Daylight
10 Capítulo Nove
Notas iniciais
Espero que gostem!
Ela estava congelada.
Seus olhos permaneciam fixos naquela figura que, mesmo tendo se passado quase dez anos, ainda a amedrontava — embora ela negasse isso todos os dias. Sabia que tinha que se mover, sabia que tinha que voltar à loja, que sua mãe ficaria muito preocupada caso ela demorasse, mas não conseguia.
Ele, por outro lado, parecia não ter nenhum problema quanto a isso. Ainda parada atrás do telefone, apenas sua cabeça visível, Isabella o viu se afastar do prédio, caminhando até o final da rua, onde uma van preta estava parada. Ela ofegou quando o viu tirar as chaves do bolso e abrir o carro, antes de entrar. Pensou que ele fosse ficar ali, vigiando o prédio durante mais algum tempo, mas ele logo começou a se afastar, embora andasse de forma lenta. Franzindo a testa, a morena voltou seus olhos para o prédio e viu uma garota sair de lá, uma garota morena. E talvez ela até estivesse enganada, talvez não passasse de coincidência, mas algo lhe dizia que aquela era a próxima vítima.
Soltando um suspiro e se sentindo trêmula, ela finalmente se moveu quando a van sumiu de sua vista, se esquecendo do café que tinha desejado tomar. Ainda sem acreditar no que tinha acabado de ver, a morena voltou para a loja, sem conseguir raciocinar direito. Ela encontrou sua mãe terminando de pagar por suas compras e imediatamente procurou forçar um sorriso no rosto.
- Algum problema, Bella? — Renée indagou, seu sorriso morrendo quando notou a expressão da filha. — Você está meio pálida...
Ainda pensando no que tinha visto a pouco, Bella apenas assentiu e engoliu em seco, procurando pensar em uma desculpa rápida. Sabia que Renée ainda passaria em algumas lojas, agora à procura de acessórios que combinassem com os vestidos, assim como sabia que não ia conseguir ficar seguindo-a o dia todo.
- Uma emergência no hospital — ela mentiu rapidamente, sabendo que sua mãe acreditaria; aquela era uma desculpa que ela usava com mais frequência do que gostaria. — Sinto muito, mas eu vou ter que...
- Tudo bem, eu entendo. — Renée sorriu, interrompendo a filha. — Eu vou comprar mais algumas coisas e pego um táxi depois. Me liga quando você tiver terminado no hospital, ok? Talvez possamos marcar um jantar ou algo assim...
Certa de que não conseguiria prestar atenção em nada pelos próximos dias, devido ao que vira, Bella apenas assentiu. Ela se despediu de Renée com um abraço rápido e saiu da loja, seu coração batendo cada vez mais rápido. Ela sabia que, em alguns dias, veria o rosto da garota nos noticiários, informando que ela estava desaparecida. E só de pensar nisso... Não. Seria culpa dela.
Sentindo as lágrimas encherem seus olhos, Isabella apenas andou sem direção alguma, tentando colocar seus pensamentos em ordem. Ela sabia que não conseguiria contar nada a ninguém, sabia que não seria capaz de testemunhar — afinal, ela era a única sobrevivente -, mas ela também sabia que não seria capaz de carregar mais aquela culpa.
Ela já tinha muitas com as quais lutava diariamente.
Enquanto caminhava de um lado para o outro, ela sentia seu celular vibrar, mas ao pegar e ver que era um número que ela não conhecia, ela não atendeu. Apenas continuou pensando no que poderia fazer, em como poderia evitar aquela tragédia.
Sem conseguir pensar em nada concreto, Isabella foi até o mesmo local à noite, dentro do seu carro. Ela viu a mesma van de mais cedo, mas nenhum sinal dele. Ela observou o movimento da rua, notando que ele diminuía de forma considerável durante a noite, com medo de que ele fosse surgir a qualquer momento, mas isso não aconteceu.
Meia hora depois de ter parado ali, próxima ao prédio, Isabella viu a garota de mais cedo, no entanto. Ela estava quase desistindo quando a viu andando pelas ruas, conversando com alguém ao telefone, e imediatamente ficou tensa, esperando que ele saísse da van e a pegasse. Quando ele não fez isso, Bella soube que ele tinha começado a vigiá-la a poucos dias, como ele mesmo tinha dito uma vez. O aniversário dela deveria ser dentro de uma ou duas semanas, tempo suficiente para ela — e para ele também — descobrir tudo sobre aquela menina.
