Daylight

3 Capítulo Dois


Notas iniciais
Olá, olá :3 Depois de um tempinho, aqui está o capítulo dois!
Espero que gostem (;
Leiam a N/A, ok?

Seus olhos analisavam com atenção o prontuário à sua frente. As pessoas que, de longe, às vezes a olhavam, podiam encontrá-la franzindo a testa ocasionalmente, assim como dando pequenas mordidas na tampa da caneta; era um ato tão automático, que Isabella nem mesmo notava.

Balbuciou para si mesma quando leu a mesma coisa pela terceira vez, apenas porque ela gostava de conferir tudo sobre os seus pacientes, e assentiu, antes de mover a caneta até o papel e fazer uma anotação, e só depois ela continuou sua leitura. Ela, provavelmente, deveria estar muito cansada para conseguir se concentrar como estava fazendo naquele momento, já que estava de plantão há quase um dia inteiro, mas ela já fazia isso há tanto tempo – desde que tinha começado a residência –, que seu corpo já estava se acostumando.

E também, curar pessoas era sua coisa favorita no mundo todo.

- Dra. Isabella Swan?

Bella continuou com seus olhos fixos no papel, relendo uma informação antes de tornar a anotar algo, e não percebeu que alguém a tinha chamado. A pessoa tornou a chamá-la, duas e três vezes, e quando viu que ela não tinha notado sua atenção, se aproximou e tocou seu ombro de leve.

Tal coisa serviu para chamar a atenção da morena, que, assustada, deu um pulo para trás, seus olhos um pouco arregalados. Só quando ela viu que alguém estava tentando falar com ela que murmurou um pedido rápido de desculpas, antes de endireitar o seu corpo.

Edward a tinha observado durante uns bons cinco minutos assim que entrara no hospital, sem saber exatamente o porquê de estar fazendo aquilo. Ele tinha saído da casa dos Swan com pressa, tendo, provavelmente, quebrado diversas leis de trânsito enquanto dirigia feito um louco pela cidade. No entanto, assim que chegara ao hospital e, na recepção, vira Isabella apoiada em um dos balcões, parecendo tão concentrado, sua urgência se fora.

Ele não podia simplesmente chegar lá e exigir que ela lhe falasse sobre o que tinha acontecido há tanto tempo. Se ela não tinha falado com amigos e família, por que falaria com ele, alguém de quem ela nunca tinha ouvido falar?

Estava com pressa – e muita, na verdade. Queria resolver tudo aquilo o quanto antes, queria o cara que tinha feito mal à irmã, atrás das grades o mais rápido possível. Entretanto, para ele conseguir tal coisa, ele teria ir com calma… e se tinha uma coisa que ele tinha aprendido em seus anos no exército, na academia e como detetive, era que a pressa muitas vezes acabava estragando tudo.

- Não se desculpe – ele disse rapidamente, dando-lhe um sorriso gentil. Estendeu-lhe a mão, sem desviar os olhos dos dela, e se apresentou, o sorriso ainda no rosto: – Sou o detetive Edward Cullen, doutora. Eu poderia trocar algumas palavras com a senhora por alguns minutos?

Isabella franziu a testa por um momento e depois abriu a boca para responder, mas uma enfermeira avisou naquele instante que um acidente tinha acontecido próximo dali e que os feridos estavam sendo enviados para o hospital.

- Sinto muito, mas agora não dá – ela disse, já começando a se afastar e a correr em direção à emergência. – Se o senhor puder esperar...

Edward a viu se afastar com pressa, mas não a seguiu. Suspirou pesadamente e passou a mão em seus cabelos. Ele não podia culpá-la por correr. Ela era médica; salvar vidas era seu dever.

Sabendo que aquilo provavelmente demoraria – e sabendo também que ele não sairia dali enquanto ambos não trocassem umas palavras –, ele procurou um lugar para se sentar, e depois de estar devidamente acomodado, buscou seu celular.

Era hora de verificar como estava indo toda a investigação e, principalmente, verificar como sua irmã estava indo.

Ligou para a delegacia primeiro e conversou com Ben, o cara em quem mais confiava – e talvez o único – ali. Depois de conversarem por alguns minutos, ele desligou, não se sentindo nem um pouco feliz.

