Dark Princess
9 Please, don't stand so close to me.
- Clifton, New York. –
Selina tentava ocupar sua mente com trabalhos domésticos. Ela já havia limpado a casa umas três vezes em apenas um dia. Mas tudo que ela podia pensar era em sua filha. Ela conseguiu para um pouco agora, a mando de Alfred que estava na casa preparando um chá para acalmar Selina, ela tinha desabafado tudo para ele. Sentiu-se muito bem com isso. Só precisava agora tomar algumas conclusões. Estava sentada no sofá olhando para a televisão desligada. Em sua frente tinha uma pequena mesinha de centro onde habitava um jornal de notícias onde na primeira página estava uma foto gigante de Gotham. Aquela foto dava arrepios na morena. Mas mesmo assim, procurava saber tudo que se passava lá. Alfred voltou da cozinha com uma bandeja de chá e biscoitos. Selina precisava se alimentar também. Já estava um dia sem comer. Isso não era nada bom. Alfred serviu uma xicara de chá para ela e a entregou. Selina sentiu o cheiro de camomila e suspirou aceitando que precisava mesmo daquilo. Deu o primeiro gole no chá e pegou alguns biscoitos e comeu em silencio. Alfred sentou-se ao lado dela esperando que Selina dissesse algo.
- Preciso fazer alguma coisa.
A voz de Selina parecia decidida. Ela iria fazer algo, mesmo sem que Bruce percebesse. O que seria bastante difícil.
- Selina, você não precisa se culpar por isso. Bruce irá encontra-la. Ele é o melhor detetive do mundo, você acha que ele não encontraria a própria filha em uma cidade vazia?
Alfred sabia o que dizia. Bruce poderia encontra-la facilmente se quisesse. E ele iria fazer isso. Selina olhou para Alfred. Seus olhos estavam cansados. Ela precisava descansar um pouco.
- Eu não sei como pude deixa-la escapar... Alfred prometa para mim que irá encontra-la e cuidará dela em Gotham. Eu sei que você cuidará dos órfãos, mas poderá deixa-la em segurança também.
Selina parecia suplicar para Alfred. Ela nunca se perdoaria se acontecesse algo com Lizzie. Alfred terminou seu chá rapidamente e logo se levantou do sofá. Selina permaneceu sentada com uma cara pensativa.
- Estou indo a Gotham City agora. As crianças precisam de mim. E pode ter certeza que procurarei por ela. Blake é um detetive e também um órfão. Ele anda pelas ruas de Gotham, mandarei ele procurar por ela. Não se preocupe, Selina. Tudo ficará bem.
Aquelas palavras tranquilizaram Selina de algum jeito. Aquele nome: Blake. Ela o conhecia. Ele já havia tentado prende-la. Ela sabia que ele era um ótimo homem e detetive. Sabia que ele poderia ajudar a encontra-la. A morena se levantou rapidamente do sofá deixando sua xicara de café encima de mesa de centro. Foi até a estante da sala onde havia fotos de família e algumas de Lizzie. Ela pegou a foto que mais gostava de sua filha e a tirou do porta retrato e entregou nas mãos de Alfred. Era como se aquilo a fizesse sentir que estava ajudando em alguma coisa. Alfred olhou para aquela foto da doce garota, ele tentava entender o porquê daquele ato de Selina. Ele esperava que ela o explicasse.
- Entregue para Blake. Mostre a ele como ela é, e ele a encontrará.
Alfred então entendeu o que aquilo significava. Ele então sorriu para ela e saiu daquela casa em silêncio. Agora ele iria em direção à guerra. Proteger aqueles que precisavam deles.
- Gotham City, Wayne Enterprises. –
Naquele prédio gigante era possível encontrar apenas duas pessoas, isso fazia tudo ficar mais estranho. As únicas pessoas que tinham coragem de entrar ali: Bruce Wayne e Lucius Fox. Os dois tinham planos para fazer. Muitas coisas para terminar. Assuntos inacabados. E uma máscara para usar. Bruce não tinha outra escapatória. Ele precisava entrar mais uma vez naquela armadura mais uma vez. Ele precisava se encontrar com seu passado e terminar as coisas. Era difícil para ele encarar aquela máscara negra sem algumas lembranças atormentadoras passarem por sua cabeça. Mas sua cidade estava prestes a cair, e sua filha estava no meio disso tudo. Ele não aguentaria vê-la ferida. Ele não queria ser a causa disso.
A sala principal do edifício estava cheia de mapas de toda a Gotham. Linhas eram traçadas em lugares que Bruce já havia ido verificar. Lucius estava ali sentado e procurando mais informações. Seu laptop aberto mostrava um mapa em 3D da cidade. Isso ajudaria ainda mais. Bruce estava inquieto. Lucius sabia da agonia que ele estava sentindo. Wayne havia lhe contado que sua filha estava em algum lugar da cidade. Talvez até precisando de ajuda. Mas ele também não queria pensar nisso.