Sabendo que, para isso, ela precisaria de todas as informações possíveis, observou o prédio com atenção. Já era tarde e todas as luzes estavam apagadas. Como era um prédio pequeno, Bella saberia em qual andar a garota morava, assim que ela chegasse ao seu apartamento. Manteve seus olhos disparando de um andar para o próximo, de um apartamento para o outro, sentindo seu coração bater cada vez mais rápido. Ela só percebeu que estava segurando a respiração quando a luz do último andar acendeu. Imediatamente, ela olhou para a van, quase como se estivesse esperando que ele saísse de lá e entrasse no apartamento, mesmo que ela soubesse que não era assim que ele agia. Ele nunca entrava na casa das pessoas e nunca as pegava lá.
Fechando os olhos com força, Isabella respirou fundo e balançou a cabeça diversas vezes, quase como se estivesse tentando manter a lembrança do dia do seu sequestro longe. Passou a mão no rosto diversas vezes, culpando o sono por ela estar se sentindo assim, tão vulnerável. Moveu-se um pouco, retirou o cinto, mudou de posição, apenas tentando se manter acordada — porque ela sabia que teria pesadelos caso se permitisse adormecer.
Durante horas, Isabella permaneceu ali. Às vezes, ela dava um pulo no carro, só então notando que tinha cochilado. Quando o relógio marcou quatro horas da manhã, porém, ela viu a van se afastando e relaxou um pouco. Esperou alguns minutos e deu partida ao carro, dirigindo-se para casa, embora quisesse muito ficar ali. Mas ela precisava de algumas horas de sono. E como ela conhecia a rotina dele, sabia que ele também precisava dormir um pouco e não estaria de volta pelas próximas seis horas, pelo menos.
Se sentindo a cada minuto mais esgotada — tanto física quanto mentalmente — ela mal conseguiu chegar até a cama. Ainda usando as mesmas roupas de ontem, jogou-se nela e, menos de um minuto depois, estava dormindo.
- Ei, Bella!
Sorrindo, a morena se virou para quem a chamava, o sorriso se tornando ainda maior quando viu suas amigas. Deixou que elas lhe abraçassem e lhe desejassem um feliz aniversário, assim como entregassem os presentes, antes de levá-las até a pista de dança.
Dançou durante alguns minutos, feliz por estar aproveitando sua festa de quinze anos como nunca havia aproveitado — não com os pais e parentes por perto. Ela foi interrompida, no entanto, cerca de um tempo depois, quando perguntaram pelas luzes extras que ela tinha falado outrora.
- Meus pais a deixaram no quintal — sorriu para Lorry, sua melhor amiga. — Eu já volto, ok? Mantenha as pessoas entretidas, por favor!
Rindo, Bella se afastou, tendo um pouco de dificuldade para achar a saída. Foi parada por algumas pessoas diversas vezes enquanto andava, todas fazendo perguntas — principalmente sobre as luzes. Depois de dizer que estava indo buscá-las, ela pedia licença e se afastava novamente. Ela soltou um suspiro de alívio quando chegou ao quintal e parou por um momento, tentando recuperar o fôlego.
Curtiu o vento batendo em seu rosto um pouco, a calmaria do lugar, antes de se dirigir ao canto, onde seus pais tinham deixado algumas caixas com as luzes extras.
- Socorro! — Ela escutou alguém gritar. — Meu cachorro, menina, ele...
Arregalando os olhos devido ao susto, Bella se virou para trás e viu um cara alto, loiro dos olhos azuis. Ele trazia um cachorro no colo, o que fez com que Isabella ignorasse o aviso que seus pais sempre davam: ‘não fale com estranhos’. Preocupada com o animal, ela apenas se aproximou do cara, mal pensando em sua segurança.
- O que ela tem? — indagou. — Ele... morreu?
O cara negou imediatamente, seu peito subindo e descendo de forma rápida.
- Eu tenho algumas coisas no meu carro que podem ajudar — ele comentou. — Ele só foi ferido, mas eu não acho que eu consigo fazer sozinho... Será que você se importaria em me ajudar?
Sem nem mesmo pensar direito, ela assentiu e começou a segui-lo, nem se lembrando da festa que acontecia e nem das luzes que seus convidados esperavam. Eles pararam diante de um van e ela abriu a parte de trás para que ele colocasse o cachorro.
