Darker Days
8 Capítulo 8 - Descobertos
Notas iniciais
Damon está vindo em minha direção, lutando contra a ventania. Com dificuldade, consegue arrancar a estaca que foi cravada em sua barriga. Ele para de frente para Silas; os rostos bem próximos um do outro. E o encara, ainda com dificuldade de respirar.
O teto da casa é arrancado sobre minha cabeça. Vou para trás institivamente, sentindo o contorno da soleira da porta atrás de mim. Olho para Lucy e ela se vira para olhar para mim; os olhos brancos e sangrentos. Um feitiço poderoso e mortal.
— Vocês precisam sair daqui — ela diz duramente. Nesse instante, o chão da cabana começa a quebrar; o piso de madeira sendo puxado para cima e deixando somente a terra sob mim… É horripilante.
Olho para Damon, que agora está levantando Stefan.
Um barulho ensurdecedor me assusta e olho imediatamente para o chão. Raízes escuras de árvores estão erguendo-se — É como se elas pudessem se mexer — como se tivessem pernas. Todas as três raízes sobem pelos pés de Silas e começam a enroscar-se sobre seu corpo intacto.
Parecem serpentes.
— Você vai ficar bem? — Damon pergunta para Lucy. Não posso evitar olhar para um Stefan inconsciente, vermelho e fracassado, sendo sustentado pelo irmão.
— Vou, só preciso terminar o feitiço. Por favor, saiam daqui — Ela vai morrer? Meu coração vibra de dor e se entristece profundamente com a possibilidade. Será que existe um lugar pelo qual eu não passe sem carregar a destruição comigo?
Deixo meus olhos caírem — a bruxa de cabelo curto ainda está no chão.
Dois braços fortes envolvem meu corpo e me erguem do chão. Só dessa forma sinto como estou fraca. Eu sei de quem são esses braços. E quando eu caio delicadamente sobre seu peito, olho para seus olhos para ter certeza… para ter certeza de que tudo ficará bem.
Damon olha para mim com uma expressão diferente. Dessa vez, não sei o que ele está pensando e estou exausta demais para tentar decifrar. Está me carregando para fora. Estou mole. Meus ombros estão pesados. Antes de pregar os olhos eu vejo Lucy mais uma vez.
Sento instintivamente na cama, num impulso. Minha boca aberta, meus pulmões buscando ar. Será que tive um pesadelo? Minha testa está suada. Não consigo lembrar o que me fez acordar dessa forma.
— Damon, ela acordou. — olho para o lado reconhecendo aquela voz.
— Você está viva — minha voz é um alívio. Tenho vontade de abraça-la; ergo meu corpo para frente.
— Por favor, não se levante — ela corre até mim e me deita — Você ainda está muito frágil.
— Que bom que acordou — Damon suspira quando me vê de olhos abertos. Ele vem até mim e me dá um beijo cálido na testa.
— Sim. Aliás, há quanto tempo estou aqui?
— Você dormiu por dois dias. — ele segura minha mão; nossos dedos entrelaçados.
— Estávamos impacientes, bela adormecida. — Lucy sorri para mim.
— Onde está Stefan?
Damon olha para baixo; meu coração começa a acelerar. Porém, me acalmo quando Stefan atravessa a porta. Ele estava escutando a conversa? Por que está tão sério? Eu conheço essa expressão de preocupação, eu conheço essa forma de Damon agir, eu conheço muito bem esses rostos.
Lucy está virada para a janela, de braços cruzados. Olho-a dos pés a cabeça — jaqueta preta, botas e uma calça jeans. Pele bronzeada, cabelos ainda compridos — Sim, parece estar bem, sem nenhum efeito colateral.
Então o que está acontecendo?
Stefan, vestido com uma blusa verde de mangas e gola V, se senta ao meu lado na cama. Sinto-me como se fosse Cleópatra — com dois servos ao meu lado. E essa sensação de ser idolatrada me incomoda. O fato de ser tão cuidada me faz sentir culpada e incapaz.
Sento-me na sem olhar nenhum dos irmãos. Fixo meu olhar no lençol branco, que cobre a parte inferior do meu corpo.
— Está tudo bem com você?
A voz de Stefan é extasiante. Parece que estou há anos sem ouvi-la. Um tom grave e tênue.
Balanço a cabeça, assentindo.
— Estou bem também, não quero que se preocupe.
Balanço a cabeça novamente depois olho os dois, cortante.
— Quero saber o que está acontecendo. O porquê da cerimônia. O que há de errado?
