Dark Skies
8 Cap. 07 - Encurralados
Horas depois, dentro do supermercado, com as portas trancadas, o silêncio era angustiante. Sean e Kato permaneciam aos prantos, abraçados, sentados sobre o chão frio.
– Você acha que eles vão ficar bem? – Olivia perguntou para Henry, mantendo o tom de voz baixo.– Eu não sei – Ele respondeu, aflito, logo após, deu um suspiro e olhou o céu pela grande parede vidro, estava escuro, num tom azul marinho profundo, as nuvens vermelhas já havia se dissipado, dando lugar às belas nuvens brancas.– E você? – Ela continua.– Eu o que?– Você vai ficar bem? Como está se sentindo?– Eu estou bem.– Sério?– Estou – Ele continua olhando para a imensidão azul acima deles sabendo que na verdade estava péssimo.Olivia encostou-se no ombro direito de Henry e fechou os olhos, ele deu um beijo no topo de sua cabeça, enlaçou seus braços em volta dela e então fez o mesmo.Quatro horas depois, os olhos de Henry lentamente se abriam, ele se sentia cansado, como se houvesse um peso em suas costas, e realmente tinha, muito pior que um peso físico. O peso da consciência. Ele olhou para o lado, Olivia ainda dormia, mas acordou quando ele se remexeu.– O que aconteceu? – Ela perguntou.– Nada.Ele se levantou e ela voltou a dormir, encostada em um assento que havia ali perto. Henry caminhou pelo local onde ficavam os caixas, perto da entrada, todos ainda dormiam.Ele caminhou um pouco, depois parou e observou o céu estrelado lá fora e olhou no relógio. Não acreditou no que via, então olhou, também, no relógio do celular.– Impossível! – Exclamou para si mesmo, impressionado com o que estava vendo.– Impossível o que? – Uma voz perguntou, vinha de trás dele. Henry se virou e seus olhos encontraram Amanda parada na sua frente, esfregando os olhos – O que houve?Ele se virou e apontou para o céu azul da noite.– Não estou entendendo – Ela disse.– O céu – Ele falou, com uma expressão de medo.– O que tem o céu?– Está escuro, e olhe as estrelas!– Err, sim, geralmente o céu fica escuro e com estrelas – Ela deu uma risada de estranheza.Ele se virou novamente para ela e levantou o braço, mostrando o relógio.– Não às seis da manhã.– O que? – Ela deu um sorriso forçado – Não é possível.– Veja.Ela se aproximou e confirmou no relógio dele. Seis e quinze da manhã. Sem acreditar, sacou seu celular do bolso e conferiu. Seis e quinze da manhã. Pegou o celular de Kato, que estava sobre um caixa e olhou. Seis e quinze da manhã.– Não é possível – Por fim ela disse, assustada – Qual a explicação lógica para isso?– Não há – Henry respondeu, com seus olhos fixados no céu – Não existe explicação lógica para isso.Horas depois, todas as pessoas estavam sentadas em assentos aleatórios próximos à frente do estabelecimento. Todos permaneciam estupefatos com o que estavam vendo. Quase todos. Sean e Kato ainda estavam sentados no chão, com os olhos vermelhos e olheiras profundas. Não conseguiam dormir. Os dois estavam em silêncio, Kato ainda chorava.– Vocês estão bem? – Henry perguntouSean levantou a cabeça, olhou fundo nos olhos de Henry, viu que ele realmente estava preocupado.– Não – Respondeu. Ele ainda não conseguia aceitar que Mary Beth não ia voltar, nunca.Sean abaixou a cabeça novamente e continuou olhando para o chão, seus pensamentos estavam longe dali. Kato permanecia chorando. Henry voltou para onde as pessoas estavam.– Oito e meia – Carter disse, olhando o relógio – E ainda está escuro.Todos olhavam para o céu lá fora, estupefatos com o que estavam vendo.– Isso já aconteceu alguma vez? – Jeremy perguntou.– Até onde eu sei, não – Henry respondeu.– Deve ter alguma explicação! – Annabel exclamou – Talvez isso tenha a ver com essa cúpula ou com essas criaturas!Enquanto olhavam o céu pelo vidro do mercado, perceberam que ele estava se modificando aos poucos, o azul escuro, lentamente dava lugar a um vermelho vinho. – O céu está mudando outra vez! – Carter exclamou.– Oh meu deus – Lily, que estava sentada ali perto, disse baixinho.– Que droga! – Olivia estava desesperada.– O que fazemos agora? – Jeremy perguntou.– Eu não sei – Henry respondeu, pegando uma arma que estava em cima de um dos caixas – Mas é melhor nos prepararmos.Carter, Annabel, Jeremy e Olivia também pegaram armas e se prepararam. Após alguns minutos observando, eles não viram nada.– Que estranho – Carter desconfiou – Da última vez que o céu ficou assim, fomos atacados.– Não será diferente dessa vez, tomem cuidado – Henry orientou.– Então onde eles estão? – Annabel perguntou.A pergunta não precisou de resposta, na mesma hora, algumas coisas começaram a sair de todos os lados da rua. Eram criaturas feias e aterradoras. Eram totalmente esqueléticas e não possuíam pernas, os buracos negros no lugar dos olhos não eram tão perturbadores quando a boca cheia de dentes podres, de onde um líquido negro escorria. Alguns deles caiam e não conseguiam levantar por causa da ausência de braços. Ele andavam se contorcendo de um jeito perturbador. Henry pode perceber que o líquido negro que caia da boca deles, queimava a grama por onde eles pisaram. Parecia extremamente corrosivo.
