Dark Princess

7 I don't know why I can't keep my eyes off of you.


- Clifton, New York.

Depois de algum tempo pensando sobre o que fazer a respeito daquilo, Selina percebeu que não poderia fazer nada. Ela não poderia ir até Gotham para buscar sua filha. Seu peito doía só de pensar nela desprotegida. Ela sabia que a garota poderia muito bem se defender sozinha, mas era sua filha, e nessas horas os piores pensamentos aparecem. Selina estava no sofá de sua sala. A carta de Lizzie estava em sua mão esquerda e o telefone em sua mão direita. Ela precisava fazer alguma coisa. Então resolveu que ligaria para Bruce. Ele estava lá, ele poderia protegê-la. Era a única coisa que ela poderia pensar agora.

Selina discou os números e esperou que seu amado atendesse. Ela não sabia como começar a falar aquilo. Mas sabia que Bruce não iria gostar nem um pouco da situação. Ele iria ficar louco. A chamada foi atendida e a voz de Bruce do outro lado da linha vez Selina tremer.

- Bruce, ela fugiu.

Naquele momento, era tudo que ela poderia falar. Bruce não entendeu aquilo, ou melhor, ele não quis entender.

- O que quer dizer com isso, Selina?

Aquela voz séria. Selina pode ver o rosto de Bruce. Confuso. A morena tentou achar palavras que não o abalassem, mas isso era impossível.

- Ela fugiu, Bruce. Nossa filha fugiu. Lizzie está em Gotham!

Selina já sentia aquelas benditas lágrimas caírem em silêncio. Seu coração de mãe estava retalhado. Bruce naquele momento sentiu seu mundo desabar. Sentiu seu coração vazio.

- Como você a deixou vir para Gotham?

A voz de Bruce parecia aflita. Ele estava nervoso, porém não queria demonstrar isso. Tudo que ele precisava era mandar a calma ou Selina não iria aguentar.

- Você acha que eu sou idiota de deixa-la ir para Gotham? EU NÃO A DEIXEI! ELA FUGIU!

Selina se alterou como toda mãe faria. Ela tinha que se conter para não entrar no carro e dirigir até Gotham e sair buscando por ela. Bruce sentiu um aperto no coração ao ver que Selina estava saindo de controle.

- Vou acha-la, Selina. Fique calma.

Era inútil pedir para que Selina ficasse calma. Ela não iria ficar calma até ver sua filha salva daquela cidade. Bruce não poderia fazer nada no momento para acalma-la. Mas tentar apenas com palavras não custava nada. E agora tudo que ele precisava fazer era encontrar sua filha no meio desse caos e leva-la de volta para longe de Gotham City.

- Gotham City

O dia havia passado bem rápido para Elizabeth, até porque ela só dormiu para recompor a noite de sono que perdeu. Acordou às 16h23m da tarde. Sentiu fome naquela hora. Ela então se viu naquele quarto e logo se lembrou de Blake. Não pode deixar de sorrir ao se lembrar do detetive engraçado e fofo que ele era. Lizzie resolveu que iria sair agora. Não se importava com o que estava acontecendo lá fora. Ela era mesmo uma irresponsável por pensar assim. Mas ela queria muito conhecer a grande Gotham. Levantou-se da cama, foi até sua mochila e pegou uma roupa e sua toalha. Logo foi até o banheiro e se despiu. Quando abriu o chuveiro sentiu aquela água quente cair em seu corpo. Agradeceu por ali ter água quente. Logo começou a se banhar. Não demorou muito, pois tinha coisas para fazer lá fora. Sua roupa era nada mais que um vestido florido. Colocou uma meia-calça preta com bolinhas e seu all-star preto que trouxe. Deixou seus cabelos lisos soltos e resolveu não passar nenhuma maquiagem. Estava muito bem sem ela. Lizzie voltou para o quarto e pegou as duas chaves. Ficou olhando para elas e resolveu que não poderia deixa-las soltas assim. Foi até sua bolsa e procurou um colar que havia colocado na bolsa. Depois de alguns segundos o achou. Tirou o pingente de um coração e o guardou na bolsa novamente. Colocou as duas chaves no colar e o fechou. Sorriu satisfeita com seu trabalho. Nesse momento se lembrou do colar que sua mãe havia lhe dado. Novamente foi até a sua bolsa e procurou por ele rezando para que tivesse se lembrado de coloca-lo na bolsa. Logo o achou. Ela suspirou aliviada. E logo o colocou em seu pescoço. Ele era da cor de ouro velho e o pingente era um pequeno coelho.