- Ajeite as patas traseiras dele para mim — ele murmurou, após colocá-lo o mais perto da porta o possível. — Eu vou procurar pelo meu kit de primeiros socorros...
Trêmula, Bella ajeitou o cachorro com o máximo cuidado que podia, alheia ao que o homem fazia atrás dela. Ela puxou uma manta que estava ali e cobriu o cachorro, não querendo que ele sentisse frio. Sorrindo um pouco, ela virou para falar a ele que tinha terminado, quando o viu segurar uma agulha próxima ao seu rosto, um sorriso diabólico nos lábios.
- Tão fácil — ele sussurrou. — Sempre tão fácil... Espero que você não me decepcione, garotinha.
Isabella abriu a boca para gritar, mas já era tarde demais. A agulha atravessou a pele delicada do seu pescoço e a última coisa que a morena viu antes de seus olhos se fecharem, foram os olhos frios do homem diante de si.
Tremendo, Bella se sentou na cama, sua mão indo direto ao peito. Ela respirou fundo ao notar-se em seu quarto, a cama ainda meio feita.
- Tudo bem, tudo bem — murmurou para si mesma. — Só um pesadelo, nada mais do que isso...
Ela fechou os olhos e ficou ali, parada, apenas tentando se controlar, durante um tempo. Quando enfim se sentiu capaz de levantar da cama, fez tal coisa, indo direto para o banheiro. Eram quase dez da manhã e ela sabia que ele voltaria em breve para vigiar a garota novamente.
Meia hora mais tarde, se sentindo um pouco menos cansada, Bella se dirigiu para o mesmo lugar do dia anterior, sabendo que estava fazendo a coisa certa, embora não soubesse ao certo quais seriam seus próximos movimentos.
Mas ela não pararia, nem que para isso precisasse ficar ali durante dias e mais dias. Ela faria tudo o que pudesse para que aquela garota fosse salva. E tudo isso sem ter que revelar tudo o que tinha acontecido durante o tempo que tinha sido dada como desaparecida.
_
- Droga. — Edward resmungou, pelo que pareceu ser a terceira vez em cinco minutos. — Merda, merda, merda!
Soltando mais um xingo, Edward jogou o celular na mesa e apoiou a cabeça nas mãos, esfregando-as com força. Ele estava tentando entrar em contato com Isabella Swan, querendo finalizar a conversa deles, há mais de duas horas, mas ninguém tinha ideia de onde ela estava.
Ele tinha ligado para o celular e para a casa dela, antes de recorrer aos pais, mas ambos falaram a mesma coisa: ela tinha sido chamada para uma emergência no hospital. Edward tinha, porém, pedido a Ben que verificasse tal coisa e ninguém sabia onde ela estava.
- Algum problema, chefe? — Ben entrou na sala trazendo dois copos de café; ele entregou um a Edward antes de se sentar. — Descobriu mais alguma coisa?
Frustrado, Edward apenas balançou a cabeça de forma negativa.
- Não consigo falar com a Isabella — ele murmurou. — Tinha conseguido um avanço com ela e queria tentar novamente, mas ninguém sabe o paradeiro dela...
O celular de Edward tocou naquele momento, fazendo-o pular na cadeira de susto. Ele suspirou quando viu que era outra ligação dos pais e, embora quisesse mais do que nunca achar Isabella logo, decidiu parar de ignorá-los e ver o que eles queriam. Ele tinha falado rapidamente com o pai logo após a sessão de Rose, com o Dr. Hale ainda lá, e aparentemente tudo tinha caminhado de forma calma. Então, o que eles poderiam querer falar com ele?
- Oi, pai — ele murmurou. — Aconteceu algo?
Ele escutou seu pai suspirar.
- Rosalie descobriu da morte da amiga — ele sussurrou. Imediatamente, Edward congelou, seus olhos arregalados. — Nós estávamos na cozinha, conversando com o Dr. Hale, tínhamos acabado de falar com você... quando escutamos o grito...
Edward engoliu em seco e imediatamente ficou de pé.
- Ela está bem? — indagou. — Ela falou alguma coisa?
Ele acenou para Ben e saiu da sala, caminhando até a saída da delegacia. Ele deu uma olhada no relógio e soltou um suspiro de alívio quando viu que seu horário de almoço estava se aproximando; ele teria tempo para tentar conversar um pouco com sua irmã.
