Cedo naquela manhã, após tomar café da manhã, fui procurar a biblioteca daquele lugar. Havia acordado cedo, mais cedo até que Shamelf, Shade e os outros que haviam feito amizade comigo, então me vi tendo que achar o lugar sozinha. Apenas esperava não entrar em um lugar proibido e acabar entrando em problemas.

Depois de subir algumas escadas, encontrei uma grande porta que imediatamente me chamou a atenção, me dirigi até ela e as abri com cuidado, olhando para o interior da sala.

Era uma grande biblioteca, com imensas prateleiras recheadas de livros com capas de todas as cores, algumas mesas, cadeiras, poltronas e sofás estavam dispostas pelo lugar. Encontrei também um homem organizando alguns livros em uma prateleira. Bati suavemente na porta para chamar a atenção do homem em questão e suspirei aliviada por ver que ele não havia se assustado com minha chegada.

Ele virou-se na minha direção, com alguns livros ainda ocupando um de seus braços, seus cabelos castanhos claro com algumas mechas azuis estavam bem penteados, usava uma roupa um tanto formal de cor preta com detalhes em azul e dourado, no lugar de suas orelhas havia pequenas barbatanas de peixe também de cor azul escura, havia algumas pequenas escamas solitárias sobre uma de suas bochechas, seus olhos eram verdes e usava óculos de grau em uma armação dourada em meia lua, notei também que o rapaz usava vários anéis dourados em seus dedos e um frasco com um conteúdo azul preso em sua cintura por um cinto.

O rapaz sorriu levemente para mim e terminou de arrumar os livros calmamente na prateleira antes de falar comigo. Ele se apresentou como Mathias, mas que as pessoas dali costumavam o chamar de Matt, ele falou que era o responsável pela biblioteca e perguntou o que eu desejava.

Lorelay: Bem... Eu não sei como explicar... Eu estou procurando algo que talvez fale algo sobre o meu passado...

Matt: Imagino que os livros antigos de historia talvez ajudem você com o que procura, Lorelay. Porém eles não estão numa escrita que você compreenda.

Lorelay: Então como vou poder ler?

Matt: Bem, eu tenho um pequeno livro sobre as varias escritas, tanto de Eldarya como do mundo humano, enquanto você pega os livros que procura, eu posso ir pegar esse pequeno guia para você.

Lorelay: Certo! Onde estão os livros de historia?

Matt: Nesse corredor – Ele apontou para o corredor em questão, que era quase ao lado de onde estávamos. – Nas ultimas prateleiras desse corredor tem vários livros de historia. Os de baixo são historias que ligam Eldarya ao mundo humano, talvez deva começar por esses.

Lorelay: Muito obrigada! –Sorri e andei rapidamente até o fim do corredor. Ao chegar, me abaixei para verificar os livros da parte de baixo da primeira prateleira. A maioria tinham capas douradas desgastadas pelo tempo e com símbolos e nomes em um alfabeto que não conseguia compreender.

Peguei os três primeiros livros da parte de baixo, os acomodei em meus braços para que não caíssem e me dirigi até uma das mesas dispostas na biblioteca.

Assim que me sentei na poltrona próxima a mesa, Matt se aproximou com um pequeno livro em mãos, ele verificou os livros que eu havia pego e abriu o exemplar que segurava na pagina sobre aquela escrita e colocou na minha frente, sobre a mesa.

Matt: Espero que esse guia lhe ajude a traduzir essas paginas antigas.

Lorelay: Também espero. –Sorri para ele e abri o primeiro livro. Ele fez uma leve reverencia e sumiu por trás de outras prateleiras, provavelmente voltando para seu trabalho de cuidar de todos aqueles livros.

Pacientemente comecei a ler aquelas escrituras, sempre com o pequeno guia ao lado para conferir as letras e não ler errado. Muitos deles contavam sobre as espécies de faery, como elfos e sereianos. Outros contavam sobre a saída dos faerys do mundo humano e sua vinda para Eldarya e o motivo na qual haviam feito isso, sobre os mascotes, sobre as comidas que cresciam em Eldarya que não sustentava bem os faeryanos, alguns livros tinham ilustrações belíssimas.

Durante o tempo que fiquei ali, ninguém entrou na biblioteca, apenas Matt saía e voltava algumas vezes, mas sempre com a biblioteca num silencio aconchegante. Logo minha mesa se enchia de livros e mais livros, na qual Matt me ajudava a levar para a mesa quando eu decidia pegar muitos exemplares de uma vez.

Já estava quase perdendo as esperanças de achar alguma resposta sobre minha situação quando me deparei com uma imagem em um dos livros, a imagem ocupada uma pagina inteira, era uma mulher adulta com cabelos loiros soltos, arrumados com algumas tranças e flores, ela usava uma fina coroa dourada com ramos verdes e minúsculas florezinhas coloridas, seus olhos estavam fechados e sua imagem estava de perfil. Suas feições me pareciam fortemente familiares. Olhei para a inscrição abaixo da imagem e a traduzi para saber qual o nome da mulher.

Lorelay: Di....Ooo... Ne... !

