Daylight

30 Capítulo Vinte e Nove


Notas iniciais
Mais um capítulo para vocês, meninas! Espero que gostem!

— Você sabe, não sabe? — ela tornou a indagar. — Você sabe que sou defeituosa demais.

E ela o encarou, esperando ele dizer que não podia vê-la mais. Que, sim, ela era defeituosa demais e que ele não saberia lidar com o fato de que ela ainda era uma virgem.

— Então você sabe disso — sussurrou, tão baixinho, que ele precisou se aproximar para ouvir.

—x-

Um mês depois

Isabella terminou de passar a escova nos cabelos, um suspiro escapando de seus lábios quando pensou como o tempo tinha passado tão rápido. Ela se fitou no espelho, apenas para verificar se a sua roupa estava do jeito que ela queria: meio formal sem estar formal demais. Ela usava uma calça preta, sapatilhas e uma blusa de botões salmão.

Depois de pronta, sentou-se na ponta da cama e começou a pensar no que tinha acontecido nas últimas quatro semanas. Ela se lembrou da conversa que tinha tido com o Dr. Hale quando confessara que achava que os jornais logo começariam a culpá-la. Ela se lembrou das palavras dele e como elas tinham lhe trazido conforto. Lembrou-se dele falando que ela estava sob influência de alguém que tinha um poder sobre ela e que ela não tinha culpa daquilo ou das escolhas dessa pessoa. Era a primeira vez na vida que ela tinha começado a pensar por essa perspectiva. E conforme ela foi conversando mais com ele neste último mês que havia se passado — passando a ir duas vezes por semana, exatamente como Jasper havia pedido -, ela foi começando a pensar dessa maneira.

O que ela poderia ter feito naquela época, afinal? Ela tinha feito o que fora preciso para sobreviver, certo? Ele matara muitas garotas antes dela, ela tinha visto isso quando ele a obrigara a ver todos aqueles álbuns. E não querendo terminar como elas, ela tinha simplesmente fingido que seria alguém perfeita para ele.

E quanto ao fato de ela ter negado a verdade por tanto tempo… O Dr. Hale tentara acalmar seus medos em relação àquilo. Ninguém sabia o que ela tinha passado, seus medos e anseios. Ninguém podia julgá-la por isso.

Às vezes, ela não conseguia pensar desta forma, porém. Muitas vezes, a dúvida ainda tomava conta dela e ela se pegava pensando no que as famílias de todas aquelas outras garotas deveriam pensar dela. O medo também era constante. Royce estava preso, vigiado diariamente por agentes do FBI e pelos policias.

Mesmo assim… Isabella ainda tinha alguns pesadelos com ele fugindo e indo atrás dela. Ela tinha medo de ser pega por ele novamente.

Ela conversava mais abertamente com o Dr. Hale agora, falando sobre seus medos e inseguranças, principalmente em relação ao detetive. Ela estava começando a realmente curtir a terapia e esperava de forma ansiosa para cada sessão. Ela também procurava conversar com Edward, porque ela descobrira que realmente confiava nele e que se sentia bem ao falar sobre o que sentia com ele.

Eles realmente tinham se aproximado no último mês.

Ela se lembrou daquele dia que ele tinha parado na casa dela e tinha chorado em seu ombro. Ela se lembrava de como tinha pensado em como ele mudaria de opinião em relação a ela depois que visse seu álbum. E se lembrou de como tinha estado enganada. Mais uma vez, o detetive Cullen havia surpreendido-a.

Ela sorriu um pouco ao se lembrar do que ele havia falado e de como ele tinha parecido nervoso. Fora uma das coisas mais lindas que ele tinha dito a ela e ela se pegou fechando os olhos e suspirando, como uma garota apaixonada.

— Eu li tudo o que você passou, Bella. — Ela se lembrava de ele ter dito isso, após falar que tinha achado os diários de Royce e que ele tinha escrito um só sobre ela. — E nada do que eu disser vai ser suficiente para tirar toda essa dor que eu sei que você ainda sente, mesmo que eu ache que você a tenha escondido muito bem.