– Droga! – Henry disse, verificando se as portas estavam trancadas.– É melhor ficarmos aqui dentro, eles não podem abrir as portas, estamos seguros – Olivia sugeriu.– Nem tanto – Ele lamentou.– Como assim? – Ela perguntou.– Aquela substância que sai da boca deles é extremamente corrosiva.– Você já esbarrou em um?– Não – Ele respondeu – Olhe! – Ele apontou para um deles, se contorcendo rapidamente, uma gota do líquido caiu no asfalto produziu uma fumaça.– Deus! – Ela levou a mão à boca.As criaturas finalmente chegaram à frente do supermercado e pararam em frente às paredes de vidro, ficaram em silêncio, apenas com as bocas se mexendo em um movimento estranho. Henry e os outros se aproximaram para observá-los, Lily se levantou do chão e foi até lá também.– Mas o que merda estão fazendo? – Carter perguntou.– Eu não sei – Henry respondeu, aproximando-se do vidro.De repente, elas pararam e começaram a se esfregar na parede de vidro, como se estivessem tentando atravessá-las.– Essas coisas têm cérebro? – Annabel pergunta, observando o comportamento das criaturas.Então do nada, elas rapidamente começaram a bater a cabeça contra o vidro da loja, fazendo um som com a boca que mais parecia um miado de um gato, o sangue deles era negro, e ficava marcado no vidro a cada batida que eles davam na parede. As cabeças de carne podre continuaram se chocando contra o vidro, mas ele não quebrava, nem sequer rachava.– Oh meu deus! – Olivia se assustou.– O que estão tentando fazer? – Annabel perguntou.– Acho que querem quebrar o vidro – Henry respondeu.– Eles não vão conseguir quebrar – Carter disse.– Você tem razão – Jeremy concordou, analisando – Esse vidro é muito resistente, é muito difícil de quebrar.– Então temos tempo – Henry concluiu.– Tempo para o que? – Annabel estava confusa e com medo.– Para mata-los – Ele respondeu.– E como faremos isso? – Ela perguntou em seguida.– Vamos até o telhado.– O que? – Jeremy interferiu – Não tem como chegar lá.– Tem sim, vamos.– Você só pode estar maluco – Olivia disse – Eles não conseguirão quebrar esses vidros, vamos ficar aqui e esperar, se eles conseguirem entrar, matamos.– E deixar que eles acabem com o nosso refúgio? Não.– Pessoal – Amanda, que estava há alguns metros deles, disse.– O que? – Henry perguntou.– Venham ver isso.Eles se dirigiram até onde Amanda estava, na sua frente, uma das criaturas batia a cabeça incansavelmente contra o vidro e no local onde ela se chocava com a parede, havia uma rachadura grande, logo em seguida, outra parte do vidro também foi trincada e depois outra.– Estão quebrando o vidro – Olivia ficou surpresa.– Que droga – Henry disse – Carter, Annabel, precisarei de ajuda para subir ao telhado.– Nós também vamos – Jeremy disse.– Não, vocês ficam aí e protegem o local, eu vou acabar com esses filhos da mãe.Henry, Carter e Annabel chegam até os fundos, onde acham uma pequena porta de emergência, verificam para ver se tem alguma criatura ali atrás, mas não há, então eles saem e encontram uma escada que vai até o telhado.– Aqui! – Henry exclamou, segurando a escada para verificar sua firmeza. – É segura. Vamos.Os três começaram a subir a longa escada de ferro. Ao chegar ao topo, eles pararam na beira do local e observaram lá embaixo. A horda de criaturas era ainda maior quando olhada de cima. A luz que clareava tudo ao redor vinha do céu avermelhado acima deles.– Ah, que droga – Carter disse.