Dark Princess

13 I wasn't safe from you.


Elizabeth olhou em volta e percebeu que teria que conhecer mais sobre aquele lugar, explorar ele. Porém não agora. Ela estava sentada no meio-fio da calçada sozinha. O sol aparecia entre nuvens, o tempo está ótimo para ela. Lizzie pensava em como iria encarar Blake, e o que iria dizer para ele. A morena olhou para seu corpo e riu sozinha vendo aquela camiseta do Bane. Ela tinha certeza que essa camiseta ficaria colada no corpo másculo dele. Mas nela parecia um vestido gigante que ia até seus joelhos. Sua meia também ia até seus joelhos e isso dava mais conforto para ela. Ela precisava pensar em como iria fazer aquilo. Não era fácil mentir para um detetive, mas como ela era expert nisso, não seria um problema tão grande. Ela só precisava de provas para ajuda-la. E quando ela olhou para seus braços soube que tinha uma história perfeita. Ela não havia percebido aquelas marcas em seus braços e que provavelmente tinha por todo seu corpo. Eram marcas que Bane deixou em sua pele. A morena sentiu um arrepio ao se lembrar da noite com Bane. Aquelas marcas roxas poderiam servir para algo a mais do que uma lembrança assustadora.

Depois de mais alguns minutos ali ela ouviu o motor de um carro. Deu um pulo ficando de pé e procurou donde ele vinha. Logo viu o carro dobrar a esquina. Sentiu um frio na barriga ao ver Blake ali no carro. Ele parou o carro bem na sua frente e saiu dele rapidamente. John parecia atordoado com o que via. Lizzie bem a sua frente com uma camiseta maior que ela e marcas roxas no braço e pescoço. Ele parou bem a sua frente não sabendo o que dizer. Apenas a encarava tentando buscar respostas em sua expressão, mas não conseguia ver nada, apenas uma garota vazia. Isso era demais para ele. Elizabeth olhava para ele do mesmo jeito, ela esperava que ele dissesse algo, ou até começasse a se brigar com ela. Blake então saiu daquele transe e respirou fundo levando sua mão a cabeça. Ele estava desesperado e com medo de perguntar o que aconteceu com ela. E Lizzie percebeu isso.

– Blake? Não aconteceu nada comigo, ok? Vamos para a casa.

Lizzie pegou na mão dele para puxa-lo até o carro. Mas Blake a puxou de volta fazendo-a ir ao encontro de seu corpo. John a levou suas mãos até o rosto dela o segurando delicadamente. Lizzie prendeu sua respiração por alguns segundos e olhou naqueles olhos castanhos de Blake. Ela queria sair o mais rápido possível. Não queria que nenhum dos capangas de Bane a visse com ele. Ela estava dividida entre três mundos e não sabia o que fazer.

– O que aconteceu com você?

Aquelas palavras saíram da boca de Blake como um sussurro. Como se ele soubesse que ela teria que contar a verdade. Lizzie não conseguia se concentrar em contar. Tudo que ela via naquele momento eram os olhos de Blake clamando pela verdade.

– Nada. Vamos para a casa, por favor?

Lizzie tentou se afastar dele, mas Blake a segurou. Ele sabia que ela escondia algo. E temia pelo que seria.

– Sou um detetive, não pode esconder as coisas de mim.

Blake parecia impaciente com aquilo. Lizzie suspirou, ela sabia que não iria sair dali tão fácil.

– Eu fui sequestrada. Era isso que você queria saber? Então pronto.

Lizzie disse quase que gritando para ele. Ela precisava se fazer de emocional. E realmente lembrar-se do que ela passou a fazia querer chorar até não poder mais. Blake não disse nada, apenas a soltou e a morena foi em direção ao carro entrando nele. Logo Blake já estava no bando do motorista também. Ele ficou olhando para a rua por um momento. O silêncio naquele momento era atordoante, mas Lizzie preferiu assim. John seguiu com o carro e eles permaneceram em silencio a viagem inteira. Era tão estranho para Lizzie, mas ao mesmo tempo ela estava feliz por ver que ele estava bem. Blake era tudo em que ela poderia confiar nesse em Gotham. E ao pensar nisso seu coração bateu mais forte. E Crane veio a sua cabeça. Ela se sentiu indefesa por um momento. E raiva também. Ela tentava esquecer aqueles olhos azuis, tentava se esquecer daquela noite, mas não conseguia de jeito algum. Era como um pesadelo que ela queria ter todas as noites. Sua droga favorita. E ela se sentia mal por ter pertencido a Bane naquela noite, era como se ela soubesse que quando Crane a visse na próxima vez, ele não iria querê-la mais. Lizzie balançou a cabeça afastando essas coisas de seus pensamentos e olhou para Blake. Ele parecia concentrado em dirigir. Não falava nada. Ela sentiu uma pontada no peito ao vê-lo assim tão pra baixo. Ela não gostava disso. Depois de alguns minutos eles estavam em frente ao edifício. Lizzie saiu do carro e olhou para aquele prédio alto pensando que ali poderia ser sua casa por alguns meses. Blake travou o carro e eles seguiram para dentro do edifício.