Eles não tinham encontrado nada que revelasse quem poderia ter feito aquilo com a irmã, assim como não encontraram nada quanto ao caso de Isabella Swan. Haviam chegado a um beco sem saída, e novamente, a única que poderia tirá-los de lá era a própria Isabella.

Talvez, ir com calma demais, não fosse a solução correta.

Balançando a cabeça e saindo de seus devaneios, Edward tornou a pegar seu celular. Ligou para a sua mãe e trocou algumas palavras com ela, somente querendo saber do estado de Rose. De acordo com Esme, ela ainda estava um pouco em choque, mas não estava mais como a tinham encontrado, o que era um alívio.

E ele esperava que continuasse assim.

Quando a Dra. Swan terminou o seu trabalho, seu horário de plantão tinha acabado há quase três horas e já se passavam das duas da manhã. Ela se encontrava exausta e praticamente se arrastava até a saída do hospital; tudo o que desejava naquele momento era um banho quente e uma cama.

No resto, ela pensaria depois.

Ajeitou sua bolsa no ombro e escondeu um bocejo, enquanto se despedia rapidamente dos colegas de trabalho que passavam ao seu lado. Estava quase chegando à saída quando um movimento na recepção lhe chamou a atenção. E somente ao ver aquele homem alto, bonito e que exalava um poder imenso, é que Bella se lembrou do detetive Cullen, que queria trocar algumas palavras com ela horas atrás.

- Detetive Cullen! – disse, surpresa. – Eu não esperava que estivesse aqui ainda...

Ele deu de ombros, não parecendo estar nem um pouco cansado.

- É um assunto um pouco importante – ele fez um gesto com as mãos, como se não fosse grande coisa o fato de estar ali àquela hora da madrugada. – Eu não poderia esperar até amanhã.

Bella o encarou por um momento, se perguntando o que poderia ser tão importante ao ponto de ele estar esperando por ela ainda. Aos poucos, a ficha começou a cair e ela escondeu uma careta. Como podia não ter notado tal coisa antes? Sempre – às vezes todo mês, às vezes de semanas em semanas –, um policial aparecia por ali, ou um detetive, perguntando a ela sobre o que tinha acontecido há dez anos.

Mas nada havia acontecido, era o que Bella repetia diariamente. Ela simplesmente se recusava a pensar no passado.

- Sinto muito, detetive Cullen, mas eu estou muito cansada. – Sua voz soou mais fria e Edward não pode deixar de notar tal coisa. – Estou saindo de um plantão de mais de um dia, e não acho que tenho a capacidade de conversar com alguém agora.

Edward franziu a testa, enquanto a observava com atenção. Sabia que ela tinha adivinhado o que ele tinha ido fazer ali – não era uma coisa tão difícil, afinal. Ele sabia que ela estava cansada, e que deveria respeitá-la e deixá-la ir dormir, mas ele também sabia que não iria conseguir descansar caso ambos não conversassem.

Ele tinha que resolver aquilo o quanto antes.

E infelizmente para a doutora Swan, ela era a única vítima viva que poderia lhe dar detalhes sobre os meses que tinha ficado sob custódia do Sequestrador de Inocentes, como a imprensa tinha apelidado o cara que Edward queria prender.

- Tudo bem – ele concordou por fim, após ter pensado por um minuto. – Eu posso encontrá-la amanhã, logo cedo, então?

Bella tornou a esconder uma outra careta, enquanto apertava mais a bolsa em seus ombros.

- Creio que tal coisa não seja possível, detetive – ela disse. – Sinto muito mesmo, mas provavelmente o senhor está me confundindo com outra pessoa... Receio não poder ajudá-lo... Tenha uma boa noite.

Ela começou a se afastar antes que ele tivesse a chance de sequer processar o que ela havia dito. Correu o mais rápido que pode até seu carro e entrou no mesmo, só querendo escapar logo dali. Ela sabia que o detetive logo desistiria de falar com ela, como todos os outros policiais desistiam, mas não gostava daqueles primeiros dias de insistência. Ela fugiria até não poder mais e depois trocaria alguma palavras com eles, onde afirmaria que nada havia acontecido – como havia repetido para os outros e para si mesma tantas vezes que ela já tinha até mesmo perdido a conta. Eles desistiriam eventualmente, mas sempre a perseguiriam, ela sabia.

