eles só poderiam começar a ligar para a casa das pessoas quando amanhecesse.

E no dia seguinte, bem cedo, quando Edward mal conseguia manter seus olhos abertos, o chefe recebeu a informação de que o FBI estava a caminho e que eles chegariam a qualquer momento.

— Eu vou conversar com eles em minha sala sobre tudo o que tem acontecido. — O chefe terminou de tomar mais uma caneca de café e se colocou de pé, escondendo um bocejo. — Liberarei você em breve, Cullen. Tenho certeza de que o FBI irá nos ajudar nessa investigação…

Por mais que quisesse estar presente na hora que o chefe conversasse com o FBI, ele entendeu o motivo de o chefe querer que ele ficasse ali. Eles ainda não tinham conseguido muita informação e Edward sabia que não deixaria de vigiar Royce. Alguns policiais tinham entrado, logo de manhã cedo, e ido até a cela dele, para deixar comida, e ele e o chefe tinham vigiado para saber se tinha alguma nota ou algo assim escondido. Como nada ainda parecia suspeito, Edward tinha relaxado um pouco, mas tinha continuado atento.

Ele não deixaria que King chegasse perto da sua garota, afinal.

Ele observou o pessoal do FBI passar, todos da delegacia também prestando atenção. Eles ficaram durante um bom tempo na sala do chefe, só saindo quase uma hora mais tarde. Dois homens se aproximaram de Edward, então, se sentando ao seu lado e dizendo que o chefe estava chamando-o em sua sala.

— Estamos ciente de tudo, detetive Cullen. — Um deles disse, fitando o monitor. O outro já tinha puxado alguns arquivos dos funcionários e começara a ler. — Não vamos deixá-lo escapar.

Edward conversou brevemente com o chefe, então, e com outras pessoas do FBI.

— Conversei com Sr. Carson — começou seu chefe, apontando para um homem alto sentado na poltrona que havia ali — e ele acredita que quem quer que esteja ajudando Royce aqui dentro, se realmente há alguma pessoa, vai tentar libertá-lo durante sua transferência para a prisão de alta segurança. Então, como eles vão ficar aqui durante um bom tempo e vamos ter ajuda de mais pessoal, vamos mantê-lo aqui até o primeiro julgamento.

O detetive assentiu.

— Agora, vá para casa e descanse durante um tempo, Cullen. — O chefe continuou. — Volte aqui depois do almoço, ok? Vamos até a casa onde Royce manteve as garotas, ajudar nas buscas. Temos que achar alguma coisa lá…

Novamente, Edward assetiu. Ele conversou mais um pouco com o chefe e com outras pessoas ali, principalmente sobre Isabella, dizendo que a segurança dela era a sua prioridade máxima, e após isso, partiu para a sua casa.

Ainda eram oito da manhã quando ele chegou. Ele tomou um banho rápido e se jogou na cama, sabendo que teria que acordar novamente dentro de cinco horas. Ele ainda estava exausto quando o celular despertou, mas sabendo o que ele e o chefe fariam naquela tarde… Ele sabia que havia os álbuns das garotas, que Isabella já mencionara, e ele sabia que a defesa de Royce ficaria ainda mais difícil — impossível, na opinião do detetive — quando eles achassem todos. Tinha que estar nessa casa, em algum lugar, Edward sabia disso. Mas fazia dias — desde quando eles resgataram as garotas — que uma equipe de busca revirava a casa. E até agora eles não tinham encontrado nada.

Ele sabia que no meio deles teria os de Isabella também, mas estava tentando não pensar muito nisso. Não sabia o que sentiria quando visse as fotos dela, não sabia se seria capaz de vê-las, na verdade. Ele tinha visto aquelas que Royce mandara um tempo atrás, quando estava ameaçando Isabella, e ele conseguia imaginá-las perfeitamente em sua mente até hoje… Ela tinha passado por tanto, sofrido tanta coisa.

Edward, sinceramente, não sabia como se sentir.

Ele comeu um sanduíche rapidamente, antes de correr para fora de casa e ir para a delegacia mais uma vez. Seu chefe já estava ali, juntamente com uma equipe do FBI. Eles não demoraram para partir, e logo estavam na casa onde Edward estivera apenas alguns dias antes, quando fora resgatar Isabella e as outras duas mulheres.

