Darker Days
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Fito Damon com os olhos esbugalhados.
— Jeremy? Por que quer saber sobre o irmão da Elena…?
Ouço um “huf” forte e sei que ela o puxou mais para si.
— Onde está Jeremy Gilbert? — seu tom é semelhante ao usado para… compelir alguém.
— Eu não sei — a resposta de Tyler é terna, o tom mecânico.
— Quero que o encontre para mim.
— Ok.
— E quando encontrá-lo, traga-o para mim.
— Ok. Quando encontra-lo, o trarei para você.
Escuto Lucy arfar depois de um momento, aliviada.
— Muito bem, e você não contará isso a ninguém, não é?
— Não contarei nada disso a ninguém.
— Ótimo. — a voz dela é entonada de uma alegria forçada. — Vamos voltar para a festa.
Dou dois passos para frente, mas Damon me puxa.
— Onde está indo?
— Ela quer saber do Jeremy. Preciso saber exatamente o que ela quer! — meu tom é seco e afiado. Estou dominada pela raiva, e mal consigo esconder meus caninos que lateja minha gengiva.
— Eu posso ir até lá.
— Não, é o meu irmão! Eu preciso saber do que se trata.
Damon balança a cabeça e solta meu braço.
Ando até a soleira da porta. Tyler passa, mas coloco o braço na frente quando é a vez de Lucy atravessar. Seus olhos castanhos fitam meu braço depois sobem lentamente até o meu rosto, onde estampo um sorriso sínico. O copo de bebida, que seguro, coloco na mão de Tyler, que está atrás de mim.
— Lucy, está tudo bem? — ele diz.
Ela me olha mais uma vez e balança a cabeça pra ele.
— Pode ir Tyler. — digo e espero um momento. Sinto sua energia se afastando e se misturando à energia presente na multidão.
— Então você é Elena Gilbert. Lamento por não ter me apresentado antes, mas acontece que o mundo não gira em torno de você.
Lucy é um pouco mais alta que eu, mas nada me intimida. Minha vontade de estraçalhar aquela jugular ainda é forte. Encaro-a, seus olhos de um castanho profundo reluzem minha imagem, e logo abaixo seus lábios arroxeados sorriem um sorriso sínico e debochado.
— Tyler te contou quem eu sou?
— Não precisa fingir Elena. Sei muito bem o que você é, e tudo o que você escutou.
Aproximo-me mais dela para intimida-la. Meus olhos se escurecem; as veias deformadas estendendo-se com dureza ao redor dos glóbulos negros.
— Então sabe que eu sou bastante perigosa, não é?
— Não ache que com isso me assusta — ri. — Só mostra o quanto você ainda precisa amadurecer como vampira. Não é dessa forma que você conseguirá informações comigo, nem com ninguém.
— É melhor você vim comigo, agora. — sussurro perto de seu ouvido.
Olho em volta e a empurro até o lado de fora, cautelosamente. Lucy não luta comigo; aceita o empurrão de bom grado. Depois, arrasto-a até um lado deserto do campus. A lua minguante já brilha forte no meio do céu.
— O que quer com Jeremy?
— Elena, não seja ridícula. Estou aqui para te ajudar. Ajudar Jeremy também.
— Como assim?
— Jeremy é o último caçador da linhagem, Elena. E agora que ele está reativado…
— O que quer dizer?
— Ele precisa ser protegido. Virão atrás dele. — ela segura minha mão — Eu sou uma bruxa, posso colocar um feitiço temporário de proteção em você. Deixe-me ajuda-la, virão atrás de você também.
— Quem virá? — puxo minha mão bruscamente.
— Silas, e muitos outros. Eles só estão esperando o momento certo. — ela respira profundamente. — Você é a doppelganger. Está tendo alucinações não é? Isso é só o começo.
Um borrão corre a minha volta e vai à direção de Lucy. Mas ela se vira e ergue a mão.
