Daylight
11 Capítulo Dez
Notas iniciais
Espero que gostem! ♥
Ela apertava as mãos uma na outra, sentindo-as cada vez mais trêmulas. Seu coração batia rápido contra o seu peito e ela tinha certeza de que ele podia ver o medo em seus olhos, embora estivesse tentando se conter. Escondeu as mãos atrás das costas e as entrelaçou, tentando se manter firme. Ergueu a cabeça, querendo se mostrar confiante, mas soube que fracassou assim que ele riu, aproximando-se um pouco dela.
- Não precisa ter medo, querida — ele disse. — Só vou lhe contar umas coisinhas hoje... Afinal, você já está aqui há um tempo e até agora não tem me dado trabalho algum... É hora de avançarmos um pouco.
Ela olhou para a mesa diante de si, onde haviam diversas pastas espalhadas. Ela engoliu em seco quando ele colocou a mão em suas costas, impulsionando-a para frente, não querendo saber o que estava ali. Como ele dissera, ela estava ali há algum tempo e não tinha tentado nada. Estava tentando ganhar a confiança dele e só tentaria fugir quando tivesse a certeza de que as chances de conseguir fossem grandes.
Ela não queria acabar como as outras garotas, afinal.
Eles não tinham feito muito no decorrer daquelas semanas. Ele a havia feito cozinhar algumas vezes, ensinando-a as receitas que ele gostava. Tinha feito com que ela limpasse a casa para ele, todos os dias, sempre. E ele sempre estava por perto, vigiando, seus olhos observando-a com atenção.
E, agora, ela se perguntava o porquê de estar ali.
- Você é a primeira garota a ver isso — ele contou, parecendo muito orgulhoso disso. — Na verdade, a segunda, mas ela... ela não viveu muito depois de ver tudo isso. Mas você, Isabella, tem me impressionado muito... Algo me diz que as coisas vão ser diferentes...
Ele se afastou um pouco dela e puxou a primeira pasta. Havia um nome ali e um número — o número um -, mas ela estava um pouco longe e não conseguiu ler. Ainda com um pouco de medo, ela o viu acariciar a pasta, um pequeno sorriso nos lábios.
- Essa foi a minha primeira vítima — ele disse. — Eu a vigiei durante semanas, atento a tudo o que ela fazia... Ela era uma garota ocupada, sabe? Ela fazia aulas de balé, de canto, de piano... Estava quase completando quinze anos, como você, e eu tinha grandes planos para ela...
Ele sorria, seus olhos ainda fixos na pasta. Ele continuava a acariciá-la, parecendo ter se esquecido da presença de Isabella ali.
- Na noite do seu aniversário, eu resolvi me aproximar. — Ele fechou os olhos e suspirou, quase como se estivesse presenciando tudo o que tinha acontecido naquele momento. — Com você, eu usei um cachorro como desculpa... Com ela, bem, ela era apaixonada por dança, música e essas coisas. Eu fingi que estava vendendo um violino, um que eu sabia que ela estava de olho, e ela me seguiu... exatamente como você.
Bella estremeceu e se abraçou, seus olhos disparando para a porta fechada. Naquele momento, ela desejou ter coragem para sair correndo e encontrar a saída, mas sabia que ainda era muito cedo, que ela não conhecia muito bem a casa e que tudo poderia dar errado. Ela simplesmente não podia correr esse risco.
Ele abriu a pasta e retirou uma foto, mostrando uma garota morena de olhos azuis, com um belo sorriso no rosto. Ela aparentava ter por volta de quatorze anos na foto, e Bella se perguntou, em um momento de devaneio, se ele tinha uma dela também.
- Era a minha primeira e eu não tinha esperanças de tudo sair como eu tinha planejado — continuou. — Mas ela era teimosa, só ficava tremendo, chorando e gritando... Ela não durou muito, a coitadinha... Tentei aplicar alguns castigos a ela, mas não adiantou muito. Duas semanas depois eles encontraram seu corpo.
Um grito surdo escapou dos lábios de Isabella quando ele lhe mostrou a próxima foto. A garota tinha as costas nuas, cheias de cortes.
- Não estou te mostrando isso para te dar medo, Isabella — ele disse, puxando a foto de volta. — Só faz parte do processo. Tenho grandes planos para você, querida. E faz parte dele você ver tudo isso, me conhecer melhor.
