Dark Princess
17 Make the Joker change his mind.
Notas iniciais
Duas semanas se passaram rapidamente para Lizzie. Ela sentia que estava encrencada, mas de alguma forma iria sair disso ilesa, pelo menos ela pensa nisso. Após conversar muito com sua mãe naquele dia em que ela apareceu no apartamento de Blake, convenceu ela de que podia ter seu próprio apartamento. Ela ficou aquelas duas semanas com seus pais na luxuosa cobertura Wayne que ficava no centro de Gotham. Era bom ficar com seus pais, pelo menos ela matou a saudades. E alguma coisa dizia que era melhor ela aproveitar cada momento com seus pais, pois isso não iria durar muito. Não do jeito que ela estava se envolvendo no crime de Gotham. Elizabeth passou essas duas semanas procurando apartamentos, ela queria algo grande, mas não luxuoso. Por isso escolheu Neville. Era seu bairro perfeito. E até irônico como Neville ficava entre seus pais e a Zona Baixa. Até que ela encontrou o apartamento perfeito, no meio de Neville. Era um pouco longe da casa de Blake, infelizmente ela não poderia ficar tão perto de um detetive. Era também longe o suficiente do Centro e da Zona Baixa.
O apartamento ficava no sexto andar do prédio. Era bem grande, uma sala com a cozinha estilo americana logo ao lado. Depois havia um pequeno corredor com três portas. Duas delas levavam a quartos. E a outra, o banheiro. No seu quarto havia outro banheiro. Ela pediu que colocassem banheira ali, assim foi feito. Lizzie mobiliou seu apartamento em dois dias, sem descanso. Ela não queria ficar mais tempo com seus pais, achava muito arriscado. Arrumou suas documentações, comprou a casa em seu nome com um pouco da fortuna que seu pai havia passado para sua conta. Aquele dinheiro poderia sustenta-la a vida inteira. E ela era grata por isso. E tudo isso foi possível porque Elizabeth completou dezoitos anos a três dias atrás. Ela se sentia livre. Pois poderia fazer tudo que quisesse, e seus pais não poderiam falar nada.
Eram quase 13h30m de uma segunda-feira tranquila, pelo menos até aquele momento. Lizzie estava em seu mais novo apartamento. Arrumava-se para sair, precisava ir ao banco, tinha coisas a acertar com seu dinheiro. Estava calor em Gotham, finalmente. Colocou um short jeans de cintura alta e uma blusa larga estilo social de cor azul clara. Pegou sua bolsa, azul também. Conferiu se seus documentos como Beth Kyle estavam ali, e logo depois calçou sua sandália de salto preta. Deixou seu cabelo solto e saiu de seu quarto. Quando chegou a porta, viu a gata parada ali, olhando para ela com aqueles olhos amarelos e grandes.
- Kono, eu já volto, tudo bem? Não precisa ficar com medo. Eu sei que é uma casa grande, você estava acostumada com o apartamento do Blake. Desculpa, gatinha.
Lizzie estava com essa mania de conversar com Kono, e parecia que a gata entendia. Pelo menos, Kono prestava atenção. A loira ficou olhando para aqueles olhos amarelos, até que a gata saiu da frente da porta e subiu no sofá se deitando nele. Lizzie abriu um sorriso e abriu a porta. Mas antes de sair, olhou para Kono mais uma vez.
- Se você não quebrar nada, eu prometo trazer o Luca pra brincar com você. Beijinhos, gata.
