Dark Princess
12 But it won't never be enough.
- Clifton, New York. -
Selina estava preparando um chá para ela. O sol estava começando a ir embora. Já fazia quatro dias que sua garota estava perdida. Ela não fazia ideia do que fazer. Estava se sentindo perdida. Selina terminou de fazer seu chá e sentou-se na mesa. Ela olhava ao redor de sua casa e sentia um aperto no coração. Estava tudo tão calmo. Ela não gostava disso. Bruce e ela sempre foram os melhores pais. Eles faziam de tudo para a felicidade dela. E para mantê-la fora de problemas. É tão irônico eles terem mudado suas vidas completamente por causa de Elizabeth, e quando ela cresce vai exatamente ao lugar de onde seus pais têm fugido sua vida inteira. Naquele momento Selina veio à memória de quando Elizabeth e Mia a arrastaram para ter um dia de garotas no shopping.
- Um ano atrás. –
Elizabeth puxava sua mãe pelo braço enquanto ela andava desanimada. Seus pés doíam, fazia duas horas que elas andavam sem parar por aquele shopping gigante. Mia segurava várias sacolas e um sorvete na mão. Ela ria como uma criança. Lizzie tentava convencer sua mãe a assistir um filme no cinema.
- Mãe, por favor! Você nunca sai comigo direito!
Lizzie só faltava se ajoelhar para pedir a sua mãe que assistisse a um filme com ela. Selina abriu um sorriso que fez Lizzie e Mia gritaram no meio do shopping. Selina balançou a cabeça negativamente e saiu do meio das duas como se não as conhecesse. Lizzie e Mia logo a alcançaram.
- Vamos ver Magic Mike!
Mia disse um pouco envergonhada. Lizzie lançou um olhar para ela malicioso. Selina olhou para as duas sem entender aquilo. As três logo entraram na fila da bilheteria. Ficaram cinco minutos nela até serem atendidas. Selina pediu três ingressos para Magic Mike sem ao menos saber do que se trata o filme.
- Esse filme é sobre o que?
Selina perguntou enquanto elas iam para a sala de cinema. Não havia tantas pessoas, umas trinta apenas. Elas escolheram poltronas bem no meio do cinema. Lizzie sentou-se no meio das duas. Elas começaram a rir quando logo quando Selina perguntou. Na verdade o filme era mais um show para mulheres. Era um filme sobre homens stripers.
- É sobre stripers, mãe.
Selina arregalou os olhos ao ouvir sua filha falar aquilo. Lizzie e Mia começaram a rir da cara dela. O filme já estava começando.
- Vocês são loucas? Ver um filme de stripers?
Selina sussurrava para não receber vaias do povo que estava assistindo. Lizzie não disse nada, apenas deu um sorriso para a mãe e voltou a ver o filme. Mia já estava vidrada no filme. Selina não podia fazer nada além de ver o filme.
- Presente. –
Selina se pegou sorrindo lembrando-se daquele dia que havia visto o filme com as meninas. Já sentia falta de ver o sorriso de sua filha. E ela e Mia correndo pela casa. A morena queria sair correndo dali e ir para Gotham. Ligava de uma em uma hora para Alfred que estava em Gotham cuidando dos órfãos que não tinham para onde ir. Selina despertou de seus pensamentos assim que a campainha tocou. Chegou a se assustar. Levantou da cadeira e foi atender a porta. Quando a abriu viu dois policiais. Sua mão tremeu por um momento, mas ela logo colocou um sorriso no rosto demonstrando confiança. Era boa em mentir devido ao seu passado. Os dois policiais olharam para ela com uma cara não muito boa. Ela percebeu isso, parecia que eles tinham más noticias.
- Sr. Kyle, certo?
Selina assentiu com a cabeça cruzando os braços e respirando fundo. Os policiais se entreolharam e um deles tirou um pedaço de papel do bolso.
- Senhora, houve um homicídio ontem à noite algumas quadras daqui. Senhora Maria Gomez foi morta e acreditamos que o suspeito seja seu marido.
Naquele momento Selina não pode deixar de segurar as lágrimas. A morena levou suas mãos até o rosto já secando as lágrimas que caíam. Ela não queria acreditar naquilo. Logo pensou em Mia, o que a trouxe em mais desespero. Aquela garotinha que Lizzie sempre fez de tudo para proteger.
