Daughter Of Water And Ice
16 Minha pequena Gota de Gelo
Notas iniciais
Virando a página branca de neve o cenário salta e explode em cores, como um caleidoscópio, mas agora eu percebo a história ainda teve um início desastrado. Então, eu tomo outro fôlego.Não posso permitir que ele tome o rumo que o destino previu tanto para mim quanto para eles. Porque quem faz o meu destino, sou eu.
Quando derramei lágrimas foram eles quem a secaram, assim como curaram as minhas cicatrizes. Embora tenha eu feito uma neles, acredito que posso ser perdoada, assim como perdoei ao meu passado e o meu futuro.
Segundos passaram e nem uma dor eclodia no corpo do casal. Acharam que a morte era assim, sem dor. Sentiu o vento acariciar a sua pele branca, enquanto sentia o frio que era o corpo de seu marido, que com o tempo pareceu que ela havia esquentado, sentiu o mesmo a abraçar com mais força, mas havia algo errado. Juvia foi a primeira a abrir os olhos para saber como era o "céu", mas seus olhos se arregalam ao constatar que uma garota idêntica ao que o exceed estava transformado, estava a sua frente segurando a garra do dragão com força. Procurou o gato para ver se não havia sido ele novamente, mas ele estava ao lado de Happy, que tinha os olhos marejados. Então a pessoa que salvara tanto ela quanto a Gray era a verdadeira. Ela estava de costas à eles, impedindo de seu rosto ser visto.
A garota estava tendo dificuldades em segurar a garra. Respirou fundo, antes de liberar uma quantidade de sua magia para que a ajudasse a enfrentar tal ser. Esperava que pelo menos as pessoas que salvou não estivessem mais atrás de si. Correu seus olhos rapidamente pelo local e indagou onde estava o gato que a acompanhava. E quando o viu, o mesmo assentiu dizendo que as pessoas já estavam fora de perigo. E a garota sorriu.
Empurrou com força para trás o dragão que recuou com brusquidão. Correu em direção a ele, enquanto em uma de suas mãos formava-se uma espada de gelo. O dragão vendo que seria atacado, resolveu atacar também. Usando a magia do "rugido" a garota inclinou o corpo para trás e por pouco é atingida pelo ataque, e quando a mesma levanta a cabeça para o seu inimigo é jogada longe. Rolando no chão ela consegue ficar de pé, mas ainda é arrastada pela força que o golpe havia feito em si. Ela estica um braço para lado, enquanto dois círculos mágicos surgem transformando o braço dela em uma Bazuca branca. A mesma aponta a arma para o Dragão que novamente esta fazendo outro rugido.
–Arthemis! — grita ela. O gato que salvara Kaori mexeu as orelhas ouvindo o grito da amiga e logo a responde.
–Yes Lady! (n/a: vai dizer que não é a cara do pai?) — um círculo mágico envolve o corpo do gato que se transforma no homem de cabelos rosas usando no pescoço um cachecol bastante conhecido. Arthemis, transformado em Natsu Dragneel, corre em direção ao ataque do dragão. E ele utiliza umas das magias do Dragon Slayer de fogo. — Karyū no hōkō (rugido do dragão de fogo).
Ambos poderes colidiram-se, dando tempo para a desconhecida que abastecia a Bazuca com poder. Arthemis no modo Natsu, caiu perto do grupo que estavam Juvia, Gray, Lucy, Chang e Erza e Natsu que estavam feridos. Uma grande camada de poeira erguia-se envolta do dragão.
Contou até cinco. Dava-se para notar o peso da bazuca nas mãos da menina, que agora apontava para o seu alvo. Na boca da bazuca um círculo mágico ergueu-se brilhando em azul gelo e azul anil, o dragão viu o que viria para si e rugiu em protesto a menina.
–Sayonara. — murmurou antes de uma explosão de poder ecoar pelo lugar onde deveria ficar a casa de Juvia. O dragão que ainda rugia, engoliu o ataque da garota, e fez um som parecido com uma risada.
