Dark Princess

3 Tell me your secrets.


Lizzie passou o dia inteiro com sua amiga. Ela sabia que precisava ficar ali o quanto Mia precisasse. Foi um dia muito tenso para as duas. Mia às vezes ficava quieta demais revendo as horríveis cenas do que aconteceu ali. Lizzie procurava mantê-la ocupada para ela não pensar muito nisso. Mas aquilo era uma tarefa difícil. Maria havia se machucado um pouco e estava em choque. Os paramédicos a levaram para o hospital. Nesse momento elas estavam na sala de visita do hospital da cidade. Não havia muitas pessoas. Lizzie e Mia eram as únicas que estavam ali naquele momento.

Elizabeth odiava ter que entrar em um hospital. Nunca gostou de estar em um. Mas nesse caso ela estava se segurando para não sair dali correndo. Lizzie olhou para um relógio grande que ficava pendurado na parede do hospital e viu que ele marcava 15h35m. Ela já estava à uma hora ali sentada. Os policiais tinham ido embora depois que souberam que nem Maria ira fazer queixa. Lizzie ficou muito brava com aquilo, ela prometeu a si mesma que ainda iria acabar com aquele idiota. Mesmo que isso custe à amizade dela com Mia. E ela estava absolutamente certa de que seus atos eram para o bem de todos. Preferia ver Mia brava com ela e sem nenhum hematoma pelo corpo do que embaixo da terra sem poder aproveitar a vida que ela tinha ainda pela frente.

Lizzie olhou para Mia que estava deitada no pequeno sofá. Ela havia pegado no sono e agora dormia como um anjo. A morena resolveu deixa-la dormir um pouco, pois ela precisava disso. Levou sua mão delicada até o rosto de Mia tirando uma mecha que caía em seu rosto. Ela achava Mia tão pequena e delicada. Não conseguia imaginar alguém querendo fazer mal a ela.

A morena resolveu ir até a cafeteria do hospital, pois aquilo a estava cansando. Precisava ficar aqui até Maria ficar boa o suficiente para ir embora. Ninguém iria mexer com Mia ali, era óbvio. A garota saiu andando pelos corredores procurando por placas que indicavam onde ficava a cafeteria. Ela não conhecia o hospital direito, então se sentia perdida ali. Lizzie chamou atenção de uma enfermeira que passava ali e pediu informação de onde ficava a tal cafeteria. A moça explicou gentilmente e a morena agradeceu andando para o local. Chegando lá se assustou ao perceber que estava quase cheio. Talvez essa seria a hora que os médicos almoçam.

Lizzie se apressou até a fila do café e esperou lá. Havia quatro pessoas a sua frente. Ela ficou olhando para os sabores de café que ficava pendurado na parede. Esperou alguns minutos até chegar a sua vez. Quando chegou sua vez ela pediu um cappuccino extraforte de tamanho médio. Segundos depois ele já estava na mão dela. Ela pagou e saiu dali andando por entre as mesas. Todas estavam lotadas. Lizzie ficou olhando para ver se alguém levantasse de uma mesa, porém ninguém levantava. Tomou um gole do seu café e começou a observar as pessoas. Ela então viu um rosto conhecido ali no meio. Não acreditou quando viu, era Jake.

Ele estava sozinho em uma mesa de canto. Ele encarava a cadeira livre em sua frente. Ele parecia abatido, coisa que Lizzie nunca viu. Eles nunca se deram bem, pois Jake já maltratou Mia e Lizzie já havia quebrado o nariz dele por isso. Mas por mais que Lizzie não gostasse nele, ela estava com pena de vê-lo ali sozinho. Ainda mais em um hospital. A morena foi até a mesa dele. Quando chegou perto chamou sua atenção. Ele saiu de seus pensamentos e olhou para ela. Demorou alguns segundos para ele entender mesmo que era ela ali.

– O que faz aqui?

Elizabeth perguntou se sentando na cadeira de frente para ela. Ele tinha uma expressão de mal humorado. Encarava-a com cara de poucos amigos, mas ela não ligava.

– Bom, para brincar que não é.

Lizzie soltou uma risada irônica e tomou um gole de seu café.

– Então você veio consertar o parafuso solto do seu cérebro, não é?

A morena disse rindo da própria piada encarando ele. Jake continuou quieto, ele desviou o olhar dela e começou a olhar para os residentes que almoçavam ali.

– Minha avó está em coma, por isso estou aqui.

