Daylight

17 Capítulo Dezesseis


Notas iniciais
Oi, moças. Quase dois meses sem postar, hein... Mas enfim, explico na N/A, ok? Boa leitura!

Horas mais tarde, Edward se encontrava deitado em sua cama, suas mãos atrás da sua cabeça, seus olhos fitando o teto, embora ele não o visse realmente. Ele estava, na verdade, completamente perdido em pensamentos, repassando o encontro que havia tido com Royce King mais cedo.

Encontro que havia sido, infelizmente, interrompido devido a assuntos importantes no orfanato.

Eles tinham conversado pouco, muito pouco. O detetive Cullen havia feito algumas perguntas sobre as meninas que eram levadas até aquele local, sem entrar muito em detalhes — afinal, ele não podia revelar detalhes da investigação para ninguém fora da delegacia. Royce respondeu como pôde, levando-o até para dar uma volta, mostrando tudo o que ele tinha melhorado e construído ao longo dos anos, buscando dar conforto aos bebês, crianças e adolescentes que viviam no local.

– Além disso, temos um programa que ajuda aqueles que acabam de completar dezoito anos. — Ele havia dito, enquanto andava com o detetive pelo pátio. — Como não podemos mantê-los aqui, oferecemos empregos, quando estamos precisando de funcionários, e o ajudamos a encontrar algo fora daqui também. Alguns querem estudar, entrar em uma faculdade e formar; então procuramos ajudar da melhor maneira que podemos.

Edward assentiu, interrompendo-o algumas vezes. Ele queria aprofundar mais, tentar buscar pistas, mas não estava muito certo de como fazer isso sem chamar muita atenção, sem soltar coisas que ele não devia.

E antes que ele pudesse pensar em algo também, o dono e diretor do orfanato foi chamado para uma reunião.

– Sinto muito, detetive, mas eu tenho que ir. — Ele sorriu, esticando a mão para Edward e a apertando levemente. — Podemos marcar outro dia, se quiser.

Edward assentiu.

– Eu vou entrar em contato, Sr. Royce — ele respondeu. — Obrigado pela ajuda.

Depois que saíra de lá, ele voltou para a delegacia e conversou um pouco com Ben, mas não

havia nada de novo. Depois, ele tentou entrar em contato com Isabella, mas ela estava trabalhando.

E não sabia quando ela sairia do trabalho.

Cansado demais para ir para a casa dos pais, o ruivo foi para casa, ansioso para o dia seguinte. Ele queria conversar mais com Royce, ele queria avançar… Estava cansado de obter uma nova informação, mas ela não levá-lo a lugar algum.

Se ao menos Isabella falasse algo…

Suspirando pesadamente, Edward pegou o celular e discou para o dela. Novamente, chamou até cair. Resmungando, ele desligou sem deixar uma mensagem. Ele já havia deixado algumas mais cedo, pedindo que ela retornasse a ligação assim que pudesse.

Mas parecia que, novamente, Isabella estava fugindo.

E Edward sabia exatamente o porquê.

Ele ainda podia se lembrar de acordar no quarto dela, se sentindo tão bem… Ele não tivera pesadelos naquela noite, ele tinha conseguido dormir mais de oito horas seguidas.

Ele não conseguia se lembrar da última vez que isso tinha acontecido. Antes de ele descobrir o segredo dos pais, talvez? Ele não tinha certeza. Mas fazia anos.

E ele nunca tinha pensado que conseguiria tal façanha novamente.

Ele se sentou na cama e esfregou as mãos no rosto, tentando parar de pensar naquela manhã, mas ele ainda podia sentir o cheiro do quarto dela, em como era bom tê-la tão perto…

– Merda — ele xingou e levantou-se da cama, disposto a fazer qualquer coisa para se livrar daquelas imagens.

