Dark Princess
15 And now we're not the same.
O céu estava nublado e escuro. Mas naquele momento não fazia diferença para Lizzie. Ela ainda permanecia naquela rua, coringa havia sumido tão rápido quanto apareceu. Ela não fazia ideia de onde ele foi. Permanecia encostada na parede sem que os capangas do palhaço a pudessem ver. Joel ainda estava ali, e ele conversava com Pip. Lizzie sabia que Pip não iria fazer nada contra ela, não se Coringa mandasse. E ela poderia usá-lo para saber o que Joel estava fazendo. A loira queria acabar com ele naquele momento, mas sabia que poderia resultar em desastre. Precisava se concentrar em provas. Tinha que fazer tudo certo.
– Está pensando demais.
Aquela voz macia e rouca a tirou de seus pensamentos. Elizabeth olhou para seu lado e viu um Crane com cara de despreocupado. Porém ela sabia que ele queria analisa-la e saber o que estava acontecendo. E ela queria isso, queria que Crane tentasse ajuda-la. Assim ela teria motivos para achar que ele não era tão ruim assim. O problema é que ela não sabia o quão bom em psiquiatria e psicologia ele era, e se ele descobrisse que ela estava “trabalhando” para o Bane, seria uma coisa horrível.
– Meus pensamentos te incomodam?
Lizzie pareceu um pouco sarcástica, porém não queria que ele pensasse assim. Ela estava com raiva, e naquele momento tudo sairia sarcástico da boca dela. Crane se enrijeceu e encarou Lizzie de uma forma não muito boa. Ela sentiu seu sangue congelar naquele momento, não por medo, mas sim por preocupação. Colocar Crane contra ela era a pior coisa do mundo nesse momento, e não era apenas por causa do plano de Bane. Ela realmente o queria perto dela. Chegava a ser patético para ela. Ela não conseguia mais imaginar sua vida sem ele, não conseguia imaginar sua vida fora de Gotham.
– Não quer me contar o que está acontecendo?
Ele parecia frio, era como se ela não estivesse falando com ele. E sim com uma forma mais sombria dele, talvez o espantalho estivesse ali, não Crane. E Elizabeth não gostava disso. Ela queria seu Crane, aquele que a ajudou, que cuidou dela por uma noite. A loira se aproximou de Crane como se já estivesse acostumada a ficar tão perto dele. Eles se encararam por um tempo. Nenhuma palavra foi dita. Aqueles olhos azuis encarando os olhos verdes de Lizzie intensamente.
– Não é nada demais, eu prometo. Se fosse algo que você deveria saber, eu contaria. Não tenho nada para esconder de você, e nem quero.
Sua voz era tremula e fraca. Era tão difícil dizer aquilo para ele. Dizer que não tinha nada para esconder, quando realmente tinha o Bane para esconder. Crane continuava a encará-la, mas por dentro ele lutava contra aqueles sentimentos que ele sempre dizia ser inútil para ele. Ele lutava internamente esperando que essa batalha acabasse ali, mas parecia que ela apenas começava. E ele iria perder.
– Você está me deixando louco!
Crane parecia lutar para falar, sua voz saiu mais rouca e áspera que o normal. Ele então começou a andar em direção aposta a Elizabeth. Ele parecia estar indo embora. A loira observou ele se afastar dela com passos pesados e rápidos. Certo desespero bateu no peito dela. A garota não fazia ideia do que aquilo significava, mas ela não tinha forças para vê-lo se afastar dela assim. Lizzie correu em direção dele e quando o alcançou, manteu o ritmo de passos dele. Era meio complicado acompanha-lo. Ela corria mais do que andava. Ele a ignorava, e Lizzie também não sabia o que falar. Eles permaneceram assim por alguns segundos. Até Lizzie soltar um riso nervoso.
– Eu acreditaria nisso se você não fosse um paciente fugitivo de Arkham! Você já é louco por natureza, Jonathan!
A loira praticamente gritou com ele. Crane naquele momento parou de andar e Lizzie parou bem na frente dele. Ela olhava para ele com raiva, não entendia o porquê ele estava assim com ela. Não poderia ser apenas porque ela decidiu matar um homem. Ele fazia isso todos os dias, matava homens sem pena. Porque ela não poderia fazer isso?
– Se eu fosse você, não abusava da sorte, Kyle.
Aquilo soou ameaçador para ela. Porém ela pouco se importava para aquilo. Ela não tinha medo de nada, e não seria dele que ela começaria a sentir medo.
– Eu não tenho medo de você, sabe disso. Me ameaçar não vai mudar nada.
