Notas iniciais
Enjoy ♥

Eu já havia perdido a conta de quantas vezes havia caído. Já estava toda suja de terra e com o cabelo despenteado. As risadas de Shade ecoavam a cada queda, pelo menos alguém estava se divertindo naquele treino:

Shade: Vamos! Já é o que? A nona vez que você cai dessa arvore? Talvez na decima você dê sorte!

Lorelay: Eu realmente não sei se você está realmente tentando me animar ou sendo muito irônico... – Disse ainda jogada no chão.

Shade: Não, estou realmente tentando te animar, vem! –Ele estendeu a mão e me ajudou a levantar. –Não é tão difícil andar e pular discretamente entre os galhos das arvores! Bem... Certo, essas árvores são bem fáceis de pular pelos galhos...

Lorelay: Fáceis?!

Shade: Sim, as arvores são juntas, perto uma da outra, é mais fácil de pular, as outras florestas por aí tem distancias razoáveis uma da outra, então...

Lorelay: Então eu preciso treinar mais.

Shade: Esse é o espirito! Vamos de novo?

Era meu primeiro treinamento, mesmo suja e um pouco cansada, não iria desistir tão fácil. O treino de como ser um espião discreto com o Shade havia começado com algo bem simples. Precisava me esgueirar pelos galhos das árvores sem ser vista e sem fazer barulho, e de preferencia sem cair dos galhos.

O primeiro desafio foi conseguir subir na arvore, a floresta ao redor da pequena vila era composta por arvores enorme e subir até seus galhos não foi uma missão fácil. Só em tentar subir discretamente pelo longo tronco mais próximo me concedeu mais de dez belos e doloridos tombos.

Comemorei ao conseguir chegar aos galhos com facilidade, mas agora não conseguia transitar de uma arvore para outra.

Mais uma vez, subi e me apoiei em um dos galhos. O objetivo que eu mesma fiz foi me esgueirar por dez arvores sem ser notada. Concentrei-me e pulei para o próximo galho, me desequilibrei um pouco e quase escorreguei, mas consegui me segurar no galho acima do meu e impedir a queda.

Shade: Tá tudo bem por aí?

Lorelay: Sim! Se bem que eu conseguiria me equilibrar melhor sem as botas... Elas me fazem escorregar um pouco, Shade!

Shade: Se você quiser acabar com seus pés nas lascas dos galhos e do tronco, fica a vontade.

Acho que poderia considerar isso como um “Tem que treinar de sapatos e para de mimimi!”.

Respirei fundo e fui para o outro galho, me equilibrei dessa vez pousando do galho de cócoras e me apoiando com as mãos no galho em que pousei, me veio à mente que eu estava parecendo um sapo pulando naquela posição, mas não me importei com isso já que foi o primeiro pulo em que não fez tanto barulho.

Ergui-me um pouco, apoiando a mão no tronco ao meu lado e pulei novamente, outro bom pulo quase silencioso. Conseguia sentir Shade me assistindo, o que será que ele estava achando do meu desempenho?

Quando pulei para o galho seguinte, minha sorte escapou um pouco, me fazendo escorregar e quase cair do galho, por sorte consegui me agarrar ao galho, ficando pendurada.

Shade: Lorelay! O que foi isso? Sua décima queda? – Ele perguntou entre risos.

Lorelay: Eu não caí!

Shade: Você não está encima do galho!

Lorelay: Mas ainda estou nele, mesmo que pendurada!

Ele ria enquanto eu subia com certa dificuldade no galho. Depois desse pequeno escorregão, eu consegui progredir e chegar até a décima árvore. Porém eu não estava satisfeita, pois eu havia escorregado e feito barulho varias vezes. Eu, com minha teimosia, fiquei quase toda a manhã treinando com Shade, que tentava me convencer que já estava bom de treinamento, mas eu não queria parar.

Estava no pique.