Quando ele voltou a deitar na cama, já tarde da noite, ele tinha se convencido de que tudo não passava de uma coincidência. Muitos anos haviam se passado desde que tudo acontecera, afinal. Talvez ele estivesse começando a superar. Talvez ele não fosse ter mais pesadelos.

Mas quando ele acordou, quatro horas mais tarde, após sonhar com a morte dela novamente, ele percebeu que não estava começando a superar. Ele ainda sonhava.

E ele não tinha ideia do porquê não havia tido nenhum pesadelo quando dormira ao lado de Isabella.

Sabendo que não iria conseguir dormir novamente, ele se arrastou para o trabalho e trabalhou em alguns papéis durante algumas horas, antes de seguir para o orfanato. Ele sabia que não conseguiria esperar até que Royce o chamasse.

Ele realmente precisava de uma pista que o ajudaria. Ele queria, mais do que tudo, resolver aquele caso.

– Detetive Cullen! — Royce cumprimentou-o com um sorriso, assim que o levaram, pela segunda vez, até a sala dele. — Eu imaginei que voltaria… Vamos, entre!

Edward entrou e se sentou, pronto para fazer as perguntas que tinha planejado durante algum tempo, caso tivesse a chance de conversar com alguém dono de um orfanato, perguntas que ele não tinha tido a oportunidade de fazer no dia anterior.

– Então, o que posso fazer para ajudá-lo? — ele indagou. — Eu sei que não veio aqui ontem só para conhecer o orfanato ou para saber das garotas… Posso ajudá-lo em alguma coisa?

Edward assentiu e se ajeitou na cadeira.

– Eu acho que já sei do que se trata… — Royce falou antes de Edward poder perguntar algo. — Já ouvi falar do senhor, tanto nos jornais, quanto na televisão… O senhor veio aqui pelo caso daquele… como é que o chamam mesmo?

– Homem da van — respondeu. — Embora eu não goste muito de chamá-lo dessa maneira.

Royce ergueu as sobrancelhas, mas não disse nada durante algum tempo. Por fim, suspirou e encostou na cadeira, cruzando os braços sobre o peito, seus olhos azuis nunca deixando Edward.

– Bem... — ele começou. — Você tem notado algo estranho aqui? Alguém vigiando ou algo assim?

Royce franziu a testa e pareceu pensativo por um momento, antes de negar.

– Não, não reparei — disse. — Os portões estão geralmente fechados e, quando abertos, há sempre alguém vigiando, geralmente duas pessoas, somente para se certificar que as crianças não fujam ou algo assim. Acho que se alguém estivesse vigiando, algum de nós teria reparado.

O detetive assentiu.

– Alguma menina daqui desapareceu? — ele perguntou. — Não só recentemente, mas desde que você adquiriu o orfanato…

Ele negou.

– Algumas crianças fugiram, tanto meninos quanto meninas — ele disse -, mas sempre conseguimos encontrá-las. São crianças mais velhas, aquelas que sabem que muito dificilmente alguém irá adotá-las, mas é raro. Sempre reportamos esses casos… e nenhuma tem tentado sair ou fugir há um bom tempo.

Ele assentiu.

– Eu gostaria de ver os arquivos das garotas que foram adotadas nos últimos anos, se for possível — ele disse. — Só quero comparar com alguns dados que eu tenho, antes de partir para outro orfanato, se você não se importar, é claro.

Por um momento, Edward teve a impressão que Royce congelara, mas um segundo depois ele estava sorrindo e assentindo, dizendo que teria tudo pronto para ele no dia seguinte.

– Posso mandar entregar lá, se desejar — ele disse. — Ou você prefere vir aqui?

Achando a reação dele muito estranha de repente, o detetive disse que voltaria no dia seguinte, bem cedo, antes de partir. Ele ainda não tinha certeza porquê estava querendo tanto investigar logo naquele orfanato, mas Edward havia aprendido, com o passar do tempo, a confiar em seus instintos.

E ele, definitivamente, faria aquilo daquela vez.