Elizabeth olhou em volta e percebeu que estava começando a ficar escuro lá fora. Pegou uma quantia razoável de dinheiro de sua bolsa e o guardou no cano de seu all-star. Pegou o colar onde as chaves estavam e saiu do apartamento trancando-o. Logo pendurou o colar em seu pescoço. Com medo de pensar que aquilo havia algum valor para os bandidos lá fora, a garota colocou os dois colares para dentro do vestido para que ninguém visse. Seguiu descendo as cinco escadas e quando finalmente chegou ao térreo viu que a grande porta da frente estava encostada. Lembrou que Blake havia dito que ela ficava aberta até meia noite. Abriu a porta e sentiu um vento frio bater em sua pele. Arrepiou-se com aquele vento, mas não iria subir mais uma vez as escadas para pegar um casaco. Saiu do prédio fechando a porta atrás de si.

A morena começou a andar pelas ruas vazias. Achava aquilo estranho e engraçado ao mesmo tempo. Ela nunca sabia se iria virar a esquina e se encontrar com alguém. Aquilo chegava a ser cômico para ela. Ela podia ouvir seus próprios passos e se distraía com o som que eles faziam. Era como uma inocente garota. Ela parecia estar perdida em um mundo de fantasias. Era a chapeuzinho indo se encontrar com a vovó. Ela andava tranquilamente observando as luzes da rua. Elizabeth andou por alguns quinze minutos sozinha. Até que dobrou uma esquina e viu algumas pessoas. Ela rapidamente parou de andar e observou um grupo de pessoas no fim daquela rua. Estava muito longe para ver rostos. Mas sabia que eram homens. E eles conversavam. Ela podia ouvir vozes baixas, mas não entendia nada. O silêncio das ruas fazia com que tudo fosse alto. Lizzie sentiu que não era muito bom ir por ali. Mas sua curiosidade era tanta que a garota quando viu estava andando sozinha até lá. Ela rapidamente parou mais uma vez de andar e suspirou. Ela não queria chamar atenção deles. Não sabia se eles eram civis normais ou se eram psicopatas e ladrões que fugiram de Arkham. A morena respirou fundo mais uma vez e resolveu que voltaria e seguiria por outro lado. O céu estava escuro já, e ela não estava a fim de causar problemas nesse momento.

A garota se virou para voltar seu caminho, mas seu coração foi de zero a mil quando ela deu de homem olhando-a. O susto foi tão grande que ela não pode deixar se gritar. E isso foi à coisa mais besta que ela fez na vida. Ela se arrependeu disso segundos depois. A rua inteira provavelmente pode ouvir aquele grito. Isso não foi legal. O rapaz abriu um sorriso diabólico e frio que a fez arrepiar. Ela o encarava com medo. Mas estava preparada para acerta-lo se ele tentasse alguma coisa.

- O que a criança faz sozinha no meio da rua? Ouvi dizer que essa cidade está cheio de loucos pela rua.

A voz dele era menos assustadora do ela pensava. Lizzie começou a perder o medo dele quando percebeu que ele parecia ser um cara normal. Ele estava bem perto dela e a observava como se ela fosse uma peça rara. Lizzie sorriu e suspirou.

- Talvez eu seja apenas uma louca pela rua.

A voz de Lizzie saiu como se fosse um deboche. Ela queria dar um tapa em si mesma por isso. Ele fez o que ela menos esperou, ele riu da cara dela. Ela parecia estar se divertindo.

