Daylight
18 Capítulo Dezessete
Notas iniciais
O que Royce King estava fazendo ali?
Isabella não soube dizer quanto tempo ela ficou ali, parada, sem ter ideia do que fazer. Ela sentia o coração bater cada vez mais rápido e forte, e podia ouvir a sua respiração, quase como se ela estivesse ofegando. Seus olhos estavam arregalados de medo, ela tinha certeza disso, e as suas mãos, fechadas em punho. Ela tentou se lembrar de esconder isso, tentou dizer a si mesma que ele nunca conseguiria fazer mal a ela novamente.
Ela estava segura.
Mas não conseguiu.
Era mentira. Tinha que ser mentira, tinha que ser um pesadelo. Royce não podia estar ali, não na casa dos pais dela, não na frente da mãe dela, contando mentiras... Novamente, ela disse a si mesma que era um pesadelo, mais um pesadelo.
Não era, no entanto. A morena experimentou fechar os olhos por cerca de alguns segundos... e quando os abriu, Royce ainda estava parado na frente dela, sorrindo e conversando com a sua mãe, como se ele fosse mesmo um pai de um paciente. Ele não olhara para Isabella mais do que o necessário, sua atenção focada na mãe dela.
E Isabella continuou ali, parada, sem ter ideia do que fazer.
Renee moveu-se para a cozinha, levando-o junto com ela, ainda conversando animadamente, sem ter percebido a tensão da filha. Quase que automaticamente, a morena os seguiu, sabendo que não podia simplesmente expulsá-lo dali, não sem a sua mãe notar que havia algo de errado.
– Isabella, querida, por que você não se senta aqui conosco? — Renee tirou-a de seus devaneios. — Royce estava me contando sobre o filho dele... Ele está com quantos anos agora, senhor King? Seis?
Royce sorriu.
– Cinco, senhora — ele respondeu. — Isabella o salvou quando ele tinha três. Incrível como o tempo passa rápido, não é?
Os dois começaram a falar sobre filhos, então, e Isabella não conseguiu parar de olhar para Royce, tentando pensar em uma maneira de afastá-lo da sua mãe.
Para a sua sorte, o telefone logo tocou, e, pedindo desculpas por estar interrompendo a conversa, Renee se colocou de pé, correndo até a sala. Royce mudou completamente, então. Seu rosto, outrora risonho, tornou-se sério, e ele avançou até Isabella, seus passos firmes, suas mãos fechadas em punho.
A morena arregalou os olhos, mas não se afastou, não tremeu. Ela não queria que ele soubesse que ela ainda sentia medo dele.
– Viu como foi fácil chegar até a sua família, querida Isabella? — ele rosnou. — Eu posso machucá-la quando e como eu quiser, entende?
Ela continuou calada, sentindo seu coração bater cada vez mais rápido a cada minuto que passava.
– Eu não vou avisar novamente, essa é a segunda vez — sussurrou. — Se o detetive Cullen ao menos sonhar em me prender...
Eles ouviram Renee despedir da pessoa do outro lado da linha, o que fez com que Royce se afastasse um pouco. Ele continuou a olhá-la de forma raivosa, porém, e disse, quase sibilando:
– Eu machucarei a sua família, eu os matarei. Portanto, fique quieta. Nem uma palavra ao detetive. Entendeu?
Ela assentiu, enquanto desejava que ele fosse embora logo, o mais rápido possível. Ela precisava dos seus pais seguros. Ela precisava dos dois bem.
Porque se algo acontecesse com eles... Ela nunca se perdoaria.
Renee entrou na cozinha naquele momento, rindo e comentando sobre uma amiga — algo que Isabella não conseguiu escutar direito. Royce voltou a sorrir, dizendo para Renee que infelizmente ele tinha que ir, porque havia surgido um imprevisto. A mãe de Bella soltou um muxoxo, mas assentiu.
– Volte depois, ok? — ela sorriu. — E traga o seu filho! Eu adoraria conhecer o paciente que a minha filha salvou.
Ele sorriu, seus olhos se voltando para Isabella.
– Oh, claro. Pode deixar que terei isso em mente.
A morena soltou um suspiro de alívio quando enfim o viu saindo da casa dos seus pais e fechou os olhos, enquanto pensava no que faria. Decidiu, por fim, a ficar com Renee até que o pai chegasse, sabendo que só poderia ir para casa depois disso.