Ele parou para almoçar rapidamente, mas logo voltou ao trabalho, ansioso para voltar à investigação no orfanato. Ele estava perdido em papéis que tinha que assinar e entregar para o chefe em breve, algum tempo mais tarde, quando Ben bateu à porta.

– Há uma pessoa aqui querendo falar com você… — ele disse. — O nome dele é Royce King… Ele disse que tem uns arquivos esperando no carro…

Franzindo a testa, o detetive imediatamente largou o que estava fazendo e passou por Ben, agradecendo-o rapidamente. Royce estava esperando por ele na porta, seus olhos movendo de um lado para o outro, e ele sorriu gentilmente quando viu Edward.

– Detetive Cullen. — Ele ergueu a mão e apertou a de Edward. — Espero não estar atrapalhando…

Edward negou imediatamente, achando estranho o fato de Royce ter levado todos os arquivos até a ele. Afastou tal coisa da sua mente, porém. Talvez ele estivesse só querendo mesmo ajudar.

Ele acompanhou o dono do orfanato até o carro e o ajudou a descarregar os arquivos, levando-o até a sua sala aos poucos. Eram muitas caixas, mais do que ele pensava, e ele sabia que trabalharia nelas durante algum tempo.

– Bom, esses são todos os arquivos das garotas que vieram morar no orfanato desde que o comprei, detetive — ele disse, quando eles terminaram de descarregar o carro. — Você pode dar uma olhada, se quiser, mas não acho que isso vai ajudar. A maioria dos pais abandonou os filhos ou foram negligentes e, por isso, as crianças foram morar conosco…

Edward, novamente, achou o comportamento dele estranho, mas nada comentou. Ele agradeceu e prometeu que entraria em contato em breve, assim que tivesse terminado de analisar tudo. Observou, então, Royce se afastar e entrar no carro, e só então voltou para a delegacia, disposto a voltar para os relatórios e terminá-los o quanto antes. Só então ele poderia se dedicar como queria aos arquivos.

Ele começou no dia seguinte, passando por cada um, buscando informações de cada garota. Eventualmente, Ben se juntou a ele, o que acelerou um pouco o processo. Com o passar dos dias, porém, os dois foram percebendo que eles não estavam tendo muito sucesso. Todas as garotas que tinham passado por aquele orfanato não estavam desaparecidas.

– É, acho que vou levar esses documentos de volta para Royce — suspirou Edward, ao terminar com a última caixa, alguns dias depois. — Não acho que conseguiremos algo.

Ben assentiu, enquanto juntava alguns arquivos.

– Você não acha isso estranho? — ele indagou. — Todos os orfanatos, todos, tiveram garotas desaparecidas. Por que só esse que não?

Edward parou por um momento e franziu a testa, pensativo.

– Sim, é um pouco estranho — ele comentou. — Vou levar esses arquivos para o dono e ver se descubro mais alguma coisa.

Ben ajudou Edward a colocar todas as caixas em seu carro, antes de o detetive entrar e dirigir até o orfanato. Durante todo o caminho, ele não pôde parar de pensar no que Ben havia falado. Por que nenhuma garota daquele orfanato tinha desaparecido? Por que só garotas de outros locais eram dadas como desaparecidas e, mais tarde, mortas? O detetive suspirou, frustado, sem conseguir chegar a conclusão alguma. Talvez fosse só coincidência… mas Edward aprendera que elas não existiam.

Então… por quê?

Sabendo que ele precisaria investigar mais antes de conseguir a sua resposta, o ruivo estacionou em frente ao orfanato e desceu. Ele se aproximou da moça que o havia recebido na primeira vez que tinha vindo aqui e pediu que ela chamasse o dono. Esperou na porta, já que teria que entregar todos os arquivos, e assim que Royce chegou e, Edward e ele se cumprimentaram, eles descarregaram o carro.

