Darkness In The Clouds
4 Apresentações
Notas iniciais
NARRADO POR HERMIONE GRANGER
Meus pés começavam a latejar pelos trajetos de ida de volta ao guiar os alunos ao salão comunal da Grifinória, onde ficariam. A experiência repentina fez meu peito se retorcer em nervosismo e uma leve excitação. Inesperadamente, foi bom, ver o olhos de empolgação nos mais novos foi tão satisfatório que eu deixei de lado a dor por hora e me concentrei no que eu pude proporcionar com aquilo.
Ainda vagando por Hogwarts, peguei um corredor que me levaria até a sala da diretora, já que parecia a alternativa mais óbvia vendo que eu não sabia o caminho até o novo salão para os monitores. Chegando lá, vi que os outros pensaram o mesmo, reunidos ali em frente a estátua que subia até o gabinete da McGonagall.
Encarei os demais, desviando de apenas um.
O ar a nossa volta estava tenso por conta da falta de diálogo, uns mexiam nas suas vestes ou olhavam ao redor, ou simplesmente encaravam seus sapatos, mas não foi preciso esperar muito tempo, poucos minutos depois Minerva apareceu, vestida formalmente e passando por nós na certeza de que a seguiríamos.
Fomos percorrendo o caminho, com a falatório de McGonagall e o silêncio dos outros. Pelo canto do olho eu podia ver o Malfoy a um metro de distância, ele teria passado despercebido se não fosse pelos seus passos duros e lentos pelo corredor que ocasionavam um barulho notável, ele estava com a expressão séria, mas eu podia ver pelo leve contorno da sua boca que ele esboçava um sorriso despreocupado e seus olhos cinzentos analisavam tudo ao seu redor, se movimentando rapidamente para todos os cantos do corredor.
Chegamos em frente a um quadro enorme com a imagem de uma selva extremamente verde, e tão vívida que enganaria os olhos não atentos, ela parecia pulsar e seus detalhes eram nítidos e fortes, e encontravam-se ali 4 animais esbeltos.
O leão da Grifinória, com sua beleza indomável e seu pelo lustroso marcado por alguns reflexos dourados, sempre com o ar de que aceitaria qualquer desafio, pronto para qualquer coisa;
A serpente da Sonserina, tinha uma certa graça que eu tinha que admitir, e apesar de ser uma criatura rastejante emanava de si uma aura de superioridade inabalável;
A águia da Corvinal pairava no ar com sutileza e sabedoria, suas penas negras reluzindo enquanto suas asas de movimentavam lentamente;
E o texugo da Lufa-Lufa, delicado e sutil, com a cabeça erguida e os olhos negros penetrantes, mas, ainda assim, amigável.
—Qual a senha? —Os animais perguntaram em uníssono.
—A esperança brota eternamente. —Minerva respondeu.
Assim que passamos pelo quadro e adentramos no Salão Comunal admiti que era realmente tudo muito bonito e gracioso. Amplo, com diversos sofás de cores neutras e uma mesa de centro. A esquerda pude ver uma porta que Minerva disse ser uma sala com documentos que poderiam nos ajudar a organizar nossos planos de monitoramento, e a direita havia outra porta que a mesma havia dito ser uma pequena cozinha com uma mesa de jantar e pratos especiais que podiam se encher com o que desejarmos. Mais a frente havia uma escada de se dividia entre esquerda para as garotas e direita para os garotos.
—É, realmente, tudo muito belo, diretora McGonagall. —Quebrei o silêncio.
—Ah, suas malas já estão em seus quartos. —Ela disse já se virando para ir. —Agora preciso me retirar, tenham todos uma boa noite e espero que comecem a se organizar ainda hoje porque os monitoramentos se iniciam amanhã, atrasos não serão admissíveis.
Ainda sob o olhar dela, nos dirigimos para o sofá prontamente, para começar a massante conversa sobre monitoramento. Quando ela enfim se foi, pude ver os ombros dos demais relaxarem visivelmente.
