Darker Days

9 Capítulo 9 - Lobo em pele de cordeiro


Notas iniciais
Gente, o finalzinho do último capítulo foi editado... Eu percebi que no lugar de Henrik, eu coloquei Finn, me desculpem!!E obrigado por terem comentado, e outras pessoas terem falado comigo a respeito, pelo twitter! Fico muito agradecido!! Novo capítulo aqui, espero que gostem!! E por favor, não esqueçam de comentar... :)))

Sentada no tronco de uma árvore caída, Rebekah colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha.

— Klaus, Henrik… Vocês estão completamente loucos! — ela não conseguia conter o pânico — Mamãe nos disse que não podemos ir até o lado Oeste do vilarejo.

— Você é muita medrosa, irmãzinha. — Klaus sorriu e uma linha fina e tênue de dois lábios rosados se inclinava para o lado, em ironia.

Rebekah arfou e se levantou.

— Vocês não podem fazer isso! — sua voz tremia — É muito arriscado… E papai não ia gostar nada.

— É justamente por isso que estamos o fazendo. — Klaus disse de imediato. Mas, antes que Rebekah tivesse um surto de desespero, ele deu uma gargalhada seca e sem humor. — É brincadeira. Não estamos querendo desafiar nosso pai. Estamos apenas com curiosidade. Queremos ver a transformação dos lobisomens.

— Tem que ser os do Lado Oeste?

— Mais adrenalina.

Rebekah ergueu uma sobrancelha, em uma tentativa falha de esconder sua raiva. Por que eles não queriam escutá-la? Por que Klaus não a escutava? Ela encarou Henrik nos olhos, como se pudesse vê-lo a alma. Então, uma súbita ideia passou ligeiramente em sua mente, clareando-a.

Ela segurou a barra do vestido musgo, levantando-a, e caminhou até Henrik, que estava a dois passos atrás de Klaus. E o fitou, ainda mais profundamente, como se estivesse atravessando um túnel, ansiando pela luz.

Ela percebeu que seus lábios estavam secos, e antes de falar passou a língua sobre eles para umedecê-los.

— Você não precisa fazer isso Henrik. Não porque nosso irmão quer que você faça. Mas você já é jovem, e tem uma escolha. Não vou te impedir de escolher, mas saiba que toda ação tem uma reação. Não tenha medo do Klaus.

— Oh, Rebekah… — Klaus passou o braço em volta de Henrik e o puxou para si, num abraço apertado. Ela teve uma leve impressão de que o abraço significava “Se você não for comigo, as consequências serão horríveis”.

— Klaus, eu sei muito bem o que você está fazendo… — e no rosto de Klaus ela viu o sorriso de um anjo; iluminado e ingênuo. Como pode? O próprio lobo em pele de cordeiro. Depois se voltou para Henrik, que parecia apreensivo. Por que ele tinha tanto medo de Klaus? — Você quer desafiar papai e mamãe por causa de uma travessura idiota?

— Desafiar nossos pais? — Elijah disse atrás dela, mas ela não virou para olha-lo. No fundo, ela esperava que mais alguém pudesse convencê-los a não ir ao lugar proibido. Elijah seria a pessoa certa, todo certinho e obediente; o oposto de Niklaus…

— Sim, Elijah. Eles querem ir ao lado proibido.

— O quê? — a voz de Elijah era suave e fria. Se Rebekah bem se lembrava, nunca havia visto Elijah desesperado ou nervoso. Sua voz sempre era no mesmo tom para todas as situações — lenta, suave, gélida e metálica —, sem demonstrar qualquer sentimento.

— Isso mesmo — tentou imitá-lo, tentou não demonstrar sua preocupação, mais uma vez. Mas como evitar o inevitável? Ela amava sua família mais que tudo. Era tudo o que ela tinha, é o que a fazia bem. — Eles querem ir até ao lado Oeste quando anoitecer, para ver a transformação dos lobisomens.

Elijah se prostrou na frente de Klaus. As mãos nas costas, o queixo erguido e a coluna ereta. Parecia uma pessoa de extrema ordem. Parecia o chefe da família.

— Já não acha que basta, Niklaus? Dessa vez suas travessuras chegaram longe demais.

Rebekah percebeu que Klaus tentava controlar a respiração. Elijah era como o segundo Mikael. Conseguia impor ordem e regras como ninguém. Seu tom de voz, vazio e calmo, era ainda mais aterrorizante.

Klaus pigarreou e sorriu nervoso. Rebekah quase podia sentir suas mãos suando frio, e o calafrio súbito percorrendo sua espinha.

— Estamos apenas curiosos. Por que vocês cismam em colocar todo o mundo em cima de mim? — ele passou os olhos rapidamente na irmã — É como se eu estivesse controlando Henrik, como se estivesse…

— Manipulando-o. — completou Elijah; a voz como um chicote. Logo depois de um momento em silêncio, olhou para Henrik. — Você quer mesmo ir Henrik?

Henrik assentiu com a cabeça.

— Quero sim.

— Pois então, vá.

— O quê? — Rebekah quase gritou. — Como assim? Elijah, eles não podem nem devem ir a lugar algum!