Lizzie disse com raiva na voz. Ela sabia que Crane poderia fazer qualquer coisa contra ela. Talvez usar o gás do medo nela seria uma ótima escolha. Assim ela iria saber realmente o que a assusta. Crane se aproximou mais dela com aquele jeito assustador dele que fazia o povo querer sair correndo para bem longe dele. Mas Lizzie não era nenhuma dessas pessoas. Ela permaneceu ali parada, se perdendo naqueles olhos azuis. Eles estavam tão perto um do outro que ela sentia sua respiração se misturar com a dele.
– É exatamente isso que me deixa louco.
A loira não sabia como reagir aquilo. A voz dele em murmuro era tão excitante de ouvir. Lizzie estava completamente perdida ali. Por um momento esqueceu como respirava, e não sabia como conseguia ficar de pé.
– É tão ruim assim para a sua reputação não conseguir assustar uma garota?
Lizzie não deixou de sorrir ao dizer aquilo. Ela estava completamente perdida ali. Sua raiva havia desaparecido no momento em que Crane se aproximou dela. Ele a confortava. Ele controla os sentimentos dela. Crane só conseguia pensar em se aproximar mais e mais dela. Era estranho para ele aquilo. Ela era diferente, especial. Ao ver aquele sorriso dela, ele não pode deixar de sorrir também. Eles eram como um espelho, ele era o reflexo dela. Os sentimentos eram iguais, os gestos. Ele a observava, e entendia o comportamento humano. E aquela aproximação dela só tinha um resultado. E era o que ele mais queria.
– Porque ainda não se afastou de mim?
Crane perguntou com um tom curioso. Lizzie naquele momento notou sobre o que ele falava. Mas ela não se importou em se afastar, ela não queria.
– Porque eu não quero. Mas se você pedir para eu me afastar, eu faço isso.
Lizzie naquele momento não pensava mais antes de falar.
– Eu quero que você se aproxime.
Não precisou ser dito mais nada naquele momento. Lizzie sentiu seu corpo avançar por conta própria e quando ela sentiu os lábios dele contra os seus, ela notou que estava fazendo a coisa errada, mas ela adorava errar daquele jeito. Ela não tinha forças para se afastar dele, não conseguia se controlar. Crane a envolveu em seus braços aprofundando aquele beijo. Lizzie não queria parar aquilo, queria permanecer nos braços dele pelo resto de sua vida. Era apenas Crane e Lizzie. E nada mais. A loira envolveu seus braços em volta do pescoço dele e o puxou mais para si aprofundando naquele beijo ainda mais. Era como uma batalha. Ele apertava sua cintura como se tivesse com medo de que ela fugisse de seus braços, e ela o segurava como se tivesse medo que aquele momento acabasse. Lizzie um arrepio passar por seu corpo, era como um choque. Quando se deu por si, seus pulmões estavam clamando por ar. A loira descolou seus lábios dos dele rezando para que não acordasse naquele momento. Poderia ser um sonho, certo? Mas não era. Ela se deu conta disso quando viu aquele sorriso no rosto de Crane. Era como se ele tivesse conseguido tudo que queria. Lizzie rolou os olhos e se afastou dele por um momento. Antes que ela pudesse dizer algo, um trovão a fez olhar para o céu. Logo ela percebeu que estava prestes a chover.
– É melhor o Coringa se esconder, ou essa chuva vai acabar com a maquiagem dele.
Lizzie disse mais para si mesmo. Ouviu uma pequena risada de Crane e logo voltou a olhar para ele. Ficou observando-o por um momento enquanto ele andava se distanciando dela. Lizzie por um momento parou para pensar no que acabou de acontecer. Ela havia beijado Crane. Não sabia se isso era realmente bom, ou não. Ela não podia se envolver assim com psicopatas. Tinha receio de que tudo em sua volta se tornasse uma mentira. Mas aquele caminho era um caminho sem volta. Ela precisava fazer o que prometeu a Bane. Não estava a fim de desobedecer Bane. A loira foi até Crane em passos largos, perguntaria algo que possa ser útil.
– Crane, não era para você e o Coringa terem se matado? Vocês são inimigos, certo?
Lizzie perguntou com curiosidade. Aquela pergunta parecia ser algo inocente, pelo menos ela pareceu fazer aquela pergunta com inocência. Crane olhou para ela e a observou por um tempo. Ele era fascinado por aquele jeito curioso dela. Curiosa e sem medo, é disso que o mundo do crime precisa para ter sucesso.
