Dark Princess

6 Everybody knows that I'm a good girl, officer.


Clifton, New York. –

Selina estava deitada na cama tentando entender aquilo. O que estava acontecendo em Gotham? Ela não sabia. Seu coração saltava todas as vezes que ela pensava que Bruce estava no meio dessa confusão. Porque ele tinha que se meter no meio dessas coisas? Pode parecer egoísmo, mas ela apenas queria vê-lo ao seu lado, para o bem dessa família. A morena decidiu levantar da cama, o sol já nascera lá fora. Já de pé ao lado da cama ela olhou para o relógio e viu que eram 6h15m da manhã. Suspirou alto e balançou a cabeça negativamente. Tinha que parar de acordar tão cedo assim. Foi até o banheiro e fez sua higiene matinal de sempre. Ficou alguns segundos encarando o espelho. Logo depois pensou em Elizabeth. Ela abriu um sorriso ao pensar em sua filha. Selina saiu do banheiro e seguiu até o corredor. Foi até a porta do quarto de Lizzie e o abriu.

Seu coração foi de zero a mil quando viu a cama de Lizzie vazia. O quarto estava arrumado e vazio. Selina Levou a mão até seu peito sentindo seu coração bater rapidamente. Sentiu medo naquele momento. Pensou nas piores possibilidades. A morena adentrou no quarto observando tudo. Seus passos eram pesados. Suas mãos já estavam trêmulas. Ela sentia o pior. Assim que chegou perto a cama de sua filha viu uma carta encima do travesseiro. Selina nesse momento desabou em um choro silencioso. Ela sabia o que aquilo significava. Sua filha havia fugido. A morena chorava imaginando o quão longe sua filha já estava. Como pode deixa-la ir? Com as mãos trêmulas, Selina pegou a carta. Naquele momento ela queria rasga-la. Sabia que não queria ler aquelas palavras. Sabia que iria se arrepender amargamente. Estava lutando com sua consciência e dizendo para si mesma que se recusa a pensar que Elizabeth está no meio de uma guerra. Selina abriu o envelope contra sua vontade. Tirou de dentro uma folha branca sobrada ao meio. Largou o envelope e abriu a folha se deparando com um pequeno texto com a escrita de sua filha. A morena suspirou fundo secando suas lágrimas e começou a ler.

“Mãe, não chore. Eu realmente não mereço suas lágrimas. Eu sei que fui estúpida por fazer isso. Sei que estou me precipitando. Mas você me conhece muito bem e sabe que eu faria isso algum dia. Vocês sempre me trataram como uma criança e esqueceram que eu estava crescendo, por favor, entenda que eu sei cuidar de mim. Não fique preocupada. Você sabe onde estou. Não venha atrás de mim, tenho tudo que preciso comigo e sei me defender. Nada irá me tirar dessa cidade. Eu te amo, mãe. Desculpe-me por te deixar assim”.

As lágrimas de Selina voltaram a cair. O silêncio que estava na casa era grande. Ela não sabia o que fazer. Nesse momento queria correr até Gotham City e tirar sua pequena de lá antes que algo aconteça. Não poderia acontecer nada com ela. Nunca. Bruce iria desmoronar ao saber que sua filha está no meio de Gotham City. Ela nem ao menos conhece aquela cidade. Como poderia andar por lá? Onde iria ficar nesse caos? Selina estava prestes a ficar louca. Porém permaneceu em silêncio. Deixou seu corpo cair sobre a cama da filha e permaneceu ali deitada transformando o medo de deixar sua filha lá em lágrimas.

Gotham City

Lizzie estava totalmente perdida. Ela sabia disso. Não havia ninguém para ajuda-la. A rua estava vazia. Estava começando a ficar cansada de andar. Porém em todas as ruas que passava decorava seus nomes. Aquilo servia mais para ela conhecer a cidade. O peso de sua mala estava começando a incomoda-la e ela não gostava nada disso. Poderia ser uma ótima lutadora, mas era pequena e não gostava de carregar peso. A morena não sabia que horas eram. Estava sem celular. Havia apenas seu Ipod, porém ele não marcava horas. Ela riu daquilo sozinha. Estava começando a ficar louca. Sentia-se em um deserto. Ela agradeceu por estar com roupas confortáveis. Uma camiseta xadrez de manga curta vermelha com linhas pretas, uma calça jeans de um azul marinho escuro e seu coturno preto. Seu cabelo estava solto caindo sobre seus ombros.