Lizzie fechou a porta, trancou e saiu andando até o final do corredor. Ainda não havia conhecido nenhum de seus novos vizinhos, mas assim era melhor. Apertou o botão do elevador e esperou por um tempo. Abriu sua bolsa e certificou-se se pegou o celular certo, ela tinha dois. Um totalmente sem GPS que sua família e amigos ligassem. E outro onde ela podia falar com Bane, Crane ou até o Coringa. Porém eles preferiam mandar SMS. Ela não entendia o por que. O elevador chegou e Lizzie abriu a porta, dando de cara com uma menina de mais ou menos sete anos e um rapaz que aparentava uns vinte e três anos. Lizzie sorriu para eles e ficou no canto do elevador. Apesar de adorar crianças, ela não queria arrumar amizades por aqui. Não podia arrumar amizades agora, ou mais tarde eles poderiam ser alvos. Ela sabia muito bem disso. Depois de alguns segundos ela chegou ao térreo e saiu praticamente correndo do prédio. Respirou o ar das ruas de Gotham e olhou o movimento na rua. Estava bem movimentada. Era um horário caótico para se andar nas ruas. Lizzie rolou os olhos e ficou ali parada uns cinco minutos até passar um táxi livre para ela. A loira agradeceu mentalmente e entrou no táxi dando a ele o endereço do banco central de Gotham, que ficava perto da Wayne Enterprises. Depois de quinze minutos, ela finalmente chegou ao banco. Pagou o taxista e saiu correndo do táxi e entrando no banco. Ele estava cheio, como sempre. A loira rolou os olhos e entrou na última fila, onde havia mais sete pessoas a sua frente. Ela percebeu que iria ficar ali pelo menos uma meia hora. Tentava se distrair olhando para como as pessoas se comportava na fila, até que viu uma menina linda, de mais ou menos cinco anos com sua mãe na fila do meio. Ficou admirando o quando aquela criança era inocente e brincava ao redor de sua mãe segurando uma boneca de pano. Percebia que às vezes sua mãe a mandava não ir muito longe. Mas assim que a mãe se distraiu, a menina correu para um banco que ficava entre as filas. Ela se sentou ao lado de um cara e olhou para ele, e logo amostrou sua boneca. Ele pareceu não gostar daquilo. Fez uma cara feia para ela e voltou a olhar ao redor. Lizzie notou que ele parecia apreensivo e olhava para todos os cantos. A loira estranhou isso, mas continuou olhar para a garotinha que brincava e falava com sua boneca. Logo a sua fila andou, e Lizzie deu três passos olhando para frente e agradecendo pela fila ter andado.
Segundos depois ela sentiu uma pontada no peito, aquela sensação de que alguma coisa está ou vai dar errada. Lizzie fechou os olhos e respirou fundo tentando tirar aquela sensação. Mas foi interrompida quando uma explosão foi ouvida no meio do banco e a gravidade jogando ela para o lado junto com o resto das pessoas ali. Lizzie bateu a cabeça no chão com força sentindo tudo rodar, soltou um grunhido e tentou se levantar. Logo ouviu gritaria e tiros de metralhadora por todos os lados. A loira olhou para os lados e viu as pessoas tentando se esconder e ir para trás do balcão. Ainda no chão, olhou por todos os lados procurando por aquela garotinha, ela era prioridade ali, pois era uma criança. Logo a viu ao lado de sua mãe que estava no chão, inconsciente e sangrando. Lizzie pensou no pior ali. A garotinha chorava e chamava por ela, nem ao menos ligava para os homens com metralhadores fazendo vítimas e roubando o banco. Lizzie se arrastou até a garota e a chamou.
- Ei, você! Venha aqui.
Lizzie chamou a atenção dela e a garotinha olhou. Ela pareceu que não queria sair do lado de sua mãe, mas ela estava muito exposta. A loira não poderia deixar isso acontecer. A criança se levantou do lado da mãe e começou a andar em direção a Lizzie, mas antes que ela pudesse chegar a loira, um dos homens se colocou a frente dela.
- Aonde a pirralha pensa que vai?
A voz dele era grave e raivosa. Lizzie olhou para o rapaz que estava de costas para ela e pensou em nocauteá-lo. Mas seria impossível, já que os amigos dele estão por ai com armas. Percebeu que ele usava máscara, mas não conseguia ver. Procurou por outros caras e logo viu um deles com uma arma apontada para uma mulher que parecia trabalhar no banco. A loira olhou para a máscara, e naquele momento sentiu seu coração disparar. Palhaços. Um grito da garotinha a chamou atenção. Quando viu, o rapaz estava segurando a garotinha pelo braço. Lizzie sentiu seu sangue ferver, ela não admitia isso. A loira se levantou e correu até ele gritando.
- NÃO! SOLTE ELA, SEU IMPRESTÁVEL!
Lizzie ganhou a atenção de todos ali no banco. Vitimas abismadas tentando entender a coragem dela. E os palhaços que tentavam entender o que estava acontecendo. O palhaço ficou por um tempo olhando para Lizzie ainda segurando a menina.
