Darker Days

10 Capítulo 10 - Fitas entrelaçadas


Notas iniciais
Desculpem a demora, mas é que eu entrei em semana de provas e tals. Tentarei postar novos capítulos a cada semana como disse!! Espero que gostem desse capítulo, por favor comentem o que estão achando, o que gostam e o que não gostam! Sugestões também são aceitas! Só assim poderei continuar a fic.

Mexo os dedos e sinto a terra sob meu corpo.

Abro os olhos, com dificuldade, e um vasto clarão provoca pontadas na minha cabeça. O céu está pálido e muito distante. Estou na floresta, mas nunca a vi mais estranha e escura.

Não lembro como vim parar aqui. Sinto-me deslocada caminhando de um lado para outro, gritando, esperando alguém me ouvir. Minha voz ecoa.

Estou sozinha. Esquecida.

— Alô? Alguém? — mas não há qualquer ruído. É como nos filmes de terror. Minha voz atravessa a paisagem intacta. — Alô? Alguém aqui?

— Elena.

Viro-me incrédula e meu coração para de bater por um momento por causa da imagem que enche meus olhos.

— Bonnie.

Meus braços coçam, quero abraça-la. Meu coração está acelerando, batendo a mil por hora. Há tanto tempo que não a vejo! Sinto as lágrimas formigarem meus cílios.

— Bonnie, o que estamos fazendo aqui, cadê todo mundo? — me aproximo sorrindo.

— Isso não é real, Elena. Você precisa acordar.

— Como? — dou uma gargalhada baixa.

Ela se aproxima de mim e aperta meus braços. De mais perto percebo como seus olhos estão assombrados.

— Algo está muito errado. Alguém está mexendo com os dois mundos. Você precisa acordar antes que seja tarde!

— O quê? Do que está falando? — zombo. — Você está aqui, eu consigo vê-la, nada de ruim está acontecendo.

— Acorde Elena. — ela aperta meus braços, novamente, forte. Bonnie pare, está me machucando. Bonnie, por favor… — Isso não é real!

De repente, uma forte ventania começa. Os pinheiros estão sendo arrancados do chão. Parece que o mundo está acabando.

— O que está acontecendo? — grito.

Bonnie segura em minhas mãos e as aperta. Algo está puxando seus pés. Por que eu pareço intacta? Apesar do mundo a minha volta estar se desfazendo eu não estou sendo atingida. Eu continuo bem.

— É errado interferir — vejo o vento rasgando lágrimas nos olhos dela — Você precisa acordar. Agora!

Uma rachadura no chão em forma de Z faz eu me desequilibrar e cair.

Acordo num sobressalto. O coração acelerado. Meus pulmões quase imploram por ar. Os olhos procuram um ponto firme.

— Está tudo bem? — Damon está de pé, na ponta da cama, me fitando intrigado.

Respiro duas vezes antes de falar. Meu corpo ainda se recupera da sensação de ter corrido uma maratona.

— Sim. Só foi um… sonho bem estranho.

— Você parece bem… atordoada.

Abro um sorriso malicioso para deixar o assunto em segundo plano.

— Não é nada tão forte capaz de derrubar a calmaria que uma visão de você seminu na minha frente traz.

— Não faça piadinhas essa hora.

Olho pela janela analisando a manhã e o sol nem está no meio do céu.

— Estou selecionando qual roupa melhor para iniciar a busca atrás de um adolescente caçador e inconsequente.

— Damon…

— Estou brincando. — ele diz calmamente e se arrasta para junto de mim. Abraçando-me, beija o topo da minha cabeça. — Você está trêmula, o que estava acontecendo no seu sonho?

Aninho-me mais em seus braços, deitando a cabeça em seu tórax, e analiso o sonho novamente. Está tudo tão nítido. Foi tão real. Ainda posso sentir os dedos finos de Bonnie aninhados a mim, ainda consigo sentir o mundo se desfazendo debaixo dos meus pés.

— Foi tão real. Eu encontrei Bonnie. Ela dizia que algo estava muito errado, que estavam mexendo com os dois mundos.

Olho para Damon e sinto o medo alavancar.

— Damon… Parecia um aviso. Novamente.

Ele me fita, intrigado. Seu biquinho me diz que ele também está assustado.

— Calma, vai ficar tudo bem. Foi só um sonho. — pressiona os lábios na minha testa e me aperta. — Foi somente um sonho.

— Eu tive o mesmo sonho. Ou pelo menos algo parecido. — diz Stefan, de braços cruzados, na soleira da porta.

— Pra onde vai? — pergunta-me Lucy. Solto a maçaneta da porta de entrada e arfo fortemente. Até quando serei tratada como uma criança que precisa ser protegida?

