O som das máquinas atrapalhava todo o sono dela. Sentia seu corpo deitado em uma cama bem confortável, mas o cheiro do lugar era algo que ela não gostava muito. Elizabeth não tinha o que fazer naquele momento. A garota abriu os olhos e uma luz forte cegou-os por um momento. Segundos após se acostumar com a luz do ambiente, moveu sua cabeça e viu onde estava. Em um quarto de hospital. Ouviu o monitor que anunciava seu coração acelerado. Uma agulha diretamente em sua veia anunciava que ela estava recebendo soro. A loira então se levantou aos poucos permanecendo sentada na cama. Arrancou aquele objeto de seus dedos e logo ouviu o monitor apitar. Segundos depois vários enfermeiros entraram no quarto, seguidos por sua mãe, seu pai e John. Todos ficaram chocados por vê-la acordada. Lizzie sem se preocupar com todos ali, retirou a agulha de seu braço e a largou no chão.

– Elizabeth! O que pensa que está fazendo?

Selina correu até sua filha, e delicadamente passou a mão sobre o cabelo e sua filha. Lizzie encarou-a e depois abriu um sorriso. Sabia que sua mãe seria sempre uma protetora. E ela gostava disso nela. Elizabeth então se lembrou do que tinha acontecido.

– Como eu vim parar aqui?

Ela perguntou mais para si mesma. Ela apenas se lembrava de cair no meio da rua, com aquela garotinha ao seu lado. As duas raptadas. Os enfermeiros saíram daquele lugar depois que John lhes pediu privacidade. Bruce foi até sua filha e sentou-se ao lado dela na maca. A loira sentiu-se melhor naquele momento. Por mais que quisesse ser independente, seu pai era seu porto seguro. Lizzie por um momento descansou sua cabeça no ombro de seu pai e respirou fundo. Naquele momento ela realmente sentiu seu corpo, e todas as cicatrizes que Coringa tinha feito nela. E tudo que ela tinha feito naquele lugar tinha passado em sua cabeça como um filme de terror. Ela se via matando um dos palhaços a sangue frio. Um arrepio passou por todo seu corpo e Lizzie deu um pulo da cama, ficando de pé ao lado dela e assustando todos ali. Ela não era aquela pessoa. Ela não era de matar as pessoas apenas por vontade, apenas por um jogo. Estava frustrada consigo mesmo.

– Algum problema?

A voz de Blake foi como um calmante para ela. Aquela a fez abrir um sorriso e olhar para aqueles olhos escuros e cheios de vida. Ela adorava admirar aqueles olhos inocentes e sinceros de John.

– Sim, estava apenas recordando de algumas coisas que aconteceram... Como me acharam?

Lizzie perguntou agora olhando para sua mãe. Selina foi até a filha e a abraçou. A loira apenas sorriu e aproveitou aquele abraço até seus cortes começarem a arder. Soltou um grunhido que fez sua mãe afastar-se rapidamente.

– Desculpe, filha. Havia me esquecido de seus... Hematomas. Você foi encontrada desmaiada na rua, coberta de sangue e com a outra vítima ao seu lado. Ligações anônimas dos civis que estavam por perto foram o suficiente.

Elizabeth por um momento parou para olhar seus braços descobertos. Viu suas cicatrizes avermelhadas, começando a cicatrizar. Eram em formato de “x” e várias cerquilhas em seus braços. Logo veio a imagem de Coringa mutilando-a. Imagens passavam como um filme em sua mente. Como se nada daquilo tivesse acontecido, e sim apenas um sonho maluco. A loira logo tratou de afastar todos os pensamentos. A televisão ligada ali no quarto do hospital chamou a atenção por um motivo: Batman. O repórter narrava à situação do que acontecera na madrugada anterior. Uma moto corria pelas ruas fugindo na policia, e nela estava o homem morcego. Ele corria e acabava com tudo por onde passava. A policia não bastava para o cavaleiro. O coração de Lizzie acelerou naquele momento e ela abriu um sorriso e olhou para os três ali presente.

– Ele voltou mesmo?