Ele foi mostrando todas as fotos, em grande parte dos machucados dela. Mas haviam fotos dela cozinha também, limpando a casa, sempre com lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Bella estremeceu quando as viu e se perguntou se ele tirava as dela também, e, caso fizesse isso, se perguntou como nunca havia notado.
- Estou planejando uma pasta para você também, querida Bella — ele riu. — Você não vai vê-la, por enquanto. Mas não se preocupe, eu não planejo um fim para ela, como tenho para todas essas aqui.
Ele apontou para um caixa de papelão no canto da sala, o que fez a morena ofegar. Ali cabiam mais de dez pastas, fora as que estavam na mesa... Ele tinha matado todas essas garotas?
Ele, por fim, chegou à última foto e a tirou com um sorriso no rosto. Ele a passou para Isabella, observando sua reação. A morena ofegou quando viu o corpo da menina em uma... floresta? Ela estava vestida com a roupa que usara no dia do sequestro, ela pôde notar — devido às fotos que tinha visto anteriormente — e estava morta.
- Eu tenho certeza que os policiais ficaram em dúvida quando a olharam, sem saber exatamente qual a facada que a matou — ele disse, como se aquele fosse um assunto normal, como se falasse sobre aquilo todos os dias. — Mas foi a terceira, eu me lembro disso. Lembro-me de vê-la perder o ar, ofegar... Eu olhei bem em seus olhos enquanto a via perder a vida. Triste, mas a vida continua, não é?
Isabella ficou calada, sentindo sua garganta apertar e a comida querer voltar. Ela entregou a foto de volta a ele e fechou os olhos com força, tentando se manter forte.
- Por hoje é só, querida — ele disse. — Amanhã, eu te mostro mais algumas vítimas minhas.
Ele a levou de volta ao local que ela estava ficando, trancando a porta após ela ter entrado. Isabella se jogou na cama assim que ficou sozinha e se permitiu chorar assim que ouviu seus passos ficando mais distantes, chocada com tudo o que tinha visto naquele dia... E foi só a primeira vítima...
Por que ela? Por que ele escolhera logo ela? Por que ele fazia aquilo? E o que ele faria com ela?
Isso era algo que ela tinha muito medo de descobrir.
Sentindo as lágrimas encherem seus olhos, Isabella os fechou com força e balançou a cabeça, tentando afastar aqueles pensamentos. Não estava adiantando, porém. Ela estava exausta, louca para descansar um pouco, mas toda vez que fechava os olhos e se permitia cochilar... ela tinha lembranças. Tão vívidas que provocavam a mesma dor que provocaram quando ela ainda era nova, quando tudo era novo para ela.
Ela suspirou pesadamente e serviu um pouco mais de café para si, seus olhos atentos à televisão, esperando qualquer notícia. Ela sabia que só conseguiria, de fato, descansar, depois que tivesse a notícia que tanto ansiava: que a garota estava sã e salva.
Isabella perdeu a conta de quanto tempo ficou ali, assistindo a todos os noticiários. Quando um acabava, ela passava para o outro, se sentindo a cada minuto mais ansiosa.
Será que Edward tinha feito alguma coisa ou não tinha acreditado no que ela dissera? Será que ele tinha colocado alguém para vigiar a garota ou apenas tinha partido para o outro caso, dando pouca importância àquele?
Ela ficou o resto do dia se remoendo, mas quando a noite chegou, soube que não podia ficar mais esperando por notícias. Embora quisesse ir passar mais uma noite diante do prédio da garota, Isabella decidiu confiar no detetive Cullen e se jogou na cama, pronta para tentar dormir um pouco. Ela tinha lutado contra o sono durante todo o dia e agora estava praticamente difícil fazer tal coisa. Amanhã ela estaria indo trabalhar pela manhã e ficaria em plantão pelas próximas dezoito horas.
Ela merecia descansar um pouco.
No dia seguinte, ela ficou tão cheia de coisas para fazer, que mal teve tempo para checar o noticiário. Entre consultas e algumas cirurgias de emergências, Isabella se viu correndo de um lado para o outro do hospital, e, quando seu plantão terminou, ela se arrastou para casa, completamente exausta.
Enquanto jantava, Isabella tentou prestar atenção aos noticiários, esperando uma boa notícia. O sono, porém, falou mais alto, e ela se jogou na cama assim que terminou de jantar.
E logo estava dormindo.
Ela repetiu essa rotina durante alguns dias, sem receber notícia alguma sobre o caso. Cogitou, diversas vezes, ligar para o detetive e perguntar como tudo estava indo, mas ela decidiu esperar. Não queria que ele pensasse que ela estava disposta a falar sobre o passado.