Já se passou uma hora desde que acordei.

— Eu vou atrás de Jeremy, junto com Damon. — coloco a mochila nas costas.

— Não, Elena. Você não pode. Não depois do que aconteceu.

— Ela tem razão, Elena. — Damon tenta me abraçar, mas eu o afasto, encarando-o, duramente.

— Ele é meu irmão. Não é um sonho ou uma sucessão de coisas estranhas que vai me impedir de procura-lo.

— Se você e Stefan tiveram o mesmo sonho, quer dizer que realmente tem algo errado. Alguma coisa envolvendo as cópias. — a voz de Lucy é ainda mais brusca.

— Não importa — rosno. — Eu vou atrás dele.

— Precisamos descobrir o que está acontecendo — Lucy ergue os dedos — E se eu tiver que te impedir de atravessar essa porta para te proteger, eu o farei. Então nem tente sair da mansão, porque não vai conseguir.

— Faça isto e eu arrancarei sua cabeça. — Elijah entra na sala e se senta na poltrona. — Família é uma coisa importante e não é você ou qualquer outra coisa que vai impedir Elena de atravessar por aquela porta e procurar o irmão.

Lucy suspira e deixa a mão cair. Lentamente, se vira para Elijah e o encara com ferocidade.

— Silas está morto. Se havia alguma coisa nessa profecia de cópias não vamos saber a não ser que comecemos uma busca a partir de agora. Se havia uma maldição que cercava Silas e seu verdadeiro amor… — ela olha para mim e para Stefan — Isso pode estar acontecendo com Stefan e Elena.

Elijah se levanta e vai até ela; o queixo afilado erguido. É realmente impressionante o poder e a autoridade que ele transmite.

— Não há maldição maior que viver longe da sua família. Se Elena quer encontrar o irmão, ela o fará.

Tensão. Silêncio.

Então os olhos dele encontram os meus.

— Vá. Com certeza ninguém aqui será capaz de impedi-la.

— Nessa casa uma donzela não pode dormir em paz — Rebekah diz entrando na sala. Ela está com uma camisola de linho branca e descalça. Ao visualizar a cena seus olhos paralisam. — Alguma reunião em grupo para a qual não fui chamada?

— Problemas familiares irmãzinha.

— Oh poupe-me Elijah, já tenho problemas familiares suficientes… — ela ergue a sobrancelha na direção do irmão.

— Elena você tem certeza? — Stefan pergunta quando me viro para a maçaneta. Nunca vão me deixar tomar minhas próprias decisões?

— Sim, Stefan — digo com uma voz volta. Estou farta. — Vocês todos tem que aprender a respeitar minha opinião. Ele é meu irmão, nada nesse mundo será mais importante que ele. Eu já o perdi uma vez, não posso perdê-lo novamente. — fito os olhos preocupados diante de mim, que reluzem. — Você entende como é amar um irmão, não é?

Ele olha para Damon pelo canto do olho, depois deixa os olhos escorrerem para o piso de madeira.

— Sim.

— Ótimo. — olho para Damon atrás de mim e giro a maçaneta. — Vamos.

— Não tão rápido. — a voz diabólica me faz paralisar. — Espero que tenham sentido minha falta.

Não acredito no que está acontecendo. Não acredito que ela está mesmo aqui, sorrindo para mim com seus olhos escuros e afiados de pantera, na soleira da porta da mansão. A causadora de tudo isso.

— Katherine. — a voz de Damon é uma lamentação.

Ela lança um sorriso gentil e presunçoso na direção dele e entra sem pedir permissão. Todos os olhares se voltam para ela, que segue até o centro do recinto, olha brevemente para todos que a cercam e engole em seco.

— Estou tendo os mesmos sonhos.

Há um breve momento de silêncio, antes de Lucy se pronunciar.

— Como é?

— Quem é você, queridinha? Eu não te conheço. Mais uma louca entrou na trupe dos lesados salvadores da frágil Elena Gilbert? — ela sorri em deboche — Patético.

— Conte logo o que sabe Katherine. — diz Stefan.

Ela olha para Elijah e Rebekah. Sei que ela ainda tem medo dos Originais, especialmente do que tem um sotaque adorável. O bastardo híbrido que a caça por mais de 500 anos, que tem sido o motivo da sua vida ter se tornado um inferno.

— Não se preocupe Katerina. Não faremos nada contra você. Niklaus não está na casa nesse momento.

— Menos mal. Além do mais seria uma pena, a única pessoa que sabe muito sobre as cópias e sobre os Peregrinos, morrer não é mesmo?!

Damon num segundo está de frente para ela a encarando duramente.

— O que você sabe vadia?