A garota ficou de pé e quebrou com uma mão a bazuca e depois cruzou os braços esperando o que realmente estava esperando.
–O que ela está fazendo? — perguntou Gray olhando para o gato branco. E o mesmo apenas dá de ombros após se transformar novamente em exceed. E dois segundos depois uma camada imensa de fumaça ergueu ao redor do campo de batalha que estava a frente dos magos de Fairy Tail.
Logo dava-se para ouvir os som de lâminas se colidindo uma com a outra. E com o estrondo um vento forte fez com que a fumaça se dispersasse e sumisse. Encontrava-se lâmina segurando lâmina em uma batalha corporal entre a garota e um homem de barbichas brancas e um cabelo de tom azul gelo. Estava sem a camiseta e usava calças de moletom branco, mostrando um peito bem definido. As espadas que usavam eram de puro gelo.
Separaram-se e se colidiam a cada segundo que era cortado pelo fio da lâmina de suas armas. A espada do homem ameaçou cortar a cabeça fora da garota, que inclinou o corpo e a cabeça para trás e no mesmo momento erguia o pé para um chute de baixo pra cima, acertando o queixo do oponente que recuou com o ataque. O inimigo ergueu uma mão e um círculo mágico pendeu a frente e dele saíram aves de gelo que voaram de encontro a garota. A mesma virou as costas e correu, encontrou-se encurralada pela magia do homem e uma parede de pedra. Um sorriso se abriu em seu rosto, antes de se virar e correr contra a pequena parede. Ela subiu a parede como se tivesse cola nos pés e saltou para trás, dando um mortal perfeito e caindo em pé enquanto os pássaros batiam e explodiam contra a parede.
Ergueu o rosto para o homem que estava de braços cruzados a sua frente. E com a arma em suas mãos o convidou para um novo combate entre ambos. Ele correu contra ela que fez o mesmo. E quando viram outra camada de fumaça os engoliu. Chang olhava para aquilo com vivacidade, estava esperando poder entrar em cena e ajudar a lutar, não podia simplesmente ficar e assistir a tudo. Gray, estava inquieto, pois sua magia não podia atingir ao dragão, que simplesmente desapareceu com o ataque da garota e o gato ao seu lado não dizia nada com nada.
–Apenas observe. — foi tudo que o gato que se chama Arthemis falou.
–Como os ataques de gelo dela funcionam? — perguntou o mago.
–Porque ela é igual ao Natsu-San. — respondeu por vez.
–Uma Dragon Slayer de gelo...?
–Gray isso não é hora de perguntas e respostas. Natsu precisa de ajuda logo. — Lucy falou.
–Desculpa, Lucy-San. — falou o gato se transformando em Wendy. Mas era a Wendy de quatro anos atrás. Mas não se importaram com aquilo, quando observaram que Natsu estava sendo curado mais rapidamente que a verdadeira Wendy poderia fazer.
Olhando para o dragão e depois para a menina. Juvia começou sentir que seu coração iria chorar de felicidade. Sorriu levemente. O vento sussurrou um segredo à maga que sorriu mais ainda. A doce e delicada neve que caia tão serenamente só podia ser feita por uma pessoa, que estava com o coração transbordado de dor, de cicatrizes que ainda não haviam sido fechadas. E ela era a pessoa certa para fazer aquelas cicatrizes e dores desaparecerem. Conhecia muito bem aquela postura de luta e o movimento que o corpo fazia a cada ataque e defesa.
–Nós sempre estivemos fugindo dos dragões e agora ela decide lutar contra um! — disse Arthemis ao lado de Juvia, na forma de Wendy.
–O quê? — perguntou a maga.
–Desde que nasci, sei que temos que fugir quando há dragões, mas ela sempre quer dar uma de heroína, e depois tenho que cuidar de suas feridas. A última vez ela ficou em coma durante um mês inteiro! — falou novamente.