- Vai fazer o papel de heroína? Acho que isso não se parece com você.
O palhaço disse apertando o braço da garotinha que gritou de dor. Lizzie estava ficando cada vez mais furiosa. Respirou fundo e começou a se aproximar do palhaço que logo apontou a arma pra cabeça dela.
- Solte a garota, é apenas uma criança. Não há nada que você possa fazer com ela.
Lizzie disse olhando nos olhos daquela máscara. O palhaço riu da cara dela e destravou a arma.
- Vamos dizer que eu goste mais das crianças... Elas não sabem dizer não.
O palhaço parecia querer brincar com Lizzie. A loira engoliu seco pensando no que um doente como ele poderia fazer com aquela criança assustada. Mas ela não admitia pedófilos, e não iria admitir que ele tocasse nela. Lizzie nem ao menos ligava para a arma destravada em sua testa.
- Eu vou acabar com você.
A loira praticamente rosnou pra ele. Antes que o palhaço pudesse dizer alguma, mais tiros foram ouvidos. Lizzie olhou para onde os tiros vinham e viu um palhaço matando as pessoas que antes estavam nas filas. A loira quis ir até ele e acabar com o palhaço. Não podia acreditar que eles estavam fazendo isso com o povo. Quando voltou a olhar para o palhaço a sua frente, ele já estava saindo andando com a criança. Lizzie saiu correndo até, mas antes que pudesse encostar nele, um outro palhaço apareceu e a pegou pela cintura a apertando.
- Me solta, seu idiota! Porque não pegam o dinheiro e somem daqui? Deixe a criança em paz! Eu vou no lugar dela, por favor!
Lizzie tentava se soltar dos braços do palhaço. Mas ele era realmente forte. E ela não poderia usar nada contra eles. Ela não poderia deixar aquela criança morrer também. Ela queria saber onde estava a policia agora. Onde estava o símbolo que Batman era? A loira então escutou aquela risada maníaca em seu ouvido. Seu corpo tremeu e ela ficou chocada com aquilo.
- Seria uma boa ideia, lebrezinha. Mas não seria melhor levar as duas?
Aquela voz, aquele apelido estúpido que ele deu a ela. Lizzie sentia-se encurralada naquele momento. Mas tudo que ela queria fazer é salvar a vida daquela garotinha. Era uma força maior que ela, salvar a vida da garotinha era mais importante que sua própria vida.
- Coringa, mande seus palhaços pararem de matar essas pessoas! Elas não têm culpa de estarem aqui. Roube o dinheiro e vá embora.
Lizzie praticamente suplicou a ele. Coringa então soltou a cintura de Lizzie e a pegou pelo braço. Ela olhou para o rosto dele, mas ele estava com máscara também. Perguntou-se qual é o sentindo de um cara que já usa maquiagem de palhaço, usar uma máscara de palhaço. Coringa levantou sua metralhadora e atirou para cima assustando o resto dos sobreviventes, que eram poucos. Ela olhou para trás e viu sua bolsa jogada no chão. Sabia que seria horrível para sua mãe e seu pai quando encontrasse apenas a bolsa ali. A loira foi arrastada para fora do banco, olhava para a criança a sua frente que chorava em silencio, e aquele maldito que a segurava pelo braço. Quando ela tivesse chance, mataria ele. Duas vans pretas esperavam do lado de fora, vários palhaços apareceram com grandes malas de dinheiro e entraram na van com elas. Coringa entrou na segunda van com mais alguns palhaços, a garotinha e Lizzie. A loira sentou-se na frente da garota que parecia estar em choque. Lizzie não sabia o que fazer naquele momento. Ela sabia que Coringa era o pior dos piores. E que ele poderia matar todos ali a qualquer momento, incluindo aquela criança. A porta da van se fechou e Lizzie ficou olhando apenas para aquela garotinha a sua frente, sentia nojo a cada vez que aquele palhaço tocava no braço da pequena menina. Ela sabia que Coringa não iria se importar em perder um de seus palhaços, ele nunca se importa com nada. Lizzie só esperava que tudo desse certo.