Damon é jogado a alguns metros de nós. No chão, ele começa a agonizar. O que está fazendo com ele? Antes de eu fazer um movimento sequer, ela segura meu pescoço e me levanta.
Estou sufocando. Seus dedos parecem arames entrando na minha garganta.
Ainda prendendo Damon ao chão, ela me encara duramente; seus olhos estridentes de raiva.
— Não me tratem como se eu fosse uma iniciante. Eu sei todos os truques de vocês vampiros. — ela olha para Damon se contorcendo no chão — O que achou? Que podia simplesmente quebrar meu pescoço, me sequestrar para arrancar informações? — se volta pra mim com os dentes fechados — Estou aqui para ajudar vocês. É melhor me ter como amiga do que como inimiga. — ela me sacode no alto.
Outro borrão passa por mim, farfalhando meus cabelos.
A cabeça de Lucy gira para o lado, e há um estalo logo depois. Seus dedos amolecem, liberando minha garganta. Seu corpo cai no chão, desacordado, e outro toma forma atrás dela.
— Stefan. — digo atrás da dificuldade de respirar.
Ele está com uma jaqueta preta por cima de uma camisa branca e com uma calça jeans azulado. Abraço-o, mas ele parece não corresponder totalmente. O solto para olha-lo e ele está sorrindo.
— Surpresa? — seu tom me parece diferente também.
Deixo isso de lado e corro até Damon, que está desacordado.
— Elena, vem comigo. Ele está bem. Rebekah está vindo, vai leva-lo para casa.
— O quê? Não posso deixa-lo!
Stefan segura minha mão, pressionando meus dedos.
— Ele ficará bem. — a voz é metálica, pronunciando uma palavra de cada vez. Parece estar entrando na minha cabeça; hipnotizando-me. — Você sabe que o certo é vir comigo.
— O certo é ir com você. — não sou eu quem está dizendo, mas é a minha voz, são meus lábios pronunciando. O que está acontecendo? Não quero levantar, mas meu corpo está levantando. Não quero ir com ele, mas estou indo.
— Elena… — Damon clama; está acordando. Quero olha-lo, mas algo dentro de mim só quer ir com Stefan para algum lugar desconhecido. Não controlo meu corpo, meu corpo me controla. Deixo Damon para trás e sigo com Stefan. — Elena…
Meus olhos piscam e olho em volta. Estou segurando a mão de Stefan, estamos distante da faculdade, andando a pé. É noite, estou chegando próximo a um carro.
— Onde estamos? Por que eu vim? Não me lembro…
— Relaxe baby, em breve estará em casa.
— Stefan… — digo.
Ele abre a porta do carro preto para mim. Não entro, fico de pé o encarando. Há algo estranho, eu tenho certeza. Eu lembro a sensação de tê-lo estranhado antes. Meu subterfúgio diz que estou em apuros.
— Não. Tente de novo.
Meu corpo se arrepia.
— Silas.
— Sua expressão de medo é a melhor coisa. É um prazer saber que a assusto. — abre um sorriso.
— Por que estou aqui? — olho em volta novamente; a adrenalina esquentando meu rosto. — Por que está aparecendo para mim como Stefan?
— Posso sentir o seu desejo de fugir. Consigo escutar seus dentes se fechando de medo e consigo visualizar, perfeitamente, seu cérebro criando um plano de fuga. Então, eu sugiro que siga meu conselho: Não fuja.
Engulo em seco; a saliva atravessando minha garganta com força.
— E respondendo sua pergunta... Não, não é um disfarce. É esquisito, mas Stefan é meu doppelganger… E se não se importa, eu acharia muito legal se você entrasse nesse carro agora porque estou cansado de ficar em pé.
Abaixo-me para entrar, mas eu sei o que quero. Tento correr, mas é inútil. Dou um passo, ele me puxa pelos cabelos e me taca no banco do carona. Depois, dá a volta e se senta no banco ao meu lado.
— Onde estamos indo? — rosno.
— Não gosto de ser grosseiro com uma donzela, mas foi necessário — ele gira a chave, mas não me olha. Sinto o carro se mover — Iremos para um lugar onde você vai ficar por um tempinho.