–E por que fogem? — desta vez foi Chang quem perguntou se aproximando com Happy, que não parava de chorar, no colo.
–Porque todos os dragões decidiram matar a todos os Dragons Slayers. É tudo que sei. — Chang assustou-se um pouco, mas seu olhar pousou na garota que lutava contra o homem.
–Então o oponente dela é...
–Um dragão. Mas como eles são orgulhosos demais, eles sempre decidem acabar com a luta na sua forma humana. Como são determinados como “fracos” nesta forma, eles acabam matando e se mostrando que mesmo sendo um Dragon Slayer, não tem como matar um Dragão em sua forma mais fraca.
–Isso é mal. — disse Gray. A luta havia cessado.
O homem a olhava com certa admiração para a desconhecida que exibia um sorriso de vitória. Ela arfava com força, enquanto o homem apenas mostrava-se que aquela luta não o havia danificado, mas mostrava cortes pequenos e profundos em seu corpo.
–Eu deveria ficar orgulhoso? — perguntou com repulsa.
–Acho que não. — respondeu a garota.
–Ela estava errada não é? Sobre a sua força. Mas esteve certa sobre quem é você.
–Isso não é da sua conta.
–É da minha conta e de todos outros dragões. Quando a nossa raça está correndo risco por causa de uma pirralha que não sabe nem ao menos controlar os seus poderes. Uma pirralha que só sabia chorar. Uma pirralha que não merecia ser quem...
–Cala a boca Wintter! — bradou ela. — Cala a boca... Você não tem o direito de dizer quem sou... — Ela ergue o rosto a ele que recua um pouco. — ...Porque você nem mesmo sabe quem eu sou.
Muito bem. — dizia ele tentando não demonstrar o medo que lhe afligia naquele momento. — Mas está na hora de acabar com toda essa brincadeira.
Wintter abre um círculo mágico e se transforma na sua forma verdadeira, e vira a sua boca para a garota que nem se moveu de seu lugar. O dragão estava pronto para atacar com uma de suas magias. Outro círculo mágico se armou a frente do animal que rugiu brandindo a magia de seu elemento.
Juvia gritou um nome. A garota virou o rosto para a maga que tinha os olhos marejados, ela sorriu rapidamente. Voltou seus olhos para o céu que deixava as plumas brancas dançarem com a leve brisa que perpassava naquele momento. Ela era gelo... E água. Luz e trevas. Dia e noite. Pombo e corvo. Vida e morte. Se perguntou por que o destino brinca tanto com os sentimentos que tanto tenta controlar, enquanto o seu coração parece tomar as rédeas de suas decisões. Por que ela tinha que sempre provar a si mesma que não era a pessoa que tantas pessoas temem.
Voltou a sua atenção ao ataque que trocava de direção. Ele apontava para os magos da Fairy Tail. Ela correu para chegar até eles, e pelo que se lembrava o ataque que aquele maldito dragão fazia não era tão rápido quanto ela. Arrastou os pés quando ficou na frente de todos e disse apenas “segurem-se”. Inclinou o corpo pra trás enquanto um círculo mágico surgia em sua frente. Ela provaria ao Diabo que não era como ele.
Suirō
to
Aisudoragon
no
hōkō
( Rugido do Dragão de água e do Dragão de gelo)
Os magos que assistiam para aquilo e que não acreditaram quando Juvia gritou o nome da desconhecida, arregalaram aos olhos. O poder que emanou do ataque mostrava-se maior do que se lembravam. Tanto que se seguraram, realmente, para não serem levados pela fúria que o poder tinha. Arthemis se agarrou em Chang que se pôs a frente de seus pais, Gray e Juvia ficaram abraçados à frente de Erza que ainda não havia se recuperado. Todos fecharam os olhos.