Eles se dividiram, conversando rapidamente com a equipe de resgate. Passaram boa parte da tarde procurando de um lado e o outro. Edward andou pelos quartos, enquanto tentava se colocar no lugar de Royce por um minuto — por mais repulsivo que aquilo fosse. Ele não deixaria nada à vista de todos, mas colocaria em um lugar de fácil acesso, se ele precisasse destruir as evidências rapidamente ou algo assim, e que significaria algo para ele.

Pensando em como ele mantinha as garotas em porões, ele desceu até o porão daquela casa. Havia diversas coisas ali, caixas amontoadas uma em cima da outra, papeis jogados em um canto. Algumas caixas já tinham sido retiradas e tinham sido mexidas, mas havia ali só alguns móveis velhos. Edward calçou as luvas e começou a retirar uma coisa ou outra, observando tudo. Ele achou algumas fotos da família de Royce e guardou-as em um saquinho de evidência, apenas para o caso de eles precisarem. Achou, também, documentos com o sobrenome verdadeiro dele — já que ele tinha mantido o nome — e outras coisas também, que não tinha muita importância.

Logo, com a ajuda de alguns agentes do FBI, o porão estava praticamente vazio. E foi aí que o detetive viu, bem no canto, ainda debaixo de algumas caixas — umas que estavam vazias e seria bem fácil de Royce tirar para ter acesso ao que quer que fosse — uma pequena porta na parede.

Ele sentiu seu coração bater mais rápido enquanto caminhava até lá e começava a jogar as caixas para o lado. Quando finalmente se livrou de todas, viu que a porta estava trancada e que era protegida por senha. Na verdade, não era muito uma porta e sim um cofre um pouco maior. Ele sabia que Royce não falaria a senha — nunca — e também não tinha tempo para ficar indo até a ele e perguntando. Mas ele também sabia que existiam maneiras de descobrir segredo. Por isso, correu até seu chefe e, após contar o que tinha descoberto, um especialista foi chamado.

Já se passava das quatro da tarde e o detetive estava ansioso para ir até Isabella, mas sabia que havia uma grande chance de não conseguir vê-la naquele dia. Dependendo do que ele encontraria ali, ele passaria mais uma noite na delegacia, trabalhando. Ele reuniria todas as informações que pudesse contra Royce para mantê-lo longe de Isabella para sempre.

Eles conseguiram abrir o cofre pouco depois das cinco. Edward estava presente e ele sentiu seu coração falhar quando ele viu diversas pequenas caixas ali dentro. Ele sabia o que estava ali. Isabella tinha falado com ele.

E ele ainda não tinha ideia se estava pronto para ver o que ele havia feito com ela.

Ele se aproximou do chefe, dizendo o que achava que tinha naquelas caixas, enquanto elas eram retiradas e empilhadas em um canto. Ele não sabia como se sentia sobre várias pessoas da delegacia vendo tudo aquilo. Não era algo que muitos tinham estômago para ver. Nem mesmo ele sabia como se sentiria depois que passasse por tudo aquilo.

O chefe pediu que sua equipe saísse, então, deixando apenas alguns agentes do FBI e os dois. Eles começaram a abrir as caixas, e Edward pôde ver como os agentes pareciam surpresos com todos os nomes que estavam ali e com o conteúdo dentro daqueles álbuns.

Ele ouviu as exclamações de surpresa, ouviu os comentários, mas o detetive não deu muita importância. Com o coração quase saltando pela sua boca, ele se aproximou da caixa onde havia uma letra I, sabendo que o álbum de Isabella estaria ali.

E não demorou muito para o detetive achá-lo.

Com as mãos tremendo, ele pegou o álbum e o colocou no colo, fitando o nome de Isabella Swan. Ele fechou os olhos por um momento e engoliu em seco, antes de abrir. Imediatamente, ele sentiu as lágrimas tomando conta de seus olhos quando viu a primeira foto, dela deitada em um colchão, as pernas encolhidas, os olhos fechados. Ele pôde notar que ela estava dormindo e sabia que não era pacificamente. Seus ombros estavam tensos, seus braços embrulhados ao redor de seus joelhos. E ela estivera chorando…

Ela parecia tão diferente da mulher que era agora. Parecia tão mais frágil e tão… pequena.