- Pode ser... Mas eu gosto de pensar que eu sou o cara malvado.

Lizzie abriu um sorriso nervoso. E deu um passo para trás. Ela pensou em ir se afastando dele, mas passos atrás dela a fez parar rapidamente. Ela instantaneamente se virou e viu que aquelas pessoas da esquina agora estavam a alguns passos dela. Para a maior surpresa dela, todos usavam máscaras de palhaços. Eles vestiam roupas normais. Ao total eram cinco pessoas. Ela se sentiu estranha por aquilo.

- Quem é essa criança, Pip?

Um homem entre os cinco se destacou ao dar mais dois passos à frente. Sua voz era abafada pela máscara. Lizzie rolou os olhos.

- Eu não sou uma criança.

Ela voltou a olhar para o primeiro que estava sem máscara. Ele parecia surpreso por ela ter respondido com certa suavidade. Ela pode ouvir alguns risos atrás de si agora.

- Ela é apenas uma criança perdida. Não tem noção do perigo.

A morena começou a ficar com raiva daquilo. Quantas vezes ela precisaria falar que não era uma criança? Lizzie suspirou e grunhiu chamando atenção deles. Ela cruzou os braços e bateu os pés.

- Eu já disse que não sou uma criança! Qual é? Só porque eu sou baixinha significa que eu sou uma criança? Isso não é justo!

Aquilo fez todos em sua volta gargalharem. Ela definitivamente não sabia o que fazer. Resolveu deixar isso de lado e esperarem eles pararem de rir da cara dela. Lizzie queria muito sair andando dali. Mas algo dizia para ela não fazer isso.

- Você parece uma criança nesse momento. Fazendo birra!

O rapaz disse tentando não rir mais. Lizzie parou de olhar para ele e começou a encarar seus pés. Ela queria continuar sua caminhada.

- Falou o homem que se chama Pip.

Lizzie murmurou, mas elevou sua voz de propósito para todos ouvirem. Ela pode ouvir logo os homens atrás de si rirem. Menos o rapaz em sua frente que ficou com uma cara brava. Lizzie continuou a encara-lo o que o deixou mais irritado ainda. Em questão de segundos ele levou sua mão até sua cintura e arrancou uma arma de lá apontando na cabeça de Lizzie fazendo todos os palhaços pararem de rir. Lizzie sentiu seu coração acelerar.

- Olha aqui, sua criança...

Antes que ele pudesse terminar, ouviu-se um carro se aproximar. Os faróis bateram no olho de Lizzie o que a fez fechar os olhos instantaneamente. Assim que os faróis se apagaram ela percebeu o carro parado ao lado dela na rua. Pip rapidamente tirou a arma da cabeça da garota e a puxou pelo braço a fazendo ficar bem ao seu lado. Lizzie rolou os olhos e ficou ao lado dele, pois o homem ainda segurava seu braço. O carro era grande e preto. Era um tipo de van. Logo a porta se abriu e segundos depois saiu de lá três homens. Dois deles estavam de terno, e seguravam armas. Isso pareceu intimidar um pouco o grupo de palhaços. Lizzie percebeu isso. Logo o outro homem que estava no meio dos dois chamou mais a atenção de Lizzie. Ele era meio alto, usava um terno e óculos. Ele parecia mesmo um nerd. Ela magro, mas não chegava a ser do estilo anoréxico. E seus cabelos ela médios, um pouco mais acima do ombro. Ele parecia ser normal.

- Olá, senhores... E senhorita.

A voz dele era delicada e calma. Ele passava conforto, de alguma forma. Lizzie suspirou aliviada e abriu um sorriso tímido ao ver que ele a notou e não a chamou de criança. Pip andou até o rapaz puxando a garota junto. Ela tentou recuar, porém ele era mais forte. Os dois homens ao lado do nerd apontou a arma para Pip e Lizzie. Ela não gostou nada daquilo.

