Dark Princess

2 I think we have an emergency.


Elizabeth investia em socos fortes e pontuais, porém seu pai era rápido também. Bruce conseguia se desviar de alguns socos, mas também conseguia ser acertado em alguns. E assim eles lutavam como duas crianças lutando por um único pedaço de doce. Lizzie já sabia praticamente todos os golpes do pai. Mas ele sempre estava recriando golpes diferentes e ela ficava com muita raiva disso. Embora ela seja uma ótima lutadora, seu pai tinha algo que fazia dele o melhor que ela já havia visto.

Eles treinaram por quase três horas. Estavam cansados demais e nem colocavam mais muita força em um soco. Lizzie se esquivava de seu pai, mas não tinha mais força para golpeá-lo. O lugar onde eles treinavam parecia um balcão abandonado. Porém aquele lugar era de Bruce. Ele mesmo comprou para guardar pertences que não usava mais. Ninguém sabia, mas naquele lugar era maior no subterrâneo. Nem mesmo Lizzie sabia que havia um lugar escondido ali. O balcão ficava um pouco afastado da cidade, levava meia hora andando da casa deles até esse lugar. Ficava distante até mesmo das casas dali. Era escuro por dentro. O sol mal poderia bater naquele lugar, pois não havia muitas janelas. Aquele lugar já tinha sido muitas coisas que ninguém poderia imaginar.

Elizabeth se cansou. Não aguentava mais aquilo. Queria que seu pai desistisse primeiro, porém ele parecia melhor que ela. Ela se perguntava como ele conseguia aquilo. Quando seu pai foi dar o ultimo golpe que foi um soco de esquerda ela deixou que pegasse nela de propósito. Jogou-se no chão se fazendo de morta. Praticamente estava. Ela não sentia mais suas mãos de tão cansadas que estavam. Bruce ficou olhando para ela esticada no chão. Percebeu a respiração ofegante dela e riu. Foi até ela e se sentou ao seu lado. Levou uma de suas mãos até o rosto dela tirando uma mecha de cabelo que caia ali. Lizzie abriu os olhos e se sentou olhando para seu pai e se fazendo de coitada.

- Acho que está ótimo por hoje. Nunca apanhei tanto na minha vida.

Lizzie disse rindo e seu pai acompanhou sua risada. Ele olhou para o chão vendo um raio de sol bater no ringue. Lizzie olhava para as suas luvas molhadas de suor.

- Você sabe que um dia vai ser bem melhor que eu.

Bruce disse olhando para os olhos verdes da garota. Ela sorriu para ele e logo abaixou a cabeça mais uma vez.

- Creio que não, pai. Não quero ser melhor que você em nada.

Wayne olhou para ela curioso com aquilo. Observava a filha olhando para seus próprios pés.

- Estou te ajudando por isso. Para que você seja melhor do que eu.

Lizzie olhou para o seu pai com receio do que iria dizer. Formulava as palavras em sua mente para dizer aquilo corretamente. Não queria dizer nada de errado. Ela se perdia no olhar carinhoso do pai.

- Eu não quero ser melhor em algo em que eu não posso usar. De que vale ter toda essa habilidade se não posso usa-la para nada?

Ela olhou para o seu pai esperando uma resposta. Bruce ao ouvir aquelas palavras sentiu um aperto no peito. Era isso que ele sempre fez toda a sua vida. Tinha todo aquele poder em suas mãos e nunca ajudou ninguém por um bom tempo. Só pensava em si mesmo. Isso antes de se tornar o cavaleiro da escuridão. Sua mente naquele momento viu várias situações que o cavaleiro passou. Pensou um pouco mais e então voltou a focar em sua filha.

- Autodefesa.

Ele apenas disse aquela palavra seriamente. Lizzie soltou um riso baixo e balançou a cabeça negativamente não aprovando aquilo que seu pai havia dito.

- O que você vê como autodefesa, eu vejo como egoísmo.

Bruce olhou para ela e abriu um sorriso fraco. Encarou a beleza de sua filha por algum momento. E depois voltou a realidade.

- Pode me dizer onde você vê egoísmo nisso?