Ela se lembrou da pausa que ele tinha dado, fitando-a nos olhos e sorrindo um pouco para ela. Ela se lembrava de ainda ter uns vestígios de lágrimas em seus olhos e em como ela queria abraçá-lo e confortá-lo.

— Mas quando eu li qual era o plano dele para todas aquelas garotas… — ele tinha suspirado. — Ele tirou tanta coisa de você, meu amor, ele destruiu tantos sonhos que eu sei que toda garota de 15 anos tem… mas eu fico extremamente feliz por ele não ter tirado essa escolha de você.

Ele tinha sorriso novamente para ela e acariciado seu rosto. Ela se pegou apoiando a bochecha na mão dele, esperando que ele continuasse. Ela estava gostando das palavras dele, afinal.

— Porque só você vai decidir se um dia vai querer dar esse presente a alguém, Bella. — Ele tinha pegado a mão dela e a beijado suavemente, antes de tornar a sorrir. Ele tinha hesitado por um momento, ela se lembrara, antes de continuar: — E eu vou ficar extremamente honrado se um dia eu for a sua escolha.

Ela soltou uma risada, então, lembrando-se de como ele tinha ficado nervoso e começado a falar rapidamente, com medo de ter ofendido-a de alguma forma.

— Não que eu estou dizendo que você deve me escolher… eu só meio que queria explicar… quero dizer, queria dizer que…

Ela tinha cortado-o, então, e beijado-o rapidamente nos lábios, sabendo que aquela seria a única forma de ele parar de falar. Ele tinha ficado surpreso, mas sorrido para ela. E ela tinha agradecido a ele, sem saber como colocar em palavras como tudo aquilo significava para ela. Saber que ele estaria ali por ela, que ele não tinha mudado de ideia em relação a ela, mesmo depois de tudo o que ela tinha contado para ele, tudo o que ele descobrira dela.

Porque sim, ela era defeituosa, mas o detetive Cullen não parecia se importar com isso.

E ela seria eternamente grata a ele por conta disso. Ela se sentia imensamente grata por ele não sentir repulsa em relação a ela.

Então, ela só disse a ele um obrigada, antes de beijá-lo de leve novamente.

A morena suspirou pesadamente, voltando ao presente, sabendo que ela não estava nem perto de estar pronta para aquele passo. Sinceramente, ela não sabia se algum dia estaria. Simplesmente, não conseguia se imaginar deixando que alguém visse as marcas que ela tinha no corpo, se confiaria em alguém a esse ponto, se o medo que ela ainda sentia iria embora algum dia, mas que se fosse, se ela se sentisse pronta algum dia, em algum momento na vida, ela sabia que seria com Edward.

O FBI tinha vindo conversar com ela e dessa vez ela tinha falado que faria o possível para colocar Royce atrás das grades. Ela falara das ameaças que ele tinha feito a ela e aos pais, também. Ela queria que o FBI soubesse, caso Royce conseguisse fugir, para eles protegerem seus pais.

Agora, um mês depois, ela estava a caminho do primeiro julgamento de Royce. Ela não precisaria fazer nada, não precisaria ser testemunha nem nada. Royce só teria esse julgamento para saber se responderia ao processo em liberdade ou preso. E por mais que todos tivessem dito que não era necessária a sua presença, principalmente Edward — porque ele estava se sentindo extremamente ansioso em pensar em Bella ao menos próximo de Royce, não porque achava que ele podia fugir ou algo assim, mas porque tinha medo da reação da morena quando o visse; ele tinha medo de ela regredir.

Ela tinha avançado tanto, afinal.

Isabella, no entanto, queria estar ali. Ela simplesmente sentia que era necessário estar ali e vê-lo preso. Era algo que ela tinha conversado com seus pais, com Edward e com o Dr. Hale. Ela precisava estar ali.

