Darkness
1 Me toque...
Notas iniciais

“Lindo é quando dois olhares se cruzam e dois sorrisos aparecem.” — Autor desconhecido.
Completei dezessete anos, semana passada. Até agora, só recebo felicitações de pessoas que nunca vi em minha vida, pessoas desconhecidas, que me abraçam e questionam coisas sobre mim. Um dia desses, me perguntaram se eu me alimentava bem, na minha linguagem, eles estavam questionando se eu era maníaca por sangue humano, ou se eu era vegetariana. Isso era tedioso. Sem dúvidas, deveriam ser pessoas que mamãe e papai conheciam. Era aniversário de casamento dos meus pais. Haveria uma festa em nossa casa. Naquele dia, estava chovendo e eu adoro chuva. Eu estava em meu quarto, vendo pela janela, o vento levar as gotas de água para uma direção, eu ouvia também cada gota escorrer pela telha e certamente, aquilo era tranquilizador.
Eu sempre me entediava com as festas que acontecia em minha casa. Era sempre a mesma coisa. Músicas clássicas, trajes finos e comidas finas, que mamãe diz que são quitutes chiques, mas na verdade, são comidas pra lá de bizarras! Eca. Não tinha animo. Apesar de toda a minha família ter ‘’18 anos’’, eles se comportavam como pessoas chatas, um exemplo, políticos importantes da alta sociedade. Minha família só ficou rica, graças a Tia Alice, que sempre previa a bolça de valores. Bem, a minha família era estranha. Ter um parente, metade vampira e metade humana, era complicado. Aquele papo de adaptação com sangue e essas coisas. Eu não me identifico mais com a minha família, desde que Carlisle e Esme viajaram, meus avós. Eu tentava ser uma adolescente normal, mas era aquela coisa, saber que você está em uma família que sofre por perdas, pois tem os sentimentos aumentados, que precisa se controlar por causa da alimentação, que nunca dorme, tem superpoderes? É claro que você se torna estranha pra todos em sua volta, principalmente no colégio.
Eu só tinha Jane como amiga, já que todos me consideravam uma estranha. O problema é que preciso colocar na cabeça da Jane, que ela não precisa acabar com um colega de classe, sempre que me chamam de estranha. Em falar nela, eu ouvi a campainha bater. Rosalie me gritou, avisando quem era. Levantei-me da cama, desci as escadas rapidamente e abri a porta. Agradeci Tia Rosalie por ter me avisado. Quando percebi que era Jane, logo a abracei.
– Vadia! Que saudades. – ela sorriu, me abraçando.
– Ei, olha do que você me chama! – ri. – Eu também estou com saudades. – retribui o abraço. – Entra.
– Obrigada. – ela me soltou, assim entrando na casa.
– Aceita uma água? – perguntei.
– Rene! – ela riu. – Essa foi muito sem graça. – então, Jane fechou a cara.
– É, eu sei, desculpa! – ri. – Hoje vai ter uma festa entediante. Festa de casamento.
– E nem me convidou?
– Te garanto que não vai querer vir.
– Quer sair hoje? Podemos ir ao porto. Lá tem uns amigos meus.
– Eu não sei! É aniversário de casamento dos meus pais e... – fui interrompida.
– Pode ir, Renesmee. – mamãe descia as escadas, sorrindo para mim.
– Sério, mamãe? – virei-me para ela. Ela balançou a cabeça afirmando. Logo me teletransportei para perto dela. Assim, a abracei. – Vamos, Jane!
– Vamos! Tchau, Sra. Cullen. – Jane acenou.
Logo peguei meu casaco e fomos para o porto. Jane já havia me dito antes, que lá era simpático. Lá era onde ela se sentia bem, então, eu também me sentia bem! Jane cuidou de mim, desde criança. Ela sempre me conta sobre o que eu fazia a ela. Eu transmitia paz a ela, assim criamos um grande laço, porém um segredo proibido. Ninguém poderia saber que uma metade vampira, metade humana, falava com uma das guardas do clã Volturi. Era um crime. Se qualquer desconhecido denunciava-me, eu sofreria as graves consequências. Enfim, deixaria um fato estragar minha noite? Claramente, não.
Chegamos ao porto e lá havia algumas pessoas, claro, vampiros, tocando em uma pequena fogueira.
– Fazem isso sempre?
– Sim. – Jane sorriu. – Vamos.
Caminhamos até lá. Jane cumprimentou todos e eu, também. As pessoas se chocavam e ficavam perguntando uma as outras, como a amiga da Jane era uma humana, eles desconfiaram pela temperatura de minha pele. Eles eram gelados e eu quente, então quando nossas peles entravam em contato, eles se assustavam. Jane explicou, dai ficaram ainda mais curiosos ao saber como aquilo aconteceu. Sentamos á fogueira e contei minha história. Identifiquei-me com eles. Cada vez, que eles descobriam sobre mim, ficavam assustados com a pessoa que eu me tornei e sim, eu também ficava assim. Eu iria voltar naquele lugar sempre. No meio do bate-papo, Jane saiu. Ela se sentou com um estranho, no banco. Segui-a, para saber se estava tudo bem.
– Jane? – perguntei.
– Sim, Rene? – ela se virou para mim.
– Por que não está lá com a gente?
– Não está vendo que ela está me dando uma bronca? – o estranho retrucou.
– Alec! Ei, ela é minha amiga. Pare de ser assim, cara. Você é estupido. – Jane gritou.
– Jane, eu atrapalhei?
– Não, Rene. Eu vou voltar para a fogueira, tudo bem? Você vem?
– Eu irei. – sorri.
Ela caminhou até os outros e fiquei ali, para saber mais sobre o estranho.
– Enfim, o que estava lendo? – fitei o livro, tentando saber o título.
– Tudo O Que Eu Preciso. Por quê? – ele me fitou. Percebi que os olhos eram vermelho sangue, no olhar dele existia raiva, muita raiva. Algo havia acontecido com ele. A pele era pálida, mesmo para um vampiro. Seus cabelos eram mel. Estava usando uma jaqueta preta.
– Jura? Eu já li várias vezes. Eu gosto. – sorri de lado.
– Legal. Então, é amiga da Jane?
– Sim e você?
– Irmão. Infelizmente. – ele soltou uma risada.
– Ela é legal. – sorri.
– Seu nome?
– Renesmee. Renesmee Cullen.
– Cullen? Você é um deles? – ele me fitou, apavorado.
– Você é dos Volturi, não é? Ah, claro. Eu vou voltar. – levantei-me, direcionando o olhar para os outros, da fogueira. Logo, Alec pegou em meu braço, mas soltou o mesmo, rapidamente. Ele deveria ter sentido o calor de meu corpo, por isso soltou-me. Virei-me para ver a reação do mesmo.
– Você é quente e é uma vampira? Que tipo de monstro você é? – ele questionou.
– Metade vampira e metade humana. Minha mãe me deu a luz, ainda humana, com um vampiro.
– Isso é impossível. – ele se levantou.
– Não. Não é.
– Toque-me. – ele pegou minha mão, colocando a contra o seu coração.
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