Casa...
Será que o detetive tinha ido procurá-la naquele dia? Será que ele tentaria falar com ela?
Ela sabia que ele voltaria... e caso ele não a encontrasse em casa, sabendo que ela não estava trabalhando, ele viria até a casa dos pais dela.
Ela não podia falar com ele. Ela não sabia o que fazer.
– Mãe? — ela chamou a mãe suavemente, quase como se estivesse com medo de perguntar algo para ela, algo que não fazia há muito tempo. — Será que eu... eu posso dormir aqui?
Renee sorriu imediatamente e assentiu, animada por ter a sua filha ali. Ela imediatamente começou a fazer planos para o jantar. Bella teve que fazer um enorme esforço para ouvi-la. Ela não sentia fome. Só queria que tudo aquilo acabasse, só queria que a deixassem em paz.
Ela tentou, porém. Quando Charlie chegou do trabalho, algum tempo depois, e descobriu que ela estava ali — e que dormiria ali — ele ficou tão animado quanto Renee. Eles jantaram juntos, Bella deixando que os dois comandassem a conversa, e depois, dirigiu-se para o seu quarto. Ela tinha acabado de sair do banho quando escutou a campainha tocar, o que fez com que ela congelasse.
De alguma forma, ela sabia quem estava ali.
Permaneceu parada no quarto, sem coragem para ir confirmar as suas suspeitas. Caso ela estivesse certa, Charlie ou Renée viriam chamá-la. Mas ela não desceria.
Ela não podia.
Eu machucarei a sua família, eu os matarei. Portanto, fique quieta. Nem uma palavra ao detetive.
Isabella estremeceu ao lembrar das palavras dele, odiando-se por ainda se sentir dessa maneira, mesmo depois de tanto tempo. Ela tinha batalhado tanto nos últimos anos, ela tinha dito a si mesma que não se importava mais, que não tinha medo mais, que ela havia conseguido se controlar… Somente para reagir daquela maneira depois de vê-lo na cozinha da casa dos pais.
Sentou-se na cama e respirou fundo, seu coração batendo a cada vez mais acelerado. Não muito depois, ela ouviu os passos na escada e se aproximando da sua porta. Ela esperou que seu pai ou a sua mãe entrasse ali e lhe dissesse que o detetive queria falar com ela…
Mas não esperava que o próprio surgisse na porta do quarto, seus olhos encarando-a com atenção.
– Isabella — ele a cumprimentou. — Imaginei que você estaria aqui.
Sem saber o que dizer, ela desviou os olhos, abaixando a cabeça e fitando o chão. Abriu e fechou a boca diversas vezes, querendo dizer a ele para ir embora, mas, sem entender o porquê, não conseguiu.
– Ele veio aqui, não veio? – ele indagou de repente, alguns segundos depois, mas ela não disse nada, com medo de que ele visse a resposta em seus olhos. – Isabella?
Ela ouviu quando ele se aproximou e sentiu quando ele parou praticamente à sua frente. Mesmo assim, permaneceu de cabeça baixa. Ela não podia dizer nada a ele.
Nunca mais.
– Eu agradeceria se você fosse embora, detetive. – Ela enfim disse, ainda sem fita-lo, no entanto. – Eu tenho um plantão amanhã cedo e tenho que me deitar e...
– Isabella. – Ele a cortou, e antes que Isabella pudesse dizer ou fazer algo, ela sentiu uma mão em seu queixo, puxando o seu rosto para cima. – Ele veio aqui?
Ela encarou o detetive de verdade daquela vez e ficou surpresa com o que ela viu ali. Seus olhos brilhavam de raiva e seus lábios formavam uma linha fina. Seu rosto estava tenso, ela podia dizer. Mas não conseguia explicar o porquê.
– N-não – ela gaguejou. – Por que ele viria?
Edward suspirou.
– Isabella... – Em um piscar de olhos, ele estava se ajoelhando em frente a ela, nunca deixando de olhá-la. – Por favor, me responda honestamente... Royce esteve aqui hoje?
Ela queria contar. Queria dizer a ele que sim, que Royce tinha ameaçado a sua família. Mas ela não podia. Sabia que ele machucaria a sua família, caso ela dissesse algo. Portanto, mesmo não querendo, ela negou.