Edward tinha combinado de buscá-la, prometendo estar ao seu lado durante todo o momento. Ele estava disposto a tirá-la dali assim que ela pedisse, não importava o quê. Ela se colocou rapidamente de pé assim que a campainha tocou, sentindo-se um pouco nervosa e ansiosa. Pegou a sua bolsa e conferiu a sua roupa novamente no espelho, assim como o cabelo. Parecia bobeira agir daquela forma, querendo estar vestida de forma correta, mas ela simplesmente sentia necessidade de agir daquela forma.

E não se preocupou com uma explicação lógica para aquilo.

A morena rapidamente desativou o alarme e saiu de casa, trancando a porta atrás de si. Parecia até estranho agir daquela forma agora que Royce estava preso, mas ela tinha vivido com aquele costume por tanto tempo. Era difícil simplesmente… deixar ir.

O detetive estava encostado em seu carro, e sorriu, parecendo extremamente nervoso, quando a viu sair pelo portão. Ela se deixou ser envolvida em seus braços e apoiou a cabeça em seu peito, sentindo-se bem ali.

Ela sempre se sentia bem ali, afinal.

— Hey — Edward sussurrou, depositando um beijo demorado em sua cabeça. — Você tem certeza disso?

Ela riu um pouco afastando-se dele e fitando-o nos olhos.

— Não tenho certeza, acho — murmurou, sorrindo. — Mas eu meio que preciso estar lá, sabe? Preciso… preciso saber como isso vai me afetar antes do julgamento.

Ele a fitou durante um tempo, antes de suspirar e assentir.

— Certo — disse, por fim. — Mas se você quiser vir embora, a qualquer momento, é só me avisar, ok? Eu te trago de volta para casa.

Ela sorriu, e depois de um beijo rápido nos lábios, eles entraram no carro. Isabella procurou conversar normalmente com ele, não querendo que ele visse quão nervosa ela estava. Não porque queria esconder seus sentimentos dele ou algo assim, mas porque já sabia que ele estava nervoso e ansioso, e não queria piorar aquilo.

Ela não conseguiu esconder por muito tempo, no entanto. Assim que eles chegaram, ela viu a quantidade de repórteres do lado de fora. Imediatamente, a morena engoliu em seco. A imprensa ainda era algo que dava medo nela. Eles ainda não tinham publicado nada que colocava a culpa em Isabella, mas a morena ainda estava esperando que aquilo acontecesse. Estava evitando o máximo possível encontrá-los. Os policias já tinham conseguido afastar os que tinham insistido em ficar na casa dela. Alguns mesmo já tinham desistido, já que ela sempre saía pelos fundos de casa. Eles ainda apareciam às vezes no hospital, às vezes na casa dos pais dela…

— Bella? — Edward chamou, após ele estacionar. — Você está bem?

Ela engoliu em seco.

— Só… não imaginava encontrar tantos aqui — murmurou.

Ele apertou a mão dela e sorriu um pouco, tentando lhe passar confiança.

— Temos alguns agentes do FBI já aqui — ele comentou, puxando o celular do bolso. — Eu vou ligar para um deles e pedir ajuda para levá-la lá para dentro, ok? Nenhum repórter vai chegar até você.

Ela assentiu, sorrindo de volta para ele. Sentia-se melhor ao ouvir isso, mesmo que não tivesse medo exatamente de toques e algo assim. As palavras eram o que mais a assustavam.

Não demorou muito para três agentes chegarem e rodearem o carro do detetive. Ele passou o braço pelos ombros de Isabella, puxando-a para si, assim que eles saíram do carro, e junto com os agentes, cada um cercando-a de um lado, eles a levaram para dentro do prédio. Houve gritos e os repórteres tentaram arrancar alguma palavra dela, mas felizmente ela não ouviu as coisas que mais temia.

A pequena audiência só começaria dali a vinte minutos, mas Isabella já sabia que Royce se encontrava no prédio. Ele estava sendo vigiado, não só por policiais, mas também por agentes do FBI. Alguns estavam dentro do prédio, já outros, encontravam-se do lado de fora, cobrindo toda a saída.