Quando quase uma semana havia se passado, ela se viu desistindo. Notícias boas não tinham chegado, mas as ruins também não. Ela levantou um pouco mais cedo, disposta a correr um pouco — já que faziam alguns dias desde que tinha ido à academia. Colocou uma calça de yoga e uma camiseta qualquer, antes de calçar seus tênis. Por fim, puxou seu Iphone e os fones de ouvido, antes de sair de casa. Correu durante algum tempo, por ali perto mesmo. Parou para descansar algum tempo depois, antes de fazer o caminho de volta. Ela estava prestes a voltar para casa, quando seus olhos pararam em uma cabine de jornais, mais especificamente no jornal local. Ali estava a foto da garota que ela tinha vigiado durante algum tempo.
Sentindo o coração bater com força contra o seu peito, Isabella atravessou a rua. Ela pegou a moeda e colocou no lugar necessário. Suas mãos, trêmulas, pegaram o jornal, e ela não conseguiu acreditar quando viu o que estava escrito na manchete.
Ele a tinha salvado.
O detetive Cullen tinha salvado a garota.
Aparentemente, confiar nele não tinha sido uma coisa tão ruim assim.
Ela correu de volta para casa, o jornal nas mãos, loucas para ler a notícia toda, louca para saber o que tinha acontecido, mas ela decidira ler em casa, com calma. Uma sensação enorme de alívio tomava conta dela e um sorriso tomava conta de seu rosto.
Andy estava salva.
Contar ao detetive valera à pena.
Ela tomou um banho rápido e partiu para a sala, puxando o jornal e o abrindo. Ela sabia que ali eles falariam tudo, porque os policiais, obviamente, não entrariam em detalhes. Mas ali falava o básico, pelo menos. A polícia tinha recebido uma pista e tinha colocado viaturas para vigiar a Andy. Eles conseguiram achar uma van, que sempre estava perto demais, e a tinham perseguido, mas o cara abandonara o carro e fugira.
Suas mãos tremiam enquanto ela abaixava o jornal. Ela se lembrava da van que ele estava usando para vigiar a garota. Sabia que ele usava luvas na maior parte do tempo, porque ele falara isso para ela, então tinha esperanças de que eles fossem achar algo. Surpreendentemente, Isabella se pegou desejando que sim.
Quem sabe, assim, eles não precisariam dela?
Bella permaneceu parada no sofá durante alguns minutos, incerta do que deveria fazer agora. Ela estava livre até a meia noite daquele dia — que é quando deveria estar de volta ao hospital para mais um plantão — e não tinha que viver com a preocupação mais de que a garota seria pega. Ela poderia visitar os pais, certo? Fazia um tempo desde a última vez que tinha os visto, que tinha pintado... ela sentia falta de estar lá.
Porém, antes mesmo de levantar do sofá para começar a se arrumar, ela pegou o celular e buscou o número que tinha ligado para ela alguns dias atrás. Certa de que aquele era o número do detetive, ela ligou e esperou enquanto chamava, mordendo o lábio inferior com um pouco de força.
- Isabella. — Ele atendeu ao terceiro toque. — Posso ajudá-la em alguma coisa?
A morena abriu a boca para agradecer por tudo, mas não conseguiu dizer nada. Um sentimento estranho tomou conta de seu coração, fazendo com que ela ofegasse; ela nunca tinha sentido isso antes. Provavelmente era coisa de sua cabeça, nada com que ela devesse se preocupar, mas... ele tinha salvado a garota. Ele tinha confiado no que Isabella tinha dito.
E ela sempre seria grata a ele por isso. Afinal, ela tinha seus problemas de confiança.
- Isabella? — ele repetiu. — Está tudo bem?
Ela piscou e balançou a cabeça, saindo de seus devaneios. Balançou a cabeça novamente, dessa vez de forma afirmativa, só para se lembrar, logo em seguida, que ele não podia vê-la.
- Sim — murmurou. — Está tudo ótimo, eu só...
Edward ficou calado do outro lado da linha, a testa franzida, esperando que ela falasse algo. Olhou para a casa dos pais logo à frente — ele tinha vindo presenciar a quarta consulta em casa de Rosalie com o Dr. Hale em sua primeira folga em dias — e suspirou, decidido a esperar que Isabella terminasse de falar antes de entrar.
- Obrigada. — Bella por fim murmurou. — Eu... eu só queria dizer isso. Obrigada por salvar a garota. De verdade.