- Cobertura Wayne, Centro de Gotham. –
Selina olhava abismada para a foto de sua filha na grande televisão. Estava em todos os noticiários. Ela não sabia se surtava, ou se saia atrás de Coringa para acabar com ele. Seu coração de mãe apertava dentro de seu peito. Suas mãos tremiam, ela mal conseguia se sustentar em pé. Sua filha nas mãos do pior psicopata que Gotham já viu. Ela sabia que Lizzie não poderia ficar sozinha, sabia que sua filha era um imã de confusão. A porta do apartamento se abriu e nele Bruce, Alfred, Lucius e Blake entraram. Todos aflitos. Bruce foi até Selina e a abraçou.
- Precisamos fazer algo! Coringa é um psicopata louco e está com minha filha!
Selina disse aflita enquanto via nos olhos de Bruce aquela dor. Ela sabia como Bruce se sentia. Ele, mais que ninguém, sabia do que Coringa era capaz de fazer com uma pessoa. Blake também era um que estava enlouquecendo por dentro. Ele conhecia Lizzie a um mês, mas era o suficiente para ama-la e temer pela vida dela. Bruce olhou para Blake e depois olhou para Alfred. Ele sabia que o que estava prestes a fazer era perigoso.
- Eu vou pega-lo.
Bruce disse soltando-se de Selina, que ficou parada ali tentando entender o que ele iria fazer. Wayne olhou para sua mulher e soltou um suspiro pesado. Assim a morena logo entendeu aquilo.
- Não, Bruce. Você não pode colocar aquela máscara e sair por ai. Não depois de Dezessete anos!
Agora todos ali naquela sabiam o que Bruce iria fazer. Alfred não gostou muito daquilo. Elizabeth já estava em problemas, agora seria seu pai também. Blake concordava com Bruce em tudo, e ele queria salvar a vida de Lizzie também.
- Isso é arriscado, Bruce. Todo esse tempo que você ficou parado. E agora vai simplesmente voltar?
Lucius disse com razão. Selina apenas assentiu concordando com Fox. Mas Bruce não tinha razões para não fazer aquilo.
- É minha filha. Não vou deixa-la nas mãos daquele louco.
Bruce estava mais que decidido. E ninguém iria impedi-lo. Blake também iria ajudar, e ele poderia.
- Gordon está trabalhando nesse caso agora. Acho que podemos usar a ajuda dele para algumas coisas.
Blake disse chamando a atenção de todos. Selina sabia que Bruce não iria parar. Então ela teria que entrar nessa também.
- Vamos falar com Gordon. Acho que ele tem o direito de saber que você está vivo, e que vai voltar antes que todo o resto de Gotham.
Selina disse como se fosse um pedido. Bruce olhou para todos ali e assentiu com a cabeça. Gordon era importante para todos ali, ele poderia ajudar muito.
- Eu encontro com vocês no Departamento. Falarei com Gordon, e ele nos ajudará. Lucius, eu preciso de sua ajuda com alguns equipamentos. Alfred, me mantenha atualizado caso algo apareça.
Todos ali assentiram e foram fazer o mandado. Selina ficou ali parada com Blake. Ela sabia que precisava enfrentar isso junto com Bruce. Afinal, era Elizabeth que estava em risco.
- Zona Portuária, Gotham. –
Lizzie não fazia ideia de onde estava, ainda não conhecia essas redondezas de Gotham. Mas pelo cheiro de maresia, ela estava no Cais. Ela andava sendo levada pelo Palhaço-Chefe, Coringa. A loira não tirava os olhos da criança que agora andava ao seu lado segurando sua mão. Lizzie nem ao menos conseguia olhar para aquele palhaço nojento que estava ao lado de menina e não soltava seu braço. Coringa estava do outro lado da loira, e atrás vários palhaços com malas de dinheiro.
Logo eles chegaram a um grande balcão totalmente fechado. Tinha dois homens parados na porta, seguranças. Coringa entrou, logo em seguida Lizzie, depois o resto. O palhaço a puxou para um lado totalmente contrário da criança, o que a fez soltar-se de sua mão bruscamente. Lizzie tentou voltar para pegar a criança, mas Coringa não a deixou.
- Me solta! Eu não vou deixar ela com aquele louco!