Isabella sorriu um pouco ao encontrar seus pais ali. Ela tinha dito a eles que não precisavam estar ali, mas ambos queriam estar ali por sua garota. Abraçou os dois e agradeceu, sem conseguir dizer o quanto significava eles estarem ali.

Ela viu os pais de Edward também, junto da irmã mais nova dele, Rosalie. O detetive começou a andar em direção a eles, mas parou, virando-se para Isabella e estendendo a mão para a morena.

— Edward… — ela começou, sentindo-se meio nervosa para ir até lá. — Eu…

Ele sorriu.

— Só quero cumprimentá-los, Bella — ele respondeu. — Você pode vir dar um oi para eles também, não pode?

Ela foi, então, e depois de dar um oi rápido, agradeceu por eles estarem ali. Antes que se desse conta do que tinha acontecido, a mãe de Edward o envolveu em um abraço. Ela retribuiu, mais por surpresa. Edward continuava sorrindo, observando as duas.

— Fiquei feliz quando soube que você estava bem, Isabella — Esme disse, se afastando. — E obrigada por ter coragem de fazer isso. Você não tem ideia do quanto isso significa para nós.

Esme pegou a mão de Rosalie e a apertou, o que fez Bella sorrir. Ela se sentiu bem por estar fazendo aquilo, porque ela sabia que Rosalie quase tinha sido sequestrada por Royce. Era bom saber que ela faria algo para ajudar a manter Royce para sempre atrás das grades.

Logo, eles se encontravam sentados. Isabella se encontrava sentada entre Edward e sua mãe, ambos segurando suas mãos. Charlie estava sentado ao lado de Renee e a família Cullen estava sentada logo no banco atrás. Bella tinha pensado que Edward iria querer ficar com a família, e tinha se surpreendido quando ele se sentara ao seu lado. Isso a tinha feito se sentir melhor.

Ela ainda não tinha ideia de como seria sua reação quando visse Royce.

Ele não demorou muito a entrar. Usava o macacão laranja, típicos de prisioneiros, trazido por dois agentes do FBI. Suas pernas estavam presas por correntes, assim como as suas mãos. Elas ainda estavam presas uma a outra, de forma que ele não pudesse conseguir correr ou usar as mãos. Isabella prendeu o fôlego quando o viu, sentindo aquele medo de sempre começar a querer tomar conta dela. Sem se dar conta do que estava fazendo, ela apertou a mão de Edward com um pouco mais de força.

E então, Royce levantou o rosto e olhou para ela.

Ela prendeu a respiração imediatamente. Sentiu vontade de levantar e sair correndo, com medo de que, de alguma forma, ele se soltasse daquelas correntes e algemas e a pegasse. Ela lutou contra isso, porém. Sabia que ele não podia fazer nada. Sabia que ele estava preso. E Edward estava ali. Ela sabia que ele não deixaria nada acontecer com ela.

Por isso, muito embora tivesse mesmo vontade de simplesmente levantar dali e sair, ela lutou contra isso e ficou. Queria provar para Royce que ele não podia mais mexer com ela, que não podia atingi-la.

E foi difícil.

Extremamente difícil.

Eles o obrigaram a se sentar, e o juiz entrou. As acusações de Royce foram lidas, a defesa e a promotoria apresentando seus motivos de ele ser solto e aguardar julgamento ou ficar preso. O promotor falou de todas as provas que tinham contra ele e de tudo o que tinham encontrado até agora. Falou de como ele perigoso e do número estimado de garotas que ele tinha sequestrado e matado. O advogado de defesa até tentou contestar, dizendo que seu cliente tinha um trabalho e não podia simplesmente largá-lo, que ele comandava um orfanato, e que ele tinha se comprometido a usar uma tornozeleira e deixar que policiais o seguissem e estivessem sempre presentes, onde quer que ele fosse.

E embora os motivos do promotor fossem bem melhores que o do advogado de defesa, Isabella se pegou prendendo a respiração, com medo de que o juiz fosse deixar que Royce respondesse ao processo em liberdade.