– Espero que os arquivos tenham ajudado, detetive. — Royce disse gentilmente quando eles tiraram a última caixa e a levaram até a sala de arquivos. — Eu não acho que elas tenham sido muito úteis, mas…

Edward ergueu a sobrancelha. A cada minuto que passava, ele ficava mais suspeito e não sabia o que fazer.

Por isso, ele decidiu mentir.

– Sim, ajudou bastante — ele sorriu. — Mais do que eu achei que ajudaria, na verdade.

Royce arregalou os olhos por um segundo, antes de voltar a sorrir, como se nada tivesse acontecido.

– Sério? — ele indagou. — Eu pensei que você não fosse encontrar nada…

Edward encolheu os ombros.

– Não posso dizer que encontrei algo — ele disse. — Mas eu vou investigar. Nenhuma garota daqui jamais foi sequestrada, o que me leva a acreditar que o criminoso tem alguma ligação com esse lugar. Estarei atento. Acredito que descobrirei algo em breve.

O detetive sabia que ele estava se arriscando, sabia que isso poderia colocar tudo a perder, mas ele tinha uma sensação boa em se tratando daquilo que ele estava fazendo. Ele suspeitava daquele lugar e estava achando as atitudes do dono um pouco suspeitas…

Royce olhou para os pés por um momento, parecendo perdido em pensamentos, antes de fitar o detetive e assentir. Por fim, ele pediu desculpas e disse que tinha uma reunião em breve e que entraria em contato logo com o detetive.

Prometendo a si mesmo que ficaria de olho nas atividades daquele lugar, Edward saiu com um sorriso no rosto, se sentindo esperançoso pela primeira vez em dias. E só porque ele estava se sentindo assim, ao invés de seguir para a delegacia e trabalhar mais um pouco no caso, ele foi até a casa de Isabella Swan.

Ele só sairia dali depois que falasse com ela.

À medida que ele se aproximava do local, ele foi se sentindo mais ansioso, embora não soubesse o porquê. Estacionou, um suspiro de alívio escapando de seus lábios quando ele viu o carro da morena ali, o que indicava que ela não estava de plantão — pela primeira vez em dias. Ele tocou o interfone e aguardou, sabendo, agora, que ela olharia quem era nos monitores antes de atender.

– Detetive?

Edward ergueu a cabeça quando escutou a voz dela, soando um pouco tímida, e sentiu seu coração disparar. Ela parecia tão… simples. Seus cabelos estavam soltos, chegando quase até à cintura, contornando seu rosto de um jeito que o detetive não havia reparado antes. Ela usava uma roupa casual, como sempre. Jeans, sapatilhas e camiseta.

E, mesmo assim, estava linda.

– Isabella. — Ele a cumprimentou, finalmente. — Será que podemos conversar, por favor?

Ela pareceu hesitar por um momento, antes de assentir e puxar as chaves do bolso traseiro. Ele esperou que ela destrancasse o portão e desse passagem para ele entrar. Depois, a seguiu para dentro de casa, nunca falando nada.

Será que ele deveria falar com ela sobre as suas suspeitas? Será que deveria perguntar se ela conhecia alguém chamado Royce King?

Não, ele pensou.

Talvez fosse melhor esperar e ver aonde a investigação o levaria.

– Eu posso ajudá-lo em alguma coisa? — ela perguntou, depois de ativar o alarme.

Ele sorriu um pouco.

– Você sabe que pode deixar o alarme desativo enquanto eu estiver aqui, Isabella — disse de forma gentil. — Eu não iria deixar alguém lhe fazer mal.

Ela desviou os olhos e cruzou os braços.

– É costume — deu de ombros. — Então… posso ajudá-lo?

Edward, sinceramente, não sabia o que dizer. Eles haviam progredido tanto — muito mais do que ele esperava. Ele não estava acostumado a se sentir assim. E também não se lembrava de vê-la dessa maneira, parecendo tão tímida.