- Ela tinha uma filha. Vocês a encontraram? Ela está bem?
Selina logo perguntou. Sua voz era trêmula, ela odiava expor suas emoções. Os policiais logo a olharam com um olhar de pena.
- O suspeito atirou nela, porém ela ainda vive. Foi levada para o hospital local. Ainda não sabemos o estado dela.
Selina respirou fundo convencendo a si mesma que ela ficaria bem. Precisava ir para o hospital. Mia não havia mais ninguém.
- Muito obrigada por avisar. Eu irei para o hospital imediatamente.
Selina disse limpando outras lágrimas e abrindo um sorriso fraco. Os policiais então pareciam querer falar algo mais.
- Sr. Kyle. Temos mais uma coisa.
O outro policial falou chamando a atenção dela. Selina olhou para ele curiosa e ele entregou o papel para Selina. A morena pegou com receio. Ele estava dobrado e ela tinha medo de abrir. Olhou para os policiais na esperança de que eles explicassem.
- A última mensagem que Mia recebeu no celular foi de sua filha. Acreditamos nisso. Ai é uma cópia da mensagem. Bom, precisamos ir, se a senhora souber algo sobre o suspeito, por favor, nos avise.
Os policiais saíram andando e Selina permaneceu estática ali. Ela não podia acreditar que sua filha havia se comunicado com Mia ontem. Selina entrou em casa rapidamente fechando a porta e abriu o papel. E leu aquelas palavras. Lágrimas começaram a cair assim que ela leu aquilo. Um alivio de saber que sua filha estava bem. E uma dor de saber que Lizzie não fazia ideia de que Mia precisava dela nesse momento. Selina chorou por alguns minutos. E então foi até seu quarto. Tomou um banho rápido, colocou uma calça jeans e uma blusa preta e simples. Colocou uma sandália de salto alta e uma jaqueta de couro. Pegou sua bolsa, checou se todas as coisas estavam ali e logo depois saiu da casa pegando seu carro e indo em direção ao hospital local. Precisava ver como Mia estava, precisava cuidar dela. Depois de quinze minutos dirigindo ela chegou ao hospital. Estava um pouco tensa. Estacionou o carro no estacionamento do hospital e logo pegou o elevador indo ao andar da recepção. Apressou seus passos sobre os corredores do hospital e logo viu a recepcionista. Foi até o balcão chamando a atenção dela.
- Por favor, onde fica o quarto de Mia Gomez?
A recepcionista a mandou esperar alguns segundos e rapidamente escreveu o nome de Mia no computador. Selina olhava para os lados esperando ansiosa.
- Ela está no quarto 23 do andar 4.
Selina agradeceu o logo saiu correndo até lá. A morena estava no primeiro andar e logo pegou o elevador para o quarto andar. Ao chegar ao andar correu pelo corredor procurando o número dos quartos. Logo viu o número vinte e seguiu em frente até encontrar o número 23. Ficou surpresa ao ver um garoto ali, olhando pelo vidro do quarto. Selina foi até o lado dele e olhou pelo vidro. Viu Mia ligada a vários aparelhos e não conseguiu conter as lágrimas. Ela parecia tão fraca. O garoto ao lado dela parecia ter chorado também. Seus olhos estavam vermelhos. Ele encarou Selina com curiosidade. Ela lhe parecia familiar, mas ele não se lembrava dela.
- Você a conhece?
Ele murmurou baixo. O silencio ali naquele corredor parecia fazer tudo soar alto demais. Selina se virou enxugando suas lágrimas e o encarou.
- Sim. Sou mãe da melhor amiga dela.
Selina encostou seu corpo de costas para aquele vidro. Não conseguia ver Mia daquele jeito. Ele franziu o cenho se lembrando de quem ela era.
- Você é a mãe da Elizabeth? Eu sou Jake... Estudo na mesma escola que ela.
A olhou para ele e abriu um sorriso. Era bom ver que uma pessoa se importava com Mia. Eles ficaram um tempo ali em silencio, não tinham o que falar um ao outro. Depois de alguns minutos os dois avistaram um médico vindo em sua direção. Ele não tinha uma cara muito boa. Segurava uma prancheta na mão e parou na frente dos dois.