Isabella tornou a morder o lábio inferior com força, se sentindo tola de repente. Ela não deveria ter ligado, certo? O detetive tinha mais coisas a fazer do que se preocupar com alguém como ela.
- Não foi nada — ele respondeu, por fim, fazendo-a soltar um suspiro de alívio, mesmo sem entender o porquê. — Sinto muito por não termos conseguido prendê-lo, no entanto.
Ela suspirou.
- Tudo bem — disse rapidamente. — É... foi só isso. Novamente, obrigada. Eu vou desligar agora e...
- Isabella? — Edward a interrompeu, fazendo com que ela calasse a boca. — Eu acho que nós precisamos conversar um pouco, você não acha? Que horas posso passar aí?
Ela abriu a boca para negar, mas não conseguiu.
- Tudo bem — respondeu. — Depois do almoço?
Sentindo um sorriso nascer em seu rosto, Edward concordou imediatamente e combinou de encontrá-la às duas, em sua casa. Isabella finalizou a ligação ainda se sentindo um pouco estranha, mas com um pequeno sorriso no rosto. Ela rapidamente trocou de roupa e pegou as chaves do carro, antes de se dirigir para à casa dos pais.
Ela realmente sentia falta deles, afinal.
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Isabella, porém, não ficou lá por muito tempo. Ela almoçou e conversou um pouco com eles, e pode ver quão felizes eles ficaram por ela ter ido visitá-los. Ela queria ter pintado um pouco, mas, como tinha combinado de encontrar o detetive, não teve muito tempo para isso. Prometeu, então, aos pais, que voltaria em breve e voltou para casa.
Ela decidiu esperar pelo detetive na sala, incerta do que aconteceria quando ele chegasse. Ele lhe faria perguntas novamente? Eles conversariam sobre a garota que Bella tinha perdido há algum tempo? Sobre a garota que Edward havia salvado?
Alguns minutos antes do relógio marcar duas da tarde, a campainha tocou, fazendo-a ofegar. Ela levantou imediatamente e correu ate a porta, nem fazendo o que ela sempre fazia quando recebia visitas: verificar as câmeras. Ela nem precisou, também. O detetive esperava atrás do portão, o rosto serio. Ela lhe sorriu gentilmente enquanto abria, balançando a cabeça rapidamente em forma de um cumprimento.
- Detetive Cullen — ela murmurou. — Entre.
Ele sorriu de volta e entrou. Esperou que ela trancasse o portão e digitasse a senha, antes de segui-la para dentro de casa. Ele a observou trancar a porta e digitar novamente a senha, com as mãos no bolso da calça.
- Você não precisava fazer isso, você sabe — ele murmurou, sorrindo um pouco de forma gentil quando ela virou para olhá-lo. — Ninguém vai tentar entrar aqui, Bella. E, caso entrasse, eu não deixaria nada acontecer com você.
Isabella sentiu um calor tomar conta de suas bochechas e balançou a cabeça, empurrando um sorriso para fora do rosto.
- É só... mania — mentiu. — Eu me sinto melhor assim.
Ele assentiu, mas não disse nada, sabendo que não tinha direito de opinar em como ela deveria se comportar em sua casa. Aceitou seu convite para se sentar no sofá e fez isso, esperando que ela se sentasse também para começar a falar.
- Não nos falamos desde aquela noite no hospital — ele começou. — Você saiu da sala de espera muito rápido...
Ele a observou abaixar a cabeça e fitar as mãos durante um momento, antes de suspirar.
- Não me dou muito bem com mortes — ela comentou, o que pegou Edward de surpresa. Ele tinha achado que ela negaria e se fecharia, como sempre. — É meio estranho, eu acho. Afinal, sou médica. Faz parte da minha profissão perder pessoas, certo?
Ele sorriu.
- Eu entendo — respondeu. — Eu perco pessoas em minha profissão também. Não é a mesma coisa, eu sei disso, mas... acho que nunca vou me acostumar.
Bella assentiu, como se estivesse entendendo o que ele queria dizer.
- Isabella... — Ele ficou sério de repente e se virou para ela, fitando-a com atenção. — Eu gostaria de lhe fazer uma pergunta, duas, na verdade... e gostaria que você respondesse com sinceridade.
Ela engoliu em seco ao ver a intensidade dos olhos dele, mas assentiu, embora soubesse que não podia prometer aquilo.
- Como você descobriu que aquela garota era a próxima vítima? — indagou. — E por que procurou por mim?