– Está tudo bem por aqui? — ele indagou, por fim, de repente se lembrando da promessa que ela tinha feito a ele. — Ele tem aparecido?

Bella não precisou de mais do que alguns segundos para perceber do que ele estava falando.

– Não — ela disse, fitando-o nos olhos. Não queria que ele duvidasse dela. — Não recebo ameaças ou o vejo há algum tempo já…

O detetive assentiu.

Eles tornaram a ficar em silêncio, então, até Edward resolver, novamente, iniciar uma conversa. Provavelmente, ela ainda estava envergonhada por devido ao pesadelo que tivera na noite que ele dormira ali.

– Olha, Isabella, eu… eu…

– Eu não posso conversar muito agora, Edward — ela murmurou, cortando-o. — Não estou tentando fugir, eu prometo, é só que eu prometi cobrir um colega no trabalho e tenho que estar lá em meia hora…

Ele suspirou.

– Eu acho que vou demorar um pouco, no entanto — continuou. — Não sei quando vou voltar… Mas sei que terei uma folga de dois dias quando acabar...

Edward assentiu.

– Você poderia, quando voltar, me ligar? — ele perguntou. — Eu queria lhe fazer algumas perguntas…

Na verdade, Edward queria perguntar como ela estava, se ela tinha tido mais algum pesadelo, se precisava de alguma coisa… mas alguma coisa lhe dizia que Isabella iria fugir caso ele tentasse fazer aquilo. Então, por enquanto, talvez fosse melhor focar no homem da van.

– Eu ligarei — ela respondeu, após alguns segundos de silêncio. — Eu prometo.

O detetive saiu da casa dela alguns minutos depois. Ele sorriu quando viu um colega de trabalho parado casualmente próximo a um carro, satisfeito ao ver que alguém estava ali, durante o dia, cuidando de Isabella e garantindo que nada acontecesse com ela.

Durante os três próximos dias, Edward dividiu o seu trabalho entre resolver os demais casos na delegacia e, quando tinha um tempo livre, investigava o orfanato. Mas ele não tinha conseguido nada de novo ainda, infelizmente.

Até que ele recebeu uma ligação no meio da noite.

Outra garota havia desaparecido.

Edward mal ouviu o que o seu chefe dizia, apenas corria de um lado para o outro, tentando ficar pronto o mais rápido possível. Ele correu o máximo que pôde até a delegacia, torcendo para que não fosse o homem da van que tivesse agido. Caso fosse, não demoraria para eles encontrarem o corpo da mulher que havia sido sequestrada há algum tempo. Afinal, ele nunca ficava com duas ao mesmo tempo.

Mas era.

Dessa vez, era uma adolescente de 18 anos, que havia sido adotada aos dois. Edward rapidamente buscou informações sobre ela, seus olhos se arregalando quando ele percebeu que ela morou durante alguns meses, após a morte dos seus pais, no orfanato de Royce King.

Mais uma coincidência?

Edward, sinceramente, acreditava que não.

Ele passou essa informação ao chefe e explicou tudo o que vinha acontecendo nos últimos dias, antes de seguir para o trabalho, tentando pegar qualquer informação sobre a garota. Havia algumas informações que não combinavam com o modo de agir do homem da van. A garota não completaria aniversário dentro de alguns dias, faltavam quase dois meses. Além disso, ninguém havia notado nenhuma van por perto.

E a garota tinha voltado de uma viagem com os pais fazia apenas quatro dias.

Ansioso para conversar com o senhor King, Edward se dirigiu para o orfanato bem cedo. Para a sua sorte, ele não teve que esperar muito antes que Royce chegasse.

– Detetive Cullen, que prazer! — ele sorriu. — Posso ajudá-lo em alguma coisa?

Edward empurrou um sorriso para fora do rosto e o cumprimentou, como se nada tivesse acontecido.