- Você não é muito pontual, cara. Estou te esperando há horas.

Pip disse como se o conhece há tempos. Lizzie apenas ficou observando o rapaz quieta. Ela não sabia o que fazer.

- Cheguei exatamente na hora certa, acho que você chegou mais cedo.

A voz calma dele chegou a irritar Elizabeth. Como ele conseguia ser calmo assim. Lizzie não parava de encará-lo. Não conseguia ver o rosto dele direito. Ela queria ver seus olhos, mas a noite escura não deixava. O rapaz levou uma mão até seus óculos que parecia escorregar. Ela achou aquela ação muito parecida com a de um nerd. Não pode deixar de rir baixinho pensando naquilo. Lembrou-se de Mia, ela fazia aquilo. A risada dela chamou a atenção dele e o rapaz a encarou. Ela logo parou de rir e se encolheu ao lado de Pip e encarou seus próprios pés.

- Me dê logo esse negócio porque meu chefe está esperando.

Lizzie ouvia tudo com atenção. Aquilo era estranho. Ela sentia que não era nada bom ficar ouvindo tudo aquilo. Existiam três palavras que a estavam fazendo tremer: queima de arquivo. Ela não estava a fim de morrer agora. Lizzie levantou seu rosto e viu um dos rapazes entrar na van e segundos depois voltar com uma maleta preta. Ele então a abriu e mostrou o que havia dentro para Pip. É claro que ela olhou também. Lizzie viu vários fracos verdes de tampas roxas. Ela não fazia ideia do que era aquilo. O rapaz logo chegou à maleta e ela fingiu não ter visto nada. Olhou para Pip e ele tinha um sorriso travesso no rosto.

- Que meigo! As cores favoritas do Chefe.

Lizzie estava começando a ficar curiosa sobre quem era esse chefe. Pip então soltou o braço da garota e ela agradeceu mentalmente. Logo um palhaço apareceu ao seu lado com uma maleta prata. Ele abriu e dentro dela estava várias notas de 100. Lizzie deixou seu queixo cair de espanto. Agora ela tinha certeza que estava encrencada. Os dois que seguravam as malas trocaram-nas. O palhaço voltou para o seu grupo e o outro rapaz entrou na van.

- A gente se esbarra por ai, espantalho.

Os outros dois estavam entrando no carro e Lizzie os observou. Pip foi se virar para ir ao encontro dos palhaços, mas se virou rapidamente como se estivesse esquecido de algo. Lizzie franziu o cenho tentando entender o que estava acontecendo.

- Ei, pra você, é exclusivo. Um brinde.

Pip disse isso empurrando Lizzie que tropeçou e caiu dentro da van. A morena sentiu um arrepio ao ver os três homens a olharam curiosos. Ela não disse nada, apenas olhou para Pip com certa raiva e ele riu da cara dela. Ela xingava ele mentalmente de todas as formas. Sentia que não estava com sorte hoje. A porta da van se fechou e uma luz no teto dela acendeu. Lizzie então olhou para o rapaz e pode ver seus olhos agora. Ficou hipnotizada por aqueles grandes olhos azuis. Eles eram incrivelmente azuis e lindos. Ele a encarava também, mas curioso sobre ela. O que ela fazia ali? Lizzie viu que estava muito tempo olhando para ele e se sentiu constrangida por isso. Rapidamente ela olhou para seus próprios pés e se arrastou até o canto da van se se encostando à parede e abraçando suas pernas. A morena descansou sua cabeça no joelho e ficou olhando para o nada, estava com uma cara pensativa.

- O que vai fazer com ela?

Aquela pergunta a tirou de seus pensamentos rapidamente. Porém ela não se moveu um milímetro. Permaneceu ali esperando uma resposta. Ela sabia que era de algum dos capangas do espantalho. Sabia que não era ele, pois nunca esqueceria sua voz calma. Ela ouviu um suspiro pesado. Talvez esse fosse ele.

- Ela ouviu muita coisa que não devia.