O som do canto de um rouxinol foi o que os fez acordar para a tal realidade que se encontravam. Natsu abriu os olhos também, mas não conseguia se mexer, ainda sentia dores pelo corpo, Juvia abriu os olhos e enxergou que no local onde estava a garota tinha apenas um caminho destruído coberto por raízes mortas e terra molhada. E mais a frente, a encontrava com a cabeça do dragão, em sua forma humana descansando a cabeça sobre as pernas da menina.
Logo os flocos de neve foram trocados por gotas frias de uma chuva de verão.
Estava ela com as mãos pousadas na cabeça de Wintter, que ainda estava vivo, porém por pouco tempo.
–Você sempre foi chorona, criança. — disse ele.
–Por quê... Por que estão matando a todos? Por quê? — perguntava por meio dos soluços agudos que repercutiam a cada respiração falha do dragão.
–Não estamos matando a todos, mas a procura de um... — ele tosse um pouco. — … Este realmente deve morrer.
Otõsan... — falou devagar quando o viu fechar os olhos e sua respiração fraquejar.
–Sinto muito, por não ter sido o pai exemplar que você merecia, Minha Gota De Gelo... — não conseguiu terminar de falar.
– Otõsan... Otõsan.... Otõsan... Não! — começou a sacudi-lo pelos ombros de forma brusca, tentando desesperadamente acorda-lo, mesmo que suas forças estivessem se esvaindo. — Onegai... Otõsan... Não me deixe... Eu te amo... Otõsan.... — a chuva ficara mais intensa a cada grito que ela dava pedindo pelo seu dragão.
Juvia que assistia a tudo aquilo não pode deixar de chorar também. Mesmo o seu coração que pulsa de alegria vendo a menina que ama como filha, estar a sua frente viva. O destino realmente pregava peças nas pessoas, mas elas sempre machucavam ou destruíam a vida de algumas.
O vento soprou a capa que escondia o rosto da garota revelando-o. O rosto forte e coerente, corado pelas lágrimas que teimavam cair de seus olhos e do céu que se mostrava estar cinzento e sem vida. Ela esteve acreditando durante toda a sua vida em coisas distantes, e que era incapaz de senti-las por não ser "humana". Esteve negando a toda ou qualquer esperança depois que foi mandada embora. A todas promessas que fez, parece que nunca as cumpriu. As pessoas acabaram acreditando, mas ela foi quem mais saiu ferida. Tudo que sobrou para seu coração sentir foi aquele sentimento cruel, que desperta o lado negro de sua força, destruindo a tudo e a todos que estão em sua volta. Ela gostaria de pedir, de poder, esquecer o passado. De poder sentir pertencer a um lugar, mas ela se sente tão assustada. Um dia, quem sabe, ela não sentirá mais esta dor que dilacera o seu pequenino coração, e sugar a todas as sombras e joga-las junto com aquilo que ela não quer para longe de si. Porém sabe ela, que eles nunca a deixarão. E não adiantará fugir.
A capa que usava, foi usada como cobertor para tampar o corpo do dragão que cuidou dela até ter oito anos. Logo as imagens que tenta esquecer pareceram agarrar-se a ela mostrando o quão ruim Wintter havia sido com ela, mas ela sorria. Sorria...
–Mei-Chan. — olhou para o lado e encontrou Arthemis com os olhos marejados por ver a amiga triste. A roupa que a menina usava era um vestido branco que estava sendo coberto com uma armadura prateada que exercia peso no busto e ombros e mesmo assim combri-a-lhe parte do tronco do corpo e seus pés estavam enfaixados por fitas brancas e que agora estavam de outra cor.
–Estou bem. — disse limpando com as costas da mão as lágrimas, mas estava encharcada pela torrente de chuva que caia sobre ela. O cabelo comprido e mesclado brincava com o vento que revolveu cantar a ela. — É só... Eu não queria perder ninguém que conheço... Mesmo que tivesse sido tão ruim comigo... Ele era o meu pai. Ele morreu pelas próprias mãos de sua filha.