– Todos nós aqui temos nossa parte da cidade. E quando cruzamos o limite, pagamos por isso. Acontece que o Coringa não é muito bom em seguir regras. Mas isso não significa que eu vou mata-lo ou odiá-lo por isso.
Crane explicou da maneira mais fácil o possível. Mas Lizzie queria mais que isso. Ela precisava de informações que servisse para Bane.
– E é normal vocês trabalharem um com o outro? Porque naquele dia... Você estava trocando algo com os palhaços do Coringa.
Lizzie não queria entrar naquele assunto, mas ela também estava curiosa para saber o que Coringa estava aprontando. Crane parecia não se importar com as perguntas de Lizzie. Ele sabia que ela não iria sair mais de Gotham, e o que acontece em Gotham, permanecia em Gotham.
– Eu não estava trabalhando com ele, e sim, para ele. Estava devendo uma para ele, e como aquele palhaço é, ele me pediu o favor. Só que eu acho que não vai dar muito certo o que ele quer.
Crane abriu um sorriso pensando no plano doido de Coringa. Ele sabe do que o palhaço era capaz de fazer, mas achava que certas coisas era maluquice apenas. Lizzie ficou surpresa ao saber que Crane trabalhou para Coringa. Não é uma coisa muito aconselhável a se fazer.
– E o que ele quer? Pegar a cidade inteira para ele?
Lizzie disse rindo com um tom de ironia. Ela estava tentando fazer Crane falar de uma maneira natural, sem que ela pedisse diretamente, e pareceu dar certo aquilo.
– Ele me fez criar um gás como o que uso. Só que ao invés que dar medo às pessoas, o gás faz com que elas fiquem loucas e sem noção. Ele prefere chamar de gás do riso. Bem original, não?
Crane disse com um tom sarcástico. Ele parecia não acreditar muito na sua própria invenção. Lizzie ficou quieta por algum tempo, processando aquela ideia do Coringa. Ela teve que admitir que era bem tensa e ao mesmo tempo fascinante. Enlouquecer os civis como ele. Seria um caos completo.
– Mas como ele fará isso se Gotham está vazia? Não há civis aqui. É como uma cidade fantasma.
Lizzie falou olhando ao seu redor. A rua totalmente vazia com um ar de abandonada. Era incrível andar por lugares assim, mas ela não gostava de ver Gotham nesse estado. Crane também parou um pouco para observar o lugar, mas ele já estava acostumado com aquela cidade.
– Não será assim para sempre, Kyle. Se perceber, verá as pessoas voltando aos poucos e se escondendo em suas casas. O povo está voltando. E será assim que ele concretizará seu plano.
Crane parecia sério com as escolhas de Coringa. De fato estava. Isso poderia fazer muito mal. Até mesmo para ele próprio. Ser pego pela própria armadinha. Ele precisava se prevenir disso. Elizabeth pensou sobre aquilo, ela sabia que Crane falava a verdade. Já tinha visto pessoas andando por Gotham. Poucos, mas aquilo já era um começo até a população voltar a seu lugar. Aquilo seria um caos para Gotham, e Lizzie não poderia deixar isso acontecer. Ela queria ajudar Gotham a se levantar, mas com os planos de Coringa isso não daria certo. Lizzie saiu dos pensamentos quando sentiu seu celular vibrar dentro de seu casaco. Ela não iria pegá-lo em frente ao Crane, ela sabia que era Blake. Isso poderia dar mal. Lizzie fingiu que não sentiu seu celular e olhou para Crane. Ela precisava ir embora naquele momento. A loira parou de andar e um tempo depois Crane percebeu e parou de andar também. Ele observou para ela curioso sem entender aquilo.
– Preciso ir embora. Meu tempo nas ruas de Gotham acabou.
Lizzie disse com um tom de brincadeira, ela precisava mesmo sair dali. Blake deveria estar louco. Crane olhou para ela da cabeça aos pés, Lizzie não entendeu aquilo, mas preferiu não perguntar. Ele realmente não queria dizer adeus para ela mais uma vez, mas ele não poderia joga-la em um carro e rapta-la agora. Ele pensou em fazer isso, mas preferiu deixar ela conhecer mais um pouco o mundo de Gotham. Crane apenas sorriu para ela e saiu andando. Lizzie ficou parada tentando entender aquilo. Observou quando ele sumiu no meio da sombra e ela não pode ver mais sua silhueta. Depois de tentar entender aquela cena de Crane, ela pegou seu celular e viu duas chamadas perdidas de Blake. Respirou fundo e começou a andar em direção oposta de Crane. Precisava falar com Blake, não queria brigar com ele. Não fazia ideia de como ficaria sem ele nessa cidade. Depois de um tempo olhando como uma doida para a tela do celular, ela pensou em ligar de volta. Era difícil controlar aquele orgulho que fazia querer ela esperar ele ligar. Mas parecia que era o único jeito de fazer as coisas. Quando a loira apertou o primeiro botão, ouviu passos atrás dela. Lizzie parou de andar rapidamente e guardou seu celular de volta no bolso. Ficou um tempo parada tentando escutar mais uma vez. E segundos depois ela ouviu mais passos e risadas. Rapidamente ela virou para trás, logo viu dois homens. Um segurava uma faca e outro uma arma. Lizzie franziu o cenho encarando aqueles dois. Os dois homens ali a observaram e logo trocaram um olhar significante. Eles queriam entender porque ela não estava gritando ou tentando fugir.
