Dark Princess
8 Then you come crashing in.
Lizzie estava no sofá daquela casa grande e linda. Depois de algumas horas troando olhares e jogando conversa fora com Crane, ela se cansou e caiu no sono. Foi um sono leve, mas o bastante para fazer as horas passarem rápido e a madrugada chegar. Ela realmente não queria saber do mundo lá fora por algum tempo. Estava tão bem ali que chegava a se sentir confortável na casa do inimigo. Ela se preocupava com isso. Não era nada bom ficar por ali. Ela sabia disso, mas preferia ignorar. A morena abriu os olhos lentamente e percebeu que estava um pouco escuro ali. Sentiu um arrepio correr por seu corpo. Lizzie se levantou do sofá quase que em um pulo. Sua respiração se tornou ofegante por alguns segundos, porém ela tratou de se acalmar. Olhou em volta e ficou encantada com a beleza do cômodo. A única coisa que iluminava o lugar eram velas. Era realmente muito bonito de se ver.
Percebeu que estava sozinha por ali. Sentiu um frio na barriga e começou a andar lentamente até o lugar onde ela deduzia ser a cozinha. A única coisa que ela queria era encontrar Crane naquele momento. Apesar de linda, a casa era assustadora quando você ficava sozinha nela. Lizzie chegou até a cozinha e a encontrou vazia. Suspirou e resolveu sair dali. Ao se virar para voltar ela deu de cara com Crane olhando para ela. O ar lhe faltou e ela deu dois passos para trás de susto. Como ele poderia aparecer assim do nada?
- Nunca mais faça isso, Crane. Quase tive um ataque do coração!
Crane abriu um sorriso divertido o que a fez se acalmar um pouco. Ele estava sem o casado do paletó, o que o fazia mais atrativo para ela. Lizzie balançou a cabeça tentando afastar aqueles pensamentos desnecessários.
- Desculpe-me... O que está fazendo acordada?
Lizzie franziu o cenho ao ouvir a pergunta dele. Ela não havia acreditado que havia dormido ali ainda. E se ele fosse um psicopata que a mataria? Ou se fosse um estuprador? Bom, acho que se ele fosse ela não estaria viva, certo?
- Eu não deveria ter caído no sono...
A morena olhava agora para os seus pés. Aquelas palavras eram apenas ela pensando alto. Crane havia percebido aquilo, se Lizzie olhasse para ele agora perceberia que ele tinha um olhar distante e pensativo.
- Eu não a mataria, Beth. Não sem que você me desse um motivo para fazer isso.
As palavras de Crane soaram como um aviso para ela. Lizzie sentiu suas pernas tremerem. Pensou que poderia cair a qualquer segundo. Porém ela não demostrou suas emoções. Ela sabia que estava encrencada. Sua curiosidade a trouxe até aqui, e agora ela terá que lidar com isso. Era assustador como ela conseguia se meter em confusão.
- Acho que eu deveria ir embora agora.
Lizzie disse andando de volta a sala. Sentia seu coração pular dentro de si, não conseguia fazer aquela adrenalina passar. Para ela, aquilo era algo tão bom de sentir. A morena andou até a porta da entrada e antes que ela pudesse puxar a maçaneta, sentiu seu braço sendo puxado. Aquilo a fez virar para trás e ver Crane com uma expressão séria. O encarou por alguns segundos sem ao menos saber o que fazer.
- Está frio lá fora, e escuro. Ao menos espere o sol nascer.
A voz de Crane era calma e decidida. Aqueles olhos azuis que Lizzie tentava encarar dava conforto para a garota. Ele estava certo. Porém ela não imaginava o quanto iria demorar.
- Quanto tempo isso irá demorar?
A garota disse no mesmo tom calmo que Crane. Eles estavam tão pertos um do outro que poderiam se beijar naquele momento. Isso passou na cabeça dela, porém ela sabia que isso nunca poderia acontecer.
- Logo.