— O que quer comigo?
— Você é a última doppelganger — ele sorri; o sorriso que eu havia estranhado. — Você é importante. Tenho planos para você.
Silêncio. Já estamos na estrada faz um tempo.
— Como Stefan pode ser seu… doppelganger?
— Ele é minha sombra porque o universo precisou retaliar… Para quem tomou a imortalidade, haveria cópias fiéis que pudessem morrer, para manter um equilíbrio natural.
Franzo as sobrancelhas.
— É uma história complicada. Não se preocupe com isso, amor. Preocupe-se apenas em concentrar-se.
— Concentrar-me… pra que?
— Para o feitiço. Quero encontrar minha alma gêmea. Nada mais frutífero do que uma cópia da mesma para entrar em contato.
Está totalmente escuro, não sei quanto tempo se passou até chegar aqui. O carro está parando. Há uma cabana velha no meio do nada. Não reconheço esse lugar — mal sei se ainda estou em Mystic Falls.
Olho para Silas e ele me encara com uma expressão de “Não disse que seria um hotel cinco estrelas”.
— Vai descer ou vou ter que te dar uma ajudinha?
Faço um biquinho e abro a porta do veículo com força.
Está frio.
Olho em minha volta — só há pinheiros e grama. A cabana parece ter sido construída, propositalmente, para funcionar como um esconderijo. É como se ela fosse dentro de outro mundo, os pinheiros formando os muros.
Não sei se é o medo, mas uma voz me diz “Ninguém sabe da existência desse lugar” “Dessa vez não haverá um herói para te salvar”.
— Lindo, não é? — ele debocha. — E realmente ninguém vai vim te salvar.
Não posso nem mais pensar.
— Haha, que engraçada você.
Subimos uma escadinha de madeira que range a cada pisada. Há uma varanda velha e abandonada antes da porta escura. Tudo parece ser bem antigo. Há cheiro de mofo e poeira.
— Pode entrar. — ele abre a porta, que faz um barulho estranho ao arrastar no chão.
A primeira coisa que vejo depois de atravessar a soleira é uma mulher ajoelhada no centro de um círculo feito de ervas. Ela tem o cabelo escuro, liso, a altura da bochecha. O rosto em forma de coração. É baixa e usa uma roupa preta.
Só depois de olhar novamente para seu rosto me dou conta de que seus lábios estão se mexendo. É um feitiço.
Sinto os olhos de Silas grudados em mim, na expectativa de minhas reações. Sei que está se deliciando com meu medo, que faz minhas pernas bambearem. Mas não é nada que eu nunca tenha vivido. Já passei por coisas piores.
Vou até outro cômodo vazio da casa e meu coração dispara.
Stefan e Rebekah estão amordaçados em cadeiras. Seus rostos sofridos, os olhos abatidos. Pelo que eles têm passado aqui? Stefan está sem camisa, e há símbolos desenhados em seu tórax. Mais adiante está Rebekah me encarando com raiva. Aliás, tudo isso deve ser minha culpa.
Já tenho a cena formulada em minha cabeça: Silas foi até a mansão Salvatore para trazer Stefan e Rebekah se opôs.
— Não é um espetáculo incrível? — Silas diz estendendo o braço; ele saboreia com satisfação meu amedrontamento. — Melhor que brincar de boneca.
Escuto passos atrás de mim.
— O feitiço está pronto. — a voz é diferente. Sei que é a mulher que vi uns instantes antes, mas não quero olhá-la. Tudo o que consigo fazer é observar Stefan e me achar uma pessoa horrível. Ele está sofrendo mais uma vez.
E como eu sou insensível! Dancei a noite toda com Damon e nem perguntei sobre Stefan, ou Jeremy… Não estou me reconhecendo. Esta não sou eu.
— Vamos amor? — a voz de Silas é um tênue sussurro sombrio no meu ouvido.