– Sim, você pode me ajudar — respondeu. — Preciso do arquivo de uma garota… Amber Jones. Ela foi adotada quando tinha dois anos…

– Amber Jones? — ele indagou. — Não me lembro dela, mas podemos dar uma olhada…

Com a ajuda do dono do local, não demorou muito para que Edward achasse a ficha da garota, nunca deixando de prestar atenção no que Royce fazia. Ele parecia mais inquieto…

E se ele fosse o homem da van? Por que ele estava cometendo tantos erros?

– Posso saber por que está pegando o arquivo dessa garota, detetive? — Ele perguntou, enquanto os dois saíam da sala. — Parecia tudo certo com todos eles alguns dias atrás…

Edward parou para pensar por um momento, incerto do que responder. Resolveu, por fim, seguir com o seu plano. Talvez soltar algumas coisas faria com que Royce ficasse ainda mais nervoso.

Talvez ele cometesse um erro que o entregaria.

– Sim… ela desapareceu — ele suspirou. — Preciso do arquivo para começar a investigar.

Royce assentiu.

– É uma pena, não é? — Ele disse. — Ouvi dizer que somente uma garota sobreviveu ao sequestro… Mas ela não fala muito sobre isso, não é?

Foi a vez de Edward assentir. Ele decidiu continuar a conversa, na esperança de que Royce continuasse falando e acabasse soltando o que não deveria.

– Sim… mas estou certo de que esse orfanato é a chave — comentou. — O sequestrador nunca fez nada com nenhuma das garotas daqui… é meio estranho eu só começar a investigar e ele decidir sequestrar alguém…

Royce suspirou.

– Mas não se pode fazer muito sem provas, não é mesmo? — ele perguntou. — A única pessoa que pode colocá-lo atrás das grades não coopera… e ainda mais agora que ela está recebendo amea…

King parou de falar de repente, como se tivesse percebido o que tinha falado. Ele arregalou os olhos, torcendo para o detetive não ter notado o erro que ele havia cometido.

Mas Edward havia.

E ele não conseguia acreditar que Royce King era o homem da van.

– Você ia falar alguma coisa? — Ele fingiu que não tinha notado o deslize do homem. — Eu não consegui compreender muito bem…

Royce imediatamente negou, balançando a cabeça negativamente diversas vezes. Depois, nervoso demais para continuar na presença de Edward, ele deu uma desculpa e saiu, prometendo entrar em contato em breve.

Edward mal conseguiu conter o sorriso que tomou conta do seu rosto enquanto ele saia do orfanato e entrava no carro. Ele sabia que ainda havia um longo caminho a percorrer, porque, afinal, ele não tinha provas, mas saber que era Royce…

Era um grande passo.

Ele sabia que tinha que ir à delegacia, mas não naquele momento.

Era hora de falar com Isabella.

_

Ele soube que havia cometido vários erros no momento que Edward Cullen, o detetive responsável por investigar o seu caso, entrou na sua sala. Tomado pelo desespero, Royce tentou fazer de tudo para desviar a atenção dele para outro orfanato, para outro dono… Ninguém nunca tinha estado tão perto, ninguém nunca tinha colocado os pés naquele orfanato. O nervosismo, combinado com o desespero, porém, só fez com que ele cometesse mais erros.

Ele chutou a porta da sua segunda casa com força, enquanto esfregava as mãos no rosto. Agora, antes de vir para cá, ele teria que dar voltas e voltas, até se certificar que não estava sendo seguido. Ele sabia que não deveria ter falado ao detetive sobre Isabella, sabia que seria um erro.

Mas ele estava desesperado.

Ouviu um gemido e socos na porta vindos do andar de baixo, o que fez que ele rosnasse. Com raiva, ele desceu as escadas às pressas e abriu a porta.

Ele estava com duas garotas naquele momento. Duas.

Mais um erro. Tudo por causa do detetive Cullen.

Não, rapidamente pensou. Tudo por causa de Isabella Swan.

