Darkness
3 Não se vá
Notas iniciais

''Eu não viveria em um mundo, que não existisse você.''
Acordei ás 6:00. Emmett e Rosalie estavam preparando o café da manhã para mim, obviamente. Levantei-me e banhei meu rosto com água, logo depois, calcei minhas pantufas e desci as escadas.
– O cheiro está indo em meu quarto. – sorri.
– Preparamos pra você. – Rosalie riu.
– Obrigada, mas não precisava. Mesmo assim, estou com muita fome.
– Que bom. – Emmett riu.
Então ele desligou o fogo que aquecia a panela. Fiquei curiosa ao saber o que eles estavam preparando. Apesar de anos de existência, meus familiares não tinham dons de culinária. Isso é óbvio. Pra ter ideia, eles estrearam a cozinha, quando minha mãe os visitou, quando meu pai a convidou em nossa casa. Eu acho engraçado isso. As expectativas de minha mãe era entrar em uma casa cheia de morcegos, caixões e lugares onde armazenavam sangue, mas na verdade, não era. Tia Rosalie serviu-me. Confessarei que o cheiro estava apetitoso, a comida também. Eles fizeram panquecas com calda de caramelo. Em minha tamanha fome, comi.
Jasper entrou pela cozinha.
– Olha só, a nova colecionadora de chapéus de formatura! – ele riu.
– Jasper! – Tia Alice, exclamou. – Não ligue, Rene. Eu vou te levar a escola. Assim, terei uma nostalgia. – ela riu.
– Tudo bem. Eu vou me trocar. Tia Rosalie, Emmett... Obrigada pelo café. – sai da cozinha.
Em uma vez de muito tempo, vi minha família reunida, mesmo por alguns instantes eu a vi feliz. Mesmo no café da manhã! Olhei ao relógio e já era 6:30. Eu estava atrasada e combinei que encontraria Jane ás 7:00, na escola. Graças a minha habilidade de velocidade, eu estava pronta daqui a cinco minutos. Peguei minha mochila e rapidamente, chamei Alice. Ela iria me esperar lá fora, então pedi a ela mais alguns minutos para me despedir de minha mãe. Jasper me havia dito que meu pai e minha mãe haviam saído, para visitar minha avó na Flórida. Apesar de tudo, eu nunca havia visto ela e se um dia, ela me tocou não me lembro. Eu queria vê-la, poder saber o quanto ela era importante na vida de minha mãe, ou se ela estava bem.
Sai de casa e entrei no carro com Alice. No caminho, ela teve uma visão, que estava sendo em um colégio, provavelmente, o meu. Ela me contou que havia visto um Volturi, jovem, se aproximando de mim, tendo um gesto carinhoso comigo, talvez, um abraço.
– Alec estará lá. – sorri.
– O conhece? – Alice questionou.
– Ele cumpriu.
– O que? Quem? Renesmee, você o conhece?
– Ah, desculpe-me. Sim, eu o conheço.
– Cuidado. – Tia Alice balançou a cabeça, com o propósito de dizer que aquilo era errado.
– Eu estarei bem. Alec é gentil. – sorri.
– Está apaixonada? Se seu pai souber disso... – a interrompi.
– Ninguém precisa saber. Além do mais, não há nada pra saber.
Chegamos a escola e lá estava Jane. Olhei no relógio e já era exatamente 7:00. Coloquei minha mochila em minha costa e agradeci Alice por me levar até a escola. Desci do carro e abracei Jane.
– Onde está o Alec? – sorri de lado.
– Eu n... – Jane foi interrompida.
– Alguém falou de mim? – Alec exclamou, levando um sorriso no rosto.
– Não brinca! Alec! – o abracei. – Oi.
– Oi, Rene. Oi, Jane. – ele retribuiu o abraço e revirou os olhos, quando soou o nome de Jane.
– Alec, o que está fazendo na escola? Era pra estar dando guarda a Aro.
– Que se dane ele. Sou da aula de... História! Amo história. Vamos?
– Jane, vem com a gente? – sorri.
– Não. Tenho aula de biologia agora. A gente se encontra no intervalo.
– Tá. – eu e Alec saímos dali.
Caminhamos até o corredor.
– Eu não suporto mais ficar dentro daquele castelo. As paredes frias e é tudo escuro. Eu prefiro acabar com a vida medíocre de alguns recém-criados, mas por enquanto nada. Não há nada pra fazer lá dentro. Jane era mais divertida quando era má. Lembro-me até hoje quando ela quase acabou com a vida de seu pai com aquele talento dela. Agora, ela anda com você e se tornou bondosa e protetora.