Deus, Royce era mesmo um monstro. Edward não sabia que o ódio que sentia por ele podia aumentar, mas saber que ele fizera aquilo com Isabella, com milhares de garotas inocentes…

Ele iria pagar. O detetive Cullen o faria pagar.

Ele mudou de página, vendo uma das fotos que Royce tinha ameaçado Isabella. Ela estava encolhida contra uma parede, suas costas nuas… e marcadas. E a cada página que ele passava, ele via uma foto pior que a outra, de tantas marcas e sangue.

Até que ele não pôde ver mais.

— Esse é o da senhorita Swan? — O seu chefe se aproximou, com um agente ao lado. Edward apenas assentiu, incapaz de dizer alguma coisa. — Posso ver, por favor?

Embora quisesse pegar aquele álbum e queimá-lo, para que ninguém mais tivesse que vê-lo, mas sabia que isso não seria possível. Ele passou o álbum para o seu chefe e saiu de perto, olhando rapidamente as outras caixas, vendo mais álbuns ali. Ele podia imaginar várias garotas montando seu próprio álbum. Ele podia imaginar Isabella, chorando, sendo obrigada a montar seu próprio álbum.

O detetive agradeceu mentalmente por não ter comido nada mais do que um sanduíche naquele dia. Se tivesse comido algo mais, ele sabia que a comida já teria voltado àquela hora.

Ele não quis olhar mais nenhum álbum, deixando para que os outros fizessem tal coisa. As caixas que já tinham sido olhadas estavam sendo fechadas, lacradas e identificadas. O detetive passou por mais uma, a última, esperando encontrar mais um álbum, mas estranhou ao encontrar pequenos cadernos.

Ele pegou um e o abriu, e surpreso, viu que era um diário de Royce.

Ele folheou todos rapidamente, e todos eram diários dele. Informou ao chefe, enquanto pegava o primeiro, que estava nomeado de 1, e começou a ler a primeira página.

— Ele começa contando como conheceu a mulher que o trouxe para cá — ele disse. — Então… ele deve contar tudo o que fez nesses diários…

O chefe sorriu um pouco, mas não era um sorriso feliz. Ele também parecia mexido com as imagens que tinha visto.

— Vamos levar para a delegacia, então, tudo isso — suspirou, parecendo extremamente exausto. — Parece que teremos outra longa noite pela frente.

—

Edward ligou para Isabella assim que chegou à delegacia, dizendo que o FBI estava ali e que, infelizmente, ele não poderia ir vê-la naquele dia. Ele prometeu vê-la no dia seguinte, porém, quando ela saísse de outro plantão. Ela estaria indo trabalhar naquela noite e ficaria mais 12 horas no hospital, antes de ter um dia de folga. Não comentou com ela, no entanto, o que tinha encontrado na casa de Royce. Ele não queria que ela ficasse nervosa. Ele sabia que aquilo mexeria com ela de alguma forma. Sabia que ela deveria estar preocupada com o que ele pensaria dela.

Como sempre, Bella se culpava por tudo.

— Prometo que irei vê-la amanhã, ok? — ele disse mais uma vez. — Estarei aí antes que sinta minha falta.

Ela soltou uma pequena risada, o que fez com que ele sorrisse. Os acontecimentos dos últimos dias tinha aproximado os dois, e embora não tivessem sido acontecimentos bons, Edward estava mais feliz por poder falar mais livremente com ela, mesmo que não fosse sobre o que ele realmente sentia. Ele esperava poder falar sobre isso com ela logo, porém.

Talvez depois que Royce fosse, definitivamente, um ponto final na vida de Isabella.

— Certo— ela respondeu. — Vou estar esperando. Obrigada por estar aqui por mim, Edward. Você não sabe como isso significa para mim.

Depois de conversarem mais um pouco, ele desligou, partindo para a sua sala. Ele se sentou e tornou a calçar as luvas. Pegou, então, o primeiro diário de Royce e começou a ler. Ele queria terminar de ler tudo o quanto antes, para que pudesse estar presente no próximo interrogatório de Royce, onde poderia falar com ele sobre as coisas que descobrira.

Ele não seria capaz de se manter calado depois disso, o detetive podia apostar nisso.

