Dark Princess
5 Going home.
Eram três da manhã. Elizabeth estava acordada olhando para a lua que estava mais linda que nunca. Entre lágrimas ela sorria. Seria difícil passar por isso. Mas era um de seus desejos. Sua pequena mala estava pronta. Não levaria muita coisa, poderia comprar em Gotham City. Ela segurava em suas mãos uma carta que havia escrito para sua mãe. Ela não queria nem pensar em como seria a reação de sua mão quando ela visse aquilo. Sentia um aperto no peito. Queria poder abraçar seu pai e chorar no colo dele como uma criança, mas não podia. Ela sentiria falta dali. Mas precisava seguir em frente com sua vida. Precisava ir embora o mais rápido possível antes que aparecesse algo para fazê-la ficar.
Lizzie pegou sua mala e enxugou suas lágrimas. A carta ela havia deixado encima da cama perfeitamente arrumada. A morena foi até a porta do quarto e a abriu com um sorriso no rosto. Fechou a porta atrás de si e olhou para o corredor escuro. Ficou alguns segundos memorizando cada lugar dessa casa e depois desceu as escadas em passos leves e silenciosos. Ela andou até a porta em silêncio e virou a chave em silencio, destrancando a porta. Seu coração naquele momento acelerou. Tinha uma força dentro dela que a mandava voltar para seu quarto e havia outra força que a mandava começar a andar e não olhar para trás. Ela sabia que iria fazer o que a segunda força mandava de qualquer jeito. Lizzie sorriu sozinha ali e jogou sua mala em suas costas. Abriu a porta e saiu de casa. Trancou a porta, pegou sua chave e colocou em seu bolso.
Estava frio do lado de fora e ela estava sem casaco algum. Sentiu aquele vendo gelado bater em seu rosto. Sua pele tremeu com aquela temperatura. Lizzie começou a andar em direção ao centro da cidade. A estação fica há quarenta minutos dali e ela não estava nem um pouco a fim de correr. Porém já passava das três horas da manhã e ela não queria ser assaltada. Ela andou por dez minutos até avistar um táxi parado na rua. Estava marcado como livre. A morena apressou o passo até ele e entrou no carro. O motorista olhou para ela e sua mochila preta e franziu o cenho. Ela parecia muito nova para ele.
- Para a rodovia, por favor.
O motorista olhou para ela com receio nos olhos. Ela não entendeu muito aquele olhar dele. Desviou o olhar para a sua mochila que havia colocado ao seu lado e a observou por alguns segundos.
- Uma jovem como você indo para a rodovia às três horas da manhã... Espero que não esteja fugindo de nada.
O motorista disse mais para si mesmo do que para ela. Lizzie voltou a olhar para ele e abriu um sorriso torto.
- Não estou fugindo... Apenas estou indo para o meu lugar.
As palavras de Lizzie foram um murmuro. Nem ela mesma pode ouvir. Porém ela necessitava se confortar. Ela precisava daquilo mais do que nunca. A morena ficou calada assim como o motorista. Estava com sono, porém a ansiedade não a deixava cochilar nem um pouco. Lizzie apenas observava a ruas totalmente vazias. Achava aquilo muito engraçado. Era bom andar por ruas vazias. Sentia-se mais livre. O táxi demorou mais ou menos uns quinze minutos para chegar. Era como se ele andasse mais devagar apenas para poder ganhar mais. Lizzie odiava quando eles faziam aquilo. Mas resolveu não dizer nada para não se aborrecer. Quando ele chegou à rodovia ela logo viu algumas pessoas esperando ônibus com várias malas. O motorista parou o carro no estacionamento e ela logo entregou uma nota de cem para ele. Havia dado menos que isso, porém ela o mandou ficar com o troco e ele a agradeceu. Lizzie rapidamente saiu do carro com sua mala e sorriu ao ver vários ônibus de viagem ali.
Ela logo viu uma cabine onde vendia as passagens. Apressou-se até ela chamando atenção do rapaz que estava nele. A morena sorriu para ele delicadamente e ele retribuiu o sorriso. Lizzie tirou sua carteira da bolsa e a abriu notando as várias notas que havia ali. Suas economias. Na carteira havia dois mil. Havia mais dinheiro na mala também, havia mais três mil reais. Ela iria se virar com aquilo por alguns dias.
- Eu quero o próximo ônibus para Gotham City.
O rapaz perdeu o sorriso encantador e olhou para ela meio preocupado. Ela não entendeu muito aquilo, mas resolveu agir normalmente.
- Você sabe que aquela cidade está um caos, certo?
A morena então se lembrou do que estava acontecendo naquela cidade. Ela suspirou e olhou para ele ainda com um sorriso no rosto.