— Não somos papai e mamãe, Rebekah. Todos nós estamos bem crescidos, já sabemos o que queremos e o que não queremos fazer. Precisamos fazer nossas escolhas, cientes de que nossas ações têm várias reações. Não posso impedi-los de fazer uma escolha. Eles têm vontade própria.

— E então, quando chegou o pôr do sol… — Klaus respirou fundo e fez uma pausa. Pelo seu rosto anuviado, eu sabia que o desastre estava próximo. — Eu e Henrik seguimos pela floresta. Era um caminho longe, a trilha era extensa, até chegar ao lado Oeste. Quando chegamos, ficamos escondidos na mata, na espreita.

— Vai ser incrível — Klaus sussurrou, empolgado. Mas, Henrik não correspondia do mesmo sentimento. Seu rosto estava pálido e era óbvio que ele estava com medo do que estava por vir. — Ei, Henrik, não fique com medo, vai ser divertido, e nada vai acontecer. Nossos pais jamais saberão.

— Quando a lua chegou ao seu ápice, no meio do céu, as transformações estavam começando. Não sabíamos que ia ser tão assustador. Os ossos quebrando, os berros… Não esperávamos ficar com tanto medo, não tínhamos noção do quanto perigoso era… Erámos tão meninos!

Os olhos dele estavam tristes. Eu podia ver a dor envolvendo-o, enquanto ele relembrava as memórias ruins.

Passo os braços em volta de mim mesma, comovida.

— Eles sentiram nosso cheiro. Eu consegui correr, mas eles conseguiram pegar Henrik. Quando estava amanhecendo, eu voltei lá e meu irmão estava… esticado no chão; sem pulsação.

Seus olhos estão cheios de lágrimas, que ele cisma em não deixar escorrerem. Por que Klaus está fingindo ser tão forte? Perder um irmão é doloroso, é como se estivéssemos perdendo uma parte de nós mesmos. Uma fisgada no meu estômago me lembra da morte de Jeremy, e tento apagar o pensamento no mesmo momento.

— Mas quando virei um vampiro fiz questão de eu mesmo fazê-los uma visita. Eu fui até lá e arranquei o coração de todos que estavam lá. Um de cada vez. E no braço de cada um, com meus dentes, eu fiz esse símbolo — ele apontou para o papel aberto sobre a mesa — Que julguei ser a marca deles desde então.

— Vocês não disseram que eles são tão perigosos? — indagou Lucy, quebrando o clima de lembrança-amarga-e-comoção. — Por que eles não usaram algum feitiço contra vocês?

— Os poderes deles são ligados a um potencial. No caso, às luas. Eles só podem usar magia à noite. — respondeu Rebekah, a voz afiada. — Klaus matou a quase todos. Os remanescentes, desde então vêm vagando pelo mundo, bem distante de nós. Achamos que para manter sua linhagem protegida. Por isso os chamamos de Peregrinos.

— Mas eles são criaturas sobrenaturais. São lobisomens. — digo com uma voz fraca. — Não podem praticar magia negra.

— Carl era vampira… — Damon diz calmamente, lembrando-me de Carl e seus feitiços loucos e obsessivos que se ligavam ao amor que tinha por meu namorado. — Mas de alguma forma ela manteve os poderes.

— Não sabemos como isso acontece. — respondeu Elijah, friamente.

— Impossível — a voz perplexa da loira Original se sobressai — Qualquer ser sobrenatural depois dos Peregrinos não podia usar magia… Magia é curso da natureza, e a natureza sempre tenta manter o equilíbrio!

— Parece que isso é lenda e que saberemos mais sobre isso em breve — diz Stefan, de braços cruzados e com seu nariz reto em pé.

— Deixando esse assunto em segundo lugar, vamos ao que nos interessa. — Elijah caminha até a mesa e passa os dedos no papel, sobre os riscos vermelhos. Seus dedos fazem um ruído de uma tesoura cortando um tecido. O papel é amarelado e áspero. — Eles aderiram mesmo ao símbolo, Niklaus.

— Onde encontrou esse… pergaminho? — a voz de Klaus é bruta. A de um verdadeiro vampiro Original híbrido.

— Depois de tanto viajar pelo mundo, parei em Nova York atrás do mal que estava atrás de nós. Depois de tantas falhas, fui bem sucedido e encontrei esse sinal…

— Como acha que eles estão a caminho de Mystic Falls? — Klaus é direto e afiado, fazendo pouco caso da história que borda o centro da conversa.

— Não só para se vingarem de você Klaus… Deixe-me terminar. Como estava dizendo… De Nova York eles se mudaram para algum outro lugar que consigo imaginar qual. Pense bem Niklaus, eles fugiram de Mystic Falls, percorreram o mundo e agora estão próximos novamente…

— De Mystic Falls saíram — Rebekah balbucia com os olhos pálidos.

— Para Mystic Falls voltarão. — Klaus termina, acidamente. — E precisam de um motivo…

— E se não tentaram vingança depois de tantos anos… — a voz mecânica de Elijah.

— Voltariam por um motivo ainda mais forte. — completa Rebekah.