Ela não saberia o que faria caso isso acontecesse.

— Vai ficar tudo bem. — Edward apertou a sua mão levemente, mostrando que ainda estava ali, enquanto se aproximava do ouvido dela e dizia bem baixo, apenas para ela ouvir. — Eles não vão deixá-lo escapar, baby. Sabem que ele é perigoso demais.

Ela somente assentiu, esperando que ele estivesse mesmo certo.

Um suspiro de alívio escapou de seus lábios, no entanto, quando o juiz disse que ele responderia preso. E não só isso. Que ele seria transportado para a prisão de segurança máxima imediatamente e que deveria ter contato somente com seu advogado.

E foi a vez de Edward ficar tenso.

— O que foi? — Isabella indagou, enquanto sentia várias pessoas comemorando. — Está tudo bem?

Ele a fitou e pensou em mentir, dizendo que estava apenas aliviado, mas… ele simplesmente não conseguia mentir para ela. Não para ela.

— Estamos investigando os policias na delegacia, esperando que alguém tenha uma conexão com Royce — ele murmurou, levantando-se e puxando Isabella com ele. Seu olhar variava entre ela e Royce, ainda sentado à mesa, cercado de agentes, policiais e seu advogado. — Ele ameaçou fugir, um mês atrás, mas até agora não encontramos nada…

Isabella engoliu em seco, seu coração disparando contra o seu peito. Tão alto que ela podia ouvir o martelar contra seus ouvidos.

— Só tenho medo de ele tentar algo enquanto está a caminho da prisão… — comentou. Ele viu quando levantaram Royce e sabia que a transferência dele seria logo. — Por que você não vai para a casa dos seus pais com eles? Eu vou cuidar pessoalmente da transferência de Royce e depois vou me encontrar com você, ok?

Isabella assentiu, mas apertou a mão dele, um ato inconsciente que significava que ela não queria que ele fosse. Ele sorriu para ele, mas não era um sorriso verdadeiro; não chegava aos seus olhos. O ruivo estava tenso demais para isso.

— Eu só quero me certificar que ele estará na cela, Bella, só isso — murmurou. — Eu prometi que ele nunca mais a machucaria, não só para você, mas para mim mesmo, e pretendo cumprir essa promessa, ok?

A morena assentiu.

— E-eu vou estar na casa dos meus pais, então — ela disse, por fim. — Você me liga quando estiver saindo de lá? Por favor?

Ele assentiu. Beijou a testa dela de forma demorada e, após acenar rapidamente para seus pais, Rose e os pais de Bella, saiu rapidamente atrás de Royce e dos agentes. Seu chefe já estava aguardando no corredor, e sorriu quando viu o detetive.

— Imaginei que iria querer fazer parte da equipe de transferência, detetive. — O chefe disse. — Já selecionei o pessoal. Quero você lá dentro com ele, mas acredito que não teremos problemas…

Edward o fitou, confuso. Seu chefe tornou a sorrir.

— Todos da delegacia estão limpos — ele disse. — Uma agente, porém… nós descobrimos que o namorado dela está desaparecido há algum tempo. Temos ela em custódia. Acredito que ela ajudaria Royce a fugir hoje, durante a transferência.

Edward sentiu uma onda de alívio tomar conta de si.

— Mas… como? — ele indagou. — Como ele conseguiria acesso a uma agente dessa forma? Não tinha como ele saber que iríamos prendê-lo…

O chefe deu de ombros.

— Nunca sei o que se passa na mente desses psicopatas, filho — ele disse. — Mas ela era nova, essa agente. Talvez Royce tenha somente preparado um plano B ou algo assim. Já estamos investigando onde o namorado dessa agente possa estar. Olhamos as propriedades ao redor da casa onde a Srta. Swan e as outras duas mulheres foram encontradas, mas ainda não tivemos nenhuma notícia. Os agentes estão pensando em ir até a fazenda onde Royce foi criado. Talvez encontrem algo por lá.

Edward assentiu.