- Nós subimos para falar com ela na mesma hora. — Seu pai contou. — O Dr. Hale foi junto... Ela estava um pouco abalada e chorou, mas não se fechou como esperávamos que se fechasse. Ainda se recusa a sair do quarto e não comeu muito, mas... acho que foi melhor do que esperávamos.
Edward ouviu o relato do pai durante mais alguns minutos, já sentado dentro do seu carro. Ele se despediu quando Carlisle terminou de falar, prometendo chegar em breve. Deu partida no seu carro, sem se sentir mais tão ansioso como estava minutos atrás. Rosalie estava um pouco abalada, é claro, pelo o que o seu pai tinha contado, mas tinha reagido melhor do que todos esperavam.
Ele cumprimentou os pais rapidamente quando chegou, prometendo descer logo para o almoço. Fui até o quarto da irmã e a encontrou deitada na cama, o notebook no colo. Ela deu um sorriso triste a Edward, mas mal desviou os olhos da tela. Quando Edward se deitou ao seu lado, ele soltou um suspiro ao ver uma foto dela e da amiga ali.
Sem saber ao certo o que dizer à irmã, Edward apenas a puxou para o seu peito, deixando que ela descansasse a cabeça em seu ombro. Acariciou suas madeixas loiras, tentando passar conforto desta maneira, já que ele sabia que palavras não teriam o efeito desejado. Nenhum dos dois não disse nada pelos próximos minutos, apenas ficaram vendo as fotos que passavam.
- Ela sofreu? — Rosalie indagou de repente.
Edward se afastou um pouco e olhou para irmã, um sorriso pequeno no rosto.
- Não sei, tampinha — ele murmurou. — Os médicos que a atenderam fizeram tudo o que podiam, mas... ela já estava muito ferida quando chegou.
Engolindo em seco, sua irmã apenas assentiu, seus olhos voltando para a tela do seu computador.
- Por que ele faz isso? — ela indagou. — Por que ninguém consegue pegá-lo? Ele... ele já fez tantas pessoas sofrerem, Edward... ele merece pagar por isso...
Sentindo seu coração apertar dentro do peito, assim como uma raiva imensa tomar conta de si, Edward apenas a abraçou e deixou que ela chorasse, sabendo que ela estava muito abalada por causa de tudo o que tinha acontecido desde que tinham tentado sequestrá-la. Mais uma vez, ele desejou que Isabella falasse logo tudo o que ele precisava saber para prender o homem da van e dar paz a todas as famílias atingidas por ele, assim como garantir que nenhuma mais passasse por aquilo.
- Você quer que eu almoce com você aqui no quarto hoje? — ele perguntou, um tempo depois, quando ela estava mais calma. — Eu sei que você não deve estar com fome, que está abalada, mas... Rose, querida, você tem que comer alguma coisa...
Sua irmã relutou um pouco, mas acabou assentindo. Ele desceu para falar com seus pais que ela comeria e recebeu um sorriso em troca, antes de subir com o seu prato e o da irmã. Como ele tinha saído um pouco mais cedo, ainda em seu horário de serviço, ele não ficou muito na casa dos pais. Conversou mais um pouco com Rosalie, com seus pais — falando principalmente sobre a consulta com o Dr. Hale, que voltaria no dia seguinte para conversar com Rosalie novamente — e logo se dirigiu para a casa de Isabella, esperando que, desta vez, ela estivesse lá.
Edward sentiu algo estranho quando tocou a campainha pela quinta vez, mas ninguém respondeu. Ele cogitou ligar para os pais dela novamente, só para saber se eles tinham alguma notícia, mas decidiu não fazer isso, com medo de preocupá-los. Ligou para o hospital, apenas para saber se ela tinha passado por ali, mas ninguém sabia dela. E ela só voltaria a trabalhar na manhã seguinte, o que o deixava de mãos atadas.
Frustrado, Edward voltou à delegacia e trabalhou o resto do dia, parando algumas vezes para telefonar para Isabella, sempre tentando entrar em contato com ela. Ele voltou à casa dela quando seu expediente terminou, somente para ter mais uma tentativa de entrar em contato. Foi até a academia que ela frequentava, por fim, pensando que talvez ele pudesse ter sorte e ela estivesse lá, mas ele não a encontrou.
Ele encontrou Emmett, no entanto, e resolveu aproveitar a oportunidade para perguntar se ele tinha tido notícias da amiga.
- Eu almocei com ela hoje — ele disse. — Ela não ficou muito, nem me disse o que estava fazendo, apenas pediu que eu conseguisse algumas informações para ela, mas nada demais...