Gotham parecia uma cidade fantasma. Ela achou engraçado aqui. Preferia até que ela fosse uma cidade fantasma do que uma cidade com vários assassinos e psicopatas livres. Elizabeth continuou a andar pelas ruas. Passava por casas adoráveis e perfeitas. Achava aquilo muito bonito. Ela prestava atenção no silêncio enquanto andava, assim ficava em alerta. Andou por mais quatro quadras. Sentiu seus passos ficarem mais fortes. Estranhou aquilo. Eles estavam mais altos. Lizzie então começou a andar mais rápido. Foi quando ouvir passos atrás de si perderem o mesmo ritmo do que o dela. Seu sangue gelou por um momento. Não sabia o que fazer. Será que era um psicopata solto por ai? Lizzie ouviu os passos atrás de si rapidamente se apressarem. Ela então parou de correr fazendo com que os passos ficassem mais perto. Sentiu seus instintos pulsarem sobre seu sangue. Ela iria se defender se alguém tentasse algo.

Ela contou até três mentalmente e então se virou. Lizzie não soube o que fazer. Assim que ela se virou uma arma estava apontada para sua testa e atrás dela um homem. Ela arfou de medo e deu um passo para trás. A morena então reparou no homem. Seus olhos castanhos a encaravam com certo receio. Ele era alto e de porte médio. Sua roupa não destacava bem seu corpo. Seu cabelo curto repartido dava um ar jovem nele. Os dois passaram grandes segundos se olhando. Era uma luta para saber quem iria falar primeiro. Lizzie ficou cansada daquilo.

– Você vai me matar?

A voz dela saiu mais assustada do que ela queria. Ele a observou dos pés a cabeça fazendo ela sentir um incomodo com aquilo.

– Você é alguma criminosa?

A voz dele era suave e divertida de se ouvir. Porém séria. Lizzie começou a ver confiança nele. A morena olhou mais uma vez para ele e então percebeu que ele usava um uniforme de policial. Ela sorriu e suspirou aliviada com aquilo. Ele fez uma cara de confuso com a reação.

– Não sou criminosa, só estou procurando um lugar... Seguro.

Ele abaixou a arma e guardou em seu suporte que ficava em sua cintura. Ela observava todos os movimentos que ele dava.

– Não deveria ficar no meio da rua... Ainda mais sozinha. Uma garota como você poderia se dar muito mal por aqui.

Disse olhando para os lados. Ele parecia examinar a rua que estava calma. Lizzie franziu o cenho e soltou sua mala que já parecia mais um pedaço de concreto para ela. A mala caiu no chão chamando a atenção do policial.

– O que quer dizer com “uma garota como você”? Para a sua informação eu estava muito bem, ouviu? Sei me virar sozinha.

O orgulho de Lizzie nunca a deixava, ela às vezes odiava isso. O policial abriu um sorriso travesso. A morena fez uma cara emburrada e cruzou os braços parecendo uma criança zangada.

– Como um bom policial, irei leva-la para um lugar seguro.

Lizzie sorriu timidamente e ele retribuiu o sorriso.

– Só aceitarei porque realmente não sei onde estou...

O policial se aproximou dela e pegou a mala que ela havia deixado no asfalto. Logo depois começou a andar fazendo um sinal com a mão para que ela o acompanhasse. Lizzie riu do ato de cavalheirismo dele.

– Eu ainda não sei seu nome, senhorita. Como posso confiar em alguém que não sei o nome?

Ele perguntou sério. Lizzie andava ao lado dele. Mordeu seu lábio inferior meio nervosa. Teria que mentir seu nome. Odiava ter que fazer isso, mas era preciso.

– Kyle. Beth Kyle. E você, senhor policial?

A morena perguntou em deboche para ele. O policial rolou os olhos e a encarou sério. Ela ficou confusa com aquilo, mas continuava a encara-lo.

– Blake. John Blake.

Lizzie começou a rir quando o ouviu dizendo o nome como se fosse o super espião 007. Ele riu junto com ela e logo depois eles se calaram por alguns segundos.

– Porque está perdida em Gotham?

John perguntou com certa curiosidade. Lizzie abaixou a cabeça e abriu um sorriso de lado.

– Sou de Clifton. Não conheço Gotham... Por isso estou perdida.

Ela riu da própria desgraça, como se aquilo fosse à piada do ano. Blake a encarou surpreso com aquelas palavras.

– Acho que não faz ideia do que está acontecendo aqui, certo?

John praticamente murmurou aquilo. Lizzie viu que ele entristeceu um pouco. Ela entendia muito bem aquilo. Suspirou e passou a observar seus pés enquanto andava.

– Eu sei o que está acontecendo, John. Por isso que vim para cá.

Blake franziu o cenho e a encarou. Viu que ela estava encarando seu próprio pé enquanto andava. Ele olhou para frente e observou o final da rua.

– Não entendo. Quer estar no meio desse caos?