Lizzie estremeceu com aquelas palavras. Era isso que ela mais temia. Queima de arquivo. Mas ela não precisava falar para ninguém o que viu, certo? Ela não tinha escolha. Sentia que as coisas iriam ser como eles queriam. E bom, como ela sabe o que irá acontecer. Provavelmente ela pode falar o que quiser sem medo. Lizzie levantou a cabeça e olhou para ele franzindo o cenho.

- A única coisa que eu sei aqui é que a cor favorita do chefe dele é verde e roxo. E que te chamam de espantalho... Eu não acho isso muita coisa, você acha?

As palavras saíram da boca de Lizzie como uma torneira. Ela estava certa. O espantalho a encarou por alguns segundos e logo depois abriu um pequeno sorriso que fez Lizzie querer sorrir também.

- Acho que está certa.

Ele respondeu abrindo mais um sorriso. Lizzie no momento não entendia mais nada. Mas sentia que ele não era um homem muito ruim. Os dois homens ao lado do rapaz não entenderam aquilo, mas preferiram ficar calados. A morena queria ficar conversando com ele. Mas ela não sabia como começar a fazer isso.

- Posso saber o seu nome?

Ele voltou a olha-la. O rapaz parecia analisa-la. Mas Lizzie não se importava com aquilo. Ela realmente queria saber o nome dele.

- Jonathan, Crane, Dr. Crane, Espantalho... Você pode escolher.

Ele dizia como se não fosse de nenhum problema. Lizzie abriu um sorriso largo. Sentia-se melhor agora que ele havia dito o seu nome. Ela pensou em chama-lo de John, mas então se lembrou de Blake. Isso seria injusto. Ela não entendia o porquê de espantalho. Mas não gostava muito daquilo. Dr. Crane. Ele era doutor?

- Você é algum tipo de médico?

Ela perguntou já mais confiante. Crane a olhou e sorriu. Ele gostava de ver que ela não havia medo, mesmo passando por tudo isso. Ela deveria sentir medo.

- Psicólogo.

Lizzie sentiu um arrepio ao ouvir aquilo. Ele pode muito bem ter saído de Arkham Asylum. Ela poderia perguntar isso a ele, certo? Ela não tinha o que temer.

- Creio que é de Arkham então.

Lizzie murmurou. Ela poderia estar errada, ou talvez não. Crane se surpreendeu com aquilo. Como ela sabia? Ela não parece ser uma garota de Gotham City.

- Porque acha que sou de Arkham?

Ele perguntou curioso. Sua voz era grave. Ela percebeu que ele mudou um pouco seu humor. Lizzie apenas sorriu para ele tentando passar confiança. E certamente conseguiu.

- Eu apenas deduzi. Acho que você trabalhou lá ou foi paciente... Ou os dois.

Lizzie se enrolou um pouco para falar. Ela parecia pensativa aos olhos de Crane. Ele riu e arrumou seus óculos. Lizzie apenas ficou observando-o.

- Certamente, os dois.

Crane disse olhando nos olhos da garota procurando por alguma reação. Mas para a sua surpresa tudo que ele conseguiu foi um sorriso dela. Ele não a entendia, não entendia o porquê ela não tinha medo dele. Isso o assustava.

A van parou de andar e Lizzie levantou a cabeça olhando para fora da janela. Ela não fazia ideia de onde estava. Logo um dos homens abriu a porta e todos saíram da van. Lizzie ficou paralisada ali no lugar olhando para fora. O motorista apareceu e ficou entre os dois homens. Logo eles começaram a andar para dentro do que parecia uma casa abandonada. Ela percebeu que agora era apenas ela dentro da van e Crane em pé a observando.

- Onde estou?

Lizzie perguntou curiosa. Ela não sabia o que pensar sobre aquilo. Não fazia ideia do que estava fazendo ali. Crane sorriu e estendeu a mão para ela. A morena sentiu um frio na barriga ao ver o gesto dele.

