Daylight
9 Capítulo Oito
Notas iniciais
Espero que gostem!
xx
Edward permaneceu sentado na sala de espera durante algum tempo, seus olhos disparando para a porta de entrada a todo o minuto, querendo verificar se os pais da garota tinham chegado. Ele suspirou pesadamente quando olhou o relógio e viu que só dez minutos tinham se passado desde que Bella tinha lhe dado a notícia; parecia que fazia uma hora.
Bocejando, ele se encostou na cadeira e apoiou a cabeça na parede, desejando que ele tivesse o poder de resolver tudo aquilo de uma vez. Ele não conseguia se lembrar da última vez que tinha conseguido dormir tranquilamente. Agora, toda vez que fechava os olhos e se permitia descansar, seu sono era invadido por memórias.
Memórias que eram dolorosas e que, por ele, podiam desaparecer para sempre.
Naquele momento, no entanto, ele não estava pensando exatamente naquilo. Tudo em que ele conseguia se focar era no que tinha ocorrido naquela madrugada.
Lembrava-se das pistas que tinha seguido, todas não dando em lugar algum. Ele estava quase desistindo, achando que nunca conseguiria achar nada, quando um homem ligou, dizendo que tinha encontrado uma garota jogada no parque. E ao chegar lá... Edward precisou tomar uma respiração profunda ao ver quão machucada ela estava, porque podia ser sua irmã ali, podia ser sua Rose... e ele não sabia o que seria dele se isso tivesse acontecido.
Uma ambulância foi chamada quando descobriram que ela estava viva. Edward sentiu a esperança crescer dentro de si. A amiga de Rosalie poderia lhe falar o que tinha acontecido, podia contar quem tinha feito mal a ela. Entretanto, ele não teve sorte. Agora... ela estava morta, e, novamente, só restava Isabella para ajudá-lo.
- Detetive Cullen?
Edward se levantou de uma vez, se assustando um pouco. Ele soltou um suspiro quando viu os pais da garota ali, ao lado de um policial. Ambos choravam, o que o levou a acreditar que já sabiam o que tinha acontecido.
- É verdade? — O pai de Nathalie indagou, enquanto abraçava a esposa pelos ombros e a puxava para si.
Edward não pôde deixar de notar o quão trêmulos eles estavam.
- Sim — murmurou, sabendo que não havia muito o que ele podia dizer naquele momento. — Eu sinto muito, Sr. Adams, por ter chegado tarde demais.
Nenhum dos dois disse nada, apenas se abraçaram, os soluços se tornando cada vez mais altos. Incomodado com a dor deles e se sentindo um pouco culpado por não ter feito muito, Edward se afastou. Ele pediu a dois policiais que ficassem com os pais e tentassem conversar com eles novamente sobre tudo, quando fosse possível. Colocou os dois à disposição deles, porque, naquele momento, infelizmente, era tudo o que ele podia fazer. Por fim, ele saiu do hospital e foi direto para casa. Queria, mais do que tudo, ir conversar com Rosalie logo — embora não tivesse a mínima ideia de como contaria isso a ela -, porque não queria que ela soubesse quando entrasse em uma rede social ou visse pela televisão, mas ainda era muito cedo e ele realmente precisava dormir.
Enquanto tomava um banho rápido e comia um sanduíche, ele não pode deixar de pensar na reação de sua irmã. Ela continuava a insistir em ficar no quarto, não saindo nunca dele. A notícia de que o sequestrador queria, na verdade, pegar Nathalie a faria começar a seguir em frente? Ou — e Edward tremia só de pensar naquilo — a faria retroceder ainda mais?
Ele soltou um suspiro e balançou a cabeça, sabendo que não deveria ficar pensando nisso. Lavou a louça que tinha sujado rapidamente, antes de seguir para o banheiro. E quando enfim se jogou na cama, se passavam das cinco da manhã.
Seus olhos se fecharam quando a luz do sol bateu neles e sua mão foi imediatamente para o seu rosto, sem nem mesmo que ele se desse conta disso. Resmungou, se sentando na cadeira e esfregou as mãos no rosto. Ele estava de vigília tinha tanto tempo — dez horas, talvez? — que nem mesmo sabia como estava conseguindo se manter acordado.
- Você cochilou. — Uma voz soou perto dele. — Eu imaginei que isso aconteceria na sua primeira vez.