Ele leu a história sobre como ele foi morar com a mulher que o tinha pego dos pais. Leu o que ela fazia com os garotos: obrigando-os a fazer os serviços de homens da casa, como ela chamava. Descobriu que o objetivo da mulher era transformar aqueles meninos em maridos para ela, mas como um nunca era suficiente, então ela sequestrava mais de um menino por vez. Descobriu que ela usava perucas de cores diferentes nas cidades do interior, onde os pais tinham mais filhos do que davam conta, e como ela sempre pegava crianças que eram filhos do meio, julgando que eles eram os mais esquecidos.

Lendo o primeiro diário de Royce, Edward começou a entender exatamente quando ele começou a transformar o amor que sentia por aquela mulher — porque no começo ele era o único, o mais importante — em ódio. Ela escolheu outro garoto de quinze anos e começou a ensinar tudo para ele, exatamente como fizera com Royce. Ele descreveu o ódio que sentia toda vez que ela odiava o garoto baixo e loiro demais.

E em como tudo isso tinha acontecido depois do aniversário de 16 anos dele, quando ela declarara que Royce seria um parceiro definitivo na vida dele logo após tirar a sua virgindade. Só que Royce não sabia que ele tinha que compartilhar, que um marido não era o suficiente para ela.

E ele ficou com ciúmes. Afinal, começou a perceber que não era o especial mais.

E no final daquele diário, depois de passar um tempo com aquela mulher e aprender tudo sobre ela, Royce começou a descrever, no diário, como ele tinha planejado a primeira morte da mulher que o tinha traído.

E Edward entendeu o fascínio de Royce com garotas que haviam sido adotadas: Victoria, a mulher que o tinha pegado, tinha sido adotada bem jovem.

Ele passou para o segundo diário, então, procurando aprender o máximo que podia de Royce. Viu como a escrita dele tinha mudado, como ele parecia meio… obsessivo. Ele descrevia as mortes com uma riqueza de detalhes que deixou o detetive de estômago embrulhado.

Ele leu sobre várias mortes, sobre vários anos. Como ele construiu tudo o que tinha agora. A pequena casa, onde Edward tinha sido baleado, o emprego que arrumara no orfanato, que tornaria seu acesso em arquivos de outros orfanatos mais fáceis. E então, lá pelo quarto diário, ele começou a contar sobre Isabella.

E Edward precisou parar por um momento e respirar fundo, sem saber se estava realmente pronto para ler aquilo.

Ele viu um agente entrar e pedir pelo primeiro diário, dizendo que o chefe dele tinha pedido que ele lesse tudo aquilo. Depois de entregar para ele e pegar mais um pouco de café para si, o detetive começou a ler a parte sobre Isabella.

10 de agosto de 2004

Conheci uma garota hoje que mudou completamente a minha vida. Era parece ser incrível. E eu tenho um pressentimento muito bom em relação a ela. Pesquisei durante um tempo, em um orfanato quase fora da cidade, quando vi o arquivo dela. Nada parecia especial demais quando eu o vi pela primeira vez. Ali havia informações sobre a mãe biológica dela, sobre como ela a havia deixado na porta do orfanato, só querendo dar um futuro melhor para ela… Não havia nada demais em sua história e seu pai biológico não era nem mesmo citado. Mas comecei a pesquisar, mesmo assim. Descobri, logo em seguida, que ela morava em um dos bairros mais ricos da cidade, que seu pai adotivo era um advogado famoso e a mãe tinha tido uns pequenos trabalhos aqui e ali, a maioria voluntários, mas que em parte, ficava mais em casa mesmo… E então, com o endereço deles em mãos, eu dirigi o meu carro até perto da casa deles — não querendo usar a minha van, já que era um bairro rico e uma van antiga chamaria a atenção. Eu já era notícia, não queria que me pegassem. Eu não era nada bobo, afinal…

Hoje, eu estava sentado no meu carro, observando-a, quando a vi sair de casa com seu pai. Ela estava rindo, e não me lembro de ver um sorriso tão lindo assim. Ela me lembrou uma pessoa… Victoria. Seus cabelos eram castanhos, mas estava fazendo um pouco de sol, e algumas mechas dela ficaram vermelhas, exatamente como a cor do verdadeiro cabelo de Victoria. Ela estava vestida com um vestido bonito e, mesmo de longe, pude ouvi-la falar, bem alto, como estava animada para seu aniversário, que seria dali a pouco mais de um mês.

Ela é realmente bem bonita. E mal posso esperar para pegá-la.