Lizzie suspirou fundo e sorriu. Ela já havia formulado aquela resposta a segundos atrás e só estava esperando pela pergunta de seu pai.

- Egoísmo porque eu sei demais... E os que não sabem nada? Aquele povo que não pode se defender... Isso é injusto. Eu deveria ajuda-los. Mas não faço isso, eu apenas fico aqui me aperfeiçoando mais. Isso sim é um puro egoísmo.

Bruce olhou para ela com orgulho de ouvi-la dizer aquilo. Porém temia aquelas palavras. Aquele instinto herói pulsava em suas veias. E ele sabia disso. Aquele instinto todo dela vinha dele e de sua mãe. Wayne tinha medo que isso se tornasse sua vida. Ele não queria ver sua filha correndo perigo ou se envolvendo com ladrões. E até mesmo fazendo inimigos. Lizzie era seu ponto fraco. E se alguém soubesse que ela carregava o nome Wayne nas costas, poderia ser muito perigoso.

- Eu gosto de saber em como você se preocupa com os outros. Mas eu não quero ver você se machucando por isso.

Lizzie abriu um sorriso confortante de se ver. Ela foi até seu pai e o abraçou sentando eu em colo.

- Pai, você sabe que eu nunca faria nada de louco, não é?

Ele olhou para ela sorrindo gentilmente.

- Eu não sei... Você tem os genes da sua mãe... Tenho até medo de pensar nisso.

Os dois riram juntos daquilo. Sua mãe era realmente surpreendente. Além de ser uma deusa da beleza, Selina sabia muito bem como se defender. Lizzie se lembra de como sua mãe lhe ensinou alguns truques de ginástica.

Os dois não disseram mais nada de útil. Jogaram conversa e riram como dois melhores amigos. Lizzie adorava a amizade que tinha com seu pai. Às vezes ele era apenas o melhor amigo dela. Outras vezes ele era aquele pai ordeiro, calmo e ao mesmo tempo preocupado e enciumado com ela. Diferente de sua mãe que era uma amiga, irmã e tudo que você pode imaginar de bom. Lizzie adorava sair com sua mãe e botar a conversa em dia. Aquela família era tão perfeita que parecia família de novela.

Depois de alguns minutos ali sentados no ringue eles resolveram voltar para casa. Lizzie tinha algumas lições para fazer naquele dia. Porém não iria fazer nada. Eles se levantaram e pegaram o caminho para a casa. Foram conversando no meio do caminho. Elizabeth queria muito chegar a casa e tomar um belo de um banho e começar a ler um livro. Ela não havia nada para fazer, que ela queira. Poderia ligar para Mia, assim poderia sair com ela.

Depois de alguns longos minutos andando eles chegaram a casa. Selina estava no telefone falando com alguém. Assim que ela viu sua filha sorriu. Lizzie acenou para sua mãe e procurou por Alfred na casa, percebeu então que ele já havia ido embora. A morena deixou seus pais na sala e correu para o seu quarto. Chegando lá ela foi direto para seu banheiro e se despiu. Precisava mesmo tomar um banho. Abriu o chuveiro no quente e sorriu ao entrar debaixo da água e senti-la lavar sua pele. Ficou se banhando por longos minutos. Saiu do chuveiro se enrolou na toalha e foi secar seu cabelo no secador. Ficou pensando no que faria hoje. Olhou para o relógio ao seu lado e viu que marcava quase uma hora da tarde. Sua mãe provavelmente já havia feito o almoço. Porém ela não queria almoçar. Estava cheia do café da manhã. Assim que terminou de secar seus longos cabelos foi até sua cama e pegou seu celular que estava jogado lá. Ligou ele e viu que havia uma chamada perdida da Mia. Ela sorriu sozinha e então retornou a ligação. Sentou-se na cama e esperou chamar quatro vezes até que Mia atendesse.

- Lizzie?

- Mia, você ligou aqui?

Lizzie perguntou diretamente. A voz de Mia não parecia muito boa. Ela odiava pensar besteira a respeito disso. Mia demorou um tempo para falar. Logo Elizabeth pensou que havia acontecido alguma coisa.

- Sim, eu liguei... Eu preciso muito ver você.