Sentindo o coração bater de forma rápida contra o seu peito, Edward se pôs de pé e se virou, olhando para a sua chefe. Ele engoliu em seco ao ver que ela parecia ainda mais bela do que ontem, embora estivesse usando o mesmo estilo de roupa e o cabelo estivesse preso em um rabo de cavalo. Ficou ali, parado, sem saber o que dizer.
Ela ergueu a sobrancelha, por fim, provavelmente cansada de esperá-lo falar algo.
- D-desculpe-me, tenente — ele murmurou. — Eu garanto que isso não acontecerá novamente, senhora.
A tenente o encarou durante alguns minutos, séria, sem dizer nada. Por fim, ela colocou a mão no bolso e tirou um relógio. Quando ela o guardou e tornou a olhar para Edward, ele viu que ela sorria.
- Seu turno acabou — disse — e o meu só começa depois das cinco, o que significa que você está de folga pelas próximas horas e que eu só começo a trabalhar daqui a pouco... Que tal irmos ao refeitório tomar algum café?
Confuso por ela estar sendo tão gentil com ele, Edward a seguiu, suas mãos nos bolsos de sua calça, seus olhos nunca desviando dela.
Ainda eram quatro da manhã, o que significava que somente algumas pessoas estavam acordadas. Eles estavam no início do treinamento e tudo era dividido em turnos; no começo, seria tranquilo assim. E Edward não queria nem imaginar como seria quando tudo piorasse.
Sua tenente pegou dois copos de plástico e os encheu com café, e Edward apenas ficou parado ali, esperando. Ele sabia que provavelmente estava agindo de forma muito boba, mas não conseguia se importar com isso. Ele nem mesmo sabia o nome dela, pelo amor de Deus. Apenas sabia que ela era a Tenente Volturi e nada mais.
Eles se sentaram à mesa e apenas bebericaram o café durante alguns minutos. Edward não conseguiu tirar os olhos dela, dos seus olhos muito azuis, dos seus cabelos muito loiros. Ficou pensando em como seria vê-los soltos, em como seria passar a mão por eles.... E no que exatamente ela escondia por trás de toda aquela roupa...
- Algum problema, Cullen? — ela indagou, dando-lhe um sorriso. — Você está me encarando há alguns minutos...
Ele engoliu em seco, se xingando mentalmente por estar sendo tão óbvio.
- Desculpe-me, tenente — ele conseguiu dizer. — É só que eu não esperava que a senhora me chamasse para tomar um café... Pensei que tínhamos que nos manter sempre profissionais por aqui.
Ele se encolheu ao terminar de falar, com medo de ter ditos coisas que não devia, mesmo que não tivesse visto nada demais em sua fala. Por isso ele foi pego de surpresa quando ela riu.
- Primeiro, não me chama de senhora, por favor — pediu -, não quando não estamos em nosso horário de serviço, pelo menos. Segundo, eu sei que pareço ser... durona ou algo assim, mas gosto de conversar com as pessoas com quem eu trabalho. Ajuda a nos manter fortes e unidos quando precisar seguir com as nossas missões.
Edward sorriu um pouco, embora estivesse um pouco receoso ainda. Entretanto, no decorrer dos minutos, ele se viu relaxando, rindo e conversando com a uma mulher muito atraente.
Quando o sinal soou às cinco da manhã, ele se viu lamentando por isso, querendo que o tempo tivesse passado mais devagar. O sorriso da tenente morreu e ela se levantou, ajeitando seu boné e suas roupas.
- Vá descansar, Cullen — ela disse, voltando ao tom profissional de outrora. — Iremos precisar do senhor novamente dentro de algumas horas.
Ele se pôs de pé e bateu continência, já que o horário de folga dela havia acabado. Manteve-se assim até que ela se afastou, só se permitindo relaxar novamente depois disso. O refeitório logo começou a encher, mas Edward não ligou muito para isso. Ficou ali, observando-a se afastar, um sorriso nascendo em seu rosto.
É, pensou, ele definitivamente gostaria de mais momentos de folga como esses.