O detetive fez uma pausa e engoliu em seco, antes de continuar. Ele leu rapidamente, não conseguindo se prender muito aos detalhes. Era sua Isabella, afinal. Royce havia descrito a mesma coisa que Isabella havia lhe contado do dia que ele a sequestrara, do ponto de vista dele, é claro. Ele contara, então, como tinha sido os primeiros dias.

E logo, depois de ter se passado um pequeno período, Edward leu o primeiro castigo.

E ele precisou fazer uma pausa para não começar a chorar ali mesmo. Ou para se controlar e não ir até Royce e bater nele, exatamente como ele tinha feito com Isabella.

02 de outubro de 2004.

Eu tive que castigá-la hoje. Ela simplesmente não fez o que eu pedi. Não foi a primeira vez. Eu tinha deixado passar, porque ela ainda estava aprendendo, mas não posso deixar mais passar. Ela tem que entender quem manda aqui. Foi difícil vê-la daquela forma, ver aquelas lindas costas com marcas e saber que ela sangraria e sentiria dor durante uns dias. Mas eu sei que ela vai aprender. Estou confiante quanto a essa garota. Em breve, ela vai fazer 16 anos e eu vou torná-la minha. Em breve, ela se comportará como minha esposa. Mas ao contrário do que minha Victoria fez comigo… não vou arrumar outra. Isabella será o suficiente para mim.

Diversas vezes, o detetive se viu parando, não aguentando ler tudo aquilo. O agente do FBI o olhava, provavelmente pensando que ele era maluco ou algo assim, mas ele não conseguia se importar. Isabella nunca contara exatamente tudo o que tinha acontecido com ela e agora, enquanto lia aquilo, Edward se sentiu agradecido por ela nunca ter lhe contado tudo.

Seria pior ouvir aquilo dela, ele simplesmente sabia disso.

Ele passou para a próxima página, lendo mais algumas coisas: como ele a obrigou a ver os álbuns, como forma de outro castigo. Como fez com que ela limpasse a casa, mesmo estando dolorida de ter apanhado no dia anterior. Como fez com que ela cozinhasse para ele, dançasse para ele. Lavasse a roupa dele, fizesse sua barba — com uma arma apontada para ela, para que ela não tivesse nenhuma ideia boba de cortá-lo com a lâmina. Cada coisa era mais repulsiva que a outra, e o detetive não podia nem mesmo pensar nelas. Ele se sentiu querendo chorar novamente quando leu que ele tinha tocado suas marcas nas costas, que ele fez com que ela colocasse as fotos dela no álbum, escrevendo as datas. Que, quando ela errou, ele a castigou novamente, ali mesmo, lhe batendo tantas vezes que ela desmaiara de dor.

À medida que as páginas foram passando, ele viu como Royce ficava mais possessivo em relação a Isabella, como planejava grandes coisas para ela. Leu quando ele começou a dar mais liberdade para ela, lhe contar as coisas, falar do futuro dos dois.

Por fim, leu quando ele a levou para enterrar um corpo. Leu quando ele contou que esse era o futuro deles: matar juntos, até que ela tivesse pronta para começar a planejar as próprias mortes. Ele falara até mesmo de ter filhos com ela, e eles poderiam ensiná-los a seguir seus passos…

Era doentio, era surreal.

Ninguém poderia sobreviver àquilo.

E agora, ele achava Isabella dez vezes mais forte do que jamais pensara. O detetive começou a entendê-la mais, também. O motivo de ela nunca ter contado para ninguém. Porque tudo o que ela tinha passado… ele não tinha certeza se alguém podia vencer aquilo.

Ele chegou a penúltima página do diário, onde Royce, brevemente, escreveu que contara para Isabella, com quase 11 meses que ela estava ali, o que eles fariam na noite do aniversário de 16 anos dela. Que ele tomaria a virgindade dela e, dali em diante, ela seria sua.

Edward fechou o diário por um momento, deixando que aquela informação fizesse sentido na cabeça dele. Então… Royce nunca tinha a estuprado? Ele tinha planejado isso… e Isabella fugira antes que acontecesse.