–Mei-Chan você precisa descansar. — dizia-lhe, mas a sua visão ficou turva. E quando viu estava caindo sobre o corpo.
***
A melodia incoerente permeava pela mente escura e fria da menina desacordada. Sentia-se pesada enquanto caminhava para um lugar que desconhecia. Seu coração parecia estar perfurado com diversas agulhas que a envenenavam sem perceber, seus passos ficavam mais lentos, sua respiração fraca e seus olhos já não enxergavam. Tudo que conseguia ouvir era o fruto de sua imaginação lhe pregando novamente uma nova peça, a melodia doce e triste da noite cálida sobre a canção de ninar que tanto conhece e que de alguma forma desejou escutar novamente por meio da voz angelical da única mulher que proporcionou a ela horas de sentimentos quentes e ternos.
A melodia a estava levando para certo lugar dentro de si mesma. Conseguia ouvir o estrondo de magias se colidindo enfrentando a si mesmas para roubar-lhe a alma tão amada. A alma doce e dolorosa de uma criança com duplo poder, de dois elementos que juntos são poderosamente fortes. Mas a calma que tem a esperar que esta luta lhe dá, faz-lhe sentir péssima. Pois se uma lado vencer pode ser o fim do mundo, caso o outro vença, o mundo se reerguerá para anos feitos de luz.
O som de carroças passando, o murmúrio de vozes conhecidas, o canto sublime de pássaros, galhos quebrando, e a dor que mata a pobre alma escolhida a cada ataque e defesa da luta que enfrenta dentro de si mesma. Mas como enfrentar tais poderes enormes dentro de si, quando nem ela mesma sabe o real sentindo disso, o real motivo. E devido a esse tal destino, ela acaba sempre fugindo daqueles que podem ajuda-la. Porém apenas ela pode enfrentar o que virá pela frente.
O sol quente a presenteia pela janela que está aberta. O perfume de lírios ausenta a calamidade do suor que escorre pelo seu rosto. O gosto salgado de suas lágrimas ainda esta preso em sua garganta assim como os gritos que ela fecha dentro de si para não ter que fazer as pessoas ficarem preocupadas. Abre os olhos instantaneamente a procura do único amigo que lhe sobrara, e que ainda fora um presente. Sentou-se na cama de madeira com os lençóis de um verde claro. Olhou para o lugar e parecia que estava em um quarto de luxo.
Nem se lembrava de como ter chegado até ali. Olhou para as suas mãos e lembrou-se do que fez. Açoitou-lhe mentalmente por matar alguém que amava profundamente, mesmo tendo ele a odiado profundamente. Sentiu uma dor de cabeça que pôs as duas mãos na mesma a fim de supri-la. E com os olhos voltados para o seu corpo, percebeu que estava sem a armadura que recebeu. Correu os olhos pelo quarto novamente e a encontrou sobre uma cadeira de mesmo tom que a cama. Rastejou até onde estava e a pôs devagar, logo sentindo a dor de cabeça se esvair.
Seu poder era tão grande que não poderia controla-lo sozinha, e aquela armadura tinha algo especial, que fazia isto por si. Sorriu ao pensar que alguém teria inveja de sua armadura. Após coloca-lo sentiu-se melhor. Virou-se em direção a janela e contemplou a bela manhã de sol quente. Observou que havia algumas pessoas trabalhando na construção de casas e prédios. Perguntou a si mesma se ela havia feito que estava pensando.
Ouviu o som de risadas solenes e maravilhosas. Risadas que conhecia. O transe em que se encontrava pareceu persuadi-la a fugir daquele local rapidamente. Não estava pronta para tal confronto com tal passada milagroso e brilhante que teve.c Se não fosse por eles, talvez o mundo já estaria escuro.