– Vá embora. – A voz da morena não passava de um sussurro. – Por favor, vá embora.
O detetive sabia que ela estava mentindo, conseguia ver pelo medo que ela desviava os olhos, fitava as mãos, ou tremia. Quando o policial que estava vigiando a casa dos Swan avisou sobre um homem visitando, alguns minutos atrás, e o descrevera, Edward teve quase certeza de que era Royce. E quando ele entrou no quarto da morena e viu o estado dela...
Ele tinha estado ali mais cedo. E provavelmente tinha dito coisas a Isabella, coisas que fizeram com que ela se fechasse novamente, exatamente como tinha sido com as ameaças.
Ele não podia deixar isso acontecer, no entanto. Não quando ele parecia tão perto de pegá-lo. Não quando ele estava quase podendo dizer à irmã que estava acabado.
– Bella... – ele murmurou o apelido dela pela primeira vez. – Por favor, me diga o que ele fez. Nós combinamos, lembra? Eu prometo, não importa o que ele tenha dito: eu não vou deixa-lo machucar vocês.
Ela abriu a boca para dizer a ele o que tinha acontecido naquele dia, mas não pode. Fechou os olhos, querendo evitar que as lágrimas surgissem, e lembrou-se de tudo o que havia acontecido há poucas horas. E de tudo o que Royce havia dito.
– Por favor, Bella... – ele disse novamente, tocando a mão dela, fazendo com que ela estremecesse. Edward franziu a testa quando sentiu aquilo também, mas não afastou-se. – Só me diga...
– Ele veio – ela soltou, antes que se arrependesse. – Ele fingiu que era pai de um paciente meu e ele... ele me ameaçou, detetive. E-eu não posso mais ajudá-lo, sinto muito, mas...
Não conseguindo raciocinar direito com ele tocando-a daquele jeito, Isabella se colocou de pé e caminhou até a porta do quarto. Ela a segurou, um suspiro escapando de seus lábios, e fitou o chão.
– Nós podemos conversar sobre isso depois? – ela perguntou, sabendo, no fundo, que não pretendia conversar mais com o detetive sobre aquilo. – Eu realmente tenho que acordar amanhã bem cedo e agradeceria se você me deixasse em paz.
Ela não precisava realmente ir trabalhar, já que, tecnicamente, era a sua folga, mas um colega andava passando por uns problemas e ela tinha oferecido para cobri-lo. Ela nunca imaginou que agradeceria tanto por isso.
Edward abriu a boca para protestar, para insistir que ela lhe dissesse mais alguma coisa, para que ela o acompanhasse até a delegacia, disposta a testemunhar contra Royce. Entretanto, ao olhar novamente para Isabella e ver como ela parecia assustada, ele suspirou pesadamente e assentiu, colocando-se de pé. Ele não concordava com a decisão dela, mas decidira respeitar. Ele a procuraria novamente em breve.
– Nós nos falaremos em breve – murmurou, parando ao lado dela. – E conversaremos, ok? Por favor, não tente fugir de mim.
Isabella fechou a porta do quarto assim que ele saiu, não querendo que os pais viessem conferi-la, para saber se estava tudo bem. Jogou-se na cama e fechou os olhos com força, estremecendo ao lembrar das palavras de Royce e, depois, a promessa do detetive. Ela ficou ali deitada, durante algum tempo, esperando o sono chegar, tentando se esquecer de tudo o que tinha acontecido – nem que fosse por algumas horas.
O sono não veio fácil, no entanto. Ela mudou de posição várias vezes, descartou os travesseiros, pegou-os novamente... Já se passava das duas da manhã quando ela finalmente adormeceu...
E teve pesadelos.
Suas costas doíam, essa foi a primeira coisa que Isabella notou quando ela acordou no dia seguinte ao seu primeiro castigo. Ela permaneceu deitada de barriga para baixo, um gemido escapando de seus lábios quando ela tentou se mexer.
Permaneceu parada durante mais algum tempo, tentando se acostumar com aquela sensação nas costas. Por fim, aos poucos, foi se sentando, lágrimas rapidamente tomando conta de seus olhos e escorrendo pelo seu rosto quando ela sentiu cada marca que ele tinha deixado nela doer. Tremendo, a morena levou uma das mãos às costas e depois a olhou. Havia um pouco de sangue ali.