– Quem são vocês?
Lizzie perguntou curiosa. Ela queria saber de qual quadrilha eles eram. Dependendo da quadrilha, ela deve saber o comportamento deles. Os dois homens logo se aproximaram dela. O que segurava a faca a pegou pelo braço e o apertou puxando-a para perto.
– Ei, garotinha. Não é você que faz as perguntas aqui. Vamos leva-la ao nosso chefe. Ele adorará isso.
Lizzie observava os dois, eles pareciam alegres demais em tê-la como refém. E pelo que ela analisava, eles estavam querendo agradar o chefe deles. Os dois começaram a puxar ela rapidamente para a direção oposta de onde ela estava indo. Logo ela viu aquele carro grande e preto. Foi então que ela o reconheceu.
– Vocês são novos por aqui, certo? Querendo agradar o chefe, é isso?
Lizzie perguntou em um tom debochado. Assim que um deles abriu o porta-malas do carro, o outro a jogou dentro dele. Lizzie rolou os olhos. Parecia que o povo ali adorava sequestrar as pessoas e joga-las dentro do carro.
– Mais uma palavra, e eu acabo com você.
O rapaz disse trancando-a no porta-malas. Depois de alguns segundos e carro começou a seguir seu trajeto. Lizzie rolou os olhos naquele escuro e pegou seu celular. Ela sabia onde estava indo, e tinha pena daqueles dois rapazes. Lizzie ficou ali no porta-malas jogando angry birds em seu celular fazendo com que o tempo de viagem passasse mais rápido. Ela não tinha preocupação nenhuma. Imagina que aqueles dois homens ali eram os porquinhos do jogo e que ela era um passarinho raivoso que matavam eles. Era uma boa terapia para as pessoas. Talvez ela mostre algum dia para Coringa aquele jogo, talvez as mortes de Gotham reduzam um pouco. Até que o tempo passou rápido e logo ela sentiu o carro parar e logo o motor desligar. Lizzie guardou seu celular no bolso outra vez e esperou alguns segundos até o porta-malas ser aberto. Logo ela viu que estava naquele beco da Zona Baixa. Ela foi puxada para fora do carro e respirou fundo. Eles a levaram até o canto do beco onde havia aquela porta. Eles a abriram e empurraram Lizzie para dentro. E como a loira é desastrada, não teve outro resultado a não ser o corpo dela rolando escada a baixo. Por dois segundos ela não sentiu nada, porém depois seu corpo começou a doer como se ela tivesse sofrido um grave acidente. Ela tentou se levantar do chão, mas aquilo só piorou. Suas costelas ardiam, como se pegassem fogo de dentro para fora. Ela provavelmente tinha quebrado uma delas. Lizzie grunhiu de raiva com aquilo. Ficou deitada ali no chão não conseguindo se mover muito e levou a mão em sua testa que também doía. Só então sentiu sua mão ficar molhada. A loira gemeu de dor e decepção. Era apenas uma escada, não precisava ter caído daquele jeito. Culpa daqueles dois que a fizeram cair do pior jeito. Lizzie logo ouviu eles descendo as escadas e rindo dela.
– Parece que a garotinha é fraca!
O rapaz disse indo até ela. Ele se abaixou e a puxou pelo braço. O impulso fez Lizzie gritar. Aquele grito dela ecoou por aquele lugar tão alto que poderia ser ouvido segundos depois. Naquele momento o rapaz havia acabado de quebrar o resto da costela de Lizzie. Os dois olharam para ela curiosos e espantados também. Um deles notou que havia um corte meio que profundo na cabeça dela.
– Olha o que você fez! Agora teremos que concerta-la antes de dá-la ao chefe!