A loira gritou para Coringa, que não gostou nem um pouco de saber que ela não tinha medo dele. O palhaço a pegou pelo pescoço, apertando-o. Lizzie sentiu seus pulmões fraquejarem.
- Acho que eu preciso te ensinar a ter medo, Lebrezinha. O que acha?
Coringa pendeu a cabeça abrindo ainda mais seu sorriso. Lizzie sentia seus pulmões ansiarem por ar. Segundos depois Coringa soltou o pescoço dela e a loira caiu no chão, sufocada. Começou a tossir e respirar freneticamente. Olhou para trás vendo que a garotinha já tinha sumido. Coringa a pegou pelo braço e levantando bruscamente e começou a arrastá-la em direção a uma porta bem longe daqui. Lizzie olhava para todos os lugares, percebia olhares curiosos dos palhaços e tentava achar Pip ali no meio. Para a má sorte dela, ele parecia não estar ali. Chegando de frente aquela porta. Coringa a abriu rapidamente e entrou empurrando Lizzie. A loira olhou em volta e sentiu um arrepio, naquele momento ela começou a se preparar mentalmente para o que iria acontecer ali. Era mais parecida como uma sala de tortura. Não havia nada além de uma maca de ferro no meio dela, e uma pequena mesa ao lado com medicamentos e alguns instrumentos cortáveis e perfuráveis. Ela olhou para Coringa que tinha seu sorriso diabólico no rosto. Ele queria ver o medo nos olhos dela. Queria ser o primeiro a fazê-la sentir medo. Seria como um troféu para ele.
- Você pensa que me torturando vai me fazer sentir medo?
Lizzie perguntou. Ela olhava naqueles olhos esverdeados e sem vida enquanto ele se aproximava mais dela. Coringa levou uma de suas mãos até o cabelo da loira e acariciou-o.
- Será divertido, isso é o que importa. E temos que fingir que você é minha vitima, ou os policiais irão pensar que você é minha cumplice! Veja por este ponto, estou apenas te ajudando.
Coringa a levou até a maca e colocou-a sentada ali. Lizzie apenas analisava tudo com cuidado. Aqueles objetos cortantes iriam doer, e muito. A loira bloqueava seu consciente aos poucos. Tornando-se fria. É como uma autodefesa. Ela não queria que nada mexesse com seu psicológico. Naquele momento ela se tornaria o espelho de Coringa. O palhaço a deitou ali, e algemou suas mãos ao lado da maca. Lizzie apenas olhava para o teto imaginando que deveria resistir de tudo aquilo e sair dali com vida ainda para salvar aquela garotinha. A loira então sentiu seu pescoço arder. Logo voltou a realidade e percebeu que Coringa estava com uma faca na mão suja de sangue. Seu pescoço começou a arder e ela sentiu aquele liquido quente derramar.
- Você vai me matar?
Lizzie perguntou. Ela não queria morrer, não naquele momento. Nunca se importou com a morte. Porém, ainda tinha coisas para resolver. Coringa soltou uma de suas risadas esquisitas.
- Se eu matar você, não teria com quem brincar.
Ele parecia uma criança falando. Lizzie sorriu aliviada ao saber que não morreria hoje, mas provavelmente sairia com danos ali. Coringa voltou a corta-la no pescoço. Eram cortes um pouco artificiais, mas o bastante para sangrar. Lizzie sentia que ele desenhava em sua pele. Ele queria deixa-la marcada.
- Você está desenhando na minha pele?
Lizzie perguntou com a voz um pouco rouca. Coringa rolou os olhos e segurou-a pelo queixo.
- A questão não é desenhar! E sim, deixar minha marca em você.
Lizzie suspirou e fechou seus olhos. Ela sabia que seria um longo dia.
- GCPD (Departamento de Policia), Gotham –
Gordon estava sentado em sua mesa tentando entender tudo aquilo que acontecia. Eram tantas coisas passando em sua cabeça. A sua frente estavam: Blake, Selina e Batman. Ele estava abismado em saber que Batman estava vivo, e que agora tinha uma filha com Selina, a mulher gato. E a filha dele estava nas mãos de Coringa. Todos ali naquela sala estavam apreensivos. Gordon olhou para Selina e depois para Batman. Logo depois suspirou e se levantou se sua cadeira.