Lizzie subiu as escadas rapidamente e logo atrás dela estava Blake. Ela chegou ao seu andar e seguiu até o fim do corredor. Ela viu os números 505 na porta e abriu um sorriso confortante. Estava finalmente em casa. Lizzie tirou a chave de seu pescoço e destrancou a porta abrindo-a. Viu seu pequeno apartamento exatamente como deixou. Ela entrou e logo se jogou na cama. Fechou os olhos por alguns segundos sentindo aquela sensação de estar livre por um momento. Sentiu o colchão se mexer e logo sentiu que Blake sentou-se ao seu lado. Lizzie abriu os olhos e olhou para ele. Ele estava de costas para ela, tinha a cabeça baixa, parecia pensar em algo. Lizzie se sentou e então sem pensar o abraçou por atrás. Blake ao sentir os braços dela envolvendo dele não conseguiu conter seu carinho por ela. Ele se virou e a puxou para si aninhando-a em seu colo. Lizzie sentiu seu coração acelerar, mas logo se acalmou. Era tão estranho tê-lo tão perto de si. Ela se sentia segura. Sentia-se completa naqueles braços. E ela não queria sentir isso, era a ultima coisa que ela queria. E não era por causa dele. John era tudo que ela precisava em sua vida, ela poderia amá-lo pelo resto de sua existência facilmente. Mas ela não era egoísta ao ponto de arrastá-lo para o lado obscuro. Ele merecia alguém melhor que ela. Eles permaneceram daquele jeito por minutos. Ambos tentando esconder os sentimentos que floravam naquele momento. Ela não queria se afastar dele com medo de nunca mais poder estar em seus braços. Ela não gostava de pensar nisso. Blake havia entrado em sua vida tão rápido como uma bala perfurando a pele de alguém. E ela sabia que como essa bala, ele iria deixar uma cicatriz. Uma cicatriz que ela iria levar para o resto de sua vida.

Lizzie voltou a realidade e saiu dos braços de Blake. Ele a encarou por alguns minutos e levou sua mão até o cabelo dela acariciando-o. Lizzie apenas sorriu para ele.

– Quem te sequestrou?

Sua voz era baixa, quase falha. Lizzie tirou o sorriso do rosto e engoliu seco pensando sobre o que falar para ele.

– Eu não sei, não conheço ninguém aqui.

A voz dela era tão baixa quanto à dele. Eles ficaram em silencio por alguns segundos e Blake então voltou a falar.

– Posso te levar a delegacia, te mostro algumas fotos dos prisioneiros que fugiram de Arkham e talvez você reconheça algum deles.

Era uma boa coisa a se fazer. Mas não para Lizzie. Ela sabia que não poderia fazer isso.

– Eu não vi nenhum deles, Blake. Eles me pegaram por trás e logo colocaram um pano em minha cabeça. Eu não pude ver nada até eles me jogarem na rua. Desculpe.

Lizzie se mostrou nervosa e John percebeu isso. Ele a entendia, ele queria confiar nela mais que tudo, e de certa forma ele confiava.

– Tudo bem, então. Mas se lembrar de alguma coisa, me avise.