O rapaz disse pegando Lizzie e a colocando em seu ombro. A loira sempre fora de suportar a dor, mas aquela dor era a pior dor que sentiu em sua vida. A cada movimento que eles faziam, piorava sua situação. Lizzie gritou mais uma vez de dor ao ser colocada no ombro dele. Ela estava sendo levada como um saco de cimento. Eles nem ao menos ligavam para a dor dela. Foram para o corredor de pedras que Lizzie tanto admirava. A loira podia ver o rastro que deixava de sangue no chão enquanto ele a carregava. A cada dois passos, uma gota grande de sangue ficava para trás. Lizzie gemeu de raiva e dor. Ela iria matar aqueles dois assim que conseguisse se mexer de novo.
– VOCÊS VÃO SE ARREPENDER DISSO, EU VOU MATAR OS DOIS!
Lizzie gritou entre a dor. Era a única coisa que ela poderia fazer naquele momento. Os rapazes apenas riram. Ela então notou que eles não iriam leva-la até Bane. Como um deles havia dito, primeiro eles iriam concerta-la. Ela se concentrou nas gotas de sangue no chão que formava uma trilha, precisava se concentrar em algo para esquecer a dor terrível que sentia.
– O que vocês estão fazendo com uma mulher aqui?
Uma voz vinda de trás dela pode ser ouvida. Lizzie franziu o cenho lembrando-se daquela voz. Ela era boa em guardar vozes, e ela tinha certeza que aquele cara xingou ela um dia.
– Encontramos ela na rua, não é todos os dias que vemos uma loirinha por ai. Vamos dá-la de presente ao chefe depois.
Um deles falou parecendo ter orgulho dele mesmo. Lizzie rolou os olhos. Eles então andaram um pouco e passaram pelo cara. Lizzie pode ver seu pé e notou que ele usava muletas. Ela então se lembrou do rapaz em que ela tinha atiro em seu pé.
– EI, VOCÊ. EU ATIREI EM SEU PÉ, LEMBRA?
Lizzie gritou para ele. Os dois rapazes logo pararam de andar. Lizzie levantou sua cabeça com dificuldade e olhou para o cara. Ele olhou para ela espantado. Parecia que via um fantasma.
– Você conhece ela?
O rapaz com a faca na mão perguntou. Lizzie soltou uma risada sarcástica tentando enganar a dor que sentia. Mas parecia impossível. E ela estava perdendo sangue ali. A loira olhou para ele com a pior cara possível. Ele deixou cair sua muleta de nervoso e então foi até os dois pulando de um pé só.
– O que vocês pensam que estão fazendo? Ela é a mulher do chefe!
O rapaz murmurou o mais baixo possível. Lizzie ouviu a faca cair no chão e então ela pode rir. Apesar de doer, ela riu. Poderia ver a vida daqueles dois em suas mãos. Ela iria acabar com eles, não importa como. E ouvir o aleijado falar que ela era a mulher de Bane era uma das melhores coisas que ela poderia ouvir. A loira sentiu seu corpo mexer e soltou um gemido de dor. Logo o rapaz estava tirando ela de seu ombro. Ela colocou ela sentada no chão e Lizzie se arrastou até a parede descansando suas costas ali. Respirou fundo e fechou os olhos por um momento. Pensou que aquilo melhoraria em algo, mas aquilo só a fez se concentrar na dor terrível. Logo ela abriu de novo os olhos e viu os três em sua frente espantados. Lizzie abriu um sorriso maníaco que os fizeram arrepiar de medo.
– Vocês são homens mortos.
Lizzie grunhiu para eles. Ela podia sentir o medo deles de longe. Eles realmente tinham mexido com a garota errada. O rapaz da muleta saiu pulando e a pegou do chão. Os outros dois se entreolharam tentando entender a situação em que eles se encontravam. Lizzie tentava respirar o menos possível, pois até respirar doía naquele momento. Ela se sentia meio tonta. O sangue se misturava com a cor vermelha de seu casaco. E tudo que ela pensava era em como iria explicar isso para o Blake. Foi quando a loira ouviu passos se aproximando. Passos fortes, seguido de outros passos. Umas três pessoas vindo em sua direção.
– Porque tem sangue em meu chão?