~ * ~ * ~ * ~ * ~ * ~ * ~

Depois do rápido almoço, na qual notei que a quantidade de comida estava menor e que recebi uma explicação de Anneli, que disse que haviam colocado muita comida para a minha chegada, como um pequeno banquete de boas vindas, e que agora tinham que continuar a economizar comida para que o estoque não acabasse. Mas mesmo assim ainda havia certa fartura.

ENFIM!

Depois do almoço, me reuni com Vareth para treinar com armas. Para minha surpresa, era ela quem cuidava das forjas e disse que ansiosa para confeccionar armas para mim, mas que primeiro tinham que saber qual era minha habilidade.

Ela quis começar com algo clássico, como a espada, na qual passamos alguns bons minutos tentando achar uma espada leve o suficiente para que eu pudesse usar. Com as armas prontas, nos dirigimos novamente para o exterior do castelo, onde Shade havia preparado bonecos de treino e o mesmo estava sentado em um galho de árvore, mordiscando uma fruta vermelha na qual não conhecia.

Vareth havia vestido roupas de treino semelhante as que eu usava e ensinando como usar uma espada, como atacar, defender e tudo o mais. Ela me deixou a vontade para treinar com os bonecos e, ao ver que minha postura não melhora de forma alguma em relação aos ataques, decidimos esquecer a espada e irmos para lança.

A busca pela arma perfeita demorou mais do que imaginávamos.

Eu não tinha controle algum com a lança.

Meus braços não eram fortes o suficiente para um arco e flechas.

A espada, por mais leve que fosse, influenciava um pouco na minha postura.

Por ultima opção acabamos por pegar uma simples adaga.

No começo eu estava um tanto nervosa, pois a adaga tinha uma lâmina super curta, o que me fazia ficar mais perto da zona de perigo numa briga real, porém, ao começar o treino, por ser uma arma leve, pequena e que me deixava bem livre para movimentos, eu me surpreendi ao ver meu progresso em me defender e ate atacar, até Shade, em seu galho, aplaudiu.

Vareth: Parece que achamos a sua arma! Por ultimo, vamos ver como sua mira é!

Ela apontou para uma árvore distante, que estava atrás de duas árvores, aparecendo bem no centro delas. Vareth disse para eu jogar a adaga e acertar a árvore de trás. Mostrou-me como lançar adagas primeiramente, de forma paciente, e logo deu sinal verde para que eu jogasse.

Mirei. Preparei. Atirei.

A adaga acertou bem no centro do tronco, sem nem ao menos ferir as duas árvores que estavam na sua frente. Vareth aplaudiu animadamente.

Vareth: Sim! Realmente é a arma perfeita! Oh, eu vou fazer tantas adagas lindas para você! Vou caprichar nos detalhes! Alguma preferencia para decoração?

Lorelay: Flores. Principalmente rosas. – Falei espontaneamente, sem pensar duas vezes. Nem ao menos sabia de onde havia tirado essa ideia.

Vareth: Perfeito! Vão ficar maravilhosas! No próximo treino você já vai poder usa-las! Que emoção!

Shade: São só adagas, Vareth, calma.

Vareth: Não são apenas adagas, gatão! Respeite a singularidade das armas!

Shade riu, e não deixei de rir levemente.

Vareth: Ah, e antes que eu me esqueça... Como está se sentindo, Lo?

Eu parei para sentir meu corpo e notei, após a adrenalina do treino ter me deixado, que estava bem cansada e dolorida.

Lorelay: Bem... Estou bem cansada... Muito mesmo... Acho que treinei mais do que deveria...

Vareth: Ou porque o maana está pouco. – Ela sorriu gentilmente. – Mesmo com um pedaço do cristal, muitos treinos tendem a nos esgotar mesmo, então fique tranquila. Ao menos seu ultimo treino será mais tranquilo!

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Vareth estava certa.

Após o calmo jantar me reuni com Shamelf em um aposento na qual ainda não havia visto. O laboratório de alquimia.

Rimos no começo enquanto eu contava sobre os outros treino e o quão dolorida estava depois das quedas, e ele, se fazendo de bom cavalheiro, disse que seria gentil apenas com uma aula teórica, porém eu havia notado que não teríamos aulas praticas por faltar material.