Alguns minutos depois, quando ela já não conseguia encontrar mais forças em si para chorar, ela se colocou de pé e puxou a camisa que usara na noite anterior, colocando-a. Doeu, e ela precisou morder os lábios para não deixar que um grito saísse de seus lábios, mas ela não queria que ele chegasse e a visse praticamente nua, exceto pelo sutiã.
Sem poder lavar as suas feridas e sem nada para fazer, caminhou durante um tempo. Às vezes ela se esquecia das feridas, por meros segundos, mas lembrava-se logo em seguida, quando tentava se sentar novamente no colchão no chão, ou quando, sem querer, levava as mãos às costas para se alongar um pouco.
Ela não soube dizer quanto tempo se passou, mas em algum momento daquele dia, ela escutou barulhos no andar de cima, o que fez com que ela congelasse. E se ele quisesse castigá-la novamente? E se ele a obrigasse a limpar a casa?
Ela tinha certeza de que não aguentaria aquilo... Não naquele dia, não quando as suas costas doíam tanto.
Isabella esperou e esperou... E não demorou muito para ouvir os passos de Royce se aproximando.
Com medo do castigo se repetir, ela rapidamente se moveu até que as suas costas estivessem pressionadas contra a parede, o que fez com que estremecesse de dor. Não se afastou dela, no entanto. Ela preferia sentir dor naquele momento do que deixá-lo chegar perto dela novamente.
– Isabella. – Ele sorriu assim que abriu a porta. Parou por um momento ali e a observou com cuidado. – Não precisa me olhar com essa cara, não pretendo castigá-la hoje. Eu sou um homem justo, querida, caso não tenha notado isso ainda. Só vou castigá-la quando você merecer isso.
Ele continuava sorrindo, continuava parado no mesmo lugar. E Isabella continuava colada à parede, nunca deixando de observá-lo, com medo demais para confiar nele.
Ele riu, por fim, quando viu que ela continuava na defensiva.
– Ora, vamos, dê-me uma chance – disse. – Vim buscá-la para tomar um banho... E trouxe algo para as suas feridas... Você vai precisar de ajuda para limpá-las?
Ela negou imediatamente, o que o fez rir pela segunda vez. Levou-a até o banheiro, por fim, e disse que estaria ali fora esperando por ela.
As lágrimas tornaram a escorrer quando a água quente bateu em suas costas. Ela fechou os olhos com força, assim como as mãos, não querendo deixar que ele escutasse seus gemidos de dor. Mordeu tanto o seu lábio que ele sangrou, mas Bella não conseguiu se importar com aquilo no momento.
Ela tremia quando desligou o chuveiro, sabendo que ainda sentiria dor naquela noite. Foi extremamente difícil aplicar a pomada nas costas, mas ela fez isso sozinha, não querendo chamá-lo para ajudar. Depois que terminou, ela não conseguiu colocar o sutiã devido às dores. Apenas vestiu a blusa e abriu a porta, sem dizer nada a ele.
– Deixei alguma comida no seu quarto – sorriu. – E um analgésico. Amanhã você se sentirá melhor, eu prometo.
Ela não disse nada, apenas assentiu. Seguiu para o local que se tornara seu quarto desde o dia em que fora sequestrada e soltou um suspiro de alívio quando o escutou fechar a porta. Tomou o remédio que ele deixara ali e comeu um pouco, embora não sentisse muita fome. Depois, tomando cuidado com as suas feridas, deitou-se na cama e fechou os olhos. Amanhã você se sentirá melhor, ele dissera.
E Isabella se perguntou se algum dia aquele pesadelo acabaria.
Ela se sentou na cama de repente, ofegando, como sempre acontecia quando sonhava. Fechou os olhos e respirou fundo, mas foi inútil. O que acontecera no dia anterior, somado com o pesadelo, só fazia com que ela ficasse mais nervosa.
E se ele fizesse mal aos seus pais?
Sabendo que não conseguiria dormir mais, levantou-se e, de forma automática, arrumou-se para ir trabalhar. Desceu logo em seguida, mesmo ainda faltando mais de uma hora para o seu plantão começar, e comeu um pouco. Depois, deixou um bilhete para os pais na geladeira, seu coração a cada minuto mais acelerado.
E se ele voltasse naquele dia? E se ele fizesse algo a Renee? O que Isabella faria, então?