Blake disse com um sorriso no rosto. Lizzie não pode deixar de sorrir também. Lizzie estava finalmente em casa. Mas sabia que logo teria que estar nas ruas mais uma vez. Lizzie se levantou da cama e foi até sua mala. Pegou um par de roupas, sua toalha e seguiu para o banheiro. Blake apenas a observou em silêncio até ela entrar no banheiro. Lizzie despiu-se rapidamente e tomou seu banho. Ficou ali por minutos não se importando com o tempo. Fechava seus olhos e tudo vinha a sua mente. Tudo que ela passou. Pip, Crane e Bane. Ela não sabia como foi se meter no meio de criminosos, mas também não fazia ideia de como sair. Depois de um tempo debaixo do chuveiro ela saiu. Secou-se e colocou sua roupa simples. Secou seus cabelos e colocou seu colar de volta no pescoço. Olhou-se no espelho que havia ali e ficou se encarando por um tempo. Usava uma calça jeans clara e uma blusa totalmente branca e simples. Só que a blusa era do tipo regata e mostrava muito suas marcas. Ela não gostou nada disso. Antes de sair do banheiro ela pegou a blusa de Bane e ficou segurando-a como uma louca. Riu sozinha e colocou-a para lavar. Mesmo com medo de que iria sair o cheiro de Bane dela. Ela poderia dormir com aquela blusa todas as noites e sentir o perfume dele. Aquele cheiro dele a lembrava de champanhe, orquídeas e madeira. Ela não sabia ideia de como havia chegado a essa conclusão, mas o cheiro era maravilhoso. Lizzie saiu do banheiro. Viu Blake jogado na cama como uma criança que está de castigo. Ele a notou e começou a observa-la mais uma vez. Lizzie sentou-se no chão ao lado de sua mala e calçou seu all star preto. Logo abriu sua mala mais uma vez e pegou um pequeno casaco de algodão da cor azul escuro. Ela o vestiu para esconder as marcas de seu braço e se levantou. Blake logo notou que ela estava pronta para sair. Ele logo pulou da cama e foi até ela.

– Se você está pensando em sair...

– Nós vamos sair!

Ela logo o corrigiu. Lizzie sabia muito bem onde queria ir. Blake a encarou por alguns segundos tentando entender o que se passava na cabeça dela.

– E posso saber onde estamos indo?

Blake perguntou cruzando seus braços com cara de curiosidade. Lizzie abriu um sorriso e suspirou.

– Vamos ao orfanato Wayne.

Lizzie sentiu um aperto no peito ao falar aquele nome, mas resolveu ignorar. Blake pareceu surpreso ao ouvir aquilo.

– Certo, pra que iremos lá?

Ele perguntou. Lizzie rolou os olhos e então o puxou pelo braço.

– Sem interrogatório. Eu quero conhecer Gotham, e parece que lá é o lugar mais seguro para se começar.

Lizzie disse o puxando para fora do apartamento. Blake apenas riu dela e resolveu leva-la até lá. Ele apreciava tanto o jeito em que ela esquecia as coisas ruins que acontecia em sua volta. Pelo menos era o que ele pensava.

Palisades, Gotham.

Alfred ouvia as crianças gritarem e correrem pelos corredores da grande mansão. Ele estava em sua sala. A sala do diretor do local. Sempre se lembrava daquele lugar como a casa da família Wayne. Mas agora ela havia se tornado algo mais. Era o refúgio das crianças de Gotham. E ele gostava disso. Gostava de ver o brilho no olhar de cada criança. Eles finalmente tinham um lugar seguro, um lugar onde eles poderiam crescer sem medo. Alfred adorava aquele lugar. E ele iria permanecer ali até o fim de sua vida. Estava decidido a isso. Alfred foi interrompido de seus pensamentos ao ver a estante cheia de livros se abrir ao meio. Uma passagem secreta. Onde Lucius e Bruce estavam. O velho senhor não sabia como Bruce tinha coragem de andar por Gotham ainda. Mas respeita isso nele. Alfred logo percebeu que Bruce estava agitado. Ele andava de um lado para o outro com seu celular na mão. Lucius olhou para Alfred e balançou a cabeça negativamente. Wayne então parou por um momento e respirou fundo. Foi em direção a mesa de Alfred e se apoiou nela. Encarou-o por um momento.

– Mia está morta.