- Quando ela irá acordar?
Selina perguntou esperançosa. Jake foi ao lado de Selina e os dois rezavam mentalmente para que ela estivesse bem. O médico olhou para os dois e suspirou. Ele tinha más noticias.
- Eu sinto muito, mas ela não acordará.
Aquelas palavras perfuraram o coração de Selina como uma faca. Logo ela estava chorando mais uma vez, aquilo não poderia ser verdade. Ela olhou para Jake e viu que ele segurava suas lágrimas. O doutor permanecia ali esperando mais perguntas.
- Não, isso não pode acontecer! Faça alguma coisa! Eu não posso... Minha filha não vai aguentar isso.
Selina começou a andar de um lado para o outro. O desespero tomava conta de si. Ela não sabia o que era pior. Ver Mia ali, morta. Ou ter que um dia ver a vida de sua filha desmoronar ao saber disso. O médico pareceu pedir desculpas com o olhar. Ele não sabia o que fazer. Jake já se encontrava chorando encostado no vidro do quarto.
- Ela perdeu muito sangue. Foi muito grave. Ela entrou em estado de coma profundo e logo seu cérebro não aguentou. Alguns órgãos funcionam. Porém seu cérebro está morto. Sinto muito. Precisamos desligar os aparelhos, ela não tem mais família. Teremos que desligar os aparelhos, não há ninguém se responsabilizando por ela.
Selina se sentia como uma mãe que perdera um filho ali. Ela precisava de sua filha aqui. Elizabeth não se perdoaria se perdesse o velório de Mia.
- Cuidarei de tudo. Eu pagarei tudo. Por favor, mantenha mais alguns dias desse jeito... Eu preciso achar minha filha.
Selina sabia que precisava fazer algo. Lizzie precisava saber disso. E ela faria de tudo.
- Zona Baixa, Gotham. –
Lizzie estava deitada naquela cama gigante e quente. Ela não sabia o que fazia ali. Queria sai correndo daquele lugar, mas não podia. O sol provavelmente já estava nascendo mais uma vez. E ela sabia que há essas horas Blake já procurava por ela. A morena não queria se levantar, estava sem forças para encarar o mundo, sentia-se depressiva. Tentava fazer sua mente pensar que Bane não tinha a estuprado. Ela não queria pensar assim, era vergonhoso. Preferia pensar que ela quis isso. Era melhor assim. E ela estava ali, no quarto dele, deitada em sua cama, vestindo uma blusa dele, pois ele havia rasgado sua roupa. Chegava a ser engraçado aquela blusa nela. Parecia mais um pijama gigante. Ela estava com suas meias até os joelhos. Resolveu se levantar da cama. Arrastou-se até o banheiro e resolveu tomar um banho. A água era gelada, ela deveria ter adivinhado isso. Grunhiu ao sentir a água gelada cair sobre sua pele e ficou alguns segundos ali. Logo depois se banhou e saiu colocando suas roupas novamente. Voltou ao quarto e procurou o que fazer nele, porém não tinha nada para fazer ali. Suspirou e então resolveu sair daquele quarto. Calçou sua bota e foi até a porta. Respirou fundo e então a puxou. A porta se abriu e ela sorriu. Pensou que Bane tinha prendido ela ali. A morena viu aquele grande corredor vazio. Por um momento pensou em voltar para aquela confortável cama, mas revolveu seguir em frente. Começou a andar pelo corredor com passos pequenos. Ouvia algumas vozes por trás das portas que passava.
Ela então viu aquela porta por onde tinha ido. Ali era onde ficavam os trabalhadores de Bane. Lizzie foi até ela e não a abriu. Ficou na ponta dos pés e começou a olhar pela pequena janela da porta. Ela via vários homens, alguns conversando, outros trabalhando em algo. Via homens desmontando e montando armas, alguns até jogando cartas. Outros carregavam pacotes grandes que ela não sabia o que era. Lizzie ficou ali parada vendo todos aqueles homens, não entendia o porquê Bane queria Gotham apenas para ele, aqueles homens não bastavam? A Zona Baixa não bastava para ele? Lizzie ficou minutos bisbilhotando aqueles homens. Ela nem ao menos notou que havia alguém ali no corredor. Ele se aproximou dela notando que Lizzie estava completamente distraída.