Franzindo a testa, Edward assentiu.
- Estou tentando falar com ela — ele murmurou. — Sobre uma garota que ela atendeu, que morreu por causa do homem da van...
Emmett assentiu, familiarizado com o caso.
- Ela parecia estar um pouco cansada hoje, mas não me respondeu quando perguntei se algo havia acontecido. — Apenas me passou umas informações, como eu disse, para eu pesquisar para ela...
Suspirando pesadamente, Edward tornou a assentir. Ele tentou pedir a Emmett que lhe falasse sobre isso que Bella tinha lhe pedido para pesquisar, mas o amigo disse que não podia, que ela tinha lhe pedido segredo.
Novamente frustrado, Edward agradeceu pela ajuda e foi para casa. Ele sabia que ela teria de estar no hospital a partir das sete no dia seguinte, por isso se jogou na cama, na esperança de conseguir dormir um pouco, pelo menos um pouco, mas ele se viu rolando na cama por horas e horas, seus pensamentos a todo o vapor.
O que estava acontecendo com Isabella Swan? Por que todo esse mistério, por que pedir ao amigo que pesquisasse algumas coisas para ela? E por que ela não estava retornando suas ligações?
Sentindo-se mais ansioso e nervoso a cada minuto que passava, Edward mal conseguiu dormir naquela noite, apenas se viu cochilando um pouco. Antes das sete, ele já estava de pé e pronto, parado em frente ao hospital, somente à espera de Isabella Swan.
Mas ela não apareceu.
Nervoso, ele se dirigiu à recepção e perguntou pela doutora Isabella Swan, quando o relógio marcou oito da manhã e nada dela chegar. A senhora, sentada em frente a um computador, sorriu para ele de forma gentil.
- A doutora Swan teve problemas familiares e não pôde comparecer hoje — ela disse, logo após digitar no teclado. — Um colega está cobrindo o horário dela...
Edward suspirou pesadamente, mas assentiu para a senhora, agradecendo-lhe a ajuda. Ele saiu do hospital logo em seguida, sabendo que seu horário de serviço começava dali a alguns minutos, sem conseguir entender o comportamento de Isabella.
- Onde diabos você se meteu, Isabella? — Ele se viu perguntando, enquanto dirigia até à delegacia. — Onde você está?
Ele não tinha ideia do que ela estava fazendo e por que tinha sumido, assim como sabia que não podia ficar indo atrás dela o tempo todo, já que tinha suas obrigações, mas ele já sabia o que faria quando o seu horário de almoço chegasse.
Ele iria procurar por ela novamente, muito embora não tivesse a mínima ideia de onde ela poderia estar.
_
Isabella puxou o pacote de biscoito que estava no banco do carona e puxou um, jogando-o na boca e tomando um gole do suco que tinha acabado de comprar. Seus olhos disparavam da van para o prédio, quase como se estivesse à espera dele saltar e correr até a garota. Ela soltou um suspiro quando terminou de comer e se ajeitou no banco, já sentindo dores por estar naquela posição há tanto tempo.
Ela olhou o relógio, outro suspiro escapando de seus lábios quando viu que ela deveria estar no hospital naquele momento. Ela se sentiu culpada quando se viu pedindo a um colega que a cobrisse, mentindo ser por razões familiares. Nunca havia feito isso desde que tinha começado a trabalhar ali, desde a sua residência, mas sabia que não conseguiria concentrar no trabalho enquanto aquela garota não estivesse segura.
Andy Sanders, esse era o nome dela.
Ela tinha perseguido um carteiro pelas ruas assim que chegou ali no dia anterior, antes da van chegar, esperando conseguir descobrir alguma coisa. Quando ela viu que ele estava tirando as cartas destinadas àquele prédio, ela esbarrou “sem querer” nele, fazendo com que todas caíssem no chão.
- Oh, eu sinto muito. — Ela tinha dito, imediatamente se abaixando e começando a juntar todas. Tentou gravar o nome de todas as mulheres, agradecendo por não serem muitas, antes de entregá-las ao carteiro. — Realmente sinto muito.
Ele sorriu para ela de forma gentil e encolheu os ombros, como se não fosse nada demais e aquilo acontecesse com ele todos os dias.
- Não foi nada, senhorita — respondeu. — Tenha um bom dia.