A sala permaneceu em silencio absoluto. Apenas a voz de Bruce ecoou pelo cômodo. Logo todos eles ficaram quietos. E todos ali realmente sabiam o que aquilo significava. E tudo que Bruce precisava agora era encontrar-se com sua filha e leva-la de volta para Clifton. Eles ficaram ali por algum tempo em silencio. Esperando que algo aparecesse do nada. Alfred se levantou de sua cadeira e resolveu deixar os dois ali sozinhos. Aquela sala era a única onde ninguém entrava sem permissão. Bruce poderia ficar ali, ou apenas escondido na sua antiga caverna. Alfred saiu da sala e começou a andar pelos corredores, via crianças correndo de um lado para o outro. Ele não ousava tirar a felicidade e a liberdade deles. Havia pessoas que trabalharam ali ajudando a cuidar das crianças e isso era ótimo. Alfred estava indo em direção à porta de entrada quando ela se abriu. Ele não pode deixar de abrir um sorriso ao ver Blake, um dos melhores detetives de Gotham. Mas sua expressão logo mudou para surpresa e susto ao ver Lizzie entrando junto com ele. Seu coração acelerou e ele rapidamente foi até eles.

Lizzie olhou em volta vendo a beleza daquele lugar, mas seu coração acelerou ao ver que a sua frente vinha Alfred. Ela teve vontade de correr dali, mas Blake segurava a sua mão e ela já estava aqui. E, aliás, Alfred não conseguiria mantê-la aqui. Os dois manterão um contato silencioso até Blake interferir.

– Beth, esse é Alfred! Ele toma conta desse lugar, é o diretor daqui. Alfred, essa é Beth Kyle, uma garota que veio para Gotham em uma hora errada.

Blake riu da própria piada e Lizzie riu com ele também, mas um pouco nervosa. Alfred abriu um sorriso e esticou seu braço para que Lizzie apertasse sua mão como um comprimento. Assim ela fez. Era tão estranho para ela aquilo. Sabia que Alfred iria falar para seus pais que ela estava aqui. E antes que eles pudessem dizer algo o rádio de Blake apitou. Lizzie olhou para o detetive curioso. John pareceu xingar em silencio e pegar o rádio.

– Preciso ir ao trabalho.

Blake disse olhando para Lizzie. Ela sabia o que isso significada, era para ela ficar aqui. Talvez fosse bom assim. Ela poderia explicar ao Alfred e dizer que estava tudo bem. Lizzie abriu um sorriso.

– Pode ir, Blake. Eu fico aqui.

Blake sorriu e depositou um beijo na testa de Lizzie. A morena sentiu um frio na barriga com aquele ato dele, mas não demonstrou nada. John saiu pela porta deixando os dois ali. Depois de uns segundos Lizzie olhou para Alfred e abriu um sorriso.

– Alfred, como você está? Estava com saudades do seu sotaque maravilhoso.

Alfred abriu um sorriso e seguiu andando de volta para sua sala. Lizzie apenas o seguia sem saber o que ela iria encontrar por lá.

– Estou bem, Senhorita Wayne. E parece que a senhorita também está, certo?

Lizzie sentiu um arrepio percorrer pelo seu corpo ao ouvi-lo chama-la de Wayne. Lizzie ficou calada por alguns segundos apenas olhando em volta e vendo crianças por todo o lado.

– Estou bem sim, Alfred. Blake está cuidando de mim.

A voz dela saiu um pouco baixa, mas o suficiente para ele entender. Alfred sorriu e parou de andar segurando a maçaneta da porta de sua sala. Lizzie parou ao seu lado também e olhou para ele curiosa.

– Espero que não tenha sentimentos precipitados por ele.

Antes que ela pudesse responder algo, ele abriu a porta e entrou. Lizzie rolou os olhos e entrou também. Seu coração dessa vez não acelerou, praticamente parou. Um choque percorreu por todo seu corpo ao ver seu pai ali sentando com Lucius. Bruce ao ver sua filha ali logo se levantou. Ele não pode acreditar no que via. Sua filha estava ali em sua frente e bem.

– Pai? Mas como... O que?

Lizzie se enrolou toda procurando uma resposta para o que estava acontecendo ali. Bruce não disse nada apenas foi em direção a sua filha e a abraçou. Lizzie apenas retribuiu o abraço, mas sabia que iria levar um grande castigo. Bruce se afastou do abraço e olhou para o rosto de sua filha.

– O que pensa que estava fazendo quando fugiu? Deixar sua mãe assim, ela ficou louca. Todos nós ficamos loucos.

Lizzie naquele momento se sentiu culpada, pelo sofrimento que fez sua mãe passar. Pelo sofrimento que fez Mia e todos os outros passarem. Ela estava errada. Mas ela queria só seguir sua vida e seus sonhos.

– Me desculpe, mas eu tinha que fazer isso. Eu precisava.