O som do despertador tirou Edward de seu sonho, fazendo com que ele resmungasse. Ele se sentou e esfregou o rosto, sentindo seu coração bater acelerado, só que... de uma forma diferente. Lembrar da época que ele tinha servido ao exército sempre trazia lembranças ruins, com as quais ele não podia lidar. Mesmo quando ele sonhava com os bons momentos, ele costumava sofrer quando acordava, porque sabia que aquela época nunca mais voltaria. Entretanto, dessa vez... ele sentia falta, sim, e gostaria de poder mudar o que tinha acontecido, mas... a dor, tão profunda e constante, não parecia tão profunda agora. Ainda doía, mas era... diferente.
Franzindo a testa, ele balançou a cabeça, sem saber o que pensar. Levantou-se, mesmo ainda sendo muito cedo para quem tinha ido dormir às cinco da manhã, e caminhou até o banheiro, decidido a tomar um banho mesmo que já tivesse feito isso antes de ir dormir. Talvez isso o ajudasse a acordar, afinal.
Quando terminou, ele ligou para os pais, apenas para perguntar a eles como Rosalie estava indo. Ele gostava de verificá-la sempre, já que não podia ir visitar todos os dias, devido ao seu trabalho — ainda mais agora que estava trabalhando em um grande caso.
- Ela continua na mesma, Edward — sua mãe disse, soltando um suspiro pesado. — Tentei convencê-la hoje a receber uma visita de uma de suas amigas, sabe? Mas ela não quis nem me ouvir...
Ele engoliu em seco e suspirou, sem sabia se já contava à mãe o que tinha acontecido, ou esperava um pouco.
O medo de ela descobrir de outra forma, porém, fez com que ele reconsiderasse.
- Mãe — ele começou, soltando outro suspiro -, eu tenho uma coisa para te contar...
Resumidamente, ele contou o que tinha acontecido no dia anterior e naquela madrugada, tendo de parar algumas vezes quando Esme fazia alguma pergunta. Quando ele terminou, ambos ficaram calados durante um tempo, sem saber o que dizer.
- Oh, meu Deus, Edward! — Esme enfim disse. — Como vamos contar isso a Rosalie? Ela vai...
Ele assentiu, mesmo que sua mãe não pudesse ver.
- Eu sei — murmurou. — Olha, mãe, eu sei que todos nós pensamos em dar um tempo a ela, mas... eu não sei se saber disso vai ajudar ou trabalhar e também não tenho ideia de como dizer que uma de suas melhores amigas morreu. Então...
Ele escutou um barulho do outro lado da linha e parou de falar, franzindo a testa por um momento. Antes que pudesse, porém, perguntar o que tinha acontecido, sua mãe pediu que ele esperasse um instante, que Carlisle falaria com ele. E, assim, Edward contou novamente a história sobre Nathalie, esperando que seu pai tivesse uma ideia do que eles poderiam fazer.
- Eu, na verdade, acabei de voltar do hospital. — Carlisle disse. — Estava conversando com um psiquiatra, amigo meu, e ele concordou em vir dar uma olhada em Rosalie hoje, mais tarde... Por que você não vem aqui e pergunta a ele como a notícia deve ser dada?
- Certo — respondeu Edward, sorrindo um pouco. — Acho que vai ser uma boa ideia, mas... será que Rosalie vai concordar em conversar com alguém?
Ele escutou seu pai suspirar.
- Não sei como vai ser, Edward — murmurou. — Só sei que não aguento ver a minha filha daquele jeito mais, só sei que preciso ajudá-la. Ela provavelmente vai surtar um pouco no começo, mas eu quero que essas consultas aconteçam... é o único modo dela conseguir seguir em frente.
Eles conversaram durante mais alguns minutos e desligaram após Edward combinar de passar lá às cinco, que era o horário que o Dr. Hale tinha dito que chegaria.
Terminou de se arrumar e passou pela delegacia rapidamente, apenas para ver como tudo estava. Conversou com Ben, apenas para saber se ele tinha tido alguma novidade, e depois com os dois policiais que tinham ficados encarregados de conversarem com os pais de Nathalie, mas não havia nada de novo. Um pouco frustrado, Edward se sentou à mesa, sem saber o que fazer.
De repente, lembrou-se de Isabella dando a notícia de que Nathalie havia morrido e de como ela tinha saído rapidamente da sala de espera, sem esperar que ele dissesse nada. Havia uma conversa não terminada entre os dois, ele se lembrou disso, e decidiu que ela, embora estivesse de plantão durante toda a noite, já deveria ter acordado naquele momento.