– Talvez ela mudou.
– Não. Isso é passageiro.
– Está me culpando?
– Não, claro que não. Mas você não vai mudar a Jane.
– Estamos atrasados. Vamos. – finalizei o assunto, adentrando na sala de história.
Eu não suportava ouvir alguém falar sobre a Jane. Ela nunca foi assim. Ela sempre foi a garota inofensiva, que se acabou entregando a maldição, graças a Aro. Ela sempre foi generosa, eu sei. Ela se tornou minha amiga por um motivo. Ela gosta de minha parte humana e se conforma com ela. Não sei o que eu faria se um dia, eu a perderia. Infelizmente, eu precisava começar meu ano bem. Eu já estava com dezessete anos e basicamente, eu teria aquela idade daqui, pra sempre. Dai eu começaria a mudar de cidade e aí por diante. Por isso, tenho medo de um dia, perder a todos que conquisto em Forks. Então, como diz Jasper, eu preciso merecer meu chapéu para continuar a coleção de chapéus de formatura na parede. Já disse que eu admiro esta arte? Acho que sim. Jane acha isso ridículo, mas é tradição. Tradições são respeitosas.
Estávamos falando de 1864. Aquela guerra silenciosa, ou não de bruxas e vampiros. Alec conhecia a história. Ele tinha todas as respostas na ponta da língua. Mas ele tem razão. Ter quase 1215 anos de existência, já era um bom motivo de saber de todas as guerras já realizadas nesse extenso mundo de cor e salteado. Eu fiquei o observando o tempo todo. Pela ousadia de responder as perguntas e a falsidade de fingir que estava sendo aplicado de alguma coisa. Aquilo era um fascínio a mim. Alec me consumia e levava com ele toda a minha dor, que um dia já existiu em mim. Todas as emoções negativas eram preenchidas com um só instante. Alec era importante e por um segundo, achei que eu havia presenciado um amor à primeira vista. Acredito que isso não é coisa de adolescente cheia de hormônios. Isso não é coisa hormonal e nem coisa de adolescente cheio de espinhas no rosto. Isso é humano e eu sinto.
Bateu o sinal. Arrumei minhas coisas. Coloquei a mochila nas costas e fui até o armário.
– Prestou atenção na aula. Eu vi. – Alec sorriu, disfarçadamente.
– Não. Eu não prestei. – sorri e levei meus cabelos, atrás de minha orelha.
– Está envergonhada? – Alec parou em minha frente, me fitando.
– O que? Não. Eu... Eu só estou preocupada com o trabalho de biologia. É.
– Mas as aulas começaram hoje, Renesmee. – ele sorriu.
– Isso. Mas eu estou com medo dos trabalhos de biologia. Eu sou péssima.
– Tá, tudo bem. Eu vou à secretaria ver qual a próxima aula, tá?
– Estarei no armário com Jane. – despedi-me e sai de lá.
Será que Alec havia percebido? Pela primeira vez, eu estava com medo de algo e não era biologia. Andei até Jane. Ela estava com os olhos vidrados em mim, certamente estaria ouvindo nossa conversa, mas ela não me intimidava. Ela estava zangada.
– O que houve lá?
– O que? Eu só estava falando com Alec. – sorri.
– Você está... Você sabe, com meu irmão?
– Não. Não, Jane. Claro que não. Nunca. Jamais, eu juro.
– Calma, tudo bem. – ela riu. – Ficou confusa de repente. Você está estranha.
– Não. Eu estou bem.
– Rene, eu te conheço.
– Conhece bem pra saber que não está havendo nada. Agora, vamos pra aula.
Fomos para a aula, assim que dei a sugestão de irmos. Jane me olhava, discretamente. Ela sabia o que estava havendo e sem dúvidas, quando eu chegasse em casa, eu esperaria uma visão de Tia Alice. Todos de minha família saberiam do que a visão poderia dizer e assim, falariam que Alec seria um mal. Um mal a ser evitado, pelo simples fato de um dia, o clã de Alec, sendo inimigo, destruiu nossa família. Não quero me afastar de Alec. Não vou deixa-lo por uma discussão que aconteceu, não por escolha dele. Ele me leva a paz, mesmo se eu estiver apaixonada ou não. Eu o quero por perto. Eu quero que me faça bem.
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