Dark Skies

9 Cap. 08 - Ar Impuro


Durante a ventania violenta, que já havia quebrado um pedaço do vidro da parede ao jogar fragmentos de uma pedra, a voz de Olivia se misturou com os gritos das outras pessoas, se protegendo.

– O que você disse? – Ela perguntou gritando – Terceiro teste?!

– Sim, terceiro teste – Ele respondeu, lamentando.

– O que significa isso?

– Eu preciso contar uma coisa, mas primeiro, temos que sair daqui e achar um lugar seguro.

Segundos depois, Henry estava avisando a todos que eles deveriam sair dali naquele momento.

– O que?! – Sean começou a gritar – Eu não vou sair daqui!

– Nós precisamos, aqui não é seguro – Henry tentou convencê-lo.

– Eu não vou – Ele deu um passo para trás, Kato fez o mesmo. Carter, Annabel, Amanda, Lily e Olivia esperavam na porta.

– Vamos! – Gritou Amanda.

– Nós vamos morrer se ficarmos aqui – Henry continuou – Vamos embora, por favor, proteja seu filho, era isso que a Mary queria.

Sean levantou a cabeça, as lágrimas começavam a brotar nos seus olhos. Ele segurou a mão de seu filho e foi em direção à porta. Henry também.

– Vamos voltar para a minha casa, o porão é seguro – Ele disse.

Eles concordaram balançando a cabeça em afirmação e logo em seguida, começaram a correr contra o vento.

– Um furacão! – Amanda gritou, enquanto corria.

Impossível, Henry pensou. Estavam dentro de uma cúpula, não havia possibilidade nem de haver uma ventania ali dentro, porém, estava errado, um furacão realmente estava se formando, e só crescia a cada instante.

– As armas! – Sean gritou quando estavam no meio da ventania, bem perto do furacão que crescia fortemente. Carter e os outros já haviam chegado a casa, esperavam algum sinal dos outros três, que haviam sumido na nuvem de poeira que cobria o local.

– Não! Sean! – Henry gritou, mas era tarde, ele já havia sumido, já havia voltado ao supermercado.

– Pai! – Kato gritou, desesperado.

– Henry, proteja-o, eu vou ficar bem! – A voz abafada de Sean era quase inaudível em meio à ventania.

– Não! Pai! – O filho gritou novamente, mas Henry o segurou pelo braço.

– Ele vai ficar bem – Disse ele.

Após alguns segundos, a silhueta humana começou a aparecer, correndo até eles.

– Pai – Kato deu um largo sorriso, mas logo o desfez quando percebeu algo estranho.

Sean soltou um grito e Kato confirmou que algo estava errado, então de longe, os dois viram algo, mais precisamente várias mãos humanas, elas seguraram o abdômen dele e cravaram seus dedos podres, logo em seguida, as sete mãos puxaram o corpo dele em direções opostas, Henry não acreditaria se não houvesse visto as oito mãos quebrarem os ossos de Sean e dividirem seu corpo ao meio em um piscar de olhos. Com toda a certeza do mundo, aquelas mãos não eram humanas, aquela força não era humana.

– Não!!! – Kato gritou desesperado e soltou a mão de Henry, correndo para seu pai.

– Kato! – Henry gritou em seguida, e foi a última coisa que disse, antes de ver um objeto metálico grande e cilíndrico. Um poste. – Abaixe-se! – Ele gritou, mas era tarde demais, Kato virou seu rosto e se deparou com o objeto voando em direção a ele. O poste bateu com uma força enorme na cabeça dele. O vidro da lâmpada entrou fundo em seus olhos e os ferros que serviam de suporte para ela entraram em sua cabeça, partindo o crânio e com toda a certeza chegando ao cérebro. O sangue dele voou na direção de Henry, sujando seu rosto inteiro. O corpo do garoto caiu no chão e imediatamente, começou a ser arrastado. Henry se segurava em outro poste na rua para não ser arrastado. O furacão já estava forte o bastante para levar embora um carro.

Quando, com dificuldade, Henry se arrastou até a grama do jardim de sua casa, ele se levantou, ainda se apoiando nas cercas, abriu a porta da casa, entrou e fechou rapidamente. Tudo o que via passar na sua mente eram as mortes de Sean e Kato. Oh meu deus, ele ficara perplexo com tamanha brutalidade. Ao se virar, se deparou com Carter, Olivia, Annabel, Jeremy e Lily parados, sentados no sofá e olhando para ele com uma expressão horrorizada.