Assim que ele tinha se afastado um pouco — e repetindo todos os nomes como se fosse um mantra -, ela correu até o carro e pegou seu notebook, torcendo para que uma delas tivesse facebook ou algo assim. As primeiras tentativas foram frustradas. Duas das mulheres não tinham nada na internet que pudesse ajudá-la e a terceira não era a garota que ela tinha visto anteriormente. Ela só conseguiu sorte na quarta, quando viu a foto da Andy, a mesma morena.
Era ela.
Com essa informação em mão — e sabendo que o aniversário dela só seria dali a três dias, ela correu para almoçar com Emmett, sabendo que ele tinha seus contatos. Ele fez algumas perguntas, mas não a questionou muito e prometeu lhe dar todas as informações possíveis em breve.
E agora, ali estava ela, apenas vigiando, para o caso da Andy necessitar de alguma coisa, torcendo para que Emmett entrasse em contato logo e ela terminasse com tudo aquilo. Ela só queria ter todas as informações. Não conseguia se imaginar contando tudo o que tinha acontecido em seu passado, mas também não queria que aquela menina morresse.
Então, faria o que fosse possível, sem ter que se envolver completamente nisso.
Horas mais tarde, próximo do horário de almoço, ela sentiu seu celular vibrar e o puxou, suspirando, imaginando ser outra ligação do detetive Cullen. Ela vinha rejeitando as ligações dele desde quando começava a vigiar aquela garota, porque sabia do que ele queria falar, sabia que ele queria que ela falasse mais sobre o que acontecera em seu passado. E ela só falaria com ele depois que tivesse toda a informação da garota em mãos.
Só que não era o detetive. Era Emmett.
E ele tinha boas notícias.
- Consegui algumas coisas, Bella — ele disse, mal a cumprimentando. — Você quer que eu leve até você ou você passa aqui para pegar?
Sentindo um sorriso nascendo em seu rosto, ela disse que passaria ali imediatamente e desligou, já colocando o carro em partida. Dirigiu o mais rápido que pôde, ansiosa para colocar as mãos nas informações que Emmett tinha conseguido. Ela mal estacionou o carro e já estava descendo, sentindo-se a cada minuto mais ansiosa.
- Ei, Bella! — Emmett sorriu assim que a viu passar pela porta. — Você está querendo mesmo isso aqui, hein? Pensei que fosse demorar mais para chegar...
Ela sorriu.
- Eu só estou querendo saber logo se estou certa sobre uma coisa — comentou. — Pode me entregar o que conseguiu, por favor?
Embora estivesse curioso para saber o porquê de Bella querer tanto aquilo, Emmett a levou até a sua sala e entregou-lhe uma pasta, contendo todas as informações que seus contatos tinham conseguido. Ele viu Bella passar os olhos por ela rapidamente, vendo todas as informações da garota, um sorriso nascendo em seu rosto.
- Então... você está certa? — ele perguntou, algum tempo depois, a curiosidade falando mais alto, esperando que Bella pudesse dizer algo.
Sua amiga, porém, só assentiu e sorriu, antes de abraçá-lo rapidamente, agradecendo por tudo.
- Você vai saber em breve, eu acho — ela disse. — Tenho que ir agora. Falo com você depois, ok? Ah! E mais uma vez, muito obrigada.
Ele não pôde deixar de franzir o cenho ao vê-la se afastar, parecendo muito mais animada agora. Mas também não pôde deixar de sorrir ao vê-la dessa maneira, já que eram raras as vezes que Isabella se permitia sorrir assim.
_
Bella se dirigiu à delegacia assim que saiu do escritório do amigo, a pasta em suas mãos, agora mais ansiosa do que nunca, só querendo terminar com aquilo logo. Assim que ela chegou, pediu que avisassem ao detetive Cullen que ela estava ali, que ela precisava falar com ele urgentemente. Ela sabia que normalmente as pessoas não conseguiam o que queriam quando falavam dessa maneira, já que os detetives tinham coisas mais importantes para lidar, mas sabia que, assim que ele ouvisse o nome dela, ele iria querer falar com ela também.
- Isabella.
A morena imediatamente virou, suas mãos de repente trêmulas. Ela não o tinha visto desde a madrugada que perdera Nathalie, a amiga da sua irmã, mas só agora, diante dele, era que tinha se dado conta disso. E isso fazia com que ela se sentisse... estranha.
- Detetive Cullen — ela conseguiu dizer -, posso trocar algumas palavras com você? É meio que... importante.