Ela não tinha o que falar. Não sabia encarar seus fatos. Bruce olhou para a filha com um aperto no peito. Ele sabia que precisava fazer algo. Ele precisava leva-la de volta para Clifton, porém ele sabia que ela não iria cooperar com isso. Selina precisava de sua filha, precisava dela para colocar as noticias em dia. E Lizzie iria precisar de sua mãe ao seu lado ao saber de Mia. Bruce pegou na mão de sua filha e a levou até a cadeira para se sentar. Lizzie se sentou pensando no que ele poderia fazer. Ela não iria sair de Gotham, não agora. Bruce foi até um pequeno bar que havia ali no canto da sala e pegou um copo de suco, sabia que não era o certo a fazer, mas precisava. Pegou do bar algumas pílulas calmantes que ficava ali e colocou a dose o suficiente para Lizzie dormir em um minuto. Pegou o copo e levou até. Lizzie pegou o copo da mão de seu pai e logo bebeu. Ela estava um pouco nervosa com aquilo tudo. Foi a chave para ela tomar metade do copo de uma vez. Lizzie colocou o copo na mesa e olhou para seu pai.

– Eu sei que você quer que eu volte, mas eu não posso.

Lizzie disse com a voz baixa. Ela queria sair dali correndo e se esconder. Ela sabia que agora iria ser difícil para continuar ali. Bruce apenas olhou para a filha e abriu um sorriso para ela. Ele sabia que não teria como voltar atrás. Lizzie sentiu suas pálpebras pesarem. Ela ficou confusa ao ver que estava quase dormindo. Havia dormido a noite passada, ao lado de Bane. Sentiu seu corpo falhar por um momento, estava lutando contra aquele sono que a pegou de surpresa. Olhou para seu pai e viu seus olhos com culpa. Mas antes de perceber algo ela caiu no sono. Bruce a pegou no colo antes que ela saísse no chão e olhou para Alfred.

– Vou leva-la para Clifton.

Lucius foi à frente de Bruce e abriu a porta para ele. Bruce rapidamente saiu de sua antiga mansão e foi para o carro. Lucius foi atrás para ajuda-lo. Chegaram até o carro de Bruce e Lucius abriu a porta para ele colocar Lizzie que dormia profundamente. Ele a colocou deitada no banco traseiro e fechou a porta. Entrou no banco de motorista e logo ligou o carro. Lucius foi até a janela dele e o olhou.

– Você vai chegar a tempo?

Ele perguntou. Bruce ficou por um momento quieto, mas depois olhou para ele e suspirou.

– Você não sabe com quem está falando, Fox?

Bruce disse em um tom de brincadeira. Lucius apenas riu e se afastou do carro. Bruce deu a partida no carro e seguiu para Clifton. Seria uma viagem rápida para ele. Geralmente essa viagem duraria duas horas. Mas Bruce poderia fazer ela em menos de uma hora. O tempo se passou até que ele finalmente chegou a Clifton. O suficiente para Lizzie acordar. Ela abriu os olhos ainda um pouco com sono. Olhou em volta e demorou um tempo para perceber que estava em um carro. Logo levantou rapidamente e olhou em sua volta. Viu seu pai no volante e percebeu que estava em frente ao hospital de Clifton.

– Não! Você não fez isso! Pai, você me trouxe pra Clifton!

Lizzie se levantou e saiu do carro, estava enfurecida. Ela precisava voltar para Gotham. Não poderia ter saído de lá. Ela tinha coisas importantes, como Crane, Bane e Blake. Lizzie começou a andar para longe do carro, mas Bruce foi rápido e saiu dele correndo em sua direção e segurando seu braço. Lizzie apenas parou de andar quando seu pai a segurou.

– Você precisa saber de uma coisa, Lizzie.

Ao ouvir a voz séria de seu pai ela olhou para ele curiosa com aquilo. Percebeu nos olhos dele que ele tinha uma coisa importante para dizer.

– Aconteceu alguma coisa?

Ela perguntou já um pouco aflita. Bruce olhou para sua filha por um momento. Vendo o quanto ela era forte e independente. O quanto ela queria crescer sozinha. Seu coração se despedaçava ao saber que em minutos todo o mundo dela iria desabar. E ele se amaldiçoava por ter que dar essa noticia a ela.

– Mia e Maria foram atacadas, a policia diz que foi o pai de Mia.