E se não fosse pelos seus pais, ela já teria deixado aquela cidade há muito tempo.

Suspirando pesadamente, e disposta a tirar o fato de ter vivenciado aquela pequena conversa de sua mente, dirigiu-se para a sua casa, que não ficava muito longe dali. Digitou a senha no painel assim que parou em frente à garagem e guardou o carro, antes de se dirigir para a porta da lateral e entrar. Após conferir o alarme e ver se tudo estava certo – como ela fazia todos os dias, desde sempre – caminhou até o seu banheiro e despiu-se. Após tomar um banho rápido e comer uma fruta, jogou-se na cama.

E não demorou muito para que estivesse dormindo...

Ela se balançava para frente e para trás, tentando se acalmar e pensar de forma clara. Não se lembrava exatamente de como tinha ido parar ali – na verdade não tinha a menor ideia –, mas sabia que se desesperar não iria adiantar absolutamente nada. Seus olhos percorreram o local onde se encontrava, à procura de uma saída, mas aparentemente não havia nenhuma. Faziam algumas horas, talvez, que ela estava ali, e ela se julgaria completamente sozinha se não fossem os barulhos de passos que escutava no andar acima.

Mas era só isso.

Ninguém havia vindo falar com ela, ninguém lhe dizia por que ela se encontrava ali.

E isso era o que a mais assustava.

Isabella fechou seus olhos com força e soltou um soluço, se perguntando por que ela estava ali. Ocasionalmente, alguém passava uma pequena vasilha com alguma comida por um buraco da porta, mas ela se recusava a comer, e eventualmente a comida era retirada.

Ela não comeria, não beberia nada. Só queria ir embora e voltar para a casa, para os braços dos pais, que deveriam estar morrendo de preocupação.

Ouviu passos acima de si e olhou para o teto, sua respiração vindo de forma curta e rápida. Logo escutou o barulho de um chuveiro sendo ligado e aproveitou para olhar o local com mais atenção. Talvez ela achasse uma falha, algum lugar onde ela poderia escapar ou pedir ajuda.

Levantando-se – e fazendo pequenas caretas ao sentir dores nas pernas, já que havia ficado sentada na mesma posição por horas –, ela andou em meio ao lugar, seus olhos fitando tudo com atenção. Puxou algumas caixas de madeira que estavam mais ao canto e as alinhou junto à janela. Elas eram altas, mas havia muitas caixas. Subiu nelas e se esticou o máximo que pode. Puxou os cadeados, na esperança de que algum deles fosse velho e houvesse alguma maneira de abrirem. Quando não conseguiu, observou o vidro, calculando se havia a possibilidade de ela quebrá-lo sem chamar a atenção da pessoa no andar de cima.

Entretanto, antes que a resposta chegasse à sua cabeça, ela viu as grades; mesmo uma criança não conseguiria passar por elas.

Suspirando pesadamente, ela desceu das caixas e tornou a voltar para o local que estava sentada outrora. Enrolou-se em uma bola, deixando que um soluço escapasse.

Por que ela estava ali? Por que aquela pessoa estava fazendo aquilo com ela?

Soltando um soluço estrangulado, Isabella sentou-se na cama de repente, seus olhos arregalados, sua respiração ofegante. Passou a mão no rosto várias vezes, procurando tirar aquele pesadelo de sua cabeça, e respirou fundo. Tinha sido só um pesadelo, nada mais do que isso. Ela estava bem, estava segura.

Não havia necessidade alguma de se preocupar com algo.

Permaneceu ali durante algum tempo, apenas parada, enquanto tentava recuperar seu controle, e depois disso, olhou para o relógio, seus olhos tornando a se arregalarem um pouco ao ver que tinha conseguido dormir por quase sete horas antes de os pesadelos – freqüentes até demais – a atrapalharem de dormir. Acostumada a ter uma dose de sono pequena por dia, ela se levantou, certa de que, mesmo se quisesse, não conseguiria voltar a dormir.

E como estava de folga, talvez ir até a academia não fosse uma má ideia, mesmo que ainda fosse um pouco cedo demais.