Franzindo a testa, ele assentiu, abrindo a porta de vidro, que separada a delegacia da recepção, para que ela pudesse passar. Ela o seguiu até uma sala com duas mesas, nenhuma delas ocupada.
- Pode falar, Isabella — ele disse. — Estou tentando contatá-la há um tempo, querendo conversar sobre o que aconteceu no...
- Eu sei — ela o interrompeu, apertando a pasta contra o peito. — Mas podemos falar sobre isso depois? Eu... eu queria falar algo.
Sentindo-se imensamente confuso, ele se sentou à sua mesa e apontou a cadeira em frente a ela, esperando que Isabella sentasse. Quando ela não o fez, ele apenas suspirou e fez um gesto com a mão, esperando que ela começasse a falar.
- Eu... eu consegui umas coisas — ela murmurou, de repente se sentindo nervosa. E se ele começasse a fazer muitas perguntas. — Só... só não deixe que nada aconteça com ela, ok? Você pode me prometer isso?
Sentindo uma vontade imensa de ir até ela e puxá-la para um abraço, apenas para confortá-la, Edward se colocou de pé novamente, apoiando na mesa, quase como se estivesse se contendo.
- Acontecer com ela? — ele indagou. Ele viu suas mãos trêmulas, viu como ela estava nervosa, e, mesmo sem entender o porquê, aquilo o incomodou. — Isabella, o que houve?
Incapaz de falaz qualquer outra coisa, ela apenas se aproximou e colocou a pasta na mesa, antes de se afastar novamente. Ainda sem conseguir entendê-la, Edward pegou a pasta e a folheou. Ele a leu durante alguns minutos, sem conseguir entender o porquê de ela estar lhe entregando aquilo. Pelo menos até o seus olhos bateram em sua data de nascimento e ele ver que ela estaria fazendo aniversário dentro de alguns dias.
- Meu Deus — ele murmurou, de repente, olhando para ela. — Isabella, isso... essa garota é a próxima vítima do homem da van?
Nervosa, a morena apenas se agarrou à bolsa e começou a caminhar, ainda de frente para Edward, para a porta.
- Apenas não deixe que nada aconteça a ela, ok? E... preste atenção aos detalhes, eles o ajudarão — ela sussurrou. — Por favor.
Edward a viu se afastar rapidamente, desviando dos policias, praticamente correndo pela delegacia. Ele gritou o nome dela, mas não foi atrás, como gostaria de ter ido. Se aquela garota fosse mesmo a próxima vítima, o homem da van a pegaria dentro de três dias. Eles não tinham muito tempo.
Imediatamente, ele disparou ordens para todos, pedindo que colocassem pessoas vigiando o apartamento, sentindo-se animado pela primeira vez em dias. Depois de contar ao chefe, ele voltou à sua sala e se sentou à mesa, pedindo que levassem os documentos de todas as garotas que tinham sido sequestradas para ele. Ele talvez ficasse ali além do seu horário olhando tudo aqui, mas não se importou. Afinal, Isabella tinha pedido que ele ficasse atento aos detalhes.
Uma a uma, ele foi lendo as informações, buscando algo que pudesse ajudá-lo. Quando horas se passaram e nada o atingiu, ele se recostou em sua cadeira e fechou os olhos, sabendo que ele não poderia descansar agora. Preste atenção aos detalhes, Isabella tinha dito, mas... quais detalhes?
As garotas eram morenas, loiras... a idade variava... O que ele estava perdendo?
- Pense, Cullen — murmurou para si mesmo, enquanto esfregava o rosto com as mãos.
De repente, Edward se sentou na poltrona, seus olhos arregalados diante do que tinha acabado de, ao acaso, descobrir. Ainda meio incerto se tudo não passava de uma coincidência, se inclinou sobre a mesa, seus olhos disparando de um papel para o outro, para as informações de todas as garotas que tinham sido sequestradas pelo homem da van.
Quando percebeu que sua informação conferia, um sorriso nasceu em seu rosto. Isabella tinha acabado de lhe dar uma informação valiosa, algo que tinha passado despercebido por todos ali.
O homem da van só sequestrava meninas/garotas/mulheres que tinham sido adotadas.
Notas finais
xx
N/B: Bellinha resolveu ajudar. Será que Cullen conseguirá proteger essa nova vítima? Como será a conversa dos dois depois dessa descoberta? Alguém arrisca um palpite? Bjs, Lu.
Fale com o autor