Um extenso oceano. Em uma noite escura desprovida de calor. Estrelas encrustradas no céu como diamantes faiscantes e brilhantes. O véu da escuridão cravejado de pontos luminosos que revelavam a sua verdadeira superfície azul escura.

No meio das águas, um corpo humanóide. De pele branca azulada, de rosto virado para cima. Com os olhos arroxeados esticando-se para o azul cuja cor parecia cheia de estrelas vívidas como pequenos faróis. Os lábios da mesma cor dos olhos. Todo seu corpo estava molhado mesmo a parte que jazia para fora da água, nu. E, naqueles olhos, a curiosidade pela imensidão além das estrelas, além do veludo azul. Ali, em um dos mares lunares, ele relaxava. Deixava as águas levarem seu corpo para quer onde fosse, as ondas calmas acariciavam-lhe a pele pálida e ondulavam seus lisos cabelos azul-lilás. Confiava naquelas águas, até que elas lhe levaram até a praia de areias cristalinas e brancas. Ele se pôs de pé e andou rumo a uma nua árvore, ali então pegou uma espécie de roupão de seda e a vestiu. Por mais que o tecido ainda mostrasse a sua pele nua, ele caminhou por baixo daquele teto de luminosas estrelas, seu corpo já estava quase seco conforme caminhava e chegava em seu destino: A cidade de Ivory.

Ele parou ali em cima do monte e ficou a admirar aquele lugar. Ivory era a principal cidade do Sistema de Prata, assim era como chamavam a Lua. O satélite da Terra era o lugar de moradia daquele povo, descendentes dos loxians, viajantes das constelações.

Ivory era composta por poucos edifícios altos e alguns mais baixos, todos eram pontudos e tão brancos que pareciam emitir luz própria como o próprio Sistema de Prata. Luz essa emprestada do Sistema Dourado do Sol. Mais ao longo o Castelo de Pérola, que era onde morava, destacava-se em todo seu resplendor com torres e seus magníficos domos entalhados no antigo idioma dos loxians.

Lynx volitou direto para sua residência, o tecido das vestes tremulava como bandeira enquanto atravessava os céus da madrugada e a cidade silenciosa, até pousar na sacada de sua torre. Sentia o vento acariciar seus longos cabelos e olhava direto para baixo. Percebia a movimentação da Ovelha ali embaixo pois esta pulou de um dos edifícios e desapareceu em fumaça, Lynx sabia que aquilo significava que alguém dali havia partido para o outro plano.

Olhou de volta para os céus, sabia que no plano lunar não havia outro tipo de luz a não ser a cálida e pálida. Só poderia ver outro tipo de luz se saísse dali. Mas era quase impossível pois eram extremamente frágeis á luz dourada. Seu coração ansiava em explorar mais além da dimensão protetora e exclusiva que a Lua proporcionava. Ouvira lendas do Sistema Dourado e do Sistema da Cor Tripla (a Terra) . Um evento raro proporcionava que as energias ficassem caóticas e se misturassem, talvez se aquilo acontecesse novamente...

Era um sonho? Não, era o início, era o que estava para acontecer. Ele abriu os olhos, continuava nas águas e sua turva e novata visão logo se apurou e um rosto feminino sorriu para ele. Idêntica a ele mas com um rosto bem mais experiente além de materno.

— Olá, meu Tritão da Constelação. Bem vindo, meu filho. – Diana, sorridente, respondeu. Foi o momento em que Lynx fora concebido. Direto de uma das estrelas sem nome que caiu no Sistema de Prata e formou seu primeiro oceano. Hecate concebeu as águas lunares e logo deixou seu filho vagar mais pelas novatas águas até formar-se totalmente e rumar para Ivory.

Um extenso oceano. Em uma noite escura desprovida de calor. Estrelas encrustradas no céu como diamantes faiscantes e brilhantes. O véu da escuridão cravejado de pontos luminosos que revelavam a sua verdadeira superfície azul escura.

And all the dust will drift away

And all the nights and all the days

And all the heavens goes the way

And only change is here to stay

And all the light will be, will be

And all the waves the sea

And all the waves the sea, the sea

And all the light will be