Novamente, Bella cogitou mentir. Abriu a boca diversas vezes, pronta para dizer que não podia dizer aquilo, que não queria falar sobre aquilo. Mas... ela não conseguiu. Saber que o detetive Cullen tinha salvado a garota, que ela tinha feito certo ao confiar nele, tinha mudado algo dentro dela.
Mesmo que ela não tivesse a mínima ideia do que era e do que isso significava.
- Eu o vi — ela soltou, fitando suas mãos. Não teve coragem de olhar para o detetive, então permaneceu com a cabeça baixa, as mãos trêmulas. — Eu saí com a minha mãe outro dia e estava indo comprar um café... e eu o vi. Ele estava observando o prédio da garota, a van estava lá... Eu sabia o que aquilo significava.
Sentindo o coração bater no peito por ela estar partilhando alguma coisa — embora não fosse muito -, Edward se inclinou um pouco no sofá, fitando-a com atenção, tomando cuidado para não assustá-la muito.
- Ele te contava o que fazia? — ele indagou, curioso demais para deixar aquilo escapar. — Ele te contou o que fez com as outras garotas?
Uma risada amarga escapou dos lábios de Isabella, e Edward precisou se conter para não puxá-la para um abraço e confortá-la.
- Ele contou, ele mostrou — respondeu. — Ela guarda pasta de todas elas... de todas nós. Ele tem tudo documentado, milhares de fotos, milhares de coisas...
Perplexo diante do que estava ouvindo, Edward ofegou. Ele achava que ele tinha algumas vítimas, mas... de quantas pastas Isabella estava falando?
- Eu decidi vigiar a garota — ela retornou às perguntas anteriores de Edward. — Eu fiquei lá, à noite toda, somente esperando que ele entrasse em ação, mas ele não fazia nada... Pedi ajuda a Emmett, quando descobri o nome dela, e consegui todas aquelas informações... Aquelas que eu te entreguei.
Ele assentiu, mesmo que ela não tivesse olhando para ele.
- Mas por que eu, Isabella? — ele perguntou novamente. — Você poderia entregar para qualquer pessoa, mas... me escolheu.
Edward estava tentando entendê-la um pouco, embora aquilo se mostrasse cada vez mais difícil. Isabella colaborava em alguns momentos — como aquele, por exemplo -, mas, em outros, ela se fechava completamente e negava o fato de que ela tinha sido sequestrada algum dia. Ela ainda não tinha dito aquilo em todas as palavras e Edward sabia que seria difícil levá-la até à delegacia e fazê-la testemunhar, mas... já era algo, certo?
De acordo com os pais dela, era muito. Muito mais do que eles esperavam.
- Eu não sei — ela sussurrou. — Eu só... eu só senti que deveria entregar a você... E acho que eu fiz a coisa certa, não fiz?
Ele assentiu.
- Sim, acho que sim. — Ele parou por um momento, sem saber se deveria perguntar aquilo novamente. Suspirou pesadamente, decidindo tentar. — Conte-me o nome dele, Isabella. Fale onde ele mora, dê-me mais uma pista, por favor.
Bella ofegou.
- E-eu já dei uma — gaguejou. — Eu entreguei a pasta, disse para prestar atenção aos detalhes... Você não descobriu?
Ele suspirou.
- Ele pega as garotas adotadas — ele disse. — Eu sei que é isso. Temos analistas buscando todo o tipo de informações possíveis, de caras baseados nos perfis que o FBI fez há alguns anos, mas... não tivemos nenhum resultado.
Ela assentiu.
- É por isso que eu preciso que você me diga algo de concreto, Isabella — ele forçou. — Qualquer coisa que possa ajudar, nem que seja mínima...
Ela balançou a cabeça de forma negativa, as lembranças do que tinha acontecido há alguns anos surgindo com força. Ela ainda não conseguia falar sobre tudo e, aparentemente, Edward tinha atingido certo limite.
- Você vai acabar desistindo de mim — ela sussurrou de repente, decidida a mudar de assunto, sentindo um aperto no coração só de pensar nisso. — Vai acabar procurando outra pista, eu sei que vai...
Sentindo ainda mais vontade de puxá-la para um abraço do que nunca — e sabendo que não poderia fazer aquilo -, Edward se ajoelhou em frente a ela, sentindo-se... nervoso. Ele a observou durante alguns segundos, sem saber como se sentir diante da vulnerabilidade que ele estava vendo ali. Era algo... surreal.