- Elizabeth foi pega por tentar ajudar uma criança. Acabou que ela e essa criança foram levadas. Então tenham em mente que são duas reféns nas mãos daquele palhaço.
Gordon andava de um lado para o outro. Aquela situação estava realmente difícil. Selina sentiu seu coração acelerar ao ouvir aquilo. Ela não sabia que sua filha tentava ajudar uma criança. Sentiu orgulho por um momento.
- Não temos pistas, nada. Coringa é um fantasma. Tudo que podemos fazer é esperar. Há policia em todos os cantos dessa cidade. Coringa não costuma fazer reféns assim.
Blake falava aquilo sentindo um aperto no peito. Ele queria fazer alguma coisa. Gordon que estava distraído, nem ao menos viu quando Batman desapareceu de sua frente. Ele sentiu falta daquilo, de ver Batman desaparecer assim. Ainda mais agora sabendo sua identidade. Coisa que ele nunca deduziria. Selina estava mais aflita do que qualquer um, ela andava de um lado pro outro rezando para que o palhaço não a machucasse.
- Kyle, você acha que pode ser possível que Coringa saiba que ela é filha de Batman?
Selina parou de andar e olhou para Gordon com os olhos arregalados. Aquilo seria o pior de seus pesadelos. Coringa nunca poderá nem ao menos pensar sobre isso.
- Nunca! Ninguém seria capaz de pensar isso. Elizabeth tem duas identidades. E ela apenas é falada por Gotham como Beth Kyle.
Selina confiava em Gordon. Ele nunca deixaria a família de Batman para trás, ele devia isso a ele. Blake também faria tudo para ajudar, já que ele sentia que deveria cuidar de Elizabeth.
- Vamos encontra-la. E vamos salva-la das mãos daquele doente.
Gordon disse confiando em suas próprias palavras. Agora que Batman estava de volta, ninguém poderia detê-lo.
- Zona Portuária, Gotham. -
Passaram-se três horas. A tarde já chegava ao fim e Elizabeth continuava ali, perdendo sangue, sendo mutilada. A dor já não era mais problema dela, o tempo ia passando e a loira iria se acostumando com toda a dor. Talvez fosse isso que Coringa queria. Acabar com a dor dela também. A dor física. E transformar tudo em puro prazer. O palhaço não cansava de ver o sangue saindo de sua pele. E ele adorava ainda mais como Elizabeth reagia a tudo isso. Ela apenas se fechava. Respirava fundo e se desligava todos os sentimentos. Deixando que tudo aquilo não passasse do físico.
- Acho que você já perdeu sangue demais, Lebrezinha.
Coringa disse largando sua faca de lado. Elizabeth levantou sua cabeça olhando para sua blusa que antes era azul clara, mas agora era vermelha de sangue. Coringa havia feito cortes por toda sua barriga, braços, pescoço e coxas. Tudo nela agora era cicatriz. Lizzie ao ver que estava toda banhada em seu próprio sangue soltou uma risada alta. Coringa pendeu a cabeça analisando o comportamento nada comum da garota. Ele queria tanto decifrar o que se passa na cabeça dela. Elizabeth descansou sua cabeça que doía de volta na maca e olhou para Coringa.
- Acho que você esqueceu a minha cara!
A loira disse em um tom de deboche e voltou a rir. Coringa apenas riu junto com ela. Os dois agora pareciam dois loucos. Como se Lizzie quisesse aquela dor, como se ela quisesse estar ali. Porém, ela parou rir assim que se lembrou da garotinha. Ela precisava fazer alguma coisa.
- Vamos fazer uma aposta?
Lizzie perguntou esperançosa. Coringa parou de rir e se aproximou dela. Ficou curioso sobre aquilo. Não entendia como ela ainda tinha forças para fazer uma aposta. Mas ele gostava disso nela.
- Estou ouvindo...
Coringa praticamente cantarolou aquelas palavras com sua voz esquisita. Lizzie abriu um sorriso fraco e suspirou.
- Aposto que se você me soltar e me levar aquele palhaço que está com a criança, eu consigo fazê-lo sofrer com uma de suas facas.