A voz de Mia agora era chorosa. Lizzie logo se desesperou.

- Mia, o que aconteceu?

Lizzie escutou ela chorar do outro lado da linha. Ela não sabia o que fazer.

- Eu estou chegando ai. Prepare-se.

Lizzie disse e desligou o celular. Ela jogou-o na cama e colocou as duas mãos na cabeça em forma de desespero. Sentia suas mãos tremerem. Se alguma coisa acontecesse com Mia ela mataria um. Levantou-se do carro e correu até o guarda-roupa e pegou a primeira roupa que viu. Uma calça jeans preta e uma blusa toda azul simples. Pegou o tênis que estava mais perto, todo preto. Vestiu sua roupa rapidamente e calçou seu all star. Correu para a penteadeira e pegou um prendedor de cabelo e fez um coque nele. Não queria saber se estava sem maquiagem ou não. Pegou seu celular e colocou no bolso. Foi até sua escrivaninha e abriu sua carteira que estava ali pegando um pouco de dinheiro para algum caso de emergência. Jogou sua carteira na escrivaninha de volta e correu para fora do quarto. Desceu as escadas correndo e foi até a porta. Antes que ela pudesse fechar a porta sua mãe a segurou pelo braço fazendo-a voltar e olhar para ele.

- Mãe, eu preciso ir.

Selina olhou para ela preocupada. Ela não estava com uma cara muito boa. Lizzie tentou disfarçar o medo e a preocupação que estava sentindo pela Mia, mas sua mãe era muito boa em ler os sentimentos dela apenas com um olhar.

- O que aconteceu?

Lizzie olhou para a mãe aflita. Ela precisava descobrir isso. Ela precisava saber o que estava acontecendo com a Mia.

- É isso o que eu estou tentando descobrir, mãe. Eu preciso ir!

Selina soltou a filha e então ela saiu correndo pela calçada. Mia não morava muito longe dali. Eram dez minutos andando. Mas pelo jeito Lizzie queria transformar essa corrida em menos de um minuto. Ela praticamente corria. Não sabia o que estava acontecendo. Queria ver se Mia estava bem. Ela não se perdoaria se acontecesse algo com ela. Havia prometido a si mesmo que sempre iria estar ao lado de Mia quando ela precisasse. Demorou mais ou menos três minutos para ela chegar lá. Sim, ela foi praticamente correndo. Quando chegou lá viu os vizinhos olhando para a casa dela assustados e comentando alguma coisa. Ela se assustou mais ainda com aquilo. Correu até a porta e sem cerimônias abriu a porta que estava aberta. Quando entrou lá viu um caos. Praticamente a casa estava virada do avesso. Tinha vários copos e vasos quebrados no chão. Ouviu então um gemido de dor vindo da cozinha e correu até lá. Quando chegou nela levou um susto ao ver Maria, a mãe de Mia caída no chão com cortes no rosto. Ela estava sangrando. Mia correu até ela e a levantou do meio dos cacos de vidros.

- Meu Deus, o que aconteceu aqui?

Maria olhou para Lizzie com lágrimas nos olhos. Ela parecia tentar entender o que ela havia dito. As coisas pareciam mais lentas para ela. Lizzie percebeu que ela estava em choque.

- Mia... Onde está minha filha?

Ela parecia aflita. Lizzie sentiu um frio percorrer por sua espinha ao ouvir aquilo. Ela deixou Maria em uma posição mais confortável e então correu até o segundo andar. Olhou mais dois vasos quebrados no chão. Seu coração batia mais forte. Ela tinha medo do que iria ver. Quando viu a porta de Mia quase teve um ataque. Havia sangue nela. Lizzie sentiu uma lágrima de terror cair de seus olhos. Ela respirou fundo e então abriu a porta rapidamente. Logo viu Mia deitada no chão chorando como uma criança. A morena rapidamente correu até ela e a pegou no colo e a abraçou forte lhe passando segurança. Ela não soube o porquê, mas começou a chorar junto com sua pequena que lhe considerava como irmã. Elas ficaram assim por minutos até ouvirem a sirene de policia e ambulância ao mesmo tempo.