Meu coração deu um pulo, e consequentemente levantei da poltrona em surpresa, isso chamou a atenção de Matt, que estava sentado num sofá próximo. Encarei a imagem da mulher com espanto, agora a reconhecendo bem melhor.

Matt: Lorelay? O que houve? –Ele se aproximou, com uma expressão preocupada. –Você está bem?

Lorelay: Sim... Sim, Matt, eu estou bem... Eu só... Estou surpresa...

Ele olhou para o livro em que eu estava lendo, mais precisamente para a imagem da mulher, logo depois olhou para mim.

Matt: Você... Se parece um pouco com ela.

Lorelay: Eu sei! Mas não é só isso! O nome dela! Dione! –Meu coração batia com força com aquilo tudo.

Matt: Sim –Ele olhou novamente para o livro. –Dione, a rainha das fadas e ninfas...

Lorelay: Dione, rainha das fadas e ninfas e também minha bisavó!

Dessa vez foi ele que ficou espantado. Matt me encarou por alguns segundos antes de começar a olhar freneticamente para mim e para a imagem da minha bisavó Dione no livro.

Matt: Não pode ser...!

Lorelay: É ela! Eu conheço essas feições das fotos antigas dela! E mesmo velha ela ainda parecia tão jovem...

Matt: Então é dela que você herdou o sangue faery...

Lorelay: Ninguém na minha família nunca falou sobre isso... Ela sempre me pareceu tão... Humana.

Sentei-me devagar da poltrona e peguei o livro.

Lorelay: Deve ser aqui que tem as respostas que procuro...

Matt: Não vou incomoda-la em sua leitura... Caso precise de ajuda com algo, não hesite em me chamar.

Lorelay: Certo, obrigada!

Ele voltou para sua leitura silenciosa enquanto eu voltava para a minha. Na medida em que eu ia lendo, muitas coisas começavam a se esclarecer. Ali dizia que algumas espécies faery não queria se separar do mundo humano, no qual haviam nascido e se adaptado, dentre essas espécies estavam as ninfas, que tinham uma ligação muito forte com a natureza e não queria se afastar. Algumas poucas ninfas decidiram ir para Eldarya, enquanto a maioria havia decidido ficar. A rainha Dione fazia parte das ninfas que queria ficar no mundo humano, porém ela deu o livre arbítrio para suas ninfas decidiram qual rumo seguir. Ela guiou as poucas ninfas para Eldarya, para ajuda-las a construir um lar naquela nova terra. Elas lamentaram a ida da rainha de volta para o mundo humano. Porém, para tranquiliza-las, a rainha Dione disse que iria sempre visita-las, e assim ficou proposto, um ano ela passaria no mundo humano e outro ano ela passaria em Eldarya, para dar conforto e assistência para as suas ninfas. Por muito tempo essas visitas se concretizaram.

Depois de anos, a rainha parou de visitar Eldarya e ficara permanentemente no mundo humano. As ninfas, embora tristes pelo abandono, compreenderam que havia algum motivo pelo qual Dione não estava indo vê-las.

E que um dia ela voltaria.

Seguia junto com o texto uma lista com os tipos de ninfas, mas não havia pista de qual tipo de ninfa eu era, mas o que eu havia descoberto já era o suficiente.

Ajudei Matt a colocar os livros de volta na prateleira e, quando terminamos com a arrumação, o sereiano bibliotecário me deu o pequeno guia de presente, para me ajudar futuramente com leituras. Agradeci e saí correndo para contar a novidade para Shamelf.

O encontrei na sala de alquimia, limpando alguns frascos, na qual quase derrubou alguns por se assustar com minha entrada brusca e sem aviso.

Lorelay: Shamelf! Shamelf! Desculpa entrar assim, mas eu tenho novidades!

Shamelf: Devem ser novidades importantes para você estar tão animada assim –Ele riu, colocando os frascos em segurança sobre uma bancada.

Lorelay: E são! Eu descobri que sou uma ninfa! Quer dizer, sou metade humana e metade ninfa!

Ele virou rapidamente na minha direção.

Shamelf: Sério? Como?!

Lorelay: Eu fui procurar alguns livros na biblioteca para tentar descobrir algo sobre o meu passado! E então descobri, com foto e tudo, que minha bisavó era a Rainha das Fadas e Ninfas! Então quer dizer que eu sou metade ninfa!

Eu sorria animada enquanto observava a expressão de Shamelf ir de espanto para um largo sorriso. Ele se aproximou e me abraçou com força, compartilhando da mesma emoção.

Shamelf: Isso é incrível!

Lorelay: Eu seeei!

Shamelf: Mas –Ele se afastou de mim. –Você precisa ler aquele livro todo, porque parece que você não leu todas as informações.

Lorelay: ... Você sabe algo sobre isso, não é?

Shamelf: Acho que é de conhecimento geral de todos os faeryanos, e agora que soube que você é uma ninfa... Bem, você precisa ler.

Lorelay: Por que você não me conta logo?

Shamelf: Você prefere que eu diga ou prefere descobrir sozinha com um livro?

Lorelay: Você contando vai ser mais rápido!

Shamelf: Certo. Então sente-se. Vou lhe contar uma história.

Notas finais
Comentem ♥