Dark Skies
10 Cap. 09 - Não Há Saída
– O que?! – Henry perguntou confuso, ainda no telefone com Chad – Está me dizendo, que você não vê nenhum monstro e nem cúpula alguma?
– Exatamente, está tudo normal, a não ser pelo sumiço de todos aqui na rua – Chad respondeu.– Então o que significa isso? Estamos presos em outra dimensão? – Ele zombou.– É o que parece.– Você não pode estar falando sério, isso não faz sentido.– Nada disso faz sentido. Anticristo, pragas, sacrifício, nada!– Eu só queria que tudo isso acabasse.– Eu sinto muito, mas... – Chad deu uma longa pausa.– Mas o que?– Eu não acho que vocês possam sobreviver a isso.– O que?– É muito difícil, se os livros antigos estiverem certos, sete almas precisam ser sacrificadas para invocar um ser muito poderoso, um deus, de acordo com eles, esse deus só poderia ser destruído por o anticristo, que na verdade, ninguém sabe sobre.– Que merda – Henry resmungou.– Eu sinto muito.– Eu... Eu vou desligar. – Ele disse, com um tom de voz fraco e doloroso.– Mas Henry – Chad disse por último – Ainda há chance.O telefone foi desligado.– Henry, o que houve? – Annabel perguntou, assustada, mas não obteve resposta, pois fora interrompida por um som alto, uma porta sendo escancarada.– São eles! – Henry disse.– Oh não – Amanda falou baixinho.– Vocês têm armas? – Ele perguntou.Carter e Jeremy eram os únicos que sobraram com armas. Eles colocaram-nas em punho.– Vamos acabar com esses desgraçados! – Carter disse.– Eles são perigosos – Henry avisou – Sejam rápidos!Ao abrir a porta, não encontraram nada no corredor. Andaram alguns metros com as armas em punho, até encontrarem na sala, cinco das criaturas, uma delas não possuía três, mas quatro braços e três pernas, ela girou a cabeça de cima para baixo e começou a correr atrás deles. Henry, Carter e Jeremy abriram fogo contra as criaturas, conseguiram matar todas depois de muito esforço. No fim da batalha, a sala da casa havia ficado cheia de corpos podres daquelas criaturas misturados com o sangue delas.– O que é isso? – Carter perguntou, analisando uma delas – São terríveis!– Oh, deus – Jeremy disse.– Jeremy, cuidado! – Olivia gritou e apontou para o teto. Ele levantou a cabeça e viu o que ela queria alertar, as pernas e braços da criaturas se misturavam enquanto ela se fixava no teto. Quando Jeremy pôs os olhos nela, a criaturas saltou em cima dele.– Droga! – Henry exclamou e ouviu Jeremy gritar logo em seguida. Carter efetuou três disparos contra a criaturas, que caiu para o lado.– Merda – Jeremy disse, com uma das mãos sobre o pescoço – O filho da mãe me mordeu!Ao tirar a mão, todos perceberam o enorme ferimento no pescoço dele, aquela criatura havia arrancado um pedaço da carne dele.– Oh, não toque nisso – Olivia disse – Pode infectar – E depois saiu às pressas a procura de algo. Segundos depois, voltou com uma maleta nas mãos. Ela se aproximou dele, sacou algumas gazes de dentro da maleta e colocou sobre o ferimento.– Isso vai estancar o sangue – Ela disse – Segure.Jeremy obedeceu e segurou o tecido contra o ferimento.– São... – Amanda disse, se aproximando de uma das criaturas – Membros humanos? – Ela ficou horrorizada.– Sim, e ao que parece, são bastante perigosas – Disse Annabel logo em seguida.– Aqui não é mais seguro – Olivia lamentou – Precisamos achar outro lugar.– É – Jeremy começou – Mas uma hora, teremos que lutar, e não vai demorar muito até que essas criaturas nos achem novamente.– Ele tem razão – Henry concordou – Precisamos lutar.– E você tem uma ideia de como fazemos isso? – Annabel perguntou.– Não, mas...Henry foi interrompido por um pequeno barulho que nem todos ouviram.– Mas o que? – Annabel esperava uma resposta.– Droga! – Ele gritou e os olhos dos outros seguiram seu olhar, então perceberam o que havia de errado, a parede da cada estava rachando, deixando cair poeira no chão.