A mulher coloca Stefan de pé. Está fraco. Não pode lutar ou tentar fugir. Ela passa o braço em volta dele e o arrasta. Quando passa por mim ele me olha com dificuldade e isso faz meu coração murchar.
Viro-me, mecanicamente, e acompanho os outros.
Minhas mãos estão amarradas. Estou de joelhos no centro do círculo e a mulher está com as mãos em minha cabeça, entoando o feitiço. Ao meu lado, Silas segura a cabeça de Stefan, que está estirado no chão.
As mesmas marcas que foram feitas no tórax de Stefan foram feitas em meus ombros — Desenhadas com o sangue de Silas.
Então, as ervas queimam e uma parede de chamas se estende a minha volta. O feitiço deve estar funcionando, porém pareço intacta. Silas mantêm-se de olhos fechados, concentrado.
Quando acho que estou indo bem dessa vez, uma forte dor começa no canto de minha cabeça e vai se estendendo até o resto dela. É forte, dói, não consigo ficar calada, começo a gritar. Parece uma estaca atravessando meu cérebro; queima, perfura.
A mulher entoa o feitiço mais forte, e sinto as chamas ficarem ainda mais vivas. Stefan também agoniza ao meu lado. O que quer que eles estejam fazendo atinge a mim e a ele ao mesmo tempo. A queimação é para ambos.
Há um solavanco forte. Olho para o lado. A porta foi arrombada.
— Teatras magyinum estu pein. Teatras magyinum estu pein… — é Lucy, entrando na cabana com o braço estendido em nossa direção.
Junto com Lucy vem uma forte ventania, que faz meus cabelos chicotearem meu rosto.
Damon sai de trás dela e parece estar esperando a parede de fogo abaixar. A mulher de cabelo curto se levanta e fica de frente para Lucy, ainda entoando o mesmo feitiço, só que mais forte.
Parece um duelo de bruxas.
— Estu pein! — Lucy grita e bate as mãos. A cabana está sendo destruída pelo vento; as madeiras estraçalhadas voando em todas as direções. — Damon, agora!
Damon consegue atravessar as chamas e quebra o pescoço da mulher.
— Damon — agonizo. Ele me põe nos braços.
— Está tudo bem. Eu vim salvar vocês.
— Salve… — digo com dificuldade. — Salve Stefan… Salve seu irmão primeiro.
Ele me olha duramente. Depois, me coloca com cuidado na soleira da porta e vai à direção de Stefan. De repente, Silas fica de pé, e com um pedaço de madeira parte pra cima de Damon.
Lucy continua com o feitiço, intacta no mesmo lugar. Seus olhos estão completamente brancos;seus cabelos esvoaçando. A casa está sendo completamente destruída. A varanda não existe mais. O que vejo lá fora são somente os pedaços de madeira amontoados. Os vidros das janelas estão se quebrando e girando no ar.
É como o apocalipse.
Vejo quando Silas esquiva de um soco de Damon, e ainda que este utilize sua agilidade, eles parecem estar no mesmo nível. Num giro brusco, Silas enfia o pedaço de madeira em Damon com força e o atira contra uma parede, que se desfaz.
Quando ele se vira para olhar para mim vejo seus lábios cheios de sangue. Damon também o acertou em cheio. Depois os olhos sombrios de Silas percorrem Lucy, que continua em sua arte de destruição.
O que ela está fazendo? Já destruiu o feitiço que estava sendo feito, e a outra bruxa está desacordada...
Então eu compreendo. O feitiço é para imobilizar Silas. Só percebo isso quando o vejo andar até Damon e suas pernas começam a paralisar. Seus pés estão ficando presos ao chão, e todo seu corpo está parando aos poucos.
— Maldita! — ele gira a cabeça com dificuldade para olhar Lucy. O ruído que suas articulações fazem é como ferro se contorcendo: range. Seus olhos estão parando de bater, e posso escutar sua respiração ficando cada vez mais rarefeita.
Olho para Lucy e está escorrendo sangue de seus olhos.
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