Aquela voz fez todos ali petrificarem. A loira estranhou aquilo, ela conhecia aquela voz, mas não daquele jeito. Não tinha aquele efeito metálico que ela tanto gostava. Lizzie olhou para seus dois sequestradores e viu que o medo deles era tanto que eles nem conseguiam se mexer. Segundos depois Bane apareceu ali, sem sua máscara. Naquele momento pareceu que o tempo congelou. Todos ali pararam até mesmo de respirar. Apenas a respiração de Bane era ouvida. Havia mais dois capangas com Bane, e aqueles conheciam a imagem de Lizzie, e todos ali já foram avisados que ninguém poderia tocar em um fio de cabelo em Lizzie. Todos menos aqueles dois em frente a ela naquele momento. Má sorte a deles. Lizzie mantinha a cabeça baixa e tentava controlar sua respiração de uma forma que menos doía sua costela. O sangue de sua testa manchava seu casaco vermelho. Bane olhou para ela tentando se segurar para não quebrar o pescoço daqueles homens ali em frente a ela sem pelo menos uma explicação. Ele analisava a pequena garota que parecia sofrer em dor. Aquele sentimento que ele teve uma vez há muito tempo atrás de querer cuidar da garota indefesa estava voltando de novo. Ele podia sentir em seu coração, ele odiava aquilo. Bane tirou seus olhos de Lizzie e olhou para aqueles homens ali. Homens que provavelmente estariam mortos logo. Ele iria acabar com eles, mas primeiro, sua atenção seria da loira.
– Tire-os daqui.
Bane disse aos seus dois capangas que esperavam uma ordem. E assim foi feito. Em poucos segundos apenas Bane e Lizzie estavam naquele corredor enorme no subsolo de Gotham. Lizzie tinha receio em mexer seu corpo, já tinha se acostumado com aquela respiração leve. Seu desejo era permanecer ali até que sua costela melhorasse. Bane se agachou ao lado de Lizzie e olhou naqueles olhos verdes cheios de lágrimas. Por mais que ela não quisesse, a dor fazia isso com ela. Lizzie olhou para aqueles olhos e abriu um sorriso fraco.
– Oi, Bane. Como vai?
Lizzie murmurou. A loira sempre tratou a dor de uma forma engraçada. Sempre fazia piadas e tentava fingir que não aconteceu nada. E não era uma costela quebrada que ia mudar isso nela. Bane continuou a olhar para ela sério. Logo depois levou sua mão até o ferimento na testa de Lizzie. Ela logo se encolheu ao sentir a mão dele ali. Sentiu seu ferimento arder.
– Você vai precisar de pontos. Temos médicos aqui. Irei leva-la até eles.
Assim que ele disse, Bane tentou pega-la no colo. Mas ele parou assim que Lizzie gritou. Ele não sabia da costela dela, aquilo pareceu doer. Bane olhou para Lizzie preocupado notando a dor dela. A loira sentiu uma lágrima descer pelo seu rosto e se xingou mentalmente por estar se demonstrando fraca na frente dele.
– Acho que quebrei minha costela. Por favor, não me leve a eles... Bane.
Lizzie tentava falar o mais normal possível. Mas tudo que saia de sua voz era uma rouquidão baixa misturada com uma voz manhosa. Bane franziu o cenho tentando entender o que ela queria que ele fizesse.
– Eu não tenho muitas opções aqui, criança. Eu preciso movê-la, aguente firme.
Lizzie esperou a pior das dores. Ela não sabia o que fazer. E a dor veio, como uma bala que te atinge. Tão rápido e tão doloroso. Lizzie rapidamente colocou seus braços em volta do pescoço de Bane e escondeu seu rosto em seu pescoço. Ela se sentia fraca naquele momento, e odiava isso. Bane tentava ao máximo não movê-la muito, ele não queria machuca-la ainda mais. Lizzie abraçava Bane como se aquilo afastasse sua dor. De alguma forma, afastava um pouco. A loira se concentrava no perfume da pele de Bane, era tão viciante. Mas naquele momento, era como a morfina dela. Lizzie percebeu que ele estava indo em direção contrária do seu quarto. Bane estava levando-a para algum de seus capangas que cuidava dos feridos e doentes ali. Ela não queria aquilo.
– Bane, eu não quero ser tocada por esses homens, por favor!
Lizzie praticamente suplicou para Bane. E ele entendeu aquilo, ele entendia o ponto de vista dela. Lizzie não confiava em ninguém ali.
– O quer que eu faça, criança? Você precisa ser cuidada.
Naquele momento Lizzie não se importava em ser chamada de criança. Era até confortável ouvir o jeito carinho que Bane a chamava. Lizzie tentava entender o como ele estava sem máscara. Era tão estranho aquilo. A loira levantou sua cabeça com cuidado olhando para os olhos de Bane. Eram de um verde incrível, seus olhos pareciam não ter vida, mas naquele momento havia algo neles que a hipnotizavam.
– Cuide de mim. Você pode fazer isso, certo?