- Vá embora — ela murmurou, fechando os olhos. — Por favor, detetive. Eu já disse tudo o que podia, mas não dá mais... Desista... Você só está perdendo seu tempo.
Bella fechou os olhos com força, incapaz de deixá-lo ver quão vulnerável ela se sentia. Não era para ser assim, ela não queria que ele a visse daquela maneira.
Edward suspirou pesadamente, observando seus olhos fechados. Ele relutou um pouco, sem saber o que fazer, mas, por fim, após relutar um pouco, ergueu suas mãos. Ele notou que elas tremiam um pouco, mas procurou ignorar isso. Apenas seguiu seus instintos e segurou o rosto de Isabella entre elas. Ela abriu os olhos segundos depois e eles ficaram se encarando durante algum tempo, sem falarem nada.
- Eu não vou desistir de você, Isabella — ele sussurrou, por fim, prendendo o olhar dela no seu. — Nunca. Deixe-me ajudá-la. Por favor...
Ela engoliu em seco.
- Hoje não, por favor — implorou. — Eu já falei demais...
Ele suspirou novamente, mas assentiu, decidido a dar-lhe um tempo. Ela tinha, de fato, falado muito — mais do que ele esperava. Ele podia tentar novamente em breve.
- Certo. — Colocou-se de pé. — Podemos conversar depois, então? Por favor?
Ela chegou a abrir a boca para negar, mas por fim assentiu. Seguiu-o para fora de casa quando ele se despediu, alegando que deveria voltar a trabalhar, prometendo que entraria em contato com ela em breve.
- Obrigada novamente — ela murmurou, fechando o portão. — De verdade.
Ele sorriu, enfiando as mãos no bolso da calça.
- Obrigado a você, Isabella — ele disse. — Por confiar em mim... Nos falamos em breve, ok?
Bella ficou parada ali, observando-o se afastar, um suspiro escapando de seus lábios. Era estranho ele mal ter ido embora e ela já querer que ele voltasse novamente?
Balançando a cabeça, querendo afastar tais pensamentos, ela decidiu tirar um cochilo, já que teria que trabalhar dentro de algumas horas. Caminhou até o seu quarto e se deitou na cama, um pequeno sorriso nascendo em seus lábios.
É. Confiar no detetive não tinha sido tão ruim assim.
_
Isabella acordou de seu cochilo uma hora mais tarde, se sentindo mais animada do que estava em dias. Arrumou-se para o trabalho com um pequeno sorriso no rosto, feliz por não ter dormido profundamente — assim ela não teve seu habitual pesadelo. Saiu de casa ainda faltando quase um hora para o seu plantão começar, mas não ligou muito para isso.
- Merda — murmurou, ao verificar a bolsa. — Esqueci as chaves do carro...
Ela voltou para casa e buscou as chaves, na mesa da cozinha. Ativou o alarme e trancou a porta da frente atrás de si assim que passou. Sorrindo, simplesmente porque estava de bom humor — e ela nem se lembrava da última vez que tinha se sentido assim -, Bella caminhou até o carro e desativou o alarme dele. Abriu a porta do carona e jogou a bolsa ali, e já ia entrar no lado do motorista quando escutou alguém assobiando.
Ela congelou imediatamente, porque ela só conhecia uma pessoa que podia assobiar daquela forma, que sempre escolhia aquela música.
Sentindo o coração bater com toda a força contra o peito, Isabella lentamente se virou, seus olhos muito arregalado procurando por ele. Ela o buscou dentro da sua propriedade, sabendo que não estava segura ali naquele momento, não longe da porta de entrada, não protegida pelas paredes, ao alcance do que ela tinha preparado para o caso de precisar se proteger algum dia.
Ela não o encontrou ali, no entanto. Ainda temerosa, Isabella caminhou até o portão, sentindo-se a cada minuto mais nervosa. Ela o procurou pela rua, seus olhos correndo de um lado para o outro, até ver a van.
E parado ao lado dela, fitando-a com atenção e com um sorriso diabólico no rosto, estava ele.
Notas finais
Mas... e esse final? Algum palpite do que vai acontecer, huh? Vou logo dizendo que pode não ser o que estão pensando hahahaha. Vamos ver o que vocês têm a me dizer.
Espero reviews.
Até o próximo
xx
N/B: Dois passos para frente e cinco para trás. Fiquei com pena de Bella. Como essa menina sofreu nesse cativeiro. Espero que ela consiga aceitar a ajuda de Edward. Ele voltou!!! Como essa menina vai reagir????Bjs, Lu.
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