- Sim, eu sei. Por isso estou indo para lá. Minha família está naquela cidade com medo de sair de casa.
Ela mentiu descaradamente. Ela podia enganar qualquer pessoa. E sinceramente, adorava fazer aquilo. O rapaz pareceu ficar com um pouco de pena da mentira dela. Ele apenas mexeu no computador e retirou uma passagem passando para ela. Lizzie logo passou o dinheiro e ele logo deu o troco e ela o guardou.
- Espero que consiga entrar na cidade. Dizem que estão fechando ela. Ninguém entra ou sai. Provavelmente esse irá ser o ultimo ônibus para lá... Boa sorte.
Ele parecia chateado. Lizzie notou isso. Ela acenou para ele em agradecimento e saiu andando. Avistou na passagem que o ônibus sairia em meia hora. Isso era ótimo para ela. Era uma viajem de no máximo duas horas. Provavelmente chegaria lá ao nascer do sol.
Elizabeth andou foi até os caixas eletrônicos que havia ali. Ela iria tirar todo o dinheiro que poderia. Não iria poder usar seu cartão assim que sua mãe souber que ela fugiu. Pois ela iria rastrear. Ela conhecia sua mãe e sabia que ela mandaria algum policial que ela conhece fazer isso. Provavelmente ela iria colocar a policia de Gotham atrás dela. Lizzie riu sozinha ao pensar o quanto sua mãe era cuidadosa com ela. Se Elizabeth não morresse no meio desse caos que Gotham está, ela provavelmente iria morrer nas mãos de sua mãe quando ela a encontrar de novo. Lizzie pegou seu cartão do banco e foi até o caixa. Colocou seu cartão nele e logo colocou sua senha. Apareceu então sua fortuna. Não era muito comparada a de seu pai. Ela então procurou saber o máximo que poderia tirar. Então viu que apenas mil poderia ser tirado. Ela não acreditou naquilo, mas era melhor que nada. Logo o seu dinheiro estava saindo. Ela o pegou e o guardou saindo dali.
Andou até a cantina e sentou em uma mesa que dava para frente do ônibus que a levaria para Gotham. A morena conferiu mais uma vez seu dinheiro, agora ela havia cinco mil e alguns trocados. Foi até a cantina e pediu uma água para beber. Pegou no balcão e voltou até sua mesa esperando dar a hora para o ônibus sair. Seria uma viajem longa para ela.
Assim que o tempo passou ela viu algumas pessoas entrando no ônibus para Gotham. Pelo que ela contou, eram ao menos sete pessoas. Poucas pessoas. Na verdade todos tinham cara de suicidas. Porque ir para a cidade que está praticamente sendo tomada pelos piores assassinos, é puro suicídio. Não que ela seria uma suicida. Ela só não tinha medo deles, pelo menos agora. Lizzie pegou sua mala e então foi até o ônibus. O motorista a observou chegar perto. Ele tinha um olhar desconfiado. Antes que ela pudesse entrar no ônibus, ele a parou.
- Ei, garota. Você tem idade para viajar sozinha? Ainda mais para Gotham City?
Lizzie rolou os olhos e olhou para o motorista. Ela logo entregou a passagem para ele e sorriu.
- Obrigado por achar que eu sou apenas uma... Adolescente. Porém eu já tenho mais de dezoito anos e uma vida em Gotham City... Mesmo assim, obrigada por se importar!
Ela disse aquelas palavras tão convincentes que ele acreditou sem ao menos pedir um documento dela comprovando. Lizzie entrou no ônibus e foi para a sua poltrona. Felizmente ela estava vazia. Sentou-se ao lado da janela e colocou sua mala na poltrona ao lado. Ela riu do motorista que acreditou nela. Realmente hoje em dia está fácil enganar as pessoas. Ela ficou na janela observando as pessoas se despedirem de seus parentes. Gostaria de ter uma cena assim com sua mãe. Gostaria que ela a apoiasse em suas decisões. Mas Selina era uma mãe muito desconfiada do mundo e sempre quer ter Lizzie por perto. Ela nunca irá entender isso.
O ônibus então ligou e Lizzie sentiu seu coração apertar. Talvez por ter que deixar sua cidade e Mia para trás. Ela queria poder trazê-la junto, mas não poderia arriscar a vida de sua melhor amiga. Ela não estaria preparada com o que Gotham tem para oferecer hoje. Talvez no futuro ela possa mostrar para Mia a cidade que sempre sonhou em morar. O ônibus então começou a andar. Ela sorriu, não muito animada. Um sorriso que dizia adeus. Aos poucos o ônibus chegava a grande estrada que ligava sua cidade a Gotham. Uma estrada longa que ela esperaria ansiosamente para acabar. Lizzie pegou seu Ipod que estava na bolsa e colocou seus fones de ouvido. Ouvir música era a melhor coisa que ela poderia fazer nesse momento. Logo apertou o play e esperou que a música começasse. Deixou sua cabeça apoiada sobre a janela e fechou os olhos prestando atenção na música. Aos poucos sentiu um sono vindo. Tentou lutar com ele algumas vezes, mas logo começou uma música lenta que a fez adormecer mais rápido ainda.