Avisando a Ben onde ele estaria, ele pegou seu casaco e chaves, e saiu da delegacia, dirigindo até a casa de Isabella. Tocou a campainha durante alguns minutos, mas não obteve resposta. Pensou que ela estivesse dormindo e insistiu mais algumas vezes. Quando notou que a casa estava toda fechada, ele decidiu ir até a casa dos pais dela.
Algo dizia a ele que ela poderia estar lá.
O trânsito estava tranquilo, então ele não demorou muito para chegar à casa dos Swan. Estacionou o carro e desceu, desejando que seus instintos estivessem certos. Talvez Renée estivesse certa, talvez ele estivesse fazendo algum progresso com Isabella. E caso ela estivesse certa, ele apenas precisava insistir mais. Ela tinha soltado algo no dia anterior, afinal. Talvez logo soltasse mais coisas, coisas que poderiam ajudá-lo a conseguir o que queria.
Saindo de seus devaneios, ele tocou a campainha e esperou, batendo o pé de forma ansiosa no chão. Ao ouvir passos vindo de dentro da casa e em direção à porta, ele soltou um suspiro de alívio por ter alguém ali e ele não ter perdido sua caminhada.
- Boa tarde. — Um homem alto e com um amigável sorriso cumprimentou Edward assim que abriu a porta. — Eu posso ajudá-lo em alguma coisa?
Edward sorriu de volta e estendeu a mão, se perguntando se ele estava em frente ao pai adotivo de Isabella, Charlie Swan.
- Boa tarde — respondeu. — Eu sou Edward Cullen, detetive que...
Imediatamente, um sorriso enorme nasceu no rosto de Charlie e seus olhos brilharam. Renée lhe contara sobre esse detetive, lhe falara que ele era o responsável pelo progresso de sua garota.
- Oh, detetive, entre — ele disse, interrompendo-o. — Sou Charlie, pai de Isabella. Você gostaria de falar comigo?
Um pouco surpreso por ele estar agindo daquela maneira, Edward entrou, mesmo que um pouco hesitante. Seus olhos percorreram a sala, à procura de Isabella, mas logo se voltaram para o dono da casa, que ainda sorria.
- Na verdade, eu gostaria de falar com Isabella, se estiver tudo bem — respondeu. — Nós começamos a conversar um pouco ontem, mas... eu tive que resolver alguns problemas na delegacia e tive que ir embora.
Charlie apontou para o sofá e seguiu o detetive, sentando-se na poltrona. Chamou a empregada e pediu que ela servisse um café para os dois, antes de enfim se voltar para Edward.
- Isabella veio para cá hoje cedo — ele contou, e Edward não pôde deixar de notar como ele parecia estar feliz com aquilo. — Isso ainda é... novo para nós, sabe? Ela saiu de casa ainda muito nova, foi para uma faculdade muito cedo e quando voltou, não quis voltar a morar conosco. Desde então, ela nunca tinha dormido aqui mais. E agora, com hoje, são duas vezes...
Edward assentiu, sem saber se deveria dizer alguma coisa.
- Ela dormiu só durante algumas horas, no entanto — continuou, parecendo estar perdido em pensamentos. — Eu sei que ela tem seus pesadelos, mas ela não gosta muito de falar sobre isso. Nós tentamos, quando ela foi encontrada, mas ela nunca quis, então... por mais que doa em nós, nós a respeitamos, sabe?
Charlie parou de falar quando a empregada, Annie, surgiu com uma bandeja nas mãos. Ele esperou que ela servisse o café e saísse, e só então continuou.
- Ela voltou a pintar — soltou, parecendo estar muito feliz por aquilo. — Ela pintou um pouco hoje de manhã, também, antes de sair com Renée. Eu não me lembro a última vez que Isabella concordou em ir fazer compras com a mãe, mesmo que tenha sido só para que Renée escolhesse algo para ela... E a minha esposa diz que tenho muito a agradecer a você.
Edward encolheu os ombros, parecendo estar um pouco envergonhado.
- Eu só estou tentando resolver esse caso, senhor Cullen — ele disse. — Isabella não fala muito, porém. Ela soltou uma coisa ontem, mas só... Ela nem mesmo admite que algo aconteceu a ela no passado.
Ao ouvi-lo mencionar que ela tinha soltado algo, Charlie se inclinou na poltrona, seus olhos arregalados.