Elizabeth estava fraca, mas não tanto. Ela sabia que poderia fazer isso. Ela tinha forças para acabar com ele. Estava guardando essa força dentro de seu peito. Coringa gostou de ouvir aquilo. Era o que ele queria, fazer aquela garota sujar suas mãos com sangue até ela não poder lidar com tudo e ficar tão insana quanto ele.
- Não seria má ideia ver você em ação, Lebrezinha. Mas se você não ganhar, eu irei continuar minha tortura com você.
Coringa disse enquanto abria as algemas que prendia Elizabeth à maca. A loira abriu um sorriso doentio que nem ela mesma reconheceria no espelho. Mas naquele momento ela estava sendo o espelho de Coringa. E tudo que ele faria, ela faria também.
- Porém, se eu ganhar, você terá que me deixar ir embora com a garotinha.
Coringa parou para pensar um pouco e depois assentiu com cabeça. Lizzie se levantou com um pouco de dificuldade e ficou sentada na maca por alguns segundos. Olhou para suas pernas e viu marcas de sangue escorrendo de suas feridas. Havia vários cortes em suas coxas, uns eram em formato de “x” outros como um jogo da velha. Viu que em seus braços também apenas continham vários “x”. Ela estava toda suja de sangue. Nem ao menos queria ver o que tinha em seu pescoço. Saiu da maca e se concentrou em andar para fora daquele lugar. Coringa abriu a porta para ela com um sorriso no rosto. Ele queria muito ver aquela briga. Antes de sair, Lizzie foi até a mesa onde havia vários instrumentos, pegou um canivete médio e voltou a sair daquela sala com Coringa ao lado. Lizzie andava com passos pesados. Aquela adrenalina que passava por suas veias era o motivo dela conseguir estar de pé. Vários palhaços por ali ficaram chocados ao ver Lizzie coberta de sangue e com um canivete na mão. Coringa a levava em direção a uma porta. Logo quando a chegaram em frente à porta, Lizzie abriu-a e se deparou com vários homens, eram todos os palhaços, sem máscara. Lizzie logo notou Pip, ele estava ali. Ele olhou para Lizzie e arregalou os olhos. A loira sorriu pra ele e foi para o meio da sala, no meio de todos os palhaços que olhavam para ela abismados. Eles não estavam entendo o porquê ela ainda estava viva. Coringa não era desses de deixar uma garota viva.
- Algum dos palhaços pode dizer onde está aquele infeliz que pegou a garotinha no banco?
Lizzie disse raivosa olhando para a cara de cada um dos palhaços. Ela pode notar medo em alguns olhares, outros mais curiosos. Coringa apenas estava de lado observando tudo atentamente. Ele estava adorando aquilo, ela realmente parecia ter o dom de aterrorizar as pessoas quando quer, ele percebia isso quando olhava para alguns de seus palhaços que demonstravam medo da garota. Lizzie ficou ali esperando, até que um deles dá um passo a frente com um sorriso sínico no rosto. Ele era mediano, tinha músculos e usava uma blusa regata que mostrava algumas tatuagens de cadeia. Ele foi até a loira e ficou bem a frente dela.
- Estou aqui, vadia. O que quer?
Aquela voz dele dava mais novo pra ela. Imaginar ele tocando aquela garotinha apenas aumentava o ódio e a força dela. Lizzie nem se importava com seu corpo fraco e cheio de feridas abertas.
- Preparado para morrer?
Lizzie perguntou apertando o cabo do canivete em sua mão e segurando-o firme com o punho fechado. Todos ali começaram a rir, inclusive ele. Como se ela não fosse capaz de nada. Lizzie suspirou e abriu um sorriso frio. Ela gostava daquilo, gostava quando os homens a subestimavam, pensando que só porque ela era pequena e uma garota, não poderia matar um homem. Ela já fez isso. Sem ao menos deixar o rapaz pensar em suas ultimas palavras, rapidamente e levantou a faca e apunhalou a garganta do homem, o sangue jorrou na hora em cima dela, inclusive em seu rosto. A sala ficou em silencio absoluto. Apenas era ouvido o capanga a sua frente se sufocando. Não satisfeita, Lizzie forçou a faca para baixo cortando da garganta até o meio do peito dele. Podia ser ouvido o sangue bater no chão como se uma cachoeira tivesse caindo ali. O peito do homem estava totalmente aberto. E a vida dele estava terminando ali. A loira empurrou a faca para dentro e ela encravou no coração, acabando de uma vez com a vida dele. O corpo caiu para trás, na própria poça de sangue. Lizzie respirou fundo e observou o corpo falecido por um tempo. Sentia-se livre agora, por matar aquele homem sujo e nojento. Sentia que fez vingança pela família das crianças que ele um dia tocou. Lizzie então olhou para os homens que estavam ali, e todos estavam olhando para ela como se ela fosse pior que o Coringa. Já o palhaço-chefe, estava maravilhado e ao mesmo tempo intrigado com o que ela fez. Ele nunca havia visto uma garota que pudesse ser tão fria assim. Uma mulher dessas não tinha medo da morte, não tinha medo de nada. E era disso que ele precisava, uma mulher que pudesse sujar suas mãos com sangue.