Lizzie levantou sua cabeça e passou a observa-lo. Ela sorriu e começou a mexer em seu cabelo liso. Fazia aquilo quando estava nervosa ou tímida.

– Sempre senti como se Gotham fosse minha casa. Fiquei com medo de que ela se transformasse em um campo de batalha antes de conhecê-la melhor.

A morena disse aquelas palavras mais para ela mesma. Aquilo fazia muito sentindo. Blake a olhou com cumplicidade nos olhos.

– Gotham sempre foi perfeita e ela nunca vai deixar de ser se depender de mim...

Lizzie olhou para ele e sorriu alegremente. A garota se transformou em um verdadeira criança naquele momento. John a olhava divertido.

– Eu posso te ajudar a colocar esses prisioneiros de volta ao seu lugar. Diga-me o que fazer e eu faço!

Lizzie disse aquilo como se fosse à coisa mais fácil de fazer. Blake riu do jeito infantil dela e da ingenuidade que ela colocava em Gotham.

– Você vai fazer muita coisa se ficar quieta em um lugar seguro, tudo bem? Deixa esse assunto para os policiais.

John disse como se fosse o pai dela e estivesse explicando que deveria ficar quieta. Lizzie deixou de lado a infantilidade e se entristeceu. Cruzou os braços com raiva e começou a andar com mais pressa. Blake ficou alguns passos para trás. Eles permaneceram quietos durante uma longa caminhada. Minutos depois Blake já havia alcançado Lizzie. Ela andava como uma criança na Disney. Olhava todos os lugares e ficava maravilhada com a beleza de algumas casas.

Alguns minutos a mais e a morena estava começando a ficar cansada de andar. Olhou para John que estava quieto com uma cara de pensativo. Ele levava a mala dela como se não fosse muito peso. Elizabeth ficou um bom tempo observando ele que chamou sua atenção. Ele a encarou e franziu o cenho.

– Gosta do que vê?

Ele perguntou em um tom debochado. Ela fez uma cara de surpresa e sentiu ficar corada. Parou de encara-lo e então olhou para o asfalto como se ele fosse interessante.

– Melhor do que ver um psicopata ou um assassino.

Ela não olhou para ele, mas o ouviu rir. Isso a fez sorrir. Ela tinha gostado de Blake, ele era o policial mais gentil que ela já conheceu e ele parece ser tão novo. Sortudo.

– Chegamos, senhorita Kyle.

Lizzie rapidamente olhou para ele. Blake encontrava-se parado a dois passos atrás dela. Ela rapidamente voltou até ele e observou o lugar. Era um grande edifício. Tinha pelo menos nove andares. Estava um pouco acabado por fora. Parecia daqueles edifícios antigos. A morena olhou para Blake com certo receio. Ele sorriu para ela demonstrando segurança e foi até a porta. Ele a empurrou e ela logo abriu. Lizzie permanecia atrás dele. Logo que entrou percebeu que ele era mesmo um edifício antigo. O papel de parede sujo e estragado e o chão de madeira dizia isso. Havia um balcão logo na frente, estava bem empoeirado. E dois elevadores com faixas de “não ultrapasse”. É, eles estavam quebrados. Estava distraída que nem viu que Blake já estava subindo a larga escada que ficava no canto esquerdo. Assim que notou correu até ele e começou a subir as escadas. Ele riu ao vê-la subir as escadas rapidamente como uma criança. John voltou a subir mais escadas. Lizzie reclamava a cada escada que subia. Toda vez que chegava a um andar ela olhava para o corredor cheio de bagunça e portas entreabertas. Eles subiram cinco andares até que Blake entrou em um corredor. Ela deu graças as Deus, pois suas pernas já doíam. O corredor era limpo naquele andar. Provavelmente moravam mais pessoas organizadas nesse andar. John foi até o fim do corredor e então abriu a porta da direita. Lizzie viu o número 505 nela. Então entrou no apartamento. Ele era bem organizado e tinha um toque “vintage” nele. Gostou disso. Dava para notar que havia apenas esse cômodo. Como se fosse um quarto de hotel. Ela viu uma porta ali que deduziu ser um banheiro. Um cômodo, porém espaçoso.

– De quem é esse apartamento?

Lizzie olhava tudo em volta. Havia uma cama de casal no meio do cômodo. Um pequeno móvel ao lado da cama com um abajur e um telefone que parecia ser apenas de enfeite. Na parede a sua direita tinha um frigobar. Ao lado dele uma pequena mesa. Ela achou aquele lugar confortável. Pelo menos apenas por dentro.

– Agora é seu.

A morena olhou para Blake com os olhos arregalados. Blake largou a mala dela encima da cama e sorriu.