- Procurando alguma coisa?
A morena travou no lugar ao ouvir aquela voz metálica bem atrás de si. Respirou fundo e se virou encarando-o. Seu corpo se arrepiou ao vê-lo ali. Bane estava com mais dois de seus capangas atrás dele. Lizzie desviou o olhar do grandão e olhou para os capangas dele por um momento e logo voltou a olhar para Bane.
- Estava entediada.
Lizzie disse sem nenhuma preocupação. Ela desviou o olhar olhando para o fim do corredor e suspirou. Aquele lugar era monótono. Só havia homens. Queria sair dali. Bane a olhava com curiosidade. Ele queria saber o que se passava na mente daquela criança. Ele finalmente havia achado uma pessoa para entretê-lo. Uma pessoa que não tinha medo dele. A morena voltou a olhar para os dois capangas e então percebeu que eles estavam olhando para as pernas delas. Estava na cara deles que eles pensavam besteiras naquele momento. Lizzie sentiu-se ameaçada com aquilo e sentiu uma raiva tomar conta de si. Ela não iria permitir que esses homens pensassem mais essas coisas sobre ela. Lizzie desviou de Bane e foi até um dos capangas. Ele a encarou com um sorriso sínico. A morena fechou sua mão em um punho e logo deu um soco na cara dele, o rapaz cambaleou para trás quase caindo encima do outro. Logo viu sangue saindo de sua boca. O outro capanga ia puxar a arma que estava em sua cintura, mas ela foi mais rápida e logo deu um soco nele também e logo outro em seguida, antes que ele caísse no chão ela pegou a arma dele e apontou para o primeiro rapaz. Ele olhou para ela com fúria nos olhos, mas Lizzie não demonstrava nada nos olhos. Bane assistia tudo ali. Ele não sabia o que havia dado nela, mas ele gostou daquilo. Ela era violenta e durona. E não sentia medo de ninguém. E pelo visto sabia lutar também. Bane a observava com atenção e ela percebeu isso. Lizzie desviou o seu olhar olhando para Bane de uma forma inocente. Era incrível como ela conseguia nocautear dois homens, segurar uma arma e ainda parecer uma criança inocente. O outro rapaz logo se levantou furioso.
- Sua vadia, você sabe com quem está mexendo?
O segundo rapaz quase que gritou. Lizzie sentiu sua raiva apenas aumentar. E ela realmente não ligava para aqueles dois. Ela poderia matar todos aqueles homens se quisesse. Ela notou que o rapaz estava prestes a ir pra cima dela. Lizzie rapidamente destravou a arma e atirou no pé do rapaz. O som do disparo ecoou por aquele lugar junto com o grito de dor do rapaz que caiu no chão. O outro rapaz arregalou os olhos e olhou para Bane. O grandão não fez nada. Apenas observava Lizzie.
- A próxima vez que me chamar de vadia, vou garantir que o tiro acerte seus miolos, seu imprestável. E respondendo a sua pergunta: Sei muito bem com quem estou mexendo, com garotinhos idiotas.
Lizzie disse em um tom ameaçador para o rapaz. Ela então olhou para a arma em sua mão e então devolveu ao rapaz que estava a sua frente. Ele rapidamente pegou e apontou na cabeça dela já destravando a arma. Lizzie olhou para ele e rolou os olhos. Bane então pegou a arma do seu capanga e a travou jogando-a no chão. O rapaz olhou para Bane com raiva, mas sua expressão logo se transformou em medo. Ele pegou seu amigo caído no chão e o arrastou para dentro daquela porta em que Lizzie estava espiando. Logo ficaram apenas Bane e Lizzie naquele corredor. A morena respirou fundo e olhou para Bane abrindo um sorriso radiante e infantil. Bane rolou os olhos e saiu andando chamando-a com a mão para segui-lo. Lizzie começou a segui-lo e logo eles estavam no quarto de Bane mais uma vez.
- Acho melhor você ficar aqui quieta, ou serei obrigado a coloca-la no meio daqueles homens.
A voz metálica Bane parecia relaxada. Era como se ele estivesse colocando uma criança de castigo. Lizzie olhou para ele e depois se jogou na cama com uma cara emburrada.