Depois de conversar mais alguns minutos com seu chefe, ele foi até a van onde Royce já estava, devidamente algemado e acorrentado. Dois agentes o ladeavam e dois estavam na parte da frente. Edward se sentou à frente de Royce, com um agente ao seu lado. As portas foram, então, fechadas, e o carro entrou em movimento.

— Conseguiu o que queria, finalmente, hein, Cullen? — Royce disse. Ele parecia extremamente feliz e confortável. — Mas acredito que devo te lembrar… muito em breve sairei daqui… Mais em breve do que você pensa.

Edward segurou a vontade de sorrir. Royce provavelmente ainda não sabia sobre a agente.

— É mesmo? — ele cruzou os braços. — Veremos, Sr. King.

O sorriso de Royce sumiu por um segundo, antes de retornar. Ele não parecia mais tão confiante, no entanto. E Edward não podia negar… ele amava aquilo.

— Talvez não saiba… — Edward continuou. — Descobrimos que havia uma agente que pretendia te ajudar hoje. Mas ela já está em custódia e equipes de busca já estão à procura do namorado dela. Não sei como você fez tudo isso, Royce, mas também não me interesso em saber, sinceramente. Talvez você possa calar a boca, antes que esgote a minha paciência, em geral já tão curta.

E o detetive teve o imenso prazer de ver o rosto de Royce cair ao ouvir tudo aquilo. E ele simplesmente sabia que não havia um plano C. Royce realmente tinha contato com aquela agente. E agora que ele não teria a ajuda dela mais, seu plano de fugir, mais uma vez, tinha fracassado.

O resto da pequena viagem até a prisão foi feito em silêncio. Edward manteve seus olhos em Royce o tempo todo, mesmo já não esperando problemas mais. Ele esteve presente quando chegaram à prisão e Royce foi encaminhado até a sua cela. Ela era isolada e uma das mais bem protegidas da prisão. Edward esperou que ele fosse trancado, antes de sair. Novamente, outra porta foi trancada. E só então, após se certificar que tudo estava certo, ele saiu da prisão.

Lembrando da promessa que ele havia feito para Isabella, ele rapidamente pegou o celular e ligou para a morena. Ele sorriu quando ouviu a voz dela; ela atendeu ao segundo toque.

— Hey, está tudo bem — ele disse rapidamente, antes que ela pudesse dizer qualquer coisa. — Ele já está preso e muito bem vigiado, eu mesmo me certifiquei disso.

Ele ouviu o suspiro de alívio dela do outro lado, o que o fez sorrir novamente.

— Eu só fiquei meio… nervosa— ela admitiu. — Você está vindo para cá agora ou quer que eu te encontre na sua casa?

Ele tornou a sorrir, feliz por ela também já estar querendo estar com ele novamente. Ele caminhou até o carro, onde os agentes já o esperavam, e entrou.

— Encontro você aí, baby — ele disse. — Logo logo.

—

Isabella soltou um suspiro de alívio ao finalizar a ligação com Edward. Ela se sentou na sua cama, sentindo-se tão aliviada… Às vezes, ela tinha medo de que tudo aquilo não passasse de um sonho e que logo ela acordaria… e que, quando acordasse, ela estaria em sua casa, sozinha, ainda negando tudo o que tinha acontecido com ela quando adolescente, e que ela nunca tinha nem mesmo conhecido o detetive…

Ainda havia tantos medos, inseguranças, incertezas… Ela pensava que tinha controle de tudo em sua vida, que seguir uma rotina, que fazer as coisas de certa maneira, iria sempre trazer segurança para ela. E então Edward tinha aparecido e tudo tinha mudado.

Ela não trocaria isso por nada do mundo, tinha certeza.

Sabendo que logo ele estaria ali para levá-la para casa, ela rapidamente tomou um banho e colocou uma roupa mais confortável, querendo se livrar daquela quase formal que ela tinha usado naquele dia. Depois de pronta, a morena desceu até a cozinha, onde Renee atualmente se encontrava, preparando o lanche para todos.