– Quantos você acha que tem? – Annabel pergunta e se vira para Henry– Não sei, uns cem – Ele responde.Henry pegou seu rifle e posicionou abaixo do braço, mirando na cabeça de um deles. Em frações de segundos, tudo o que se viu foi o jato de sangue negro que voou da cabeça dele e o corpo de carne morta que caiu no chão. Annabel e Carter fizeram o mesmo com suas armas, mas eles pararam após ouvirem um grito e em seguida, sons de armas disparando nervosamente.– Oh meu deus! – Annabel disse.– Eles entraram! – Henry exclamou.Descendo a escada rapidamente, Henry só conseguia pensar na segurança daquelas pessoas. E se eles pegaram algum deles? E se eles pegaram Olivia? Ele finalmente chegou ao chão.– Vamos – Disse, abrindo a porta. Carter e Annabel o seguiram.Ao chegar ao local onde os outros estavam, encontrou Jeremy e Olivia atirando contra as criaturas que entravam aos poucos, por um lado da porta de vidro quebrada, enquanto Amanda estava cuidando de Lily, que aparentemente, havia sido atacada. Henry e Carter começaram atirar também, Annabel foi verificar se ela estava bem. Mas ao chegar lá, percebeu que ela não estava nada bem. Um de seus braços estava extremamente queimado, em carne viva. A dor era quase insuportável. Lily gemia de dor.– O que houve? – Annabel perguntou.– Uma daquelas coisas espirrou sangue ou sei-lá-o-que-era-aquela-merda nela – Amanda respondeu.– Vou chamar a Olivia, ela pode dar uma olhada nisso!Olivia cuidou do ferimento com alguns remédios que achou na farmácia do supermercado, enquanto Henry, Carter, Jeremy e Annabel tentavam conter a entrada de criaturas. Uma delas espirrou o líquido negro e atingiu a perna de Henry, queimando o tecido da calça e atingindo levemente a perna dele, a dor era extremamente forte, mas ele continuou atirando.– Você está bem? – Jeremy perguntou.– Sim – Ele respondeu, dando uma olhada na mancha vermelha que havia ganhado na perna.Após matar a última criatura, eles olharam em volta. A rua estava vazia, seja lá o que fossem aquelas coisas, haviam sido mortas. Todas elas.– Conseguimos – Annabel deu um sorriso forçado, tentando disfarçar o medo que estava sentindo. Logo em seguida sentou no chão e Carter também. O céu começou a perder o tom avermelhado e voltou ao azul escuro e estrelado da noite.– Precisamos consertar esse buraco – Henry disse, olhando para o buraco no lado esquerdo da porta, onde ficava um vidro. As paredes de vidro também estavam rachadas.– Como vamos consertar isso? – Carter perguntou.– Eu tenho uma ideia – Ele respondeu.Minutos depois, Henry e Carter arrastavam um grande freezer para a frente da porta, estava sem as proteções da parte de trás.– Um freezer? – Olivia perguntou.– É, aquelas coisas não tem cérebro, não conseguiriam quebrar isso, e se tentarem – Ele ligou o aparelho na tomada – Levarão um tremendo choque. É tudo o que temos por enquanto.De repente, o freezer foi lançado ao chão, quase em cima de Carter.– Mas que droga! – Ele exclamou.– O que derrubou isso? – Henry perguntou, indo até o buraco da porta, ao chegar lá, percebeu uma rajada de vento enorme. Ele ficou sem palavras.– O que está acontecendo? – Olivia perguntou, sentindo o vento forte e gelado invadir o local.– Não pode ser – Henry disse para si mesmo, seus cabelos voavam furiosamente para trás. O vento era realmente forte. – Está acontecendo. O terceiro teste.
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