Daylight

2 Capítulo Um


Notas iniciais
Oi, oi. Demorei um pouquinho mais do que eu pensava, mas aqui está o primeiro capítulo! Espero que gostem hihi

Seus olhos se mantinham fixos à parede à sua frente, à espera do sinal. Sua arma estava posicionada, seu dedo pressionado no gatilho. Ele só precisava de um sinal, para sair do local e atirar.

Ouviu barulhos atrás de si, e se recusou a olhar, por mais que seu instinto dissesse para fazer tal coisa. Eram seus parceiros, pessoas que, assim como ele, só esperavam ouvir a voz no rádio.

Os minutos foram se passando e nada. O sinal não vinha. Lembrando-se do plano B, o plano que ele tinha discutido outrora com sua superior, ele fez sinal para dois dos seus colegas passaram e pararem ao lado da porta, exatamente como tinha sido combinado. Apontou para outro de seus colegas e esperou que ele se posicionasse em frente à porta, antes de se mover, sua arma ainda apontada para a porta.

— No três – ele disse, alto o suficiente para todos ali escutarem. – Um… dois… três! Agora!

A porta foi chutada e todos saíram, se espalhando por vários locais, à procura da outra equipe, que tinha saído há pouco. Edward entrou no corredor à leste, apontando sua arma para todas as portas que estavam fechadas e abertas, somente para continuar a andar logo em seguida, já que todas elas pareciam estar vazias.

Eles já estavam quase chegando ao fim do corredor, pensando que ele estava vazio, já prontos para partirem para outro, quando viram uma trilha de sangue, que dava na última sala. Edward firmou a arma mais em sua mão e continuou a andar.

Somente para congelar quando chegou até a sala, que, outrora, estava vazia.

Edward ofegou e se sentou na cama, seus olhos arregalados, seu peito subindo e descendo de forma rápida, devido à sua respiração. Passou as mãos no rosto com um pouco de força, tentando se controlar, e olhou para o relógio, surpreso por ter conseguido dormir por tanto tempo – cinco horas – antes que um pesadelo o acordasse. Respirando fundo, ele balançou a cabeça, procurando se focar no presente e não relembrar o passado, e se levantou.

Sabia que voltar a dormir seria algo impossível, então era hora de voltar ao trabalho.

Banhou-se e comeu rapidamente, só querendo algo para ocupar logo a sua mente – coisa que ele conseguiria quando estivesse cercado de casos para resolver. Fazia um tempo desde que ele tinha tido aquele sonho em particular e ele não se sentia bem quando tal coisa acontecia.

Ainda era difícil, mesmo depois de tantos anos e mesmo com ele não querendo admitir, às vezes nem para si próprio.

Lavou sua louça rapidamente quando terminou e partiu para o quarto, pegando tudo o que precisava para ir trabalhar e jogando em uma mochila. Geralmente ele passava o dia todo na delegacia – às vezes até as noites também – então ele preferia se prevenir, levando tudo aquilo que julgava precisar – mesmo que não fosse muito. Por fim, pegou suas chaves e começou a andar em direção à porta. Entretanto, antes que pudesse chegar até a mesma, seu celular vibrou, o que o fez franzir o cenho.

Quem poderia ser àquela hora da madrugada?

Curioso, Edward rapidamente pegou e estranhou ainda mais ao ver o número da sua mãe, sentindo seu coração apertar. Ele rapidamente deslizou a tecla para desbloquear o telefone e atendeu.

— Mãe... – Ele disse, sua mão já na maçaneta da porta. – Aconteceu alguma coisa?

Ele a apertou com mais força ainda quando ouviu sua mãe soluçar do outro lado da linha. Será que tinha acontecido alguma coisa com o seu pai? Ou será que tinha sido com a sua irmã, Rose?

— Sua irmã, Edward. – Esme finalmente disse. – Sua irmã sofreu uma tentativa de seqüestro.

Edward arregalou os olhos e a boca, mas não conseguiu dizer nenhuma palavra. Sua mãe sussurrava algumas coisas às vezes, mas ele não conseguia entendê-la muito bem; ela estava soluçando tanto que era impossível decifrar algo.

— Mãe, mãe – ele a chamou, querendo que ela prestasse atenção. – Onde vocês estão? Na delegacia? No… hospital? Rose foi machucada?

