Dark Princess

10 When the light hits your eyes.


Blake chegou ao apartamento depois de meia hora. Estava um pouco preocupado com a nova amiga dele, Lizzie. Não gostava nada de saber que ela tinha passado a noite nas ruas de Gotham, ela realmente não sabia com o que estava lidando. O detetive estava naquele corredor do quinto andar. Seus passos eram pesados. Ele vestia um terno preto que o fazia parecer como um detetive de verdade. Ele andou em silencio até a porta e parou por alguns segundos encarando-a. Ele tentava ouvir algo de dentro do apartamento. Ele parecia um louco olhando para aqueles números 505. Por fim percebeu que não havia barulho vindo dele. Era como se ninguém estivesse ali. Ele ficou um pouco tenso pensando que Lizzie poderia ter saído mais uma vez. John pegou a cópia que tinha da chave daquele apartamento e então a abriu sem fazer nenhum barulho. Seu coração se acalmou quando ele pode ver Lizzie dormindo como uma criança toda jogada na cama. Ele não pode deixar de sorrir.

Blake fechou e andou até a cama com passos lentos e calmos. Ele não tirava os olhos do corpo daquela garota. Ela era tão pequena, parecia mesmo com uma criança desprotegida, e ele queria tanto poder ficar 24 horas ao lado dela apenas protegendo-a. O rapaz se sentou ao lado dela na cama e permaneceu por longos segundos observando ela dormir. Ele notou que ela estava com seus tênis ainda. Na necessidade de tornar aquele sono dela mais confortável, ele foi até os pés dela e delicadamente tirou seu tênis. O detetive parou para pensar o que estava fazendo. Ele não tinha nada com ela, mas mesmo assim tinha uma forte ligação. Blake ficou ali na cama sentado observando ela dormir por algum tempo. Ele realmente não queria acordá-la para que os dois discutissem sobre o que ela havia aprontado aquela noite.

Porém Lizzie agora não estava em um sono tão profundo. A garota foi acordando aos poucos. Ela sentia uma presença perto dela, aquela sensação de quando alguém está perto de você passava por ela naquele momento. Elizabeth então abriu os olhos e seu coração foi a mil quando ela viu Blake ao seu lado. A morena rapidamente se levantou chamando a atenção dele. Os dois se olharam por um momento, era estranho. Lizzie então desviou o olhar olhando para seus pés e percebeu que seu tênis não estava mais ali.

– Onde está meu tênis?

A garota falou um pouco rouca. Ela voltou a olhar para Blake como se ele estivesse a resposta, e ele realmente tinha. O detetive abriu um sorriso torto.

– Eu os tirei. Você não parecia confortável dormindo com ele.

Lizzie riu por um momento pensando naquela cena. Suas bochechas ficaram vermelhas, ela estava com uma timidez incrível naquele momento. Blake ainda observava aquela beleza dela.

– Obrigada... E porque você não me acordou? Está há muito tempo aqui?

Blake suspirou. O rapaz desviou o olhar por um momento, ele não queria falar que ficou alguns minutos observando ela dormir. Seria estranho. Lizzie percebeu que ele estava tentando achar uma resposta certa para dar.

– Você parecia cansada, resolvi não interferir... Acabei de chegar.

Lizzie sabia que ele não falava totalmente a verdade. Mas resolveu deixar aquilo passar. A morena então se levantou da cama rapidamente arrumando seu vestido. Ela foi até um espelho grande que tinha ali e ficou se encarando por alguns segundos. Seu cabelo estava meio bagunçado e ela começou a penteá-lo com seus dedos. Ela fazia aquilo tão delicadamente parecia mais um ritual. Blake se levantou da cama também e foi até ela. O detetive se colocou ao lado do espelho fazendo com que ela às vezes desviasse o olhar para encará-lo. Eles ficaram assim por mais de um minuto. Aquilo estava incomodando a garota. Lizzie terminou de arrumar seu cabelo e voltou a encarar Blake. Ele parecia perdido nos pensamentos. E ele realmente estava. Pensava em como conseguia ter essa confiança em uma garota que ele nunca viu.

– Está pensando no que, Blake?

Lizzie perguntou fazendo uma cara de curiosa. Ela olhava para aqueles olhos castanhos dele como se tentasse entrar em sua mente. Blake apenas abriu um sorriso descontraído e se aproximou dela pegando em suas mãos. Lizzie sentiu um frio na barriga àquela hora. O detetive a conduziu até a cama novamente e se sentou fazendo com que ela sentasse logo a sua frente.