- Não quer descobrir onde está? Parece ser uma menina curiosa. Certamente se não fosse tão curiosa, não estaria nesta situação.

Lizzie abriu um sorriso largo o fazendo sorrir mais ainda. Ela rapidamente pegou na mão dele e se levantou. A mão dele era macia, ela podia segura-la para sempre. Ela saiu da van e encarou tudo ao seu redor. Estava escuro, mas percebeu que era um lugar bem afastado da cidade. Em sua frente havia uma casa que parecia abandonada, mas era bonita e grande.

A morena percebeu que ainda segura à mão de Crane. E sinceramente, ela não queria soltá-la. Lizzie se manteve bem ao lado de Crane e segurando sua mão forte. Ele riu da situação dela. Ele também não fazia ideia do porque ainda segurava a mão da garota, mas gostava e manteria assim. Os dois seguiram até a casa em silêncio. Lizzie observava tudo em sua volta. Era um lugar bem sombrio. Eles subiram os quatro degraus para a varanda e logo estavam na porta. Ela estava entreaberta e podiam ouvir os rapazes lá dentro. Crane empurrou a porta e logo avistou a sala. Lizzie soltou-se da mão de Crane e entrou na casa. Ela ficou maravilhada de como era bonita por dentro. Crane tinha um bom gosto pelas coisas. Parecia ser moveis de um século diferente. Ela adorava isso. Lizzie pode ouvir as vozes chegando mais perto. Aqueles homens que trabalhavam para o Crane, ela não confiava neles. A morena se apressou e voltou para o lado de Crane rapidamente e sem protestar pegou na mão dele mais uma vez e se encolheu ao seu lado. Crane olhou para a garota com um sorriso no rosto. E logo voltou a olhar para os rapazes.

- Precisa de alguma coisa?

O rapaz perguntou observando Lizzie. Ela percebeu que ele sentia certo receio por tê-la ali por perto. Talvez ele pensasse que ela não é confiável. Lizzie desviou o olhar daquele cara e voltou a encarar o chão.

- Não preciso de nada, podem ir.

Crane disse com uma voz suave. Como se nada tivesse acontecendo ali. Lizzie levantou a cabeça e olhou para Crane. Os rapazes ficaram olhando para a garota por algum tempo e então eles deram as costas e sumiram da vista dela. Lizzie não havia entendido para onde eles iriam. Mas sabia que eles iriam ficar em algum lugar da casa. Crane andou até o sofá fazendo com que Lizzie o acompanhasse. Ele se sentou e ela sentou ao seu lado em seguida. Lizzie soltou a mão dele e começou a mexer nas pontas de seu cabelo. Estava sentada de lado, virada para ele. Crane a analisava como um bom psicólogo. E Lizzie notou isso.

- Por favor, não faça isso. Fico nervosa.

Crane sorriu de um jeito meigo e mexeu em seus óculos. Lizzie encarava aqueles grandes olhos azuis. Ele era tão lindo que ela poderia encará-lo por horas.

- Não estou fazendo nada.

Ela riu um pouco nervosa. A tranquilidade de Crane era tanta que a deixava sem graça.

- Você está me analisando.

- E porque eu faria isso?

- Porque você é um psicólogo... E é isso que eles fazem.

Lizzie disse como se aquilo fosse óbvio. Crane olhava mais para o rosto delicado da garota. Ela parecia ser bem nova. Ele estava intrigado com o comportamento dela.

- Porque você não tem medo de mim?

Crane perguntou curioso. A morena observou aqueles olhos e por alguns segundos se perdeu neles. Aquela pergunta fez seu coração bater mais forte. Ela só não sabia o porquê.

- E eu deveria ter?

Crane não pode deixar de sorrir com aquela resposta. O rapaz desviou seu olhar do dela e encarou o nada por alguns segundos. Lizzie ficou encarando-o. Queria decifrá-lo, saber o que ele estava pensando.

- Acho que deveria. Sou um homem de Arkham.