— Você não precisava fazer isso, mãe — ela disse, enquanto se sentava à bancada da cozinha. — Podíamos ter pedido alguma coisa…

Renee revirou os olhos, enquanto colocava um prato na frente de Isabella, com um sanduíche e depois colocava um copo de suco ao lado. Depois de ter servido os outros dois lugares, ela chamou Charlie, e logo os três estavam sentados.

— Eu fiz outro sanduíche e deixei pronto para Edward, caso ele chegue. — Renee começou, tomando um gole de seu suco. — Ele já entrou em contato com você, querida?

Bella sentiu suas bochechas corarem um pouco, o que era meio ridículo, já que ela completaria 27 anos naquele ano. Ela e Edward nunca haviam assumido um relacionamento oficial, como namorado e namorada e essas coisas, mas todos pareciam saber que eles estavam juntos.

E, mesmo que secretamente, Isabella meio que amava isso.

— Ele está a caminho — ela disse, depois de ter engolido um pedaço do sanduíche. — Disse que está tudo certo… lá na prisão.

Charlie assentiu, parecendo extremamente satisfeito.

— Edward é um bom homem, Bell — ele disse, usando o apelido de infância que costumava usar. E ela descobriu que meio que gostava disso. — Fico feliz que ele esteja cuidando de você, garota.

A morena apenas sorriu, corando novamente. Ela ficava feliz por seus pais gostarem de Edward. Porque ela gostava dele. Muito.

Mais do que muito, se ela quisesse ser sincera.

Logo, a campainha tocou, e Bella levantou para atender. Ela e Edward trocaram um abraço demorado e um pequeno beijo, antes de ela levá-lo até a cozinha e servir o sanduíche para ele. Eles comeram juntos, então, e Bella se viu rindo quando seus pais começaram a contar histórias de quando ela criança para Edward, apenas para envergonhá-la. E o Edward amou ver aquele sorriso em seu rosto e aquelas bochechas coradas.

Eles saíram da casa dos Swan algum tempo depois, já tendo se passado das sete da noite. Edward ficou na casa da morena até mais tarde. Eles pediram uma pizza e assistiram a um filme juntos. Quando ele foi embora, depois de ter se despedido dela com um beijo, prometendo buscá-la no hospital no dia seguinte, quando terminasse seu plantão, a morena se pegou pensando em tudo o que tinha acontecido naquela noite, feliz pelos acontecimentos.

Ela tinha reagido um pouco pior do que esperava quando vira Royce, sim, mas ela tinha conseguido lutar contra aquilo, o que tinha sido o mais importante para ela. Ela sabia que ainda tinha muito pela frente, mas estava feliz por já estar começando a vencer algumas coisas, por mais pequenas que fossem.

Logo, o julgamento começaria e ela sabia que teria de testemunhar, na frente de várias pessoas, e que ainda teria de aguentar perguntas do advogado de defesa, perguntas que ela sabia que lhe trariam más lembranças.

Mas com Edward ao seu lado, sua família e com a ajuda do Dr. Hale, ela sabia que podia passar por aquilo.

Agora, bastava esperar.

Notas finais
N/A: Olá, meninas! Nem demorei tanto assim, não é? Então, o plano do Royce de fugir não funcionou e em breve começará seu julgamento. Como será que a Bella vai reagir tendo que contar tudo o que lhe aconteceu para um monte de gente, uh? Vamos ver. Decidi ir pulando alguns meses nesses próximos capítulos porque não quero ficar parecendo que estou enrolando, ok? Então, citarei algumas coisas importantes desses meses, porque basicamente vai ser a Bella na terapia, o relacionamento dela com o Edward e com as pessoas em geral... O próximo capítulo terá o julgamento, então preparem-se. Deixem bastante reviews que logo eu volto com o próximo! Até lá xx N/B: Dançou no seu planinho, Royce *rebola* Estou ansiosa pelo julgamento e pelo felizes para sempre desse casal tão cheio de cicatrizes. Mais alguém comigo o/? Bjs, Lu.