- O que ela soltou? — indagou.
Edward suspirou.
- Ela apenas disse que ele pega as garotas no dia dos aniversários delas, nada demais — murmurou. — Quero dizer, eu acho que é alguma coisa, mas também acho que estamos longe de ela dizer algo concreto, algo que pode nos levar diretamente até a ele.
Charlie assentiu.
- Eu entendo — murmurou. — Só peço que continue a fazer isso, detetive, seja lá o que for. E se você precisar de ajuda em algo que possa adiantar um mandato ou qualquer outra coisa do tipo, é só me pedir. A qualquer hora. Renée e eu devemos muito a você.
Edward soltou um agradecimento, sem conseguir pensar em nada mais para dizer. Renée e Charlie estavam confiando muito nele, certos de que ele estava ajudando a sua filha a melhorar. Ainda achando que ele não estava fazendo nada demais, ele se pôs de pé e agradeceu ao advogado por lhe ter concedido alguns minutos, sabendo que não podia ficar esperando Isabella voltar das compras com a mãe. Ele parou dentro do carro durante alguns minutos, seus olhos presos na janela que ele sabia pertencer ao quarto que Isabella pintava.
Por fim, balançou a cabeça e colocou o carro em movimento, sabendo que havia muito o que fazer antes de se declarar como um vitorioso. Ele só faria isso quando o cara estivesse preso e todas aquelas garotas pudessem ter um pouco de paz.
_
O local estava escuro, mesmo sendo dia, devido às grandes e pesadas cortinas que cobriam as janelas. Algumas roupas estavam espalhadas no chão, assim como uns pares de sapato, mas nada disso parecia incomodar Rosalie, sentada no centro de sua cama, os olhos grudados na televisão de tela plana e controle remoto em sua mão direita, enquanto, freneticamente, ela mudava de canal, não gastando mais do que cinco segundos no mesmo, já que nada parecia interessá-la.
Ela soltou um suspiro e desligou a TV, antes de se jogar na cama, apoiando a cabeça em seu travesseiro e fechando os olhos. Com o passar dos minutos, com o silêncio reinando em seu quarto, ela foi capaz de escutar os ruídos de pessoas se movimentando e conversando na casa, muito embora seus pais e empregados estivessem sendo até bem silenciosos naqueles dias que haviam se passado, desde o trágico episódio ocorrido no jardim. Ela estremeceu ao se lembrar daquilo... e ainda mais quando pensou no que Edward, seu meio-irmão, havia dito.
Ela havia falado que precisava de mais tempo, mas essa resposta já não colava com seus pais mais. Ela, agora, se recusava a sair do quarto, com medo de encontrar empregados pela casa e perder o controle novamente. Edward não havia aparecido ainda — por enquanto -, mas seus pais estavam ali várias vezes no mesmo dia, chamando-a para jantar, para dar uma volta... Ela odiava ver a preocupação em seus olhos e a dor, mas... nenhum deles entendia o medo que tomava conta dela cada vez que pensava em sair do quarto.
Às vezes, nem mesmo ela conseguia entender.
Entretanto, para seu grande desgosto, seus pais pareciam não estar aguentando aquilo mais. Eles vinham sugerindo vários psicólogos, com quem ela poderia conversar, mas ela não aceitava. Para falar com um, ela precisaria sair de casa... e isso, pelo menos por agora, estava fora de questão.
A loira tornou a suspirar quando o tédio tomou conta dela. Ela ficou ali, deitada, pensando em algo que ela poderia fazer, mas sem conseguir pensar em nada. Tudo requeria que ela saísse do quarto... e ela não faria aquilo. Resmungando, Rosalie se sentou, se esticando para pegar seu notebook. Mas antes que ela pudesse fazer isso, alguém bateu à porta do seu quarto, fazendo com que ela congelasse por um minuto, antes de tornar a resmungar.
Carlisle e Esme não desistiam.
- Pode entrar — ela sussurrou, encostando-se na cama, seus olhos na porta.
Ela viu seus pais entrarem e se preparou para escutar vários pedidos, mais uma vez. Eles não estavam sozinhos, no entanto. Junto deles estava um homem alto, loiro, com grandes olhos esverdeados e um sorriso gentil. Rosalie imediatamente tremeu e se encolheu na cama, arregalando seus olhos, o medo tomando conta de si, embora algo dentro dela dissesse que não havia nada a temer.