Sentindo as lágrimas encherem os seus olhos novamente, ela respirou fundo e balançou a cabeça, antes de seguir para o trabalho.
_
O detetive permaneceu algum tempo parado em frente à casa dos Swan depois que Isabella havia pedido que ele fosse embora, quase como se esperasse que Royce voltasse ali. Partiu pouco depois, no entanto, porque ele sabia que tinha que, ao menos, tentar dormir.
Ele tinha muitas coisas para fazer no dia seguinte, afinal.
Agora que ele sabia que Royce era o cara que havia sequestrado e matado todas aquelas mulheres, tudo o que o detetive mais queria era prendê-lo e trazer justiça a todas as famílias. Não só a sua, mas a todas.
Entretanto, ele não tinha provas concretas. Se Isabella ao menos concordasse em contar tudo, se ao menos testemunhasse...
Ele estremeceu ao lembrar de como ela parecia frágil naquela noite. Seus olhos castanhos escondiam tanta dor, mágoa, medo... Ele tinha sentido tanta vontade de abraçá-la, de mostrar a ela que ela estaria segura ali, com ele, se apenas ela confiasse nele...
Mas ele não podia. Ele não podia agir dessa maneira com ela.
Dormir pareceu quase impossível naquela noite, mas ele conseguiu cochilar um pouco. Levantou-se cedo e, mesmo se sentindo cansado, começou a colocar o seu plano em ação. Tentar convencer Isabella sozinho não parecia mais um opção, por isso, naquele dia, enquanto a morena trabalhava, ele conversaria com Emmett.
Ele encontrou-o em seu escritório, trabalhando, como sempre. O advogado pareceu surpreso quando o viu ali, mas não fez nenhum comentário. Apenas pediu que ele aguardasse alguns minutos e, após liberar dois clientes, pediu que ele entrasse.
– Detetive Cullen. – Ele estendeu a mão. – Em que posso ajudá-lo?
Edward suspirou.
– Emmett – disse. – Apenas Edward, ok? Eu... eu vim, na verdade, porque... bom, preciso da sua ajuda.
Sem entender nada, Emmett apenas assentiu e se sentou, apontando para a poltrona à sua frente, em uma sugestão para que Edward fizesse o mesmo. Depois, observou-o com atenção, esperando que ele começasse a falar.
– Você tem falado com Isabella ultimamente? – indagou, o que pegou o advogado de surpresa.
– Hmmm... não – respondeu. – Eu tenho andado ocupado e Bella sumiu... Converso com ela ao telefone às vezes, mas nem mesmo à academia ela tem ido...
Ele assentiu.
– Veja só, Emmett, eu não... eu nem deveria estar te dizendo o que direi agora – começou –, mas, como disse mais cedo, preciso da sua ajuda. Você conhece Isabella há mais tempo do que eu e...
Emmett suspirou.
– Só fale logo, Edward – interrompeu-o. – Eu te prometo que nada do que você disser sairá dessa sala.
Pela próxima hora, Edward permaneceu ali, contando a Emmett quase tudo do que ele sabia. Não mencionou o nome de Royce em nenhum momento, nem sobre o orfanato, mas basicamente disse que ele sabia quem era o homem que havia sequestrado Isabella. Quando ele acabou, Emmett ficou parado, fitando-o, seus olhos arregalados, sem saber o que dizer. Ele sempre soube que Bella tinha sido sequestrada, sempre soube da história dela, mas ela nunca tinha parecido tão real como naquele momento... Não com o detetive contando tudo aquilo.
– Eu não tenho provas, no entanto – continuou Edward. – Você, sendo advogado, sabe o que isso significa... Se eu tivesse o testemunho de Isabella, porém...
Emmett assentiu. Se Bella cooperasse, o sequestrador seria, muito provavelmente, condenado à morte. Conversou com Edward, então, durante mais algum tempo, sentindo-se mais desanimado a cada minuto que passava.
Bella nunca concordaria. Bella nunca contaria tudo o que havia acontecido a ela. Nunca se abriria totalmente, ainda mais em um julgamento.
– Eu posso tentar conversar com ela – disse. – Mas... Edward, eu não sei se posso realmente ajudá-lo. Não em se tratando dela. Posso tentar te guiar quanto às provas. Tente conseguir algo, nem que seja algo pequeno, e eu posso te guiar, mas... Bella? Durante anos policiais ficaram atrás dela, tentando arrancar algo.