– Como meu? Alguém mora aqui... Olha essa decoração fofa! Não posso ficar aqui.

Lizzie disse quase gritando. Estava em choque com aquilo. John começou a rir da cara dela.

– Esse apartamento já foi meu. Tem algumas pessoas que ficaram aqui no prédio. São boas pessoas. E tem muita gente pegando um apartamento aqui. Eles querem ficar juntos.

Lizzie não pode deixar de sorrir ao ouvir que aquele apartamento já fora dele.

– Então esse lugar é seguro?

A morena perguntou sentando-se a beira da cama. Ficou observando John esperando uma resposta.

– Sim, é o melhor lugar para ficar agora. Nenhum criminoso sabe que tem gente aqui.

John disse convicto. Elizabeth suspirou aliviada por saber daquilo. Aquele lugar parecia ser bom para ela. A morena poderia ficar ali até conhecer a cidade e procurar um lugar.

– John, eu já disse que você é o policial mais legal que eu já conheci?

Lizzie disse se levantando da cama e indo até ele. Ela tinha um olhar inocente e divertido, pelo menos ela queria que ele visse isso. Blake abriu um sorriso contagiante.

– Bom, eu sou um detetive. Isso faz de mim um cara mais legal!

Ele disse meio brincalhão. Lizzie riu daquilo.

– Obrigada por me trazer aqui. Você é um anjo que caiu do céu... E que apontou uma arma para mim... Mas eu já te perdoei!

Blake riu daquilo. Logo os dois ficaram se olhando por um tempo que chegou a ser constrangedor. Quando John abriu a boca para falar algo um “bip” saiu de seu rádio. Era o trabalho chamando por ele. Lizzie percebeu isso e desmanchou o sorriso.

– Tenho que ir trabalhar... Não está fácil cuidar dessa cidade.

Lizzie concordou com a cabeça e respirou fundo. Blake a olhou por mais alguns segundos. Ela era mesmo uma garota encantadora.

– Eu voltarei.

Lizzie deixou um sorriso largo escapar ao ouvir aquilo. Logo sentiu seu rosto esquentar de vergonha. Blake riu ao ver aquilo.

– Precisa ver se estou viva, não? E olha... Eu sou muito encrenqueira. Provavelmente vou aparecer na policia de Gotham algum dia desses.

John balançou a cabeça negativamente e sorriu travesso. Lizzie mordeu seu lábio inferior. Timidez e nervosismo. Blake levou a mão em seu bolso e tirou um molho de chave. Lizzie o observou tirar duas chaves do grande molho e então ele a entregou. A morena pegou as duas chaves e as analisou. Uma prata do estilo antigo e outra meio amarelada e redonda.

– A prata é da porta desse apartamento. A amarela é do portão de baixo. Eles sempre trancam o portão quando dá meia noite e abrem ás seis horas.

Lizzie parou de analisar as chaves e olhou para John sorrindo.

– Bom saber disso... Obrigada, John.

Outro “bip” saiu de seu rádio. Ele rolou os olhos e bufou fazendo Lizzie rir com a careta dele. John se afastou de Lizzie e caminhou até a porta lentamente. A morena o observou. Ele abriu a porta e antes de sair virou-se de volta para olha-la.

– Até mais, criança.

Ele riu de um jeito travesso vendo que Lizzie se enfureceu ao o ouvir chamando-a de criança. Blake saiu do apartamento e fechou a porta antes que ela pudesse dizer algo. Ela suspirou fundo e voltou para a cama se jogando nela. Suspirou fundo e ficou brincando com as chaves na mão.

– Detetive folgado.


Notas finais
Cara... Eu parei no título... Sério.
EVERYBODY KNOWS THAT I'M A GOOD GIRL, OFFICER.
(todo mundo sabe que eu sou uma boa garota, oficial)
Selinaaaaaaaaaaaaaa, coitada D:
Vejo pessoas shipando Blake/Lizzie...
Bom, ele deu a ela um lugar para ficar.
Mas ela não vai ficar em casa, não mesmo!
Então, pra onde ela vai? Hmm...
Bom... Ela não pode ficar na rua até a noite, não é?
Porque quando o sol desaparece, os lobos vão caçar.
E bom... A Lizzie é a Chapéuzinho :D
GOSTARAM DA CAPA? HEIN? EU TROQUEI E AGORA ELA VAI FICAR POR BASTANTE TEMPO. PORQUE EU ACHO QUE ESSA CAPA SE DÁ MUITO BEM COM A FIC. LIZZIE E OS QUATROS HOMENS QUE ENTRAM NA SUA VIDA.... tenso/
Beijos amores. Desculpem a demora e os erros.