Do outro lado da linha, Esme observou sua filha caçula deitada na cama do hospital, seu rosto virado para a parede do quarto. Ela tinha chegado a cerca de meia hora, desde que soubera que sua filha estava ali, mas Rose estava… calada. Não falara nada desde que chegara. E isso estava acabando com ela.

— Estamos no hospital onde seu pai trabalha – por fim sussurrou, se lembrando que seu filho esperava por sua resposta ansioso. – Venha logo, Edward, por favor, eu… e-eu não sei o que fazer.

— Estou a caminho. – Foi tudo o que ele disse antes de desligar.

E ele não demorou muito a chegar. Esme estava sentada na poltrona, no canto do quarto, observando qualquer reação de Rosalie. Seu rosto continuava virado para a mesma posição, e embora ela estivesse na camisola costumeira do hospital, qualquer pessoa desconhecida que se aproximasse agora – enfermeira, médico – não conseguiria tocá-la. Ela simplesmente… não deixava.

Entretanto, ao ver o filho mais velho entrar no quarto com pressa, ela soltou um suspiro de alívio. Embora eles fossem apenas meio-irmãos e tivessem quatro anos de diferença de idade, Edward e Rosalie tinham uma ligação fora do comum; algo que sempre alegrara o pai de ambos. Se Rose fosse falar com alguém que não fosse seus pais… a última esperança era Edward.

— Oi, filho – ela murmurou, dando-lhe um abraço. Edward tentou se afastar e se aproximar da cama, mas Esme o segurou, fazendo-o olhá-la com atenção. – Ela não falou nada ainda... Parece um pouco machucada, mas eles… eles disseram que ela não foi estuprada...

Edward assentiu, sentindo-se um pouco mais aliviado por isso. Abraçou Esme com um pouco de força e depositou um beijo em sua testa, tentando reconfortá-la; ele sabia que ela precisava daquilo naquele momento.

— E meu pai? – ele indagou, seus olhos ainda fitando sua irmã, que ainda completamente imóvel fitando a parede, com atenção. – Ele já sabe?

Esme negou e enxugou os olhos com o lenço já completamente amassado na mão.

— Ele está em uma cirurgia – murmurou. – Ele vai ser avisado assim que ela acabar.

Edward tornou a assentir e tornou a abraçar a mãe, antes de soltá-la e caminhar até a cama com cautela, sem saber exatamente como reagir, mesmo que, como detetive, ele passasse por aquilo quase todos os dias. Afinal, era sua irmã mais nova ali, sua caçula. Obviamente, seria diferente.

— Rose? – ele chamou, sua voz não passando de um sussurro. Puxou a cadeira para perto da cama e se sentou, antes de puxar as mãos dela nas suas, apertando com delicadeza. Seus olhos, em nenhum momento, se desviaram das reações dela, não querendo assustá-la. – Ei, sou eu, Edward...

Rosalie piscou os olhos várias vezes, enfim parecendo notar que não estava sozinha. Virou a cabeça e fitou seu irmão mais velho ali, aquele que a protegia desde sempre.

— Edward... – murmurou.

Ele sorriu, feliz por ter conseguido uma reação dela.

— Ei, tampinha – brincou. – Como você está se sentindo?

Havia uma marca de uma mão na face esquerda da irmã e dois pequenos cortes, um na altura da sobrancelha e outro nos lábios. Ele examinou os braços dela e encontrou alguns arranhões, assim como alguns hematomas. Fora isso, porém, ela parecia estar bem.

Pelo menos fisicamente.

— Eu… eu estou bem, eu acho. – Rose franziu a testa por um momento, e depois arregalou os olhos. – Oh, oh!

Edward imediatamente puxou a irmã para os braços e deixou que ela soluçasse ali por um tempo, murmurando que tudo ficaria bem. Ele estava maluco para lhe perguntar o que tinha acontecido e quem tinha feito aquilo com ela, e o que exatamente havia acontecido, mas esperou, sabendo que ela estava saindo do choque e precisava de um tempo para assimilar tudo.

— Shhh, está tudo bem, Rose – murmurou. – Estou aqui, nossa mãe também... Você está segura, ok?

Rosalie logo foi se acalmando e se afastou um pouco de Edward, embora ainda se mantivesse muito perto. Fitou-o nos olhos e balançou a cabeça, tentando pôr seus pensamentos em ordem. Ela sabia que teria que falar sobre o que acontecera.

— Está pronta para falar sobre tudo agora? – ele indagou, ainda acariciando suas costas de forma suave.

Ela assentiu.