- Ela já está preparada?
Bruce perguntou para Lucius. Ele se sentou em sua frente com um olhar longe. Ele parecia planejar várias coisas em sua mente. Fox tinha até medo de saber o que era.
- Ela sempre esteve preparada, Senhor Wayne. Sabe disso.
Era tão esquisito como Lucius sempre soava calmo e sem preocupações. Mas ele preferia voltar ao trabalho e ser otimista como sempre. Ele queria ver aquela cidade voltar a ser o que era antes e voltar ao seu trabalho cuidando da empresa de Bruce.
- Ótimo. O sol já nasceu. Esse dia será longo... Quando a noite chegar, irei caça-los.
Bruce se levantou da cadeira e deixou Lucius sozinho, andou até a pequena porta que havia ali. Ela dava para um quarto quase que secreto. Nele havia tudo que Bruce precisava para se transformar no cavaleiro das trevas. O quarto era todo branco. Havia uma mesa bem grande de vidro no meio dele. Nela havia armas que Batman costumava usar. Tudo que ele precisava estava ali. No canto do quarto havia um grande guarda-roupa, ali era onde ele guardava sua identidade, pelo menos era onde ele estava guardando agora. Ele pensava em sua filha naquele momento. Ele queria saber o que ela estava fazendo naquela cidade. Sentia-se culpado por aquilo ter acontecido. Sentia-se culpado por Selina estar se sentindo mal a respeito disso. Queria sair naquele momento procurando por sua filha. Mas não poderia. Bane está solto em algum lugar dessa cidade e ele pensava que Batman estava morto como o resto do povo. E ele sabia de sua identidade. Isso era horrível. Imaginar Bane usando sua filha contra ele era a coisa mais dolorosa que ele poderia pensar naquele momento. Só de pensar que Lizzie poderia se esbarrar com ele nessas ruas o causava arrepios.
- Tenho que colocar esses psicopatas mais uma vez atrás de camisas de força.
Bruce disse enquanto olhava para sua modesta armadura. Era tão tentador vê-la ali. Ele sabia que aquilo iria causar uma grande reviravolta em Gotham. E todos os psicopatas voltariam a caça-lo. Era uma grande responsabilidade para ele. Bruce não devia mais nada aquele povo, porém aquela era sua casa e ele queria protege-la. Não importa o quanto isso custe. Ele tinha que ir ao campo de batalha mais uma vez.
- Gotham, APART 505. –
Elizabeth havia acabado de chegar ao seu apartamento. E o pior de tudo, Pip estava com ela. A garota não queria ter feito isso. Ela não poderia ter trazer Pip para seu novo apartamento. Lizzie rezou para que Blake não estivesse ali naquele momento. Seria bem tenso aquilo. Um detetive e um membro de quadrilha fugitivo no mesmo cômodo não seria uma boa ideia. A morena logo destrancou sua porta, porém não a abriu. Virou-se ficando de costas para a porta e olhou para Pip que queria acender seu terceiro cigarro. Lizzie pegou o cigarro da boca dele antes que ele conseguisse acender. O rapaz olhou para ela de um modo frio, mas ela não ligou, estava começando a se acostumar com aquele jeito meio bipolar do Pip.
- Não se pode fumar em meu apartamento.
A morena disse jogando o cigarro no chão e pisando nele em seguida. Pip ao ver aquela ação abriu a boca para falar alguma coisa, porém não saiu nada. Ele parecia chocado com a reação dela. Lizzie continuou a olhar para ele de uma maneira tediosa. Pip então mudou de expressão, parecia bravo agora. Ele rapidamente aproximou seu corpo do de Lizzie pressionando-a contra a porta. Ela sentiu aquele perfume dele. Aquele cheiro de cigarro impregnado em seu corpo. Aquilo ela estranho. A morena olhava para aqueles olhos intensos. Os dois ficaram por um tempo naquela posição. Tão perto um do outro que chegavam a sentir a respiração um do outro. Lizzie sentiu um pouco estranha a respeito de não ter nenhum espaço entre os dois.
- Criança, acho melhor você não tentar fazer nada de heroico. Pode ser?
A voz de Pip era baixa e aquelas palavras saíram mais como um sussurro no ouvido da morena. Lizzie tentou não parecer tão afetada com aquela voz meio que rouca dele. Ela não poderia negar que ele era bonito e charmoso. Mas ela não queria vê-lo dessa forma. E aquele jeito que ele tinha de chama-la de criança. Ela odiava ser chamada assim, mas de alguma forma aquilo se tornou um mimo na voz dele. A morena rolou os olhos desviando-se daquele olhar dele e o empurrou fazendo-o bater com tudo na porta da frente. Ela por um momento rezou para que ninguém estivesse naquele apartamento. Lizzie abriu a porta de seu apartamento e olhou em volta. Seu coração foi a mil quando ela viu uma caixa encima da cama. Talvez fosse alguma coisa que Blake havia trazido para ela. Lizzie logo pensou que não seria uma boa coisa Pip ver aquilo. Ela sentiu a respiração de Pip logo atrás dela e então se virou e o encarou com uma cara de poucos amigos.