Aparentemente, ela ainda estava ajudando o detetive. Ele não teria chegado tão longe caso ela não estivesse colaborando.

– Cale a boca! — Ele gritou, empurrando a menina que havia sequestrado há alguns dias. — Ou eu vou matar você!

Ele não queria sequestrá-la. Ele nunca tinha tido mais de uma garota ali. Entretanto, quando ele percebeu que nunca havia sequestrado nenhuma menina ou mulher que tinha vivido no orfanato que era dele desde os seus vinte e poucos anos, ele sabia que tinha que fazer algo. Tudo para não chamar a atenção do detetive.

Mais um erro.

Ele ficou parado ali durante algum tempo, seus olhos disparando pelas garotas e pelo pequeno local. Por fim, ele fechou a porta e a trancou, antes de subir. Passou horas andando de um lado para o outro, tentando pensar em algo que ele deveria fazer. Já havia anoitecido quando ele de repente parou, um sorriso nascendo em seu rosto, seu coração acelerando quando ele percebeu que isso daria certo. O detetive tinha suspeitado dele, ele sabia. Só que ele não tinha provas, e, sem elas, ele não podia fazer nada. Ele recorreria a Isabella, então…

Talvez fosse a hora de avisá-la que ele não estava de brincadeira.

Precisando colocar seu plano em ação — mesmo que soubesse que só poderia fazer a parte mais importante no dia seguinte -, ele andou pela cozinha, pegando tudo o que precisava. Depois, desceu novamente. Dessa vez ele não abriu a porta, apenas passou toda a comida e água que tinha juntado ali. Ele não podia voltar para esse lugar nos próximos dias, era muito arriscado.

Depois, saiu de lá e foi para a sua primeira casa, uma que ficava a apenas alguns quarteirões de distância do orfanato.

Ele mal podia esperar pela manhã seguinte.

Mal podia esperar para ver o rosto de Isabella…

_

Ela sabia que tinha cometido um erro antes mesmo de ele contar a ela. Sabia que pagaria, algo que nunca tinha acontecido antes, e não pôde evitar conter o tremor que percorreu o seu corpo quando pensou nisso.

Encolheu-se contra a parede quando ouviu o barulho de chaves e mordeu o lábio inferior com força. Ele tinha acordado. Ele verificaria o seu serviço agora e veria que ela não tinha conseguido organizar as caixas como ela tinha pedido. Todas continuavam no canto do “quarto” dela — se é que se podia chamar aquele lugar de quarto. Isabella simplesmente não havia conseguido colocar os álbuns das vítimas dele em ordem alfabética. Para isso, ela tinha que abrir e olhar as imagens, à procura de um nome.

Era um dos testes dele, ela sabia. Mas não conseguia encontrar lugar em si para se importar.

O tremor em seu corpo aumentou quando ela ouviu o barulho de passos nas escadas e, logo em seguida, as chaves no cadeado da sua porta. Ela engoliu em seco, apertando uma mão na outra, desejando que tivesse estômago para encarar a tarefa que ele havia lhe passado.

Mas ela não tinha. Ver outras garotas mortas — algo que podia acontecer com ela — era demais. Ela não conseguia lidar com aquilo.

Ela manteve seus olhos em seus pés quando ele entrou, indo direto para as caixas, mexendo um pouco aqui e ali. Permaneceu assim mesmo quando ele a fitou e bufou. Na verdade, cada minuto que passava fazia com que ela se sentisse mais ansiosa e nervosa.

Ela pagaria por aquilo. Isabella tinha certeza disso.

– Ora, ora. — Ele enfim quebrou o silêncio. — Levante-se, Isabella.

– Royce… — ela soluçou. — Por favor, eu…

– Eu disse levante-se!– gritou. — Anda, antes que eu perca a paciência.