— Mãe? – chamou, de repente, seus olhos procurando por Esme.

Esme se levantou da poltrona e enxugou os olhos novamente, e se sentou do outro lado da cama. Abraçou a filha e beijou o topo de sua cabeça várias vezes, enquanto apertava a mão de Edward com a sua livre.

— Por que você não conta tudo para nós agora, querida? – ela indagou. – Eu tenho certeza de que vai te fazer se sentir melhor, e vai nos ajudar a procurar pelo culpado também...

Ela assentiu, sentando no centro da cama, suas duas mãos envolvidas pelas da mãe e do irmão, e respirou fundo, antes de começar a falar.

— Não sei exatamente quem era, embora eu saiba que ele era loiro e tinha olhos azuis, um pouco mais claros que os meus e os do papai – murmurou. – Ele usava uma touca, meio pequena, e alguns fios escapavam, por isso consegui ver...

Edward apertou a mão dela de forma reconfortante, enquanto seu cérebro guardava tudo aquilo que ela falava. Quando acabasse, iria chamar seus colegas na delegacia. A pessoa que tinha feito sua irmã se sentir assustada e daquele jeito não iria ficar solta por muito tempo.

Ele podia prometer tal coisa.

— Eu saí da boate um pouco mais tarde do que pretendia – comentou, suspirando. – Como vocês já sabem, era aniversário de uma amiga e acabamos comemorando mais do que devíamos... Quando dei por mim, tinham se passado das três e eu estava caminhando, à procura de um táxi...

— Você tinha bebido? – Edward a interrompeu por um momento, sabendo que, caso pegassem o culpado, ele poderia utilizar aquilo como defesa, alegando que ela não era capaz de dizer com toda a certeza que era ele.

— Sim – suspirou ela. – Um pouco, nada que me deixasse muito bêbada, mas enfim... Eu andei durante algum tempo… e depois comecei a ouvir passos atrás de mim. Andei mais rápido, entrando em outras ruas, e acabei parando em um lugar que eu não conhecia... Estava escuro, a rua estava vazia e eu não achava ninguém para ajudar.

Rose engoliu em seco e balançou a cabeça, tentando organizar seus pensamentos.

— Tentei alcançar minha bolsa, à procura de meu celular – sussurrou –, mas quando consegui… bem, eu não tinha notado uma pequena falha no chão e quando me dei conta estava caída... E o cara tinha se aproximado.

“Olhei para todos os lados, tentando encontrar alguém, mas não consegui... Eu tinha perdido a noção de onde estava há alguns quarteirões. Tentei correr, ignorando a dor que eu sentia no tornozelo... Simplesmente me lancei à rua, mas eu o senti me agarrando por trás nem um minuto depois.”

Edward estremeceu ao ouvir tal coisa e engoliu em seco. Ele sabia que, graças a Deus, o cara não tinha conseguido nada com a irmã dele, mas mesmo assim… ouvir tal coisa, era muito.

— Ele disse que adorava quando corríamos – continuou. – Ele riu. E me arrastou para uma van, eu acho. Uma van verde, se eu não me engano. Eu tentei lutar, muitas vezes, mas logo senti uma agulha no meu pescoço... E fiquei apagada durante algum tempo.

“Quando acordei, eu estava sozinha na van... Ou pelo menos, eu achei que estava. Lutei para sair dali, tentei abri-la, e cheguei a conseguir. Mas o cara surgiu do nada e me deu um tapa, me jogou contra o chão e nós lutamos um pouco… mas ele logo foi visto por outras pessoas e fugiu, deixando-me sozinha ali... É tudo o que aconteceu, acho.”

Ela parou para respirar fundo, de fato se sentindo mais aliviada por ter contado tudo aquilo. Levantou os olhos, e fitou sua mãe e irmão, esperando que eles dissessem alguma coisa.

— Eu vou chamar o pessoal da delegacia, ok? – Edward murmurou, apertando a mão dela de forma gentil. – Quero que conte a um deles tudo o que nos contou aqui e conte como era esse cara, tudo o que você se lembrar.

— Tudo bem – ela forçou um sorriso. – Eu posso fazer isso.

A porta do quarto se abriu e Carlisle rompeu por ela, seus olhos, iguais aos da filha, arregalados, fitando-a com atenção. Edward se afastou, dando espaço para o seu pai, deixando que ele abraçasse Rose e perguntasse o que tinha acontecido. Aproveitou tal coisa e se afastou, puxando seu celular e ligando para a delegacia.