— Não é dessa forma que vocês vão conseguir tirar qualquer informação de mim — ela passa os dedos no lado direito da face dele.

Em seguida, caminha até a mesinha de centro, onde ficam as bebidas de Damon. Seus saltos são as únicas coisas barulhentas. Então põe um pouco de tequila num copo e se vira.

— Eu quero, primeiramente, algumas condições.

— Eu sabia. É uma vadia mentirosa. Quer ajuda agora que é uma humana patética e vulnerável não é?

— Acho que você ainda não compreendeu que se eu morrer sua querida namoradinha estará em perigo, não é Damon?! — ela mordisca o copo e passa a língua no lábio superior. Sempre audaciosa.

— Eu quero ouvir porque vou correr perigo se Katherine Pierce, por alguma desventura do destino, vir a falecer. Seria realmente uma pena. — me coloco do lado de Damon e, cautelosamente, passo minha mão na dele, apertando seus dedos. — Diga suas condições.

— Vejo que os Originais estão abrigados aqui por um tempo. — ela olha novamente para os dois presentes, e posso sentir o medo vibrando seus músculos. — Bom, primeiramente eu quero uma palavra de Elijah de que nenhum deles fará algum mal a mim, nem mesmo Klaus. Depois, quero abrigo. Nossos inimigos estão nos perseguindo. Ainda mais agora que eu sou humana e não sei me defender.

— Tudo bem. Você pode ficar aqui conosco. A mansão tem muitos quartos. Pode começar hoje mesmo.

— O quê? — Damon diz mais alto e se vira para Stefan. Seus olhos arregalados e a fúria brilhando contente dentro deles. — Por causa dessa mulher que nossas vidas foram arruinadas, Stefan. Por causa dela e de mais ninguém somos o que somos. Não pode estar falando sério!

— Sei que ela arruinou nossas vidas, e sei também todas as coisas ruins que ela fez. Mas quantas coisas ruins, também, nós fizemos? E ela não nos obrigou a matar, não nos obrigou a ser a pior parte do nosso ser. A prejudicar nossa existência. Além do mais temos uma prioridade: Proteger Elena. Não é isso o que mais quer Damon? Ela não é mais importante que sua própria vida?

Damon se cala. Seus olhos se voltam para mim, enquanto sua respiração desacelera.

— Ótimo. — Katherine diz e coloca o copo em cima da mesinha. — Estamos combinados.

— Agora diga o que sabe. — diz Rebekah.

— Primeiro, a palavra de Elijah. — ela inclina a cabeça para o lado. — Depois as informações.

Silêncio.

— Por favor, Elijah — Rebekah pede baixinho — Por que mais Katherine ficaria diante de nós, Originais, se não fosse algo realmente importante? Ela estaria arriscando a própria vida, ainda mais agora que bebeu a cura e não tem mais suas habilidades. Por favor, Elijah.

— Já é suficiente — Damon solta minha mão e parte pra cima de Katherine. Agarrando-a pelo pescoço, pressiona-a contra a parede. — Você merece morrer, merece morrer!

— Damon, pare! — grito, mas não é o suficiente.

— Faça isto Damon, lo-logo… — ela diz sorrindo, ainda que saiba que seus pulmões estão começando a ficar sem ar, pouco a pouco. — Mate-me logo e fique sem sua preciosa Elena. Eu morreria feliz. Faça Damon!

— Damon, não faça. Não vê o que ela realmente quer? O desejo dela estaria saciado. Sua morte seria em vão. — peço, tentando fazê-lo pensar e desistir do objetivo — Pense bem Damon, ela não tem nada a perder. Mas nós temos… Você tem. Não faça isso.

De repente, Elijah move-se até Damon e o lança contra a outra parede, atrás de mim. Ele segura Katherine pelo braço antes que ela caia, sem forças, no chão.

— Chega! — ele grita e olha para minha cópia, que está com as mãos na garganta, ainda reabastecendo os pulmões — Você tem minha palavra, Katerina. Mas se você falhar, eu juro que eu mesmo terei o prazer de mata-la.

Deixo a mochila cair de meu ombro e corro até Damon, que está tentando se levantar do chão. Realmente a pancada com que seu corpo bateu na parede foi muito forte.

— Tudo… — ela tenta dizer por sobre a falta de ar — Tudo bem. O que eu tenho pra dizer não é mentira. É realmente verdade, se não eu não estaria aqui.

— Ótimo. Comece a falar. — Rebekah caminha até o sofá e se senta — Já aceitamos suas condições.

Katherine se solta de Elijah e caminha até o meio da sala novamente. Ela encara a plateia ansiosa, contemplando cada rosto nervoso e curioso, que espera pelas informações que tanto procuram.