Ele procurou afastar aqueles pensamentos da cabeça. Continuou a ler, finalmente chegando a parte onde Isabella fugia. E como Royce ficara ao descobrir. Leu como ele buscou-a em todo lugar, pensando que ela não tinha conseguido descobrir como sair daquele lugar e chegar até a rua. E em como ele tinha ficado furioso quando descobrira que ela tinha conseguido, já que ela apareceu em cada noticiário.

Edward ficou tenso quando viu que Royce tentou encontrá-la e pegá-la antes que ela completasse 16 anos. O diário acabara no aniversário de 16 anos de Isabella, onde Royce lamentava que não tivesse conseguido pegá-la de volta, e que agora não valia mais à pena. Que ele continuaria a busca por outra garota e que ele iria conseguir achar uma.

O detetive fechou o quarto diário e o jogou de lado, retirando as luvas e se colocando de pé. Ele sabia que não podia mais fazer aquilo, que ler aquele diário tinha mexido demais com ele. Ele avisou ao agente que leria o resto no dia seguinte, antes do interrogatório com Royce. Havia apenas mais uns três para ler. Ele aparentemente tinha desistido e talvez hoje não escrevesse mais.

Avisou ao chefe que iria para casa, porque precisava descansar, e foi para casa, por mais que estivesse desejando ir até Isabella. Ele precisava, mais do que nunca, dela ali com ele, precisava pegá-la nos braços.

Mas ela estava trabalhando. O detetive só iria vê-la no dia seguinte.

Ele tomou um longo banho e se obrigou a comer algo, muito embora não sentisse fome. Depois se jogou na cama, onde ficou virando de um lado para o outro, incapaz de tirar aquele dia da mente, incapaz de tirar toda a história de Isabella da sua cabeça. O cansaço finalmente tomou conta dele, porém, e ele logo se viu adormecendo…

Seus olhos se mantinham fixos à parede à sua frente, à espera do sinal. Sua arma estava posicionada, seu dedo pressionado no gatilho. Ele só precisava de um sinal, para sair do local e atirar.

Ouviu barulhos atrás de si, e se recusou a olhar, por mais que seu instinto dissesse para fazer tal coisa. Eram seus parceiros, pessoas que, assim como ele, só esperavam ouvir a voz no rádio.

Os minutos foram se passando e nada. O sinal não vinha. Lembrando-se do plano B, o plano que ele tinha discutido com a sua superior, ele fez sinal para dois dos seus colegas passarem e pararem ao lado da porta, exatamente como tinha sido combinado. Apontou para outro de seus colegas e esperou que ele se posicionasse em frente à porta, antes de se mover, sua arma ainda apontada para a porta.

— No três — ele disse, alto o suficiente para todos ali escutarem. — Um… dois… três! Agora!

A porta foi chutada e todos saíram, se espalhando por vários locais, à procura da outra equipe, que tinha saído há pouco. Edward entrou no corredor à leste, apontando sua arma para todas as portas que estavam fechadas e abertas, somente para continuar a andar logo em seguida, já que todas elas pareciam vazias.

Eles já estavam quase chegando ao fim do corredor, pensando que ele estava vazio, já prontos para partirem para outro, quando viram uma trilha de sangue, que dava na última sala. Edward firmou a arma mais em sua mão e continuou a andar.

Somente para congelar quando chegou até a sala que, outrora, estava vazia.

Lá, deitada em um poça de sangue, os olhos abertos, a mão estendida…

Estava Isabella.

O ruivo se sentou na cama de uma vez, respirando de forma curta e rápida. Ele encostou as mãos no rosto, só então percebendo que ele tinha chorado. Ele não sonhara com a morte de Jane fazia tanto tempo. Ele não sonhara com Jane fazia muito tempo. E agora… ele tinha sonhado com o dia que ela morrera, só que no lugar dela… quem estava morta era Isabella.

Ele sabia que era mentira, que Isabella nem mesmo o conhecia quando ele estava em missão, mas imaginar um mundo onde ela não existia, um mundo que ela estivesse morta.

Era demais. Ele não podia aguentar.

Ele pulou da cama e correu para o banho, sabendo que precisava vê-la naquele momento. Precisava se certificar que ela estava mesmo bem. Precisava de tê-la em seus braços.

E ele nunca pretendia deixá-la ir.

Edward pensara que conhecera o amor. Ele se perguntou, enquanto tomava banho, como podia ter se enganado daquele jeito, como podia pensar que estava perdidamente apaixonado por Jane até pouco tempo atrás, antes de conhecer Isabella, e como podia ter pensado que a amaria para sempre. Porque ele nunca havia se sentido dessa forma antes, até Isabella.