– Onde estão? – Lily perguntou, mas no fundo já sabia a resposta.

– Eu sinto muito – Henry abaixou a cabeça.

Lily correu para os braços de Amanda e começou a chorar. Enquanto os outros levaram as mãos à boca e continuaram com suas expressões de horror no rosto.

– Não – Olivia disse baixinho.

Henry andou até a cozinha, parou em frente à mesa, olhou pela janela de casa. O furacão estava mais forte, não demoraria muito para destruir aquela casa. De repente, viu que algo voava em direção à janela. Um pedaço de ferro enorme. Henry se abaixou e milésimos de segundos depois, o objeto entrou como uma bala pela janela da casa, estilhaçando o vidro e parando ao bater na geladeira.

– Droga! – Ele disse e se levantou. Ao ouvir o barulho, Olivia foi até a cozinha.

– Você está bem? – Ela perguntou, preocupada.

– Estou – Ele respondeu – Mas e você, está bem?

– Eu... – Ela abaixou a cabeça – Henry, eu estou com medo, eu estou com medo de perder você.

Ele deu um leve sorriso e a abraçou.

– Você não vai me perder. Nós vamos sobreviver a isso e vamos dar o melhor que pudermos ao nosso filho, eu prometo.

Ela apoiou sua cabeça sobre o peito dele e deu outro abraço apertado, logo em seguida se afastou.

– Você disse que precisava me contar uma coisa – Ela relembrou – O que é? – A expressão triste no seu rosto transmitia uma sensação de medo a Henry, medo de falhar, medo de não cumprir a promessa que havia feito a ela, medo de perdê-la.

– Não – Ele fixou seus olhos em algo pela janela.

– Como assim não? Você disse que queria me contar algo.

– Não isso – Ele se aproximou da janela – Aquilo – E apontou para o furacão, de onde saiam várias criaturas horrendas.

– Oh meu deus – Olivia disse – O que é isso?

As criaturas pareciam aranhas, tinham oito patas, mas não eram patas de aranhas comuns. Eram pernas e braços humanos. Três pernas e quatro braços, distribuídos aleatoriamente pelo torso humano de carne podre. Elas possuíam três cabeças também espalhadas pelo corpo, uma delas percorria os olhos pela rua devastada, procurando suas vítimas. Henry fechou a janela.

– Merda! – Ele disse.

– Henry, o que é isso? – Olivia perguntou, assustada.

– Eu não sei, mas temos que ir para o porão imediatamente.

Henry foi até a sala e trancou a porta e as janelas.

– Vão para o porão! – Ele disse.

– O que? Por quê? – Amanda perguntou, sem entender nada. Lily ainda estava deitada em seu ombro, não movia sequer um músculo.

– Por favor, vão para o porão agora! – Ele gritou, e as pessoas obedeceram, desceram até o porão e ele também, ao chegar ao cômodo escuro, ele trancou a porta e armou sua pistola.

– Estamos sendo atacados? – Carter perguntou.

– Ainda não – Henry respondeu – Mas não vai demorar muito.

Um ruído rítmico agudo ecoou pelo porão. Um celular. Henry tateou o bolso por fora e sentiu a vibração.

– É o meu – Ele disse, retirando o aparelho do bolso, ao ver o nome piscando na tela do celular, ele sentiu uma ponta de esperança. Chad – Oh meu deus, Chad! – Ele disse ao atender.

– Henry, você está bem? – Chad perguntou.

– Sim, mas onde você está? – Henry perguntou.

– Estou em Los Angeles.

– Você está na cidade? – Ele sentiu um sorriso invadir seu rosto.

– Sim, mas aparentemente você não – Chad respondeu. – Henry, onde você está?

– Não estou entendendo.

– Eu fui até a sua rua, não tem cúpula alguma e também não tem ninguém na sua casa.

– O que?

– Isso mesmo, está vazio, sem cúpula, sem monstros, sem nada.

– Eu não estou entendendo – Henry disse.

– Não, eu é quem não estou entendendo. Onde você está, Henry?

– Estou na minha casa, no porão da minha casa, estou com algumas pessoas.

– Não, você não está.

– Como assim eu não estou?

– Você não está no porão da sua casa, por que eu estou no porão da sua casa, e não tem ninguém aqui.