Seus rostos se iluminam instantaneamente.

— Meu bebê. — Olho para a porta e Hayley está olhando para Klaus, com a mão na barriga.

— Ei… — a voz de Damon na minha orelha me arranca de uma abstração. Estou mais bem recuperada, na janela do quarto dele, com a cabeça encostada na parede. É noite, mas não tenho noção das horas. — Está bem absorta.

Ele passa os braços na minha barriga e me abraça. Sinto seu coração bater nas minhas costas, bem lentamente.

— Estou pensando.

— Não pense demais. — ele tenta me convencer, mas eu sei que ele também está preocupado com tudo o que está acontecendo.

Ficamos em silêncio, apenas sentindo a brisa da noite. Ele não insiste em querer saber o que estou pensando, ou ainda, não insiste em querer me fazer parar de pensar no que estou pensando. Acaricio o nó de seus dedos e aperto seus pulsos. Ele faz eu me sentir tão protegida.

— Jeremy pode estar aí em qualquer lugar. — venço a bile na minha garganta. Não consigo olha-lo, mas sei que ele está me fitando, preocupado.

— Vamos encontra-lo. — sua voz é calma e baixa. Tento me convencer de que ainda há esperanças, mas meu inconsciente diz que as coisas não estão muito boas.

— Eu sou uma péssima irmã. — fixo meu olhar numa estrela, mas não estou olhando pra ela. — Em todo esse tempo eu não saí para procura-lo.

— Porque você confiou em mim para encontra-lo. E eu falhei. Você não deve se culpar, deve me culpar. Não tenho sido o melhor dos namorados.

Viro-me para olhá-lo, e suas feições são tristes. Coloco seu rosto em minhas mãos, guiando seus olhos abatidos para os meus.

— Você sempre faz o melhor para me manter segura. Não se autodeprecie. Você fez o melhor que pode.

— Não, eu poderia ter…

— Shhh — digo nos lábios dele acariciando-o as bochechas — Tinha que ser assim. Você deu o melhor para me dar o melhor. E eu sou grata por isso.

— Eu sempre vou querer te dar o mundo, todos os dias.

— Mas eu já o tenho. Você é o meu mundo, Damon. O mundo ao qual eu pertenço, o qual eu nasci para pertencer.

Ele segura minha nuca, e inclinando minha cabeça para baixo, ele me dá um selinho cálido na testa.

— Eu te amo, Elena.

Abraço-o forte.

— Amanhã sairemos juntos para procurar por Jeremy. E mesmo com os Peregrinos por aí, e com todo o resto completamente esquisito e desconexo… Meu irmão é a coisa mais importante.

Damon concorda com a cabeça e me vira para a janela, onde encontro a lua minguante novamente, cercada por constelações. Seus braços entrelaçam minha cintura mais uma vez e ele beija o topo da minha cabeça.

— Amanhã, amor.

É bem cedo. O sol ainda nem está no meio do céu, mas ela já está em alerta.

Lucy desacelera o carro, e lentamente o encosta, no canto do que parece ser uma trilha. Ela olha através do vidro, e sua expressão é de impaciência. Parece apreensiva. Seus olhos não piscam e os lábios estão emoldurados num biquinho.

O que ela faz nesse lugar novamente? A última vez que ela tinha estado ali foi no dia em que ela paralisou Silas e o enterrou. No mesmo dia em que Elena foi capturada. Mas o que diabos ela estaria fazendo ali novamente?

Descendo do carro com suas botas pretas de salto fino, jeans e jaqueta de couro, ela caminha ao que parecia ser a sala de estar da antiga cabana. Não há mais nada de intrigante lá, apenas um espaço de terra cercado por madeira, vidro e outras coisas que havia na casa.

O que ela está procurando?

Ela se abaixa e crava as mãos no chão. Sim, foi ali que Silas foi sucumbido pelas raízes de árvores, onde ele havia paralisado, onde havia sido derrotado... Mas ali está Lucy, com os dedos cavando a terra com ferocidade.

Até que sua mão bate em algo. Já havia cavado o suficiente. Então, ela puxa o corpo... Lá está Silas — cinza, com os olhos esbugalhados, e as raízes ainda enroladas sobre si.

O que ela está fazendo? Por que está fazendo isso?

Ela o arrasta para fora, até os pés saírem completamente do buraco. Pronto, ele está completamente do lado de fora. Com as mãos, ela retira o excesso de terra do corpo e o encara nos olhos profundamente.

— Inata querium salabuc. Inata querium salabuc… — e ela repete as palavras, várias vezes, até que… Até que um dedo de Silas parece se mexer. E depois outro dedo, e outro e outro. Quanto tempo ela levou trazendo-o de volta? Por que está fazendo isso? Ela faz parte da turma dos heróis…

— Bem-vindo de volta Silas. Cumpri minha parte no acordo. Agora é a sua vez.

E no pulso de Lucy, agora nu, por causa da manga da jaqueta que ela havia dobrado até o ombro, havia uma marca rosada exposta: Duas luas minguantes entrelaçadas com uma adaga no meio, fincada de pé.