A loira perguntou com um sorriso no rosto. Logo olhou para Blake, era dele que ela esperava a resposta. O detetive que provavelmente estava atrás de Batman também. John olhou para a televisão e então entendeu aquela pergunta. Ela perguntava do cavaleiro, ou pior, pelo próprio pai que, estava ao lado dela.

– Creio que sim.

John sorriu confortando a garota. Lizzie bateu palmas alegremente, estava entusiasmada até todos os pontos ligarem em sua cabeça. Batman havia voltado. E isso significaria que ele iria atrás de seus antigos inimigos: Espantalho, Coringa e Bane. O corpo de Elizabeth estremeceu naquele momento. Ela não queria isso. Pensar em perder aqueles homens de vista não estava em seus planos. A loira respirou fundo e tentou esquecer aquilo, ela teria que fazer algo. Precisava falar com Bane, e se encontrar com Crane. Queria esquecer o palhaço por um tempo. Ele não estava em seus planos.

– Porque a policia está atrás dele?

Elizabeth resolveu esquecer seus pensamentos e focar no momento. Observou Blake franzir o cenho e por alguns segundos olhar para seu pai. Ele respirou fundo e voltou a olhar naqueles olhos verdes.

– Mesmo salvando Gotham há dezessete anos. Ele ainda é um procurado da policia, isso talvez nunca mude.

Elizabeth não entendia porque a policia de Gotham fazia isso. Já estava claro que Batman era um herói. Se não fosse, não teria um memorial com uma estátua dele no centro de Gotham. Selina não estava entendo o porquê sua filha estava tão interessada em Batman, e ela tinha medo que Lizzie tentasse descobrir quem ele era. Afinal, sendo filha do próprio, a garota podia muito bem descobrir o que quiser. A loira por sua vez voltou a pensar no que havia acontecido. Precisava de algumas respostas.

– Onde está a garotinha? Preciso saber dela!

Lizzie perguntou para todos ali. Ela realmente estava preocupada com aquela criança. Bruce foi até sua filha e a abraçou novamente, sentia-se orgulhoso de Lizzie. Mas também sentia medo por ela achar que poderá fazer mais vezes isso. Wayne queria colocar todos de volta ao seu devido lugar. Não podia deixar o povo de Gotham novamente nas mãos dos piores psicopatas.

– Ela está bem, querida. Sua família já está com ela.

A voz de Selina respondendo a pergunta de Lizzie tirou Bruce de seus pensamentos. Segundos depois o celular de Blake começou a tocar. O Detetive pediu licença a todos ali na sala e saiu do quarto. Atendeu a ligação assim que viu o nome do Comissário na tela.

– Gordon?

Blake chamou com preocupação. Ele pode ouvir um suspiro e logo a voz do Comissário.

– Traga Elizabeth ao Departamento, agora!

A voz de Gordon soou nervosa, e logo Blake sentiu que havia algum problema acontecendo.

– Aconteceu alguma coisa?

Blake não poderia simplesmente levar Elizabeth dali. Ela estava em um hospital, em recuperação. Ele pode ouvir Gordon xingar alguma coisa, mais não soube ao certo.

– Coringa está aqui. Nós o pegamos! Acontece que as coisas saíram da linha e ele está fazendo dois policiais de refém. Ele quer Elizabeth aqui, ou matará todos e explodirá o lugar. Traga-a agora!

Blake não pode acreditar no que ouviu. Ele engoliu seco e olhou para a porta do quarto de Elizabeth. Ela não merecia ver aquele palhaço mais uma vez, pelo menos Blake pensava assim. Antes mesmo de ele falar algo contra isso, Comissário desligou. John teria que fazer seu trabalho naquele momento. Porém, ele sabia que Wayne poderia ajudar nisso. O rapaz respirou fundo e passou as mãos por seu cabelo. Entrou no quarto rapidamente e Lizzie logo percebeu a cara de espanto dele.

– O que aconteceu, Blake? Parece que viu um fantasma!

Elizabeth disse com um tom debochado. Ela estava sentada na ponta da cama com seu pai ao seu lado. Selina estava apenas sentada na janela admirando o silêncio que Gotham estava naquela noite e voltou para o lado de sua filha assim que viu Blake entrar.