– Preciso que me conte tudo que aconteceu esta noite.

Aquelas palavras entraram na cabeça de Lizzie como se fosse uma doença. A garota praticamente gelou por dentro, mas não demonstrou nada. Ela não poderia simplesmente falar que passou a noite na casa de um foragido de Arkham.

– Não tenho nada para falar.

O detetive que ainda segurava as mãos da morena ficou um pouco receoso sobre aquilo. O que ela estaria escondendo dele? Porque ela esconderia algo dele?

– Beth, não esconda nada de mim, por favor.

A morena se sentiu um monstro. Blake estava sendo tão bom para ela. Ele tinha dado a ela um teto para ficar e Lizzie não disse nem ao menos seu nome verdadeiro.

– Blake, eu sei que isso não é certo... Pode ser até egoísmo... Mas preciso que você confie em mim.

Ela precisava dele naquela cidade. Mas sabia que já estava encrencada. Ela só não sabia como iria viver ali com isso. Ela não entregaria Crane, nunca faria isso. Ele a deixou viva, e o agradecimento dela seria ficar calada e não contar para ninguém o que testemunhou. Blake tentava entender o porquê ela estava fazendo isso. Agora ele estava mais preocupado sobre o que havia acontecido na noite passada. Blake soltou a mão de Lizzie e se levantou. A morena observou ele andar de um lado para o outro. Ele vestia terno preto, bem a cara de detetive. Blake por um momento se perdeu nos pensamentos, mas logo voltou a encarar aquela garota de olhos verdes e ingênuos. Ele não conseguia pensar que ela tinha um lado ruim. Ela parecia apenas uma garota que fugia de problemas.

– Eu confio em você, só preciso que me diga que está tudo bem e que não irá sair mais desse apartamento sem me avisar.

Blake abriu um sorriso meigo como ele sempre fazia. Lizzie não pode deixar de sorrir também. A morena se aproximou dele e o abraçou. Ela não fazia ideia porque tinha feito aquilo, mas sentiu que precisava fazer. Blake por um momento ficou sem reação, mas logo depois a abraçou também. Lizzie respirou fundo inalando o cheiro de Blake. Um cheiro doce e incomum, como uma coisa exótica. Era algo completamente diferente de Crane. John também não deixou de sentir aquele perfume delicado. Cheirava como rosas e morangos. Os dois logo desfizeram do abraço e sorriram como dois adolescentes bobos.

– Eu sei me virar, Blake. Vai ficar tudo bem.

Ela tentava confortar ele com aquelas palavras. Mas ele não gostava muito daquela frase no futuro. Ele queria ouvi-la dizer que estava tudo bem agora. Blake iria falar algo, porém seu celular tocou. Lizzie observou-o pegar ele de dentro do bolso de seu paletó e logo atender a chamada. Pela cara que ele fazia, era algo do trabalho. A morena cruzou os braços e ficou olhando para seus próprios pés. Blake falava algumas coisas que não faziam sentido para ela naquele momento. Logo depois ele desligou o celular e respirou fundo.

– Preciso ir... Parece que a policia pegou algum capanga do Coringa.

Blake disse aquilo como se Lizzie soubesse quem ele era. A morena sentiu um arrepio ao ouvir isso. A primeira coisa que lhe veio à mente foi Pip sendo capturado pela policia. Fazia sentido para ela. O nome Coringa com as máscaras de palhaços que os amigos do Pip tinham. Ela poderia estar ferrada. Pip poderia dizer que ela estava com ele e Blake a prenderia. Isso seria o fim para ela.

– Quem é Coringa?

A morena sentiu-se interessada. Se ele fosse o chefe de Pip, ela iria com toda a certeza saber com quem estava lidando. Blake parou por um momento e olhou para ela. Ele ficou por algum tempo a observando até voltar à realidade.

– Ele é o pior assassino, psicopata e ladrão que existe.

A voz de John chegou a mudar. Ele ficou sombrio, como se aquele nome fizesse mal a ele. Lizzie não gostou nada daquilo, ela estaria perdida se esse fosse o chefe do Pip. A morena sorriu e andou com ele em direção à porta.

– Tome cuidado, por favor.