Lizzie pegou gentilmente o rosto de Mia fazendo-a olhar para ela. Enxugou as lágrimas da amiga e sorriu para ela.

- Eu não sei o que aconteceu aqui... Eu tenho uma ideia, mas será que você pode me explicar?

Mia então se sentou direito ao lado dela e a abraçou. As duas ficaram abraçadas por um momento até Mia começar a querer falar.

- Foi meu pai... Ele bebeu mais uma vez.

Lizzie sentiu uma raiva dentro dela. Sentiu-se culpada por não estar aqui nessas horas para dar um jeito naquele maldito homem. Mia já havia contado para ela que ele bebia. Era um alcoólatra que não tinha onde cair morto. Sua mãe já havia separado dele. Porém quando ele está bêbado ele se esquece disso, invade a casa delas e sai de controle. Mia já apareceu várias vezes com marcas no corpo na escola por causa do pai dela. Lizzie se controlava para não matar esse cara. Ela já havia falado para Mia que daria uma lição nele. Mas Mia sempre pensou que um dia ele iria largar a bebida.

- Mia, você não pode deixar mais isso acontecer! Temos que fazer algo.

Mia olhou para Lizzie tentando segurar o choro.

- Não, por favor! Ele não irá mais fazer isso.

Lizzie olhou para Mia com ódio. Ela sabia que isso nunca iria acabar. Tinha raiva de vê-la apanhar e ainda perdoar aquele canalha.

- Mia, eu não acredito nisso! Você vai esperar ele matar sua mãe e você? É isso?

Mia abaixou a cabeça e começou a chorar silenciosamente. Lizzie suspirou e não disse mais nada, apenas ficou observando-a. Percebeu que ela estava com hematomas recentes. Ela odiava ver Mia assim. As duas então foram interrompidas pela porta do quarto sendo aberta. Logo elas viram dois policiais e um paramédico. O primeiro policial foi até as duas e se agachou na frente delas.

- Vocês estão bem?

Mia olhou para ele enxugando suas lágrimas e abrindo um sorriso como se nada tivesse acontecido. Lizzie odiava vê-la esconder a dor. Ela sabia que Mia sofria em silêncio. E muitas vezes guardava a dor dentro do coração. Isso era muito ruim.

- Estamos bem... Minha mãe está bem?

Mia perguntou com medo da resposta. Sua mãe deveria estar em choque agora esperando por ela. O policial sorriu gentilmente e assentiu com a cabeça.

- Sim, ela só está um pouco aflita com a situação... Preciso que me acompanhe até a delegacia para fazer um boletim de ocorrência.

Mia olhou para Lizzie assustada. A morena entendeu aquele olhar. Sabia que Mia não queria prestar queixa contra seu pai. Aquilo era errado. Perigoso.

- Policial, ela não quer fazer um boletim...

O policial olhou para Lizzie com tristeza nos olhos e depois voltou a olhar para Mia.

- Você deveria fazer... Sabe que perdi as contas de quantas vezes ouvi sobre o seu problema na delegacia. Ele precisa pagar pelo que faz.

Lizzie balançou a cabeça concordando com o policial. Mas Mias continuava quieta se recusando a fazer um boletim contra seu pai. Lizzie suspirou e olhou para o policial.

- Eu a conheço, e infelizmente, ela não vai mudar de opinião.

O policial suspirou e se levantou saindo do quarto acompanhado pelos outros que estavam na porta. Lizzie e Mia ficaram mais uma vez ali sozinhas. Enquanto Mia pensava no que fazer para ajudar seu pai a sair dessa vida. Lizzie pensava em como poderia arrumar um jeito de fazer Mia ver que seu pai não prestava. Por um lado ela entendia sua amiga, pois ele era seu pai. Mas ele passou do ponto quando quase tentou matar as duas. Não poderia ser considerado mais como o pai dela.

Elizabeth resolveu que cuidaria e não sairia do lado de Mia essa noite. Ela ficaria com sua amiga esta noite, pois já havia presenciado isso e sabia que Mia iria ter pesadelos essa noite.

Notas finais
Desculpem a demora meus amores! Espero de não desistam! :D
E então, gostaram? *-*