Nesse momento Lizzie olhou para o lado vendo o grande hospital e aquilo fez sentido. Seu coração começou a bater tão forte que ela podia ouvi-lo. Lizzie olhou para seu pai e percebeu que ele tinha uma cara nada boa.

– Pai? O que aconteceu? Elas estão bem? É claro que elas estão bem, né? Mia saberia o que fazer, eu já disse pra ela.

Lizzie sentiu um aperto no peito ao ver que seu pai não tinha nenhuma reação. Ou nada para dizê-la. Lizzie já podia sentir as lágrimas descer pelo seu rosto. Ela estava começando a se desesperar realmente. Bruce apenas a pegou pela mão e atravessou a rua sem dizer nada. Logo eles estavam na porta do hospital. Bruce a guiava para dentro do hospital sem dizer nada, ele não queria vê-la cair na dor. Não sem Selina ao seu lado. Lizzie tentava conter suas lágrimas. Ela tinha medo do que estava por vir. Eles entraram no elevador do hospital e segundos depois estavam em corredores gigantes. Até que Lizzie viu no fim do corredor sua mãe. Ela estava sentada em um banco encarando o nada. Parecia ter chorado por horas. Lizzie soltou da mão de Bruce e correu até sua mãe. Selina ao perceber uma aproximação olhou para o corredor e viu Lizzie. Ela se levantou em um pulo e não conseguiu fazer nada a não ser chorar desesperadamente. Lizzie ao ver aquela dor que a mãe estava passando parou de correr. Seus passos agora eram pequenos e silenciosos. Ela chegou a frente de sua mãe e Selina a puxou para um abraço. Ela não disse nada. Ambas não disseram nada por um tempo. Lizzie tentava pensar que tudo estava bem, que tudo iria ficar bem.

– Eu sinto muito, meu amor. Eu sinto muito, eu não queria ver você passando por isso.

Selina disse com sua voz chorosa. Lizzie sentiu seu corpo tremer e uma onda de tristeza invadir seu ser. Tudo que ela queria era chorar naquele momento. Ela sabia que algo estava errado.

– Elas se machucaram?

Lizzie perguntou como uma criança inocente que não entende o que é a morte. Selina apertou mais sua filha contra si tentando encontrar as palavras certas. Mas ela não conseguia.

– Ele estava armado, Lizzie.

Aquelas palavras entraram no coração de Lizzie como uma bala. Era como se naquele momento tudo em sua volta não existisse mais. Como se ela estivesse presa em um pesadelo e aquela voz em sua mente gritando que ela nunca mais poderia acordar a fazia querer pular da primeira janela que visse. Lizzie se afastou de sua mãe. Sua expressão era limpa. Sua dor era tanta que sua mente não estava acreditando naquilo.

– Ela... Morreu? Não, não! Isso não pode acontecer. Isso é um absurdo.

Lizzie tentava se convencer que aquilo era mentira. Tinha que ser mentira. Selina via sua filha lutar contra aquela dor e era torturante. Mas ela sabia que quanto mais cedo começasse, mais cedo iria embora. Selina pegou na mão da filha e a levou até o vidro do quarto onde o corpo de Mia estava. E Lizzie viu, o corpo dela sem vida. Aquela garota que alegrou todos os dias dela estava morta. Por causa de um homem que não sabia beber direito, seu próprio pai. E por causa dela. A culpa que ela sentia naquele momento era maior que qualquer coisa, e ela nunca se perdoaria. Nunca iria se perdoar por não estar ao lado dela. Por não salva-la. Lizzie começou a chorar como uma criança perdida de sua mãe, uma criança com medo e sozinha no mundo. Ela não tinha forças naquele momento, não tinha vida. Deixou seu corpo deslizar até o chão e abraçou suas pernas. Naquele momento era apenas ela, a dor e a culpa. Começando uma batalha interna, e as cicatrizes começaram a ser feitas começando em seu coração.

– Eu a deixei. Eu a abandonei... Eu a deixei sozinha!

A culpa falava por Lizzie, e aquilo iria se permanecer por um bom tempo.


Notas finais
Mais um! Desculpem a demora!
Agora a coisa vai ficar séria. Lizzie vai se transformar na pior das piores. Ela vai ter que lidar com a dor, e isso vai fazer a cabeça dela. E a culpa também.
Como será que ela vai sair dessa?