Logo lembrou-se das noites escuras que eram apenas iluminadas pelas pequenas luzes que estavam grudadas ao manto escuro da noite. A cada uma delas, ela deu um nome, para que assim fosse mais difícil se esquecer deles. E a sua favorita tinha um nome que mais lhe chamava a atenção, pois menos nas noites escuras, o nome dela tinha o mesmo nome de suas lágrimas... Juvia.
Caminhou descalça até a frente da porta do quarto em que se encontrava. Hesitava vez ou outra segurar tremulamente a maçaneta da porta. E quando a segurou, temeu larga-la. Só queria ouvir mais uma vez, para afirmar que não estava sonhando. Seus sonhos sempre era de vê-los daquela forma, sorrindo quando a mesma voltasse. Mas quando os encontrava... Não tinham rosto. Nem percebeu que havia fechado os olhos.
Abriu os olhos quando a dura e fria maçaneta girou. Sua respiração estava acelerada, e encontrou um corredor longo com uma escada no final. Impulsionou o seu corpo para frente, mas seus pés não se moviam. Suas pernas tremiam pelo medo de ver em suas feições o desagrado de sua presença. Balançou a cabeça dizendo a si mesma que eles não fariam isso. Mandou o seu próprio cérebro para o inferno e deu ao coração o controle de todas as suas emoções. E ele a ordenou caminhar.
Seus passos não ecoavam pelo hall, mas conseguia ouvir o peso de sua respiração e o som dos ossos comprimindo-se a cada golfada de ar que entrava em seus pulmões. A doce e triste melodia ainda repercutia em sua mente. Lembrou-se do dia em que o seu cabelo foi escovado e cantou a mesma canção, e a junção dela com a voz de Juvia a fizeram dormecer sobre o colo da maga.
Ela já estava na escada. Seus joelhos tremiam a cada degrau que descia. Segurava-se no corrimão para não cair e acabar assustando a todos que estavam lá em baixo. Ela quis correr, mas não conseguiu mais ouvir nenhuma risada ou voz desde que saiu do quarto. Ela só queria uma prova de que não estava sonhando.
O lugar era de um luxo desconhecido. Brilhava entre o dourado e o bege escuro e dançava com as cores quentes da estação. Conseguiu ver uma cabeleira rosada brincando com pequenas bonecas no chão. Sorriu ao constatar que era Kaori, a Dragneel que comparou com uma flor delicada na primeira vez que falou com ela.
Engoliu em seco e tirou os seus olhos da menina. Respirou fundo, pois estava chegando ao final da escada. Mas parou bruscamente quando ouviu a tais vozes que tanto ansiou ouvir.
–Gray-Sama não coma todos os biscoitos.
–Juvia, você sempre faz mais do que deve.
–Natsu está melhor?
–Sim Lucy, aliás acho que vou querer outro filho.E vai ser você quem vai cuidar Chang.
–Até parece.
–Irmãozão! Brinca comigo?
Mordeu o lábio inferior tão forte que sentiu o gosto do sangue em sua boca. Não queria desmanchar aquele dia lindo que estava tendo com uma torrente de lágrimas que despencavam do céu. Respirou fundo enquanto ouvia as gargalhadas de todos pelo lugar. E quando chegou na sala, ficou com a cabeça baixa.
Rindo das atrocidades que seu pai falava. Chang sente no ar um perfume a mais. Ergue os olhos para a escada e a vê fitando a ponta de seus dedos. Ele se ergue e fica a admira-la. A roupa de uma guerreira caia como uma luva, como se fosse feita perfeitamente para ela. Os pés descalços e sem as fitas que estavam enrolados neles, davam um ar celestial a menina que tanto amou a quatro anos atrás.
Juvia e os de mais perceberam o olhar do garoto e se dirigiram para onde ele olhava. O coração da maga quis saltar para fora de seu peito. Vendo a menina de longos fios mesclados balançando-se para frente e para trás no ritmo de uma música que apenas ela ouvia. Surgiu um sorriso nos lábios, antes de dar alguns passos até a menina.