Ele sempre tinha sido o protetor de Rose, sempre tinha feito de tudo para ela não se ferir, mesmo que às vezes fosse impossível. Afinal, ele era seu irmão mais velho. Por mais que eles tivessem passado por dificuldades ao longo da vida, esse era o seu papel, protegê-la.

E ele, ao olhar para a cama e se lembrar do jeito que ela ficara, sem conversar com ninguém, seus olhos presos à parede… prometeu para si mesmo que nunca mais a veria assim novamente. Ele faria de tudo para pegar o bastardo que fizera aquilo e faria de tudo para que ele apodrecesse na cadeia.

Ligou para os seus colegas e saiu do quarto, à procura das pessoas que tinham encontrado Rose, disposto a qualquer tipo de informação que pudesse ajudá-lo. Conversou com o médico que a tinha atendido e com as duas enfermeiras, não querendo deixar nada passar. Só depois que dois de seus colegas de mais confiança no trabalho, Tyler e Jacob, chegaram, que ele se permitiu voltar para o carro, levando consigo o desenhista da delegacia.

Ele queria cartazes com o rosto do filho da puta espalhados pela cidade. Ele queria pegá-lo o quanto antes, e ele faria tal coisa.

Permaneceu no hospital até Rosalie ser examinada novamente e liberada, indo para casa com os pais deles. Ele se despediu de todos e pediu para ser avisado caso algo acontecesse, e por precaução, pediu a Tyler que fizesse guarda na casa naquela noite, mesmo tendo a impressão de que o cara não procuraria sua irmã mais.

Depois que eles foram embora, Edward se dirigiu para a delegacia, disposto a procurar por casos semelhantes, ao longo dos últimos dez anos, sobre caras que seqüestravam garotas, vans e tudo o mais que pudesse ajudá-lo. Buscou informações assim que chegou, sentando-se à sua mesa com uma xícara cheia de café; ele só sairia de lá quando conseguisse o que queria.

E ele encontrou algo. Vans verdes, amarelas, azuis, pretas… de diversas cores, eram encontradas em um local onde uma garota sumia. Edward tinha começado dez anos atrás, quando sua irmã tinha quatorze anos, e encontrou relatos de garotas de quinze anos desaparecidas. Conforme ele ia se aproximando da data atual, as idades cresciam, mas o cara sempre variava entre garotas loiras e morenas, nunca ruivas... Era um cara que já estava nesta vida há algum tempo, mas, a má notícia, era que todas as garotas que ele pegava acabavam aparecendo mortas. Algumas dois meses após sumirem, três, quatro... O tempo variava e isso o estava deixando ansioso. Como ele poderia buscar ajuda das vítimas se todas elas estavam mortas há algum tempo?

— Ei, detetive. – Um dos policiais surgiu na porta, sorrindo um pouco. – Pesquisei aquilo que o senhor queria e encontrei algo... É um pouco diferente do que me disse, mas… acho que pode ajudar.

Edward rapidamente pegou os relatórios. Relatórios de dez anos atrás também, mas de algum tempo antes do que ele começara a pesquisar.

E o que ele viu foi… esperançoso.

Uma garota tinha desaparecido no dia do seu aniversário de quinze anos. Os pais – pais adotivos, como constava no arquivo – tinham comemorado o aniversário junto com ela e alguns familiares, durante algumas horas, mas depois tinham deixado os adolescentes sozinhos, porque, de acordo com eles, “a filha queria provar que já era capaz de cuidar de si própria”. Alguns colegas prestaram depoimento também e todos eles diziam a mesma coisa: a aniversariante saíra para o quintal com o propósito de pegar algumas luzes, para colocar na pista de dança, mas nunca voltara.

Tudo o que eles se lembravam de terem visto era uma van, cinza, parada próximo à porta de entrada.

Naquela época, outras garotas haviam sumido e seus corpos já tinham sido descobertos, então as autoridades acreditavam que era só questão de tempo para esta ser dada como morta também. O FBI foi chamado, um perfil criado – e na época, eles tinham dito que era um cara que tinha entre 20 e 30 anos, branco, e que tinha sofrido ‘traumas’ quando mais novo –, mas a garota não foi achada. Dois, três, quatro meses se passaram, e nem mesmo um corpo foi encontrado. Misteriosamente, quase um ano depois, ela enfim apareceu, viva, completamente suja e um pouco magra, e calada demais.