Eu não prestei devida atenção aos outros enquanto eles falavam, apenas captei seus nomes. Como Sophia Myers, ela era mais baixa do que eu, tinha cabelos curtos mais negros que eu já havia visto, possuía brilhantes olhos castanhos, com um nariz afilado e feições delicadas.
Havia também o Igor Levithan da Corvinal, um rapaz alto e moreno que não poderia ser muito mais velho do que eu, dezessete ou possivelmente dezoito anos. Ele tinha cabelos castanhos arrumados e olhos de um verde-escuro, era magro, alto e cheio de sardas no rosto.
—Hermione Granger, Grifinória. —Eu disse, automaticamente, quando alguém mexeu no meu braço.
—Todos sabem. —Myers falou como se fosse óbvio.
—Draco Malfoy, Sonserina. —Ele falou lentamente, um pouco irritado com toda aquela socialização.
Depois disso ele se calou, não pude deixar de me comparar a ele, já que fiquei quieta escutando e acenando enquanto os outros dois definiam os detalhes e as responsabilidades de cada.
—Então, vocês também notaram sobre a nossa senha? —Eu disse algo finalmente, não querendo dar a impressão de ser arrogante.
—Não, havia algo? —Igor perguntou surpreso.
—É uma citação de uma poeta trouxa chamado Alexander Pope, “A esperança brota eternamente”. —Expliquei.
—Parece que as pessoas estão se adaptando mais com ideia de não menosprezar os trouxas. —Igor disse o que entendeu.
—Não é nem uma surpresa já que os que tinham essa ideia absurda de superioridade estão confinados em Askaban. —Pude sentir o Malfoy se mexendo no seu lugar desconfortavelmente.
—Bem, eu não acho que tava assim tão crítico antes, nunca vi nada alarmante em relação a isso. —Myers comentou
Eu a encarei, meu olhar fixo passou por ela com facilidade e eu pude ler aquela expressão como um livro, o incômodo por estar em meu holofote a agitou, vi sua garganta se movimentar para cima e descer, então seus olhos castanhos tentaram manter contato com os meus, mas falharam.
—O que você é? —Questionei.
—Como assim?
—Mestiça?
—Não, eu…
—Sangue ruim? —Eu odiava aquelas palavras.
—Claro que não, mas…
—Imaginei. —Interrompi de novo. —Me responda então, tortura deixa a situação de antes alarmante para você?
Eu trouxe a tona a cena que as vezes perturbava minha mente e mexi inconscientemente a manga do meu braço
—Desculpe, e-eu não sabia.
—Claro que não, é por isso que deve se atentar ao que diz, senão talvez encare mais coisa que “não sabe” no futuro.
—Sim, sim, claro, perdão.
—Ao menos agora os nascidos trouxas não precisam se preocupar tanto com discriminações, eles tem esperança de que isso pare definitivamente e que as pessoas os aceitem como bruxos merecedores da magia. —O rapaz falou com um sorriso hesitante nos lábios, como se não tivesse certeza se deveriam falar depois dos comentários anteriores.
—“Você chama de esperança aquele fogo do fogo! Não é nada além de agonia do desejo.” —Citei, tentando normalizar o ambiente.
—E quem é esse agora? —Levithan perguntou.
—Edgar Allan Poe, outro ótimo poeta trouxa, fazia maravilhas com um pedaço de pergaminho e uma pena.
O silêncio retornou, mais abrasador que o da última vez.
—Então, qual é a sua, Granger? —Levithan perguntou e eu fiquei, momentaneamente, surpresa de que o foco da conversa era… eu.
—Desculpe?
—Você poderia estar em qualquer lugar do mundo, fazendo qualquer coisa que gostaria de fazer, trabalhando no setor de Aurores ou que seja lá o que, mas por que diabos você voltou para Hogwarts? —A garota tornou a falar.