Ele disse com seu olhar ainda distante dali. Lizzie abaixou a cabeça e pensou por alguns segundos. Ele tinha razão por um lado. Ela deveria temer um homem de Arkham. Mas não conseguia nesse momento. A garota voltou a olhar para aqueles olhos azuis que já estavam nela por alguns segundos.

- Você não me deu motivos para isso. Não vou te odiar ou ter medo de você apenas porque dizem que você é ruim. Às vezes o que significa ruim para algumas pessoas, significa bom para mim.

Lizzie engoliu seco após dizer aquelas palavras. Aquilo era o que ela pensava. E Crane naquele momento era bom para ela. Crane por um momento não acreditou no que havia escutado. Como ela poderia ser tão diferente? O rapaz se aproximou dela, fazendo-a sentir um frio na barriga. Lizzie permaneceu paralisada olhando para aqueles olhos. Crane levou uma de suas mãos até o rosto da garota e olhou naqueles olhos verdes dela. Ele estava tão perto dela. O cheiro dele a fazia perder o sentindo.

- O que eu não consigo entender é o porquê eu ainda não sei seu nome.

Crane abriu um sorriso meigo o que a fez sorrir também. Lizzie por um momento quis falar seu nome verdadeiro. Mas ela sabia que era arriscado.

- Kyle... Beth Kyle.

Crane continuou a encara-la. Lizzie se sentiu sendo analisada por ele mais uma vez. Ela não gostou nada disso. O rapaz então se afastou dela com aquele sorriso. E tirou a mão de seu rosto. Lizzie continuou parada ali apenas esperando que ele dissesse algo.

- Posso saber seu verdadeiro nome?

O coração acelerou. Ela sabia que ele estava analisando-a. E sabia que nunca poderia esconder nada de um psicólogo. Lizzie olhou para ele e sorriu sem graça.

- Quem sabe outro dia.

Lizzie disse com um sorriso travesso. Crane balançou a cabeça negativamente e riu. A morena desviou o olhar dele e mordeu seu lábio demonstrando nervosismo.

- Então isso quer dizer que você pretende se encontrar comigo no futuro...

A morena sorriu para ele. E ficou algum tempo quieta. Ela queria dizer que sim, mas não sabia ao certo. Ela realmente não sabia o que estava acontecendo ali.

- Eu não sei... Nem ao menos sei se você irá me deixar ir.

Crane pareceu ficar sério agora. Ele a observava para ver se ela mudava se expressão e se aparecesse algum sinal de medo nela.

- Você pode ir, a porta está aberta.

Crane disse apontando para a porta. Lizzie olhou para a porta e se sentiu aflita. Uma parte dela queria ficar ali como uma boa curiosa que ela é. E a outra parte a mandava correr para longe dali e se esquecer dele. Crane observava ela pensar. Ele provavelmente esperaria que ela saísse correndo dali. Mas felizmente ela não fez isso. Ele sorriu ao pensar que ela queria ficar ali.

- Eu nem ao menos sei onde estou... Você quer que eu saia?

Lizzie perguntou para ele com um pouco de receio na voz. Ele pendeu a cabeça para o lado e a encarou como se fosse um cachorrinho que caiu na mudança. Naquele momento ela teve vontade de abraça-lo e dizer que iria ficar e cuidar dele para sempre.

- Você quer ficar aqui?

- Perguntei primeiro...

- Eu sou o dono da casa...

- E estou pouco me lixando... Você responde primeiro.

Ele a encarou seriamente por alguns segundos e ela segurava um riso. Naquele momento ele poderia muito bem dizer que ela era uma criança mimada e mandona.

- Você parece uma criança mimada.

Lizzie deixou o queixo cair não acreditando que ele a chamou de criança. Ela não entendia o porquê todos ali resolveram a chamar de criança.

- Eu não sou uma criança!

- Em nenhum momento disse que é uma criança. Apenas disse que se parece com uma referindo-se ao seu comportamento no momento.

Lizzie suspirou e o encarou por alguns segundos. Eles ficaram por alguns segundos se encarando. Parecia mais uma brincadeira de criança.