Stefan e Damon se entreolham, ainda em silêncio. Lucy se aproxima de mim e se senta na ponta inferior da cama.
— Já faz mais de cinco dias, Elena… — Stefan começa mais se interrompe.
— Caçamos Jeremy por todos os lugares enquanto esteve desacordada… — continua Lucy, antes de se interromper também.
— Mas ele não apareceu. — termina Damon.
Deslizo meus olhos sobre as três pessoas que esperam com expectativa uma reação minha.
— Acham que ele pode estar morto?
Silêncio.
— Mas ele não está. Eu sinto isso. Meu irmão está em algum lugar por aí. — ponho minha mão na de Damon e a pressiono — Vou encontra-lo, eu prometo.
— Olá — é a voz de Elijah. Ele está encostado na porta do quarto; com um sorriso secreto. Como ninguém o percebeu antes? — Desculpa interromper esse… momento de sensibilidade grupal…
Os três que estão ao meu redor se levantam, como em defesa.
— Elijah, esteve há muito tempo fora… — diz Damon com um tom presunçoso.
O Original de terno caminha até nós com postura; três passos elegantes.
— E tirei proveitos. Agradeço por terem abrigado Hayley, mas eu preciso assumir que não teriam muita escolha, não é? Se recusassem poderia acontecer coisas piores com vocês. — ele sorri; um sorriso irônico.
— O que encontrou Elijah? — diz Rebekah entrando no quarto.
— É um imenso prazer revê-la, irmãzinha.
— Poupe-nos das saudações — Damon dá de ombros fazendo cara de nojo — Queremos saber o que encontrou durante sua viagem. Gravatas borboleta e ternos de grife?
— Sabe Damon, às vezes suas brincadeirinhas são muito desproporcionais. Não pense que estou aqui para salvá-los, estou aqui para salvar Hayley e minha família. Tanto que eu poderia… — Num segundo, está com a mão cravada no peito de Damon; posso escutar o ruído do coração sendo arranhado pelos dedos. — Arrancar seu coração.
— Elijah, por favor — diz Stefan.
— Stefan, como sempre muito gentil — o Original não tira os olhos de Damon. — Deveria agradecer o irmão que você tem Damon. Muitos são ingratos e traidores, mas ele está com você sempre. — Elijah puxa a mão, e limpa os dedos sujos de sangue com um lencinho.
Ele caminha até a porta novamente e se vira para olhar-nos.
— Um grupo, muito perigoso está atrás de nós, por algum motivo.
— Grupo? — diz Rebekah.
— É uma espécie de gangue de lobisomens que estão em Mystic Falls com algum objetivo.
— Como sabe disso? — pergunto. É minha primeira fala desde que ele chegou.
Ele retira do terno um papel retangular e o abre, erguendo-o no alto.
— Esse símbolo…
— Não é possível — Rebekah caminha até ele e pega o papel nas mãos. Seus olhos estão arregalados.
São duas luas minguantes entrelaçadas com uma espécie de adaga no meio, fincada de pé.
— Você se lembra deles, não é Rebekah?
— O grupo de lobisomens do lado Oeste de onde morávamos.
— O quê? — diz Lucy — Eles têm mais de mil anos?
— Eles não gostavam de serem lobisomens. Usavam da bruxaria para procurar uma cura, que pudesse livrá-los desse destino cruel. Mamãe nos impedia de ir até a ala Oeste do vilarejo porque podíamos ser fruto de alguma espécie de experiência… Ai meu Deus, eles ainda existem…
— Como assim ainda existem? — resmunga Damon de braços cruzados.
— Quando Henrik morreu. No dia que Klaus e ele foram ver os lobos se transformarem… Os lobos que eles viram eram desse grupo.
— Por culpa deles e minha, Henrik morreu. — Klaus entra na reunião.
— Como se chamam? De onde eles vieram?
— São os Peregrinos. Bem, é como nós os chamamos. Não sabemos de onde eles vieram… Quando chegamos à Mystic Falls eles já estavam aqui. — Rebekah está andando de um lado para o outro no quarto. — E se voltaram é porque querem alguma coisa.
— Eles são tão perigosos assim? — zomba Damon.
— Vocês não conhecem a história toda, não zombem. O que contamos é somente um breve resumo. Eles são muito mais perigosos que nós, vampiros originais.
— Ficaríamos agradecidos se contassem mais sobre eles. — a voz tênue de Stefan…
Rebekah engole em seco.
— Éramos humanos ainda… — começa Klaus.
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