O detetive suspirou.
– Eu sei – respondeu. – Eu só... só tente, ok? Não precisa me prometer nada.
Emmett assentiu.
– Eu falarei com ela.
O advogado observou o detetive sair da sua sala alguns minutos, sentindo vontade de perguntar sobre a irmã dele. Desde a noite da festa, ele não conseguia parar de pensar no sorriso dela, em seus olhos, no seu rosto delicado... Ele suspirou pesadamente e balançou a cabeça, ao invés disso, afastando aqueles pensamentos e voltando para o trabalho.
_
Ao invés de seguir para a delegacia após conversar com Emmett, Edward ligou para Jasper Hale, quem havia atendido a sua irmã, perguntando se havia alguma possibilidade de ele atendê-lo naquela manhã. Para a sua sorte, um paciente havia desmarcado e Jasper tinha alguns minutos livres.
Edward seguiu para lá então, esperando que ele pudesse dizer algo que o ajudaria a tentar convencer Isabella. Não demorou muito para que ele chegasse ao consultório do psiquiatra e encontrar Jasper já esperando por ele na recepção.
– Dr. Hale! – Ele sorriu e estendeu a mão, apertando a dele. – Obrigado por me receber tão rapidamente... Podemos falar em particular?
Ele assentiu. Pediu para a sua secretária segurar as suas ligações e guiou Edward até a sua sala. Ambos se acomodaram e trocaram algumas palavras sobre Rosalie, antes de Edward pigarrear e suspirar.
– Eu não vim aqui, hoje, para falar da minha irmã, doutor – ele disse. – Na verdade, eu gostaria de falar sobre... bem, estou trabalhando em um caso e venho lidando com uma vítima um pouco difícil...
O médico assentiu, mas não disse nada, esperando que ele continuasse.
Sem revelar muito, Edward contou um pouco sobre Isabella. Não citou o nome da morena, apenas disse que ela tinha sido vítima de um sequestro já fazia alguns anos, mas que nunca havia revelado quem ele era.
– Ele nunca foi levado a julgamento – continuou –, porque ela nunca fala quem ele é. Estou ganhando a confiança dela e consegui que ela me contasse um pouco, mas... parece que sempre que ela fala sobre o passado, ela se fecha...
Jasper assentiu.
– O que eu poderia fazer? – ele indagou. – Eu sei quem a sequestrou, sei quem fez mal a ela, mas não tenho provas. Só posso prendê-lo se ela testemunhar, se ela contar tudo... Mas faz mais de dez anos...
Ajeitando-se na poltrona, Jasper sorriu gentilmente para Edward, antes de começar a falar.
– Já lidei com muitos pacientes que chegaram aqui sem me falar nem os seus nomes – ele disse –, mas nem por isso eu desisti. Você está ganhando a confiança dela, mas faz anos que ela guarda tudo para si, certo? É um longo caminho, detetive. Sempre foi.
Edward assentiu.
– E se ela falasse com um profissional? – indagou. – O processo seria mais rápido?
Jasper sorriu.
– Não posso te dar garantias – respondeu. – E você não pode buscar ajuda para ela, detetive. Infelizmente, somente ela pode decidir se e quando vai procurar ajuda de um profissional. Se ela não quiser...
Ele assentiu, um suspiro de derrota saindo de seus lábios.
– Posso levar seu cartão para ela, por favor? – pediu. – Eu gostaria de dar a ela essa opção.
Ainda sorrindo de forma gentil, Jasper concordou, e após ambos trocarem mais algumas palavras, Edward se levantou e saiu do consultório, agradecendo ao psiquiatra por tudo. Só então ele seguiu para a delegacia, sabia que ele ainda teria de esperar várias e várias horas antes de poder seguir para a casa de Isabella.
Certo de quem era o sequestrador agora, Edward mergulhou na vida dele, tentando achar algo que pudesse ajudá-lo. Não havia, no entanto. A ficha dele era limpa e perfeita demais. Provavelmente ele usava um nome falso, o que não facilitaria o trabalho do detetive.
Frustrado, ele levou às mãos à cabeça e bagunçou os seus cabelos ainda mais, tentando pensar em uma solução. Investigou o orfanato, mas ele parecia limpo, nada suspeito acontecia ali. A casa que Royce morava era bem próxima ao lugar que ele morava e, sem mais opções, Edward decidiu passar na vizinhança.