Lizzie sentiu um aperto no peito ao ouvir aquilo. Sentiu-se uma idiota naquele momento por estar rindo da cara dele. Ela ficou cabisbaixa olhando para o próprio copo de café não querendo encara-lo.

– Eu sinto muito.

Jake voltou a olha-la e viu que ela estava cabisbaixa agora.

– Não, você não sente. Mas eu entendo o que você quis dizer.

Lizzie levantou o olhar olhando para ele séria agora. Eles ficaram se olhando por alguns segundos. A morena se sentiu ofendida com aquilo, pois na verdade ela sentia mesmo.

– Você está errado. Eu sinto mesmo por você, e por ela. Eu não sei o que é ter nenhum de meus avôs em uma cama de hospital porque nunca conheci nenhum deles. Mas eu sei o que se passa na cabeça quando uma pessoa de sua família está nessas condições.

Lizzie disse tomando mais um gole de seu café. Jake ficou por alguns segundos encarando ela surpreso por aquela resposta.

– Se você diz que sente...

– É claro que sinto e ponto final.

Lizzie viu pela primeira vez Jake sorrir sinceramente de algo que ela dizia. Ela não deixou de sorrir também. Os dois ficaram quietos por mais ou menos dois minutos. Chegou a ser até constrangedor aquele silêncio.

– E o que você está fazendo aqui?

Jake perguntou olhando para ela curioso. Lizzie então se lembrou de que Mia estava lá dormindo sozinha e que não poderia ficar muito tempo ali.

– Vim acompanhar a Mia e a mãe dela.

Jake sabia muito bem quem era Mia. Por mais que ele não quisesse se preocupou com aquilo.

– Aconteceu alguma coisa com a Mia?

Lizzie olhou para ele surpresa ao perceber que tinha preocupação na voz dele. Ela ficou alguns segundos sem falar nada. Aquilo era estranho.

– Aconteceu... Mas acho que você não precisa saber.

Jake lançou um olhar de raiva para ela. Mas a morena nem se tocou. Terminou seu café e se levantou da mesa rapidamente deixando o copo vazio ali. Jake em um impulso se levantou junto.

– Não vai contar para mim? Eu contei para você minha situação aqui.

Lizzie se virou olhando para ela mais uma vez e rolou os olhos.

– Não vou falar sobre isso, Jake. Isso está acontecendo com ela e se ela não quer que ninguém saiba, eu respeito isso... Se quiser saber algo, fale você mesmo com ela!

A morena saiu andando deixando Jake para trás. O que ela havia dito era a pura verdade. Ela não precisava ficar contando logo para Jake o que acontecia na vida de Mia. Ninguém precisava ficar sabendo disso.

Lizzie voltou a caminhar de volta para onde Mia estava dormindo. Quando chegou lá Mia estava acordada e conversando com o médico. A morena apressou o passo até chegar nela e então sorriu ao ver que Mia havia visto-a.

– Doutor, ela já pode ir embora?

Lizzie perguntou rapidamente para o médico. Para sua alegria, o médico sorriu. Um ótimo sinal.

– Sim, ela já está perfeitamente bem. Está chamando por você, Mia. E também quero dizer que ela precisa descansar mais, tudo bem?

Mia assentiu com a cabeça e agradeceu o médico. Ele deu uma folha para Mia e saiu andando. Lizzie abraçou sua amiga que retribui e sorriu parecendo um pouco mais feliz. Elas então se dirigiram até o quarto onde Maria se encontrava. Chegando lá a viram sentada no quarto parecendo esperar por alguém. Logo então ela notou as duas ali. Sorriu alegremente e se levantou da cama e correu para abraçar sua filha. Lizzie viu aquela cena com um sorriso no rosto. Elas ficaram por algum tempo abraçadas. A morena não queria interferir naquele momento, então apenas ficou quieta olhando aquela cena linda de mãe e filha. Depois de algum tempo elas resolveram ir embora dali. Mia pegou a mão de sua mãe e Lizzie conduziu as duas até a saída do hospital. Logo que chegaram lá na frente à morena chamou um táxi que estava ali parado. Mia e Maria entraram no bando de trás e Lizzie foi à frente. Ela passou o endereço para o motorista e seguiram a viagem em silêncio. Dez minutos depois chegaram à casa de Mia. O carro parou bem na frente e elas saíram do carro. Lizzie pagou o táxi e ele foi embora. Maria foi até a porta de casa e pediu as chaves da porta para a filha, ela lhe passou as chaves e logo destrancou a porta. Lizzie ficou atrás das duas esperando-as abrir a porta. Logo que a porta se abriu pode se ver os vasos no chão e a bagunça. Maria e Mia suspiraram juntas e olharam uma para a outra.