Lizzie se soltou de Crane e voltou à sala sentando-se ao sofá. Observou por alguns segundos uma das velas que clareavam o ambiente. O fogo estava quase se apagando nela. Lizzie desviou o olhar dela ao ver que Crane sentou ao seu lado. Ela o encarou por alguns segundos. Sentiu uma tristeza ao saber que poderia não ver mais Crane. Aquilo a pegou de surpresa. Porque ela poderia sentir falta dele? Crane que há alguns segundos estava olhando para os próprios pés agora olhava para aquele rosto de menina de Lizzie. Ele tentava ler alguma coisa, alguma emoção. Mas parecia impossível naquele momento.
- No que está pensando?
A voz de Crane chamou a atenção de Lizzie que olhou para ele surpresa por aquela pergunta. A garota abriu um sorriso tímido e colocou uma mecha de cabelo atrás de sua orelha.
- Você que é o psicólogo. Diga-me você.
Crane a observava tentando tirar algo daquela expressão, mas não conseguia. Aquele jeito delicado dela era tudo que ele conseguia reparar.
- Não leio mentes, apenas entendo o que se passa nelas.
Crane disse com um sorriso no rosto. Lizzie riu daquilo que ele disse. Logo depois ela olhou para a janela da onde entrava um vento frio. Ela praticamente contava os minutos para ir embora. Ela precisava sair dali. Mas queria sair dali pensando que encontraria com Crane mais uma vez.
- Estou abusando da sorte hoje.
Lizzie disse rindo de si mesma. Crane arrumou seus óculos e voltou a encará-la.
- Porque pensa assim?
Crane tentava ao máximo tentar entender aquela garota. Ele queria mesmo achar o que a fazia diferente. Não era apenas a ausência do medo. Havia algo mais. Ela tinha algo de familiar.
- Sair andando por uma cidade que está cercada por psicopatas e bandidos no meio da noite já é demais. Agora estou aqui, com você. E nem ao menos sei onde estou.
Lizzie disse com um pouco de receio na voz. Crane sentia que ela estava um pouco indecisa sobre o que fazer. Várias coisas se passavam na cabeça dela.
- Você está confusa sobre o que aconteceu hoje, certo?
Ele perguntou com sua tranquilidade. A morena abriu um sorriso nervoso e balançou a cabeça positivamente.
- Acho que estou deixando me levar pela emoção e não pela razão. Não deveria estar aqui.
Ela olhou nos olhos de Crane como se aquilo fosse um pedido. Como se ela quisesse que ele a mandasse embora. E ele havia entendido aquilo. Eles então permaneceram quietos, e assim ficaram ali até o tempo passar. Lizzie contava os minutos esperando o sol nascer. Ela pensava em Blake. Se ele estivesse ido ao apartamento e não a visse, ficaria preocupado. A morena não queria trazer problemas para a vida do detetive, embora pareça impossível. Seu coração parecia que batia cada vez mais rápido de acordo com os minutos que passavam. Ela sentia-se perdida ali. Em todos os sentidos. E o tempo se passou assim. Com o silêncio entre os dois. Por mais constrangedor que era Lizzie se sentia bem com aquilo. A garota se concentrava em ouvir a respiração calma de Crane, o que ajudou muito passar o tempo. Ela achava engraçado que de repente tudo em volta de Crane tornava interessante para ela. O sol começou a entrar pela janela fazendo o ambiente ser mais lindo do que era. Lizzie sorriu ao ver aquela cena de uma manhã tranquila e calma. Parecia tudo em paz naquele momento.
- Poderia viver o resto de minha vida nessa casa, ela é tão linda.
O sorriso de Lizzie se alargou mais ao ouvir Crane rindo do que ela havia falado. A garota se levantou do sofá fazendo com que o Doutor levanta-se também por impulso.
- Já está fugindo, não é?
A voz calma de Crane fez Lizzie se arrepiar. Ele tinha uma se suas mãos no bolso da calça enquanto a outra arrumava seus óculos. A morena pendeu a cabeça mordendo seu lábio de nervosismo.
- Se estou fugindo... Quer dizer que um dia você vai me capturar... De novo?
Lizzie tinha um sorriso inocente no rosto. Ela sentiu seu corpo ferver ao ver Crane dando dois passos largos até ficar perto dela. Lizzie segurou sua respiração por alguns segundos e perdeu naqueles olhos que pareciam mais vivos com a luz do sol.