A casa ficava a vinte minutos da delegacia, mas logo Edward estava parado em frente a ela, quase como se esperasse que uma garota surgisse na janela, tentando pedir ajuda. As janelas estavam fechadas e todas elas pareciam ter cortinas. Como parecia não haver ninguém ali, o detetive saiu do carro e andou ao redor dela, procurando por qualquer coisa suspeita. Mas ele sabia que Royce não seria assim tão estúpido, ele nunca faria nada que levasse até a ele.
Ele voltou para o carro, então, e passou um tempo ali. Horas se passaram, mas Edward não desistiu. Ele não tinha provas contra Royce, não havia nada que o ligasse aos sequestros, mas ele podia segui-lo.
Royce apareceu algum tempo depois, já à noite, e ele parecia... nervoso. Edward o viu fechar a porta do carro com certa violência e entrar em casa às pressas. Ele não ficou muito tempo ali. Saiu quinze minutos mais tarde, uma pequena mala na mão, e logo estava dirigindo novamente.
Sem pensar duas vezes, o detetive o seguiu, procurando manter certa distância entre os carros. Ele já havia feito isso algumas vezes, seguira-o por horas, mas Royce nunca tinha feito nada de suspeito. Ele parou em frente a uma loja de ferramentas, um pouco longe dali, mas não demorou muito. Saiu com uma sacola com alguns itens na mão e andou até o carro...
Somente para congelar quando viu um carro muito conhecido parado do outro lado da rua.
Edward tinha sido pego.
_
Ele parecia cada vez mais perto. O detetive já tinha o seguido várias vezes, mas Royce sempre percebera no começo. Naquele noite, no entanto... ele quase tinha ido para a casa que mantinha para as garotas, com algumas coisas para as duas garotas que ainda estavam presas, e alguns ferramentas que ele precisava para reforçar a tranca das janelas. Elas tinham tentado escapar várias vezes e com ele não podendo ir muito lá... ele tinha de fazer alguma coisa.
Muita coisa havia acontecido nesses últimos dois dias, mas Royce estava confiante. Foi ótimo ver o medo nos olhos da Swan, saber que ele ainda tinha aquele poder sobre ela, mesmo se sentindo um fracasso por tê-la deixado fugir, mesmo tendo confiado o suficiente nela para isso. Ele estava confiante que ela não contaria quem ele era. Sabia que ela amava a família e que faria tudo por eles.
O detetive, porém... parecia não desistir.
Fingindo não tê-lo notado parado ali, ele entrou no carro e dirigiu durante mais algum tempo. Parou em uma farmácia, parou em um supermercado... e só depois voltou para casa, de onde não saiu a noite toda. Com raiva por não ter conseguido ir até o local onde as garotas se encontravam, Royce xingou alto.
Ele precisava de um plano B. Se o detetive descobrisse algo, se ele chegasse perto demais...
Ele teria que fazer alguma coisa.
Observou-o durante grande parte da noite, até ele sair de frente da sua casa. Só então, ele saiu e dirigiu, depois de dar algumas voltas somente para conferir se estava ou não sendo seguido, até a sua casa. Pegou a mala e as ferramentas e reforçou tudo, antes de levar as comidas. Não abriu a porta, não disse nada. Apenas deixou comida suficiente para alguns dias e algumas garrafas de água, antes de se dirigir para o quarto dos fundos, onde ele guardava a sua arma. Ele verificou se ela estava carregada e a guardou, antes de voltar para casa.
De alguma forma, ele sabia que o detetive descobriria a sua casa, cedo ou tarde. Por isso, ele precisava estar preparado. Era hora de segui-lo, ao invés de ser seguido.
Se ele chegasse perto demais...
Ele não hesitaria em puxar o gatilho.
_
Edward se xingou durante todo o caminho para a delegacia, se chamando de idiota e de todos os tipos de nomes possíveis. Royce conhecia o seu carro. Ele deveria ter escolhido outro...
Cansado, mas não querendo ir para casa naquele momento, Edward tornou a fazer pesquisas e pesquisas, mas não conseguiu chegar a lugar algum. Conversou um pouco com Ben, na esperança que ele desse alguma ideia, mas... nada.