E ele só sabia que não podia perdê-la. Doeria demais passar por isso.

Ele saiu do banho com menos de dez minutos. Sua ansiedade só aumentou quando ele viu que Isabella só saíria do trabalho dali a uma hora. E ele precisava esperar. Ele se obrigou a comer, se obrigou a lavar as vasilhas que tinha sujado, se obrigou a colocar umas roupas para lavar, quando, na verdade, só queria ver sua Bella.

E assim que ele terminou de fazer tudo isso, ele partiu para a casa dos pais dela, sabendo que ela já deveria ter chegado.

— Edward, querido, entre! — Renee o abraçou rapidamente antes de se afastar da porta, para deixá-lo passar. — Isabella está no quarto dela, se quiser ir até lá. Eu perguntei se ela iria dormir, mas ela quer esperar o almoço primeiro…

Ele agradeceu rapidamente antes de subir, sabendo que deveria estar agindo de forma mal educada, mas não conseguia pensar nisso naquele momento. Ele bateu à porta do quarto de Isabella, seu coração batendo cada vez mais rápido. E logo ele ouviu o ‘entre’ de Bella.

— Bella! — ele disse, correndo até ela e puxando-a para seus braços. — Você está bem!

Ela pareceu confusa por um momento, mas logo retribuiu o abraço, embora não entendesse o que estava acontecendo. E então, ela sentiu os ombros dele tremerem e percebeu que ele estava chorando.

— Edward? — ela chamou. — O-o que aconteceu? Alguém se machucou? Por favor, você está meio que me assustando…

Ele se afastou um pouco, então, pouco se importando com o fato de que estava chorando, e segurou o rosto dela entre suas mãos, antes de levar os lábios dele até os dela e beijá-la como se estivesse beijando-a pela última vez. Ela parecia um pouco assustada, mas deixou que ele a beijasse, antes de se afastar e fitá-lo nos olhos.

E ela simplesmente soube.

Ele sabia.

— Então você já sabe de tudo, não é? — ela murmurou. — Você viu tudo?

Ele assentiu, incapaz de dizer qualquer coisa. Lembrou-se do sonho e da dor que tinha sentido quando vira sua Bella morta. Não. Aquilo não podia acontecer. Ele simplesmente não podia perdê-la. Amava-a demais para deixá-la partir.

Isabella o fitou durante um tempo, quase adivinhando o que ele diria. Ele a odiava. Ela sabia disso.

— Eu sei que isso muda a forma que você pensa de mim — continuou, abaixando os olhos. — Eu sei que estou estragada demais para alguém me querer, mas…

Ela fez uma pausa, sentindo seus olhos se encherem de lágrimas. Ela iria perdê-lo, simplesmente sabia disso.

— Ele me bateu, detetive, ele tocou minhas feridas, ele me castigou — sussurrou. — Mas… se você sabe de tudo isso, também sabe que… que por isso tentei fugir antes… antes de…

Ela não pôde dizer, sentindo-se envergonhada demais para aquilo.

— Você sabe, não sabe? — ela tornou a indagar. — Você sabe que sou defeituosa demais.

E ela o encarou, esperando ele dizer que não podia vê-la mais. Que, sim, ela era defeituosa demais e que ele não saberia lidar com o fato de que ela ainda era uma virgem.

Notas finais
N/A: Novamente: olá. Pois é, mais umas coisinhas reveladas nesse capítulo. Os álbuns do Royce foram encontrados, assim como os diários. Vamos ver o que acontece agora. Bella sofreu tanto, tadinho. E o Edward... ele realmente a ama, não é? Enfim, meninas, tenho boas notícias: nesses últimos dias me dediquei especialmente à Daylight, desde o sábado passado, na verdade, e consegui concluir toda a fanfic (até mesmo o epílogo!). Ela irá até o capítulo 32 + o epílogo, então mais 5 capítulos. Comentem bastante que logo logo volto com o próximo, ok? Só depende de vocês! xx N/B: Será que tem mais alguém aí querendo matar o Royce? E a Bella? Pobrezinha, o que essa pobre já sofreu. Torcendo para Edward curar o coração dela. Bjs, Lu.