Edward parou em frente à casa da Dra. Swan, seus olhos se arregalando um pouco ao ver como ela era modesta. Havia apenas um andar e uma garagem com vaga para um carro. Era bonita, bem ajeitada, mas nada como ele tinha imaginado. Parou ali durante um tempo, ansioso para que ela saísse logo. Sabia que provavelmente ela dormiria até mais tarde – devido ao plantão –, mas ele não podia conter a ansiedade. Dormir tinha sido algo extremamente difícil, e mesmo tendo enrolado o máximo possível para sair de casa e demorado um pouco mais do que o comum para encontrar o endereço de Isabella, ele, antes mesmo que se desse conta, estava parado diante da casa dela.

Conversaria com ela naquele dia, ou seu nome não era Edward.

Rosalie já estava devidamente instalada na casa de seus pais, descansando do trauma que tinha passado. E Edward já havia conversado com ela naquela manhã, não se importando com o fato de ser cedo demais. Ela parecia bem, mas estava mais calada do que o de costume e ele sabia que era porque estava assustada, com medo de acontecer outra tentativa de seqüestro.

Ele tinha de se certificar de que ela não sentiria aquele medo a cada vez que saísse de casa. Tinha que mantê-la em segurança.

Era mais do que o seu dever, afinal.

Edward saiu de seus devaneios quando ouviu o barulho de um portão sendo aberto e fechado, e rapidamente olhou para o lado, surpreso ao ver Isabella ali, vestindo uma roupa de ginástica. Ele se surpreendeu ao olhá-la da cabeça aos pés e descobrir que, por trás de um jaleco enorme e largo, havia curvas, e repreendeu a si mesmo antes que ele fosse longe demais.

Seus pensamentos nunca deveriam seguir por aquela linha quando se tratava de alguém que estava envolvido meio que profissionalmente com ele. Naquele caso, Bella era apenas alguém que o ajudaria a prender o cara que tinha atormentado aquela cidade por mais de dez anos. Já tinha passado da hora de ele ser preso.

Ele a viu digitar uma senha em um painel e conferir o portão, antes de começar a descer a rua, caminhando. Sabendo que poderia assustá-la se a seguisse de carro, ele desceu do mesmo e ativou o alarme, antes de ir pela mesma direção que ela. Precisou correr um pouco, mas logo estava ao lado da morena.

E para a sua surpresa, ela não pareceu se surpreender nem se assustar com sua presença, mesmo que ela tenha sido muito repentina.

- Detetive Cullen – ela acenou, enquanto continuava a sua caminhada –, estou surpresa por vê-lo aqui à essa hora...

Ele apenas deu de ombros.

- Como eu lhe disse ontem, o assunto que tenho para tratar com a senhorita é um pouco urgente, então...

Ela suspirou e assentiu, mas não disse nada.

Ninguém, na verdade, disse nada pelos próximos cinco minutos. Edward passou esse tempo a observando com atenção, enquanto pensava em como poderia começar suas perguntas. Ele tinha decidido ir com calma na noite anterior e talvez aquela ainda fosse a melhor opção, mas… ele não achava que tinha tanto tempo assim.

Seguiu Isabella pela rua então, até ela entrar em uma cafeteria próxima dali, e pedir um café. Ele fez seu próprio pedido, surpreso por eles gostarem de tomar café do mesmo jeito. Seguiu-a até uma mesa e se sentou à frente dela, seus olhos nunca deixando de examiná-la.

- Sou toda ouvidos, detetive – ela murmurou, tomando um gole de seu café. – Peço apenas que não demore, por favor. Tenho coisas a fazer.

Ela é direta, ele pensou, enquanto ainda a observava. Ficou calado durante alguns segundos, a olhando, pensando em como deveria começar.

- Imagino que saiba sobre o que quero falar com você – ele começou por fim, sabendo que a pouca paciência que ela parecia ter não demoraria muito tempo para acabar –, então não vou enrolar muito. Gostaria de conversar com você sobre o que aconteceu dez anos atrás e...

- Nada aconteceu. – Isabella o cortou. – Você não é o primeiro a me procurar e com certeza não será o último, mas repito o que sempre digo a todos os policiais que sempre fazem as mesmas perguntas: tudo o que eu tinha para falar, o que não é muito, eu já falei, então não vejo o porquê de estender esta conversa...