Ela sentiu os olhos de seus pais em si, mas não conseguiu desviar os olhos dele. Seu coração batia de forma acelerada contra seu peito e ela tentava pensar em alguma maneira de fugir, mesmo que soubesse que teria de passar por ele e teria de sair do quarto.
- Rose, querida... — Carlisle começou, ao ver a reação da filha. Cortava-lhe o coração ver a filha daquele jeito, mas ele não aguentava mais; já havia passado da hora de tomar medidas drásticas. — Não fique assustada, está bem? Esse é o Dr. Jasper Hale, um conhecido meu... Ele é um psiquiatra e gostaria de conversar um pouquinho com você, tudo bem?
Ela não conseguiu dizer nada, nem mesmo mover a cabeça, mas o Dr. Hale não parecia se importar. Ele continuava sorrindo de forma gentil, fitando-a com atenção.
- Olá, Rosalie — ele disse. — Importa-se se eu me sentar aqui?
Como ela não respondeu, ele caminhou até a poltrona, próxima à cama, e se sentou. Abriu a maleta e tirou um tablet dali, o tempo todo mantendo seus olhos nela. Ela esperou que seus pais saíssem ou alguma coisa do tipo, mas ambos ficaram ali, encostados na parede, a observando.
O Dr. Hale falou durante toda a sessão, fazendo perguntas sobre sua infância, sobre seu irmão, sobre seus pais, sobre suas amigas. Ela respondia a algumas perguntas, um pouco surpresa por ele não ter perguntado nada sobre o que tinha acontecido com ela. Quando o tempo acabou, ele tornou a sorrir e se despediu, prometendo estar de volta em breve.
- Nós vamos acompanhar o doutor Hale até a porta. — Esme sorriu um pouco, fitando a filha com carinho. — Qualquer coisa, é só chamar, ok?
A loira assentiu, embora estivesse um pouco confusa com tudo aquilo e ainda um pouco assustada. Ela os viu saindo do quarto e ficou ali, parada, esperando que seus pensamentos se organizassem. Entretanto, alguns minutos depois, ela se viu levantando e caminhando até a porta. Suas mãos tremiam enquanto ela as levantava e apoiava na porta, antes de praticamente colar seu rosto ali. Ela tentou ouvir o que eles diziam, embora não soubesse exatamente o porquê de estar fazendo aquilo. Seus pais e o psiquiatra estavam se afastando, porém, então ela não conseguiu escutar nada.
Com a curiosidade falando mais alto, Rosalie se afastou e abriu a porta do quarto, hesitando apenas por um segundo antes de sair. Ela caminhou de forma lenta, seus olhos percorrendo o corredor e as portas que se encontravam fechadas, como se esperasse que alguém saísse de lá de dentro. Como isso não aconteceu, ela logo desceu as escadas, seguindo em direção às vozes.
- Eu poderei voltar aqui daqui a alguns dias, se estiver tudo bem. — Ela escutou o Dr. Hale dizendo. — Não quero voltar imediatamente para não sobrecarregá-la, mas também não quero dar muito tempo entre uma consulta e outra. Ela está assustada, o que é normal devido às circunstâncias, mas obviamente não é normal se fechar assim...
Temendo ser vista, Rose se escondeu atrás da porta da cozinha, mantendo sua orelha o mais próxima possível da mesma. Ela sabia que não deveria estar fazendo aquilo, mas queria saber o que o doutor achava dela. Se ele achava que, um dia, ela pudesse ser a Rosalie de antes, que não tinha medo de nada.
Ela esperava que sim.
- Você não achou um mal sinal ela não ter falado com você, doutor? — Ela escutou sua mãe dizer e se aproximou da porta ainda mais, seu coração batendo mais rápido do que nunca. — Eu sei que é a primeira, mas realmente esperava que ela dissesse alguma coisa... pelo menos algo.
- Ela acaba de me conhecer, Sra. Cullen — ele respondeu. — Eu achava que ela fosse surtar, como fez quando viu o jardineiro... Já é um grande passo ela não ter feito isso. Aos poucos, eu vou ganhar sua confiança e, aos poucos, ela vai começar a se abrir.