O tom de preocupação de Lizzie era notável. John com um sorriso travesso abriu a porta saindo do apartamento e deixando a morena sozinha. Lizzie fechou a porta e voltou até a cama se jogando nela. Ficou ali rezando para que não fosse o Pip aquele cara que os policiais encontraram e então acabou adormecendo com o cansaço. Depois de quatro horas de um sono muito bom, Lizzie acordou. Ela realmente não esperava dormir tanto. A morena levantou correndo da cama como se tivesse algum compromisso. Lizzie foi até a janela e viu a rua totalmente vazia, precisava se acostumar com isso. Apenas as luzes das ruas estavam acesas. O céu estava de um azul escuro e estrelado. A morena não pode deixar de sorrir ao ver aquelas estrelas. Ficou um tempo admirando elas até que resolveu sair de casa. Decidiu ir ver se Pip estava em seu ponto. Estava preocupada com aquilo. Foi até o banheiro, despiu-se e entrou no chuveiro. A água estava morna, perfeito para ela. Ficou um tempo ali pensando na vida como todo adolescente normal.

Logo depois saiu do chuveiro e voltou para o quarto e se vestiu. Ela pegou um vestido justo branco que ficava no meio de suas coxas, vestiu ele e por cima colocou uma camiseta um pouco social da cor cinza. Colocou uma meia que ia até suas coxas da cor cinza e seu coturno. Logo depois que se vestiu, arrumou seu cabelo, deixando-o solto. Resolveu não passar maquiagem, não havia necessidade para essas coisas. Assim que terminou de se arrumar, mandou uma mensagem do seu novo celular para Blake dizendo que sairia e não teria hora par voltar. Colocou o celular no bolso de sua camisa e retirou a chave de seu pescoço para trancar a porta. Saiu do apartamento tendo a certeza de que não precisaria de nada. Trancou a porta e colocou a chave de volta no pescoço junto com o colar que sua mãe havia dado para ela. Lizzie desceu as escadas do prédio em silêncio. Seus pensamentos estavam bem longe dali. Ela pensava em Crane. Não sabia o porquê, mas ele não saía da cabeça dela. Isso era ruim, ela sabia disso, mas não podia fazer nada. Não conseguia lutar contra isso.

Lizzie chegou ao térreo e por um momento observou o balcão enorme que havia ali. Estava todo velho, isso era fato. Mas de uma forma esquisita parecia tão bonito. Ela adorava aquelas coisas que tinham cara do século passado. A morena riu sozinha e saiu do edifício. A rua estava vazia como sempre, mas ela não ligava para isso. Seguiu seu caminho como na noite anterior. Seus passos eram apressados dessa vez. Ela estava ansiosa. Andava sem preocupação, como se aquele lugar fosse o mais seguro de todos. Lizzie andou por dez minutos até finalmente chegar naquele lugar. O tempo estava um pouco mais gelado, mas ela nem se preocupou muito com isso. Ela não iria ficar por muito tempo na rua, pelo menos era o que ela pensava. A garota virou a esquina na esperar de ser pega de surpresa por Pip, mas na verdade foi pega de surpresa por não ter ninguém ali. Seu coração acelerou e a adrenalina percorreu pelo corpo dela. Lizzie se encostou à parede e deixou seu corpo ir caindo aos poucos até se encontrar com o chão. Ela se perguntou o que estava fazendo. Pegou seu celular e abriu nas mensagens. Começou a escrever então uma nova.

“Eu sei que você sente minha falta, eu também sinto a sua. Vou te ver em breve. Não se preocupe comigo, estou bem. Se cuide. – Lizzie.”

Ela então discou o número de sua melhor amiga, Mia. Sentiu seus olhos se enxerem de lágrimas, mas não as deixou cair. Enviou a mensagem e voltou a guardar o celular. Olhou para os lados e não viu ninguém. Abraçou suas pernas e descansou sua cabeça em seus joelhos de olhos fechados. Começou a brincar de apagar memórias. Ela gostava de fazer isso. Escolhia quais memórias queria apagar e fingia que tinha o poder de fazer isso. Pensou em Crane mais uma vez e um arrepio passou por seu corpo. Lizzie sentiu-se constrangida por ter aquela reação ao pensar nele. Levantou-se do chão e respirou fundo ainda de olhos fechados. Ficou assim por alguns segundos até que sentiu luzes bem fortes em sua frente. Abriu os olhos, mas logo se arrependeu. Uma luz forte praticamente a cegou. Lizzie se virou de costas e deixou sua visão voltar aos poucos. Logo passos foram ouvidos chegando perto dela. Não eram passos comuns, eram passos pesados e grandes. Como se fossem dois homens em um só. Logo mais passos foram ouvidos, mas esses normais. A luz sumiu dando lugar a uma silhueta gigante vista pela parede. Lizzie rapidamente se virou mais uma vez para ver quem era e engoliu seco ao ver aquele homem gigante em sua frente junto com dois homens totalmente com roupas pretas, como se fossem da SWAT.