- Poderia... Você deve saber que tenho algumas razões para isso.
Crane mantinha um olhar sério agora. Mas havia um sorriso sobre seus lábios que mudavam o ponto de vista de Lizzie. A garota não encarava aqueles olhos azuis, naquele momento seus lábios eram muito mais interessante. Ela queria tanto beija-lo naquele momento. Esquecer que ela era um erro, esquecer que ele era um prisioneiro, um foragido. Queria ver ele apenas como um homem, um doutor que entrou na vida dela e pode compartilhar sentimentos.
- Queria ter conhecido você antes disso tudo acontecer. Você poderia ter sido meu psicólogo.
A voz de Lizzie era baixa, mas o suficiente para ele ouvir. Crane levou sua mão até o rosto delicado da garota tirando uma mecha de cabelo de seu rosto e colocando atrás de sua orelha. Lizzie sorriu nervosa. Ela sentia suas mãos tremerem por causa da proximidade. Era estranho aquilo, ela nunca se sentirá assim perto de algum homem.
- Você precisa de um psicólogo?
Lizzie voltou a olhar para aqueles olhos azuis que a deixavam sem chão. A morena abriu um sorriso largo.
- Acho que irei ficar louca... Logo.
Crane se afastou dela e andou em direção ao pequeno corredor que ficava entre a sala e a cozinha. Ele bateu em uma porta ali em que Lizzie não fazia ideia do que era. A morena ficou observando com um pouco de receio. Mas segundos depois a porta se abriu saindo de lá os dois capangas de Crane que estavam com ele na noite interior. Lizzie sentiu um frio na barriga ao receber o olhar dos dois. Ela parecia muito intimidada perto deles. Eles olhavam para ela como se ela tivesse no território deles. Bom, na verdade ela estava. Mas isso não foi escolha dela. Crane observava a morena que parecia um pouco incomodada com a situação.
- Vocês dois, a levem de volta para a cidade e a deixem no mesmo lugar de ontem.
Lizzie sentiu seu coração disparar ao ouvir aquilo. Parecia bem estranho sair dali e ir com aqueles dois caras. Mas eles não poderiam fazer nada de mal para ela. Crane não deixaria, não é? A morena pensava em mil coisas que poderia acontecer no meio dessa viajem. Aquilo não estava certo. Os rapazes logo andaram até a porta e a abriram. Um deles saiu e o outro ficou segurando a porta esperando Lizzie. A morena olhou para Crane com um olhar vazio. Aquele poderia ser a última vez que ela via ele. Sentiu um arrepio ao pensar naquilo. Ela definitivamente não queria que aquilo acontecesse. Lizzie se apressou até ele e o abraçou forte. O cheiro dele era uma coisa nova para ela. A pele dele tinha um cheiro único e viciante. Ela poderia ficar abraçada com ele por horas. Crane estava surpreso com aquela aproximação dela. Porém ela não se conteve em abraça-la também. Lizzie possuía um cheiro doce, de menina inocente. Ela de alguma forma tinha algo que trazia paz para ele. Parecia um pouco precipitado ao dizer, mas era isso que ele via nela.
- Obrigado, Doutor.
Lizzie disse aquelas palavras como se fosse suas ultimas. Seu coração batia forte, Crane podia sentir ele através do vestido da pequena. Lizzie por mais que não quisesse, soltou o doutor e andou até a porta sem olhar para trás. Ela sabia que o olhar dele naquela hora iria fazê-la querer ficar ali. A morena passou pelo rapaz que estava segurando a porta e seguiu para fora. Viu que o outro já estava dentro daquela van que a trouxa na noite passada. A porta da van estava aberta e ela rapidamente entrou nela e se sentou no banco. Logo o outro rapaz entrou na van fechando a porta e se sentou no banco de frente para ela. Lizzie se sentiu um pouco estranha com aquilo, porém apenas o ignorou e voltou a olhar para a janela. A manhã começa a surgir a cada minuto que passava. O sol clareava cada vez mais a cidade. Lizzie decorava o nome das ruas que passava para depois saber onde estava. Ela era muito boa em memorizar, isso seria fácil para ela. O tempo passou rapidamente. Nenhum dos três trocou uma palavra. Lizzie preferiu ficar quieta. Não queria manter contato com eles.