Rosalie os escutou conversar sobre sua sessão durante um tempo, querendo gravar cada detalhe em sua mente. Escutou-os comentar sobre como ela tinha se encolhido na cama, como disparava olhares nervosos e hesitantes para os três ali. De fato, ela estava tão concentrada nessa parte da conversa que se assustou quando elas a mudaram de forma abrupta.
- O meu filho deveria estar aqui — murmurou Carlisle -, mas ele se atrasou no trabalho e não conseguiu chegar a tempo... Ele queria conversar com voce, Jasper, sobre as notícias que estão circulando desde de manhã... Quer saber a melhor maneira de contar tudo à irmã.
Franzindo a testa, e curiosa para saber o que eles estavam escondendo, a loura se afastou da porta, caminhando de volta para o quarto. Ela tornou a pegar o controle e a ligar a televisão, sem saber exatamente pelo o que procurar. Quando cansou de mudar os canais, puxou seu notebook e o ligou, abrindo na página de notícias.
Nova vítima do homem da van morre após passar menos de uma hora no hospital.
Com o coração na boca, ela clicou na notícia, suas mãos tremendo. Imediatamente, um grito alto e doloroso escapou de seus lábios ao ler o começo dela. Com as mãos tremendo ainda mais e as lágrimas escorrendo pelo rosto, ela permitiu que outro grito igualmente doloroso escapasse de sua boca e empurrou o notebook para o lado, se jogando na cama e enterrando a cabeça no travesseiro.
Nathalie, uma de suas melhores amigas, tinha morrido.
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Isabella olhou para o lado e soltou um suspiro pesado ao ver a mãe pegar mais um vestido e entregar para a vendedora, que estava mais do que animada ao vê-la pegar os mais elegantes e caros.
- Outro, mãe? — indagou. — Pensei que tivesse gostado do nude...
Renée sorriu, já começando a escolher outro.
- Temos sempre que ter vários em mente, filha — respondeu. — Você sabe como é...
Ela sorriu para mãe, mas não comentou nada. Ajudou-a a escolher mais dois e, então, cansada de andar de uma loja para o outra, disse que sairia da loja e tomaria um ar.
- Espere aqui, ok? — ela disse. — Eu volto em um minuto.
Ainda ocupada com a vendedora, conversando sobre dois vestidos, Renée apenas olhou rapidamente para a filha e sorriu, fazendo um gesto com a mão, como se dissesse que ela podia ir. Sorrindo, Bella saiu da loja e caminhou durante alguns minutos, à procura de um lugar para comprar um café; ela estava precisando muito de um.
Ela virou uma esquina e soltou um suspiro de alívio quando viu uma lanchonete. Caminhou um pouco mais depressa, já conseguindo sentir o gosto de café em sua boca. Entretanto, antes que ela pudesse chegar lá, algo chamou sua atenção, fazendo com que ela congelasse.
Não, pensou, não pode ser. Foi só alguém parecido, nada mais.
Ela parou atrás de um telefone público e inclinou a cabeça um pouco... Somente para encontrar um cara alto, de cabelos muito loiros e — mesmo estando de longe, ela sabia — olhos muito azuis. Isabella ofegou, sentindo-se tremer da cabeça aos pés, sem saber o que deveria fazer.
Porque ela sabia o que ele estava fazendo. Sabia o que aquele olhar significava. Sabia o porquê de ele estar encarando aquele prédio, parado ali, casualmente, como se fosse apenas mais um cidadão qualquer.
Ele tinha escolhido uma nova vítima. E ela morava naquele prédio.
Notas finais
E a Rose, coitada... descobriu que a amiga morreu ):
Menino Edward com mais lembranças do passado... hmmm... E a Bella encontrando certa pessoa do seu passado. E agora? Será que ela faz algo, conta para o Edward? Deixem reviews que logo volto com o próximo!
Espero que tenham gostado (;
xx
PS: Leitoras de WFY, cruzem os dedos, porque o capítulo de amanhã ainda não está pronto :x :x
N/B: pobre Rose, agora é que vai surtar mesmo, mas quem sabe esse susto não dá uma virada no quadro dela, né? Bella me dá de cara com o perseguidor e sabe que ele está atrás de alguém. Será que ela vai falar com edward? O que ela vai fazer? Fico aqui enchendo a autora de perguntas, juro pra vocês, mas ela é linha dura kkkkkkkkkkkk. Comentem. Bjs, Lu.
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