Tão calada que ela se recusou a falar sobre o assunto. Foi examinada e eles encontraram algumas coisas chocantes, e foi só. Ela não deu um nome, ela não comentou nada. Se recusou a falar do assunto.

E ele teve que ser dado como encerrado.

Depois que essa garota tinha sido encontrada, havia um hiato de dois anos nos seqüestros. E quando eles voltaram, o cara passou a pagar garotas loiras – só loiras –, com idades de dezesseis anos, ao invés de quinze.

Sabendo que o caso parecia um pouco com o da sua irmã – o que aconteceria com ela, pelo menos –, ele leu o arquivo com mais atenção, e quando terminou, procurou pelos nomes dos pais da garota e dela – que, hoje, já deveria ter por volta de vinte e cinco anos, quase vinte e seis. Ele precisava falar com os três, e logo.

Buscou um papel e rapidamente anotou, antes de pegar seu casaco e sair.

Primeiro ele passaria na casa dos pais, Charlie e Renée Swan, e depois procuraria pela filha, Isabella Marie Swan, aparentemente seqüestrada e mantida em cativeiro por quase um ano.

Ela não tinha falado com ninguém, mas era a única sobrevivente, a única pessoa que poderia ajudá-lo a colocar esse cara atrás das grades.

E ele a faria falar, nem que fosse a última coisa que fizesse na vida.

Correu até o seu carro e olhou o endereço mais uma vez da casa dos Swan, torcendo para que eles ainda vivessem lá. Dirigiu o mais rápido possível, e não demorou muito a chegar. Ficou parado durante alguns minutos do lado de fora da casa – uma casa linda, de tamanho médio e parecendo muito aconchegante – e logo saiu, mais uma vez implorando mentalmente para que eles vivessem ali ainda.

Consultando o relógio e vendo que se passavam das dez, caminhou até a porta da frente, sabendo que não era tão cedo e que provavelmente todos já haviam acordado – caso não tivessem saído para trabalhar. Bateu à porta duas vezes e tocou a campainha, tentando se manter controlado.

— Pois não? – Uma mulher de gentis olhos azuis e cabelos castanho-claros atendeu a porta, sorrindo para Edward de forma simpática. – Posso ajudá-lo em algo?

Edward assentiu.

— Eu esperava poder falar com Charlie e Renée Swan – disse, se perguntando se a mulher à sua frente era a Renée. – Poderia me dizer se eles estão em casa?

— Oh, eu sou Renée – ela sorriu, fazendo Edward suspirar, aliviado. – E você é?...

— Detetive Edward Cullen, senhora – estendeu a mão, apertando a dela de forma gentil, enquanto mostrava seu distintivo. – O seu marido está em casa?

Renée negou, dando espaço para o rapaz entrar, e fechando a porta atrás dele. Levou-o até a sala e chamou sua empregada, Annie, para servir um café, nunca deixando de sorrir. Edward rapidamente olhou a sala ao seu redor, e encontrou diversas fotografias de um casal e de uma menina morena. Ele esperava que aquela fosse Isabella.

— Então, detetive Cullen, em que posso ajudá-lo? – ela indagou após o café ser servido.

— Apenas Edward, por favor – ele disse, sorrindo. – Eu esperava que a senhora fosse capaz de me ajudar em algo... É algo antigo, de cerca de dez anos atrás, mas nós tivemos um caso recente e gostaríamos de...

— Ah, eu vejo. – O sorriso de Renée morreu e ela suspirou pesadamente, abaixando a cabeça e olhando para as mãos. – Sempre que uma van aparece e uma mulher some, um de vocês aparece por aqui. Vocês fazem as mesmas perguntas, e nós sempre respondemos a mesma coisa… não sabemos o que ocorreu naquela época. Bella, minha filha e de Charlie, nunca se abriu quanto a isso, e ela não permite que nenhum de nós toque no assunto.

Ainda com um olhar triste no rosto, Renée se pôs de pé e andou até a mesinha, tirando uma foto de lá. Ela a observou atentamente durante alguns minutos, e se virou para Edward, por fim, entregando a foto a ele.

— Bella é… ocupada – comentou. – Ela é uma médica agora. Pediatra. Trabalha no hospital, então passa muito tempo lá.

Edward observou a fotografia na sua mão com atenção. A mulher que estava ali era uma mulher séria, mas muito bonita. Seus olhos tinham um tom de chocolate profundo e seus cabelos eram meio avermelhados, uma mistura do castanho e do ruivo, talvez. Ela não sorria nem nada, mas isso não era capaz de tirar sua beleza.