Elizabeth acordou com um senhor sacudindo-a. Ela se assustou e deu um pulo de sua poltrona. Logo viu o senhor olhando para ela meio assustado também. Lizzie tirou seus fones de ouvidos e passou as mãos em seus olhos para acordar melhor. Logo ela olhou ao seu redor. Viu pela janela que o céu estava meio alaranjado. Ela arregalou os olhos e percebeu que não havia mais ninguém no ônibus.
- Já chegamos?
Ela perguntou ao senhor. Ele riu da cara de sono dela e da surpresa que havia em seus olhos também.
- Sim, já chegamos. Todos já saíram, falta você!
Lizzie se levantou rapidamente da poltrona e pegou sua mala que estava ao seu lado. Enrolou seu fone de ouvido e o guardou na mala. Ela sorriu ao senhor em forma de agradecimento e saiu do ônibus. Logo avistou o povo que estava dentro do ônibus. Todos estavam se encontrando com seus familiares. Ela olhou ao redor e viu que diferente da rodovia de sua cidade, a rodovia de Gotham estava vazia. Apenas havia o ônibus que ela acabou de descer. Ela estranhou muito isso. Havia algumas pessoas em alguns bancos. Eles pareciam assustados. Provavelmente eles queriam sair dali.
O motorista do ônibus parou ao lado de Lizzie e ela olhou para ele sem entender.
- Está um caos aqui... Se eu fosse você voltaria para o ônibus e sairia dessa cidade. Esse é o ultimo ônibus e parte em uma hora.
Ela olhou para o motorista que parecia assustado com a situação da cidade também. Ela abriu um sorriso fraco e voltou a olhar para as pessoas que estavam sentadas no banco com malas.
- Eles são os únicos que estão esperando?
O motorista riu da pergunta de Lizzie como se aquilo fosse uma piada. Ela não gostou daquilo, mas ficou quieta esperando sua resposta.
- Daqui a meia hora esse lugar estará um caos. Os que sobraram sabem que hoje será o ultimo dia que um ônibus entra na cidade.
Lizzie não gostou de ouvir aquilo. A morena mordeu seu lábio inferior pensando para onde iria ir. Não havia ninguém para quem ela pudesse pedir informações.
- Está tudo fechado nessa cidade?
O motorista parou de olhar algumas passagens que segura e olhou para Lizzie com um pouco de pena por ela está sozinha.
- Não tudo. Ainda tem muita gente que não quer deixar a cidade. Muitos também estão apenas se escondendo em suas casas... O que um hospício não faz, não é?
Ele riu de sua própria piada interna. Lizzie não viu nenhuma graça naquilo. O que deixou o motorista sem graça também. Ele logo parou de rir e saiu de perto dela. Lizzie então começou a andar para longe daquele lugar. Ela não sabia para onde ia. Mas sentia que precisava fazer isso. Logo ela chegou ao meio da rua. Não havia ninguém. Ela sentia seus olhos se enxerem de lágrimas. Ela estava emocionada por estar em Gotham City. Não sabia o porquê. Mas sentia que muitas coisas poderiam acontecer ali.
O sol estava nascendo, ela andava no meio da rua olhando as casas todas fechadas. Eram bonitas e bem feitas. Gotham era linda. Ela não conseguia ver uma guerra acontecer ali. Só sabia ver beleza. As ruas limpas e sem ninguém. Era como se ela estivesse sozinha na cidade. Aquilo era tentador. Ela queria sair correndo feito uma criança e bater na porta de todo mundo. Mas resolveu se controlar. Precisava arrumar um lugar para ficar. O que seria uma coisa bem difícil. Lizzie então se lembrou de um lugar: A antiga mansão de seu pai. Era para lá que ela iria.
Notas finais
Então, gostaram? Ela chegou em Gotham City! Agora que a coisa vai começar a pegar fogo!
Bom, eu escolhi os três melhores e mais perfeitos vilões (que por um acaso não serão tão "vilões" aqui):
Coringa, Espantalho e Bane.
E os três irão aparecer! Tanto quanto o "mocinho" da história:
Robin.
Bom, com qual vocês acham que ela deve esbarrar primeiro?
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