- Craaaaane...

A garota cantou o nome dele como se fosse uma criança. Ele sorriu ao ouvi-la.

- Algum problema?

Lizzie sorria como uma criança feliz.

- Sim, você não respondeu minha pergunta.

Crane suspirou e se deu por vencido. Lizzie olhava para ele com um olhar inocente. O que a fazia mais irresistível.

- Não.

Lizzie se fingiu de desentendida. Crane percebeu isso. Ela estava brincando com fogo e sabia disso. Mas não tinha medo de se queimar.

- Não o que?

- Você quer mesmo brincar comigo?

Crane perguntou para ela sério. Lizzie abriu um sorriso.

- Eu não quero ir embora.

Assim que a morena disse ele abriu um sorriso vitorioso. Ela se sentia manipulada por aquele sorriso.

- Você é muito diferente.

Aquelas palavras de Crane a fez se sentir bem, ela não sabia por que.

- E isso é bom?

- Para mim, sim. Mas para você, eu não sei.

Crane disse quase que em um murmuro. Lizzie sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Ele só podia estar brincando com ela. A morena mal o conhece e já se sente ligada a ele.

- Se é bom para você, dever ser para mim.

Lizzie disse se levantando do sofá e andando pela sala. Era uma sala grande. O chão era de madeira e havia um tapete muito fofo nele. Ali tinha também uma lareira linda. O sofá era de pano e gigante. Ela poderia dormir nele muito bem. Havia uma janela ali com cortinas grossas de um tom de vinho. Lizzie foi até ela e abriu um pouco para ver a algo lá fora. Infelizmente não dava para ver muita coisa. Mas mesmo assim era uma vista bonita e ao mesmo tempo tensa.

Crane observava todos os passos dela. Ele não conseguia entender o que havia de tão especial nela que chamou sua atenção. Ela era praticamente ilegível. Ele não conseguia ver o medo dela e isso fazia dela mais interessante ainda. Ele sempre estudou o medo. E nessas condições era para ela estar tremendo de medo. Mas ela não demonstrava isso. Ela não tinha medo, ou pelo menos conseguia escondê-lo muito bem.

- Crane, você irá me levar de volta ou irá me raptar?

Lizzie perguntou para ele não tirando o olhar da janela. Ela estava pensativa. Ela pensava no detetive. Ele iria sentir falta dela. E ela provavelmente sentiria falta dele.

- Ainda estou pensando no que fazer com a senhorita.

Lizzie voltou o olhar para ele. Ela abriu um sorriso torto e encarou aqueles olhos azuis que pareciam pensativos também.

- Pense com carinho... Eu tenho uma família.

Crane se levantou e andou até ela lentamente. Lizzie observou seus passos e levantou o olhar para encara-lo. Ele levou suas mãos até seus bolsos e ficou parado encarando-a.

- Você é meu brinde, não é?

- Bom... Acho que sim.

- O que é ganho, não se repassa para ninguém.

- Mesmo se vier com defeito?

- Até agora não vejo nenhum.

Os dois sorriram e trocaram olhares por um bom tempo. Algo dizia que iria nascer um grande sentimento ali.

Notas finais
Bom, eu fiz esse capítulo grandinho para vocês para me desculpar porque eu demorei demais :(
Bom, se vocês perceberem, coloquei foto da roupa dela, do colar e do Pip.
Pip vai ser um personagem frequente, por isso coloquei a foto. Ele vai ser mais um personagem cômico junto com Lizzie, apenas para descontrair.
Bom, eu acho que vocês já perceberam o grande rolo, certo?
E olha... Eu comecei a escrever Lizzie/Crane e não consegui parar. SHIP VICIANTE ESSE.
Meninas, gostaram do meu Crane? Eu não sei se interpretei ele direito, me desculpem :(
Bom, espero que vocês gostem!
E bom, o que vocês acham que Lizzie deve fazer? *-*
Ps: desculpem os erros.