— Eu vejo – ele murmurou por fim, observando a fotografia durante mais algum minuto antes de devolvê-la. – O seu marido vai demorar, senhora Swan? Eu queria, se não tiver algum problema, fazer algumas perguntas a vocês...

— Ele está viajando a trabalho no momento – sorriu. – Charlie é um advogado e um cliente precisou dele... Ele deve estar de volta amanhã cedo, caso o senhor queira esperar.

Edward sabia que não podia esperar, ele realmente queria prender o cara o quanto antes, e quanto mais tempo se passasse, menores as chances de conseguir tal coisa. Pediu, então, à Renée que lhe contasse o que tinha acontecido naquela noite e o nome do hospital onde Isabella trabalhava, não querendo perder muito tempo.

— Nós ficamos desesperados – ela murmurou, após entregar um papel com o nome e endereço do hospital. – Ela sumiu por pouco mais de dez meses, quase onze, e quando voltou… simplesmente não era a nossa Bella. Nós tínhamos uma menina alegre, esperta, amigável, mesmo que tímida às vezes. Ela era cheia de amigos e convivia muito bem com todos, mas depois do que aconteceu, ela simplesmente… se afastou.

“Tentamos de tudo, mas ela não falava. Não quis comemorar seu aniversário, algumas comidas lhe causavam repulsa e ela não quis voltar à escola. Estudou em casa e por isso acabou se formando mais rápido e indo para a faculdade antes da hora. Ela se graduou em outro estado e no começo relutou um pouco em voltar para cá, mas eu acabei adoecendo e ela voltou... Nunca mais eu a vi rir como naquela noite, em seu aniversário de quinze anos.”

Renée suspirou pesadamente e empurrou um sorriso para fora do rosto.

— Eu me pergunto o que aconteceu até hoje, mas nunca consegui nenhuma informação – deu de ombros. – Gostaria de saber de tudo, gostaria de prender o cara que tirou o brilho dos olhos da minha garotinha, mas… ela nunca fala. Então, detetive, eu já vou lhe avisando... Bella não lhe falará nada, por mais que o senhor queira. Sinceramente, eu acredito que isso seja uma perda de tempo.

Edward permaneceu mais alguns minutos pensando em tudo o que ela havia dito e ocasionalmente fazendo alguma pergunta. Quando o telefone tocou e Renée se afastou para atendê-lo, ele se levantou e deu uma boa olhada nas fotografias, comparando a Isabella de antes com a Isabella de depois.

Era algo… gritante. O sorriso sumira, o brilho nos olhos, a inocência... Ele não tinha muita ideia do que acontecera com ela naqueles quase onze meses, mas sabia que tudo aquilo havia lhe mudado para sempre.

Sabia que ele tinha um desafio pela frente e que provavelmente ela não lhe falaria o que ele queria com facilidade, mas ele não iria desistir.

Ele queria aquilo. Ele conseguiria.

Por isso, quando Renée voltou, Edward se despediu dela e agradeceu por tudo, deixando seu cartão para o caso dela se lembrar de alguma coisa. Perguntou se poderia voltar depois, caso precisasse conversar com o pai, e logo estava no seu carro novamente.

Ele o ligou e começou a dirigir em direção ao hospital, não querendo perder tempo.

Era hora de falar com Isabella Swan.

Notas finais
N/A: Como mencionei acima, demorei um pouco mais do que pretendia, mas aqui está o capítulo um! Com um sonho de algo que aconteceu no passado de Edward, a irmã dele sendo atacada e isso o levando até a Bella, hmmm... E agora, hein? Palpites? Como podem ver, a fanfic será toda em terceira pessoa. Um pouco tensa talvez, mas com alguns momentos que, eu tenho certeza, vão fazer vocês suspirarem haha. Enfim, o próximo capítulo ainda (infelizmente) não está pronto, então pode ser que eu demore um pouquinho, mas vou tentar escrevê-lo nesse feriado de agora e postá-lo na semana que vem. Então deixem reviews, cruzem os dedinhos e quem sabe semana que vem não posto o encontro entre Bella e Edward? Espero que tenham gostado! xx N/B: O que será que aconteceu? O que se passa nesses corações? Eles terão cura? Aceitarão essa cura? Só a Deh para nos contar. Não sei vocês mas estou sofrendo com o sofrimento deles. Preparem os lenços. Lu.