- Não quero você em meu apartamento. Saia daqui.
Lizzie disse bloqueando ele de entrar em seu apartamento. Pip a encarou com uma cara nada legal. Ele parecia querer saber mais sobre ela e assim contar para seu chefe. É, todos haviam falado para ele na noite anterior que, havia uma garota nova na cidade e que ela tinha presenciado a troca de mercadoria dele com o espantalho. E tudo que ele disse, é que em algum ponto, poderia usa-la para algo útil, até porque não são muitas mulheres que se dão com esse ramo de trabalho. E se ela não quisesse se envolver, teriam que mata-la.
- Eu lhe trouxe aqui, não vai nem me convidar para um café?
Pip perguntou já com seu lado brincalhão de ser. Lizzie permaneceu encarando-o fixamente. Ela poderia mata-lo ali mesmo, ou apenas causar algumas feridas nele. Mas não queria causar essa impressão em Gotham. Até porque não seria boa coisa. Ela não conhece o chefe dele. Não sabe o quanto ele é perigoso. Então preferia não mexer com homens vestindo uma máscara de palhaço. Não sabia do que eles eram capazes.
- Eu não pedi para você me trazer aqui. Você veio por vontade própria. E não tenho nada de interessante aqui, a não ser uma cama, para a qual eu vou agora. Estou cansada. Tenha um bom dia!
Assim que ela terminou de dizer, fechou a porta na cara dele. Pode o ouvir xingando-a do lado de fora e depois passos se distanciando da porta. Ela soltou um suspiro aliviado por ter conseguido de livrar dele. Trancou a porta e pendurou a chave em seu pescoço. Logo correu para a cama e se jogou nela sem ao menos tirar o tênis. Ela viu aquela caixa preta e encima dele tinha um pequeno bilhete. Ela o pegou e abriu o papel que estava dobrado em dois. Logo pode ver uma caligrafia bem desenhada. A morena então leu aquele bilhete.
“Vi que você não estava em casa. Espero que você não se perca na cidade. E que você não se meta em encrenca! Não esqueça que sou um detetive, ok? Aqui está uma coisa eficaz para o seu dia-a-dia aqui em Gotham. Tenha um bom dia.”
A morena não pode deixar de sorrir ao ler aquilo. Ela deixou o bilhete de lado e abriu a caixa com cuidado. Queria muito saber o que estava ali dentro. Ao abrir ela não pode deixar de rir. Era um celular. Ela pegou aquele celular e ligou a tela. Nele mostrou seis chamadas não atendidas de John. Ele havia memorizado o número dele já. Lizzie pensou que ele deveria estar preocupado com ela. A morena então retornou a ligação. Então começou a tocar. No quarto toque ela ouviu a voz dele.
- Beth?
A voz dele parecia mesmo preocupada. Ela se sentiu mal por isso. Odiava quando fazia as pessoas se sentirem preocupadas com ela.
- Blake! Obrigada pelo celular.
Ela tentou parecer normal, como se não tivesse passado por aquilo tudo.
- Por onde você andou? Você chegou só agora?
Ele havia ignorado completamente o que ela havia dito. Ela podia ouvir muitas vozes de fundo. Ele deveria estar na delegacia. Lizzie sentiu-se um pouco nervosa no momento. Ela não queria mentir para ele. Porém era necessário. Ela não poderia sair falando que foi praticamente raptada por um bando de palhaços, e logo depois foi dada como brinde a um espantalho.
- Eu me perdi em Gotham, me desculpe.
Ela rapidamente se arrependeu de ter dito aquilo. Sentiu-se uma completamente burra por ter falado aquilo. É claro que ele iria perceber isso.
- Não ouse sair de casa. Estou indo te encontrar.
A ligação logo terminou. Ele havia desligado. Lizzie sentiu um frio na barriga por causa de suas últimas palavras. Ele estava vindo e ela teria que mentir mais uma vez na cara dele. Ela odiava tanto isso. Não gostava de mentir para as pessoas. Mesmo sendo boa nisso. A garota se jogou para trás se deitando na cama. Começou a encarar o teto com o celular nas mãos. Ela tentava finalmente pensar no que estava fazendo. Aquilo parecia ser loucura. E ela gostava disso, gostava de aventura. Então depois de poucos minutos as pálpebras de Lizzie não aguentaram de cansaço e ela adormeceu na cama. Agora era apenas esperar para que Blake chegasse e a acordasse desse sono que ela tanto precisava, mas lutava contra.
Notas finais
Vocês querem que ela tenha uma aproximação com Blake agora ou apenas depois?
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