- Pode me colocar lá, pelo menos não vou morrer entediada.
Lizzie encarava o teto branco do quarto e balançava seus pés como uma criança. Ouviu os passos pesados de Bane chegaram mais perto dela e ele logo se sentou ao seu lado na cama. Lizzie rapidamente se levantou sentando do lado dele. Ela o encarava. Bane parecia estar pensando em algo. E segundos depois ele virou seu rosto olhando para ela. Lizzie se arrepiou ao ver aqueles olhos verdes a encarando.
- Não quero você andando por ai, entendeu? Esses homens não viam uma mulher há meses ou até anos. E de repente tem uma garota andando entre eles. Acho que você não quer que ninguém te encoste, certo?
Lizzie tentava entender o que ele queria com aquilo. Parecia até mesmo que ele estava cuidando dela naquele lugar. Bane não parecia ser algo tão ruim. Mas mesmo assim ele a havia marcado para sempre. Lizzie se encolheu ao lado dele e depois abriu suspirou.
- Eu não tenho medo deles, Bane.
Ela disse com uma voz fraca e fina, como se estivesse contando um segredo. Lizzie se aproximou do corpo dele sentindo-se melhor naquele momento. Bane ficou quieto por um momento tentando entender o porquê daquela aproximação. Ela estava quase o tocando, e isso parecia tão estranho para ele. Uma garota se aproximando dele sem que ele obrigasse.
- É por isso mesmo. Você não tem medo de ninguém e isso vai levar você a fazer besteira.
Bane disse quase no mesmo tom que ela. Os dois se encararam por longos segundos. Lizzie tentava entender o porquê ele estava protegendo ele de seus capangas.
- Eu posso matar todos eles. Mesmo sabendo que isso não vá me tirar daqui.
Lizzie desviou o olhar dele e sorriu pensando que seria bem legal matar todos aqueles homens que tentaram compra-la como se ela fosse apenas um objeto. Bane ficou curioso do porque daquilo. Ele observava a garota sorrir provavelmente por lembrar-se de algo.
- E porque isso não te livraria desse lugar?
Bane perguntou. Lizzie despertou de seu pensamento e voltou a encara-lo. Ela percebeu a curiosidade naqueles olhos verdes.
- Você... Eu não poderia te matar. Então não faz a menor diferença mata-los ou não.
Lizzie disse em um sussurro. Logo depois ela abriu um sorriso. Bane então entendeu aquilo. Ela não poderia mata-lo.
- Que bom que você sabe que não pode me matar.
Ele disse quase que rindo. Lizzie abriu um sorriso radiante ao ouvir aquilo. O riso dele, ela havia o feito rir. E era realmente estranho ela estar feliz por aquilo. Lizzie então se aproximou mais de Bane abraçando seu braço como se nunca mais fosse soltar. Bane sentiu-se estranho por aquilo, mas gostava da aproximação dela, então não reclamaria.
- Bane, será que posso ir até a minha casa?
O grandão apenas olhava para ela. Aquela garota parecia tão inocente, mas depois do que viu o que ela fez com seus capangas, ele nunca mais olharia para ela como se ela fosse uma criança inocente. Talvez apenas como uma criança travessa.
- Você não vai sair daqui.
Lizzie fechou o sorriso na hora e fez uma cara emburrada. Mas ela não se soltou dele. Lizzie apoiou sua cabeça no braço dele e suspirou.
- Eu prometo voltar! Só quero saber como o Blake está... E o Pip.
A morena sorriu ao lembrar-se dos dois rapazes. Ela precisava saber se eles estavam bem. Bane não entendia aquela menina.
- Como se você fosse realmente voltar.
Bane disse sínico. Lizzie então se soltou dele e o encarou. Bane por um momento não gostou dela se afastar ele. A garota suspirou e começou a mexer em seu cabelo.
- Eu poderia te ajudar em algo... Poderia trabalhar para você lá fora. Pegando informações.
Lizzie disse como se fosse à coisa mais fácil fazer. Bane encarava como se aquilo fosse possível de acontecer.
- Acho que você não saberia fazer isso.
Lizzie notou que aquilo era como um “não”. A garota então resolveu usar o que sabia. A morena olhava para Bane com um sorriso trapaceiro.