– Ora, ora. Não é todos os dias que vemos uma garotinha andando por Gotham no meio da noite.

A voz dele era metálica. Lizzie não conseguia ver muito, mas havia algo em seu rosto. Era tão embaraços o fato de ela ter que olhar para cima para poder vê-lo. Ela era pequena demais e ele era grande demais. A morena respirou fundo saindo de seus pensamentos e procurou palavras para responde-lo.

– Não sou uma garotinha... As aparências enganam às vezes.

Lizzie falou timidamente. Essa era sua melhor saída, se fazer de ingênua e não entender o que estava acontecendo. Porém aquele homem não parecia muito delicado ou sentimental. Ele deu mais alguns passos até ela fazendo com que ela tivesse uma visão total de seu rosto.

– Creio que hoje não é seu dia de sorte, criança.

Aquela máscara fazia tudo ficar mais assustador. Lizzie analisava bem o rosto dele com certa curiosidade. Por um momento ela teve vontade de tocar naquilo. Porém não estava a fim de morrer mais cedo.

– Não sou uma criança. E meu nome é Beth. Posso saber o seu?

Aquela pergunta foi um pouco tensa para ele. A garota não estava com medo. Isso o deixava um pouco mais vulnerável. Ele observava ela olhar com certa curiosidade para ele.

– Bane... O que faz aqui, garota?

Lizzie tinha gostado daquela voz metálica dele. Soava diferente e única. Mas ele não parecia um homem do bem. Bane e Lizzie se encararam por certos segundos. A morena pensou em mentir para ele, mas isso não seria nada bom.

– Estava procurando por um amigo, ele costuma ficar aqui parado com um monte de palhaços, já ouviu falar dele?

Bane franziu o cenho não acreditando no que ele havia acabado de ouvir. Ela estava com o Coringa? Era o que ele pensava. Ele sabia muito bem do que ela falava. Se ele não estivesse com aquela máscara todo poderiam ver um sorriso diabólico no rosto dele. Essa era a chance de ele acabar com aquele palhaço. Bane sem falar nada foi até a garota e a pegou pelo braço. Lizzie sentiu seu coração acelerar naquele momento. A morena tentou se soltar, mas era impossível. Até mesmo com suas habilidades ela seria impossível de nocautear Bane. Ela começou a bater no braço dele, mas aquilo não passava de cócegas para ele. Lizzie pensou em gritar, mas quando foi tentar isso, ele a jogou dentro do porta-malas do carro que estava ali. A garota nem ao menos tinha percebido que aquelas luzes eram faróis de um carro. Lizzie bateu com a cabeça na lataria do carro e se sentiu tonta logo depois. Aquilo iria ficar roxo depois. Antes que ele fechasse o porta-malas, procurou algo nos bolsos de Lizzie, e encontrou o celular. A morena naquele momento queria se matar de burrice. Deveria ter deixado o celular em casa.

– Vamos ver se você vale alguma coisa, criança.

Bane fechou o porta-malas e entrou no veículo rumo a sua casa.


Notas finais
Olá meus amores. Desculpem a demora! problemas u-u
Bom, aqui está mais um. Estou tendo tendo muitas ideias para a fic. Espero que vocês gostem.
ATENÇÃO: Pode ser que no próximo capítulo tenha cena explicitas, violência e abuso. Vocês estão prontos para isso? Pode ser meio tenso. OK.
Tem pessoas que não conseguem imaginar muito. Por isso vou colocar fotos da roupa dela: https://lh4.googleusercontent.com/-AJavuAmgB9g/UIjjQHxn4qI/AAAAAAAAA5g/jL99fr3-MVc/s500/lol.jpg
Estou com saudades do Crane também, eu sei. Mas o próximo vai ser mais o Bane e a Lizzie (violencia e abuso here).
Enfim, beijinhos meu amores.