– O teto vai ceder! – Amanda disse, horrorizada.– Voltem para o porão, voltem! – Henry gritou e eles começaram a correr para o cômodo mais uma vez. Enquanto corriam pelo corredor, uma rachadura grande apareceu no meio do teto e ele não caiu por pouco. Então a casa começou a ceder. O teto da sala desabou, levantando uma nuvem de poeira, Jeremy quase foi atingido por um bloco de cimento. Então o teto do corredor começou a cair, eles entraram no cômodo e desceram até o porão, ouviram os sons do cimento se chocando contra o chão.– O que fazemos agora? – Perguntou Annabel.– Vamos voltar para o mercado, as casas não são mais seguras, esse furacão vai destruir todas – Carter respondeu.– Tem razão, lá é seguro – Henry concordou.– Então o que vamos fazer? – Annabel Lily perguntou, uma das poucas vezes que falou – Andar pelo meio desse furacão e chegar até o supermercado assim, numa boa?– Eu tenho uma ideia – Ele respondeu.***– Isso é loucura! – Olivia exclamou, ao ouvir a ideia maluca de Henry.– É nossa única chance – Henry tentou convencê-la.– Ir de carro? – Ela perguntou ironicamente – Você só pode estar brincando!
– É uma boa ideia – Carter interrompeu – O carro é bem mais difícil de ser arrastado, e se passarmos longe do centro, chegaremos lá.– Vocês estão loucos! – Ela esfregou o rosto.– Não acho uma boa ideia – Amanda disse, pensativa – A ventania está realmente violenta agora.– Eu sei, mas um carro não é fácil de arrastar – Carter respondeu.– Ele destruiu uma casa! – Olivia gritou. Ele ficou em silêncio.– Então o fazemos? – Henry perguntou.– Ficamos aqui – Ela respondeu – Por enquanto, ficamos aqui.– Gente – Jeremy interrompeu – Vocês não acham que está meio silencioso por aqui não?– Tem razão – Henry respondeu, indo abrir a porta do porão, quando o trinco girou e a porta abriu, reclamando em um rangido, ele pode perceber. O furacão havia ido embora, tudo o que restara era apenas a destruição que ele causou, e o sol, que permanecia escondido atrás das nuvens desde que o céu avermelhado se fora. – O furacão sumiu!– O que? – Carter perguntou, indo até ele, logo em seguida, todos os outros puderam ver. A ventania se foi.– Oh meu deus – Amanda deu um sorriso.– Vamos para o mercado, a ventania pode voltar a qualquer momento – Henry disse.Minutos depois estavam na frente do mercado, o vidro do lado esquerdo da porta ainda estava quebrado, mas era a única chance que eles tinham de sobreviver, então entraram.***Eles se acomodaram no local e colocaram novamente o grande freezer para cobrir a entrada, junto com vários sacos grandes de farinha. Sentado no chão, ao lado de uma fileira de cadeiras, Henry pensava.Sean, Mary, Kato, Isabelle, Hugh, Charlotte... Todas essas pessoas morreram por causa de mim, nunca pensei que isso aconteceria, nunca pensei que pudesse causar morte.– Você está bem? – Olivia perguntou, não estava mais zangada pela ideia maluca, aliás, estava até grata.– Estou – Ele respondeu, dando um leve sorriso. Ela se sentou ao lado dele e o entregou um pacote de batatas fritas e um refrigerante. – Isso é tudo o que temos – Ela deu um sorriso e uma mordida na sua barra de cereais. Ele pegou o lanche e a abraçou.– Obrigado por estar ao meu lado.– Estou cumprindo uma promessa, lembra-se? Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza.– Preciso te contar algo.– O que? – Ela perguntou.Devo ou não contar? O que ela pensaria sobre isso? Será que acreditaria? Acharia que eu sou louco? Diante das circunstâncias, impossível, mas algo maligno estava para acontecer, e ela precisaria saber. Henry lutava com sua consciência, com dúvida sobre dizer ou não o que estava realmente acontecendo.– O que Henry? – Ela perguntou mais uma vez.Ele pensou, pensou, pensou e finalmente decidiu.– Nada – Ele disse – Deixa pra lá.
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