- Você sabia que o Espantalho estava trabalhando para o Coringa?
Bane a encarou quase que surpreso. Lizzie abriu um sorriso ainda maior. Ele não fazia ideia daquilo. Ele realmente pensou sobre aquilo. Talvez não fosse tão ruim.
- Como sabe disso?
Ele perguntou com um pouco de receio. Lizzie suspirou lembrando-se de tudo que tinha passado naquele dia.
- Lembra que eu sou propriedade do Espantalho? O Pip me deu para ele. E eu estava lá quando eles trocaram maletas, sabe? Dinheiro por alguns frascos de alguma coisa.
Lizzie disse relembrando daquilo. Bane a encarava percebendo que ela não mentia. Ela realmente sabia daquilo. O grandão suspirou.
- E você não sabe que mercadoria era?
Bane perguntou curioso. Lizzie não fazia ideia do que eram aqueles fracos.
- Não. E você me raptou antes que eu descobrisse mais alguma coisa.
Os dois se encararam por algum tempo até que Bane se levantou da cama. Lizzie também se levantou junto com ele. Bane pareceu andar de um lado para outro pensando no que fazer. Lizzie cruzou os braços esperando algo dele.
- Deixarei você sair. Mas sei onde mora e irei atrás de você buscar informações, me ouviu?
Lizzie abriu um sorriso a assentiu com a cabeça. Ela sabia que aquilo poderia ser perigoso, mas também seria divertido. Bane a pegou pelo braço e a puxou para fora do quarto. Lizzie nem ao menos ligava mais para aquilo mais. Ele a guiou até a porta em que ela entrou pela primeira vez. E eles estavam naquela sala vazia mais uma vez. Eles cruzaram a sala e Bane abriu a porta. Logo subiram aquelas escadas e Bane abriu a porta pesada e eles saíram no beco. Lizzie respirou fundo e sorriu para Bane. O grandão colocou a mão no bolso e puxou o celular que pertencia a Lizzie. Ela pegou da mão dele e o ligou.
- Prometo procurar algo para você.
Ela disse animada. Bruce apenas deu de ombros e lançou um olhar ameaçador para ela.
- Acho bom mesmo você encontrar algo.
Lizzie rolou os olhos e sorriu. Ela sabia o que iria fazer. Bane olhou para ela mais uma vez e então voltou para dentro deixando Lizzie ali sozinha no beco. O tempo estava nublado e ela tinha que ir para casa o mais rápido possível. A morena colocou seu celular no bolso e saiu andando dali. Ela nem ao menos sabia o local exato de onde estava. Começou a andar algumas quadras e depois de um tempo andando se deu conta que não sabia para onde ir. Lizzie pegou seu celular e resolveu ligar para Blake. Ele era o único que poderia ajuda-la naquele momento. Ela discou o número e esperou que ele atendesse. É claro, ele atendeu no segundo toque.
- Beth?
A voz dele parecia preocupada. Muito. Ela sabia que ele ficaria muito furioso com ela, mas ela não poderia fazer nada.
- Sentiu minha falta?
Lizzie disse com um sorriso no rosto. Ela ouviu Blake suspirar alto, como se ele estivesse se controlando para não gritar com ela. Ele ficou um tempo calado.
- Onde você está, Kyle?
Lizzie prendeu a respirou olhando a sua volta. Ela não sabia onde estava. Ela soltou o ar de seus pulmões se dando por vencida.
- Esse celular tem GPS? Porque eu não faço ideia da onde estou!
Blake estava na delegacia, mais precisamente em sua sala. Assim que ele ouviu Lizzie dizer aquilo, ele ligou o computador a sua frente e ligou o rastreador, depois de alguns segundos ele soube onde ela estava. Blake arregalou os olhos ao ver que ela estava na pior área da Zona Baixa.
- Porque diabos você está na pior parte da Zona Baixa, e ainda viva?
Lizzie ao ouvir aquelas palavras sentiu seu corpo tremer. Ela olhou para sua roupa e soube que teria que pensar em algo.
- É uma coisa que eu não posso falar por telefone.
A morena disse com uma voz baixa. Blake já estava saindo da delegacia quando ouviu aquilo. Tinha o rastreador em seu celular, assim poderia rastreá-la.
- Fique onde está. Estou indo te buscar.
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