Edward fez uma careta ao escutar aquelas palavras saírem de sua boca e segurou seu braço antes que ela tivesse a chance de levantar da cadeira, como ele sabia que ela pretendia. Fitou-a nos olhos e prendeu seu olhar no dela, se perguntando, em um momento de devaneio, onde aquela menina de sorriso bonito e olhos brilhantes tinha ido parar.

Definitivamente, algo de muito ruim tinha acontecido com ela.

E ele estava mais do que disposto a descobrir todos os detalhes possíveis.

- Srta. Swan, eu sei que você está mentindo – ele disse. – Talvez você tenha se convencido de que esta seja uma verdade, mas quais são as possibilidades? Uma van parada próxima à sua festa, você sumindo por meses... Você foi a única que sobreviveu, mas ele não foi preso, Isabella. Não quer vê-lo atrás das grades e impedi-lo de machucar outras garotinhas como ele machucou você?

Isabella fechou os punhos, escondidos debaixo da mesa, com toda a força e apertou o maxilar, forçando-se a se controlar. Lembrou-se das aulas de auto controle, de yoga e de todas as outras que tinha feito e vinha fazendo ao longo de todos esses anos, ela respirou fundo. Ela tinha passado por aquilo tantas outras vezes – não ouvindo aquelas exatas palavras, obviamente – e não era agora que deixaria que aquilo tudo a abalasse.

Em um único pulo, afastou-se da mão do detetive e se pôs de pé, mais do que ansiosa para por um ponto final naquela conversa. Inclinou-se, lutando para esconder toda a raiva que sentia naquele momento, e olhou em seus belos olhos verdes enquanto dizia, esperando que aquela fosse a última vez em que o visse:

- Como eu disse, não tenho nada mais a dizer sobre o que aconteceu há dez anos – ela murmurou, sua voz não passando de um sussurro. Mesmo assim, Edward conseguia ouvi-la perfeitamente. – Está no passado e eu não quero falar sobre isso mais, detetive. Nossa conversa termina por aqui, peço, por favor, que não volte a me procurar.

Jogando uma nota de dez dólares na mesa, Isabella se virou e deu as costas, partindo o mais apressadamente que queria. Felizmente, sua academia ficava ali perto e ela foi direto para uma das salas que ficavam mais vazias àquela hora da manhã, onde havia alguns sacos de pancadas. Colocou seus fones e ligou a música em um volume absurdo, antes de começar a socar. Ela não se lembrava da última vez que tinha tido aquele ataque de raiva, mas eles não eram mais tão constantes como antigamente.

Seu coração batia com força e sua respiração vinha de forma ofegante enquanto ela socava com cada vez mais força, esperando que suas emoções estivessem sob seu controle logo. Quando tal coisa começou a ocorrer, ela começou a prestar mais atenção à música que tocava e começou a cantarolar. Ela tinha aquele dia de folga no hospital – não era algo que ela gostava tanto, mas infelizmente, tinha que descansar –, então não precisou se preocupar com o horário tanto quanto fazia normalmente. Apenas ficou ali, aproveitando seu tempo livre e querendo se esquecer do detetive Cullen.

- Bella?

Ela deu um pulo quando escutou alguém gritar seu apelido, graças à pequena pausa entre uma música e outra. Poucas pessoas usavam seu apelido – ela poderia contar nos dedos quem fazia tal coisa –, então não foi difícil descobrir quem era o dono daquela voz.

Ela olhou para o lado e sorriu ao encontrar Emmett, seu único amigo e aquele quem a acompanhava em muitas de suas aulas e rotina na academia. Parou de socar o saco imediatamente e desligou a música; suas emoções já estavam sob controle novamente. Cumprimentou-o com um abraço rápido, e puxou a toalha ao redor de seu pescoço, para enxugar seu rosto.

- Hey, você acabou de chegar? – ela perguntou, se abaixando e puxando sua garrafinha. Emmett apenas assentiu, observando-a tomar grandes goles d’água. – Pensei que hoje você viesse mais cedo...

Emmett lhe deu um grande sorriso, até aparecerem suas covinhas, e balançou as sobrancelhas, o que fez com que Isabella fizesse uma careta; ele não precisava dizer mais nada para que ela soubesse o que tinha acontecido na noite anterior – e provavelmente durante a madrugada e parte da manhã também.