Ele me explicou o que cada aparelho fazia durante o preparo de poções, até havia me dado um caderno para anotar tudo, o que me fez relembrar dos dias de escola no mundo humano.

Ah, o mundo humano...

O dia de treinos havia me feito esquecer sobre os humanos por um momento, mas me concentrei na aula de Shamelf, deixaria meus devaneios para a hora de dormir.

A pequena aula de alquimia foi divertida. Shamelf explicava as coisas de forma fácil e engraçada, o que arrancava risos de nós dois na maior parte do tempo. No fim ele disse que, naquela noite, iria até Eel para tentar a sorte de pegar alguns materiais de alquimia para nossa próxima aula. Eu queria ajudar e até me ofereci, mas o alquimista achou mais seguro eu ficar no castelo, pois as procuras por mim ainda estavam fortes.

Shamelf: E antes de você ir para os seus aposentos, eu tenho um presente!

Lorelay: Outro? Primeiro o caderno, agora outra coisa, vou ficar mal acostumada! – Ri, com um ar divertido.

Rindo junto comigo, ele tirou de dentro de um armário um ovo preto com detalhes verdes. Um ovo de mascote. Ele me entregou gentilmente.

Shamelf: Havia prometido um mascote para você, não é? Aqui está.

Lorelay: Shamelf... Obrigada...! – Eu acariciei a casca negra do ovo, não contendo o sorriso de ter um novo companheirinho.

Shamelf: Esse é um ovo de Ciralak, vou dar um pequeno spoiler sobre ele: Ele é um felino! – Ele também sorria, animado em me dar o ovo. – É bem raro e quando meu mascote o trouxe, não pensei duas vezes em lhe dar de presente! Eu deixei uma incubadora no seu quarto, ele provavelmente vai levar a noite inteira pra chocar! Enquanto isso eu posso aproveitar e pegar bastante comida para ele lá em Eel!

Lorelay: Eu nem sei como agradecer pelo carinho em me dar um mascote e pela ajuda toda... Eu... Obrigada!

Ele me abraçou carinhosamente e com cuidado para não me fazer derrubar o ovo de Ciralak. Ainda havia uma pontada de saudades da minha Sabali no meu peito, mas certamente o novo mascote poderia preencher aquele vazio que a Sabali havia deixado.

Shamelf me acompanhou até o quarto e me desejou boa noite. O abracei mais uma vez também o desejando uma boa noite e entrei no meu quarto, me deparando com uma incubadora sobre minha cama. A peguei e a acomodei encima de uma cadeira próxima a cama e coloquei o ovo de mascote nela.

Olhei para o estado sujo do meu corpo, pensando em como havia esquecido de perguntar onde havia um banheiro para me lavar. Como se respondesse aos meus pensamento, encontrei uma porta no meu quarto, que era quase invisível por ser escura como o papel de parede do lugar, ao passar pela porta me deparei com um pequeno banheiro, com uma banheira atraente me chamando para um bom banho.

Tomei banho com a agua fria mesmo, sem me incomodar muito, pois sabia que havia um cobertor quentinho me esperando.

Após fazer minha higiene pessoal e colocar meu pijama novo, acomodei-me embaixo do grande cobertor. Relaxei com o quentinho agradável. Aquele lugar estava me fazendo bem de certa forma. Todos me tratavam como se eu fosse parte da família deles... Isso me fazia ficar feliz, apesar de o aperto da saudade do mundo humano continuar sempre presente.

Ao mesmo tempo em que eu queria voltar para o mundo humano após todo esse conflito terminar, também queria saber mais sobre o meu passado, e pensando nisso marquei a ideia de conhecer todo o castelo no dia seguinte e procurar por lá uma biblioteca, talvez em algum lugar falasse algo sobre a minha situação.

Notas finais
Comentem! ♥ Quero saber se estão gostando e quais suas expectativas pra historia! ♥