—Eu… —Hesitei. —Não é nada demais, Hogwarts não é só uma escola, é meu lar. Creio que muitos nesse castelo pensem da mesma forma. Eu nunca hesitaria em aceitar uma proposta de estudos, e eles não trabalhariam como Aurores sem mim, apesar de já termos nossas vagas reservadas.
Eles perceberam de quem eu falava.
—O Trio de Ouro é realmente inseparável pelo visto. —Myers comentou.
—Somos amigos, melhores amigos.
—Eu ouvi muitas histórias sobre isso, as que sempre correm pelos corredores, mas eu cheguei no colégio lá pelo quinto ano, não sei muito bem da história, e eu não leio muito o Pasquim. —Ela parecia ansiosa, tentando reverter a imagem que estava em construção sobre ela.
—Começamos nossas aventuras juntos em nosso primeiro ano aqui em Hogwarts, quando Voldemort estava matando unicórnios e bebendo o sangue deles pra se manter estável, se fortalecer.
—Eu já estudava em Hogwarts, ouvi as histórias. —Informou Igor.
—Ele estava fraco, e queria a pedra filosofal para fazer o elixir, nós apenas o impedimos.
—E eu impedi meu gato Buff de comer uma coxa de peru no natal e morrer engasgado com o osso, esse foi meu ato mais corajoso. —Myers comentou e o alívio cômico finalmente veio, Levithan riu e logo ela se juntou.
A estranheza daquele comentário me pegou, e eu o analisei enquanto eles pareciam ocupados em trocar sorrisos entre si, aquilo só me deixava uma opção restando e eu logo a expus me forçando a deixar meu tom de voz neutro, como se fosse um tema banal.
—Mas… o quê? Vocês não ajudaram na guerra, não lutaram contra os aliados de Voldemort? —Perguntei.
Ela me olhou assustada e eu soube que tinha falhado em tentar camuflar o que quer que eu estivesse sentindo, porque eu ainda não tinha certeza.
—Eu queria lutar, queria ajudar, mas… —Sophie tentava responder.
—Eu lutei. —Igor disse levantando sua mão. —Eu ajudei algumas pessoas que se feriram, levei elas para esconderijo onde não seriam atacadas. —Ele falou, como se esperasse minha aprovação.
—Está tarde. —Comentei já me levantando. —Terminaremos a conversa sobre o monitoramento amanhã.
E subi os degraus da escada, me dirigindo a esquerda e procurando a porta do meu quarto e entrando na que tinha meu nome gravado.
O quarto era bem amplo, havia uma enorme casa dossel e dois criados-mudos em cada lado, tinha uma grande janela na parede direita do quarto de onde eu podia ver a Floresta Proibida, um pequeno armário e um closet. As cores do quarto eram neutras e bem monótonas e me fizeram sentir que eu estava em um quarto de hóspedes e não no meu próprio quarto.
Eu sabia que deveria ficar aliviada que ela não teve de suportar a pressão e agonia em entrar de frente numa guerra, que, pelo menos, uma pessoa entre nós pôde se polpar da aflição de ouvir os corpos batendo no chão sem vida, das lamurias de dor de pessoas atingidas por feitiços, dos gritos de desespero daqueles que viram alguém estimado morrer.
Talvez fosse inveja o que eu sentia, por ela ter tido uma oportunidade que para mim não era alcançável, ou então era indignação por seus atos dizerem que o sofrimento dos outros valiam menos que sua segurança.
Eu apenas me deitei na cama, sem tirar as roupas que eu estava, nem ir ao banheiro. Eu estava cansada, e com minha mente sobrecarregada. Sorri com a ideia de que amanhã eu voltaria a estudar, e fazer algo que eu era realmente boa, algo normal. Fechei os olhos e permiti que todo o torpor me engolisse e me levasse ao mundo da dormência e calmaria.
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