- Tudo bem, já entendi – ergueu as mãos, balançando a cabeça. – Não precisa me dizer mais nada...

Emmett riu, parecendo não se abalar nem um pouco com o tom da morena.

- Posso saber por que estava socando com tanta força a essa hora da manhã, pequenina? – ele indagou, arqueando uma das sobrancelhas.

Ela fez uma careta e deu de ombros.

- Um detetive que apareceu e queria falar sobre aquele assunto – disse. – Você sabe como é, não gosto quando as pessoas falam disso. Não é como se eu fosse uma vítima daquele Sequestrador não sei do quê...

Emmett observou a amiga em silêncio durante alguns segundos, mas não disse nada, apenas assentiu. Ele sabia que Bella estava mentindo; todos próximos dela sabiam, provavelmente. Entretanto, mesmo a conhecendo há mais de cinco anos, ela nunca tinha lhe falado nada sobre o assunto. Ocasionalmente, quando algum policial aparecia, ela lhe contava que eles só faziam as mesmas perguntas, mas só.

Era tudo o que a morena se permitia dizer sobre o assunto.

Ele queria, de verdade, perguntar a ela e dizer que escutaria com todo o prazer. Porque ele escutaria. Ele sabia que trocava de namorada rápido demais e que tinha seus defeitos, mas Bella era como sua irmãzinha caçula; uma irmã que ele nunca teve. Ajudá-la a vencer o maior medo e a pior época de sua vida seria algo que ele faria com prazer...

Mas ela não se abria.

E depois de passar muito tempo tentando e ter corrido o risco de ter perdido sua amizade, não havia nada que ele pudesse fazer… a não ser estar ao seu lado caso ela precisasse de ajuda algum dia.

Ele logo mudou de assunto, como bom amigo que era, e a levou para fazer um alongamento – ela estava tão desatenta e com raiva, que nem mesmo tal coisa havia feito. Fizeram seus exercícios juntos e depois de ambos tomarem seus banhos na academia, cada um no vestiário próprio, saíram para comer algo.

Eles conversaram sobre o trabalho, como sempre. Emmett contou sobre o escritório – não parecia que alguém tão brincalhão como ele, fosse um advogado e dono de um importante escritório – e Bella comentou sobre o plantão difícil que tinha tido, ocultando, obviamente, a parte do detetive Cullen. Ela tinha decidido esquecer desse pequeno imprevisto, sabendo que depois de suas palavras, ele não voltaria a procurá-la.

Não era possível que ele fosse fazer tal coisa.

Aproveitou seu dia de folga e resolveu todos os seus problemas pendentes. Quando terminou, voltou para a sua casa e deu uma ajeitada nela. Ela podia, sim, facilmente pagar por uma empregada, mas Isabella há muito tempo tinha perdido a confiança nas pessoas. Ela confiava em poucas agora e mesmo assim desconfiando.

Mesmo não querendo admitir, o passado tinha deixado marcas nela que nem o tempo podia curar.

Quando acabou, jogou-se no sofá e pegou um livro para ler. Sua casa estava no mais profundo silêncio, nem mesmo um pio sendo escutado na mesma. Muitas pessoas poderiam ficar incomodadas com aquilo, mas não Isabella. Tinha levado muito tempo e requerido muita força para ela se reerguer e estar onde estava naquele momento. E por mais que a solidão batesse às vezes, morar sozinha era o melhor para ela. Estar sozinha e não fazer ninguém sofrer, era o melhor.

Ela já tinha aceitado tal coisa e não via como poderia ser diferente.

Notas finais
N/A: Edward foi procurar a Bella, mas não conseguiu o que queria, hmmmm... E agora, será que ele desiste?
Meninas, desculpem a demora, mas estou correndo muito e mal tendo tempo lol. Assim que eu terminar o próximo, eu mando pra beta e depois posto, ok? Pode demorar um pouquinho, mas fiquem atentas que qualquer dia eu apareço por aqui! haha
Espero que tenham gostado.
Deixem reviews (;
xx
N/B: Não sei vocês, mas eu teria muito medo de ficar sozinha *encolhenocantinho*. Estou muito curiosa para saber o que aconteceu há 10 anos. O que a teria feito se fechar em concha desse jeito? *olhaparaaDehefazcaradepiedade*. Bom fim de semana, Lu.