– Coringa está no Departamento.

Foi a única coisa que John conseguiu dizer ao olhar para Lizzie ali. A garota sentiu um frio na barriga, e seu corpo enrijeceu. A loira arregalou os olhos e pulou a cama ficando de frente para Blake. Isso não podia ser verdade. Ela não conseguia imaginar Coringa preso, impossível. Ainda bem logo agora. Bruce naquele momento sentiu a raiva tomar conta de si e se levantou da cama logo atrás de sua filha. Selina foi até o marido e o abraçou para mantê-lo calmo. Ela sabia que por ele, já estaria lá dando algumas surras no palhaço.

– Eles o pegaram? Isso é ótimo! Menos um.

Selina disse tentando deixar o local menos pesado. Lizzie continuava para em frente a Blake, ela sabia que tinha algo de errado. Conhecia John o bastante para saber que ele escondia algo.

– O que está escondendo, Blake?

Lizzie perguntou um pouco aflita. O detetive olhou naqueles olhos verdes e curiosos e sorriu. Ele queria conforta-la, não queria deixar esse peso todo cair sobre os ombros da garotinha, mas ele precisava fazer o que foi pedido.

– Coringa está fazendo dois policiais de refém. E prometeu explodir o Departamento se Elizabeth não aparecer por lá.

Blake disse tudo rapidamente, em apenas um fôlego. Naquele momento Bruce sentiu a raiva espalhar-se por seu corpo. Ele queria colocar as mãos em Coringa, e saber que o mesmo queria falar com sua filha o deixava mais furioso ainda. E essa seria uma boa hora para o Batman colocar as mãos nele. Naquele momento Lizzie sentiu seu corpo tremer, uma onda de emoções a preenchia. Ela não queria acreditar naquilo. Coringa estava chamando por ela. Aquilo poderia ser seu fim. Sentia-se culpada por isso. Não poderia deixar Coringa matar policiais apenas por um capricho dela. Gordon estava lá, e ela sabe o quanto ele significa para a cidade de Gotham. A loira olhou para seu pai, percebeu que ele estava prestes a matar alguém, e esse alguém seria Coringa. Logo depois percebeu que sua mãe tentava acalma-lo. Bom, se tem uma pessoa que consegue acalmar Bruce Wayne, essa pessoa seria Selina Kyle. Mas parece que nem ela estava conseguindo isso. A coisa estava feia. Lizzie pegou rapidamente pegou suas roupas que estavam dobradas em cima da pequena mesinha e saiu correndo para o banheiro do quarto. Trancou-se lá e pela primeira vez se viu no espelho após o incidente. Ela tirou aquela roupa de hospital ficando apenas com suas roupas intimas. Então viu todos os hematomas e cortes que tinha em seu corpo. Sentiu-se usada naquele momento. Seu corpo era como um papel rabiscado. Cortes cicatrizando-se por todos os lados. A loira respirou fundo e se apoiou na pia, logo depois abriu a torneira deixando a água gelada tocar em suas mãos. Olhou para ela por alguns segundos antes de jogar um pouco em seu rosto. A água gelada fez com que ela despertasse rapidamente. Fechou a torneira e olhou-se mais uma vez no espelho. Até que viu seu pescoço. Elizabeth prendeu o ar em seus pulmões e arregalou os olhos ao ver aquela cicatriz. Sentiu seu sangue ferver. As cicatrizes formavam-se em letras, e nelas era possível notar a ganancia nas palavras. O desejo de possessão de um maníaco. Em seu pescoço estava escrito “Belongs to Joker”. Elizabeth queria gritar de raiva, ela não acreditava que aquele palhaço tinha feito isso com ela. Respirou fundo e decidiu que iria acabar com ele, pelo menos enfrenta-lo. Ela estava cansada de vê-lo brincar com o povo de Gotham. Pegou sua roupa e a vestiu rapidamente. Deixou seu cabelo solto para esconder aquela cicatriz que a fazia se sentir uma mercadoria encomendada por um palhaço. Saiu do quarto fazendo todos olharem para ela.