Com lágrimas nos olhos, Isabella se colocou de pé e esperou que ele falasse o que ela teria que fazer. Ela já imaginava o que estava por vir, afinal, tinha visto as fotos. Quando ele ergueu a sobrancelha, ela se virou e fechou os olhos com força, apertando as mãos uma na outra. Apertou, também, os lábios um no outro, com toda a força.

Entretanto, isso não a impediu de gritar quando ela recebeu seu castigo pela primeira vez.

Ofegando, Isabella se sentou na cama, seus olhos arregalados, enquanto ela puxava a coberta para si. Ela respirou fundo e procurou se acalmar, porque sabia que tinha sido apenas um sonho.

Ele não iria pegá-la mais. Ele não a castigaria mais.

Respirou fundo algumas vezes e, por fim, se levantou. Passava das três da tarde e ela havia, cansada, chegado pouco antes do almoço de mais um plantão. E ela ainda tinha que ligar para o detetive Cullen, exatamente como tinha prometido…

Ela tomou um banho rápido e preparou um sanduíche, antes de se jogar no sofá. Fechou os olhos por um minuto e respirou fundo. Estava se preparando para pegar o celular e ligar para o detetive quando seu telefone tocou.

E era Renée.

– Bella? — A mãe parecia animada. — Eu te acordei, querida?

Bella sorriu. Fazia alguns dias que ela não conversava com os pais.

– Não, mãe, eu acordei faz algum tempo — respondeu. — Está tudo bem?

Renée riu.

– Claro, Bella, por que não estaria? — perguntou. — Você acha que pode dar um pulinho aqui, por favor?

Confusa, Bella perguntou, novamente, se algo havia acontecido. Depois da mãe prometer que estava tudo bem e que ela tinha apenas uma surpresa para a filha, Isabella prometeu que estaria ali dentro de alguns minutos.

A morena trocou de roupa e saiu de casa, dirigindo até à dos pais, que não ficavam muito distante dali. Ela mal tinha estacionado o carro e saído dele, e sua mãe já estava abrindo a porta, acenando ansiosamente.

– Bella! — cumprimentou. — Você veio!

Bella não pôde deixar de sorrir para a animação de Renée, embora estivesse achando tudo um pouco estranho.

– O que foi, mãe? — ela indagou, abraçando-a carinhosamente. — O que houve?

– Tem um amigo seu aqui, querida. — Renée a puxou para dentro de casa e depois a empurrou em direção à cozinha. — Ele é tão gentil. Disse que você salvou a vida do filho dele dois anos atrás e que lhe deve muito… Eu sei que você fica feliz quando encontra pais dos pacientes que salvou, então achei que gostaria da surpresa…

Bella abriu a boca para falar que não se lembrava desse paciente em particular e para perguntar qual era o nome dele, mas não houve necessidade. Ele apareceu na porta da cozinha, um sorriso enorme no rosto, fazendo com que Bella congelasse.

O que Royce King estava fazendo ali?

Notas finais
N/A: Olá, meninas. Antes de falar sobre o capítulo, peço desculpas pela demora, mas não foi algo que escolhi. Passei por uns problemas pessoais em janeiro que me abalaram muito e, infelizmente, não tive tempo e vontade de escrever. Geralmente, posto essa fanfic nos sábados, mas hoje, devido à demora, resolvi postar mais cedo. Espero que gostem. E espero não demorar muito com o próximo, mas enfim... vamos ver. Cruzem os dedos! Agora... sobre o capítulo: sim, o Royce é o homem da van. Nunca planejei demorar até o último capítulo para contar isso, até porque esse não é o fato principal da fic. Sempre foi Bella e Edward e maneira que ambos lidam com o passado. Vamos ver o que dona Bella fará. Vocês vão entendendo mais coisas nos próximos capítulos (; Até lá. xx N/B: Misericórdia. Ele está na casa dos pais da Bella. Ela sabe o nome dele desde sempre. O que será que Edward vai fazer agora? Qual será a reação de Bella, depois desta visitinha? Comentemmmmmm. Bjs, Lu.