— Stefan querido, conte-nos mais sobre seus sonhos.

— Bem… Nos sonhos estou num lugar abandonado, numa floresta, sozinho… Encontro avisos escritos com sangue, e depois há uma rachadura no chão…

— E quais são os avisos?

— O fim está próximo.

— Isso te lembra de alguma coisa, Elena?

Não consigo me pronunciar. Quero dizer Sim, o que eu vi na Whitmore, mas minha garganta está seca. Como isso é possível? Como tudo isso é possível?

— Eu sei que sim. — Minha cópia manipuladora responde por mim. — Stefan e eu tivemos o mesmo sonho, e você Elena, sonhou o mesmo, porém com a Bonnie não é mesmo? Ela deve estar tentando te comunicar sobre alguma coisa, alguma coisa terrível que estar por vir.

“Eu tenho tido alucinações também, assim como você. Porém, as de Stefan parecem não terem ainda se iniciado, mas irão. Minha tese é de que em nossos sonhos estamos no Outro Lado.”

— Como? — as sobrancelhas de Damon se unem, franzindo-o a testa.

— Os dois mundos. — as palavras saem da minha boca automaticamente, assim que, inconscientemente, sigo o raciocínio. Minha mente vai encaixando as coisas. — O que Bonnie me disse é que estão mexendo com os dois mundos… O nosso mundo e o Outro Lado.

— Silas está morto. Eu estou viva. Ele era a única sombra viva de Stefan, ainda que petrificado. E eu… a única cópia da Elena.

— O que quer dizer? — diz Rebekah.

— A profecia dos Peregrinos. Eles precisam somente de duas cópias, de preferência as mais recentes. E Silas está morto… Logo, falta apenas uma morte: a minha.

— Conte-nos sobre a profecia. Como os Peregrinos se ligam as cópias? — diz Elijah. Como ele consegue manter uma voz tão calma?

— Os Peregrinos residem no mundo muito antes de Silas e Qetsiyah. Ninguém sabe ao certo sobre como surgiu a licantropia, não é mesmo? Os Peregrinos foram um grupo, um dos primeiros grupos de lobisomens. Porém, eles não aceitaram a maldição de se tornarem lobos e pediram ajuda as bruxas para que pudessem livra-los desse tormento.

— Continue. — diz Damon com uma voz dura.

— Eles, mesmo sobrenaturais, iniciaram sua vida com a magia muito cedo. Porém, eles não têm poderes. A magia que eles usavam, sempre vinha da natureza, da única coisa que os influenciava: A Lua. Eles não podem ser considerados lobos e bruxos.

“Porém eles nunca teriam o poder suficiente. E é aí que as coisas se encaixam. Os Peregrinos pediram a ajuda de uma bruxa famosa no vilarejo, Qetsiyah. Eles queriam que ela tirasse a maldição que os cercavam.”

— Impossível. — mensura Stefan, vagarosamente.

— É aí que você se engana Stefan. — ela se volta para olhar a plateia. — É nesse momento que a história das cópias e dos Peregrinos se funde. Silas enganou Qetsiyah para que ela pudesse fazer o feitiço da imortalidade. Porém, quando ela terminou, ele pegou o elixir e partilhou com sua amada amante, Amara.

— Que é a cópia Original. — balbucio.

— Exatamente. Porém Qetsiyah descobriu e planejou uma vingança, que aconteceria no dia do casamento. Ela aproveitou que os Peregrinos queriam ajuda e fez um acordo: A grande massa a ajudaria e ela falaria a cura para a licantropia.

“Quando Silas e Amara beberam o elixir, a natureza se desestabilizou e precisou retaliar as pessoas imortais com cópias mortais, que existiriam para sempre, originando você, eu, Tatia, Stefan e outras.”

— Aonde, exatamente pretende chegar, Katerina?

— Qetsyiah então criou duas curas. Uma para que Silas pudesse beber, na esperança de que ele ainda a quisesse, e uma teatral, que disse ser dela. Fingiu que não sabia da traição dele, e nem do roubo do elixir, e arquitetou tudo. Porém Silas disse que não tomaria a cura depois de se tornar imortal, e ela já sabendo o que havia por trás…

Katherine pausou e engoliu em seco.

— Essa é a parte ruim. Qetsyiah decidiu então continuar com sua vingança. Sacrificar Amara num ritual, que daria origem a criação do Outro Lado. E pra isso, ela precisou da ajuda dos Peregrinos…

Damon aperta minha mão, sei que ele está nervoso.

— Diga logo, Katherine.

Notas finais
Qualquer coisa, falem comigo no twitter também!! hahah :)) @smoldybrev