– Vamos logo, vou fazer esse palhaço usar maquiagem para esconder os hematomas que eu colocar na cara dele!

Elizabeth disse praticamente correndo para fora do quarto. Logo viu os três correrem atrás dela. Ela não tinha tempo pra isso. Não podia o deixar matar ninguém. Ela precisava fazer acabar com todos aqueles frascos de gás do riso. Elizabeth parou de andar quando sentiu alguém puxa-la pelo braço. A loira virou-se com o impacto e deu de cara com um Bruce furioso.

– O que pensa que está fazendo? Você não irá naquele lugar.

Bruce disse aos nervos. Ele não queria ver aquele palhaço nem olhar para sua filha. Elizabeth soltou uma risada forçada e olhou séria para sua mãe que parecia bem aflita.

– É claro que eu vou! Você não ouviu o Blake? Ele me quer lá, ou irá matar todos. Isso inclui Gordon!

A loira disse quase gritando. Estava ficando nervosa com tudo aquilo. Seu pai a estava atrasando.

– Você não vai, e pronto. Deixe que a policia cuide disso.

Bruce tentava ao máximo mudar a cabeça de sua filha. Infelizmente ela tinha herdado isso dele. E nunca mudaria de ideia.

– Pai, a policia está pedindo minha ajuda! Acho que eles não podem cuidar disso! Estamos falando do Coringa! Você não sabe o que ele é capaz.

Elizabeth soltou-se do pai e rapidamente foi até o elevador, apertando o botão. Bruce sabia muito bem do que Coringa era capaz. Blake foi até Lizzie e notou que ela não iria cansar disso.

– Você sabe que ele é perigoso, não pode falar com ele.

Blake tentava resolver essa situação. Mas Elizabeth apenas se concentrava no elevador que chegou naquele momento. Ela entrou correndo dentro dele e apertou o botão. Bruce e Selina correram até o elevador, ou caso contrário, ficariam para trás. O silencio permaneceu até eles chegarem ao térreo. Eles seguiram para fora do hospital chegando ao estacionamento. Elizabeth logo viu a lamborghini do pai. E logo ao lado, a viatura de Blake.

– Irei com Blake, na viatura.

Elizabeth disse aos pais. Selina não gostou nada disso. Ela não queria deixar sua pequena nas mãos daquele palhaço.

– Isso não é certo! Eu não quero você perto daquele maníaco.

Selina disse com raiva. Só de pensar naquele homem tocando sua filha, dava nojo. Blake entrou em sua viatura e a ligou esperando por Lizzie ali. Ficava abalado só de pensar em seu chefe, Gordon, naquele lugar que poderia explodir a qualquer momento.

– Mãe, fique calma! Não ficarei perto dele. Nada irá acontecer, pense positivo. Vai que o Batman aparece para salvar o dia, não é?

Elizabeth mal sabia o efeito que essas palavras faziam para seus pais. Aliás, Batman estava bem à frente dela. A loira abraçou rapidamente os dois e entrou no banco de passageiro, ao lado de Blake. Logo eles saíram dali com a viatura. Selina permaneceu ali olhando para o carro distanciar.

– O que vai fazer, Bruce?

Ela sabia que ele faria algo. Logo Wayne ligou seu carro e os dois entraram em silencio. Os dois ficaram por uns segundos calados. Sem saber o que falar. Apenas deixando o momento tomar conta daquilo. Sua filha estava em encrenca, Selina sentia isso. Ela ouviu a respiração de Bruce falhar por um momento. O corpo dele estava rígido. Ela sabia que ele não deixaria as coisas assim, não quando sua filha está em perigo.

– Vou garantir que aquele palhaço não pense em encostar na nossa filha.

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Notas finais
3 MESES DEPOIS... Ou mais?
Enfim, me desculpem! Eu sei, vocês merecem muito mais que isso! Só quero dizer que eu não tinha tempo, realmente. Estou sem tempo, sem vida! Nem sei como tô conseguindo respirar kkk
Bom, amanhã ou domingo terá mais. Prometo! Terá grande coisa, viu?
Disse que nunca deixaria vocês, e não vou deixar!
Desculpem os erros de português, estou voltando a ativa agora! :D