Bane não poderia dizer não àquele pedido. Aquela voz mimada sussurrando para Bane, pedindo que ele cuide dela como uma criança abandonada. Bane parou de andar naquele momento e se viu encarando aqueles olhos que demonstravam dor e fraqueza de Lizzie. Ele respirou fundo e deu a volta. Logo eles estavam em frente ao quarto de Bane. No momento em que ele fechou a porta atrás de si, aquelas memórias dela com Bane naquele quarto passaram pela cabeça de Lizzie. Sentiu seu corpo tremer em reação as memorias. Bane a colocou em sua cama com cuidado e logo se sentou ao lado dela. Tirou o coturno da loira rapidamente. Lizzie passou seus olhos pelo quarto e encontrou a máscara dele encima da pequena mesa ali, ela estava ao lado de uma maleta que parecia importante. Logo observou Bane se levantar e ir em direção ao banheiro, ele voltou segundos depois com um Kit de primeiros socorros. Bane voltou a se sentar ao lado dela. Pegou uma gaze e água e limpou o ferimento de Lizzie. A loira se encolheu ao sentir a água gelada entrar no ferimento. Eles não diziam nada durante a limpeza. Lizzie apenas observava Bane fazer seu trabalho como se fosse uma pessoa normal, ou um médico. Depois de um tempo limpando, Bane pegou a agulha e a linha de dentro do Kit. Lizzie respirou fundo e fechou seus olhos. Bane então começou a costurar o ferimento. Lizzie se segurava para não gritar, aquela dor misturada com a dor de sua costela não era uma coisa boa de aguentar. Depois de cinco minutos de silencio e costura, Bane terminou. Colocou um pequeno band-aid encima do ferimento e jogou o Kit ao lado da cama, no chão. Lizzie riu daquilo, mas logo se arrependeu quando sentiu sua costela reclamar. Bane, querendo ou não, estava preocupado com ela.
– Acho bom você aceitar o conselho de não andar em Gotham à noite.
Bane disse abrindo um sorriso sarcástico. Lizzie não conseguia dizer nada, apenas apreciava a beleza de Bane sem aquela máscara.
– Bane... Como você está sem... a máscara?
A loira perguntou um tanto quanto curiosa. Bane logo tirou aquele sorriso do rosto e encarou-a por alguns segundos. Sem dizer nada, levou suas mãos até os ombros de Lizzie e delicadamente tirou o casaco dela. Lizzie não entendia aquilo, mas preferiu não intervir. Ele colocou o casaco ao lado da cama e se aproximou mais do corpo da loira. Levou suas mãos até a barra do vestido dela e o levantou. Naquele momento ela sentiu seu corpo se arrepiar com o toque dele em suas coxas. Lizzie começou a observar as mãos deles. Elas levantavam o vestido dela lentamente. Bane viu o fim das meias pretas de Lizzie que iam até o meio de suas coxas e levantou mais seu vestido. Ele pode observar a calcinha preta de renda de Lizzie, mas não ligou muito para aquilo no momento. Levantou mais o vestido dela até que ele chegasse a suas costelas. Ali ele pode achar o ferimento de Lizzie, estava uma grande marca roxa no lugar.
– É um soro, duas vezes mais forte que o que eu uso para estabilizar a dor. Injetado direto na veia, eu posso ter pelo menos duas horas sem a máscara.
Enquanto Bane falava, as pontas de seus dedos passavam pela pele de Lizzie causando-a arrepios. A loira sentia-se louca por sentir aquela sensação correr pelo seu corpo naquele momento. Ele estava tão perto dela e o fato de ele estar sem máscara a fazia querer ele mais e mais. Lizzie sentiu quando seus dedos deslizaram pelo hematoma ali. A loira se encolheu soltando um gemido de dor. Bane olhou para aquele hematoma procurando pensar em algo que ajudasse a amenizar a dor de Lizzie.
– Acho que terei que esperar, é a única opção.
Lizzie murmurou com um sorriso no rosto. Ela tentava ser o mais bravia possível. Mas era difícil. A loira levantou seu rosto fazendo com que o de Bane ficasse perto demais ao seu. Porém Bane estava ocupado demais encarando aquele hematoma. Lizzie não entendia Bane, e ela queria muito entender.
– A dor é psicológica, tente não pensar muito nela.
A voz de Bane saiu fraca e rouca. Ele sabia que estava perto o bastante para ela ouvir. Lizzie sentiu as mãos de Bane pegar em seu vestido. Ela percebeu que ele iria abaixar seu vestido. Sentia sua respiração se misturar com a dele. Era incrível a diferença que uma máscara pode fazer. A loira não tinha nada
– Estou ficando louca.