– Parece que hoje vai ser o dia da faxina, não é?

Mia falou para a mãe dela que abriu um sorriso e assentiu com a cabeça. Lizzie também sorriu e as três entraram na casa.

– Eu posso ajudar também, é claro.

Lizzie disse olhando em volta vendo que não tinha muita coisa assim para ser arrumada. Seu quarto já foi muito mais bagunçado que essa casa toda. Mia olhou para a amiga e riu.

– Nossa, a patricinha vai colocar a mão na sujeira.

Lizzie fechou a cara para Mia e cruzou os braços. Mia riu com aquilo. Ela sabia que a morena odiava ser chamada de patricinha.

– Não sou patricinha, você sabe disso.

Lizzie disso um pouco emburrada com Mia. O que fez a garota rir mais ainda.

– Tudo bem, desculpe. Vamos arrumar isso logo!

As três então começaram a arrumar a casa. Mia ficou com a sala, Maria com a cozinha e Lizzie com o quarto de Mia. Elas fizeram isso muito rápido até. Não tinha muita coisa para arrumar. Quando Lizzie terminou de arrumar o quarto de Mia, ela foi até a porta onde havia aquela mancha de sangue. Não sabia de onde era aquilo, porém não queria nem saber. Ela pegou um balde com um pouco de água e um esfregão e começou a esfregar até sair o excesso do sangue ali. Ela ficou uns dez minutos ali, porém parecia difícil tirar tudo. Era meio impossível. Desistiu de tentar tirar aquele resto de mancha e resmungou por estar com um pouco de dor nas costas.

Desceu as escadas com o balde de água sujo nas mãos e foi até a cozinha onde as duas já estavam acabando de arrumar. Ela jogou a água fora e o deixou ao lado da pia. Voltou até a pequena mesa de jantar e se sentou em uma cadeira. Suspirou de cansaço. Mia ao olhar para a cara dela riu.

– Cansou, não é?

Lizzie não disse nada apenas deu de ombros. Não queria admitir que estivesse cansada. Mas esse cansaço era também psicológico, ela sentia isso. Olhou para as duas que já pareciam estar muito melhores. Resolveu ir embora, pois sua mãe já deveria estar aflita buscando por notícias. Levantou-se da cadeira e foi até Mia.

– Eu vou embora... Vocês vão ficar bem?

As duas olharam para Lizzie e sorriram. Mia se aproximou da amiga e a abraçou. As duas fiaram assim por alguns segundos e Mia sussurrou um “obrigado” para ela. O que deixou a morena muito satisfeita. Lizzie deu um adeus para Maria também e saiu da casa de Mia. Começou a andar pelas ruas em direção a sua casa. Ela pegou seu celular do bolso para ver as horas. Eram 17h38m. O sol já não estava tão quente assim. Estava ótimo de se ficar na rua, porém ela estava cansada e precisava ir para casa. Ainda não havia comido nada hoje. Apenas um copo de café não a sustentaria.

Despois de meia hora andando lentamente pelas ruas. Ela finalmente chegou a casa. Viu que a porta estava destrancada e girou a maçaneta. Logo entrou na casa. Ouviu a voz de sua mãe vindo da sala e então uma voz conhecida veio logo adiante. Ela não lembrava direito de quem era à voz. Logo se apressou para a sala e chegando lá se deparou com Lucius e sua mãe conversando com um monte de papéis sobre a mesa de centro. Selina quando viu a filha sentiu seu coração gelar e rapidamente juntou os papéis e os cobriu com uma pasta. É claro que Lizzie tinha percebido aquilo, porém fingiu não ligar.

– Filha, onde você estava?

Selina tentou focar o assunto em sua filha. Mas sabia que ela era esperta o suficiente para mudar o assunto logo.

– Estava com Mia... Lucius, que honra lhe ver mais uma vez... O senhor não costuma vir muito aqui... Apenas quando acontece algo na empresa, ou em Gotham City. O que houve?


Notas finais
Olá, viram que eu já troquei a capa? Então, aquela da capa é nossa princesa rs.
Desculpem a demora! Espero que gostem... Agora que as coisas vão melhorar na fic. E obrigada aos que estão lendo! Deixem seu comentário, por favor. Criticas, sujestões... Por favor.
Até a próxima! Beijos.