Mei ergueu os olhos após ouviu o som de pés se moverem, vindo em sua direção. Mas logo evitou olhar para o rosto, pois ainda pensava ser mais um de seus sonhos e que logo iria acordar.
–Dormiu bem, Mei-Chan? — perguntou a voz que tanto amava ouvir.
–S-sim. — gaguejou baixinho.
–Que bom. Juvia fez alguns biscoitos. Não quer provar? Se quiser Juvia faz o bentou favorito de Mei-Chan.
Ainda sem olhar para Juvia, Mei pôs as duas mãos na boca para abafar o grito de suas lágrimas que estavam por vir. Levantou o rosto para a maga que lhe mandava um sorriso, enquanto ela negava-se a chorar. Ainda não acreditava que aquilo era verdade. Ela havia salvo as pessoas que mais amava. Outra vez.
E será que as deixaria novamente?
–Estou sonhando? — perguntou com a voz abafada pelas mãos. Juvia riu.
–Não. — chocou-se. — Não chore Mei-Chan. Você deve é sorrir. — falou a maga mostrando com os dedos o próprio sorriso. Antes de pegar as mãos da dragon slayer e tira-las devagar do rosto. Juvia tremia também. — Agora sorria.
E levemente um sorriso brotou nos lábios da menina. Mas logo desapareceu.
–Por quê? — uma simples pergunta que continha tantos significados enrolou-se em meio a outras tantas perguntas que ela tinha que fazer a maga a suia frente.
–Porque amamos você. E não deixaremos você partir mais. — respondeu a maga chorosa. Mei levantou os olhos para encontrar os de Juvia. — Juvia sentiu a falta de Mei-Chan.
–Juvia... — Mei abraçou Juvia, que deixou as lágrimas escorrerem pela vestimenta da garota. — Se chorar assim, vai me fazer chorar também. — disse se afastando, mas queria mais outro abraço daquele, e outro e mais outro...
–Gray-Sama... — Juvia que havia se voltado para o marido espantou-se ao vê-lo chorando.
–Caiu um cisco no meu olho. -disse limpando as lágrimas. Mei sorriu-lhe, o mago de gelo correu e abraçou a menina com força. — Senti a sua falta pirralha.
–Também senti. De todos. — quando Gray se afastou dela riu da cara que ela estava fazendo.
–Que cara é essa pirralha? — Mei estava fazendo uma careta.
–É a única forma para não me fazer chorar. — Gray e Juvia apenas sorriam. Quando percebeu só havia aqueles três na sala. Eles a fizeram sentar-se, mas antes ela perguntou onde estava o seu amigo, Arthemis.
–Ele logo estará de volta. Apenas deu uma saidinha com o Happy. — respondeu Juvia.
–Gray-San... Juvia-Chan... Vocês não querem saber o que aconteceu a quatro anos atrás? — Juvia olhou para Gray que apenas suspirou e depois depositou um beijo no topo da cabeça da menina.
–Quando você decidir nos contar, nós iremos ouvir. Minha pequena gota de gelo.
–Meu apelido. -disse corada.
–Sim e espero que deixe eu te chamar assim. — disse Gray se sentando ao lado dela.
–Claro. Só...
–Só...
–É que o... Meu pai... Chamava-me assim. — os olhos de Mei tomaram um brilho triste.
–Façamos o seguinte. — começou Gray. — Eu irei te chamar assim, se você sorrir todos os dias pela manhã, pela tarde e pela noite. — sorriu para a menina que não segurou o riso. E logo parou de rir, pois se lembrou que só fazia isso quando estava com eles. É como se todos os sentimentos ruins tivessem desaparecido após essa linda manhã de sol quente. E esperava ela que tudo desse certo após todos os seus medos sumirem.
–Claro. — respondeu. — Sempre. Obrigada, de novo.
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