Lizzie pensou alto. Ela realmente não sabia o que falava. Bane levantou sua cabeça fazendo com que os dois ficassem a centímetros um do outro. Nenhum dos dois pronunciou uma palavra por algum tempo. Bane desviou seu olhar para os lábios de Lizzie, eram tão convidativos naquele momento. Porém ele não queria se demonstrar sentimental.
– O que te faz pensar que está ficando louca?
Bane sussurrou aquelas palavras sem se movimentar um centímetro. Lizzie prendeu sua respiração naquele momento. Ela não acreditava que estava ali, sentindo seu coração palpitar mais forte pelo homem que a estuprou. Ela deveria estar gritando e pedindo por ajuda, mas naquele momento. Ele era tudo que ela queria.
– Estou presa em você, e não quero me soltar. Nunca. Isso está me deixando louca.
Lizzie levou suas mãos até o rosto de Bane, segurando-o. Passou a ponta de seus dedos levemente pelos lábios macios dele. Ela nunca imaginou poder tocar os lábios de Bane, nunca teve tempo para pensar nisso. Mas naquele momento tudo que passava em sua mente era sobre Bane. Seu cheiro, seu toque, e seu beijo. Bane não disse nenhuma palavra. Ele não tinha o que dizer, ele apenas lutava contra aquele desejo de ter Lizzie. A loira fechou seus olhos apenas sentindo aquela sensação tomar conta de seu corpo, nem ao menos se importava com a dor que sentia. O desejo era maior que a dor. Lizzie não esperou muito tempo até encaixar seus lábios com os dele. Era como se uma onde de energia passasse pelo seu corpo. Sentir Bane tão perto dela, era algo tão surreal. Aquele homem forte e que transmite medo para as pessoas apenas com um olhar, tinha aquele garoto estilo apaixonado dentro de si. Um cuidador, um amigo. Aquela pessoa que o único problema é amar demais.
Lizzie aprofundou o beijo puxando-o para mais perto de si. Bane deixou seu corpo encima do dela se equilibrando com seus braços para que não a machucasse. Ela realmente não importava com a dor. Uma das mãos dele escorregou até a coxa da garota apertando-a. Lizzie deixou um gemido abafado escapar de seus lábios entre aquele beijo. E quanto mais ela aprofundava aquele beijo, Bane aproximava mais seu corpo do dela. Ela arranhava e agarrava a pele pálida dele como uma gata arranhando seu novelo. E ele pouco se importava com aquilo. Bane alcançava todas as partes do corpo dela com suas mãos delicadamente. Estava tão bom aquilo, Lizzie queria se entregar aquela luxuria pura. Porém ela tinha coisas em mente para fazer. Não importava as horas, ou se ela havia costelas quebradas ou a testa cortada. Ela precisava de Blake também. Era mais fácil dizer que Bane era seu inferno, aquele inferno onde ela pertence. E Blake é o céu que ela não pertence, mas ele a quer lá. Podia-se dizer também que Coringa não era nenhum dos dois, era algo pior, algo doloroso de encarar. Ele era o purgatório do qual ela estava se acostumando a viver. E Crane? Ele era a realidade, a verdadeira realidade da vida. Aquela pessoa pessimista que te coloca no chão antes que você possa sonhar.
Naquele momento os dois foram interrompidos por uma batida na porta. Lizzie afastou seus lábios dos dele por alguns centímetros. Os dois desejaram que aquilo fosse apenas uma impressão. Mas então a porta foi ouvida novamente. Bane pareceu-se não gostar nada daquilo. Lizzie mordeu seu lábio inferior um pouco tímida com aquilo, mas aquilo só fez Bane querer permanecer ali.
– Acho melhor você ver o que está acontecendo, Bane.
Lizzie murmurou. Bane saiu de cima dela sem pressa para não machuca-la e foi até a porta. Ao abrir viu dois de seus capangas. Eles pareciam meio assustados. Bane ficou curioso com aquilo.
– O que querem?
Ele perguntou rude. Um dos capangas olhou para o outro e respirou fundo.
– Senhor, recebemos a noticia que há um novo homem querendo as terras de Gotham. E ele quer todos os cantos dela.
Notas finais
PRIMEIRA DECLARAÇÃO DE LIZZIE PARA UM DELES. Quem será o próximo? Ela vai ficar dividida em quatro.
Recomendo ouvir "Addicted - Kelly Clarkson". É a música tema de Bazzie (Bane/Lizzie).
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