Lizzie começou a andar em direção a Coringa, e todos os palhaços que estavam ali por perto, rapidamente se afastaram dela. A loira abriu um sorriso doce para Coringa.
- Onde está a menina?
Lizzie perguntou. Coringa abriu um sorriso e saiu andando sendo seguido por ela. Logo eles estavam em outra porta. Por onde Lizzie passava, ela deixava rastros de sangue. Agora era seu sangue misturado com o sangue do morto. Ela se sentia suja, mas naquele momento não queria saber de nada, apenas queria que a garota fosse levada para casa com segurança. Coringa abriu a porta e Lizzie deu de cara com a criança deitada em um colchão sujo no chão. Ela correu até a garota, que se assustou nos primeiros segundos ao ver Lizzie toda cheia de sangue. Mas depois deu a mão para ela.
- Vamos sair daqui, tudo bem?
Lizzie disse com um sorriso confortante. Nem ao menos parecia que ela matou um cara a segundos atrás. Ela pegou a mão da garota e saiu andando dali, dando de cara com Coringa e alguns outros palhaços. Eles agora pareciam ter certo receio de chegar perto de Lizzie. O palhaço-chefe deixou que Lizzie saísse dali, mas ela teria que se achar em Gotham por conta própria. A loira e a garotinha saíram dali o mais rápido possível. Começaram a andar para fora do Caís, até poder encontrar a rua. Depois de alguns segundos andando pela rua, pessoas assustadas perguntavam o que aconteceu com ela. Até que uma reconheceu a garotinha.
- Ei, vocês duas são as reféns do Coringa!
A mulher gritou, e todos da rua pararam para vê-las. Segundos depois a maioria estava ligando para a policia, e outros para a ambulância. Lizzie já estava começando a se esforçar para ficar de pé. Ela não fazia ideia do que poderia acontecer agora. Mas segundos depois, ela sentiu sua visão embaçar e cair no chão.
Notas finais
Roupa da Lizzie: http://s2.favim.com/orig/37/bag-beautiful-beauty-classy-clothes-Favim.com-300871.jpg
Quero também falar sobre umas coisas sobre a fanfic:
1- Quero que vocês entendam que eu não quero fazer uma história clichê. Não vou fazer da Lizzie uma meninha indefesa no meio de vários psicopatas. Não, ela vai ser forte e independente, afinal, ela é filha do Batman.
2- Pra quem não sabe, ou ainda não entendeu, Lizzie sofre de múltipla personalidade. Por isso ela é assim, por isso que ela pode se relacionar com todos os criminosos, ela se torna o espelho deles, como eu disse no capítulo, mas na verdade é esse "espelho" uma personalidade dela. E a coisa de ela não tem medo também é outra personalidade.
3- Quero que vocês entendam sobre os bairros de Gotham que eu uso aqui, então aqui vai:
Centro Financeiro de Gotham (Centro): Wayne Enterprises, Apartamento de Selina e Bruce.
Neville: Bairro que separa o Centro, da Zona Baixa. Apartamento de Blake.
Cais (Zona Portuária): Bairro onde Coringa comanda.
Narrows: Bairro onde se encontra Asilo Arkham. Também comandado pelo Espantalho.
Zona Baixa: Comandado por Bane.
Sem mais, espero que vocês gostem. E eu vou falar mais sobre o problema da Lizzie e deixar mais claro com o passar do tempo.
Beijos.
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