Depois de alguns longos minutos, eles chegaram à cidade. Lizzie observava as ruas vazias. Via algumas pessoas saírem das casas. Era estranho de ver civis ali. A van então parou chamando atenção dela. Lizzie olhou para a porta que abriu rapidamente com o puxão que o capanga deu.
- Está entregue, garota.
O rapaz disse sem muita emoção. Lizzie rapidamente saiu da van respirando fundo. Logo o rapaz fechou a porta e a van se foi. A morena observou a van se afastar. Ela não sabia se estava triste ou feliz por aquilo. Agora ela poderia ir para a casa e descansar. Lizzie cruzou os braços apertando seu corpo e ficou por algum tempo ali parada olhando para seus pés. Ela estava distraída. Não tinha o que fazer. Apenas sabia que precisava ver Blake.
Sem que ela percebesse, passos se aproximaram por detrás dela. Quando a garota se deu conta. Braços envolveram sua cintura por trás e a puxou se chocando com um corpo forte. A garota gelou por um momento. Seu coração acelerou e ela ficou sem ar por alguns segundos. Até que ela percebeu aquela risada dele. Sentiu seu coração se acalmar ao reconhecer aquilo. Porém uma parte de sua cabeça ainda a alertava alegando que ele era inimigo.
- VOCÊ QUER ME MATAR DO CORAÇÃO? SEU DOIDO!
Lizzie sabia que não era certo xingar um inimigo assim. Ainda mais ele. Porém ela não conseguiu segurar a raiva agora. Aqueles braços a puxando pela cintura a deixavam nervosa.
- Ei, criança! Não fale assim comigo.
A voz dele soou pelo ouvido dela sedutoramente fazendo-a se arrepiar. Lizzie ficou surpresa consigo mesma. Aquela reação não era boa.
- Pip, me solta!
A morena pediu de uma forma manhosa e infantil. Isso fez com que ele soltasse um riso no ouvido dela. Logo depois ele a soltou. Lizzie cruzou os braços e se virou o encarando com raiva.
- O que está fazendo aqui?
Pip pareceu não ligar muito pra ela. Ele parecia ocupado pegando um maço de cigarros em seu bolso e acendendo um.
- Essa rua é o meu ponto. E você, o que ainda faz viva?
Aquelas palavras fizeram o coração de Lizzie disparar. Ela não gostou muito de ouvir aquilo. A voz dele chegava a ser ameaçadora.
- Eu não sei... Estou indo para minha casa, adeus.
Ela não queria saber de ficar conversando com ele. Precisava esquecer um pouco do que tinha acontecido. Ela começou a caminhar. Porém Pip começou a segui-la. Lizzie rapidamente se virou para trás parando de andar.
- O que está fazendo?
Pip tragava seu cigarro como se aquilo fosse a melhor droga que existira. Ele fitava a fumaça que saia de sua boca e logo depois olhou para a garota com um sorriso largo no rosto.
- Quero saber onde mora.
Lizzie mordeu seu lábio inferior demonstrando nervosismo. Aquilo não era bom. Pip analisada aquele rosto de criança dela pensativo.
- Não quero que saiba.
Pip soltou uma gargalhada que fez Lizzie pular. Ela se assustou com aquilo. Pip foi até ela e abraçou sua cintura de lado a trazendo para perto. Lizzie rolou os olhos sentindo o cheiro amadeirado misturado com tabaco de Pip.
- Você não tem mais escolha, minha criança.
- Eu deveria ter ficado em casa ontem.
Notas finais
Mas para recompensar, eu fiz uma coisa pra vocês.
EU FIZ UM TRAILER PRA FIC, ENTÃO, POR FAVOR, QUERO A OPINIÃO DE VOCÊS: http://www.youtube.com/watch?v=uUAfmTylT58
É o meu primeiro video de todos. Demorou um tempo pra fazer. E eu ainda não sei mexer muito no programa. prometo fazer um melhor depois.
Bom, espero que gostem. Desculpem... Vocês esperavam pelo Blake... No próximo apenas! JURO!
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