Dias se passaram, e Edward continuou não conseguindo chegar a lugar algum. Ele vinha tentando falar com Isabella, mas ela estava, novamente, presa com diversos plantões, então ele não tinha tido oportunidade de falar com ela.
Até que uma sexta chegou. E Ben surgiu com uma ideia.
– Bom, obviamente ele mantém as garotas em outro lugar, certo? – começou. – E Isabella fugiu e saiu praticamente do meio do mato...
Edward assentiu.
– Talvez ele tenha esse lugar ainda – deu de ombros. – Tenho certeza que no relatório dela há o nome da rua que o casal a encontrou, anos atrás... Talvez possamos pegar um mapa e olhar aquela área, tentar achar alguma casa ou algo assim.
Edward suspirou e balançou a cabeça de forma negativa.
– Eles fizeram isso – respondeu. – Os detetives da época, e agentes do FBI também, encontraram algumas cabanas e casas, mas a maioria estava abandonada...
Ben encolheu os ombros.
– Talvez eles tenham olhado as erradas – ele disse. – Talvez o sequestrador tenha voltado a ocupá-la. Não custa nada tentar, certo?
Edward assentiu, embora sem esperança alguma. Fez como Ben havia sugerido e encontrou, de fato, algumas casas e cabanas. Ele tentou se lembrar do que Isabella tinha lhe dito da noite que ela fugira e marcara algumas coisas no mapa. Não sabia se elas ajudariam, mas iria tentar. Como estava muito escuro, Ben e o detetive combinaram de dar uma olhada no dia seguinte.
E foi exatamente como eles fizeram.
Ansioso demais, Edward acordou muito cedo. Procurou demorar ao arrumar, ao tomar café... Conversou um pouco com os pais e a irmã, já que não vinha tendo tempo de visitá-los, mas, mesmo assim, ainda chegou antes de Ben à delegacia. Enquanto ele não chegava, reviu tudo o que eles haviam buscado na noite anterior, não querendo nenhum erro. E assim que Ben chegou, eles partiram.
Ficaram horas e horas andando de um lugar para outro, todos abandonados. Edward se sentia mais desanimado a cada minuto que passava, mas Ben estava tranquilo. Ele tinha confiança de que achariam alguma coisa...
E eles acharam.
– Bom, temos mais quatro locais para olhar. – Ben quebrou o silêncio. – Por que você não tenta essa casa? Eu vou olhar essa aqui... e nos encontramos aqui dentro de alguns minutos, pode ser? Dessa forma, acabamos mais rápido e podemos olhar as duas restantes?
Embora não achasse que aquilo fosse levar a lugar nenhum, Edward concordou. Prometeu avisar se encontrasse alguma coisa e andou, meio desanimado.
Até que ele a viu.
As janelas da casa estavam fechadas, a porta, trancada, mas havia algo de diferente nela... Estranhando, Edward deu a volta, e seu coração acelerou quando ele viu como a porta de trás estava trancada...
Exatamente como Isabella havia descrito.
Eu reparei que havia uma porta dos fundos, mas que ela sempre estava cheia de correntes e cadeados, então não era uma opção.
Será que?... Eles haviam conseguido? Eles tinham encontrado o lugar onde ele mantinha as garotas?
Ansioso, Edward puxou o seu celular, mas xingou quando viu que não havia sinal ali. Ele ponderou por um momento, sem saber se voltava e comunicava Ben e eles olhavam o local juntos, ou se ele tentava entrar...
Ele deu alguns passos para trás, ainda incrédulo demais, e logo em seguida deu a volta, olhando ao redor, tentando achar uma entrada, mas era tudo tão trancado...
Será que tinha sido ali? Será que tinha sido ali que Isabella tinha passado por tudo aquilo que ela contara e não contara?
Sentindo-se a cada minuto mais ansioso, Edward andou rapidamente, tentando chegar ao local que ele e Ben havia combinado, o celular na mão, à espera do sinal. Ele sorriu quando encontrou e o desbloqueou. Discou o número do colega de trabalho e colocou o telefone na orelha.
Antes que Ben atendesse, no entanto, Edward escutou o barulho de um tiro, ao mesmo tempo que sentia algo atingi-lo. Ele gemeu de dor e caiu, surpreso demais. Tentou rapidamente se levantar, mas a sua cabeça atingiu uma pedra antes disso.
E ele não viu mais nada.
Fale com o autor